Frio e uso de máscaras de proteção: como evitar tendência à irritação e alergia na pele

Da mesma forma que o uso constante do álcool gel ou a limpeza da mão com água e sabão se fazem necessário nesse momento para diminuir o risco de contágio pelo novo coronavírus, a máscara também é. O problema é que – assim como a limpeza e desinfecção das mãos – a nossa pele pode sentir os efeitos do uso da máscara – ainda mais nesse frio.

“A utilização constante das máscaras de proteção desencadeia uma alteração da fisiologia da pele, produzindo a nível cutâneo o que denominamos de dermatite de contato – irritativo ou alérgico. E como estamos em uma estação mais fria, essa combinação tende a deixar a nossa pele mais irritada, seca e com inflamação”, explica a dermatologista  Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em casos de usos mais constantes, é ainda possível observar o aparecimento de secura, vermelhidão, descamação, infecções secundárias e maceração na pele.

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Nickype/Pixabay

“E isso também pode causar o agravamento de algumas doenças preexistentes, como a dermatite atópica, acne, rosácea, psoríase e dermatite seborreica”, acrescenta a médica.

Além do uso de máscaras e do frio, essa inflamação, que precede a sensibilidade da pele, pode ter fatores emocionais envolvidos e um dos maiores vilões nesse sentido é o estresse – que é cada vez mais comum na quarentena.

“Muitos tipos de células da pele, incluindo as imunológicas e as endoteliais (células das paredes dos vasos sanguíneos), podem ser reguladas por neuropeptídeos e neurotransmissores, que são substâncias químicas liberadas pelas terminações nervosas da pele. O estresse pode liberar um nível maior dessas substâncias e, quando isso ocorre, pode afetar o modo com o qual nosso corpo responde a muitas funções importantes, como sensação e controle do fluxo sanguíneo. Além disso, a liberação desses produtos químicos pode levar à inflamação da pele, que pode ficar mais sensível e irritada”, explica a médica.

Evidentemente, a recomendação para o uso das máscaras ainda continua. “Os estudos mostraram que muitas pessoas são assintomáticas. Mas essas pessoas têm o vírus e o transmitem ao falar, mesmo sem nenhum sintoma. Como não sabemos se somos assintomáticos ou não, ao sair de casa, devemos usar máscara”, afirma a dermatologista. “Mas a primeira recomendação para evitar os ‘efeitos adversos’ da máscara é a de não sair de casa. Até porque esses problemas de sensibilidade na pele geralmente nos fazem levar mais a mão ao rosto, por isso é fundamental evitá-los”, acrescenta.

Mas para quem realmente precisa sair e usar a máscara, é possível ter alguns cuidados para evitar os problemas. Para a dermatologista, torna-se essencial adotar algumas medidas de proteção a fim de manter a função barreira cutânea. No momento da higienização, por exemplo, o melhor é optar por uma lavagem suave, evitando uma fricção acentuada e o uso de sabões perfumados.

Também é necessário ficar atento aos produtos e ingredientes que devemos ou não aplicar na pele sensibilizada. Como explica a dermatologista, é importante evitar a utilização de produtos com fragrâncias e alguns conservantes, bem como a aplicação de cremes com retinol, alfa-hidroxiácidos e esfoliantes na pele sensível da face.

Em alternativa, se a sua pele está mais sensível ou irritada, você pode utilizar antes do hidratante uma máscara (cosmética) com ativos calmantes. “Aloe vera e alfabisabolol são boas opções, pois tem efeito anti-inflamatório e anti-irritante”, diz a médica. Outra boa opção é a nicotinamida (vitamina B3), que reforça a barreira cutânea.

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“Lembre-se que, nesse momento, a hidratação diária da pele é de suma importância a fim de restaurar e manter o equilíbrio fisiológico; use cremes hipoalergénicos (sem perfumes nem conservantes), com uma ação emoliente, hidratante, regeneradora, anti-irritante e anti-inflamatória. E, para finalizar os cuidados durante o dia, mesmo dentro de casa é necessário usar o fotoprotetor”, finaliza a médica.

Fonte: Paola Pomerantzeff é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais.

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