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Saiba de que forma o consumo de chás pode ajudar no alívio do estresse e ansiedade

O estresse e a ansiedade fazem parte de qualquer lista dos principais males que atingem a população. É um problema global, que não escolhe raça, sexo, faixa etária nem condição social. Por isso, a busca por métodos que proporcionem o relaxamento está cada vez mais em voga. E alguns dos mais eficazes são oferecidos em forma de sachês.

No universo dos chás, há vários tipos que garantem resultados terapêuticos. Aliás, já faz muito tempo que a ciência provou que a bebida oferece outros benefícios à saúde.

“A forma como cada chá atua no organismo varia conforme as propriedades naturais da sua própria matéria-prima. Ou seja, o efeito calmante de alguns sabores são fruto daquilo que podem oferecer naturalmente. Não é medicamento”, explica Ana Paula Baptista, empresária e proprietária da empresa mineira especializada na fabricação de chás Soulchá.

Um dos mais conhecidos quando se trata desse efeito é o chá de flor de maracujá. O segredo de sua capacidade de diminuir o estresse e a ansiedade está nos flavonoides, que atuam diretamente no sistema nervoso, promovendo até mesmo o relaxamento muscular.

Foto: chamomileteaonline

“Outra opção é o chá de camomila, que além de terapêutico também é eficaz na melhora do sono. Ele ainda favorece a digestão, combate o colesterol ruim (LDL) e alivia as dores de cabeça”, afirma Ana Paula.

123RF

“Uma dica: combine o chá de camomila com hortelã para intensificar a sensação de relaxamento. O mentol faz bem esse papel. Para prepará-lo, basta fazer uma infusão com folhas de hortelã e flores de camomila. Em seguida, peneire e desfrute”, indica.

Um terceiro chá bem conhecido é o de lavanda, que ajuda no combate à ansiedade, ao estresse, à insônia, às cólicas menstruais e às dores de cabeça. Seus compostos interferem diretamente no cérebro, ativando impulsos que elevam o humor e acalmam.

“É muito importante que os chás sejam associados a hábitos alimentares e de vida saudáveis, que contribuam para o desenvolvimento do equilíbrio necessário para deixar o estresse e a ansiedade exatamente no lugar que merecem: bem longe de nós”, conclui.

Fonte: Soulchá

Terapeuta dá três dicas para que você não seja um “cancelador”

Rejeição a Karol Conká acende discussão sobre linchamento virtual que pode causar transtornos psicológicos como ansiedade e depressão

Cancelar é o termo utilizado por usuários da web para definir o ato coletivo de reprovar e boicotar personalidades famosas (e até mesmo desconhecidas) que tenham atitudes consideradas moralmente erradas. Em outras palavras, é a nova forma de se referir ao linchamento virtual, prática que não só prejudica a carreira e reputação, como também afeta seriamente a saúde mental do cancelado e pode levar a transtornos psicológicos como ansiedade e depressão.

O caso mais recente é da cantora e apresentadora Karol Conká, participante do Big Brother Brasil 21, que saiu na terca-feira (23) do programa com rejeição de recorde de 99,17% por suas falas e comportamento de “canceladora” com outros participantes, o mesmo que ocorre aqui fora com ela. Mesmo antes de sua saída, Karol já tinha perdido mais de 200 mil seguidores e impacto negativo financeiro avaliado em cerca de R$ 5 milhões, somando shows, aparições em programas e posts patrocinados suspensos ou cancelados.

Para o terapeuta do Zenklub, Diego Prade, o julgamento moral sempre existiu, mas com o virtual as pessoas expressam mais aquilo que de fato pensam, sentem e rejeitam, sem filtro e em seu modo mais bruto. “O ser humano não é totalmente bom ou totalmente ruim, por isso, cancelar é uma forma de desumanização, você pega uma parte de algo que ela fez e passa a julgar somente com base naquele recorte de uma atitude ou de um período”, analisa.

Para não endossar a prática, tão prejudicial para as relações humanas, o especialista cita três dicas simples:

Não siga a manada

O posicionamento de uma figura de liderança e o consenso coletivo sobre determinado assunto ou pessoa certamente pauta a nossa opinião. No entanto, não é porque muita gente ache aceitável que você, indivíduo, tenha que achar e repetir o comportamento sem questionar. Por isso, antes de comentar sobre um tema que você não tenha conhecimento aprofundado, pesquise. Além disso, respeite o espaço e as redes sociais do outro.

Saia da sua bolha

Em um momento de polarização como o que vivemos, fica cada vez mais difícil se permitir conhecer e se surpreender com outras pessoas, até porque saber lidar com as diferenças é parte fundamental para a construção do respeito. Para isso, um bom exercício prático é conversar, ao menos uma vez por semana, com uma pessoa nova. A menos que o motivo de discordância implique em questões fundamentais, como o direito do outro de existir, vale a pena sair da chamada “câmara de eco”, expressão usada para se referir a diálogos em que só é possível ouvir a si mesmo.

Pratique a escuta empática

No processo do diálogo com o outro, ter a capacidade de escutar é imprescindível para entender que há outras formas de ver o mundo. Pequenas mudanças de atitude numa conversa, como ouvir sem interromper, não falar sobre si, perguntar mais do que interpretar e procurar não aconselhar, podem facilitar o entendimento do próximo e contribuem para deixar sempre o diálogo em aberto. Afinal, se colocar no lugar do outro, por mais difícil que seja em algumas situações, é o caminho para uma sociedade com mais respeito e com relações humanas mais saudáveis.

