Junho Violeta: campanha alerta sobre ceratocone, doença que prejudica a visão

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% de todos os transplantes de córnea realizados hoje são por causa dessa doença

Durante todo o mês de junho, ocorre o “Junho Violeta”, criado para prevenção do Ceratocone, doença oftalmológica. A campanha foi criada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), com o intuito de orientar a população sobre a doença, os avanços, diagnóstico e a importância do seu acompanhamento e tratamento.

Hallim Feres Neto oftalmologista membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão, explica que o ceratocone, é uma doença da córnea que aumenta a sua curvatura, de forma irregular, que assume o formato de cone. Por isso o nome da doença.

Imagem: 2020Tulsa

Essa alteração no formato da córnea provoca a distorção de imagens e pode levar a uma forte perda de visão. “Apesar de não provocar cegueira, a condição prejudica muito a visão, que pode ficar distorcida e sombreada. Casos mais graves, que correspondem a menos de 10%, precisam de transplante de córnea. Para os demais, a prevenção é a melhor saída.” Afirma o oftalmologista.

É uma doença congênita, ou seja, a pessoa já nasce com predisposição para desenvolvê-la, o problema acomete entre 0,5% e 3% da população mundial e pode levar a altos graus de astigmatismo e miopia, comprometendo a visão.

Alguns estudos indicam que o ceratocone pode estar relacionado a mudanças físicas e bioquímicas no tecido corneano. Entretanto, é importante destacar que o hábito de coçar os olhos está ligado a doença (o ato de coçar os olhos com frequência pode provocar o afinamento da córnea, uma das características da doença).

A doença possui quatro fases e diversos tratamentos, que dependem da gravidade. Na fase inicial, a visão pode ser corrigida com o uso de óculos. No estágio moderado, com o uso de lentes de contato específicas para ceratocone ou com o implante de anel intracorneano, no caso de intolerância às lentes.

Outra opção de tratamento é o procedimento conhecido como crosslinking. Neste processo, o uso de colírio de vitamina B2, associado à luz UVA emitida por uma fonte, aumenta a ligação das fibras de colágeno da córnea, o que a enrijece, evitando a progressão da doença.

Nas etapas mais avançadas, o tratamento baseia-se no transplante de córnea, que é a cura definitiva para o ceratocone. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% de todos os transplantes de córnea realizados hoje são por causa da doença.

Muitos pacientes não percebem o ceratocone em estágio inicial, quando a córnea começa a se curvar. Por este motivo, a campanha Junho Violeta é extremamente importante para disseminar o conhecimento e incentivar a consulta com oftalmologista pelo menos 1 vez ao ano.

Fonte: Hallim Feres Neto é oftalmologista e membro do CBO – Conselho Brasileiro de Oftalmologia; Membro da ABCCR – Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa;
Membro da ISRS – International Society of Refractive Surgery e Membro da AAO – American Academy of Ophthalmology

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