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Setembro Amarelo: como a beleza pode levar ao suicídio – por Luzia Costa*

Setembro é o mês dedicado à valorização da vida e a prevenção do suicídio. Um assunto preocupante que deve ser levado a sério por todos. Muitas vezes um amigo, um parente, alguém muito próximo que convive com você diariamente pode demonstrar ser divertido, estar bem, mas pode passar por problemas que desconhecemos. E pasmem, na maioria das vezes estão enfrentando momentos difíceis, sozinhos, e não percebemos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada 40 segundos, todos os anos no mundo. Impressionante este número, não é mesmo?! No Brasil, anualmente há um registro de 12 mil suicídios.

É muito comum vermos cada vez mais jovens preocupados com a aparência, com status e com a necessidade de mostrar uma vida feliz e estável nas redes sociais. A procura por um corpo e rosto perfeitos acabam sendo metas de vida nos dias de hoje.

Quantas pessoas do seu convívio que você já ouviu dizer: “quero ser magra”, “queria um nariz igual da atriz”, “quero emagrecer”, “queria meu cabelo assim”, e vários outros discursos como esses no dia a dia?!

Na Sóbrancelhas, nossa rede de embelezamento do olhar e da face, frequentemente lidamos com situações parecidas, onde clientes chegam até nossas lojas com fotos de atrizes e influenciadoras, querendo as sobrancelhas idênticas, por exemplo. Porém, não é possível, afinal cada rosto tem seu desenho e sua própria beleza.

Percebemos uma excessiva imposição a um padrão de beleza por essa geração. A mídia, principalmente a internet sempre pregou o que é bonito, o que é melhor, e se você não faz parte desse modelo, você está fora, não serve, ou você é inferior aos demais.

Há estudos que comprovam que na área profissional também é afetada por todo essa exigência. Muitas esteticistas competentes também sofrem esse tipo de preconceito por não fazer parte do padrão “magro”.

E todo esse bombardeio pelo padrão da beleza gera a dificuldade de lidar com a vida real, o que pode acarretar desde quadros de ansiedade à depressão, podendo levar até ao suicídio.

O que precisamos fazer, principalmente nós da área da beleza é incentivar as pessoas a se aceitarem como elas são, dar importância a beleza natural. É possível e importante ter a autoestima elevada do jeito que somos, das mais diversas formas que cada ser humano é. Jamais transforme em um refém do padrão de beleza que nos é imposto!

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Lembrem-se: tenham empatia com você mesmo e com o próximo.

*Luiza Costa é CEO do Grupo Cetro que detém as marcas Sóbrancelhas e Beryllos. Coleciona prêmios como Prêmio Grandes Mulheres, na Categoria de Médias Empresas, realizado pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios – PEGN e Facebook; Destaque Empresarial 2018 & Revelação na área de Empreendedorismo Social; Prêmio Empresário do Ano Top of Quality Gold Internacional.

Uma doença contemporânea, a Brasilíase*

Popularmente conhecida como deadlock ou a angústia do Dia da Marmota

Este artigo reproduz um diagnóstico de um médico. Munido de várias informações o médico emite o parecer sobre a doença do paciente. Meu paciente é um continente de 8,5 milhões de quilômetros quadrados; 210 milhões de habitantes; com larga miscigenação biológica e dissimulada segregação racial e social; com uma burocrasília alienada das necessidades nacionais. Paciente amigo e fraterno no convívio diário, indisciplinado e procrastinador das exigências republicanas e cidadãs.

O prontuário do paciente mostra muitas escolhas históricas e seus encadeamentos nefastos, muitas trocas e intercâmbios excludentes das elites, inúmeras sutilezas culturais e comportamentais pouco producentes. Com esse quadro, o paciente foi acometido de um profundo deadlock, e da comorbidade do Dia da Marmota, doença conhecida como Brasilíase.

A palavra deadlock, entendida em pedaços, chega a ser autoexplicativa: dead – morto, lock – trava, fechadura. Indica o momento em que um processo, para continuar a funcionar, precisa de outro processo para avançar, mas este, por sua vez, depende do anterior. Inércia histórica.

No Dia da Marmota, no filme Feitiço do Tempo, a repetição é eterna. Muitas marielles assassinadas, sergios moros virando suco, balas perdidas, número de assassinatos de país em guerra, anões do orçamento/mensalões/lavas jatos, sergios cabrais, prefeitos falando “não roubei tanto quanto o outro aí”.

Os sintomas são claros: as instituições se agridem e fazem debates vazios; os sofrimentos se repetem, a revolta é permanente; ódios, gritos e agressões no trânsito, na Internet, nas relações pessoais.

Angel Glen/Pixabay

Todos estão exaustos de viver no eterno Dia da Marmota. O paciente não aguenta mais. Essa angústia é clara. O paciente está aturdido, tonto, sem rumo. Só ouve quando alguém grita frases bombásticas sem sentido. A racionalidade do paciente está dopada.

