Pele seca e ressecada podem ser confundidas, mas não são a mesma coisa

Dermatologista explica a diferença entre o tipo de pele e a condição em que ela se apresenta em determinado momento, por fatores internos e externos. Em um caso, há falta natural de óleo; no outro, desidratação (falta de água)

Embora tenham nomes parecidos, pele seca não é a mesma coisa que pele ressecada e esta é uma sutil diferença que impacta na escolha de cosméticos. “O clima frio e o ar seco fazem com que a camada mais externa de células da pele encolha e isso ajuda a degradar as reservas de filagrina, uma proteína que colabora com a hidratação natural e barreira cutânea. Com isso, até mesmo a pele oleosa tende a ficar mais ressecada e pode ser confundida com a pele seca”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Mas é necessário entender uma diferença: existe a denominação quanto ao tipo de pele, ou seja, se é seca, normal, mista ou oleosa; e também há condições, internas e externas, que fazem com que até mesmo a pele oleosa possa ficar desidratada ou ressecada”, acrescenta.

De acordo com a médica, o tipo é a característica natural da pele, enquanto a condição é algo que pode causar a experiência de outros problemas. “E isso pode acontecer a qualquer um, tanto de forma breve e temporária quanto, em alguns casos, de maneira mais longa e persistente”, comenta. A baixa ingestão de água, a poluição, o vento, o clima seco e até hobbies, como por exemplo a natação, estão entre os principais fatores que demandam cuidados especiais com a pele para que ela não fique desidratada. “Em resumo, pele seca representa um tipo específico de pele, enquanto a ressecada é uma preocupação”, sintetiza.

Mas afinal, cientificamente, qual a diferença? “Nossa pele conta com uma membrana hidrolipídica, que é um filme natural de gordura (óleo) e água, com função de proteger a pele. Se você tem pele seca, isso significa uma carência de óleo. É uma característica que também é comum a outras áreas do corpo, como mãos, couro cabeludo e pernas”, explica.

rosto poluição

“Já no caso da pele desidratada, ela está carente de água e isso pode ser proveniente de vários fatores, desde dieta até uso incorreto de cosméticos, que podem ser agressivos e irritantes”. Ela exemplifica: “O álcool desnaturado pode secar a superfície da pele com aspecto desidratado, mas também estimular a produção de óleo em excesso na base do poro, de modo que a pele fica ainda mais oleosa.”

A médica explica que é nesse ponto que pode surgir um problema: “Quando a pele está desidratada, ela produz mais óleo para compensar a falta de água. Isto pode causar produção exacerbada de sebo, irritação, manchas e espinhas”.

Para resolver esse problema, Thais ressalta primeiramente a importância de consultar um dermatologista, que fará um diagnóstico correto do tipo de pele e da condição em que ela se encontra. “Além disso, é importante a ingestão de água e, no caso das peles oleosas que estão desidratadas, é necessário fazer a hidratação facial de preferência com séruns, já que eles têm textura fluida e não deixam a pele oleosa ou “pesada” e com aspecto brilhante em excesso”, garante. O gel também é indicado para esse tipo de pele, mas atenção: cremes mais pesados devem ser evitados.

Já no caso da pele seca, ela tende a sofrer ainda mais no inverno. “Dessa forma, os cremes devem ser enriquecidos, ou seja, as formulações devem ter uma textura mais rica, que realmente forme um filme sobre a pele, uma parede de defesa que consiga repor e segurar água para evitar a perda transepidérmica. Podem ser usados: Hyaxel e DSH CN (ácido hialurônico de baixo e alto peso molecular), Oligomix, Nutriomega 3, 6, 7 e 9, Alistin, proteínas, peptídeos, ácidos graxos essenciais (ômega-3), vitaminas E e C e oligoelementos como zinco, cobre, ferro, selênio e silício”, explica a médica.

Outro ponto de destaque é com relação à higienização dessa pele, de forma que o sabonete líquido não deve ter qualquer agente agressor. “Indico as loções e emulsões de limpeza, os sabonetes cremosos ou os líquidos à base de extratos calmantes como calêndula, camomila, aloe vera”, explica.

De forma geral, a dermatologista sugere, na rotina de limpeza, as seguintes dicas: usar sabonetes de limpeza suaves; evitar esfoliantes agressivos e escovas de limpeza ásperos; usar tônicos que contenham ação hidratante e, no caso da pele oleosa, buscar produtos com álcool em pequena quantidade na formulação; ignorar produtos altamente perfumados (se eles usam fragrâncias sintéticas ou naturais); usar produtos de tratamento, como aqueles à base de ácidos e retinoides, apenas com orientação dermatológica; e procurar ajuda médica em casos de irritação ou ressecamento excessivo.

pele seca poluição mulher.jpg

“Algumas vitaminas orais como FC Oral e Bio-Arct podem ser indicadas para melhorar essa hidratação de dentro para fora”, finaliza a médica.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

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