Climatério: 6 perguntas para entender de uma vez por todas o que é esse período na vida da mulher

Ginecologista Fernando Prado explica quais são os sintomas e tratamentos comuns do climatério, período de transição para o fim da fase reprodutiva da mulher que é constantemente confundido com a menopausa

Conforme envelhecemos, nosso organismo passa por uma série de alterações. E entre as alterações causadas pelo processo de envelhecimento mais temidas pelas mulheres está a menopausa. No entanto, o que muitas pessoas definem como menopausa trata-se, na verdade, de uma período conhecido como climatério. “A menopausa é apenas uma data. É o dia em que se completa um ano que a mulher parou de menstruar devido ao fim do período reprodutivo. Portanto, só podemos falar em menopausa após um ano da última menstruação.

Já o climatério é justamente esse período de transição entre a fase reprodutiva e não reprodutiva da mulher”, explica o ginecologista obstetra Dr. Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita, que respondeu as principais dúvidas sobre climatério para facilitar a passagem por esse período tão delicado na vida da mulher. Confira:

O que exatamente é o climatério?
Fernando Prado:
Climatério é um período de transição entre a fase reprodutiva e a fase não reprodutiva na mulher. Nesse período, surgem uma série de sinais e sintomas característicos do climatério que estão geralmente associados à queda da produção dos hormônios femininos.

Quais os sintomas mais comuns do climatério?
FP:
Os sintomas mais comuns são alterações no ciclo menstrual, ondas de calor (fogachos), secura e atrofia vaginal, insônia, incontinência urinária, perda da libido, depressão e perda de “energia”, osteoporose e alteração no metabolismo de gorduras (colesterol e triglicérides).

Existem formas de aliviar esses sintomas?
FP
: Sim, existem diversas maneiras de aliviar os sintomas, como o uso de hormônios nos chamados esquemas de terapias hormonais. Geralmente, utilizamos estrogênios em diversas vias de aplicação, incluindo oral, adesivos transdérmicos e gel na pele ou na região da vulva e vagina, além de implantes hormonais. O objetivo dessa terapia é manter os níveis de hormônios femininos em valores próximos aos encontrados durante a vida reprodutiva da mulher para prevenir o surgimento de problemas como atrofia genital, alterações no metabolismo de gorduras e osteoporose. São tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente.

O uso de hormônios durante esse período é seguro?
FP:
As terapias hormonais são tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente. Só não indicamos esse tipo de tratamento em situações específicas, como mulheres que tiveram trombose, fumantes, com doenças cardiovasculares graves ou que tenham alto risco para tumores relacionados aos hormônios, como os tumores de mama ou endométrio. Nas mulheres que não apresentam tais contraindicações, podemos usar os hormônios com grande segurança e sucesso.

Por quanto tempo os hormônios podem ser usados?
FP:
O tempo de uso ainda é tema de discussão, mas entende-se que o uso de hormônios é seguro por até 10 anos ou até os 60 anos de idade. No entanto, não há um tempo limite de uso, já que as doses usadas são mínimas. As mulheres podem usar por mais de 10 anos e após os 60 anos de idade, desde que façam acompanhamento médico regular e que as doses do tratamento sejam ajustadas de acordo com as necessidades.

Existem outros cuidados que podem ser adotados além do uso dos hormônios?
FP:
Com certeza. Além dos hormônios, podemos recomendar também outros tratamentos, como dietas, fisioterapia, higiene mental, atividade física e meditação. É importante lembrar que o climatério não é apenas “falta de hormônio”. É um período da vida em que a mulher passa por transformações e precisa de um entendimento global sobre essa nova fase, que pode ser muito melhor do que as anteriores se bem direcionada.

Fonte: Fernando Prado é médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. Diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres – Reino Unido. Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE).

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