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Alienação parental vira problema com a pandemia

Paulo Eduardo Akiyama, advogado atuante em Direito de Família, indica curso on-line do CNJ para evitar esse tipo de conflito

A incidência de atos de alienação parental teve um crescimento bastante relevante desde março de 2020 segundo pesquisas feitas por institutos como o Observatório da Alienação Parental. A crise entre casais separados tornou-se mais constante, com discussões e demais conflitos no que se refere aos filhos. Além da privação de convivência imposta ao genitor não guardião, ainda se estendeu a toda família deste. As crianças acabaram sendo afastadas da convivência dos parentes com a desculpa da pandemia e eventual contaminação pelo coronavírus.

Paulo Eduardo Akiyama, advogado atuante em Direito da Família e sócio do escritório Akiyama Advogados Associados, informa que, em 25 de abril, é lembrado o Dia Internacional Contra a Alienação Parental, e sugere aos pais que realmente desejam o melhor aos seus filhos que se inscrevam na oficina de pais e mães do CNJ – Conselho Nacional de Justiça para poderem entender como os casais separados devem se comportar em relação à prole, afim de evitar a prática de atos alienantes.

O advogado destaca que os casos aumentaram por conta da obrigatoriedade do distanciamento social e deslocamento, causando mudança nas visitas pré-estabelecidas. “Muitos detentores da guarda, utilizando-se desta desculpa, atuando fortemente na prática de atos alienantes. Não podemos esquecer que filhos não são mobília da casa, mas sim, seres humanos que necessitam conviver com ambos os genitores e seus familiares. Claro que dentro de uma segurança sanitária, mas também deve-se garantir a convivência para a segurança psicológica”, alerta.

Akiyama ainda ressalta que a comunicação por videoconferência não substitui a convivência presencial entre o genitor não guardião e a prole. “A videochamada, como antes da pandemia, sempre é vista como um meio de comunicação temporária, ou seja, naqueles dias em que não esteja estabelecida a visita, mas não substitui a visita presencial, o contato, o calor humano, o diálogo, a participação em atividades, tudo isto é salutar a criança. A videoconferência trata-se apenas de um paliativo para contato, mas não é convivência”, observa.

Para o advogado, comportamentos alienantes que devem ser sempre evitados pelos genitores, como por exemplo, interromper abruptamente a ligação ou fazer comentários do tipo “chega de lero-lero”, entre outras manifestações. “Isto é prejudicial principalmente para a criança. Muitos pais esquecem que seus atos vão de encontro ao subconsciente da criança, que grava estas informações de repúdio e que, em um futuro próximo, se manifestará no seu comportamento”, adverte.

Ainda segundo Akiyama, qualquer um dos lados que age desta forma, esquece que as crianças crescem e um dia se darão conta do que lhes foi imposto, criando assim uma enorme decepção, em especial, com relação ao genitor praticante dos atos alienantes. “Na internet podemos encontrar vídeos que descrevem este comportamento, depoimentos de pessoas que foram vítimas da alienação parental”, exemplifica.

O advogado orienta sempre seus clientes a agirem em consenso para manter a convivência presencial, prolongando os dias de visita estabelecidos, visto que as aulas não têm ocorrido de forma presencial e também é optativo para os pais que não desejam enviar seus filhos à escola por medo da pandemia. “Há casos em que recomendei ao invés de o genitor visitante pegar o filho na sexta-feira ou no sábado, buscar na quinta feira e em vez de devolver no domingo, retornar com a criança na segunda-feira. Em vários casos isto ocorreu com enorme sucesso, quando não há prática de alienação parental”, comemora.

Fonte: Paulo Akiyama é formado em economia e em direito desde 1984. É palestrante, autor de artigos, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados e atua com ênfase no direito empresarial e direito de família.

Combate à meningite: vacinação é maneira mais efetiva de prevenir doença

Manter a carteirinha de vacinação em dia mesmo durante a pandemia é uma atitude recomendada para evitar a volta de surtos de doenças imunopreviníveis

Ainda que um dos temas mais comentados atualmente seja a busca por uma vacina contra o novo coronavírus, a imunização de doenças preveníveis têm historicamente diminuído no Brasil. De acordo com um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em parceria com a Unicef,14 milhões de crianças não foram vacinadas em 2019, sendo que dois terços delas estão concentradas em países de média e baixa renda, entre eles, o Brasil. Outra constatação feita sobre a cobertura vacinal é a diminuição da adesão às doses de reforço, importantes para manter o nível de imunidade alto.

“Historicamente, a cobertura vacinal em adolescentes é muito baixa. É uma faixa etária diferente do bebê, que tem o calendário de imunizações discutido durante as consultas com o pediatra. Além disso, geralmente as gerações mais jovens não tiveram pessoas próximas com doenças como paralisia infantil, meningite, tétano e difteria e, por isso, tendem a acreditar que a vacinação não é necessária”, explica o pediatra e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Marco Aurélio Sáfadi.