Mas o paciente fará uma tomografia logo. Haverá eleição municipal. Após essa tomografia saberemos se o paciente quer um tratamento sério ou se quer placebo sem nenhum esforço. Saberemos se ele escolherá novas lideranças que tenham bagagem técnica, ética e política para gerir o tratamento.

O candidato que deixar claro que o tratamento será longo e exigirá muito esforço de todos será eleito? Ou os clássicos enroladores serão eleitos? O paciente escolherá competência e comprometimento e muito esforço próprio ou propostas mágicas e falsas? Ele realmente quer se curar da Brasilíase ou escolherá mais alguns anos de candidatos falastrões, prometedores de nada? Bons de papo e com zero de resultado.

Paciente que quer se curar tem que participar ativamente do tratamento, que exigirá muito esforço, tempo e sacrifícios para sair da letargia. Os remédios não serão doces e saborosos. Nosso deadlock histórico está preso à nossa procrastinação em assumir os próprios erros e fraquezas. Brasilíase tem cura? Precisamos esperar a tomografia.

*Luiz Jurandir Simões de Araújo é professor de Atuária na FEA/USP e na Unifesp; e Diretor Administrativo FapUnifesp (Fundação de Apoio à Unifesp)

Como se preparar para um futuro profissional incerto?*

O futuro do trabalho já era alvo de muitos estudos, palestras e conferências pelo mundo afora. Com a pandemia, o assunto ganhou ainda mais relevância. Especialistas são unânimes ao dizer que estamos vivendo o fim da era dos empregos para a entrada definitiva na era do trabalho. Isso quer dizer que registros em carteira, vale-transporte, alimentação e batidas de cartão de ponto parecem mesmo estar com os dias contados. Mas, calma, não há motivo algum para pânico.

Sempre houve e sempre haverá alguém disposto a pagar para outra pessoa fazer aquilo que ele não gosta, não sabe, não quer ou não consegue fazer sozinho. E essa é a oportunidade ideal para a oferta de um trabalho remunerado. Ou seja, é bem provável que, num futuro não muito distante, você se torne uma pessoa jurídica, emitindo notas fiscais para várias pessoas físicas ou mesmo empresas que precisem dos seus serviços. Pode ser que você até ganhe mais dinheiro dessa forma, mas, inevitavelmente, ganhará mais trabalho também.

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Se você é o dono do seu “nariz”, precisa assumir várias funções simultaneamente. Por exemplo, não adianta ser um excelente técnico, se não souber como e para quem vender os seus serviços. Não adianta vender e entregar bem, se não conseguir administrar suas próprias finanças, entendendo que a vida de um empreendedor é feita de altos e baixos. E também não vai adiantar fazer tudo isso muito bem se você não reservar um tempo para se manter atualizado na sua área de atuação.

Sendo assim, para se preparar para um futuro do trabalho completamente incerto, profissionais de todas as áreas deverão investir constantemente no desenvolvimento de suas habilidades técnicas e comportamentais, as chamadas hard e soft skills. É bom também já ir se acostumando com o conceito de lifelong learning, que significa que teremos que estudar para sempre, buscando o que muitos especialistas chamam de reskilling, ou a necessidade de atualização constante das habilidades profissionais.

Caso você ainda seja do tipo que acredita que um diploma em uma universidade de primeira linha irá te garantir um futuro tranquilo, sinto em lhe informar que você está bastante atrasado. Foi-se o tempo em que tínhamos um mercado de trabalho linear, onde se entrava como estagiário e depois se ia galgando o crescimento para analistas júnior, sênior, pleno, coordenador, gerente, diretor e, para pouquíssimos, as almejadas cadeiras de vice ou presidente. Tudo isso, de preferência, dentro de uma mesma empresa, ao longo de 20, 30 ou até 40 anos.

O grande desafio dos profissionais que já têm uma carreira estabelecida é que eles receberam esse tipo de instrução ao longo de toda a sua vida escolar e agora se deparam com uma realidade um tanto quanto distante de tudo aquilo para o qual eles foram preparados. É quase como estudar para uma prova por anos e, na hora H, alguém virasse para você e dissesse: “esqueça, agora não é mais assim”. A sensação de estar absolutamente perdido é totalmente compreensível.

E o problema maior é que ninguém sabe dizer ao certo como vai ser. As regras mudaram no meio do jogo, mas ninguém é capaz de falar “vá por aqui”, “faça dessa forma”, “isso será assim a partir de agora”. As regras estão sendo construídas com a bola em campo. É tudo ao mesmo tempo e agora. Não existem mais cartilhas ou manuais que conduzam um profissional ao pódio. De agora em diante, será tudo uma questão de tentativa e erro.

estudante laptop computador

Por isso, quanto maior a sua resiliência e capacidade de adaptação, as suas hard e soft skills, mais fácil será construir uma carreira de sucesso em um futuro incerto. Esquecer os roteiros preestabelecidos e as antigas fórmulas é o primeiro passo para encarar a nova realidade. As habilidades a serem desenvolvidas vão variar muito de um profissional para outro, mas de um modo geral, o mais importante é entender que sua vida profissional depende de pequenos esforços diários e contínuos. Estar preparado (independentemente do que isso queira dizer no seu caso) para aproveitar as oportunidades é o que vai fazer a diferença.

