Arquivo da categoria: ansiedade

Especialista ensina como prevenir e tratar a Síndrome de Burnout

Burnout é uma Síndrome Psicológica decorrente da tensão emocional crônica, vivida pelos profissionais cujo trabalho envolve o relacionamento intenso e frequente com pessoas que necessitam de cuidado e/ou assistência. Sendo hoje reconhecida como um risco ocupacional, ou seja, uma doença profissional, a Síndrome de Burnout afeta 33 milhões de brasileiros e já foi classificada como síndrome crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner explica como esta síndrome pode se desenvolver: “A Síndrome de Burnout tem maior incidência em profissionais que atuam assistindo e cuidando de pessoas, como; por exemplo; nas áreas da saúde, educação, segurança pública (policiais) e outros. Seu acometimento provém de sobrecarga física ou mental e estresse excessivo, relacionados ao trabalho, compreendendo exaustão emocional, distanciamento das relações pessoais e diminuição do sentimento de realização pessoal”, explica.

Sintomas

burnout 3

Roselene explica que os sintomas se dividem em três grupos: exaustão emocional (EE), despersonalização (D) e a diminuição da realização pessoal (DRP).

Exaustão Emocional (EE): é caracterizada pelo fato do indivíduo encontrar-se exaurido, esgotado, sem energia para enfrentar um outro projeto e as outras pessoas; e incapaz de se recuperar de um dia para o outro. Evidenciam, desse modo, a experimentação psicofísica do indivíduo no limite de suas forças.

burnout 2 estresse

Despersonalização (D): é caracterizada pelo fato da pessoa adotar atitudes de descrença, distância, frieza e indiferença em relação ao trabalho e aos colegas de trabalho. A despersonalização evidencia, nesse sentido, que Burnout não é somente a síndrome do profissional exausto, mas também do profissional indiferente e descomprometido em relação às pessoas com quem trabalha.

Diminuição da Realização Pessoal (DRP): é caracterizada pelo fato da pessoa experimentar-se ineficiente, incapaz e certa de que seu trabalho não faz diferença.

A especialista aponta que os sintomas físicos e emocionais comumente relacionados à síndrome são: dores de cabeça, tensão muscular, distúrbios do sono, irritabilidade, sentimentos negativos que começam a afetar o relacionamento familiar e a vida em geral, propensão a largar o emprego e absenteísmo.

Como prevenir a Síndrome de Burnout?

mulheres amigas abraço jeans

Roselene revela como prevenir a síndrome de forma eficaz: “O melhor modo é se presentear com momentos de alegria. Valorize sua vida pessoal. Encontre na rotina um dia para chamar de seu, para estar com quem você aprecie a companhia. Onde você se abasteça de boas energias, fazendo o que gosta, onde prefere e com quem quiser. Encontre no prazer o antídoto do estresse. Para cada conquista uma comemoração. Se permita momentos de confraternização, dê créditos a quem lhe presta ajuda. Ofereça auxílio a sua equipe, trabalhe na reciprocidade”.

Tratamento

burnout 1

A neuropsicóloga aponta como tratamentos para a Síndrome de Burnout algumas medidas que refletem no estilo de vida e no cotidiano: “Faça planos a curto prazo, um dia de cada vez. Para cada meta, novas diretrizes. Busque atualização profissional e mantenha-se motivado para exercer suas funções, pois é melhor fazer o que gosta, do que ter que aprender a gostar do que faz. No entanto, se o seu estado mental já estiver muito comprometido, busque ajuda profissional, um psicólogo poderá lhe ajudar”, conclui.

dra roselene espirito santo wagner

Fonte: Roselene Espírito Santo Wagner é neuropsicóloga, psicanalista, perita judicial em psicologia, psicóloga bariátrica. Brasileira nascida em Florianópolis e morando no Rio de Janeiro, fundou na Barra da Tijuca – Substância Singular Psicologia Clínica.

Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo OMS

Janeiro Branco chama atenção para saúde mental

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com sintomas do transtorno.

Já este ano, uma pesquisa da Funcional Health Tech — empresa especializada em inteligência de dados e serviços de gestão no setor de saúde — demonstrou que, de 2014 a 2018, o consumo de antidepressivos cresceu 23% no país. Todos esses dados só reforçam ainda mais a importância da campanha Janeiro Branco, uma ação que visa evidenciar temas ligados à saúde mental.

mulher ansiedade

“O Brasil acompanhou um movimento mundial, na década de 70, ao instituir a Reforma Psiquiátrica, que tirou a Saúde Mental da margem social e a colocou como sendo estrutura primordial dos Direitos Humanos no país. Expandimos a nossa compreensão a respeito da vida e do bem-estar emocional, estruturas fundamentais para lidar com nossa correria e turbulência do cotidiano. Com isso, direcionar um mês do calendário anual para discutir sobre a saúde emocional é um grande presente e precisamos aproveitá-lo com afinco”, destaca o psiquiatra da Clínica Maia, Ygor Czovny.

De acordo com a OMS, saúde mental não é apenas ausência de doença ou sintomas, mas um estado completo de bem-estar físico, emocional e social. “Se o indivíduo percebe que algum setor de sua vida está apresentando dificuldades, este é o momento de buscar ajuda e garantir um tratamento rápido e eficaz. É importante não esperar o total comprometimento emocional ou profissional, por exemplo, para ir atrás de suporte”, alerta o especialista.