Sobre o Zenklub
O Zenklub é a maior plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal do Brasil. Criado em 2016 pelo médico Rui Brandão e pelo Doutor em Computação e telecomunicações José Simões, atualmente atende empresas em mais de 980 cidades e brasileiros em 124 países. A plataforma oferece sessões online com mais de mil psicólogos, psicanalistas, coaches e terapeutas, além de conteúdos em texto, áudio, vídeo e diversas outras ferramentas em seu aplicativo. Hoje, o Zenklub impacta 1,5 milhão de pessoas por mês e mais de 200 empresas, entre elas Votorantim Energia, Natura, Qualicorp, Tecnisa e Loggi.

Quando a ansiedade deixa de ser ‘normal’?

Entenda a diferença e os sintomas do transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e depressão

O Brasil é o país mais ansioso do mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). São 18,6 milhões de pessoas, o que equivale a 9,3% da população nacional. Com o isolamento social, o medo e as incertezas econômicas geradas pela pandemia do novo coronavírus, o quadro tem se agravado ainda mais. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta crescimento importante na busca por suporte médico, tanto de pacientes novos, quanto daqueles que já haviam recebido alta.

Os diagnósticos mais comuns são Transtorno de Ansiedade, Síndrome do Pânico e Depressão. As causas são variadas, mas foram agravadas, em sua maioria, devido à mudança de hábitos ocorrida nos últimos anos. “A correria do dia a dia, excesso de tecnologia e informações e também a falta de conexão consigo mesmo, têm levado as pessoas a um empobrecimento do autocuidado, gerando privação do sono, autocobrança, ansiedade, estresse, alterações de humor, assim como dificuldade na regulação emocional”, aponta a psicóloga credenciada da Paraná Clínicas, Ana Paula Zanardi.

Cada paciente precisa ser avaliado individualmente, para identificação do problema, construção do tratamento e identificação dos gatilhos que desencadeiam as crises. Segundo a psiquiatra credenciada da Paraná Clínicas, Priscila Hage Bonicontro, “casos leves podem ser conduzidos apenas com psicoterapia. Já os casos moderados a graves, requerem uso de medicamentos específicos e podem ser aliados a psicoterapia” para o alívio do sofrimento emocional.

Além do tratamento convencional, é importante aprender a administrar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia, incluindo na rotina atividades que gerem prazer. “Cuidar do organismo proporciona saúde mental. Por essa e outras razões, devemos manter hábitos saudáveis e praticar atividades físicas regularmente, inclusive porque estudos demonstram que a liberação de hormônios e outras substâncias são importantes para a manutenção do humor”, reforça a psiquiatra.

Você sabe a diferença?

A ansiedade é um sentimento normal e benéfico para o ser humano. É uma resposta do organismo para um momento de perigo ou alguma situação diferente e pode ser traduzida como um “friozinho na barriga”. “O problema é quando esse sentimento se torna mais intenso e constante, trazendo sofrimento e prejuízo social para o indivíduo, deixa de ser ‘normal’ e passa ser considerado doença e deve ser tratado de forma correta”, explica Priscila.

Transtorno de Ansiedade: mal-estar e estresse causados por medos, preocupações excessivas ou antecipações de problemas que ainda não aconteceram e talvez nem aconteçam, estão entre os primeiros indícios de que a ansiedade ultrapassa os níveis saudáveis. Durante as crises, podem surgir sintomas físicos como pupilas dilatadas, batimentos cardíacos e respiração aceleradas, aumento da pressão arterial e também dos níveis de glicose no sangue.

Síndrome do Pânico: ocorre quando as crises de ansiedade começam a ganhar intensidade e frequência. “É o medo de ter uma crise e não conseguir ser socorrido em lugares muito abertos ou com muitas pessoas, por exemplo. Os sintomas podem variar desde tonturas e vertigens, aumento da respiração e palpitações, sensações de nervosismo e pânico incontroláveis, até sensação de iminência de morte”, contextualiza Priscila.

Depressão: é caracterizada pela perda ou diminuição do interesse e prazer pela vida, gerando angústia, tristeza, choro fácil, desesperança, prostração, isolamento social, pensamentos pessimistas, alterações do sono e apetite, entre outros sintomas. “A depressão não promove apenas a sensação de ‘infelicidade crônica’, mas pode provocar alterações fisiológicas, como prejuízo no sistema imunológico e o aumento de processos inflamatórios”, completa a psiquiatra.

