Nozes podem retardar declínio cognitivo em pessoas com tendência à demência, aponta estudo

De acordo com pesquisa publicada em 2020 no The American Journal of Clinical Nutrition, consumo regular de nozes pode diminuir chances de demência em grupos de risco por combater fatores chaves para o desenvolvimento da condição.

Graças aos avanços da tecnologia e medicina, a expectativa de vida da população mundial aumentou significativamente. O problema é que, junto a essa extensão da expectativa de vida, ocorreu também um aumento na incidência de demência na população mundial, quadro que ainda é piorado pelo fato de não existirem agentes farmacológicos disponíveis para tratar, prevenir ou retardar a doença.

“O que se sabe é que o estresse oxidativo e a inflamação são fatores chaves para o declínio cognitivo, levando a demência, e que uma dieta rica em antioxidantes é capaz de combater esses fatores. Porém, não se sabe de que forma a adoção desse tipo de dieta gera efeitos diretos no desempenho cognitivo”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. Então, para checar se o consumo de antioxidantes pode realmente retardar o declínio cognitivo, um grupo de pesquisadores de Califórnia e Barcelona, em estudo publicado em janeiro de 2020 na revista médica The American Journal of Clinical Nutrition, decidiu verificar quais os efeitos do consumo de nozes, que são ricas em antioxidantes como ômega-3 e polifenóis, na saúde cognitiva em idosos.

Para isso, os pesquisadores reuniram 708 indivíduos com idade entre 63 e 79 anos que viviam em Barcelona ou Califórnia. Os participantes foram então submetidos a testes neurocognitivos e de saúde, nos quais os habitantes de Barcelona mostraram fumar com mais frequência e possuir capacidade cognitiva menor. Em seguida, os indivíduos foram divididos em dois grupos: o primeiro grupo passou a adotar uma dieta que consistia no consumo diário de 30 a 60 gramas de nozes, enquanto o segundo grupo, chamado de grupo de controle, se absteve do consumo do alimento. Tal dieta foi seguida durante 2 anos e, após esse período, uma nova bateria de testes foi realizada, com apenas 636 indivíduos ainda participando do estudo.

Ao analisarem os dados, os pesquisadores não observaram efeitos do consumo de nozes na saúde cognitiva dos participantes. Entretanto, análises posteriores ao estudo mostraram que os participantes que viviam em Barcelona, que possuíam menor capacidade cognitiva e maiores riscos de declínio cognitivo devido ao tabagismo, e fizeram parte do grupo que consumia nozes apresentaram melhor capacidade de cognição do que aqueles que se abstiveram do alimento. “Ou seja, esse resultado sugere que o consumo de nozes, apesar de não prevenir de forma definitiva, pode atrasar o declínio cognitivo em grupos com maiores chances de desenvolverem demência devido a fatores internos e externos”, destaca Marcella.

De acordo com a médica, os resultados do estudo são ainda mais promissores visto que os pesquisadores são os mesmo que descobriram que nozes são capazes de diminuir os níveis de colesterol no sangue. “Isso porque as nozes são ricas em gorduras não saturadas, fundamentais para diminuição do colesterol, além de conterem fibras e fitoesteroides, que também ajudam na absorção da substância”, explica. Apesar disso, as conclusões do estudo ainda são limitadas, sendo necessárias mais pesquisas para confirmar o benefício das nozes para a saúde cognitiva.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

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