Segundo o médico, alguns sinais podem indicar que a saúde emocional não vai bem e é preciso estar atento, são eles o excesso de pensamentos negativos, medos constantes, preocupações excessivas, que podem levar a quadros de insônia, compulsão alimentar, tristeza intensa e sintomas físicos de ansiedade como taquicardia, sudorese, frio na barriga.

terapia shutterstock
Foto: Shutterstock

“Vale ressaltar que a pessoa não deve hesitar ao procurar auxílio profissional para tratar uma saúde mental possivelmente debilitada. Quando temos, por exemplo, sinais de uma pneumonia, procuramos um médico clínico ou pneumologista, certo? Assim também é na saúde emocional: psiquiatra, psicólogo e terapeuta são os profissionais responsáveis pelo tratamento desses e outros sintomas de alerta que, em alguns casos, podem indicar um quadro psiquiátrico sério, mas perfeitamente tratável”, finaliza.

Fonte: Clínica Maia

Janeiro Branco: entenda a importância da campanha sobre saúde mental

Criado em 2014 por um grupo de psicólogos que, a partir de estudos, perceberam a necessidade de uma campanha de conscientização do cuidado com a saúde mental, o Janeiro Branco marca o primeiro mês do ano.

A psicóloga e psicanalista Andrea Ladislau explica, no entanto, que a saúde mental não merece atenção apenas no mês de Janeiro. É necessário cuidado durante todo o ano. “Se você possui equilíbrio e harmonia emocional, certamente você consegue resolver suas questões com muito menos sofrimento. O sofrimento e a angústia são gatilhos importantes para sinalizar que algo está errado. E é uma boa saúde mental que trará o sentido para sua vida”, afirma.

depressao terapia ajuda apoio pixabay p

Para Andrea, a terapia é uma excelente ferramenta na construção da plena saúde mental do ser humano. Através da terapia o indivíduo poderá ter contato com seu eu interior e administrar de forma leve os desafios que o mundo impõe a cada segundo.

Ainda segundo a psicanalista, o ser humano, de forma natural, possui uma preocupação exagerada com a estética, em função das cobranças do mundo moderno. Desta maneira acaba deixando de lado o cuidado e a atenção com a saúde mental.

“Uma mente doente pode estar acometida por diversos problemas e transtornos variados, como angústias, depressão, fobias exageradas, pânico, traumas e síndromes entre outros. A questão é que só vamos nos atentar para isso quando já estamos doentes mentalmente”, diz.

Cuidar da saúde mental requer buscar equilíbrio e leveza de forma a não se entregar a questões que possam atrapalhar a paz interior, de acordo com a psicanalista. Para isso, segundo Andrea, o autoconhecimento é um grande aliado neste processo.

“Devemos buscar conhecer nosso interior, nossas questões, nossos sentimentos, nossas reações e respeitar nossos limites. Ao fazer isso não estaremos negligenciando nosso eu. Assim, fica mais fácil lidar com o mundo a nossa volta e nos relacionarmos melhor com os outros. Se eu não me entendo e não me conheço, será muito mais difícil ter uma relação saudável com as pessoas a minha volta”, explica.

mulher dor depressao tristeza doença pexels

Andrea enfatiza que, assim como o corpo possui limites, a mente também tem seus aspectos limitadores, o que pode ajudar muito ou também causar danos. “Preste atenção nas suas emoções e como lidar com elas. Um de nossos maiores tesouros e o que devemos almejar é a nossa qualidade de vida. Que passa tanto pelo aspecto da vivência em si, quanto da harmonia mental propriamente dita”, afirma. E complementa:

“Enfim, não seja negligente consigo mesmo. Respeite sua mente e seu corpo. Infelizmente, a urgência do mundo hoje, nos faz ver que todos os caminhos levam para a construção de indivíduos doentes mentalmente. Não seja um deles, busque seu equilíbrio, sua força motora e faça com que corpo e mente andem lado a lado para a conquista de uma vida feliz e consciente.”

Cuidados com a saúde mental

A OMS afirma que a saúde mental depende do bem-estar físico e social, lembrando que o conceito de saúde vai além da ausência de doenças. Esse conjunto é fundamental para que, como seres humanos, tenhamos plenas capacidades individuais e coletivas para pensar, nos emocionar, interagir uns com os outros e aproveitar a vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 300 milhões de pessoas sofrem por depressão em todo o mundo, um transtorno mental frequente que afeta todas as faixas etárias, de qualquer raça, etnia ou classe social. A doença é a principal causa de incapacidade e é pauta de destaque quando se fala em saúde da mente.

 

 “Cuidar da saúde mental não é frescura”

Em apoio ao movimento, o Instituto do Cérebro promoverá plantão psicológico gratuito neste primeiro mês de 2020

Ainda há muita discriminação e falta de informação em relação aos transtornos mentais, principalmente a depressão. A neuropsicóloga Marcella Bianca Neves, fundadora do Instituto do Cérebro e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia – SBNP, reforça que apenas através de debates e conscientizações será possível quebrar esse tabu e alerta que a psicoterapia é fundamental para todas as pessoas.

“Atualmente, o preconceito é mascarado pela ignorância e pelos estereótipos que vitimizam os portadores de transtornos mentais – o que, além de dificultar a aceitação do distúrbio pelos próprios indivíduos, serve de empecilho para que se recuperem de uma doença tão perigosa quanto subestimada. O acompanhamento psicológico frequente é primordial para uma vida mais saudável e produtiva. Temos que mudar o paradigma de que a psicoterapia auxilia apenas indivíduos com graves problemas psicológicos. Cuidar da saúde mental não é frescura”, destaca Marcella.

terapia shutterstock
Foto: Shutterstock

De acordo com a especialista, qualquer comportamento que prejudique a autonomia na vida diária de uma pessoa merece atenção e os sintomas variam conforme o transtorno. “Em casos depressivos, por exemplo, sinais de isolamento social; tristeza; desânimo persistente; baixa autoestima; sentimentos de inutilidade; mudança de apetite; entre outros. Mas de modo geral, alterações no sono, confusão mental (temporal e espacial) e comportamentos disfuncionais tendem a ser sinais importantes para buscar ajuda profissional e iniciar uma investigação clínica”, pontua.

