Menos autocrítica e mais autocompaixão

Mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pennsylvania nos Estados Unidos e Pós Graduada em Terapia Focada em Compaixão pela Universidade de Derby na Inglaterra, Adriana Drulla ensina quatro passos que ajudam a corrigir os próprios erros usando a autocompaixão

Quando você se critica o tempo inteiro, pensando sobre como é incompetente, inferior ou inadequado, ou ruminando sobre todos os erros do passado, você destrói a autoconfiança que precisa para evoluir. O autoataque pode carregar sentimentos de desprezo, raiva ou impaciência em relação a si mesmo.

Quando você sofre por antecipação “espero que eu não estrague tudo”, antes de uma apresentação importante. Ou quando recebe um elogio e julga “não foi tão bom assim”, “qualquer um poderia ter feito a mesma coisa”. A autocrítica severa inflaciona a culpa e desconsidera todos os fatores externos que contribuíram para que você agisse de tal forma.

O autocriticismo excessivo impede a pessoa de arriscar novos sonhos, de se colocar em público, de progredir profissionalmente ou nos relacionamentos. Quando o erro é aversivo demais, evitamos tentar. Segundo Adriana Drulla, uma das ironias a respeito do autocriticismo excessivo é que sofremos nas mãos do crítico interno, mas, mesmo assim, tememos abandoná-lo. Achamos que nossa evolução pessoal depende da autocrítica.

“De certa forma, isso não deixa de ser verdade. Mas é a correção compassiva que nos ajuda a melhorar. É ela que nos dá clareza para avaliar os nossos comportamentos e assumir a responsabilidade por nossos erros, nos tornando melhores como indivíduos e como parceiros”, explica a especialista.

Quando a motivação é compassiva, olhamos para nossos erros não porque somos inferiores, mas porque queremos o que é melhor para nós e para os demais. Ser bom e valoroso não implica ser livre de erros e defeitos. Podemos melhorar sempre porque somos humanos e, portanto, naturalmente imperfeitos.

Na autocorreção compassiva, não é o senso de valor que está em jogo, mas o bem-estar. A seguir, Adriana destaca quatro dicas para quem se corrigir com mais autocompaixão:

Considere primeiro seus próprios valores – você pode até criticar a sua conduta ou o seu comportamento, mas não duvidar sobre o seu valor. Você pode até ter feito algo ruim, mas isso não significa que você seja ruim. Para que a decepção em relação à conduta não atinja seu autoconceito, lembre-se que defeitos e erros são o que nos fazem humanos, iguais aos demais, e não diferentes ou inferiores. Nossos erros são parte de quem somos, mas eles não nos definem.

Avalie a natureza dos acontecimentos – o ambiente pode nos moldar e raramente somos os únicos responsáveis. Até nossas características pessoais se desenvolveram a partir do ambiente em que vivemos. Muitos fatores contam para nossas atitudes. Certamente outras pessoas agiriam como você, em situação similar. Erros não são frutos de má vontade ou incompetência.

Será sempre sua responsabilidade assumir e consertar seus erros – porém é mais fácil e produtivo pensar em soluções a partir das habilidades ou dos recursos que você já tem. Se você está decepcionado porque costuma perder a paciência com alguém, pense como você pode usar a sua capacidade e recursos para agir diferente da próxima vez.

Seja compreensivo consigo mesmo – converse com você como falaria com um grande amigo que passasse por uma situação similar. Ou então reflita sobre como alguém que te ama e te admira falaria com você diante desta situação. Conectar-se com o seu amor próprio, antes de corrigir-se é essencial.

Fonte: Adriana Drulla é Mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pennsylvania (EUA), e pós-graduada em Terapia Focada em Compaixão pela Universidade de Derby (Inglaterra). Estudou com Martin Seligman, psicólogo fundador da psicologia positiva e com Paul Gilbert, psicólogo criador da Terapia Focada em Compaixão.

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