Dor lombar pode estar relacionada ao encurtamento muscular

Má postura e redução da atividade física são fatores de risco para problemas nos músculos

Há meses, a maior parte da população brasileira se encontra em isolamento social, ou seja, dentro de casa. Ficar em casa é essencial para prevenir o contágio pelo novo coronavírus. Porém, o confinamento pode gerar outros problemas de saúde, como a perda da flexibilidade, graças ao encurtamento muscular.

Segundo a fisioterapeuta Walkíria Brunetti, especialista em Pilates e RPG, para compreender o que é o encurtamento dos músculos, é preciso entender sobre postura: “A postura é definida como um ajuste que as partes do corpo fazem em determinada posição para realizar os movimentos. A postura precisa proporcionar conforto, harmonia e sustentação ao corpo”.

Sedentarismo: o vilão da boa postura

“Porém, as posturas adotadas na rotina da quarentena, como ficar sentado muito tempo e sem muita chance de caminhar ou fazer outras atividades físicas, impactaram num encurtamento das cadeias musculares que atuam nos movimentos de extensão e flexão, principalmente do quadril, joelhos e pernas”, comenta Walkíria.

“Embora haja diversos fatores de risco que influenciam nos desvios posturais, o sedentarismo é um dos mais importantes. Quanto menos usamos nosso corpo, mais afetamos nossa saúde muscular. Ou seja, ficamos “enferrujados”. Fica difícil calçar um sapato, vestir-se, pegar um objeto no alto, abaixar-se”.

Portanto, o encurtamento diminui a flexibilidade, a mobilidade e a amplitude dos movimentos, além de enfraquecer os músculos. Outro ponto é que muitas pessoas acabaram ganhando peso durante a quarentena, sendo que esse foi outro fator de risco que pesou no encurtamento muscular.

Dores e lesões

Problemas de encurtamento muscular aumentam a chance de lesões lombares crônicas e de dores. “As restrições impostas por estes encurtamentos podem resultar em lesões musculoesqueléticas e dificuldades nas atividades de vida diária”, cita Walkíria.

“As alterações posturais e na marcha também podem ser consequências desse encurtamento, assim como dores nos membros inferiores e até mesmo discrepância no comprimento das pernas”, reforça a fisioterapeuta.

RPG

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O encurtamento muscular pode ser tratado de várias formas. Para Walkíria, a RPG (Reeducação Postural Global) é uma das melhores técnicas. “Nas sessões de RPG usamos posturas específicas para o alongamento de músculos organizados em cadeias musculares. Isso proporciona o posicionamento correto das articulações e o fortalecimento dos músculos, os quais corrigem disfunções, não só da coluna vertebral, como também de outras articulações”.

O alongamento global é assim chamado, pois alonga vários músculos pertencentes a mesma cadeia muscular, simultaneamente. “A RPG parte do pressuposto de que um músculo encurtado cria compensações em músculos próximos ou distantes. Um exemplo é que quando ocorre um encurtamento da cadeia muscular anterior, há projeção da cabeça para frente, juntamente com os ombros, aumento da cifose torácica, assim como joelhos e calcâneo valgo e pés planos”, comenta Walkíria.

Dicas para prevenir o encurtamento muscular

Para Walkíria, a principal recomendação é manter-se em movimento o máximo possível. “Muitas pessoas ainda estão em isolamento social, trabalhando de casa, ou porque são do grupo de risco, entre outros motivos. Mas isso não justifica permanecer o dia todo sentado ou deitado. Veja algumas dicas.

Caminhar: pequenas caminhadas ao ar livre são um ótimo começo para movimentar o corpo. Se não for possível sair, procure andar dentro de casa. O importante é evitar ficar o tempo todo sentado ou deitado. Varrer a casa, passar um pano e outros serviços domésticos podem contribuir para manter-se em movimento.

Alongar: o alongamento é importante, mas deve ser feito com cuidado e, se possível, com orientação de um fisioterapeuta ou profissional de educação física. É preciso alongar todas as partes do corpo, todos os dias.

Fortalecer: mesmo em casa, é possível fazer um trabalho de fortalecimento dos músculos. Vale a criatividade, como usar saco de arroz, feijão, garrafinhas de água, entre outros objetos. Porém, isso também deve ser feito com orientação de um profissional para evitar lesões.

 

 

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