O Instituto do Cérebro Marcella Bianca incentiva as reflexões sobre as questões emocionais e afetivas e o cuidado com o bem-estar psíquico. Para contribuir com as ações da campanha Janeiro Branco, durante todo o mês de janeiro haverá plantão psicológico um dia por semana com atendimento gratuito à comunidade.

Consumo de antidepressivos no Brasil aumentou

Dados da Funcional Health Tech apontam que nos últimos quatro anos o consumo desses medicamentos aumentou 23%

Um estudo da Funcional Health Tech – empresa líder em inteligência de dados e serviços de gestão no setor de saúde – feito com base em 327 mil clientes da companhia, localizados em todo o país, demonstra que de 2014 a 2018 o consumo de antidepressivos cresceu 23%. Esse aumento contraria a tendência de consumo geral de medicamentos, que apresentou queda de 5% nesse período.

De acordo com o estudo, mulheres na faixa de 40 anos são as que mais utilizam antidepressivos. Ainda com base nos dados da Funcional Health Tech, foi criado um ranking de vendas de medicamentos, dividido por classes terapêuticas, que demonstra que a psiquiatria é a 10ª classe mais consumida no país. Dentro dessa classe, os medicamentos mais vendidos são antidepressivos e analépticos (drogas estimulantes do sistema nervoso central), depois sedativos e ansiolíticos (medicamentos usados no controle da ansiedade).

mulher ansiedade depressao medo pixabay

“A saúde mental e a saúde física são duas vertentes fundamentais para o bom funcionamento do corpo humano”, diz Ricardo Ramos, médico e vice-presidente da Funcional Health Tech. “Ansiedade e depressão têm afetado a população do mundo todo e o cuidado especial com a ajuda de um médico especialista em saúde mental é muito importante”, ressalta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em escala global, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% nos últimos dez anos. São 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. Na América Latina, o Brasil é o país mais ansioso e estressado. Cerca de 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão e 9,3% de ansiedade.

 

Estresse aumenta até 68% em dezembro, afirma pesquisa

Os dados são de uma pesquisa americana recentemente realizada pela Slumber Cloud que mostrou que 68% dos americanos acham esta época a mais estressante do ano. A médica especialista em psicossomática e cirurgiã do aparelho digestivo,  Maria José Femenias Vieira, de São Paulo, explica porque isso acontece.

Portrait of frustrated young woman near christmas tree

Quando começa dezembro inicia-se também uma alta carga de ansiedade e preocupação bem maior do que em qualquer outro período do ano. Os motivos variam entre a rotina intensa de preparativos para as férias de final de ano, a obrigação de comparecer às reuniões de amigos e familiares, os gastos excessivos que a época exige e os esforços aumentados para fechar as metas sob pressão antes que o ano termine. No mais, justamente nesta época do ano ainda é comum que todo mundo faça um ‘balanço’ do que foi conquistado, e pior, do que não foi alcançado – e aí que se abre ainda mais espaço para as frustrações.

“A sensação de ansiedade aumenta conforme o estresse gerado por cobranças externas e internas aumentam. Isso é uma resposta ao encerramento de um ciclo, o que é muito angustiante. Os sintomas mais comuns que aparecem associados a tudo isso é a irritabilidade, ansiedade e taquicardia”, revela a especialista.

Maria José comenta que identificar as doenças causadas pelo estresse é fundamental para conter os sintomas desse problema cada vez mais presente na sociedade moderna. “Por questões hormonais, o estresse afeta diretamente o funcionamento de diversos órgãos do corpo e pode causar insônia, distúrbios alimentares, prisão de ventre, depressão e até problemas no coração”, alerta a médica.

Durante períodos curtos, as alterações provocadas pelo estresse são até benéficas ao organismo, já que nos níveis normais, a liberação de hormônios que ocorre durante esses momentos tensos é até necessária para o equilíbrio das funções orgânicas. Mas a especialista em psicossomática alerta: “Quando passa uma determinada fase da vida e esses sintomas ainda são constantes, há o risco de evoluir para o estresse crônico e causar graves danos à saúde”, diz.

Maria José revela ainda que o estresse crônico diminui a defesa imunológica e deixa o indivíduo mais vulnerável a alguns sinais característicos desse problema. Os mais evidentes são: consumo descontrolado de álcool e de cigarros, cansaço e indisposição mental, tensão e dores musculares, desinteresse pelas coisas, preocupações excessivas, dificuldade de memória, aumento da ansiedade, falta de concentração, alterações no apetite, irritação constante, alteração de sono e de humor.

Aos primeiros sinais de qualquer um desses sintomas é essencial buscar o controle com a ajuda médica especializada. “Além de evitar o desenvolvimento de outros problemas de saúde, conhecer as doenças causadas pelo estresse – e adotar alternativas para vencê-las – pode sinalizar o caminho para uma vida plena, saudável e mais tranquila”, finaliza a médica.

mulher estressada natal

Fonte: Maria José Femenias Vieira é cirurgiã do aparelho digestivo, formada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí e doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo com Pós-Graduação em Cirurgia do Aparelho Digestório.
Médica do Serviço de Check-up do Hospital Alemão Oswaldo Cruz – São Paulo. Especialista em Cirurgia Geral pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Especialista em Psicossomática pelo Instituto Sedes Sapientiae – São Paulo. Autora do livro “Estresse” e coautora do livro “Psicossoma III – Interfaces da Psicossomática”, ambos da Editora – Casa do Psicólogo – São Paulo e Psicossoma IV.

