“Se é natural, não faz mal”: fitoterápicos precisam de acompanhamento

O uso de plantas medicinais e fitoterápicos cresceu nos últimos anos e foi a principal estratégia natural utilizada pelos brasileiros durante a pandemia. Mas apesar de natural, o uso desses medicamentos não dispensa acompanhamento profissional

O uso fitoterápico e plantas medicinais foi o tratamento natural mais utilizado pelos brasileiros durante a pandemia, segundo pesquisa realizada pela Fiocruz. O estudo contou com a participação de quase 13 mil pessoas e 28% indicaram o uso desses recursos como estratégia para o cuidar da saúde. Os fitoterápicos e as plantas medicinais são um dos 29 procedimentos que integram o rol das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) oferecidas pelo Sistema Único de Saúde.

Enquanto as plantas medicinais são alternativas in natura, os fitoterápicos são a sua versão industrializada. O processo ajuda a evitar contaminações, padroniza o modo como devem ser comercializados e consumidos (já que devem ser regularizados pela Anvisa) e favorece o uso com maior segurança.

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Segundo o médico Paulo Benício, clínico geral do Hospital Adventista Silvestre, um único fitoterápico pode oferecer diversos benefícios para o organismo, como é o caso da erva-mate que é rica em substâncias termogênicas (xantinas), antioxidantes (saponinas) e diuréticas (flavonoides e metilxantinas). “As plantas medicinais e os fitoterápicos oferecem um grande complexo de substâncias que são capazes de desempenhar diversas funções no organismo. Nenhum medicamento sintético é capaz de fornecer tantos efeitos benéficos ao mesmo tempo”, enfatiza o médico, que é pós-graduado em Fitoterapia pela Associação Brasileira de Fitoterapia.

Não se engane: produtos naturais também possuem efeitos colaterais e contraindicações

Um erro muito comum é acreditar que “se é natural não faz mal”. Apesar do uso crescente e do reconhecimento pelo poder público, o uso de fitoterápicos e plantas medicinais ainda é envolto por desinformação e dúvidas. O médico destaca a importância do acompanhamento profissional no uso desses medicamentos. “A fitoterapia é uma forma de terapia farmacológica e pode ter efeitos colaterais, contraindicações e interações medicamentosas como qualquer outra medicação. Isso depende de cada organismo e, por isso, é importante a avaliação e orientação de um profissional habilitado”, enfatiza o médico.  Entre as reações adversas estão casos de intoxicações, enjoos, irritações, edemas (inchaços) e até a morte, como qualquer outro medicamento.

Os fitoterápicos podem ser prescritos não só por médicos, mas também por farmacêuticos e nutricionistas. Entretanto, alguns medicamentos naturais são tarjados e devem ser prescritos exclusivamente por médicos, como é o caso da uva-ursi, da cimicifuga, da equinácea, do ginkgo biloba, do hipérico, da kava-kava, da valeriana, do saw palmetto e do tanaceto. Por isso é importante ter orientação e evitar a compra indiscriminada de fitoterápicos, que são facilmente encontrados em lojas de produtos naturais, por exemplo. “A venda desses medicamentos em lojas sem referência pode ser  um problema. É preciso saber quem está fornecendo e comercializando esses produtos, já que existe uma uma série de exigências sanitárias. Profissionais que trabalham com fitoterápicos costumam saber os melhores locais onde comprar ou manipular esses produtos”, finaliza Benício. 

Fonte: Paulo Benício é clínico geral do Hospital Adventista Silvestre. Pós-graduado em Fitoterapia pela ABFIT, em Avaliação Metabólica e Nutricional do Onívoro e do Vegetariano pelo Instituto Eric Slywitch, pós-graduado em Nutrologia no Hospital Albert Einstein, em Nutrição Vegetariana pelo Instituto Luciana Harfenist/Sociedade Vegetariana Brasileira(SVB) e em Terapia Nutricional pelo Ganep. Membro da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida e membro titular da Associação dos Médicos Vegetarianos.

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