Sobre a Paraná Clínicas
Fundada em 1970, a Paraná Clínicas é referência em planos de saúde empresariais e também atua na modalidade coletiva por adesão. Desde setembro de 2020, é operadora integrante da SulAmérica, o maior grupo segurador independente do Brasil. Carrega a missão de cuidar com excelência empresas e pessoas, oferecendo como diferencial os programas de saúde preventiva e promoção de qualidade de vida. Com uma infraestrutura moderna e planejada em uma rede interligada, a Paraná Clínicas conta com sete unidades próprias em Curitiba e Região Metropolitana, chamadas de Centros Integrados de Medicina: CIM Araucária; CIM CIC – 24h; CIM Fazenda Rio Grande; CIM Rio Branco do Sul; CIM São José dos Pinhais; CIM Unidade Infantil – 24h (ao lado do Hospital Santa Cruz) e CIM Água Verde – onde também operam o Hospital Dia, projetado para oferecer o que existe de mais moderno em procedimentos eletivos, e o Centro de Infusão, estruturado para atender com excelência os pacientes de oncologia, hematologia e reumatologia.

Psiquiatra Marco Antônio Abud promove aulas online gratuitas sobre ansiedade e depressão

Para aproveitar o período de alerta que ocorre no mês da conscientização sobre a saúde mental, denominado Janeiro Branco, o psiquiatra Marco Antônio Abud – responsável pelo canal Saúde da Mente, no YouTube, o maior do Brasil sobre o tema, com mais de 1,3 mi de inscritos – promove dois cursos on-line gratuitos voltados a pessoas interessadas em técnicas de controle da ansiedade e formas de lidar com a depressão.

“É uma forma não só de levar conhecimento sobre o tema, como também pode ser um primeiro passo para que essas pessoas tomem consciência sobre si mesmas para conseguirem lidar com essas questões. É importante ressaltar que a ansiedade e depressão são condições que afetam a maioria da população em algum nível e não devem ser tratadas como tabus”, explica Abud.

O médico desenvolveu técnicas para promoção da melhora da qualidade de vida de seus pacientes após anos de estudos e pautado pela sua própria experiência com a ansiedade. Aos 22 anos, o psiquiatra enfrentou sua primeira crise e, diante dos aprendizados como indivíduo e profissional, criou técnicas para ajudar a população em geral a lidar com essas barreiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo – no Brasil, os números chegam a 11,5 milhões e de acordo com o órgão, a doença será a mais comum entre a população até 2030. Além disso, em 2019 outro dado importante foi revelado: o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com o transtorno (9,3% da população).

De acordo com Abud, aulas e workshops online são uma maneira de oferecer conteúdo de qualidade sobre os temas de maneira acessível a todas as classes sociais. “É a minha forma de levar conhecimento sobre esses assuntos o mais longe possível, para pessoas das mais variadas origens e condições financeiras, com respaldo médico científico”, explica.

Como funcionarão as maratonas de aulas

Shutterstock

Atualmente, em tempos de pandemia, o isolamento se tornou uma medida de segurança para conter o coronavírus. A distância de amigos, familiares e pessoas do convívio social faz parte da realidade de inúmeras pessoas do mundo inteiro e tal fator, somado também ao luto (já são mais de dois milhões de mortes registradas mundialmente pela doença), vem agravando ainda mais a situação tanto de quem já sofria com transtornos mentais quanto de quem passou a desenvolvê-los.

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde da mente e qualidade de vida de forma democrática, as maratonas/ workshops se dividirão entre os temas ansiedade e depressão, ambos com quatro aulas gravadas que serão disponibilizadas às 10h da manhã, nos dias 17, 19, 21 e 24 de janeiro. Ocorrerão também aulas complementares ao vivo com o Dr. Marco nos dias 18, 20, 22 e 24.

A Maratona Livre da Ansiedade, que já conta com 57 mil inscritos, será focado nas pessoas que desejam conhecer os diferentes tipos do transtorno e suas crises, além de aprender a controlar a crise de ansiedade de forma prática e assim, conquistar uma vida mais harmônica e equilibrada, com mais felicidade, tranquilidade e redução do estresse.

Para participar, basta se inscrever no site clicando aqui.

Além disso, na aula do dia 24 de janeiro, Abud abrirá inscrições para uma nova turma do Treinamento para Mentes Ansiosas. Já na Maratona Supere a Depressão, que já possui 12 mil inscritos, o foco será desvendar e entender como e porque o transtorno ocorre, entendendo seu diagnóstico e as melhores formas de tratamento.

O objetivo é que, a partir do conteúdo proposto, o público possa aprender a lidar com a doença e assim, conquistar mais qualidade de vida, vitalidade, segurança em si mesmo e melhorar os relacionamentos. Para participar, basta se inscrever no site, clicando aqui.

Além disso, os participantes terão a oportunidade se inscreverem na nova turma do Treinamento para Mentes Depressivas, cuja inscrição também será liberada na aula do dia 24 de janeiro.

Abud frisa que as aulas das maratonas são um primeiro passo para o entendimento sobre os temas e estimulam o autocuidado, o que é especialmente válido para pacientes com sintomas leves e moderados, que possivelmente não precisam de medicação para tratar a condição.

“O autocuidado é um conjunto de estratégias que as pessoas podem colocar em prática para lidarem melhor com seus pensamentos, sentimentos e relações e, assim, melhorarem o bem-estar geral. No caso da saúde mental, é essencial estar alinhado aos estudos e práticas que auxiliam no controle de transtornos, como ansiedade e depressão. No entanto, nem sempre é possível fazer esse controle sozinho e buscar um tratamento adequado, começando por um psiquiatra ou psicólogo, se torna essencial”, finaliza o médico.