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*Marcos Yabuno Guglielmi é coach empresarial certificado da ActionCOACH

Humildade também é sinal de inteligência, por André Castro*

“A humildade não está na pobreza, não está na indigência, na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, apenas abençoa” Chico Xavier.

Um dia, após uma de minhas palestras, o curador do evento se aproximou de mim e, ao me elogiar, agradeceu minha humildade, dizendo, para minha surpresa, que é comum os palestrantes serem “metidos”.

Esse comentário fez com que eu escrevesse este artigo e refletisse que, assim como devemos ser humildes para aprender, também devemos ser humildes para ensinar. Afinal, não somos melhores que ninguém. Posso, possivelmente, saber mais a fundo um determinado assunto, mas certamente não todos.

Por que, então, não agimos mais como uma criança de sete anos que interage com outra criança com seu coração aberto para novas amizades e curiosidades? Já parou para pensar nisso? Que todos nós somos semelhantes, que possuímos algumas habilidades, outras não e, assim, também, as outras pessoas. Que cada um tem o seu tempo, sua velocidade, suas necessidades e suas virtudes.

Há um tempo acompanhava, nas redes sociais, um colega que treinava para uma prova de 10km. Mesmo sem muito interesse, eu era levado a acompanhar o passo a passo da sua preparação já que diariamente fotos eram postadas. No dia do evento, foram inúmeros cliques durante o início da prova, mas, para minha surpresa, nenhum clique ao final. Tempo depois eu soube que a prova não havia sido concluída por motivos físicos.

Então me pergunto: por que só o lado feliz e vencedor é mostrado nas redes sociais e também na vida? Por que não mostrar também quando não alcançamos o que queríamos, apesar de todo esforço e que, assim, estaremos prontos para uma nova tentativa, a fim de superar ou mostrar sem medo ou receio que somos humanos e propensos a erros e insucessos?

Humildade é mostrar sua vulnerabilidade, que nem tudo está sempre tão bem assim. Humildade também é sinal de inteligência, unindo os indivíduos ao contrário do orgulho. Sendo humilde e ajudando os demais, a chance de um dia você ser ajudado passa a ser maior, pois lembre-se que todos nós precisamos de algum tipo de ajuda em algum momento da vida.

“Para o orgulhoso a humildade é uma humilhação” Eclesiástico 13.20

mãos amizade solidariedade

Esperar o tempo da vida para as respostas que queremos de imediato é outro sinal de humildade. Lembrar que por mais que sejamos bem sucedidos profissionalmente, tenhamos conhecimento ou posição social não somos nada mediante os acasos da vida e do tempo. Que nunca saberemos com quem realmente estamos falando, pois todos têm suas bagagens, suas histórias e consequentemente seus valores.

Não queira estar sempre certo, apenas os tolos estão sempre corretos, os sábios procuram estar atentos a novos conhecimentos, aceite críticas e não fique melindrado com elas.

Antes de ser um excelente profissional, seja um bom ser humano, procurando ter a consciência de quem se é, que somente um ser humano pode salvar a vida de outro e, aí, talvez, um dos maiores exemplos de humildade seja confessar a outro ser humano precisar dele para existir.

“O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens” Gandhi

*Andre Castro é dentista com especialização em odontopediatria e MBA em gestão em planos de saúde. Como empreendedor, fundou e dirigiu, durante 21 anos, a operadora de planos odontológicos Oral Clean, experiência que lhe deu conhecimentos e habilidades do mundo dos negócios. Como Palestrante, uniu suas experiências para ajudar a transformar vidas por meio de suas palestras sobre superação, entusiasmo e qualidade de vida. Hoje é convidado para palestrar em inúmeros eventos pelo Brasil o que tem proporcionado a oportunidade de dividir seus conhecimentos e entusiasmo pela vida com as pessoas ajudando-as, assim, a descobrir que o sucesso é ser feliz.

As tendências no mundo dos vinhos em 2019*

O ano de 2018 foi desafiador para o mercado de vinhos no Brasil, pois foi afetado por duas forças que deram aquele baque no bolso dos winelovers. Primeiramente, as geadas do inverno dos anos de 2016 e 2017 na Europa destruíram muitas vinhas.

Regiões principais como a Bordeaux, Borgonha, Vale do Loire, Toscana, Rioja e outras passaram a oferecer volumes muito menores e isso refletiu diretamente em um aumento drástico nos valores de alguns dos vinhos mais queridos dos brasileiros. O valor de Chablis, por exemplo, subiu 30% de um ano para o outro.

O segundo fator foi a queda do real frente a crise sociopolítica brasileira, que aconteceu em meados de 2018 e dificultou ainda mais as condições de mercado. Aquele vinho que você comprava a R$ 59,90 em janeiro? Em agosto já estava a R$ 79,90.

