Não se iluda: bronzeado saudável não existe

Dermatologistas alertam sobre riscos da exposição solar e sobre a importância da proteção solar eficaz;

Infelizmente aquele bronze dourado e saudável não existe. Esse que é o desejo de muitas pessoas pode representar um perigo para a saúde da pele.

“Classificamos os tipos de pele de I a VI, de acordo com a capacidade de resposta à radiação ultravioleta (UV), sendo chamado fototipo I aquele que sempre se queima e nunca se bronzeia, até o VI, pele negra, totalmente pigmentada, com grande resistência à radiação UV. A pigmentação constitutiva – cor natural da pele – é definida geneticamente. A cor facultativa – bronzeado – é induzida pela exposição solar e é reversível quando cessa a exposição”, explica a dermatologista Ana Paula Fucci, Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

O chamado “bronzeado dourado” é observado nas peles mais claras e, para ocorrer, ocasiona danos no DNA das células. “As consequências serão vistas anos mais tarde, em forma de fotoenvelhecimento, manchas ou lesões cutâneas malignas. O ideal é respeitar seu tipo de pele e sua sensibilidade ao sol. Nunca queimar a ponto de ‘descascar’. Importante: evite se expor ao sol entre dez e 16 horas”, detalha a dermatologista.

Ana Paula alerta ainda sobre os riscos de bronzeamento artificial, por meio das câmaras de bronzeamento: “Este é ainda mais prejudicial para a pele do que a exposição ao sol. A radiação é entregue de forma concentrada e direta, sem nenhum tipo de filtro ou proteção”.

A médica ressalta que filtro solar não é uma permissão para a exposição ao sol. “Ele é um grande aliado, desde que sejam seguidas as orientações de horário, evitar exposição exagerada e usar complementos como bonés, chapéus, óculos etc.”, reforça.

Proteção solar eficaz

A rotina de proteção solar é muito importante em qualquer época do ano, sobretudo agora no verão. “Não deixe para aplicar o filtro quando chegar na praia ou piscina, por exemplo. O ideal é aplicá-lo cerca de 20 minutos antes de se expor ao sol, para dar tempo de ser absorvido e começar a agir. Também devemos reaplicar o filtro solar a cada 2 horas, ou após se molhar ou suar muito”, destaca a dermatologista Fabiana Seidl, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

Fabiana apresenta cinco dicas para uma proteção solar eficaz:

-“Utilize a quantidade correta de filtro: 2g/cm2, o que equivale a uma colher de chá cheia para rosto e pescoço. Para o corpo: uma colher de chá para o braço e antebraço, uma colher de chá para a frente do tronco e outra colher para as costas, duas colheres de chá para coxa e perna ( uma para parte da frente e outra para parte de trás);

Foto: InspiredMagazine

-“Use filtro com FPS 30 ou maior; e para as crianças ou pessoas que possuem pele mais sensível, FPS de no mínimo 50”;

-“Cuidado para não esquecer determinadas partes do corpo. As regiões mais esquecidas são: pálpebras, lábios, ponta e cantinhos do nariz, orelhas, nuca, mãos e pés. E é claro, para os homens calvos é fundamental aplicar nas áreas sem cabelos”;

-“Use roupas leves, claras e chapéu e óculos de proteção UV. Quem costuma ficar muito tempo no sol tem que redobrar os cuidados e investir em roupas com proteção ultravioleta. As roupas normais ajudam a impedir o bronzeado, mas não impedem que a radiação chegue até a pele, portanto roupas específicas com proteção UV são ideais”;

-“Cuidado com o guarda-sol! Os modelos de nylon devem ser evitados, pois deixam passar 90% da radiação ultravioleta. Opte por modelos de cor escura, feitos de algodão, lona ou fibras sintéticas. Também existem modelos com tecido com proteção UV”, finaliza Fabiana.

Fontes:
Ana Paula Fucci é dermatologista formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense(UFF). Residência em Clinica Médica na UFF e Dermatologia na UFRJ.
Título de especialista em Dermatologia. Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD) e Academia Europeia de Dermatologia (EADV). Professora convidada do ambulatório de Dermatologia Estética (Cosmiatria) do Serviço de Dermatologia da UFRJ de 2012 a 2016.
Fabiana Seidl é dermatologista, com residência médica em clínica médica pela UERJ. Título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Título de especialista em clínica médica.

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