Por que os casos de ansiedade e depressão aumentam no fim do ano?

Frustrações por metas não alcançadas, sentimentos de perdas e principalmente o luto, são alguns dos motivos para entristecer as pessoas neste período

A proximidade com as festas de fim de ano, para a maioria das pessoas é sinônimo de alegria e de diversão, para outros, de tristeza e frustração. Mas por que as sensações costumam variar tanto de pessoa para a pessoa? Por que uma época do ano, em específico, costuma mexer tanto com os sentimentos?

Segundo o psicólogo cognitivo comportamental Emerson Viana, existem inúmeros fatores para isso e o principal é que costumam ficar mais sensíveis e pensativos nesta época, principalmente porque tudo o que estiver relacionado a situações vividas em anos anteriores, costumam voltar com força neste momento e nem sempre essas lembranças são positivas. Muitas vezes essas lembranças são acompanhadas de frustrações pela perda de um amor, ou pela sensação que mais um ano está se acabando e não foi possível reatar laços perdidos no passado.

tristeza emoji

O psicólogo explica ainda que isso é normal, pois tendemos a fazer uma retrospectiva sobre os meses que passaram, o que inclui tanto as conquistas, quanto as frustrações. Além disso, as famílias costumam se reunir mais neste período e isso pode ser bastante doloroso para aqueles que perderam entes queridos ou que possuem problemas familiares. “E esse misto de sentimento pode desencadear reações adversas em cada pessoa. Alguns lidarão com isso de maneira mais leve, enquanto outros sofrerão antes mesmo que essa época chegue” – garante.

Para lidar com todos esses sentimentos que circundam o fim de ano é necessário tomar algumas atitudes que incluem a presença de um profissional especializado. O indivíduo precisa, avaliar o que deu certo e o que não deu de maneira imparcial, buscando entender o porquê de cada uma destas resoluções e pontuar o que ele pode fazer para ajustar a rota para o ano seguinte. “Mas este exercício é importante para o autoconhecimento e não para que a pessoa se frustre ainda mais, por isso é importante ser realizada com ajuda de um profissional” – reforça.

Além disso, outra dica importante para evitar a frustração é estipular metas que são possíveis de serem realizadas. Se junto com a meta, não for criado um plano para conquistá-la, é quase impossível dela se realizar.

“Muitas pessoas chegam ao meu consultório frustradas com elas mesmas, por não terem alcançado os planos que traçaram no último dia do ano, mas quando começamos a terapia, fica evidente que isso não seria possível. Uma pessoa extremamente sedentária, jamais conseguirá se tornar uma atleta se não houver preparo e acompanhamento médico, por exemplo. Assim como realizar aquela tão sonhada viagem; se a pessoa não estiver disposta a economizar e abrir mão de algumas coisas. Assim, é importante buscar ajuda para alcançar suas metas.” – evidencia Viana.

tristeza mulher natal.jpeg

O psicólogo finaliza dizendo que muitos destes objetivos só são possíveis com dedicação e cuidado emocional. É importante conhecer a motivação para cada um destes sonhos; buscar entender o que eles significam e para isso a terapia é uma grande aliada na hora de lidar com emoções que são difíceis de serem compreendidas. O autoconhecimento ainda é o principal fator para um ano leve e feliz.

Fonte: Emerson Viana é psicólogo cognitivo comportamental formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Neste período, estagiou em importantes centros de atendimento psíquico ampliando o seu conhecimento e adquirindo experiência no desenvolvimento pessoal de adolescentes e terceira idade. Fundador e diretor clínico da Clínica Viva Psicologia

Champanhe sem álcool e efervescente diminui estresse, modula cortisol e reduz gordura

Já imaginou um champanhe efervescente que modula o hormônio cortisol – relacionado ao estresse? Lançamento da Biotec é formulado com Modulip, um ativo que diminui o cortisol, e ainda tem a vantagem de não conter álcool

Já imaginou suplementar o organismo com champanhe? É dessa forma que um lançamento da Biotec Dermocosméticos consegue diminuir o estresse. Por meio do Champanhe Antiestresse, efervescente e sem álcool, o produto consegue modular o cortisol.

“Ele é formulado com Modulip GC, um dipeptídeo obtido a partir de dois produtos naturais: o triptofano e ácido glutâmico da beterraba. O ativo protege as terminações nervosas dos malefícios do cortisol, também modulando esse hormônio que sofre um aumento quando estamos estressados”, afirma Mika Yamaguchi, farmacêutica e diretora científica da Biotec Dermocosméticos.

Adoçado com stevia, o champanhe também ajuda no emagrecimento, uma vez que o acúmulo de gordura foi relacionado ao estresse crônico e à alta produção de cortisol. “A secreção de cortisol induzida pelo estresse aumenta a deposição de gordura abdominal por induzir resposta negativa do Fator de Crescimento Neural (FCN). Modulip restabelece a secreção de Fator de Crescimento Neural (FCN) e normaliza a comunicação entre cérebro e tecido adiposo branco”, afirma Mika. Isso ajuda no emagrecimento e redução do efeito sanfona.

champanhe_antiestresse.jpg

Por fim, a farmacêutica lembra que é de fundamental importância consultar um médico para avaliação completa. “Somente o médico poderá indicar os produtos mais recomendados para cada caso”, finaliza.

Informações: Biotec Dermocosméticos – SAC: 0800-7706160

Como as emoções afetam as escolhas alimentares?

Terapeuta do emagrecimento fala sobre o tema e dá dicas para comermos com mais consciência

Você sabia que sua alimentação pode estar sendo afetada pelos seus sentimentos? E que, talvez, esses sentimentos – estresse, ansiedade, depressão – estejam dificultando hábitos mais saudáveis e até a perda de peso? Segundo a psicóloga clínica, especialista em saúde focada em emagrecimento, nutrição emocional e comportamental Daiana Peixé, nossas emoções afetam nossas escolhas porque o ser humano é guiado por duas forças: a busca pelo prazer e o medo da dor.