Mas, estar em dia com o calendário vacinal e ficar atento às doses de reforço é um passo importante para a manutenção da saúde. Essa é a mensagem trazida pelo atleta de voleibol sentado da Seleção Brasileira e do Sesi-SP, Daniel Yoshizawa. Ele sentiu a sua vida mudar por conta da meningite meningocócica. Aos 21 anos de idade, Daniel acordou com uma forte dor de cabeça e entrou em coma em questão de poucas horas. No hospital, foi diagnosticado com a doença e, após 14 dias em estado de coma, acordou e foi informado que teria que amputar as duas pernas e parte de cinco dedos, sendo quatro da mão direita e um da mão esquerda.

“Independentemente das dificuldades, é possível reverter situações adversas com muito foco e dedicação. Mas isso não invalida o fato de eu ter tido a vida completamente transformada e impactada pela meningite. Por isso, levo comigo a importante mensagem de manter a vacinação em dia”, alertou o atleta.

Atenção à doença

Causada por vírus, bactérias, fungos ou outros agentes infecciosos, a meningite é considerada uma das mais temidas doenças imunopreveníveis. A doença pode ser causada por diversos agentes, sendo que os mais comuns são os vírus e, os mais severos, as bactérias. Entre as principais bactérias que causam a enfermidade está a Neisseria meningitidis, também chamada de meningococo.

A meningite meningocócica é uma doença grave que, mesmo com tratamento adequado, leva à morte entre 8% e 15% dos pacientes entre 24 e 48 horas após os primeiros sintomas, além de deixar sequelas irreversíveis entre 10% a 20% dos pacientes que sobrevivem5, como surdez, cegueira, amputação de membros e alterações neurológicas.

A meningite tem um alto poder de contágio, visto que algumas pessoas podem ser portadoras assintomáticas da bactéria e transmitirem a doença sem estarem doentes. Por isso, a melhor forma de prevenção é a vacinação, que protege não apenas o imunizado, mas quem está ao seu redor.

“É possível hospedar a bactéria sem adoecer e, ainda assim, transmitir a doença. Essas pessoas são chamadas de “portadoras”. Adolescentes e adultos jovens estão entre os principais portadores do meningococo, sendo que os adolescentes são os que mais transmitem a doença”, explica a diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani. Por esse motivo, a vacinação dos adolescentes é um dos grandes aliados no combate à meningite meningocócica.

Devido ao alto grau de letalidade da doença, ao perceber os primeiros sintomas que podem dar indícios de meningite, como início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço, a orientação é procurar imediatamente o atendimento médico.

O Brasil possui um dos maiores programas públicos de imunização do mundo e, no Calendário Nacional de Imunização, está disponível a vacina contra a meningite meningocócica causada pelo sorogrupo C da bactéria Neisseria meningiditis, com doses aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12 meses, e entre 11 e 12 anos de idade.

Em 2017, especificamente para esta vacina, as taxas de imunização também caíram, respectivamente, de 87,04%, para 82,13%, até que em adolescentes atingiram 51%. Em 2020 o sistema público de saúde começou a oferecer a vacina conjugada quadrivalente para adolescentes entre 11 e 12 anos. O imunizante tem uma proteção ampliada, abrangendo os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningiditis.

Fonte: Sanofi

Não sabe fazer ovo? Aprenda a usar o ingrediente de forma correta

Chef Melchior Neto dá dicas para acertar no preparo

Cozinhar tem sido uma alternativa para muitas pessoas durante o período de isolamento. Os novos cozinheiros estão cada dia mais ousados e criativos em seus preparos, mas antes de se jogar nas receitas mais elaboradas que tal arrasar no básico?

O ovo, embora simples, é um ingrediente muito versátil e saboroso, mas um grande desafio para muitas pessoas. Pensando nisso, o chef Melchior Neto preparou um manual com dicas para o preparo dessa iguaria que está presente em todas as gastronomias pelo mundo.

alimentacao ovo

Ovo frito – talvez seja a versão mais conhecida do ovo. Com um bom pão e um café quente, pode ser uma ótima opção no café da manhã. No almoço, com arroz e feijão é tradição. Para conquistar o ovo perfeito, você precisa de uma boa frigideira com antiaderente. Em fogo médio, quase para baixo, inicie o preparo adicionando a gordura de sua preferência (óleo, azeite, manteiga etc). Não é necessária uma quantidade grande, pois o ovo não deve ser frito em imersão. Em seguida adicione o ovo e, assim que a clara começar a cozinhar, tempere com sal e pimenta. O ponto do ovo perfeito é quando a clara fica completamente branca, o que significa que o ovo já está cozido e com a gema cremosa. Para quem prefere a gema mais firme, a dica é utilizar uma espátula para virar o ovo e cozinhar um pouco mais a gema. “Para ficar ainda mais saboroso, você pode colocar o sal e a pimenta antes de adicionar o ovo na frigideira, garantindo a distribuição do tempero de forma uniforme”, ensina o chef.

