Dicas de especialista do Senac RJ para quem quer se aventurar na arte de preparar drinques

“É batido ou mexido?” Receitas tradicionais, medidas precisas, muita experimentação e uma dose de bom senso compõem a alquimia do preparo de drinques, segundo José Honorato

Na última terça-feira, 18 de maio, comemorou-se o Dia Nacional do Cocktail. Para quem quer descobrir os segredos da alquimia que leva ao drinque perfeito e começar a se aventurar na arte da mixologia, o instrutor do Senac RJ, José Honorato, dá algumas orientações. Ele também ensina a receita do tradicional Boulevardier e propõe o Spring Love, receita autoral de uma mistura refrescante para fazer em casa.

Para Honorato, o segredo de um bom drinque é o equilíbrio. “Todos os ingredientes devem estar em harmonia. O álcool é um deles e não deve ser o destaque único. Esse é o ponto principal da profissão de bartender, saber equilibrar os gostos básicos de forma que tudo fique em harmonia. Acho que a primeira dica para quem quer começar a fazer drinques é curtir degustar. Porque, desta forma, é possível tentar fazer vários coquetéis e, com isso, ir ampliando o conhecimento sensorial”, afirma.

Para quem quer começar a praticar em casa, o especialista do Senac RJ sugere conhecer os diferentes tipos de bebida, pois cada uma tem uma característica de sabor e intensidades diferentes. Mas dá uma dica: “Como estamos no Brasil, a cachaça é um ingrediente incrível que, usado em coquetéis, fica maravilhoso. Mas acho que, principalmente, tem que se investir no que gosta de beber, o que dá prazer e faz feliz”, diz ele.

Os mixologistas iniciantes sempre podem contar com a segurança dos drinques tradicionais. “Um clássico é um clássico. Coquetéis consagrados atravessam gerações pois constituem a base técnica para todos os bartenders e o início da caminhada para queles que estão iniciando na profissão. Além disso, também contamos com a literatura e o cinema, eternizando alguns preparos, como no caso do personagem James Bond e seu Dry Martini sempre ‘batido e não mexido’”, destaca.

Honorato explica que a orientação de 007 deve ser seguida à risca. “Existem duas técnicas principais que devem ser observadas: é importante saber se o coquetel é batido ou mexido. Isso afeta de forma direta o coquetel porque mexe com a diluição do gelo e com a maneira com a qual os componentes irão se misturar”, afirma.

Medir bem também é importante e, para isso, é sempre bom contar com alguns equipamentos básicos. “O dosador é fundamental porque um coquetel, quando é criado, tem medidas exatas de cada componente. O aumento ou diminuição de um ou mais itens afetará de forma direta o sabor e aroma da bebida. Uma coqueteleira também é importante, para poder trabalhar de forma segura. Nunca se deve tentar fazer com dois copos de vidro pois pode acarretar em acidente. Por último, uma bailarina é ideal, porque além de mexer, serve de medida de componentes, sejam sólidos ou líquidos”, explica.

Para quem quer criar a própria receita, Honorato sugere a experimentação. “Quando se cria um coquetel, o mais importante é realizar vários testes para chegar ao equilíbrio de sabor e aroma”, diz. “Para saber como combinar as bebidas de forma correta é importante entender a base, de qual ingrediente principal aquele destilado foi feito, a importância da passagem pela madeira em alguns casos. É uma verdadeira alquimia”, afirma

Segundo o especialista, um bom drinque é um deleite para os sentidos. Além do paladar, a visão é o primeiro sentido que desperta a curiosidade, o desejo de conhecer e experimentar, daí o fato de vários drinques terem cores tão bonitas. “Em casa, podemos obter essas cores com infusões, o uso de frutas ou de algum destilado que já tenha cor, como, por exemplo, o Curaçao Blue. Além disso, o aroma é um dos aspectos mais importantes porque ele desperta toda a memória sensorial, o que traz lembranças e desperta a vontade de experimentar.

Depois da moda do Gim Tônica no Brasil, Honorato antecipa algumas tendências. A primeira é a valorização de destilados nacionais, como o próprio gim, mas também o rum e, é claro, a nossa cachaça. Outra tendência é a criação de coquetéis leves, refrescantes e, principalmente, os carbonatados, além dos drinques sem álcool. “Pode-se fazer excelentes drinques, lindos e cheios de sabor sem álcool porque temos consumidores que não bebem álcool ou simplesmente não querem ou não podem beber álcool em determinado dia”, diz ele.

Além disso, Honorato faz questão de lembrar: o bartender deve estimular o consumo responsável. “Deve-se sempre oferecer água ao cliente de forma a hidratá-lo e, se perceber que o consumo foi exagerado, parar de servir”, afirma.

Receitas de drinques para fazer em casa:

Boulevardier

Ingredientes:
30 ml de Bourbon
30 ml de Campari
30 ml de vermute Punt e Mes
Twist de casca de laranja
Gelo

Modo de preparo:
Em um mixing glass (copo e bar), colocar gelo, em seguida o vermute, o Campari e, por último, o Bourbon. Mexer rapidamente com a colher bailarina por cerca de 40 segundos. Colocar gelo em um copo baixo tipo on the rocks, coar o coquetel para o copo. Torcer uma casca fina de laranja por cima da bebida e juntar ao conteúdo do copo. Se você não tiver um mixing glass, utilize a parte maior da coqueteleira

Spring Love (autor: José Honorato)

Ingredientes:
50 ml de Cachaça Envelhecida Santa Rosa
25 ml de suco de limão galego ou cravo
20 ml de Xarope de Gengibre
10 ml de xarope de Açúcar
Fatia de limão
Ramo de hortelã
Gelo

Em uma coqueteleira colocar a cachaça, o suco de limão galego, e os xaropes, de gengibre e açúcar. Acrescentar gelo, fechar a coqueteleira e bater vigorosamente. Coar o conteúdo para um copo com gelo até a boca. Enfeitar com uma rodela de limão e hortelã.

Crédito das fotos: José Honorato

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