Psicóloga indica 5 passos para ter mais responsabilidade afetiva

Sabrina Amaral explica a importância de ser honesto na comunicação das próprias emoções e necessidades

Responsabilidade afetiva parece um conceito complicado, mas, na realidade, significa algo simples: ser transparente e verdadeiro nas relações. Às vezes um relacionamento que parece estar no caminho certo, de repente, desanda e tudo porque falta uma comunicação honesta, uma manifestação clara de sentimentos e reais intenções. Em tempos de ‘nudes’ e ‘tinders’ se expor emocionalmente pode parecer fraqueza. Contudo, não é bem assim.

A psicóloga Sabrina Amaral, da Epopéia Desenvolvimento Humano, explica que ao ser responsável afetivamente, as necessidades de cada um saem da subjetividade: “Responsabilidade afetiva é plantar no coração do outro apenas o que você tem condições de cultivar. Também significa abandonar os joguinhos, as manipulações, aquela mania lastimável de deixar as coisas subentendidas nas entrelinhas, comum em relacionamentos tóxicos, sem ter noção do estrago emocional que isso pode causar na outra pessoa.”

Responsabilidade afetiva é sobre ser transparente, não sobre ser recíproco

Quando se inicia um relacionamento, é normal que surjam projeções inconscientes sobre o parceiro, idealizando o que se gostaria de ter. “Aí é que mora a cilada, pois a partir do momento que a outra pessoa deixa de atender às nossas expectativas, podemos sentir rejeição, traição e acusá-la de ser irresponsável afetivamente conosco”, comenta a psicóloga.

Entretanto, Sabrina Amaral alerta para o fato de que uma necessidade não comunicada, porém esperada e cobrada, é uma atitude pouco responsável: “Ninguém tem a obrigação de adivinhar o que o outro quer, sente ou precisa. Neste cenário, a pessoa irresponsável afetivamente é aquela que não comunica e ainda acha que é obrigação do outro adivinhar o que ela quer.”

Vale ressaltar, que há uma linha entre ser responsável afetivamente e recíproco. “Na responsabilidade afetiva, você mostra seu real interesse e age de forma coerente com suas emoções, comunicando de forma empática e responsável (daí o nome) o que gostaria. Já na reciprocidade, você corresponde ao sentimento de outra pessoa, ou pelo menos, partilha dele em igual intensidade. Resumindo: responsabilidade afetiva não é sobre reciprocidade. É sobre honestidade e empatia. É sobre saber que o que não significa nada para você pode significar muito para o outro”, detalha a especialista.

Como ter mais responsabilidade afetiva em 5 passos simples

Não existe apenas uma fórmula para desenvolver a capacidade de ser responsável afetivamente. No entanto, a psicóloga Sabrina Amaral compartilha abaixo alguns passos que podem ajudar a dar início nessa jornada, e que também podem ser utilizados para transformar as relações no trabalho, em casa e com os amigos.

Tenha autoconhecimento
Ter consciência de si é a primeira prática a ser seguida, por quem deseja se responsabilizar por qualquer coisa na vida – e isso vale para a responsabilidade afetiva. Afinal, quanto mais a pessoa se doa e tem um relacionamento saudável consigo mesma, mais ela consegue levar essa ‘bagagem’ para a relação com os outros, compreendendo seus processos, comportamentos e, claro, aquilo que ela deseja.

Use e abuse da empatia
Se colocar no lugar do outro é fundamental para a responsabilidade afetiva. A empatia ajuda a entender quais atitudes devem ser evitadas e quais devem ser praticadas. Porém, cuidado: respeite e entenda as particularidades de cada um, pois nem todos têm as mesmas emoções que você. Algumas perguntas podem ajudar:
Você gostaria de ouvir isso de outra pessoa?
Qual a utilidade do que você vai falar ou fazer para a relação?
Isso pode ofender alguém? Se sim, qual a melhor forma de se comunicar?

Deixe tudo claro
Falar a verdade não é magoar. O diálogo é fundamental para que qualquer relação seja construtiva e saudável. Por isso, seja claro naquilo que você deseja ou está sentindo pelo outro. Fale, digite, desenhe, escreva e se expresse. Só assim será possível entender em qual ponto os sentimentos de cada um se encontram, para fazer acordos claros e chegar a um lugar bom para ambos na relação.

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Verbalize suas insatisfações
Falar sobre aquilo que você não concorda também é responsabilidade afetiva, pois se você não se faz entender, a dúvida abre um abismo entre as duas partes e contribui para que elas tenham atitudes destrutivas na relação. Ao falar o que não gostou, ou o que não concorda, evite usar adjetivos e julgamentos que podem ser interpretados como ofensivos. Substitua o “Você gritou e foi muito rude comigo” por “Quando você fala comigo nesse tom, faz com que eu me afaste de você”. A comunicação não-violenta é uma ferramenta poderosa para te ajudar nessas horas. Use sem moderação!

Comece por você
Se você deseja realmente praticar a responsabilidade afetiva comece sempre por você. Não se deixe levar pelas vontades da outra pessoa, por mais que você esteja envolvido ou goste dela. Às vezes, fica difícil calibrar o certo e o errado em uma relação (e isso é natural). Todavia, você jamais deve se anular a ponto de fazer algo que violente seus sentimentos. Pratique o autocuidado, busque se conhecer melhor em todos os aspectos, seja mental, físico ou espiritual. E lembre-se: tenha, acima de tudo, responsabilidade afetiva com você. Afinal, você deve ser o seu primeiro e maior amor.

Fonte: Sabrina Amaral é psicóloga, hipnoterapeuta clínica, practitioner em PNL e coach da Mente. Pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano. Embaixadora da Rede Mulher Empreendedora em Campinas, voluntária na Humanitarian Coaching Network, que provê serviços de coaching para líderes da ONU e UNICEF; e fundadora da Epopéia Desenvolvimento Humano, que vem formando heróis e protagonistas de suas histórias rumo ao final feliz desde 2012.

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