ovos sanduiche saudavel

Ovo cozido – esse clássico está presente em diversos pratos da gastronomia mundial, mas ainda gera muitas dúvidas e erros. O primeiro passo é sempre colocar os ovos em água fervente. É importante ficar atento, pois se água estiver com uma temperatura muito alta os ovos podem se bater e formar rachaduras na casca interferindo no ponto do cozimento. O ovo deve ficar no fogo por pelo menos 5 minutos, tempo necessário para cozinhar a clara e deixar a gema mole e cremosa, ponto conhecido por muitos como ovo mollet. Para os que gostam da gema mais firme, o ideal é cozinhar por sete minutos. Passando desse tempo, o ovo começa a ficar esverdeado, duro e com textura muito seca.
“O segredo é transferir o ovo para uma tigela com água gelada assim que atingir o tempo determinado para interromper o cozimento e garantir que você consiga descascar o ovo sem quebrar”, alerta o Neto.

ovos mexidos pao fruta cafe da manha
TheSpruceEats

Ovos mexidos – queridinho do brunch e do café da manhã, o ovo mexido é muito temido entre os cozinheiros iniciantes. “Um erro recorrente é deixar os ovos por muito tempo no fogo e eles se transformarem em uma omelete”, explica o chef. Para isso não acontecer o preparo deve ser feito sempre em fogo baixo. Em uma panela adicione a gordura de sua preferência (óleo, azeite, manteiga etc) e os ovos, e com a ajuda de uma colher mexa sempre até a mistura começar a cozinhar. Tempere com sal e pimenta e mexa devagar, isso garante a cremosidade do prato. O ovo mexido está pronto assim que começar a desgrudar da panela.

ovo poche e pao Marina Davydenko por Pixabay
Foto: Marina Davydenko/Pixabay

Ovo pochê – considerado o pavor da cozinha, é um dos mais fáceis de preparar. “A dica é mergulhar o ovo, ainda com a casca, em água fervente por apenas 10 segundos para manter a clara mais firme”, ensina Neto. Quebre o ovo em uma vasilha e reserve. Enquanto isso, ferva (sem deixar borbulhar) água com um pouco de vinagre branco e, com uma colher, faça um redemoinho e jogue o ovo com cuidado bem no centro, sem que a gema fure. “A dica é abaixar o fogo e deixar por quatro minutos exatos até a clara cozinhar e a gema permanecer molinha. Aí é só temperar do jeito que quiser: com sal, molhos, ervas, etc. e comer com torradas, brioches ou waffle”, finaliza Neto.

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Adolescência e tecnologia: como e quando impor limites

Muitos pais têm dúvidas quanto ao momento e a forma correta de impor limites saudáveis na relação entre seus filhos e o uso dos aparelhos eletrônicos

Eles já nasceram em meio à tecnologia. Diferentemente de seus pais, que viveram boa parte de suas vidas num mundo analógico, os adolescentes de hoje não sabem o que é um mundo sem aparelhos eletrônicos, sem Internet e sem a virtualidade. Diante disso, muitos pais, muitas vezes, ficam em dúvida quanto a estabelecer um limite saudável para o uso de aparelhos tecnológicos, justamente porque ali, naquele aparelho, se fundem tanto vida pessoal quanto escolar, especialmente neste momento de distanciamento social.

menina adolescente celular

As orientadoras de Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional, Telma Portugal Pereira e Debora R. R. Hochheim, consideram que a tecnologia chegou para ficar e modificou as relações humanas em todas as esferas, inclusive, ou principalmente, na família, podendo afastar ou aproximar pais e filhos, dependendo do vínculo que se estabeleceu desde cedo entre eles.

Para elas, ao chegar à adolescência, filhos e pais passam a se enxergar de forma diferente, com ou sem a presença da tecnologia. Ainda assim, em todas as áreas de atuação do filho adolescente, os pais devem cuidar, observando seu desempenho e posturas, seja em meio à presença da tecnologia ou não.

Os pais devem observar tempo e conteúdo dos acessos. E esse limite, segundo elas, deve ser imposto bem antes que o filho chegue à adolescência. As orientadoras ressaltam que pais com autoridade conseguem manter os filhos em segurança em todos os aspectos, inclusive no mundo virtual.

Débora e Telma alertam aos pais que um sinal amarelo de que o adolescente possa estar ultrapassando os limites saudáveis de uso da tecnologia é quando ele deixa de participar de atividades importantes para o seu desenvolvimento, como convívio familiar e com amigos, responsabilidades escolares, etc. De acordo com elas, caso isso aconteça, é extremamente importante que os pais cumpram seu papel de responsáveis.