A mania de controlar tudo que afeta severamente o equilíbrio emocional do ser humano*

Já parou para pensar se você está sofrendo por alimentar uma mania de controle? Por que desejamos controlar tudo? Na verdade, existe uma linha muito tênue em promover ou não uma justificativa para a mania de controle. A grande questão é que a necessidade em ter o controle das situações nas mãos é um sentimento intrínseco de nossa espécie. Tudo o que é externo, e nos foge ao controle, gera insegurança e medo – e nos faz sentir vulneráveis.

Essa sensação pode desencadear uma falsa ilusão de segurança, além de colaborar para que acreditemos que nossas ações e pensamentos são sempre superiores aos do outro, quando, na verdade, nossa necessidade por controle só reflete nossas próprias inseguranças e a falta de confiança que, inconscientemente, depositamos no outro e em nós.

Não podemos dizer que essa mania é justificável, pois tudo o que causa dor e sofrimento perde sua capacidade de aceitação. Estudos comprovam que a busca pelo controle pode refletir uma neurose por felicidade constante – uma vez que o ser humano tem a ilusão de que, quando o outro e todas as coisas estão dominadas ou sob o seu controle, não haverá possibilidades de riscos de resultados negativos. O grande problema é que não existem garantias de que a todo momento poderemos ter o controle total sobre o universo a nossa volta. Só podemos controlar nossas ações, não controlamos o tempo e nem os sentimentos e atitudes do outro. E é por isso que, por vezes, nos frustramos e experimentamos o sentimento de angústia.

As pessoas que quererem ter o controle de todas as situações vivem um dilema interno consigo mesmas, pois estão sempre frustradas por não terem suas expectativas atendidas. Podem, psiquicamente, apresentar distúrbios de alteração de humor, irritabilidade excessiva, estresse elevado e até desenvolvem transtornos depressivos. Apresentam grande dificuldade para lidar com críticas e podem ser totalmente inflexíveis, por estarem sempre tentando interferir no livre-arbítrio do próximo. São indivíduos capazes de oprimir a identidade do outro em função de sua característica dominadora, além de tentarem a todo custo centralizar tudo. Ou seja, por todo o exposto, quem possui este perfil e a mania de querer controlar tudo acaba sofrendo muito porque está sempre em estado de tensão. Sempre desesperado para saber se tudo sairá conforme suas expectativas. E quando isso não acontece, é invadido pelo amargo gosto da frustração e da decepção.

As palavras de ordem aqui são: equilíbrio e controle emocional. O autoconhecimento te faz entender que, na realidade, é impossível controlar tudo. Se faz necessário um melhor gerenciamento de seus sentimentos, pensamentos, emoções e ações. Desta maneira, fica mais claro perceber o que está fora do seu alcance e, assim, não correr o risco de empregar energia em algo que não irá trazer resultado. Saber separar, por meio de atitudes conscientes, o que eu posso controlar e o que não faz parte do meu autocontrole. O desapego a esta necessidade de controle é o que irá propiciar uma vida mais equilibrada, mais leve e sem pressões internas e, principalmente, sem o elemento culpa. Culpa porque quando o indivíduo percebe que algo deu errado e que perde o controle da situação, ele se enche de frustração e de culpa. Começa a povoar a mente com cobranças excessivas que aumentam ainda mais seu estresse e a sua ansiedade.

Ilustração: Kabaldesch0/Pixabay

Existem muitas situações as quais tentamos controlar em vão, pois tudo o que é externo a nós é incontrolável e imprevisível. Não controlamos, por exemplo, as palavras do outro, os sentimentos alheios, as decisões, ações e esforços das pessoas a nossa volta (sejam elas íntimas ou não). Nem o tempo é controlado por nós. No fundo, o que precisamos desapegar e abandonar é o orgulho e o delírio que alimentamos de acreditar que tudo vai ser como queremos, como planejamos em nosso inconsciente.

Aprender a não sofrer pela falta de controle, tolerando a sensação de incerteza que é intrínseca ao ser humano, sem dúvida é um de nossos maiores desafios. Faz parte do curso natural da vida não conseguir conduzir ou controlar tudo. Não somos seres onipresentes, onipotentes ou oniscientes. É necessário que tenhamos e possamos aceitar nossa infinita necessidade de autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal que nos garanta ordenação da vida, de forma a crescermos com as oportunidades e adversidades apresentadas à partir de um enfrentamento consciente. No entanto, o gerenciamento das emoções pode contribuir de maneira positiva na tarefa contínua de domínio dessa sensação de insegurança causada pela percepção de que não podemos controlar tudo.

Algumas ações individuais garantem o equilíbrio de sua saúde mental e um maior controle emocional em busca de uma vida saudável, como por exemplo: tentar não abraçar tudo para si; evitar centralizar tudo a ponto de se sufocar e aumentar sua ansiedade; aprender a delegar; não ser imprudente a ponto de se colocar acima dos desafios; ter humildade para reconhecer que não se sabe e não se pode tudo; não sucumbir à histeria e neurose coletiva de que é necessário ser perfeito e não se pode errar nunca; aceitar suas deficiências e fortalecer suas qualidades; aprender a exprimir novos significados para seus próprios resultados; permitir-se ousar e experimentar a sensação do descontrole ( por mais desconfortável que possa parecer). Sem medo de errar, se esses pontos forem observados e trabalhados, o indivíduo poderá aprender muito e se conhecer muito mais – entrando até em um processo adaptativo que promova gatilhos para que consiga se sentir mais feliz e menos vulnerável às adversidades.