A consequência disso, é nossa tendência em optar por alimentos que estejam associados ao prazer, ao afeto, alimentos que preencham aquela determinada necessidade emocional, e se não estivermos atentos, isso pode causar não só o ganho de peso como também outros problemas relacionados a má alimentação.

“É por isso que as nossas emoções afetam tanto as nossas escolhas, inclusive alimentares. Se não estamos bem emocionalmente, automaticamente vamos buscar alternativas que ajudem a melhorar aquela situação, e na grande maioria das vezes a opção escolhida é por um prazer imediato, que não é tão saudável”, avalia a terapeuta.

mulher comendo pizza refrigerante risos pixabay.jpg

Vamos usar aqui o seguinte exemplo: você chega em casa após um dia cansativo de trabalho e pede uma pizza. Automaticamente, seu cérebro associa esse ato a algo bom, como uma “recompensa”, sendo assim, da próxima vez que você chegar em casa cansado, sua mente pedirá automaticamente por aquela recompensa. De acordo com Daiana, são essas escolhas emocionais que acabam fazendo com que a pessoa entre em um ciclo vicioso de dopamina e serotonina, atrelando imediatamente aquele alimento ao prazer.

“Isto acontece porque quando pensamos em determinado alimento, seja ele doce ou fritura (nossas escolhas mais comuns), temos uma descarga da dopamina, que é o prazer imediato, seguido de uma descarga de serotonina, que é o prazer de recompensa”, explica.

E por que o nosso cérebro entende isso como “recompensa”? Simples. Ao escolher a pizza, para compensar – mesmo que inconscientemente – a dor e o cansaço, e ainda ter o prazer imediato ao saborear, você acaba criando um hábito. Ou seja, automaticamente o seu cérebro vai atrelar a pizza a uma “recompensa” quando seus dias forem cansativos. Isso serve para explicar aquele seu desejo enorme por alimentos ricos em açúcar e fritura.

“É por causa desse ciclo de recompensa que as pessoas criam hábitos de comer um doce após o almoço, um chocolate quando se sentem tristes, uma coxinha para aliviar o estresse. É graças a este “prazer” que o nosso cérebro cria uma imagem e associa aquilo a algo bom. O grande problema, ocorre quando temos a queda da dopamina, pois, esse ciclo inicia novamente, tornando algo incontrolável”, complementa.

shutterstock mulher comendo doce

Se você está com tal problema, a primeira coisa a ser feita para melhorar este cenário, é identificar a situação pela qual você está buscando aquele alimento, se é por necessidade física ou se é emocional. Isto feito, é preciso desenvolver novos hábitos, os quais vão ter o mesmo efeito de prazer causado pelo ciclo de dopamina e serotonina. Caso você venha a ter muita dificuldade, o aconselhado é procurar ajuda de um especialista.

“É importante ter consciência quando você sente fome, parar e se perguntar se você está realmente sentindo aquilo. Se a resposta for sim, tente analisar se é uma fome “física”, que precisa ser saciada para nutrir o seu corpo, ou se é fome “emocional”, aquela que você nutre a sua alma. Nem sempre é fácil ter essa consciência, muitas vezes precisamos de ajuda, e o ideal é sempre procurar um especialista para te orientar”, finaliza Daiana.

Oito passos para você criar novos hábitos alimentares

alimentacao

1. Decida qual ciclo você prefere seguir: o do prazer da comida ou da vida saudável;

mulher alimentação 2

2. Tenha consciência sobre sua fome emocional; avalie o ato, mostrando os ganhos imediatos e secundários de cada decisão;

alimentação-saciedade
Foto: Shutterstock

3. Faça substituições saudáveis.

Alimentos-contra-ansiedade

4. Aprenda a mudar sua relação com o alimento que a fez entrar nesse ciclo.

mulher sorrindo

5. Ria! Rir ajuda a aumentar os níveis de dopamina. Veja filmes de comédia, se divirta mais.

cerebro e comida

6. Treine sua consciência alimentar.

cerebro

7. Visualize sempre as recompensas imediatas e tardias de suas escolhas.

mulher sessão terapia psicologa

8. Se não estiver conseguindo, procure ajuda.

Fonte: Daiana Peixé

Sete alimentos poderosos no combate à ansiedade

Especialista indica vitaminas e nutrientes que contribuem para reduzir sintomas de depressão e ansiedade

A ansiedade, quando excessiva, atrapalha o dia a dia e pode até mesmo desequilibrar o metabolismo. A nutricionista Cintya Bassi, do Grupo São Cristóvão Saúde, explica que a rotina carregada pode ser grande causadora de fadiga física e emocional, o que as leva a desenvolver esses quadros de ansiedade. Segundo ela, é importante ter cuidado com a alimentação nesses momentos, pois é frequente recorrer à comida como uma espécie de compensação ou válvula de escape.

“É comum pensarmos que somos merecedores da comida após enfrentarmos algum problema. Estes alimentos funcionam como ‘comfort food’ (comida de conforto), trazendo um alívio imediato às sensações ruins”, comenta. Por isso, é importante buscar alimentos que ajudem no combate aos sentimentos de irritabilidade.

A nutricionista indica a jabuticaba e a uva, que são fontes de vitaminas do complexo B, necessárias para o funcionamento adequado do sistema nervoso e de carboidratos que fornecem energia.