Quando o diálogo é construído no decorrer da educação, quando os próprios pais sabem ouvir e falar, quando dão exemplo, mais do que ditam o que deve ser feito, o embate acontece de forma adequada. As educadoras advertem que não é necessário evitar todo o embate na educação dos filhos, mas é imprescindível que eles entendam que os pais são os responsáveis por eles. É importante que sejam firmes nas decisões a tomar com seus filhos e que discutam entre si o que acham melhor para eles.

mulheres usando celular smartphone

Telma e Débora argumentam que o papel da escola nesse controle é o de alertar e orientar os alunos, assim como as famílias, oferecendo oportunidades de reflexão sobre o assunto, por meio de palestras ou até contato individual com os responsáveis ao perceber inadequação do comportamento do aluno, como sono em aula, baixa produção acadêmica, dificuldades no relacionamento com seus pares.

Fonte: Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional

 

Como evitar a alienação parental durante o divórcio, por Paulo Akiyama*

O processo de divórcio muitas vezes pode se tornar algo conflituosamente estressante e traumático para todos os membros da família, em especial para as crianças e adolescentes. É sempre bom lembrar aos pais para evitarem discussões e brigas na frente dos filhos, pois a ruptura conjugal por si só já traz grandes mudanças, e as eventuais brigas e discussões em frente aos filhos lhes proporcionarão lembranças emocionais prejudiciais ao desenvolvimento.

A separação do núcleo familiar pode ser agravada com a disputa da guarda dos filhos, questões financeiras e patrimoniais e sentimentos pessoais por parte dos envolvidos. Esse é o momento para os pais pensarem com calma ao tomarem novas decisões a fim de buscarem os meios de adaptação necessários tanto para os filhos quanto para si mesmos, principalmente por também estarem em um processo de transição de nova formatação de vida e convivência familiar.

A forma como os pais lidam com essas questões influenciam diretamente como os filhos se adaptarão a nova realidade familiar.

casal briga

Evitar envolver a prole nas disputas do casal é a melhor maneira de não prejudicá-los psicologicamente, em especial no desenvolvimento dos mesmos. Especialistas da psicologia ressaltam que o despreparo dos pais em situações como essa, principalmente se tratando de alienação parental, provoca graves consequências na formação emocional e social dos filhos.

A alienação parental encontra-se prevista na Lei n.º 12.318/2010, e descrito as formas de tal prática no parágrafo único do art. 2º, bem como no caput do mesmo artigo, considerado o ato de alienação parental como qualquer interferência na formação psicológica da criança ou adolescente promovido por um dos seus genitores, avós ou pelos que tenham sua guarda.

O comportamento dos pais, durante e após o divórcio, pode vir a trazer a total demolição do instituto família, influenciando na criação de uma nova programação psicológica nas crianças.

Estudos comprovam que as inquietações e insatisfações dos genitores acabam se projetando sobre os filhos, o que já se considera alienação parental.

Os pais devem se conscientizar que a parentalidade deve superar a ruptura conjugal. Seguindo este pensamento, o Brasil adotou a Oficina de Pais e Filhos, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), visando aperfeiçoar o trabalho do sistema judiciário. Em 2014, o órgão, recomendou aos Tribunais de Justiça dos Estados a adoção destas oficinas como política pública e prevenção de conflitos familiares, disponibilizando vídeos e apresentações no portal do CNJ.

As oficinas ocorrem uma ou duas vezes ao mês, com duração de quatro a seis horas, compostas por profissionais voluntários capacitados para atuar nas modalidades: pai, mãe, adolescentes e crianças, a fim de promover a reflexão acerca do divórcio e parentalidade aos participantes, explanando as mudanças da família.

Nossos legisladores também buscam a saúde psicológica e o desenvolvimento de filhos de pais separados, vindo a ser publicada a lei 13.058/2014, incluindo a guarda compartilhada como sendo o meio de convivência entre filhos e cônjuges, especialmente quando os pais não tenham consenso sobre a guarda dos filhos e ambos estão aptos a exerce-la.

Em 2010, entrou em vigor a Lei 12.318 – Alienação Parental – com o seguinte fundamento: “Inibir a alienação parental e atos que dificultem o convívio entre a criança e seus genitores”.

pais discussão separação casamento

Assim, concluímos que, os pais devem antes de mais nada, pensarem em seus filhos, pois o nosso ordenamento jurídico assim o faz, ou seja, o principio da proteção da criança e do adolescente para conviverem com ambos os genitores de maneira equilibrada. A ruptura conjugal não é sinônimo de ruptura parental.

*Paulo Eduardo Akiyama é advogado atuante no direito de família e direito empresarial, possui também formação em economia. É sócio-fundador do escritório Akiyama Advogados Associados, atuando há mais de 20 anos. 

Psicóloga e padre se unem para publicar livro sobre relacionamentos nutritivos e tóxicos

Quem nunca se sentiu triste ou viveu relacionamentos em que se sobressaíssem os sentimentos de culpa, raiva, solidão, abandono, frustração, decepção ou falta de pertencimento? A desarmonia relacional tem início em um emaranhado de sentimentos que provoca dúvidas sobre estarmos no caminho certo.