Portanto, ao abrir mão do controle, relaxar e administrar apenas o que está ao seu alcance de ser administrado e controlado, o ser humano consegue ter mais domínio sobre si mesmo. Isso porque instala-se um equilíbrio emocional, reflexo da ausência de tensão interna que, naturalmente, torna-o mais leve e menos pressionado. Fato é que o primeiro passo deve ser dado: parar de pressionar a si mesmo. Em seguida, eliminar crenças enraizadas que valorizam os seus “tem que” e os “devo”.

Além de parar de se cobrar e de querer controlar com sua mente tudo o que acontece ao redor. Perceba que sua responsabilidade é cuidar de si mesmo. Se sua cabeça anda mal, certamente ficará difícil administrar sua casa, seus filhos ou seus negócios. Melhore seus pensamentos e emoções e se deixe um pouco mais à vontade, sem a rigidez que você mesmo se impõe. Permita-se! Seu corpo vai agradecer, sua saúde mental e sua vida podem se equilibrar e o resultado, acredite, será um maior controle emocional – sem culpas e sem cobranças.

Foto: Pedro Costa

*Andrea Ladislau é psicanalista; doutora em Psicanálise, Membro da Academia Fluminense de Letras. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise, Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada.

Doenças do home office: depressão, transtornos de ansiedade e burnout têm aumentando

Depois de mais de seis meses do início da quarenta vivemos o reflexo do isolamento social, provocado pela crise epidemiologia, econômica e social profunda sem precedentes – e dificilmente alguém sairá ileso dos impactos. Resultado: aumento de diagnósticos de depressão, estresse, esgotamento mental, pânico, transtornos de ansiedade. Além das dores na coluna, tendinites, agravamento de problemas circulatórios (varizes), obesidade e o próprio sedentarismo pode vir agravar a saúde como um todo.

Edwiges Parra, psicóloga, instrutora de Mindfulness MBCT-D, especialista em Recursos Humanos, nos últimos meses vivenciou o aumento por ajuda no seu consultório, com queixas de medo, ansiedade, depressão e muitas dores físicas, excesso de telas causadas pela pressão do trabalho e isso leva a um espiral de exaustão mental e o isolamento e/ou distanciamento acabam sendo agentes de gatilhos emocionais.

De acordo com os trabalhos desenvolvidos pela psicóloga em empresas, o público feminino vem apresentado aumentados níveis de estresse, na tentativa de equilibrar a vida pessoal (afazeres domésticos, cuidados com os filhos e relação conjugal) e vida profissional. Os líderes relatam sobrecarga de trabalho, maior esforço e mais tempo dedicado a realizar as tarefas da empresa. E a geração Z (nascidos após 1997) demonstra mais tédio, desânimo e insegurança com o futuro, o que é representado pelo impacto financeiro e ameaça ao desemprego.

“O medo pode se tornar um problema quando é excessivo, frequente ou quando surge em situações nas quais a maior parte das pessoas não o manifestaria. Nessas situações, ele pode se tornar exagerado ou irracional e, até patológico (desequilibrado), transformando-se em um transtorno de ansiedade ou uma ansiedade aguda, explica Parra.

Segundo a psicóloga os agentes estressores como desemprego, mudanças bruscas de condições financeiras, medo, excesso de telas, e jornadas extensivas de trabalho estão mexendo com o bem-estar mental acarretando:

Foto: Moritz320/Pixabay

Síndrome de Burnout – causado pelo excesso de trabalho. Trata-se do estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, que resulta do acúmulo excessivo em situações de trabalho emocionalmente exigentes e principalmente estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

Transtorno de ansiedade – pode surgir como uma angústia e desencadear para crise de pânico ou depressão e interferem na vida da pessoa a ponto de paralisar a realização de tarefas e interações e relacionamentos. Provocam sintomas como sudorese, medo, aumento da frequência cardíaca e tremores.

O que as pessoas podem fazer para manter a boa saúde mental no home office:

Estratégias funcionais e adaptativas:

Shutterstock

• Exercícios de relaxamento
• Distração temporária durante as crises
• Exercício físico
• Conectar emoções e valores maiores
• Substituir uma emoção por outra agradável ou apropriada

Foto: SelfSetFreeLiving

• Consciência plena (mindfulness)
• Aceitação
• Atividades prazerosas
• Momentos íntimos compartilhados
• Alimentar-se de bons nutrientes

Adotar uma psicologia do estilo de vida que considere a respiração, consciência, movimento e a transcendência (senso de valor e propósito de vida) como norteadores integrados para uma vida com melhor longevidade, produtividade e bem-estar.

O que as empresas podem fazer para ajudar seus colaboradores:

É recomendável que empresas adotem medidas preventivas e de apoio para o próximo ciclo que vamos enfrentar, (a quarta onda), que exigirá adaptabilidade para a retomada aos postos de trabalho.