Veja a seguir uma lista com outros alimentos que combatem a ansiedade:

Alimentos que combatem a ansiedade

acelga pinterest
Pinterest

=Acelga e espinafre: são dois exemplos de alimentos ricos em magnésio, o que estimula no cérebro a sensação de tranquilidade.

cerejas do chile
=Frutas vermelhas: amoras, framboesa, cerejas e outras frutas vermelhas, bem como algumas especiarias, como o gengibre, que são alimentos antioxidantes e, portanto, reduzem os níveis de cortisol combatendo a ansiedade.

aspargos
=Lentilha, feijões e aspargos: alimentos ricos em ácido fólico atuam no sistema nervoso e ajudam a evitar a depressão colaborando para a produção de serotonina no cérebro.

banana
=Banana: essa fruta tem alto teor de triptofano, que também ajuda na produção de serotonina e, portanto, contribui para reduzir sintomas de depressão e ansiedade.

iogurte lacfree
=Probióticos: alimentos como iogurtes e vegetais em conserva são ricos em probióticos, que melhoram a saúde do intestino e reduz a ansiedade.

alface
Foto: Wunee/Morguefile

=Alface: a folha possui uma substância chamada lactucina, com ação calmante, e ácido fólico, vitamina cuja deficiência se associa à depressão.

muesli fibras pixabay
Pixabay

=Fibras: para manter em ordem os níveis de serotonina, hormônio ligado ao prazer, é importante que o intestino funcione bem, em que grande parte da substância é produzida. Por isso, consuma alimentos ricos em fibras e água para auxiliar o funcionamento.

Cintya ressalta que o alimento sozinho age como parte do tratamento contra a ansiedade, mas traz resultados melhores quando combinado com exercício físico e um estilo de vida equilibrado.

E o chocolate, funciona?

Dark-Chocolate-Wallpapers

“Desde que seja o chocolate com teor de cacau acima de 70%”, frisa a nutricionista. Ela explica que o cacau possui substâncias muito semelhantes a anandamida, que é um neurotransmissor sintetizado pelo nosso organismo naturalmente e conhecido popularmente como “substância da felicidade” e que atuam em áreas que regulam o humor, as sensações de dor e a memória.

Alimentos que devem ser evitados

Cintya explica que, assim como alguns ajudam a acalmar e reduzir a ansiedade, outros têm o efeito contrário. Alimentos estimulantes do sistema nervoso, por exemplo, devem ser consumidos com moderação. “É o caso dos energéticos, refrigerantes à base de cola e cafeína, chocolate ao leite, álcool, excesso de açúcar e gorduras”, comenta.

Entram nesse grupo alimentos como:

Doces industrializados
Refrigerantes e energéticos
Bebidas alcoólicas
Chá preto e café
Salsichas e outros embutidos

Ela recomenda, também, reduzir o consumo de carne vermelha devido à presença da tirosina, substância responsável pela produção de adrenalina, que aumenta a agitação.

Como evitar o impulso de comer mais durante momentos de ansiedade?

A nutricionista fala que é importante diferenciar a fome da vontade de comer. A maneira mais fácil de fazer isso, segundo ela, é beber um copo d’água e aguardar alguns minutos. “Se ainda assim o estômago parecer vazio, busque algo saudável e dedique tempo para as refeições, preparando e mastigando bem os alimentos”, reforça.

Fonte: Grupo São Cristóvão Saúde

Ataque de pânico: o que fazer diante de uma crise? por Tatiana Pimenta*

Ataque de pânico? Talvez você já tenha testemunhado ou vivenciado um, sem saber reconhecer o que ocorreu

Os sintomas físicos de um ataque de pânico são semelhantes aos de um infarto: taquicardia, dores no peito, formigamento (nas mãos, pés ou rosto), sudorese, náusea, respiração acelerada, tontura… E muito medo de morrer, de não conseguir escapar daquela situação.

O quadro assusta e, corretamente, a pessoa procura por ajuda médica. Após os exames, vem o diagnóstico: não há nada de errado com o coração. A saúde física está íntegra. Nesses casos, o próprio cardiologista costuma orientar o paciente a procurar por um psicólogo ou psiquiatra, pois seu mal-estar súbito é, na verdade, uma resposta à ansiedade.

Ataques de pânico são mais comuns que você imagina

mulher ansiedade

Os ataques – ou crises – de pânico são muito comuns. Acometem cerca de 11% da população adulta, anualmente. E estima-se que 90% das pessoas passará, em algum momento da vida, por esse tipo de experiência. Porém, os esclarecimentos sobre o assunto, infelizmente, ainda não acompanham essa frequência.

A falta de informação faz com que muitos banalizem a situação. Ou atribuam imperícia ao médico que afirma que o coração vai bem. Chamar de “ataque de pânico” todo aquele conjunto de reações atípicas e tão intensas, pode gerar mais dúvidas do que explicações.

Pensando nisso, produzimos este artigo, que tem o intuito de servir como uma espécie de “manual de instruções” sobre o tema. Reunimos as principais questões e buscamos oferecer respostas de fácil entendimento, para que você compreenda o problema – e saiba o que fazer diante dele.

Quais as causas de um ataque de pânico?

olhos ansiedade geralt pixabay

Se a pessoa teve um ataque de pânico, então é porque ela teve muito medo de alguma coisa, certo? Errado! O nome desse distúrbio deve-se mais à reação, em si, do que ao motivo que a desencadeia.

Geralmente, quem passa por uma crise de pânico, narra que, antes do fato, estava tudo normal, sem nenhum perigo iminente. Até por isso fica complicado entender o que aconteceu, já que a causa não parece concreta.

Embora pesquisadores se dediquem a decifrar o que, especificamente, suscita a crise, suas conclusões não são precisas. Não é possível, portanto, prever um ataque de pânico.

