Arroz integral bom (até) pra cachorro!

Na contramão do mercado de alimentação animal, tutores de cães optam por alimentação saudável e natural e estão trocando ração por comida caseira

Na contramão desse mercado bilionário, uma tendência começa a ganhar força entre os tutores de pets. A alimentação caseira para cães. Tidos como mais saudáveis e até mesmo mais em conta do que opções industrializadas, misturas como arroz com legumes e até mesmo frutas para os cachorros estão cada vez mais em voga. A Broto Legal, uma das líderes em venda e arroz e feijão no interior de São Paulo, tem recebido informações de lojistas e dos próprios clientes por e-mail e redes sociais dando conta de que o arroz integral da marca, por exemplo, está entre os mais buscados pelos adeptos desta linha “pet-saúde”.

“Nossos produtos são feitos visando ao consumo humano, com todos os cuidados possíveis, inclusive controle de agrotóxicos. Por essa razão, eles são naturalmente adequados para as pessoas que são adeptas a alimentar os cães com arroz de qualidade. Isso não nos surpreende, apenas nos deixa felizes em ajudar quem quer uma alimentação saudável até também para os seus pets”, diz Vitor Fujisawa, da Broto Legal.

O arroz integral é muito utilizado na alimentação natural para cães devido às melhores características nutricionais. As propriedades nutritivas são maiores se comparadas ao arroz branco que, durante o processamento, perde parte de seus nutrientes. Por essa razão o integral acaba sendo mais indicado, além de ser rico em vitaminas, minerais, fibras, aumenta a saciedade e apresenta índice glicêmico menor, ou seja, a liberação de glicose na corrente sanguínea ocorre gradualmente mantendo equilibrado os níveis de insulina no sangue (hormônio responsável pela entrada de glicose nas células e desempenha importante papel no metabolismo de gorduras).

Para a médica veterinária Mallize Fonseca, apesar de os cães serem animais de origem carnívora, com o processo de domesticação eles se aproximaram dos hábitos alimentares dos humanos, pois passaram a ter acesso a outros tipos de alimentos, e com isso se adaptaram e passaram a tolerar frutas, legumes, vegetais e cereais como parte de sua dieta. Mallize ressalta, porém, que “alimentação natural” não é a mesma coisa que “dar restos de comida” e muito menos dar a mesma comida temperada como a dos seres humanos.

“A dieta com alimentação caseira deve ser elaborada por veterinário capacitado na área da nutrologia/nutrição. O plano alimentar é feito individualmente, assim como para as pessoas, de acordo com as necessidades energéticas, idade, presença de enfermidade, categoria, escore corporal. A quantidade diária a ser fornecida e a proporção entre proteína, carboidrato e gordura devem ser minuciosamente calculadas para que não ocorram carências nutricionais ou excessos, assim como a suplementação com vitaminas e minerais e nutracêuticos”, alerta.

dog-eat

Ela enfatiza que o arroz é um cereal nutritivo, podendo fazer parte de uma dieta diária para cães, porém cada caso deve ser avaliado individualmente, pois um alimento que faz bem para um animal pode não fazer bem para outro – justamente por isso há a necessidade da recomendação de um veterinário. Alguns temperos não devem ser utilizados, pois podem trazer problemas para os cães. “A cebola, por exemplo, tem uma substância chamada n-propil disulfito, que pode ocasionar anemia nos cães, e em gatos o risco é maior ainda. A quantidade em si não se sabe, pois alguns cães são mais sensíveis que outros. Por isso não é indicado oferecer cebola nem alimentos temperados à base dela”, explica Mallize.

Já com o alho, acrescenta, o perigo é menor do que a cebola, mas ainda existe. “Alguns estudos dizem que o cão tem que ingerir grandes quantidades de alho pode se intoxicar e apresentar anemia. Acredito que refogar o arroz em pequenas quantidades não traria problemas, mas como cada animal apresenta uma resposta diferente do outro, é melhor evitar. Manjericão e salsinha, por outro lado, podem ser utilizados sem problemas”, pontua.

Ela dá ainda uma dica: refogar o arroz de preferência em óleo de coco, pois é uma gordura não-inflamatória e possui muitas propriedades benéficas. “Por fim, o sal integral deve ser usado em quantidades moderadas”.

Ração x comida caseira

O Brasil possui uma população de 106 milhões de animais de estimação. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o mercado movimentou, em 2015, R$ 16 bilhões de reais. Também ano passado, as empresas do setor tiveram um crescimento de 15%, se comparado a 2014, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan).

Em vários tipos de ração, são encontrado excessos de carboidratos e uma mistura de vários grãos, o que pode provocar obesidade, alergias e intolerância alimentar. A obesidade nos animais tem aumentado a cada ano. A cada cinco pacientes atendidos três estão acima do peso, à obesidade está relacionada com graves problemas de saúde.

Vale lembrar ainda que, assim como nos humanos, cães podem desenvolver intolerâncias, alergias a certos alimentos ou ingredientes presentes em sua dieta. O principal sintoma são distúrbios dermatológicos. Os cães participam cada vez mais da rotina de seus donos, inclusive durantes as refeições a oferta de alimentos não adequados como pães, fast food, biscoitos, iogurtes, doces, aumenta o risco de desenvolvimento de intolerâncias, obesidade e alergias.

arroz integral szafirek
Foto: Morguefile/Szafirek

Uma receita boa pra cachorro:

Bolinho funcional de arroz e cenoura

Ingredientes:
4 colheres de arroz integral cozido
1 ovo
1 cenoura cozida (média)
1 colher de chá de azeite extra virgem ou óleo de coco
1 pitada de sal marinho
Farinha de arroz integral ou farinha de amaranto para dar liga (média duas colheres sopa)

Modo de preparo:
Com um mixer ou um garfo amasse bem o arroz, junte o ovo, azeite e o sal e bata bem durante 2 minutos. Após junte a cenoura cozida cortada em cubos e bata novamente até obter uma massa homogênea. Acrescente um punhadinho de salsinha ou manjericão para dar sabor. Vá juntando a farinha aos poucos e amassando até a massa ficar a ponto de modelar, não precisa desgrudar das mãos ao ponto de biscoito para que não fique muito seca. Leve ao forno durante 20 a 25 minutos. Rende cerca de seis porções. Espere esfriar e estar pronto para servir. Conservar em geladeira por ser tratar de alimento natural.
Esse bolinho é sem conservantes, corantes, glúten e aditivos alimentares. Nutritivo, fornece fibras, vitaminas, minerais e proteínas. É indicado como petisco ou agrado. Uma sugestão é substituir os petiscos industrializados ou aquelas guloseimas ofertadas na hora da refeição com seus donos. Não substitui a alimentação convencional e não é indicado o consumo em excesso.
É muito importante que o profissional esteja cada vez mais atualizado tenha essa consciência que a nutrição é uma forte aliada à medicina preventiva e que podemos ao invés de tratar a doença instalada, prevenir o surgimento dela. Um bom alimento é aquele que além de alimentar fornece nutrientes para manter as funções vitais do corpo, crescimentos, reprodução, movimento. Animais bem nutridos são mais saudáveis, felizes, adoecem menos e vivem mais.

Fonte: Mallize G. Fonseca, médica veterinária, especialista em nutrologia e dermatologia. 

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