Medidas básicas que podem ser adotadas:

• Pesquisa Interna de monitoramento do nível de estresse
• Webinars ministrados por profissionais da saúde debatendo temas de saúde mental para todos os funcionários (esta é uma boa forma de psicoeducação)
• Webinars voltados especificamente para líderes para discutir temas específicos de gestão e explicitar a importância do autocuidado.
• Rodas de conversas internas (com a devida segurança)
• Programas de meditação mindfulness
• Incentivo a terapia online (para prevenção e apoio)
• Protocolos de intervenção nos casos em que houver um prejuízo ao bem-estar mental do colaborador.

Fonte: Edwiges Parra é psicóloga Organizacional, Terapeuta Cognitiva-Comportamental, Instrutora de Mindfulness MBCT-D e Colunista Você RH

Alimentos que ajudam a combater a depressão e a ansiedade

A nutricionista Angela Federau ressalta que uma alimentação saudável e equilibrada faz bem para corpo e para mente

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), transtornos mentais como a depressão e ansiedade atingem, respectivamente, 5,8% e 9,3% da população. Estima-se que, no mundo, mais de 300 milhões de pessoas de todos os gêneros e idades sofram de depressão. Atualmente, esse distúrbio é a principal causa de incapacitação em todo o mundo e, no pior dos casos, pode levar ao suicídio.

A depressão é resultado de uma complexa interação entre fatores sociais, psicológicos e biológicos. Por exemplo, pessoas que passaram por adversidades como luto, desemprego, trauma psicológico durante a vida podem ser mais propensas a desenvolver um quadro depressivo. Além disso, especialistas alertam que há relação entre a depressão e a saúde física. Por isso, cuidar da alimentação, fazer exercícios físicos regularmente, desenvolver a espiritualidade e relaxar são práticas fundamentais para manter a saúde física e mental em dia.

Mente sã, corpo são e vice-versa

Segundo a nutricionista, a dieta ocidental caracterizada por elevado consumo de alimentos industrializados, doces e refrigerantes, está relacionada com o desenvolvimento de depressão e ansiedade. “A alimentação é o combustível da vida. Se você abastece seu corpo com um bom combustível, a chance de você ter um bom resultado de performance é maior, e o contrário também é verdadeiro”, afirma a nutricionista.

Diversos nutrientes estão diretamente envolvidos na forma como esses transtornos se comportam no organismo. Por exemplo, a carência de vitamina D, zinco, triptofano, magnésio, ácidos graxos ômega-3 e as vitaminas do complexo B, estão intimamente ligados à prevalência da depressão e da ansiedade. Dessa forma, estar atento à qualidade nutricional dos alimentos é muito importante na prevenção e controle da depressão e ansiedade.

Alimentos que melhoram o quadro de depressão e ansiedade

Ricos em vitamina D

Peixes de águas frias (como salmão, atum, sardinha e cavala), gema de ovo, óleo de fígado de peixes são alguns alimentos que melhoram a sínteses da vitamina, portanto, é importante que a vitamina D seja ativada, para isto, fique ao sol 15 minutos por dia, expondo pelo menos 25% do corpo aos raios solares (pele), sem protetor solar, em horários do sol seguro (evitando a exposição das 10h às 15h).

Ricos em zinco

Carne vermelha, frutos do mar, leite e derivados, amendoim, amêndoas etc.

Ricos em tripofano

Queijos, ovos, arroz integral, feijão, carne vermelha (de panela), peixe, aves, cacau e banana.

Ricos em magnésio

Pixabay

Castanhas, nozes, amendoim, aveia, cacau, vegetais de folhas escuras e abacate.

Ricos em ácidos graxos

Ômega-3: peixes de água fria (como salmão, arenque, cavala, sardinha e atum), além de grãos como chia e linhaça.

Ricos em vitaminas do complexo B

Vitamina B6: carne vermelha, fígado, leite e iogurte, ovo e germe de trigo.
Vitamina B9: vegetais verde-escuros, leguminosas (como feijões, lentilhas e
ervilhas), frutas, nozes.
Vitamina B12: peixes, carnes, vísceras, ovo, leite e derivados.

Alimentos que devem ser evitados

=Alimentos industrializados;
=Carboidratos refinados (como farinha de trigo, açúcar branco e arroz branco);
=Bebidas alcoólicas;
=Café e alimentos que contêm cafeína (como chá verde, mate e preto, energéticos, refrigerantes à base de cola etc.);
=Gorduras saturadas (alimentos de origem animal, como bacon, banha de porco, alimentos industrializados como salgadinhos de pacote e bolacha recheada);
=Embutidos (como salsicha, salames, linguiça, presunto, entre outros).

O principal malefício da dieta ocidental, segundo Angela é que ela intensifica o estado inflamatório do organismo. “O processo de selecionar ingredientes saudáveis, buscar receitas e preparar os próprios alimentos é um ato de autocuidado muito importante e que deve ser estimulado em pacientes que apresentam quadros de depressão e ansiedade. Assim, buscar uma alimentação mais natural possível, com comida de verdade, e na quantidade certa, pode ajudar na construção de hábitos que levam a uma vida plena e feliz” finaliza a nutricionista.