Contudo, após a ocorrência do episódio, as principais hipóteses observadas são:

– predisposição genética;
– perturbação do sistema fisiológico;
– efeito colateral de medicamentos (corticoides, anfetaminas, remédios para enjoo ou enxaqueca, por exemplo);
– uso de drogas;
– eventos estressantes (como perda de emprego, ruptura de relacionamento, falecimento de familiar…), que podem ter ocorrido até um ano antes da crise;
– histórico de traumas (abuso sexual, acidente, assalto, sequestro…);
– neuroticismo (ansiedade, depressão, baixa autoestima, pensamentos negativos exagerados e tendência a sentimentos de culpa);
– acúmulo de tensões ou inibições.

Quem pode sofrer um ataque de pânico?

estresse

Segundo estatísticas, os ataques de pânico afetam jovens a partir dos 15 anos de idade. Entre os 25 e 40 anos, os índices são altos. Crianças são alvos menos comuns dos episódios, embora existam relatos – especialmente quando verifica-se a causa associada a medicamentos, estilo de vida marcado por muitas cobranças ou violência.

Fora a questão da faixa etária, ainda é possível perceber maior incidência entre as mulheres. Outros fatores, como estado civil, grau de escolaridade, renda, etnia… não sugerem qualquer relevância.

Quanto tempo dura uma crise?

Para algumas pessoas, o ataque pode durar poucos minutos. Para outras, algumas horas. O mais frequente é que aconteça num intervalo entre 10 e 30 minutos. Porém, mesmo após os sintomas principais cessarem, sensações desagradáveis podem persistir.

Quando acontece o ataque de pânico?

mulher dor depressao tristeza doença pexels

Conforme pontuamos anteriormente, o momento da crise é súbito. Inesperado e sem um contexto em particular. Mas, e nas circunstâncias em que ocorre um mal-estar com os mesmos sintomas, sendo o evento desencadeador perceptível? Por exemplo: quando a pessoa precisa se expor para falar em público ou enfrentar uma situação desafiadora, como uma prova?

Sempre que for possível identificar o que gerou a perturbação, é preferível referir-se à desordem como crise ou ataque de ansiedade, intimamente associada ao transtorno de ansiedade generalizada. Os termos se confundem e, muitas vezes, aparecem como sinônimos. Afinal, geralmente estão interligados. Lembre-se que a ansiedade é, justamente, uma das causas dos ataques de pânico.

Enfim, a questão é que as crises de pânico, propriamente ditas, não tem hora nem lugar para acontecer. Podem se manifestar durante uma atividade corriqueira, um passeio, uma sessão de cinema. Mesmo quando estamos dormindo a possibilidade existe! O ataque de pânico noturno tem a mesma duração dos ataques diurnos e apresenta sintomas físicos semelhantes: palpitações cardíacas, suor excessivo, sensação de sufocamento… E, claro, o medo.

Qual a diferença entre ataque de pânico e síndrome do pânico?

mulher ataque de panico

A diferença básica está na periodicidade. Quem sofre um ataque de pânico pode passar a vida inteira sem experimentar uma nova ocorrência. Já nos casos em que a síndrome do pânico é diagnosticada, os ataques são recorrentes.

A frequência é variável: uma vez ao ano, algumas vezes ao mês, todos os dias… Em certas situações, a pessoa enfrenta várias crises num curto intervalo de tempo (uma semana, por exemplo) e depois passa longos períodos sem enfrentar novos episódios.

O importante é que a frequência não seja negligenciada: necessita de tratamento. Do contrário, o “medo do medo” pode trazer sérias restrições. Uma das consequências é a agorafobia, que inviabiliza uma série de atividades rotineiras e impacta, severamente, nas relações sociais, profissionais, na qualidade de vida e bem-estar.

Quando ocorre o ataque de pânico, o que fazer? Como ajudar alguém em crise?

depressao terapia ajuda apoio pixabay p

O remédio é, obviamente, o antagonista da causa. Ou seja: a calma. Querendo ajudar alguém, ou a si próprio, numa circunstância dessas, lembre-se que qualquer atitude abrupta apenas piorará o quadro. Por exemplo: não segure a pessoa, não empurre um copo d’água, não a conduza para outro local à força. Também não fique agitado, falando demais ou muito alto. O ideal é fazer perguntas gentis, em tom suave e pausado, mostrando-se solícito.

Além de postura que inspire tranquilidade, você pode utilizar algumas técnicas. Todas tem o mesmo objetivo: afastar o pânico e promover serenidade. Se você sabe que sofre com o transtorno, pode se valer delas. Se conhece alguém que sofra, compartilhe as dicas!

E tenha em mente que descobrir como controlar as crises necessita do processo de autoconhecimento – do corpo e dos gatilhos mentais que funcionam para restabelecer sua normalidade.

1. Controle a respiração
A sensação de asfixia ou a hiperventilação são sintomas recorrentes de ataque de pânico. Dizer para si mesmo, ou para o outro, “respire normalmente” parece pouco eficiente, não é mesmo? Nessas horas, é importante conhecer estratégias que facilitem esse controle. Uma técnica bem simples é a de contar até 4. Consiste em inspirar, contando até 4, dar uma pequena pausa e expirar, contando até 4 novamente. Vá repetindo o processo, sempre atentando para fazer o exercício com calma, desacelerando.

2. Repita um mantra
O mantra é uma frase simples, que deve ecoar na mente ou ser dita em voz alta. Novamente, lembre-se que a velocidade é a chave.”Vai ficar tudo bem”, “logo vai passar”, são bons exemplos de mantras. Tente deixar as palavras longas, demoradas, para auxiliar no controle da inquietação.

