Estudo revela: dor aguda na região lombar acaba evoluindo para crônica em 40% das pessoas

As dores crônicas são um capítulo à parte da Medicina e envolvem diversos tipos de dores que podem acometer todas as partes do corpo, como por exemplo as dores de cabeça, dores causadas por diabetes e dores nas costas. Essa última é a reclamação mais comum nos consultórios médicos e atinge 36% dos adultos brasileiros, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Outro dado preocupante foi publicado, neste ano, no British Medical Journal, mostrando que 40% das pessoas que sofrem uma crise de dor aguda na região lombar acabam evoluindo para dor crônica na região.

O neurocirurgião, especialista em coluna, Vinicius Benites, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que toda dor que passa de dois meses é considerada crônica. “O caminho da dor crônica até o cérebro é diferente do percurso da dor aguda, que é aquela quando batemos o dedão do pé na porta. Esse trajeto vai ficando cada vez mais forte à medida em que o tempo passa. A dor em geral é diária, com intensidade de leve a moderada e com períodos de piora que podem deixar a pessoa incapacitada para trabalhar por alguns dias e necessitando, em alguns casos, de medicação endovenosa para alívio da dor. Atualmente, a dor nas costas é a maior causa de afastamentos do trabalho pelo INSS”, diz.

Para o médico, as causas da dor crônica na coluna lombar e cervical são geralmente decorrentes do processo degenerativo da coluna, no qual as articulações podem se inflamar e os discos podem se degenerar ou causar uma hérnia de disco. “No caso de causarem uma hérnia de disco, podem comprimir uma raiz nervosa e piorar a dor, com irradiação para os braços (hérnia de disco cervical) ou para perna (hérnia de disco lombar)”, explica Benites.

A prevenção de dor crônica passa pelos hábitos saudáveis de vida, porém o principal fator acaba sendo a genética individual que pode predispor mesmo indivíduos saudáveis e quem pratica atividades físicas regulares, a terem graves problemas na coluna. “De toda forma, é sempre recomendado manter o peso próximo do ideal, não realizar atividades contínuas que sobrecarreguem a coluna, assim como realizar atividades físicas de fortalecimento”, comenta Benites.

O tratamento vai depender do tipo de problema apresentado e segue a orientação de iniciar com tratamento clínico com uso de medicações e melhora dos hábitos de vida, e casos refratários, pode-se indicar procedimentos minimamente invasivos.

Abaixo, Benites explica sobre as diferentes dores na coluna.

– Dor Crônica: fibromialgia

Trata-se de uma doença reumatológica de causa ainda não totalmente esclarecida, mas relacionada a diversos problemas da vida moderna, como a ansiedade, depressão, sedentarismo e fadiga. O diagnóstico dessa doença é feito principalmente em bases clínicas, ou seja, após uma boa avaliação e exame do paciente, já que nenhum exame específico é capaz de detectar essa doença. O tratamento é feito com mudanças dos hábitos de vida como incluir atividade física, diminuir o estresse diário e também com o uso de medicações.

-Dor Crônica: doenças reumatológicas

As doenças reumatológicas são importantes causas de dores crônicas em várias partes do corpo, mas em se tratando da coluna destacamos a fibromialgia, artrite reumatóide, espondilite anquilosante e artrose. Cada uma dessas doenças possui um tratamento específico, que envolve primeiro o diagnóstico exato, para depois serem iniciados as medicações, reabilitação e em casos pontuais, as cirurgias são recomendadas. O tratamento dessas doenças é feito sempre com o acompanhamento de um médico reumatologista e nos casos de complicações que sejam cirúrgicas, aí entra a expertise do cirurgião de coluna.

-Dor Crônica: nervo ciático

Quando um nervo fica comprimido ou inflamado por um período maior do que 2 meses, dizemos que a pessoa desenvolveu uma dor nervosa crônica. No caso da dor ciática, se uma das suas quatro raízes for acometida por um período maior do que esse, a pessoa apresentará a dor irradiada pelo trajeto do nervo ciático, que chamamos resumidamente de dor ciática, e ela acomete a região lombar baixa, glúteo, face posterior (atrás) da coxa, lateral da perna e peito do pé. O tratamento depende da causa e sabemos que tudo que levar a irritação do nervo, pode ser um causador, como uma hérnia de disco, artrose da coluna, traumatismo, cirurgias prévias (dores iatrogênicas), doenças reumatológicas, tumores etc.

-Dor Crônica de causa Iatrogênica

Quando uma pessoa desenvolve uma dor crônica após um procedimento cirúrgico, chamamos de iatrogênica. Esse termo não está relacionado a erro médico, ou seja, a dor pode ser uma consequência do procedimento cirúrgico ainda que tudo tenha sido feito corretamente pelo cirurgião. No entanto, obviamente há casos em que um erro durante a cirurgia gera para o paciente uma dor crônica. Esses casos em geral são dos mais difíceis de tratar, porém quando reoperamos e conseguimos bons resultados, a satisfação do paciente é das mais recompensadoras. O tratamento desse tipo de dor envolve uso de medicações e até procedimentos cirúrgicos específicos para dor crônica, como a implantação de neuroestimuladores.

-Dor Crônica: tratamento

O tratamento é totalmente dependente da causa, por isso vamos focar na sua principal causa que é a artrose da coluna. Nos casos leves e iniciais, recomenda-se sempre o fortalecimento da musculatura de sustentação da coluna cervical ou lombar, atenção para o uso de colchões e travesseiros adequados, manutenção da postura correta no trabalho etc. Quando apenas tais mudanças não são suficientes, iniciamos uso de medicação para dor crônica. Para casos de maior gravidade, indicamos cirurgias que podem ser desde apenas uma simples rizotomia percutânea (tratamento apenas com agulhas), passando por cirurgias minimamente invasivas, até cirurgias maiores que envolvam a reconstrução da coluna.

Leia mais sobre o assunto.

3 comentários em “Estudo revela: dor aguda na região lombar acaba evoluindo para crônica em 40% das pessoas

  1. Foi muito esclarecedor para mim ja que convivo com alguma dessas doenças reumáticas em acompanhamento e tratamento. Porém, penso que os médicos reumatologistas, os que atendem pelo SUS, deveriam dar mais atenção aos pacientes e valorizar mais a dor que seu paciente acometido de uma dessas doencas sofre, pois, e muito ruim conviver diariamente com dor. Gostei muito dessa materia. Parabens ao autor do texto!!!

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