Fonte: Angela Federau é nutricionista clínica, pós-graduada em fitoterapia aplicada à nutrição, especializada em nutrição funcional, pediátrica e escolar. Atua como professora de nutripediatria na pós-graduação de medicina da Faculdade Inspirar, participa como convidada de pesquisas científicas e genéticas da UFPR. Nutricionista responsável pela Associação Paranaense Superando a Mielomeningocele. É empresária do segmento alimentício e atua como parceira da Polícia Militar do Paraná e de clínicas de fertilidade.

Estresse, depressão e ansiedade são gatilhos das crises da SII, afirma médica

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre a síndrome do intestino irritável e dá algumas dicas de alimentação e como ter uma vida mais saudável, mesmo tendo o distúrbio.

Ela começa explicando que síndrome do cólon irritável (outro nome dado à SII) é um distúrbio na motilidade intestinal, sem associação com alterações de estruturais do trato digestório, nem disfunções bioquímicas. Geralmente, se caracteriza por episódios de desconforto, dor e distensão abdominal, podendo estar acompanhados de diarreia e constipação.

Para Marcela, identificar a SII pode ser um pouco mais trabalhoso: “O diagnóstico não é fácil, pois ela pode ser confundida com algumas doenças mais graves, mas também não é tão difícil. O diagnóstico é essencialmente clínico, geralmente baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes verificados no exame físico e, eventualmente, na visualização direta do intestino por meio de colonoscopia, para descartar diagnósticos diferenciais”.

Para ela, os casos têm se tornado mais comum em consultórios porque o estresse é um fator desencadeante importante e, claro, esse sintoma tem aumentado muito atualmente. “Doenças psiquiátricas como depressão e ansiedade também são gatilhos das crises”, admite a médica. “Assim como hábitos alimentares, como o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e pró-inflamatórios aliados a um estilo de vida inadequado, com má qualidade de sono e sedentarismo”, completa.

Sabemos que muitas pessoas com a síndrome acreditam que ela seja causada apenas pela alimentação, mas há estudos que comprovam que o cérebro e as emoções são as origens. Marcella explica que no aparelho digestivo são sintetizadas a maior parte das substâncias chamadas neurotransmissores, como a serotonina, que atuam levando sinais e estímulos ao sistema nervoso e este manda sinais ao organismo para sintetizar mais ou menos deles.

“Essa comunicação entre o cérebro e o intestino deve ocorrer de forma adequada e depende de vários fatores, como dieta, equilíbrio da microbiota intestinal, prática moderada de atividade física, uma boa qualidade de sono e um controle adequado do estresse”, aconselha a médica.

E, como em outros problemas de saúde, as mulheres são as mais atingidas pela SII. Marcella admite que nesse caso, o problema pode estar ligado a outros, como a endometriose ou a piora dos sintomas durante o período menstrual: “A endometriose, por exemplo, é uma doença inflamatória que, por si só, pode ter sintomas parecidos com os do cólon irritável. Porém, se as duas disfunções estiverem presentes, os sintomas das duas situações serão exacerbados”, alerta.

Dieta FODMAP

Marcella explica o que é esta dieta: FODMAP é uma sigla para designar carboidratos osmóticos, geralmente fibras, que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas: fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols. São alimentos carboidratos fermentáveis não digeridos pelo trato digestivo humano, entre os principais estão os oligossacarídeos, fruto-oligossacarídeos (FOS) e galacto-oligossacarídeos (GOS), dissacarídeos como a lactose e monossacarídeos como a frutose. No grupo dos polióis estão principalmente o sorbitol e o manitol.

“A dieta de baixo FODMAP é prescrita temporariamente, até que os alimentos gatilhos sejam identificados, pois, como o aporte de prebióticos da dieta é baixo, se for mantida por muito tempo pode levar a quadros de constipação e disbiose (desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que reduz a capacidade de absorção dos nutrientes e causa carência de vitaminas). Por ser uma dieta que oferece riscos, deve obrigatoriamente ter orientação profissional”, frisa a médica.

Entre os alimentos ricos em FODMAPs, ela lista o xarope de milho, mel, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de frutas, leite de vaca, de cabra e de ovelha, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage, cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, chicória, alcachofra, beterraba, cenoura, quiabo, chicória, couve, lentilhas, grão-de-bico, feijão, ervilha, soja, damasco, pêssego, ameixa, lichia, couve-flor, cogumelos.

Para quem sofre com a SII, ela aconselha tratamento clínico com reeducação alimentar e mudanças de estilo de vida e o uso de medicamentos sintomáticos. Os tratamentos com probióticos suplementares específicos e individualizados também podem ajudar. “Porém, se os sintomas forem muito prevalentes, a pessoa deve procurar atendimento médico, para descartar outras patologias, identificar os gatilhos, reorganizar a dieta e o estilo de vida”, diz Marcella.

Ela enfatiza que a dieta é o ponto central tanto para desencadear os sintomas, se estiver desequilibrada, quanto para o tratamento por meio das mudanças de hábito alimentares.

Porém, não há nada mágico que possa ajudar: “Não há uma receita para o público em geral, porque os alimentos que são causadores de desconforto digestivo para alguns portadores de SII, não são para outros. Porém, uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível, aliada à boa ingestão de água e estilo de vida saudável são boas dicas para todos”, finaliza Marcella.