3. Procure por um local sossegado
Multidões, profusão de luzes, sons… Difícil concentrar-se no próprio corpo com tantos estímulos externos, não? Sendo possível, procure se afastar – ou afastar a pessoa em crise – de lugares “tumultuados”. Se estiver ajudando alguém, recorde que não é para arrastá-la do espaço onde está. Convide-a a lhe acompanhar. Ofereça apoio, não um empurrão. Se for inviável encontrar um lugar mais silencioso – se estiver na rua, por exemplo – procure por um local onde se sinta mais protegido, encoste-se numa parede e foque sua atenção num ponto específico, num objeto. Descreva-o para si mesmo.
Ou feche os olhos – sempre ajuda – e mentalize um lugar que represente sossego para você.

4. Aplique a técnica do 5, 4, 3, 2, 1
Essa estratégia auxilia a pessoa a distrair-se dos sintomas, conduzindo a concentração ao “aqui e agora” concreto. Também, pelo desvio de foco, afugenta os medos de morrer ou enlouquecer, tão corriqueiros nas crises de pânico.

A instrução é de que se olhe no entorno e diga:
5 coisas que pode ver;
4 coisas que pode tocar;
3 sons que consegue ouvir;
2 cheiros que pode identificar;
1 coisa que consegue sentir o sabor.

5. Inale óleo essencial de lavanda
Os óleos essenciais são concentrados de plantas, cujos efeitos por inalação ou contato com a pele são estudados pela aromaterapia. O óleo de lavanda é um dos mais populares e seguros. É um cheiro conhecido por nós, já que suas versões sintéticas são extensivamente empregadas – de produtos de limpeza a cosméticos e perfumes.
Existem vários estudos que atestam sua influência como agente tranquilizante, inclusive melhorando a qualidade do sono.

Existe tratamento para ataque de pânico?

mulher medico getty
Getty Images

Sim, existem medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos), que apenas o médico pode prescrever. Caso receba essa recomendação profissional, não se abstenha de usá-la. Porém, a medicação, sozinha, nunca é a melhor solução. É importante realizar atividades físicas, descobrir técnicas de relaxamento, investir na meditação.
E, principalmente, contar com um processo terapêutico, sendo especialmente útil a terapia cognitivo comportamental.

tatiana pimenta.jpg

*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude. É engenheira formada pela UEL com MBA executivo pelo Insper. Executiva com 15 anos de experiência profissional em empresas como Votorantim e Arauco do Brasil. Apaixonada por psicologia e comportamento humano, faz psicoterapia pessoal há 7 anos. Também é maratonista amadora, palestrante, leitora voraz e colunista de comportamento, inovação e empreendedorismo.

Cardiologista alerta sobre diferenças entre crise de ansiedade e problemas cardíacos

O pico de ansiedade aumenta a produção de hormônios como cortisol e adrenalina, diminuindo o calibre das artérias, o que pode levar ao infarto ou ao AVC (acidente vascular cerebral)

Um levantamento da OMS (Organização Mundial da Saúde) revela dados preocupantes sobre a saúde psíquica dos brasileiros. O país ocupa o 4º lugar no ranking dos países com mais pessoas ansiosas, ficando atrás apenas do Paquistão – que lidera a pesquisa com 28% da população com quadro de ansiedade -, dos Estados Unidos (25%) e da Colômbia (24%). Cerca de 23% dos brasileiros já tiveram algum transtorno de ansiedade ao longo da vida, e os cardiologistas recebem, com cada vez mais frequência, pacientes com transtornos de ansiedade manifestando algum problema cardiológico.

Segundo o cardiologista e clínico geral do HCor, Abrão Cury, a ansiedade é a antecipação de uma possível situação de ameaça. O medo é algo comum e protege as pessoas de diversos perigos. “No entanto, quando a sensação de angústia é permanente, gera reações físicas e atrapalha atividades cotidianas, e é preciso averiguar se a ansiedade ganhou um patamar patológico”, explica Cury.

A base bioquímica do ataque de pânico é a baixa de serotonina – neurotransmissor responsável pelas reações de prazer e bem-estar -, que ocasiona diversos sintomas como a aceleração dos batimentos cardíacos, em uma resposta corporal às emoções intensas durante a crise. “Por isso, é comum os pacientes ansiosos procurarem o cardiologista ‘achando’ que estão tendo um infarto agudo do miocárdio”, alerta o cardiologista.

Quando os especialistas recebem essas reclamações, são solicitados os exames de eletrocardiograma, teste ergométrico e holter para verificar se há algum problema cardiológico ou como o coração reagiu após a pressão da crise. Por vezes, por se tratar apenas de manifestações emocionais, não é constatada nenhuma desordem nos resultados.

Cury alerta, no entanto, que os sintomas nunca devem ser ignorados. “O pico de ansiedade aumenta a produção de hormônios como cortisol e adrenalina, diminuindo o calibre das artérias, o que pode levar ao infarto ou ao AVC (acidente vascular cerebral). Por isso, é importante deixar de lado a timidez e a falta de tempo, e sempre procurar a ajuda de especialistas que indicarão os tratamentos mais adequados”, sugere o cardiologista.

estresse.jpg

Queixas mais comuns de ansiedade nos consultórios cardiológicos:

Falta de ar;
Palpitações;
Dores no peito;
Dormência;
Formigamento;
Tremores em alguma parte do corpo.

Em alguns casos, o tratamento com medicação, psicoterapia e terapia ocupacional são suficientes. O acompanhamento dura, no mínimo, seis meses, mas pode perdurar por mais tempo, variando para cada paciente. “O uso de antidepressivo, ansiolítico e psicoterapia, aliados a prática regular de atividades físicas, alimentação saudável, boas noites de sono e tempo para se dedicar ao lazer aumentam a qualidade de vida e são os métodos mais recomendados aos ansiosos”, finaliza.

Fonte: HCor