Quase 60% dos brasileiros estão acima do peso ou obesos; problema gera várias doenças

A obesidade aumenta o risco para o desenvolvimento de diversas outras doenças, como infarto, AVC, diabetes, cânceres, pressão alta e doenças reumatológicas. Para o endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, reduzir o sedentarismo e evitar refeições industrializadas, além do excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar, são caminhos necessários para prevenção

O número de pessoas com obesidade e excesso de peso no país não para de crescer desde 2006 e este dado piorou com a pandemia, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2020), divulgada pelo Ministério da Saúde. O material indica que, no ano passado, 57,5% da população adulta do Brasil estava com excesso de peso – era 55,7% em 2019 – e 21,5% da população está com obesidade – era 19,8% em 2019.

Estes índices são preocupantes, especialmente quando incluímos a Covid-19 na equação, já que a obesidade é um dos principais fatores de risco para infecções mais graves pelo novo coronavírus. Em adição, o excesso de peso influencia diretamente no aumento da falta de ar, necessidade de oxigênio e ventilação mecânica, além de estar associado a outras doenças.

“Apesar do cenário alarmante, as perdas de peso podem reduzir as chances de desenvolver as formas graves da Covid-19. Então, a perda de 5% do peso é benéfica não só para o metabolismo, mas também para a diminuição do processo inflamatório que a obesidade causa. Esta combinação diminui os riscos de complicações por infecções em geral, entre elas está a do novo coronavírus” explica o Dr. Hugo Valente, endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista.

A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela não põe em risco a vida da pessoa a curto prazo, mas aumenta o risco para o desenvolvimento de diversas outras doenças, como infarto, AVC, diabetes, cânceres, pressão alta, doenças reumatológicas e outras. Além disso, pode mexer com fatores psicológicos, ocasionando a diminuição da autoestima e depressão, e dores físicas nos músculos e articulações, principalmente nas costas, pernas e braços.

A previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que, até 2025, 700 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com a doença e mais de 2 bilhões de pessoas estejam acima do peso no mundo. E mais de 11 milhões de crianças e adolescentes terão, pelo menos, sobrepeso.

A obesidade é calculada a partir do índice de massa corpóreo (IMC), que é obtido ao se dividir o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). De acordo com o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa.

A obesidade pode ser causada por diversos fatores – genéticos, psicológicos, sociais, metabólicos – e, assim como o excesso de peso, está ligada aos hábitos da vida moderna, estresse e diminuição da atividade física. “Para o bem da população, temos que evitar ou diminuir o sedentarismo, refeições industrializadas, além do excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar, que resultam no aumento do número de pessoas obesas, inclusive crianças”, reforça o médico.

Dicas para evitar ou retardar o sobrepeso

=Beber água. A hidratação é um ponto fundamental para manter o metabolismo adequado, a fim de melhor o gasto de energia e, consequentemente, evitar ou prevenir o ganho de peso;
=Aumentar o consumo de vegetais, como leguminosas e verduras;
=Consumir frutas, especialmente in natura e evitar sucos adocicados;
=Ingerir fibras, como grãos – aveia, linhaça, entre outros -, porque geram uma saciedade maior e regularizam o intestino.
=Escolher os macronutrientes – carboidratos, gorduras e proteínas – em equilíbrio, como forma de retardar ou evitar o sobrepeso.

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Uma pesquisa do Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis, do Ministério da Saúde, informa que, entre 2006 e 2019, a obesidade cresceu 72% no Brasil. E hoje já é considerada um problema de saúde pública no país, potencializado durante a pandemia de Covid-19.

A nutricionista Francyne Silva Fernandez, que atende na Unidades Básica de Saúde Jardim Caiçara, gerenciada pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, destaca que a doença pode tanto ter uma predisposição genética como ocorrer em consequências de maus hábitos de vida e alimentação, gerando o acúmulo de gordura no corpo.