Pensando em oferecer hospitalidade a esses sentimentos, a psicóloga Karina Fukumitsu se uniu ao padre Licio de Araujo Vale para escrever o livro “Acolher e se afastar: Relações nutritivas ou tóxicas”, que agora é publicado por Edições Loyola em coedição com a Paulinas Editora.

O ponto de partida foi o encontro de três grandes nomes na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo: a psicóloga e psicoterapeuta Karina Fukumitsu; o pesquisador sobre luto e valorização à vida padre Licio de Araujo Vale; e o jornalista Marcelo Zorzanelli, que sofre de depressão clínica há 14 anos. Desse encontro, os autores Karina e Licio resolveram transformar o diálogo sobre a doença do milênio: a depressão e suas consequências sérias e trágicas, em uma obra que sugere como tratar essa questão com os adolescentes, não apenas na escola como também em casa.

O livro – o primeiro volume da coleção “Adolescer sem adoecer – Conversas entre uma psicóloga e um padre” – propõe a reflexão sobre os sentimentos, ajuda a entender as complexidades dos relacionamentos humanos e explica, com clareza e sabedoria, como oferecer hospitalidade a todos eles, sejam bons ou maus.

A relação com o tema chegou muito cedo para ambos os autores. Karina, quando criança, presenciou diversas tentativas de suicídio da mãe. Padre Licio perdeu seu pai por suicídio aos 13 anos, porém até os 18 acreditou que havia sido um acidente. “Os assuntos surgiram como uma avalanche de situações que permeiam as nossas vidas”, destaca a psicóloga.

O bate-papo narrado nesta obra evidencia o amor concretizado de um período de entrega de uma psicóloga e de um padre, cujo propósito principal foi o de estabelecer entrelaçamentos entre a adolescência e os processos autodestrutivos, tema que preocupa a sociedade brasileira na atualidade.

“O amor nos faz ser, e não somente existir; quando nos transformamos, tudo se transforma ao nosso redor. As coisas ao nosso redor existem, mas só nós podemos amá-las. Se quisermos colaborar na redenção de alguém, precisamos amar esse alguém”, destaca o padre.

Em “Acolher e se afastar: Relações nutritivas ou tóxica”, o leitor encontrará dicas importantes sobre como lidar com diversos tipos de relacionamentos potencialmente problemáticos e descobrirá o que fazer para transformá-los em relações mais saudáveis e prazerosas. Além disso, vai aprender como construir relações melhores com amigos, filhos, irmãos, sogras, chefes, colegas de trabalho, faculdade ou o companheiro, mostrando que a boa comunicação depende do respeito não apenas ao outro, mas também a si mesmo.

Sobre os autores:

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Karina Okajima Fukumitsu é psicóloga, Gestalt-terapeuta e psicopedagoga, com doutorado e pós-doutorado em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP. É mestre em Psicologia Clínica pela Michigan School of Professional Psychology (EUA) e autora de vários artigos e livros sobre suicídio, luto por suicídio e Gestalt-terapia. Coordenadora da pós-graduação em Suicidologia: Prevenção e Posvenção, Processos Autodestrutivos e Luto na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

Licio de Araujo Vale é padre na Diocese de São Miguel Paulista (SP), pesquisador sobre luto e valorização à vida, educador e palestrante. Licenciado em Filosofia pela PUC-SP e graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP), já ministrou cursos e palestras no Brasil e no exterior. Atualmente, é pároco da Paróquia Sagrada Família de Vila Praia, São Paulo (SP), e membro da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção ao Suicídio (Abeps).

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Título: “Acolher e se afastar: Relações nutritivas ou tóxicas”
Autores: Karina Okajima Fukumitsu e Pe. Licio de Araujo Vale
Editora: Edições Loyola e Paulinas Editora
Formato: 13 x 18 cm
Páginas: 88
Preço: R$ 18,00

60% dos adolescentes ficam com celular ao alcance das mãos ao menos 12 horas por dia

Dados são da pesquisa on-line Phone Life Balance, realizada pela Motorola, que aponta ainda que a situação se intensifica durante as férias

“Quantas horas por dia o celular está ao alcance das suas mãos?” Essa foi a pergunta feita no questionário on-line Phone Life Balance, realizado globalmente pela Motorola em 2018 e que, no Brasil, contou com a participação de mais de 65 mil adolescentes. As respostas dos jovens, cujas idades variam entre 10 e 19 anos, refletem a importância do telefone celular na vida deles.

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Seis em cada dez adolescentes têm o celular ao alcance das mãos 12 horas por dia. Em outras palavras, 60% dos jovens. A relevância do celular na vida cotidiana dos jovens fica ainda mais clara quando se analisam os dois extremos da tabela: somente 1% disse ter o celular ao seu alcance por uma hora ou menos. Já no outro extremo, 30% afirmaram ter o celular ao seu lado durante as 24 horas do dia, ou seja, o deixam próximo até enquanto dormem.

