Um em cada sete adultos tem a qualidade de vida afetada pela constipação idiopática crônica

Mudança de hábitos e orientação médica podem contribuir para melhorar o dia a dia de 14% da população que convive com a doença

Um em cada sete adultos, aproximadamente, tem constipação idiopática crônica. De fato, os estudos de prevalência demonstram que a constipação intestinal acomete cerca de 14% da população mundial, representando um dos principais motivos da procura pelo clínico ou especialista (gastroenterologistas e coloproctologistas). Trata-se de uma condição crônica na qual a ida ao banheiro ocorre com menos frequência do que o usual, em geral as fezes são endurecidas e ressecadas, sua expulsão é dolorosa ou difícil, sendo também frequente a sensação de evacuação incompleta ou bloqueada.

As causas da constipação idiopática crônica são desconhecidas, e não há alteração orgânica que dê suporte à doença. Em relação ao gênero, a doença acomete duas vezes mais mulheres do que homens. Uma das razões para a maior prevalência no sexo feminino é o receio que as mulheres têm de ir a qualquer banheiro, além da falta de tempo para evacuar, ocasionando maior dificuldade de evacuação. A constipação crônica é ainda mais comum nos idosos, sobretudo após os 65 anos.

Impacto social Para se ter uma ideia do impacto da doença na rotina diária de homens e mulheres, 75% dos pacientes dizem ficar mais de uma hora no banheiro para evacuar. Essa enfermidade também prejudica a vida pessoal e profissional, relata Maria do Carmo Friche Passos, gastroenterologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“As pessoas que sofrem com essa doença evacuam menos vezes por semana, relatam dificuldade para ir ao banheiro, necessitando fazer muito esforço e tempo prolongado para defecar (em geral as fezes são fragmentadas e endurecidas), e apresentam quase sempre uma sensação de evacuação incompleta e/ou bloqueio anorretal, comprometendo muito a qualidade de vida dos pacientes na sua rotina diária”, afirma Maria do Carmo.

Para se ter uma ideia do impacto da doença na rotina diária de homens e mulheres, 75% dos pacientes dizem ficar mais de uma hora no banheiro para evacuar. Essa enfermidade também prejudica a vida pessoal e profissional.

A médica também esclarece que o tema fezes e evacuações é cercado por tabus. “As pessoas preferem não comentar sobre problemas relacionados ao assunto, mas, no caso dessa doença, o tabu precisa ficar de lado quando a conversa é com o médico, principalmente pela enfermidade impactar negativamente a qualidade de vida”.

Mas o que falar com o especialista? O primeiro passo é estabelecer uma conversa clara e detalhada sobre o número de idas ao banheiro, se há necessidade de fazer esforço para evacuar e se as fezes são irregulares, endurecidas ou ainda se existe a sensação de obstrução ou bloqueio para evacuar. Além do diagnóstico clinico, o médico – gastroenterologista ou proctologista – poderá pedir alguns exames para a confirmação desse tipo de constipação.

O diagnóstico da constipação idiopática crônica é baseado na história médica e poderá ser confirmado se nos últimos três meses forem observados, pelo menos, dois dos sintomas abaixo. É importante consultar um gastroenterologista ou um proctologista, pois esses são alguns dos seus sintomas:

• Menos de 3 evacuações espontâneas por semana
• Mais de 25% das evacuações com esforço evacuatório
• Mais de 25% das evacuações de fezes irregulares ou endurecidas
• Mais de 25% das evacuações com sensação de obstrução ou bloqueio anorretal
• Mais de 25% das evacuações com necessidade de manobras manuais para defecar

O tratamento da constipação idiopática crônica inclui medidas dietéticas, comportamentais e medicamentos. Para melhorar os sintomas intestinais, a mudança de hábitos alimentares deve contemplar o aumento da ingestão de líquidos e fibras que aumentam o bolo fecal e estimulam o intestino, contribuindo para uma melhor evacuação. Além da dieta, a atividade física regular e a postura correta no vaso são fundamentais.

Quando estas orientações não são suficientes, os medicamentos devem ser usados, mas sempre sob orientação e prescrição médica. O uso indiscriminado de laxantes deve ser evitado, a não ser que haja indicação médica, pois eles determinam efeitos colaterais importantes, sobretudo a longo prazo. Não se deve tomar laxante por conta própria porque o uso crônico pode acostumar o intestino, fazendo com que seja quase sempre necessário um aumento da dose para se obter o mesmo efeito.

“Deixar o tabu de lado e conversar com o médico sobre o problema é o primeiro passo para cuidar dessa doença e para melhorar a qualidade de vida”, finaliza Maria do Carmo.

Fonte: Takeda Pharmaceutical Company Limited

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