Médico elucida as principais dúvidas sobre diabetes

No mês de combate, especialista prepara lista das questões sobre a doença que afeta mais de 12 milhões de brasileiros

Neste sábado, 14, comemora-se o Dia Mundial do Diabetes. E a campanha Novembro Diabetes Azul alerta para que a população se atente para prevenção e detecção da diabetes, com objetivo de conscientizar sobre a importância dos cuidados em relação à doença que afeta 6% dos brasileiros, o que corresponde a 9 milhões, segundo Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE.

Diabetes é uma doença causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio que promove o aproveitamento da glicose como energia para o corpo e, de acordo com relatório da IDF (International Diabetes Federation), em 2040, a estimativa é que 642 milhões de pessoas ao redor do planeta estejam com a patologia. Portanto, a previsão é que mais de 570 milhões serão detectadas com o tipo 2 da doença. Além disso, segundo relatório da IDF, o Brasil é o terceiro país com mais casos entre crianças e adolescentes e até os 15 anos cerca de 98,2 mil são diagnosticadas com diabetes tipo 1 a cada ano.

“São dados alarmantes tanto do número de pessoas detectadas quanto ao desconhecimento sobre a doença. Ainda mais considerando que este tipo de doença é controlável e as alterações são descobertas facilmente nos exames, porém precisa ser tratada e diagnosticada rapidamente”, explica a cardiologista Rica Buchler, da Clínica Buchler.

Já uma recente pesquisa analisou a prevalência, percepção e o tratamento dos fatores de risco cardíacos na diabetes tipo 2. O levantamento global Capture apontou que quatro em cada dez brasileiros com diabetes tipo 2 tem doenças cardiovasculares, sendo que a doença é a mais comum e aumenta em até quatro vezes a propensão a infarto cardíaco e derrame cerebral.

“O esclarecimento sobre a diabetes é importante, principalmente, diante do atual panorama da pandemia em que muitas pessoas deixaram de realizar suas consultas médicas”, avalia o cardiologista Gabriel Buchler, da Clínica Buchler. “Por isso, é importante uma rotina de consultas ao especialista e a realização de exames periodicamente”, finaliza.

Qual a diferença de cada tipo de diabetes? Qual o mais comum?
Existem essencialmente dois tipos de Diabetes Mellitus. O diabetes tipo 1 é relacionada à perda de produção de insulina pelas células pancreáticas, ocorrendo em sua maioria em populações mais jovens e com apresentações mais dramáticas e potencialmente fatais se não diagnosticadas. Diabetes tipo 2 exibe uma apresentação mais tardia e arrastada, relacionada à resistência a insulina e a uma combinação de fatores genéticos e pessoais como obesidade, sedentarismo e estilo de vida. O diabetes tipo 2 é a mais comum na população geral.

Diabetes é uma doença relacionada principalmente ao fator genético e obesidade. Isso é verdade?
Sim, diabetes, em especial tipo 2, exibe um componente familiar e de estilo de vida, como a obesidade e sedentarismo.

Os idosos possuem mais propensão? Existe uma faixa etária que tem mais risco?
Tratando-se de uma manifestação associada ao estilo de vida é natural que o diabetes tipo 2 seja mais comum conforme a faixa etária, pois o descontrole de peso, o abandono de atividades físicas regulares, de dieta e a associação a outras comorbidades (hipertensão e dislipidemia) prevalecem. Ao invés de precisar um grupo etário, deve-se alertar as populações com risco de desenvolver a diabetes.

Quais são os primeiros sintomas do diabetes?
O diabetes costuma se apresentar com uma sede e fome intensas junto com um aumento da frequência urinária. Conforme o quadro evolui pode-se observar perda de peso e, em casos de diabetes tipo 1, um hálito característico (“hálito cetônico”), náuseas, vômitos, coma e até mesmo o óbito.

Por que algumas pessoas tomam insulina e outras não? Existem diferentes tratamentos? Está relacionado ao tipo de diabetes?
O uso de insulina no diabetes tipo 1 é obrigatório, pois a doença em si está relacionada à falta de produção da mesma pelo pâncreas e não há outra maneira de substitui-la que não pela reposição. No diabetes tipo 2 o mecanismo envolve também uma resistência do corpo à ação da insulina, sendo indicado nesses casos outros tratamentos com medicamentos que não a insulina. Conforme a doença progride, a suplementação de insulina torna-se obrigatória.

Diabetes tem cura? Pode ser evitada?
Diabetes tipo 1 não tem cura e, sim, controle, o qual, se bem realizado, permite uma excelente rotina e qualidade de vida. Já em relação ao diabetes tipo 2, casos relacionados ao estilo de vida podem ser revertidos. No entanto, muitos casos são considerados crônicos e, desta maneira, passíveis de controle com dieta, atividade física e terapia medicamentosa.

Existem alimentos que potencializam o diabetes?
Alguns alimentos são potencializadores, dentre estes, carboidratos (arroz, massas, doces) ingeridos em excesso que provocam um aumento no nível de açúcar no sangue e a um descontrole da diabetes.

Em tempos de Covid-19, por que os pacientes com diabetes fazem parte do grupo de risco da doença? Qual a relação?
Segundo os estudos sobre o novo coronavírus, a doença tem impacto na resposta imunológica e na eventual condução em cenários mais críticos. Por isso, os pacientes diabéticos e sem controle da patologia, assim com fatores associados como hipertensão, tabagismo, obesidade, sedentarismo possuem maior risco se tiverem Covid-19.

Fonte: Clínica Buchler

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