Inclusão de flavonóis na dieta pode estar ligado a menor risco de desenvolver Alzheimer

O estudo publicado no final de janeiro na revista Neurology apontou que idosos que ingeriram grande quantidade de flavonóis apresentaram um risco 48% menor de desenvolver Alzheimer. Entre as fontes mais ricas de flavonóis estão couve, feijão, espinafre, maçã, azeite e molho de tomate

Com certeza você já ouviu falar dos flavonoides e de suas propriedades farmacológicas atuantes em nosso organismo, capazes de trazer inúmeros benefícios à nossa saúde. No entanto, há uma subclasse deles, chamada flavonóis, que também é benéfica para a saúde. Em estudo publicado no dia 29 de janeiro deste ano, na revista Neurology, foram encontradas evidências de que a adição frequente deste componente à dieta está associada a um risco significativamente menor de desenvolver a doença de Alzheimer.

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“Sabe-se que várias classes de flavonoides, incluindo os flavonóis, têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. No entanto, é a primeira vez que algum estudo relaciona os flavonóis separadamente a um menor risco de desenvolver a Doença de Alzheimer (DA). Entre as fontes mais ricas de flavonóis estão alimentos como couve, feijão, espinafre, maçã, azeite e molho de tomate”, afirma Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

No estudo, os pesquisadores do Rush University Medical Center, em Chicago, avaliaram 921 participantes do Projeto Rush Memory and Aging Project (MAP), que começou em 1997 e inclui idosos da comunidade que vivem na área de Chicago. A idade média dos participantes foi de 81 anos e todos estavam livres da doença neurológica no início do estudo.

A maioria (75%) dos participantes eram mulheres e todos foram submetidos a avaliações neurológicas anuais e avaliações alimentares. Um total de 220 participantes desenvolveram doença de Alzheimer ao longo de um seguimento médio de 6 anos. Aqueles que ingeriram a quantidade máxima de flavonol tiveram um risco 48% menor de desenvolver Alzheimer em comparação aos que ingeriram quantidade muito baixa do componente.

omega-3

Três dos quatro flavonóis (kaempferol, micricina e isorhamnetina) foram associados a um risco menor de desenvolvimento da doença e apenas a ingestão de quercetina na dieta não foi associada a um risco substancialmente reduzido da patologia. Segundo Marcella, um fator importante do estudo foi que os investigadores fizeram ajustes para conseguir descartar que outros componentes tenham sido contribuintes para essas descobertas. Por exemplo, foi descoberto pelos pesquisadores a ingestão de vitamina E, gordura saturada, folato e ácidos graxos ômega-3 não alterou materialmente as estimativas de risco de DA, o que reforça a evidência da importância dos flavonóis.

Os pesquisadores, porém, observam que os resultados são apenas associações e não necessariamente causalidade, sendo necessário que os estudos se tornem ainda mais abrangentes e conclusivos. Marcella concorda: “O avanço que a pesquisa trouxe é importantíssimo. Como as opções de tratamento e prevenção da doença neurológica ainda não são viáveis, pequenas descobertas são coisas muito relevantes. Mas ainda é preciso descobrir por meio de quais mecanismos biológicos específicos os flavonóis estão trabalhando em nosso corpo”, pondera.

flavonoides alimentacao frutas legumes

No entanto, a médica diz que o resultado dos estudos reforça a ideia de que se alimentar bem e se exercitar fisicamente sempre é benéfico. “Mesmo que não sejam os flavonóis os responsáveis por essa redução de quase 50% no risco de desenvolver Alzheimer, percebemos que um padrão alimentar rico em alimentos e vegetais específicos, de alguma forma, possui relação com a menor incidência. Além disso, exercícios físicos aliados a uma dieta saudável traz benefícios e minimizam o risco de outras inúmeras doenças, por isso é essencial praticá-los e realizar acompanhamento nutrológico para que um plano alimentar adequado seja seguido”, finaliza.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

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