“Assim como a pesquisa realizada no Brasil, as internacionais também confirmam que os adolescentes mantêm o celular ligado 24 horas por dia. A pergunta da pesquisa da Motorola dá um passo a mais: o telefone não só está ativo, como também fica nas mãos deles praticamente o tempo todo. Não é que eles tenham acesso enquanto realizam outra atividade, a atividade é o próprio celular”, explica Roxana Morduchowicz, especialista em cultura juvenil, consultora da Unesco e autora do livro Ruídos na Web.

Por ser um dispositivo portátil, o celular faz com que sua tela seja a que mais acompanha os adolescentes durante o dia. Em todo o mundo, o celular é a tela principal (e em muitos casos, a única) na vida dos jovens. Eles realizam todas as suas atividades nela: falam com amigos, escutam música, buscam informações, jogam e realizam as tarefas escolares.

“A vida diária dos adolescentes do século XXI se define por sua relação com as telas. As tecnologias vêm transformando a maneira como eles aprendem, leem, se informam, se divertem, assistem a filmes, séries, escutam música e se relacionam com os amigos. Trata-se, sem dúvida, de transformações muito recentes e muito dinâmicas: há dez anos, nenhum adolescente acessava as redes sociais e, hoje, não existe nenhum fora delas. Em apenas uma década, as redes sociais se converteram na principal atividade dos jovens, quando navegam pela internet”, afirma Roxana.

garotas com celular na mao

Por isso, segundo a especialista, não é de surpreender que eles deixem o celular ligado as 24 horas do dia, ou que, como demonstra o estudo, esteja ao alcance de suas mãos durante metade do dia. Essa situação se intensifica quando chegam as férias. Durante o recesso escolar, os jovens têm mais tempo livre e, portanto, muito mais horas para passar navegando pela rede no smartphone.

Um bom ponto de partida para tentar resolver essa questão é entrar em um acordo com o jovem, quanto ao tempo de uso do dispositivo e as tarefas que ele deve realizar. Dessa maneira, pais e filhos podem decidir em quais momentos podem ficar livres das telas e quais outras atividades podem realizar, para que a tecnologia não ocupe a totalidade do tempo livre nas férias.

Ler um livro, compartilhar uma atividade em família, ir a uma praça, a um clube, ao cinema, ao museu ou à casa de um amigo podem ser momentos apropriados para ficar livre da tecnologia e deixar o celular em segundo plano.

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A respeito da relação dos mais velhos com os celulares dos filhos, é importante que os adultos estejam atentos à maneira que eles usam as tecnologias. Isso se reflete na necessidade dos pais de incorporar uma nova pergunta ao diálogo familiar: “O que você fez hoje na internet, quais páginas você conheceu, com quem se comunicou, houve algo de que você gostou ou não?” Essa é a melhor maneira de conhecer, saber e compartilhar o uso que os filhos fazem das tecnologias, conclui a consultora.

Fonte: Motorola

Cyberbullying, presidente da Sociedade de Pediatra fala dos riscos aos jovens

O que antes era tido como uma brincadeira entre amigos e aceito por pais e professores, transformou-se em um problema de proporções gigantesca. Crianças e adolescentes estão sendo humilhados continuamente nas escolas, nas ruas e, principalmente, no meio virtual, as chamadas redes sociais.

São vítimas do bullying (palavra em inglês que significa intimidar, amedrontar), quando acontece no colégio, por exemplo, e cyberbullying, quando as agressões são feitas na internet, em e-mails e posts. Segundo pesquisa da ONG Plan, 69% das vítimas do bullying têm entre 12 e 14 anos.

“O bullying é uma forma de agressão física ou psicológica sempre intencional, às vezes, repetidamente. Pode ser de uma pessoa ou de várias tendo como vítimas uma pessoa ou diversas; acontece nos mais diversos lugares da comunidade. Nos últimos anos vimos o nascer do cyberbullying que passa a existir como ferramenta de agressão nos meios eletrônicos. Na verdade, o bullying, embora esse nome tenha surgido na década de 1980, é uma prática, infelizmente, secular”, constata o pediatra Claudio Barsanti, presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

Segundo ele, estudos apontam que essa prática já se transformou na mais comum forma de violência entre crianças e adolescentes. “O bullying e o cyberbullying tornaram-se um problema de saúde pública, pois temos visto até suicídio de adolescentes que foram vítimas desse tipo de agressão”, destaca.

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Em geral, as vítimas são aquelas que apresentam alguma diferença com os demais do grupo. Essas diferenças podem ser psicológicas, físicas ou biológicas. São tímidas ou pouco sociáveis, tem baixa autoestima, o que agrava a situação. São incapazes de reagir e não reclamam por medo de ficarem sem acesso à rede. Os agredidos podem desenvolver doenças como angústia, ataques de ansiedade, transtorno do pânico, depressão, anorexia e bulimia.