Acredito que 2019 será promissor para o nicho, que contará, sim, com algumas tendências. Eis as apostas no mundo dos vinhos para este ano:

Portugal em foco

Vinhos de Portugal_divulgação_inf04_vinho Flor de São José - produtor João Brito e Cunha

Queridinhos dos brasileiros, os vinhos lusitanos surpreenderam a todos com sua conquista em 2018: pela primeira vez, Portugal entrou nos Top 2 países com maior número de vinhos importados, ficando atrás somente do Chile – campeão graças à força de vinhedos grandes, como a Santa Helena e a Concha y Toro, que traz por importação própria as marcas populares do rótulo Casillero del Diablo.

Porém, é interessante observar que a gigante chilena não conseguiu manter o crescimento dos anos anteriores, ao passo que Portugal só evolui sua aderência ao público. Não duvido que ao menos ganhe mais espaço no nosso mercado e aposto minhas fichas nisso, pois os vinhos portugueses oferecem a melhor relação custo-benefício da Europa. Os vinhos verdes, por exemplo, são divertidos e gostosos, além de leves, ideais para nosso clima. As regiões de Alentejo e Douro entregam potência, músculo e complexidade nos seus tintos, enquanto Dão oferece elegância e, Lisboa, tons de frutas frescas. Realmente, há vinhos portugueses para todos os gostos.

Saúde, senhores!

Você sabia que hoje entre 10% a 20% de todos as vinhas do mundo são orgânicas ou estão em vias de adaptar seus processos? A “tendência mundial” não é mais tendência e, sim, preferência – tanto do consumidor quanto do produtor.

Quem aqui quer consumir pesticidas e agrotóxicos? Eu não! E estou disposto a pagar um pouco a mais para saber que minha comida e meu vinho são livres dessas substâncias. Claro, podem dizer que sou da Califórnia e, assim, um pouco suspeito, já que há algum tempo somos considerados “hippies” demais quando tocamos neste assunto. Mas muitos produtores também acham que o melhor vinho é produzido de forma orgânica.

Empolgados pela mudança de hábito dos consumidores, estão optando por tirar químicas das vinhas, diminuir o uso de sulfitos e interferir menos na produção – tudo isso para oferecer a melhor expressão possível do seu terroir. E isso inclui grandes produtores de regiões tradicionalíssimas: Os Bordeaux de Domaine Chevalier, que estão entre os mais longevos do mundo, são orgânicos, assim como os Brunello di Montalcino de Pertimali e os Chianti Classico da Il Molino di Grace, entre outros.

mulher bebendo vinho

Já no Brasil, demorou bastante para essa onda pegar. Mas hoje a procura por vinho orgânico, biodinâmico e natural está começando a esquentar e, por isso, podemos esperar um boom no ano que vem, acompanhando a tendência da indústria alimentícia. Mas se quiser aderir já, aí vai uma dica de insider: Liderado em São Paulo por restaurantes como a Enoteca Saint Vin Saint e bares como o Clube Beverino, já é possível encontrar esses vinhos em vários sites e lojas de importadoras de todos os portes.

Descobertas exóticas

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O Brasil já não é mais criança no consumo de vinho, está entrando na sua adolescência. O consumo anual per capita na cidades de São Paulo e Rio de Janeiro já está por volta dos 10 litros, que rivaliza com os EUA. No Rio Grande do Sul, este consumo é maior ainda.

Um dos maiores prazeres da vida é a descoberta de um achado e os enófilos do país estão entendendo que isso também se encaixa no mundo dos vinhos. Por isso, procuram cada vez mais sair da mesmice e provar versões exóticas, de regiões diferentes e pouco divulgadas. Pela lei da oferta e da demanda, minha aposta é que vamos passar a encontrar muitos novos vinhos desse perfil no nosso mercado em 2019.

Não seria surpreendente, por exemplo, vermos por aqui mais vinhos da Europa Central (Hungria, Alemanha e Áustria), os excelentes brancos de Nova York e Virgínia, os cativantes Riesling e Gewurztraminer da Alsácia, os grandes Godellos de Bierzo ou raridades como os espumantes da Inglaterra, que hoje estão dando muito o que falar.

Valorização do nacional

Espumante

Ainda novidade para muitos consumidores, há dezenas de microprodutores nacionais em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul que produzem vinhos excelentes. Os tintos são bons, alguns realmente fantásticos (um exemplo é o Miolo Single Vineyard Touriga Nacional, com excepcional relação custo-benefício). Por sua vez, em São Paulo, os tintos à base de Syrah da Guaspari são cada vez mais procurados.

No entanto, a força do Brasil está sem dúvida nos seus espumantes, tendo como líderes Pizzato, Cave Geisse, Campos de Cima e vários outros pequenos produtores de peso. Hoje, essa categoria tem reconhecimento internacional – tanto é que, pela primeira vez, são exportados para Inglaterra e EUA – e, finalmente, estão começando a receber o mérito devido dentro do próprio país: só em 2018, a venda dos espumantes nacionais subiu mais que 50% com relação ao ano anterior.

