Câncer de Mama: o que é preciso saber sobre um dos cânceres mais comuns entre as mulheres

Atualmente o câncer de mama responde por aproximadamente 28% dos casos de câncer em mulheres, segundo o Ministério da Saúde

O câncer de mama, apesar de ser bastante falado, ainda é uma doença que carrega muita desinformação. Caracterizado pelo crescimento desenfreado das células das mamas é um tipo de câncer que não tem uma causa isolada. Por essa razão, é necessário ter atenção a fatores de risco como: idade, exposição à radiação, inicio de menstruação precoce ou menopausa tardia, terapia de reposição hormonal prolongada, não amamentação e, mais importante ainda, histórico familiar e mutação genética.

Nesse sentido, campanhas de conscientização como o Outubro Rosa ganham relevância, uma vez que não só elucidam a importância da prevenção mas também disseminam conteúdos importantes acerca dos sinais e sintomas que devem ser observados pela mulher: “A maioria dos casos teria que ser diagnosticada por mamografia, quando o tumor está pequeno e a paciente sem sintomas, no entanto existem casos em que é a mulher que palpa, por isso a importância de conhecer o corpo”, afirma o oncologista Felipe Ades.

Segundo o especialista, um tumor surge, geralmente, com o envelhecimento com mutações que ocorrem ao acaso, o que é responsável por 90% a 95% dos casos. Contudo, de 5% a 10% ocorrem devido a uma mutação genética não corrigida pelo organismo e, no que se refere ao câncer de mama, há dois genes considerados precursores, sendo eles: BRCA1 e BRCA2. Estes, quando mutados, perdem a capacidade protetora que suprime o desenvolvimento de cânceres, ou seja, ficam mais suscetíveis ao desenvolvimento de tumores malignos. Por isso, é importante que o paciente conheça a real causa do câncer, já que cerca de 55% a 65% das mulheres com a mutação no BRCA1 e 45% das mulheres com a mutação no BRCA2 desenvolverão a doença até os 70 anos de idade.

Uma vez que a mutação genética aumenta a predisposição ao desenvolvimento da doença, testes genéticos tornam-se grandes aliados no processo de monitoramento e detecção precoce, pois avaliam o risco, possibilitam a prevenção e, caso o paciente desenvolva o tumor maligno, otimizam o tratamento em um estágio inicial. Cabe pontuar que um teste genético positivo significa que o paciente tem a mutação em um dos genes analisados, o que não necessariamente assegura o desenvolvimento do câncer. “Mas existem diversas medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco de desenvolver a doença, que podem orientar os exames de rastreamento. Além disso, quando uma pessoa é diagnosticada com a mutação, há indicação em se fazer o exame nos seus familiares, podendo-se descobrir a mesma condição em seus familiares de sangue diretos”, pontua Ades.

Deste modo, estar atento aos sintomas é um fator importante para um diagnóstico precoce. Por isso, nódulos suspeitos nas mamas, alterações no bico do peito, secreção anormal pelos mamilos e pele da mama avermelhada precisam ser investigados por um médico, que indicará os exames e procedimentos adequados a cada caso, viabilizando, posteriormente, um tratamento mais assertivo.

Quando detectado precocemente, o câncer de mama pode ser curado, com chances de 95%, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Além disso, o INCA pontua que cerca de 30% dos casos podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de exercícios físicos, alimentação balanceada, amamentação e evitar uso de hormônios sintéticos. “Por isso, é necessário que a paciente conheça o próprio corpo, mas, além disso, que ela não descuide dos exames preventivos anuais que, por diversas vezes, são responsáveis pelos diagnósticos precoces”, finaliza Ades.

Fonte: Felipe Ades é formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com especialidade em Oncologia Clinica pelo Instituto Nacional de Câncer (INCa). Passou 5 anos na Europa onde adquiriu os títulos de mestre no Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Trabalhou em diversos aspectos da pesquisa em câncer, desde estudos em laboratório, testes de novos medicamentos com pacientes e políticas de saúde e saúde coletiva em câncer. Atualmente trabalha no Centro Paulista de Oncologia do Grupo Oncoclínicas e no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

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