Covid-19: pacientes com diabetes correm mais risco?

Pessoas com doenças crônicas têm desfechos clínicos piores quando são infectadas pelo coronavírus, mas não há evidências de que estão mais propensas a contraírem a doença

As estatísticas demonstram que pessoas idosas e com condições médicas crônicas, como diabetes e doenças cardíacas, têm mais riscos quando contraem o Covid-19. Em um estudo chinês, feito com mais de 173 pacientes, que foram acometidos de maneira severa pelo coronavírus, 23% tinham hipertensão arterial e 16%, diabetes. No Brasil, a primeira vítima fatal do vírus foi um idoso com ambas doenças.

Segundo Rodrigo Noronha, cardiologista do Hospital BP, atualmente, não há dados suficientes para mostrar que pessoas com diabetes tenham, ou não, mais chances de contrair o vírus, mas que, na China, os diabéticos apresentaram mais complicações durante a evolução do Covid-19.

diabetes 2

“Esses pacientes já são mais propensos a apresentarem sintomas graves quando são infectados por um vírus, de forma geral. Contudo, se o diabetes estiver controlado, o doente tem uma chance de complicação quase igual à população sem a doença”, explica o médico. “Isso acontece porque as infecções virais podem aumentar a inflamação e o inchaço no corpo, assim como o açúcar elevado no sangue, então, controlar o diabetes é extremamente importante para que esse paciente fique mais seguro”, completa.

No Brasil, 73% dos pacientes com diabetes ainda estão fora de controle e o avanço dessa doença já é considerado uma epidemia global pela OMS, que estima que o diabetes tipo 2 teve crescimento próximo a 62% na última década, mas é a baixa adesão às terapias que impacta em complicações no coração e nos rins, causando hipertensão, insuficiência cardíaca e renal, e, em tempos de pandemia, podem prejudicar o paciente.

Ainda segundo Noronha, não há indícios de que o coronavírus afete os pacientes com diabetes tipo 1 ou 2 de forma diferente. Contudo, é importante lembrar que os pacientes do tipo 2 que tratam a doença de forma medicamentosa têm mais chances de não serem adeptos à terapia e, por isso, se tornam mais suscetíveis a complicações. “Cada caso é um caso e deve ser tratado de forma individual, uma vez que temos diversas faixas etárias e quadros de comorbidades, como as doenças cardíacas”, completa o especialista.

“A boa notícia é que, nesse caso, os próprios pacientes têm o poder de mudar esse cenário e diminuir o grupo de risco para o coronavírus, mantendo o tratamento conforme recomendado pelo médico — e assim mantendo seus níveis de glicose equilibrados, controlando a obesidade e o sedentarismo, além de manter uma dieta saudável e planejada”, explica o Dr. Noronha. “Outro ponto essencial, é fazer check-ups cardiovasculares periódicos para monitorar qualquer mudança que comprometa a sua saúde”.

Sobre o diabetes

mulher meia idade diabete

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia) que pode ser subdividida, principalmente, em dois tipos: o tipo 1, no qual há a deficiência de insulina, e o tipo 2, em que há a chamada resistência insulínica. No segundo tipo existe importante influência do aumento de peso e obesidade e o início da doença.

Mas como tratar a doença? Além da adoção hábitos saudáveis, incluindo boa dieta e o abandono do sedentarismo com início de atividade física, em muitos casos, o paciente tem de recorrer à medicação. Para auxiliar no controle dos níveis de açúcar na corrente sanguínea, a ciência tem evoluído e testado formas diversas de tratamento, que varia de acordo com a necessidade individual.

Fonte: AstraZeneca 

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