Se a tributação interestadual for resolvida ou simplificada no próximo ano, o consumo do espumante nacional poderia explodir. (Hoje há um imposto de ICMS/ST de 40% arrecadado de um vinho do Sul que entra em SP, MG ou RJ, muito oneroso para produtores artesanais).

Vamos torcer para que aconteça. Também vamos tomar uma taça ou outra a mais para comemorar o início de um novo ano com tantas previsões de novidades para os winelovers. Tim-Tim!

*Alykhan Karim é CEO do e-commerce de vinhos premium Sonoma e expert em curadoria de vinhos

O risco do autodiagnóstico e a segurança do check-up*

A internet é uma ferramenta tecnológica que torna mais rápida a comunicação no mundo moderno, um grande avanço da civilização. Mas é um meio eletrônico para troca de informações, não pode ser confundida com o guru iluminado que sobe ao pico da montanha para semear a sabedoria na terra.

Como é máquina alimentada por seres humanos – em geral desconhecidos, limitados e sujeito a erros, como toda a espécie -, convém não submeter a própria vida às informações que chegam pelo computador ou pelo smartphone.

Mas, infelizmente, é o que vem ocorrendo com uma boa parte dos brasileiros e de outros povos que preferem se autodiagnosticar e a se automedicar segundo a “sabedoria” do doutor Google. Essas pessoas ainda não perceberam os riscos a que estão sujeitas.

Assim como proliferam as fake news, as informações médicas pela internet podem ser igualmente falsas ou desprovidas do devido embasamento científico, embora reconheçamos as mais sérias, de fontes identificadas e comprovadas.

Porém, isso não justifica o fato de alguém, a partir de um incômodo qualquer, recorrer à internet, verificar o nome de algum remédio, se automedicar e, depois, ficar sem saber se é portador ou não de alguma doença. Pode ser que o incômodo volte outras vezes e só aí o paciente poderá desconfiar de algo mais sério, além do mal-estar passageiro.

Nesses tempos de tanta tecnologia disponível na área médica, algumas pessoas se esquecem da importância do exame clínico para o diagnóstico e tratamento de doenças. O exame é dividido em duas etapas: a anamnese e o exame físico.

Anamnese (do grego ana, trazer de novo, e mnesis, memória) é básico: o paciente deve relatar ao médico seus sintomas, falar de seu passado e presente, de sua vida, de sua família e de seus antecedentes, de seus hábitos. Neste processo deve-se estabelecer uma conversa franca entre os dois.

exame ciencia equipamento

A partir daí, além dos exames laboratoriais, é possível obter informações sobre o estado geral do paciente, podendo ser identificadas doenças por meio de sinais e sintomas. Mas medicina não é uma ciência exata. Por exemplo, não é possível um diagnóstico de infarto do coração em diversas situações em que nenhum exame o identifica, principalmente pela internet.

Nessa interação com o paciente se formulam 70% dos diagnósticos. O foco na pessoa – e não no computador ou na ressonância magnética – é que levará às causas de uma moléstia e a indicar o melhor caminho para o tratamento. Em cardiologia, por exemplo, médico e paciente precisam ficar atentos aos sintomas que podem indicar algum tipo de comprometimento.

Alguns sinais podem ser confundidos com um simples mal-estar. Sudorese, tremores e falta de ar estão entre as várias manifestações de princípio de infarto agudo do miocárdio. Mesmo em análise para diferenciar infecção de inflamação é preciso levar em conta sinais, sintomas e as diversas variações clínicas e exames laboratoriais. Outro caso é o AVE – Acidente Vascular Encefálico, antes chamado de AVC -, que pode se manifestar apenas como uma confusão mental passageira. Como tratar essa informação pela internet? O que pode ser apenas mal-estar de momento pode esconder algo mais grave e cabe ao médico investigar e tratar.

Levantamento recente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), entidade de pesquisa e pós-graduação na área farmacêutica, divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que a situação é mais grave do que se imagina. Afinal, pessoas das classes A e B, jovens e com curso superior, formam a maioria dos pacientes que usa a internet para se autodiagnosticar. O terceiro estudo do instituto sobre o tema apontou que 40,9% dos brasileiros fazem autodiagnóstico pela internet. Desses, 63,84% têm formação superior.

Na pesquisa anterior, de 2016, o índice de autodiagnóstico online foi de 40%. Imaginava-se que o público em busca de soluções pela internet era de classe média para baixo, por falta de condições de procurar um médico.

Mas o resultado surpreendeu e surgiram então as pessoas das classes altas, esclarecidas e com poder econômico para buscar informações mais concretas e conscientes sobre saúde. Na classificação econômica, 55% dessas pessoas são das classes A e B e 26% das classes D e E. As de renda mais baixa ainda buscam mais o médico em prontos-socorros. Quanto mais idosas, mais recorrem ao médico, pois têm dificuldade com a internet. O levantamento foi feito em maio deste ano em 120 municípios, incluindo todas as capitais, e ouviu 2.090 pessoas com mais de 16 anos.

Para os pesquisadores, o imediatismo está entre as motivações, principalmente entre os jovens de 16 a 34 anos. Imediatismo ou preguiça da rotina de marcar um horário, o tempo às vezes longo na sala de espera, depois os exames etc.