Com a internet, o bullying passou de restrito a poucos para atingir um público incontável, pois as redes sociais disseminam as agressões de maneira incontrolável e com muita rapidez, além de permanecer nos meios virtuais para sempre.

“A principal diferença entre o bulying e o cyberbullying é que no segundo existe a falta ideia do anonimato, mas o cyberbullying pode ser caracterizado como crime e os pais podem ser responsabilizados”, explica Barsanti.

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Já o agressor, ressalta, o presidente da SPSP, se sente mais importante e poderoso quando pratica esse tipo de ação.

“O agressor tem dificuldade em assumir os problemas e os esconde agindo dessa maneira. Ele é incapaz de dialogar e pode ter sido vítima antes de se tornar um agressor”, informa.

Além da vítima e do agressor, o bullying precisa de um terceiro personagem para sobreviver, o espectador, aquelas pessoas que assistem aos vídeos, leem os posts, riem das vítimas e divulgam as agressões.

Mas Barsanti adverte que “as mensagens podem ser utilizadas em juízo como prova de crime conforme previsto na lei 13.185, de 2015”.

Fonte: Sociedade de Pediatria de São Paulo

Adolescentes e computadores: aí meu Deus!

Nada mais comum atualmente do que encontrar adolescentes grudados no celular, tablet e computadores. Às vezes dá impressão que já nasceram grudados aos aparelhos eletrônicos. Com o exagero, o que poderia ser de grande ajuda para o estudo e a comunicação, acaba se tornando problema.

Para a professora adjunta Maria Sylvia de Souza Vitalle, presidente do Departamento Científico da Adolescência da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo) e chefe do Setor de Medicina do Adolescente do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a questão do uso incontrolável dos computadores por parte dos adolescentes é meio uma consequência da ‘terceirização’ dos filhos.

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“Muitos pais precisam se ausentar por períodos longos por exigências de trabalho, por exemplo, e não conseguem supervisionar adequadamente as atividades das crianças”. Ela ressalta que os adolescentes precisam de supervisão sempre. Para que não se tornem totalmente dependentes das máquinas, é essencial dar o exemplo.

“Existem regras básicas de convívio e participação em todas as atividades familiares, como limitar o uso de todos os aparelhos eletrônicos, selecionar o que os adolescentes podem acessar, ensinar a ver as máquinas com olhar crítico e manter-se alerta para o que o filho vê na internet. Além de lembrar frequentemente que TV e computador não são babás”.

Maria Sylvia aconselha os pais a não confundir privacidade, com liberalidade total, pois isso acarreta exposição a riscos.

“Além de colocar limites ao uso, é necessário explorar as ferramentas possíveis de bloqueio de conteúdos e informar dos riscos do mundo digital, como o cyberbullying”, destaca.

Estudos apontam que 33% dos adolescentes mudam o comportamento quando sabem que os pais estão supervisionando; 48% deles escondem algumas atividades dos pais; 20% apagam mensagens; 23% apagam o histórico do navegador; e 16% minimizam o navegador quando adultos estão por perto.

TECLADO COMPUTADOR

Quanto ao tempo que eles podem passar nos aparelhos, Maria Sylvia adverte que a utilização dos dispositivos eletrônicos “não pode nunca comprometer as atividades cotidianas; e o tempo precisa ser delimitado de acordo com as idades e o desenvolvimento das crianças e adolescentes”.

Claro que a conexão com a internet tem pontos positivos também, diversos. “São ótimos aliados para a educação e aquisição de conhecimento. As mídias sociais têm imenso potencial de motivação. Sabendo usar, incrementam as habilidades cognitivas, sendo capazes de desenvolver a leitura, o vocabulário e a criatividade. Podem auxiliar na resolução de problemas e atuar na melhora do desempenho de matemática. Portanto, podem enriquecer e em muito o conteúdo acadêmico, trazendo benefícios em distintas áreas, como história, artes, ciência, literatura, música, somente para citar algumas. Há a facilidade do acesso, trazendo o mundo à palma da mão; isso pode aumentar o capital cultural das pessoas. E é o capital cultural que também auxiliará na formação de cidadãos melhores”, conclui.

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Fonte: SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo)

Meu filho repetiu de ano. E agora?

O ano letivo acabou e agora chegou o momento em que alguns pais irão se deparar com uma notícia não muito boa: a reprovação do filho na escola. Como agir em uma situação dessa? Os pais devem castigar ou consolar a criança? Como superar este momento difícil?

Uma reprovação nunca é uma notícia que pega a família desprevenida. Hoje, graças à tecnologia, a comunicação entre a família e a escola acontece em tempo real. Muitas escolas usam aplicativos, e-mail, mensagens e reuniões para se comunicar com os pais.

