Redobre os cuidados com a pele durante a menopausa para combater os sinais do envelhecimento

Além dos sintomas como irritabilidade, cansaço, perda de massa muscular e calor causados pela queda do estrogênio, menopausa também torna a pele mais ressecada, fina, sensível e, consequentemente, mais propensa a sofrer com o envelhecimento precoce

O envelhecimento é um processo que ocorre com todos nós, sendo marcado por uma série de modificações no funcionamento do organismo. Por exemplo, uma das principais alterações que afetam o corpo da mulher devido ao envelhecimento é a menopausa.

“Geralmente ocorrendo após os 50 anos, mas podendo afetar algumas mulheres precocemente, a menopausa é caracterizada pela suspensão definitiva da menstruação com consequente queda na produção de estrogênio. Como resultado, a mulher passa a apresentar uma série de sintomas, incluindo irritabilidade, mudanças drásticas de humor, sudorese excessiva, cansaço intenso, ondas de calor e perda de massa óssea e massa magra”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU Saúde.

Além disso, a pele também é afetada. Segundo Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, devido à menopausa, ocorre uma diminuição na produção de ácido hialurônico e das fibras de colágeno e elastina. “Isso favorece o ressecamento do tecido cutâneo e acelera o surgimento dos sinais de envelhecimento da pele, incluindo rugas, linhas de expressão, flacidez e perda de firmeza, elasticidade e volume”, afirma o dermatologista.

A má notícia, de acordo com Eloisa, é que não existem métodos para se prevenir ou retardar a menopausa, visto que é definida geneticamente. Mas, quem deseja combater os efeitos da menopausa na pele, pode apostar no reforço da rotina skincare.

“Inicie pela limpeza, que, em peles maduras, deve ser realizada com produtos mais suaves que não causem agressões na pele ou removam excessivamente a barreira de proteção do tecido cutâneo, o que pode agravar ainda mais o ressecamento e tornar a pele mais suscetível a danos”, aconselha Cassiano. Em seguida, aposte na hidratação com produtos formulados com ativos capazes de fortalecer a barreira da pele e segurar a molécula de água no tecido cutâneo.

“É indicado também o uso de substâncias com propriedades antioxidantes e rejuvenescedoras, incluindo o retinol, a vitamina C, o resveratrol e os alfa-hidroxiácidos. Mas, mesmo durante a menopausa, o fotoprotetor segue sendo o principal método de combate ao envelhecimento cutâneo, lembrando que o produto deve conter FPS 30, no mínimo, e ser aplicado todos os dias pela manhã após o hidratante, com reaplicação necessária a cada duas horas”, destaca o médico.

Vale ressaltar ainda que, na menopausa, a pele da mulher é mais sensível por ser mais fina e ressecada. Então, o cuidado na escolha dos produtos deve ser redobrado, evitando aqueles cosméticos que possam causar irritação, vermelhidão, coceira e descamação do tecido.

“Entre as substâncias irritantes, as fragrâncias figuram entre as principais vilãs, já que favorecem a desidratação e comprometem a integridade da barreira protetora da pele”, alerta o especialista. “No geral, o recomendado é sempre escolher produtos hipoalergênicos e naturais, além de livres de fragrância. No geral, quanto mais forte o cheiro de um cosmético, maiores as chances de ele causar irritações, alergias e dermatites”, diz o médico

Além disso, é interessante investir em hábitos saudáveis que auxiliem na manutenção da saúde do organismo, amenizando os sintomas da menopausa não apenas na pele, como no organismo como um todo. “Por exemplo, invista em uma alimentação equilibrada rica em vegetais, frutas e legumes, principalmente aqueles com propriedades antioxidantes, e evite alimentos industrializados e o consumo excessivo de sal e açúcar. Além disso, tenha boas noites de sono, consuma pelo menos dois litros de água por dia, pratique exercícios físicos regularmente e evite fumar e ingerir álcool”, recomenda Eloisa.

Em mulheres que sofrem demais com a queda hormonal, é possível também apostar na reposição hormonal para reduzir os sintomas da menopausa. “Realizada através de administração vaginal, oral ou transdérmica, a reposição de estrogênio em baixas doses ajuda a restabelecer o equilíbrio do organismo para que a mulher se adapte mais facilmente ao período da menopausa. Porém, esse tipo de tratamento deve ser prescrito por um ginecologista, já que é contraindicado para pacientes com câncer em atividade, que possuem predisposição à doença ou que sofrem de alterações nas mamas”, alerta a especialista.

Por sua vez, mulheres que já passaram pela menopausa e apresentam sinais de envelhecimento acentuado podem apostar em procedimentos estéticos, como o preenchimento de ácido hialurônico, que, segundo Cassiano, confere volume ao rosto, reduz a aparência de rugas e linhas de expressão e estimula a produção natural da substância pelo organismo, tornando a pele mais hidratada e combatendo o ressecamento. “Os bioestimuladores de colágenos também são interessantes por hidratarem profundamente e estimularem a neocolagênese, aumentado assim a firmeza e a elasticidade da pele para combater flacidez e rugas”, afirma.

Por fim, é importante ressaltar que a menopausa é um processo natural do envelhecimento que ocorrerá em todas as mulheres em algum momento da vida. Por isso, ao notar os sintomas da queda hormonal, o mais importante é que você visite um médico ginecologista, que poderá dar orientações para que você passe por essa nova fase de sua vida da forma mais tranquila possível. Além disso, vale a pena também consultar seu dermatologista, que poderá rever as necessidades de sua pele para recomendar a melhor rotina de cuidados ou indicar os tratamentos mais adequados para combater os sinais do envelhecimento.

Fontes:

Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão. Faz parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.
Daniel Cassiano é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Doutorando em medicina translacional também pela Unifesp. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo.

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