Esses pacientes costumam procurar o médico já com efeitos colaterais ou interação medicamentosa. Ou seja, alguma doença foi mascarada, o que resultará em diagnóstico retardado.

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Boa parte das doenças começa com dor, febre, indisposição, sintomas comuns, e as pessoas se valem de remédios mais conhecidos, sem esperar sua progressão. Aí mora o perigo de mascarar algo mais grave.

Se o paciente não tem nenhum dos sintomas e vai ao consultório apenas em nome da prevenção, ótimo. Está a caminho de uma vida mais longa. De todo modo, é importante fazer um check-up uma vez por ano, a verdadeira chave da boa saúde.

Enfim, fazer da prevenção o principal aliado, manter o compasso da máquina e viver intensamente. O corpo merece, em nome da sobrevivência.

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*Américo Tângari Junior é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira

Saiba ler o futuro que alguns estão escrevendo agora*

As principais consultorias globais do mercado produzem, periodicamente, relatórios nos quais profetizam o futuro. São técnicos, analistas, acadêmicos e futuristas que se debruçam sobre os principais assuntos em discussão no mundo, as pesquisas em curso nas universidades e as necessidades da sociedade e, a partir dessas discussões, mapeiam as grandes tendências globais em diversos mercados e segmentos, arriscando seus palpites sobre o futuro no médio prazo. Dez anos, em média.

Em geral, esses relatórios acertam os seus prognósticos, reforçando o “dilema de Tostines”, no qual “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais”?

No caso das previsões das consultorias, a correlação existente entre causa e efeito é muito forte, uma vez que é difícil saber ao certo o que é fato gerador e o que é consequência. Afinal, o futuro se concretiza porque houve uma previsão acertada realizada por visionários ou ele ocorreu por conta dos trabalhos de consultoria que recomendaram que se seguisse aquilo que havia sido previsto e estava descrito nos trabalhos? Nunca saberemos e pouco importa saber, mas é certo que escrever o futuro é sempre mais interessante do que ficar à mercê dos acontecimentos.

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Para os próximos anos, as principais consultorias do mercado preveem, dentre diversas outras apostas, que:

· A automação, a robótica e a inteligência artificial serão intensificadas, permitindo interações simples e inteligentes, resultando em valor em cada conexão executada e facilitando a interação de clientes com marcas na mesma velocidade em que diminuirão a capacidade de empregabilidade das pessoas. Prepare-se para trabalhar ao lado de sistemas, robôs, chatbots e outros equipamentos mimetizados;

· Novos padrões e regras serão desenhados para funcionar em indústrias transformadas de acordo com as demandas da economia digital. O que isso significará, não se sabe. As regras ainda serão escritas;

· As plataformas operacionais das empresas deverão ser substituídas por ecossistemas robustos baseados em trabalho de equipes muitas vezes contratadas e organizadas de acordo com as demandas. Será uma grande transformação no emprego, pois o vínculo de trabalho temporário e por competências se intensificará. Em outras palavras, prepare-se para trabalhar a partir de projetos de curta duração;

· As pessoas deverão ser capacitadas para lidar com os ecossistemas na forma de parcerias. Não fará sentido a visão de cliente e fornecedor. As transformações nas relações internas deverão ser estendidas aos demais participantes externos. Ao ajudar as pessoas a alcançar seus objetivos, todos se ajudarão, mutuamente, a definir um lugar mais nobre na evolução da sociedade. A relação entre pessoas e os resultados, sejam financeiros ou sociais, serão mais expressivos. Portanto, amplie sua conexão com o mundo (literalmente), desenvolva um método de estudo continuado e prepare-se para, mesmo sendo um técnico, conectar-se a pessoas e seus ecossistemas.

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Este panorama permite observar que tanto os profissionais de hoje quanto as gerações que se formarão nos próximos anos e que buscam empreender ou trabalhar no terceiro setor, no governo ou nas corporações, deverão se preparar para desenvolver habilidades de adaptação e aprendizado contínuos, inclusive a capacidade de pensar diferente. Os mais vividos se lembrarão do profeta Raul Seixas, em Metamorfose Ambulante: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Pois assim será o futuro, um lugar onde a mediocridade significará fazer o básico, pensar o mínimo e estar fora do mercado, qualquer que ele seja. Seja flexível e muito bom naquilo que se propuser a fazer.

Outro aspecto muito delicado será o crescimento da população nas grandes cidades, fato que deverá aumentar a concorrência por trabalho, ampliar o consumo de energia e água, complicar muito a mobilidade, aumentar a falta de segurança e gerar mais crises sociais, principalmente pela redução da classe média, afetada pela escalada da automação e pelo desemprego. O trabalho estará em qualquer lugar do mundo. Prepare-se para trabalhar anywhere e para concorrer com pessoas e máquinas de todas as partes do globo.

