Barulho da vizinhança pode aumentar risco de demência, aponta estudo

Os idosos que vivem em bairros barulhentos podem enfrentar maiores chances de desenvolver a doença de Alzheimer ou outros tipos de demência, de acordo com uma nova pesquisa.

Os pesquisadores examinaram uma ampla gama de fatores – do comportamento sedentário à exposição a poluentes transportados pelo ar à solidão – para determinar se eles aumentam o risco de demência de uma pessoa.

No entanto, apenas alguns estudos epidemiológicos examinaram o efeito do ruído comunitário, que se refere ao ruído proveniente de carros, trens, aviões, canteiros de obras, fogos de artifícios e fontes semelhantes, sobre o comprometimento cognitivo em idosos.

Este novo estudo, publicado recentemente no Alzheimer’s & Dementia, jornal da Associação de Alzheimer, é o primeiro a realizar essa pesquisa nos Estados Unidos. Esta pesquisa é fundamental, visto que, em 2013, mais de 100 milhões de pessoas nos EUA experimentaram níveis de ruído anuais que excedem os limites que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) recomenda para proteção contra perda auditiva.

“Continuamos nos estágios iniciais da pesquisa de ruído e demência, mas os sinais, até agora, incluindo aqueles de nosso estudo, sugerem que devemos prestar mais atenção à possibilidade de que o ruído afete o risco cognitivo à medida que envelhecemos”, diz a principal autora do estudo, Jennifer Weuve, professora associada de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston.

Para o estudo, os pesquisadores realizaram avaliações cognitivas em ciclos de três anos em 5.227 adultos com 65 anos ou mais que eram participantes do Chicago Health and Aging Project. Desde o início, em 1993, este projeto de pesquisa envolveu mais de 10.000 idosos que vivem na zona sul de Chicago.

Os autores do estudo estimaram os níveis de ruído nas comunidades onde os participantes viviam nos cinco anos anteriores às avaliações, usando um modelo de previsão desenvolvido para um estudo anterior. Eles consideraram vários fatores, como raça, atividade física e nível socioeconômico, também podem aumentar o risco de demência.

Depois de levar em conta esses outros fatores, o estudo descobriu que adultos mais velhos que vivem com 10 decibéis ponderados a mais de ruído durante o dia tiveram 36% mais chances de desenvolver comprometimento cognitivo leve e 29% mais chances de doença de Alzheimer. O nível sócio econômico foi o único fator que afetou essa relação.

Várias explicações são possíveis

Tomislav Jakupec/Pixabay

“Essas descobertas sugerem que, em comunidades urbanas típicas dos Estados Unidos, níveis mais altos de ruído podem afetar o cérebro de adultos mais velhos e dificultar seu funcionamento sem assistência”, diz Sara Adar, autora sênior do estudo e professora associada de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan em Ann Arbor.

Os pesquisadores especulam que pode haver várias razões por trás da conexão entre o aumento do ruído e um maior risco de deficiência cognitiva. Um estudo de 2015 descobriu uma produção acelerada de beta-amilóide, uma proteína que os especialistas acreditam ter um papel significativo na doença de Alzheimer, em ratos que foram submetidos à exposição crônica ao ruído.

Os pesquisadores já haviam mostrado como a exposição ao ruído pode causar efeitos adversos à saúde, desde pressão arterial elevada até sono interrompido. Há evidências de que a saúde vascular e o repouso insuficiente podem aumentar o risco de demência.

Os autores do novo estudo esperam que, se a pesquisa continuar a mostrar que a exposição ao ruído nos EUA contribui para o risco de demência, pode ser possível persuadir os legisladores a mudar as políticas para reduzir os níveis de ruído.

Há muito em jogo: a doença de Alzheimer é uma crise de saúde pública, com cerca de 5,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos vivendo com a doença apenas nos EUA. Em 2050, os pesquisadores esperam que o número salte para 13,8 milhões.

“Embora o ruído não tenha recebido muita atenção nos EUA até o momento, há uma oportunidade para a saúde pública aqui, pois há intervenções que podem reduzir as exposições tanto em nível individual quanto populacional”, finaliza Sara Adar.

Fonte: Medical News Today

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