Dia dos Namorados: alimentos afrodisíacos e como podem ajudar no desempenho sexual

Saiba o que a ciência diz sobre a relação entre alimentação e saúde sexual, principalmente no que diz respeito aos alimentos que podem atuar como estimulantes

Afrodite é conhecida como a deusa grega do amor e seu legado também ficou caracteristicamente marcado por um grupo de alimentos conhecidos como afrodisíacos. “Os alimentos que provocam nossos sentidos, como cheiro, gosto, textura ou até a própria estética, são considerados afrodisíacos por aguçar a imaginação, proporcionar mais experiência e, assim, aumentar o desejo sexual. Há também medicamentos e fitoterápicos afrodisíacos, que ajudam a despertar o instinto sexual, induzindo o desejo e aumentando o prazer e o desempenho”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

“Apesar de muitos alimentos terem atividades funcionais, eles não fazem milagres”, acrescenta. Em muitos casos os alimentos podem ajudar o desempenho sexual, mas no caso de disfunções (dificuldade em qualquer estágio do sexo – incluindo desejo, excitação ou orgasmo) é necessário buscar ajuda médica especializada, segundo a nutróloga.

Os alimentos afrodisíacos têm substâncias derivadas de plantas, animais ou minerais, e estão divididos em dois grupos: aqueles que causam estímulos psicofisiológicos (preparativos visuais, táteis, olfativos e auditivos) e preparações internas (alimentos, bebidas alcoólicas e poção do amor).

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De acordo com a médica, a ciência relaciona há anos os hábitos alimentares e o desempenho sexual. “A obesidade tem uma influência negativa na fertilidade masculina, enquanto a perda de peso melhora essa questão em homens. A insuficiência alimentar está associada a comportamentos de risco sexual aumentados, mais significativos em mulheres. Em relação aos macronutrientes e alimentos de grupo, ácidos graxos trans, alimentos com alto índice glicêmico, dieta rica em carboidratos e alta ingestão de proteínas animais prejudicam a fertilidade; enquanto isso, ácidos graxos ômega-3 e ômega-6, alimentos com baixo índice glicêmico e dieta com pouco carboidrato, rica em proteínas vegetais e antioxidantes melhoram a fertilidade”, diz a médica.

Também há diferenças entre os benefícios e malefícios para homens e mulheres: “As isoflavonas têm um impacto negativo na fertilidade dos homens e melhoram a saúde sexual das mulheres na menopausa. O leite integral pode melhorar a fertilidade das mulheres, mas os homens se beneficiam do leite desnatado”, acrescenta Marcella.

Segundo a médica, é observado na literatura científica que alimentos fontes de alguns nutrientes e compostos bioativos podem ajudar no desempenho sexual. São alguns deles:

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Fontes de zinco: esse mineral é importante na liberação de testosterona, condicional para a saúde sexual de homens e mulheres. “Ele está presente em alimentos como ostras cozidas, carnes vermelhas e brancas, soja, amêndoa, nozes, amendoim, castanha-do-pará, castanha-de-caju, sementes de abóbora, linhaça, girassol e melancia”, diz a médica.

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Alimentos que ajudam a liberação de neurotransmissores: conhecidos como hormônios do prazer, a serotonina, dopamina e endorfina têm papel importante na sensação de motivação, euforia, alegria, colaborando para a saúde sexual. “Os alimentos que ajudam nessa liberação são: aveia, chocolate amargo, banana, ovos, abacaxi, grão de bico, sementes de abóbora e peixes de água fria”, diz a nutróloga.

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Nutrientes que estimulem óxido nítrico: “Alimentos que estimulam a liberação de óxido nítrico também são importantes, uma vez que ele é responsável pela vasodilatação e aumento da oxigenação dos tecidos”, afirma a médica. Esse aumento do fluxo sanguíneo é fundamental para ereção masculina e lubrificação feminina. “Invista na beterraba, alho, sementes oleaginosas, carnes em geral, vegetais verde-escuros e frutas cítricas.”

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Termogênicos: ao estimular o sistema nervoso simpático, esses alimentos aceleram o metabolismo e melhoram levemente a circulação. São exemplos: as pimentas, o gengibre, o açafrão da terra (cúrcuma), a canela, o cravo, as especiarias, as ervas aromáticas e o café.

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Além disso, a médica acrescenta as frutas vermelhas e principalmente os morangos, considerados os frutos da sensualidade, sempre presentes quando o assunto é romance. “Ricas em antioxidantes e vitamina C, as frutas vermelhas também ajudam no fluxo sanguíneo”, diz a médica.

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Com relação às bebidas alcoólicas como o vinho tinto e champanhe, é necessário ter cautela. “Em pequena quantidade, elas podem ajudar na vasodilatação e na descontração inicial, porém quantidades excessivas pioram muito o desempenho tanto de homens como mulheres”, diz a médica.

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Catuaba em pó

Algumas plantas medicinais como catuaba, ashwagandha, ginseng e tribulus entre outras, segundo Marcella, encontram respaldo na literatura como complementares nas terapias para a melhora das funções sexuais, porém como se tratam de medicamentos, preferencialmente devem ser consumidas seguindo prescrição médica. “Os efeitos farmacológicos dos afrodisíacos são heterogênicos, incluindo atividades de estímulo à dopamina ou com ação no sistema nervoso simpático, além da liberação de óxido nítrico”, afirma a médica.

Por fim, a médica lembra que, da mesma forma que o emagrecimento atua de maneira importante, é necessário seguir recomendação médica, pois a ingestão calórica sem aporte de nutrientes necessários pode afetar seriamente a saúde sexual. Além disso, alguns alimentos podem ser considerados anafrodisíacos, atuando de maneira contrária: desestimulando o desejo sexual. “E o excesso do consumo de alguns alimentos também pode prejudicar o desempenho, na medida em que sobrecarrega o sistema digestório, provocando cansaço no corpo. Caso note problemas de disfunção sexual, procure um médico”, finaliza Marcella Garcez.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologiado Hospital do Servidor Público de São Paulo.

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