Estabelecer propósitos, desenvolver valores, manter-se atualizado, preparar-se para novas formas de pensar e abrir-se para maneiras não convencionais e flexíveis de desenvolvimento profissional serão o caminho para a inclusão e a manutenção da capacidade de trabalho em um futuro (muito) próximo. Trabalhar em algo que faça a diferença talvez faça mais sentido que desenvolver uma carreira.

Espero que este panorama não seja tão complicado como aparenta e que eu possa, no futuro, cantar: “Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes / Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”.

*Edson Moraes é sócio do Espaço Meio, Executive Coach desde 2014 e Consultor (Gestão & Governança) desde 2003. Foi Executivo do Bank of America entre 1982 e 2003. Seguiu carreira na Área de Tecnologia da Informação, foi Head do Escritório de Projetos e CIO por 4 anos. É Master em Project Management pela George Washington University. Participou de programas de educação executiva na área de TI ( Stanford University, Business School São Paulo e Fundação Getúlio Vargas). Formado em Comunicação Social – Jornalismo pela PUC/SP. É Conselheiro de Administração formado pelo IBGC, Coach pelo Instituto EcoSocial e certificado pelo ICF. Articulista e palestrante nas áreas de Governança, Tecnologia da Informação e Gestão de Projetos

 

Networking, você sabe como fazer? por Edson Moraes

O desemprego, que sempre assustou a maioria dos profissionais, se torna aterrorizante em momentos de crise econômica. E, raramente, nos preparamos para momentos de transição na carreira. Se muitas vezes é difícil pedir demissão ao conseguir outro emprego, o que dizer daquele momento em que a decisão do rompimento contratual foi uma deliberação do empregador, restando na sensação de surpresa indesejada, vazio e falta de chão?

Muitas vezes, é somente nesse momento que percebemos o quanto ficamos distantes do mercado e das pessoas, afundados nas tarefas cotidianas e acreditando que isto bastaria para mantermos uma segurança inexistente e uma estabilidade impossível no mundo corporativo, ao menos para aqueles que optaram pela carreira em empresas privadas.

Até mesmo os empreendedores ficam mergulhados nas atividades necessárias para manter sua empresa em operação e se esquecem de manter sua rede de relacionamentos ativa.

Pois é, a rede de relacionamentos, mais conhecida como networking, que garantirá, na maioria das vezes, um novo ciclo na carreira, seja emprego, projeto, consultoria, cliente ou mesmo atividade voluntária. Mas como manter aberto esse canal com o mundo quando nos permitimos ficar enclausurados na atividade da vez, seja esta qual for?

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Antes de qualquer coisa, networking deve ser entendido como uma forma de se conectar ao mundo, ao mesmo tempo em que é uma forma de se perceber no mundo, uma vez que nada daquilo que fazemos pode ser executado sem alguma ajuda, explícita ou implícita, de alguém. Não somos sozinhos no universo. Como se diz no budismo: intersomos.

Mesmo para quem pretenda viver solitariamente, será necessário um lugar para morar, que foi construído por alguém, comida para se alimentar, que tenha sido plantada, colhida, transportada e vendida por “vários alguéns”, além de toda uma série de produtos e serviços necessários para a sobrevivência.

E neste interser devemos perceber o outro como uma extensão de nossas capacidades e necessidades, de forma a nos colocarmos à disposição, da mesma forma que um dia poderemos precisar do auxílio de alguém próximo para desempenhar alguma atividade.

O networking começa na família, passa pelos amigos próximos, por pessoas com as quais mantivemos algum contato, com quem tenhamos estudado ou trabalhado em algum momento da vida e, até mesmo, por aquelas com as quais eventualmente trocamos cartões e poucas palavras.

O segredo está na manutenção destes contatos, o que requer muito cuidado, pois isso poderá ser importante em um momento de reposicionamento no mercado, na busca de uma nova colocação, na oferta de serviços ou na estruturação de uma empresa.

Não há momento certo para se praticar o networking. Estejamos empregados ou procurando alguma atividade, a prática deve ser a mesma, pois será importante em qualquer circunstância. Seja buscando alguma satisfação pessoal, como uma dica de viagem; fazendo uma transição na carreira, divulgando para a rede pessoal que deseja mudar de atividade ou empresa; solucionando problemas no dia a dia do trabalho; compartilhando com colegas de profissão, mesmo que em outras empresas, um problema que se está enfrentando com um fornecedor ou produto; ou procurando conhecer novas pessoas. Não importa, o networking servirá como um grande instrumento para atingirmos os objetivos.

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Para quem ainda se sente tímido para começar sua rede de relacionamentos, saiba que nunca é tarde para retomar ou iniciar essa prática. Comece pelos contatos mais próximos, família e amigos, e siga ampliando sua rede de forma disciplinada. Ofereça sempre algo, pois o networking começa quando colaboramos com alguém – e não o contrário –, conduza as relações de forma genuína, respeite sempre a agenda do outro, torne o processo lúdico e, o mais importante, mantenha a sua rede de relacionamentos viva.