“Esse acúmulo é causado quase sempre pelo sedentarismo e pelo consumo excessivo de alimentos com alto valor calórico, superior ao usado pelo organismo para sua manutenção e realização das atividades diárias.”

O diagnóstico da doença é clínico e baseado no Índice de Massa Corporal, o IMC, que é dado pela relação entre o peso e a altura, considerando menor que 18,5 abaixo do peso; entre 18,5 e 24,9 peso normal; entre 25 e 29,9 sobrepeso; e igual ou acima de 30 obesidade.

A nutricionista explica que doença é considerada grave pois o excesso de peso está associado ao aumento do risco de desenvolvimento de patologias como diabetes, pressão alta, apneia do sono, aterosclerose, trombose e distúrbios no ciclo menstrual, além de problemas cardiovasculares diversos.


Uma pesquisa feita pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com a Universidade de Harvard e com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), também confirmou a associação da obesidade a diversos tipos de câncer: o de mama na pós-menopausa, cólon e reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, ovário, próstata, mieloma múltiplo (células plasmáticas da medula óssea), esôfago, pâncreas, estômago e tireoide.

“Além dos problemas físicos, a obesidade ainda pode afetar a saúde emocional e psicológica, já que pessoas obesas podem desenvolver a baixa autoestima, que leva à depressão”, alerta a especialista.

Prevenção

Francyne explica que a prevenção da obesidade deve ser feita a partir da conscientização da importância de uma vida saudável, com um tempo dedicado para a prática de atividades físicas e uma dieta equilibrada, baseada em alimentos saudáveis, de preferência in natura ou minimamente processados.

“Por outro lado, o sedentarismo, a ingestão de alimentos com excesso de gorduras e açúcares refletem no aumento de chances desta e de tantas outras patologias associadas a ela.” De acordo com a profissional, legumes, verduras, frutas naturais ou envasadas, iogurtes sem adição de açúcar, ovos, chá, café, carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, ervas frescas ou secas, leites e sucos de frutas pasteurizados, feijões, entre outros, são bons amigos do peso.

Já os alimentos processados e ultraprocessados, como aqueles em conserva, carnes enlatadas, queijos, pães feitos com farinha de trigo branca, biscoitos recheados, sucos em pó, refrigerantes, macarrão instantâneo, cereais matinais açucarados, frios embutidos, entre outros, são grandes inimigos dos que buscam ter uma vida saudável.

Tratamentos


Além da estética, o tratamento da obesidade tem como finalidade alcançar uma série de objetivos e a saúde é o principal deles. O processo pode ser feito a curto ou longo prazo, por meio das intervenções multifatoriais que combinam componentes como a dieta, exercícios físicos, mudança comportamental e até mesmo utilização de medicamentos, caso o especialista que estiver acompanhando o caso avalie necessário.

“O uso desses remédios, inclusive, não deve ser feito por conta própria ou de maneira indiscriminada, pois pode acarretar outros problemas de saúde. O mesmo vale para as dietas. Regimes milagrosos, que prometem a perda de peso da noite para o dia, não existem. O essencial é sempre buscar um profissional, de preferência um endocrinologista e um nutricionista” orienta.

De acordo com a nutricionista, no SUS (Sistema Único de Saúde) existem diversos serviços dedicados às pessoas que buscam perder peso de forma saudável e com acompanhamento médico.

Grupo de Combate à Obesidade

Algumas UBSs, sob gestão do Cejam, possuem grupos de apoio multidisciplinares, compostos por nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas, para quem precisa de ajuda com reeducação alimentar e atividade física para lidar com a obesidade.

O trabalho tem como foco a prevenção e o tratamento da obesidade, abordando e estimulando o tratamento de diabetes, hipertensão e alta do colesterol, além de acompanhamento nutricional.

As unidades participantes disponibilizam grupos de apoio abertos e fechados, dependendo da necessidade. Qualquer pessoa pode participar, até mesmo quem não é paciente da unidade, basta apresentar o cartão do SUS.

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