Estresse pode causar perda de apetite; veja maneiras de lidar com o problema

O estresse pode causar um impacto dramático em nossos hábitos alimentares. E há pessoas que ficam sem se alimentar por longas horas ou dias, por conta da perda de apetite. Saiba como lidar com isso e recuperar o prazer pela alimentação saudável

Durante esse período sem precedentes em que a pandemia ainda continua a nos deixar esgotados mentalmente, todos estamos processando o estresse de maneira diferente. E há um impacto dramático disso em nossos hábitos alimentares.

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“As alterações emocionais são as principais responsáveis pelos comportamentos alimentares equivocados nesses tempos de pandemias. Muitos buscam o conforto das suas emoções nos alimentos e bebidas, muitas vezes se encaminhando para consumos compulsivos. Outros, por insegurança e desinformação, restringem o consumo de grupos ou quantidades alimentares importantes para a manutenção da saúde no momento atípico. Enquanto outras pessoas ainda, rodeadas de problemas e preocupações, simplesmente esquecem de se alimentar por longas horas ou dias”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Nesse último caso, algumas pessoas podem perceber que não importa o quanto de comida você prepara ou tenta abastecer a casa com os alimentos necessários para manter seu corpo saudável: ainda assim é difícil manter um apetite saudável. “Se for esse o caso, inicie o processo de recuperação do apetite, identificando seus estressores. Depois de fazer isso, avalie maneiras pelas quais você poderá reduzir o estresse; seja pedindo ajuda médica nutrológica, psicológica ou buscando controlar esse estresse”, completa a médica.

Segundo Marcella, a perda de apetite pode ser a resposta de luta ou fuga do seu corpo ao estresse e à ansiedade agudos e, a longo prazo, algumas pessoas podem recorrer à comida como alimento fonte de alívio do estresse. Em última análise, o que se resume é sintonizar como o estresse afeta seu corpo especificamente. Abaixo, a médica dá algumas dicas de como recuperar o apetite diante do imenso estresse:

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Definir uma programação – se você ainda estiver tendo dificuldades depois de dar os primeiros passos para restaurar o apetite, tente fazer uma programação ou definir um alarme como um lembrete para comer. “Comece com os alimentos que você é capaz de tolerar e certifique-se de beber regularmente água”, diz a médica.

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Concentre-se em alimentos fáceis de digerir – em termos de escolha de alimentos, é bom encontrar um equilíbrio entre o que você gosta e o que será fácil para o seu corpo digerir. “Quando a ansiedade aumenta, às vezes essa perda de apetite vem acompanhada de náuseas”, diz a médica, acrescentando que, se o que você está comendo atualmente é desagradável, definitivamente vale a pena mudar as coisas. Outro ponto importante: nesse período de alto estresse, evite o autojulgamento com seus desejos: “Dê a si mesmo um pouco de prazer. Se você está ansiando por alimentos que normalmente não come, permita-se apreciá-los. Pode ser exatamente o que seu corpo precisa. Às vezes, a comida traz lembranças agradáveis, uma espécie de nostalgia que nos faz sentir um pouco melhor”, diz a nutróloga.

sal de ervas

Aposte nos temperos – “O uso de ervas aromáticas e especiarias para acentuar os sabores e aromas pode ser uma ótima estratégia. Pimentas também podem ser utilizadas sem exageros”. A médica destaca alguns alimentos que aguçam o paladar e podem ajudar nesse período: “Podemos usar ervas aromáticas como salsa, cebolinha, coentro, manjericão, tomilho, alecrim, manjerona, alfavaca, orégano e especiarias como cúrcuma, gengibre, canela, mostarda, raiz forte, canela, cravo, pimentas, além de alho e cebola, que podem ajudar a acentuar o sabor dos alimentos, sem impactar negativamente em sua qualidade e ainda trazer funcionalidades, já que apresentam características anti-inflamatórias, antioxidantes e de reforço ao sistema imunológico”, diz a médica.

macarrao casal Myriam Zilles por Pixabay
Myriam Zilles/Pixabay

Experimente boas lembranças do alimento – tente um “comfort food”, ou seja, considere comer algo que você já gostou quando estava em um momento com as pessoas que ama. Vários alimentos podem ser considerados comidas de conforto, porque a sensação está vinculada a preferências e experiências individuais. Podem ser desde comidas caseiras, receitas de família, sobremesas tradicionais, até alimentos saudáveis, com composição, textura e temperatura agradáveis. “Esse conceito ganha cada vez mais adeptos no mundo, na linha contrária dos fast foods e das receitas super elaboradas. O principal conceito da culinária comfort é a simplicidade”, diz a médica. “Essa comida afetiva e confortável mexe com a memória e é ligada às boas lembranças, trazendo aconchego, ao remeter ao aroma da cozinha, da infância, de momentos e experiências especiais que ficam para sempre na memória. Ela confere inúmeros benefícios à saúde”.

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The Advertiser

Busque aconchego também nos amigos – à medida que a perda de apetite persiste, é importante considerar o apoio externo. “As pessoas devem perceber introspectivamente como está a saúde mental. Com o apoio de um terapeuta, você pode aprender novas ferramentas e habilidades que podem ajudá-lo a lidar melhor com o estresse, a fim de garantir que você esteja comendo, dormindo e funcionando da melhor maneira possível”, diz a médica. “Além disso, mesmo que seja virtualmente, você pode conversar com amigos e amigas por meio de um brunch virtual. Todos vocês poderiam fazer aperitivos como se estivessem em um restaurante juntos. Esta é uma maneira de ajudar a obter um sentimento positivo ao comer novamente”, finaliza.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologiado Hospital do Servidor Público de São Paulo.

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