Dê férias para seu cérebro: confira algumas sugestões de atividades prazerosas

Do exercício físico ao ‘fazer nada’, descubra como o cérebro pode se beneficiar nos períodos de férias

Quem não gosta de tirar férias? Pensamos sempre em descansar o físico, curtir um lugar diferente, mas a verdade é que esse período também é bom para a saúde mental – e melhor ainda para o cérebro.

“Tirar férias pode ser um fator determinante para muitos, ainda mais em tempos de pandemia e crise econômica. Acredito que muitos considerariam evitar férias neste momento, porém pode custar caro. Tirar uma pausa de alguns dias pode auxiliar na produtividade, velocidade de processamento cerebral e saúde cerebral de forma geral, criatividade, satisfação profissional e pessoal”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

“Somos constantemente bombardeados com informações, atualizações, demandas ativas e passivas, que podem gerar um enorme amontoado de estresse, ansiedade, insônia e síndrome de burnout. Durante as férias e pausas rotineiras podemos nos colocar longe destes focos, o que ajudará muito a reduzir os efeitos deletérios da rotina”, acrescenta o médico.

Abaixo, o neurologista indica o que pode ser feito de bom para a saúde cerebral no período de férias:

Exercício físico: “Mesmo durante as férias, vale a pena praticar algum tipo de atividade física. Os exercícios físicos regulares durante o período de férias podem auxiliar na redução do estresse, manutenção do peso durante um período de maior tendência a consumir alimentos calóricos e bebidas alcoólicas, além de ajudar no sono”, diz o neurologista.

Ouvir música: “Esse é hábito que traz comprovadamente benefícios para o cérebro, mas, obviamente, depende do estilo musical escolhido e como ele é usado. Músicas podem ativar diversas áreas do cérebro em concomitância, auxiliando no aprendizado, foco, mas podem também prejudicar um aprendizado se forem músicas com letras que tomem a atenção do paciente. Acaba sendo algo pessoal, e cada paciente vai encontrar sua playlist dedicada ao momento”, diz.

Dormir: com certeza, durante o período fora das férias somos submetidos intermitentemente a uma carga inesperada de estresse e ansiedade, o que pode alterar nossos hábitos de sono, prejudicar o ciclo circadiano e a capacidade de recuperação diária pelo sono, gerando uma bola de neve. “Durante as férias temos maior liberdade para dormir até mais tarde, algo que por si só já pode compensar as horas necessárias para dormir, mas também podemos organizar um horário preferencial para dormir, sem estresse ou anseios, que pode ser mantido por muito tempo após o término das férias. Devemos aproveitar as férias para ajustar nosso relógio interno”, diz o médico.

Atividades manuais e novas habilidades: “Pode ser muito bom para alguns pacientes desenvolver atividades manuais, justamente por serem um tipo de terapia em diversos contextos. No curto período de férias, pode ser muito difícil desenvolver uma habilidade por completo, logo poderia ser mais interessante como habilidade manual terapêutica, mas ainda assim poderia ser algo que serviria como válvula de escape para o paciente, e poderia ser levada para o período de retorno ao trabalho e mantido”, conta o neurologista.

Contato com a natureza: entrar em contato com a natureza tem, comprovadamente, atividade benéfica no cérebro, tanto que é uma forma terapêutica para pacientes psiquiátricos e pacientes com distúrbios neurológicos do espectro autista, segundo Batistella.

Visitar amigos e familiares: segundo o neurologista, retornar e fortalecer o ambiente social vai ser uma atividade fantástica para a saúde cerebral, claro que a depender do quanto o paciente se sente bem neste contexto social. “Ficar em ambientes sociais ruins ou com desavenças acabaria sendo prejudicial, logo desaconselhado durante o período de férias”, diz.

Por fim, o Dr. Gabriel ressalta que um tempo “sem fazer nada” acaba, também, sendo um ótimo exercício de meditação e redução dos níveis de estresse para o corpo e cérebro. “Então, sim, pode ser muito benéfico tirar um tempo para si. Cabe aqui também incentivar a atividade de meditação, assim como o mindfulness, hoje tão em alta”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO). Instagram: @neuro.oncologia.batistella

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