Endocrinologista dá 17 dicas para não cair nas pegadinhas dos rótulos alimentícios

O estresse da vida moderna, a correria, a infinidade de informações contraditórias e de produtos novos, bem como a falta de tempo para organizar e planejar a rotina diária, impacta diretamente no que comemos e em como comemos. Paula Pires endocrinologista e metabologista pela USP explica que é preciso conhecer o que se comunica nos rótulos e ainda entender o que significam as palavras e frases “caça-consumidores” presentes nas embalagens dos alimentos.

Para a médica o segredo de boas escolhas esta em selecionar marcas que prezam por poucos e bons ingredientes. “Perca nem que seja um minutinho olhando a lista de ingredientes. E quando for abrir uma exceção e comer coisas não tão saudáveis (o que pode e deve ser feito, às vezes, sim), faça com consciência, bom senso e com o que realmente vale a pena! A meta é sempre minimizar esse uso, preferindo os alimentos simples e naturais, aqueles que vêm direto da feira e nem tem rótulo para ler”, explica.

A dieta mais saudável é aquela baseada na inclusão de alimentos in natura ou minimamente processados, ou seja, que crescem na terra vão direto para o prato, como frutas, legumes, verduras, cereais, tubérculos, leguminosas, grãos, oleaginosas e sementes. “Trazer a natureza para a mesa, nos coloca em contato com os alimentos, sabores e nutrientes em sua forma mais pura e o mais perto de sua forma original possível. É a comida de verdade, caseira, que mais faz bem a você”, alerta.

Os maiores vilões são os alimentos ultraprocessados, pois geram dependência alimentar, têm excesso de calorias e aumentam o risco de doenças. O primeiro problema é que chegam ao consumidor com preços inferiores ao de frutas e verduras e contêm indicações que podem confundir o público. Fique atento a pegadinhas contidas em frases como:

Produtos lights, para manter a consistência e sabor da versão original, precisam que muito açúcar ou aspartame sejam adicionados. Verifique cuidadosamente seus aditivos.

Produto multigrão não é necessariamente 100% integral, mas contém mais de um tipo de grão, e um deles pode ser a farinha enriquecida com ferro e ácido fólico.

Produto natural não significa que seja semelhante a algo natural, mas que, a certa altura, o fabricante trabalhou com uma fonte natural, como maçãs ou arroz.

Produto orgânico diz muito pouco sobre ser um produto é saudável. Por exemplo, o açúcar orgânico ainda é açúcar (que pode prejudicar o seu pâncreas). E o iogurte orgânico pode ser cheio de açúcares adicionados.

Sem adição de açúcar. Alguns produtos são naturalmente ricos em açúcar. O fato de não terem adicionado açúcar não significa que sejam saudáveis e substitutos do açúcar não saudáveis também podem ter sido adicionados.

Baixa caloria. Os produtos de baixa caloria precisam ter um terço a menos de calorias do que o produto original da marca. E pode ser zero calorias, mas cheio de aditivos e adoçantes em excesso.

Baixo teor de gordura. A gordura foi reduzida às custas da adição de mais açúcar. Normalmente, quando tiramos um ingrediente, substituímos por outro que pode ser até pior.

Baixo teor de carboidratos. Dietas com baixo teor de carboidratos (low carb) foram associadas à melhoria da saúde. Ainda assim, os alimentos processados rotulados com baixo teor de carboidratos, geralmente ainda são junk food, processados, semelhantes aos alimentos processados com baixo teor de gordura.

Feitos com grãos inteiros. Verifique se os grãos inteiros estão entre os três primeiros ingredientes; se não estiverem, a quantidade é insignificante.

Fortificado ou enriquecido. Significa que nutrientes foram adicionados ao produto. Por exemplo, a vitamina D é frequentemente adicionada ao leite. No entanto, só porque algo é fortificado, não o torna saudável necessariamente.

Foto: Shutterstock

Livre de glúten. Sem glúten não significa saudável. O produto simplesmente não contém trigo, centeio ou cevada. Muitos alimentos sem glúten são altamente processados e carregados de gorduras prejudiciais à saúde. Qual o melhor alimento sem glúten? Aquele que nem rótulo tem: vegetais, arroz, feijão, frutas, quinoa…

Com sabor de frutas. Muitos alimentos processados têm um nome que se refere a um sabor natural, como iogurte de morango. No entanto, o produto pode nem conter frutas – apenas produtos químicos com gosto de fruta.

Cereais integrais de caixinha. Com frequência tem açúcar e corantes na composição. Prefira granolas caseiras, aveia, sementes e castanhas.

Pão de supermercado. O problema é a distribuição em larga escala, que faz com que esses produtos sejam cheios de conservantes. Mesmo com versões sem glúten e/ou integrais, prefira um pãozinho mais artesanal, feito em uma padaria legal, com fermentação natural, de preferência. Hoje tem muita gente fazendo e entregando pães mais nutritivos também. Você pode congelar em fatias para facilitar.

Requeijão. Pode ser uma mistura química cheia de espessantes. Se for comer lácteos, prefira comer queijo em fatias, cremosos como cottage ou ricota ou ainda manteiga mesmo.

Suco de caixinha. Mesmo as versões mais naturais continuam sendo bem industrializadas, uma vez que um suco de frutas é uma bebida bem perecível. Deixe para momentos pontuais e não no dia a dia.

Stock Photo

Barrinhas de cereais. Muitas delas são cheias de corantes, adoçantes em excesso e substâncias estranhas que tem mais o objetivo de facilitar do que nutrir. Por isso, leia sempre o rótulo e faça a relação carboidratos/fibras.

Sem dúvida, é quase impossível para quem trabalha por mais de oito horas diárias, consumir apenas produtos in natura ou minimamente processados. Porém isso não pode ser uma desculpa para não se alimentar bem. Passo a passo, pode-se substituir produtos e buscar o que de melhor o mercado traz em termos nutricionais. Procure desembalar menos a cada dia.

Fonte: Paula Pires é especialista em Endocrinologia e Metabologia, Especialista em Endocrinologia Pediátrica. Graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília – UnB. Residência Médica em Clínica Médica pela Unicamp. Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP). Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia Pediátrica. Membro da Endocrine Society, SBEM e Abeso.

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