Portanto, ao longo do ano letivo, é perfeitamente possível ter um cenário do que vai acontecer no final das aulas. Mas, de qualquer maneira, quando a notícia vem, muitos pais podem ter dificuldade em gerenciar a situação.

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O lado cheio do copo

Segundo a neuropsicopedagoga, Viviani Zumpano, parceira da NeuroKinder, a reprovação pode ser negativa ou positiva, depende da maneira como é vista, tanto pelos pais como pelos educadores.

“Eu, como educadora, vejo a reprovação como uma oportunidade de resgatar conteúdos não aprendidos de anos anteriores, é uma chance de amadurecimento e fortalecimento da autoestima, já que este aluno será o mais forte entre os que estão chegando. Então, tudo depende do significado que se dá, tanto da parte da escola como da família”, afirma Viviani.

Quanto ao castigo, Viviani comenta que a reprovação é o castigo suficiente para o aprendizado do aluno sobre as consequências de não ter se dedicado aos estudos: “Reprovar significa que a criança ou o adolescente não tem os requisitos básicos para passar para o ano seguinte, portanto, o aspecto negativo a criança já tem. Brigar, ofender e agredir, seja verbalmente ou fisicamente, não tem nenhuma valia neste momento”.

E a especialista completa: “É preciso entender que a reprovação é o resultado final de um processo e não está ligada apenas às notas, nem ao último mês de aulas, está ligada à jornada deste aluno e aos seus comportamentos também”.

Segundo Viviani, os pais devem procurar trazer o que é positivo desta experiência reforçando que será uma nova chance de fazer tudo melhor, com mais dedicação e empenho. O novo ano será útil para a reafirmação e a sistematização do conhecimento. Os pais devem acolher o filho e empoderá-lo para enfrentar o ano seguinte.

menino criança

Reter pode ser inevitável

É possível evitar a reprovação? Para a especialista, o mais importante é que tanto a escola quanto os pais percebam a tempo os problemas na aprendizagem. “Se o aluno tem dificuldade em algumas matérias, por exemplo, o ideal é estabelecer estratégias para resgatar ou reforçar os conteúdos não aprendidos em sala de aula. Os pais podem procurar tutores, neuropsicopedagogos ou ainda professores particulares para isso”.

Por outro lado, a reprovação muitas vezes é inevitável. “A partir do segundo ano, o aluno é reprovado por notas. O reforço escolar para melhorar seu desempenho pode evitar retê-lo. Porém, na educação infantil e no primeiro ano, reprovar o aluno é algo discutido com a família. Isso porque é nestas séries que o aluno faz a consolidação do processo de alfabetização. Algumas crianças, por imaturidade, não conseguem alcançar a prontidão para a leitura e para a escrita. Portanto, avançar para a série seguinte só causará sofrimento”, explica Viviani.

Anos difíceis

A probabilidade de reprovação é maior nas viradas de ciclo. “Quando o aluno vai para o sexto ano passará por uma adaptação. Além de ter mais professores, o conteúdo será novo, é uma nova rotina e um novo ritmo de estudo. O mesmo acontece na entrada para o ensino médio. Então, estes são anos em que percebemos um maior número de alunos retidos, devido à dificuldade de adaptação. Assim, a recomendação é que os pais fiquem ainda mais atentos nessas séries para evitar a reprovação”, comenta a neuropsicopedagoga.

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Perfil do aluno x perfil da escola

Outro ponto é que uma das primeiras ideias dos pais é trocar a criança de escola depois de uma reprovação. Viviani comenta que os pais devem fazer a avaliação com calma. “Muitas crianças pedem para mudar de escola, mas antes de tomar essa decisão os pais precisam avaliar se o pedido não está por trás do medo de enfrentar situações desafiadoras, por exemplo. A criança precisa aprender a lidar com a frustração e a se esforçar para ter um bom desempenho, não podemos ceder apenas por conta da criança querer as coisas de modo mais fácil”.

Claro que é importante que a escola se enquadre no perfil da criança. Cada pessoa tem um perfil e isto impacta diretamente no aprendizado. “Se a criança é mais criativa e mais agitada, por exemplo, e estuda numa escola tradicional, pode enfrentar mais dificuldade no aprendizado. Uma investigação junto a um neuropediatra e a um neuropsicólogo pode ser útil para descartar transtornos do neurodesenvovimento ou de aprendizagem ou ainda para ajudar os pais na escolha da escola”, reflete Viviani.

Para finalizar, a especialista aconselha: “Os anos escolares são fundamentais na formação do ser humano. É essencial encontrar uma escola que seja adequada ao perfil do aluno e também aos valores da família. A parceria com os professores e coordenadores pedagógicos, a presença dos pais nas reuniões e o acompanhamento do desempenho ao longo do ano são estratégias preciosas para evitar a reprovação. Mas, se ela aconteceu, o que se pode fazer é incentivar a criança a ter bom ano por meio de dedicação e mudança de comportamento”.

Fonte: Neurokinder