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Abran e docente do Curso Nacional de Nutrologia da entidade. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Setembro Amarelo: atenção e prevenção ao suicídio na quarentena

Os desafios impostos pela pandemia de Covid-19 e pelo isolamento contribuem para o aumento das doenças mentais, a exemplo da depressão e transtornos de ansiedade. A necessidade de se adaptar ao home office e rotina intensa de trabalho neste momento, com inúmeros compromissos virtuais e em muitos casos aumento do serviço doméstico, também tem elevado os níveis de estresse e ansiedade.

Embora não haja estudos aprofundados sobre isso, uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria, realizada em maio deste ano, revelou que 89,2% dos especialistas entrevistados destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes, devido aos efeitos do novo coronavírus na sociedade.

O momento de maior vulnerabilidade demanda atenção redobrada para a campanha Setembro Amarelo, criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). O objetivo é promover a informação sobre saúde mental e a prevenção do suicídio.

Todos os anos, cerca de 11 mil brasileiros tiram a própria vida. No mundo, o número de suicídios, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 800 mil por ano. Estima-se que cada morte por suicídio afete intimamente a vida de cerca de 60 pessoas, entre familiares, amigos e colegas.

De acordo com a psicóloga Paula Diniz Vicentini, da clínica Personal da Central Nacional Unimed, “o medo da Covid-19, os conflitos familiares decorrentes do isolamento e até a crise econômica provocada pela pandemia têm aumentado o índice de problemas emocionais e transtornos psiquiátricos”. Por isso, cuidar das próprias emoções e oferecer apoio às pessoas mais próximas são medidas que podem ajudar a prevenir as doenças mentais e o suicídio.

Ajuda profissional

“Existem alguns possíveis sinais de comportamento suicida. É preciso prestar atenção, oferecer uma escuta ativa, amparar e indicar acompanhamento profissional”, explica Paula. Mesmo no isolamento social é possível escutar e oferecer apoio. A internet e o telefone permitem a escuta ativa, mesmo à distância.

O acompanhamento psiquiátrico e psicológico ajuda a desenvolver habilidade emocional para administrar adversidades da vida. “Se há perigo imediato, a orientação do Ministério da Saúde é não deixar a pessoa que pensa em suicídio sozinha. Você pode procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência ou entrar em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa”.

Existem ainda os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em http://www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem-estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

Sinais de alerta*


• Falar muito sobre a própria morte e demonstrar desesperança em relação ao futuro.
• Usar expressões que manifestam intenções suicidas: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”, “vocês vão ficar melhor sem mim”, não aguento mais”.
• Reduzir as interações: não atender a telefonemas, não responder mensagens ou ser evasivo.
• Apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro).
• Ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas.
• Começar a se despedir de amigos e familiares como se não fosse vê-los novamente.
*Ministério da Saúde

Fonte: Central Nacional Unimed

Brasil tem aumento de pessoas estressadas; mulheres são mais propensas

Dormência nos braços, sensação de fraqueza, dor de cabeça, tontura e falta de ar. Parece a descrição clara de sintomas de infarto, mas nem sempre estes sinais do corpo sinalizam um problema mais grave. A rotina muito atarefada da maioria das famílias, faz com que os compromissos profissionais e sociais tenham um ponto de começo, mas não um final.

A sensação é de que 24 horas seja pouco tempo na vida de quem trabalha, estuda, cuida da casa e dos filhos, por exemplo. E é ai que o estresse vai agindo em nosso organismo, liberando hormônios e substâncias químicas que deixam nosso corpo em estado de alerta.


A pandemia da Covid-19 fez o mundo parar e a grande maioria das pessoas passou a trabalhar remotamente. Porém, nem todo mundo se adapta à rotina do home office e acaba misturando o trabalho com a rotina do lar, gerando mais estresse. Antes da pandemia o Brasil já era o segundo no hanking de população mais estressada do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo International Stress Management Association (Isma – Brasil), de 2017.

Agora, uma pesquisa recente da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), mostrou que os casos de estresse e ansiedade aumentaram em 80% com o distanciamento social. O estudo mostrou ainda que as mulheres são as mais afetadas com a ansiedade e estresse durante a epidemia do novo coronavírus.


O médico cardiologista Augusto Vilela alerta para os cuidados com o excesso de estresse, que em altos níveis pode sim levar a um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Embora os sintomas de estresse e infarto possam ser parecidos, existem algumas diferenças que ajudam no diagnóstico inicial. De acordo com Vilela, a maioria dos pacientes que está sofrendo um ataque cardíaco, apresenta dor aguda no meio do peito, no braço esquerdo, gerando formigamento e nas costas podendo refletir em outros pontos como nuca, ombros, mandíbula, queixo e estômago.

“É muito importante que em ambos os casos o paciente procure ajuda médica imediatamente. Somente um médico pode fazer um diagnóstico preciso, afinal, não se pode ‘brincar’ com doenças cardíacas”, avalia o médico.


Segundo o cardiologista, para combater o estresse, não devemos nos descuidar da alimentação saudável e atividade física, que dentre seus inúmeros benefícios, ajuda a liberar endorfina, hormônio responsável pela sensação de bem estar e prazer. Cuidar da mente também é fundamental, evitando notícias catastróficas em excesso, escolhendo boas leituras e amizades verdadeiras. “A ansiedade não ajuda a resolver os problemas e traz prejuízos para a saúde de todos”, completa.