Mensagens por aplicativos e redes sociais, ligações telefônicas periódicas, convites para cafés, almoços, happy hours e jantares, sempre de forma descompromissada e sem interesses implícitos, farão com que sua rede siga forte e divertida. Afinal, é sempre prazeroso passar algum tempo de forma despretensiosa em companhia de pessoas inteligentes e simpáticas. O benefício poderá vir depois, na medida em que cada um doe a sua parte na relação. Afinal, intersomos.

*Edson Moraes é sócio do Espaço Meio, Executive Coach desde 2014 e Consultor (Gestão & Governança) desde 2003. Foi Executivo do Bank of America entre 1982 e 2003. Seguiu carreira na Área de Tecnologia da Informação, foi Head do Escritório de Projetos e CIO por 4 anos. É Master em Project Management pela George Washington University. Participou de programas de educação executiva na área de TI ( Stanford University, Business School São Paulo e Fundação Getúlio Vargas).

Design: de artigo de luxo à necessidade, por Marcelo C. Gallina*

A garrafa de água que você bebe está mais fina, pois usa cerca de 20% menos plástico em sua composição, sem alterar a qualidade do produto entregue ao consumidor. A mudança no design da embalagem economiza matéria prima, tanto para o planeta como para a indústria. Por ser mais leve, a economia também aparece no transporte das garrafas e no esforço de reciclagem.

Da mesma forma, a indústria automobilística utiliza o design para se diferenciar no mercado. Reduzir custos, otimizar a linha de produção e garantir a segurança e conforto do passageiro dentro do veículo é função de designers de diferentes áreas que se preocupam sobre como as peças do automóvel serão armazenadas da melhor forma possível, montadas da maneira mais rápida e ofereçam o maior nível de segurança para o motorista e passageiros. Tudo isso com um visual que seja atrativo ao consumidor.

O telefone celular que está no seu bolso também é um forte representante da importância do design na vida do consumidor atual. Com peso cada vez menor e materiais mais resistentes, os smartphones atingiram um nível de tecnologia tão similar entre os concorrentes, que a saída é buscar diferentes layouts que facilitem o seu uso e se diferenciem no mercado, tudo isso, sem elevar os custos, claro.

O sistema operacional dos aparelhos é um capítulo à parte na evolução do design. Com foco no layout, na usabilidade e na experiência do usuário, os desenvolvedores do Android, iOS e Windows Phone brigam para conquistar um lugar no coração dos consumidores, assim como diversos aplicativos disponíveis nas lojas de um dos sistemas.

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Ter uma boa ideia ou uma boa solução não é mais o bastante. Ter uma boa interface, com um projeto que foque na experiência do usuário é fundamental. A diferença é o que pode fidelizar o cliente ou não. O design é o elemento que influência a percepção do público sobre a sua marca e sobre o serviço que sua empresa oferece. Se o produto for difícil de achar, de usar ou tiver informações incompletas, por exemplo, o consumidor irá escolher o concorrente que ofereça essas características.

O foco na experiência do usuário é o motivo do grande sucesso de sites de busca e de aplicativos de localização geográfica, por exemplo. Aplicativos como o Waze se diferenciam pela interface amigável e intuitiva, com um boa hierarquia da informação e usabilidade, pois aplicativos de localização existem vários, mas poucos conseguem se popularizar como ele.

Muito além da redução de custos e da beleza dos projetos, o design atua como protagonista em cada vez mais áreas e assume o papel de ferramenta de gestão e inteligência nas empresas. Desde a formação da empresa, sua identidade visual, até a organização de produção, tudo pede a gestão estratégica do design, que será o principal responsável pela diferenciação no mercado e competitividade.

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Assim como David Butler e Linda Tischler apresentaram na obra “Design para Crescer – Aprenda com a Coca-Coca sobre Escala e Agilidade”, design, inovação e desenvolvimento andam juntos e quem não utiliza e aplica esses conceitos está ficando para trás.

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*Marcelo C. Gallina é coordenador dos Cursos de Design – Projeto Visual / Projeto de Produto / Design de Moda e da Pós-Graduação em Branding da Universidade Positivo.

 

Artigo: Te prometo ser fiel, por Renata Vasconcelos*

É triste, mas é verdade: aproximadamente 57 mil mulheres descobrem ter câncer de mama todo ano no Brasil, de acordo com o INCA. Eu fui uma dessas mulheres. Mais que números, são milhares de vidas atingidas fortemente por uma doença que faz sofrer quem a tem e quem está ao lado.

Quando descobri o câncer de mama estava com 33 anos, cheia de planos e tinha acabado de sair de um tratamento de gravidez sem sucesso. A notícia foi como ser afogada numa piscina, sem ter mais fôlego. Era exatamente esta minha sensação! Passei por quimio e radioterapia. Depois de três anos, passei a fazer acompanhamento médico a cada seis meses, além de usar um remédio oral.

Foi chocante perder os cabelos, não me reconhecia! E foi duro passar por todas as dificuldades de um tratamento agressivo, como é o oncológico. Mas, essa doença me modificou. Creio que não saiu de mim só o tumor, mas os apegos exagerados, as preocupações vãs, e, com certeza, meu tempo ficou mais valioso.

Mais ainda, pude ser cuidada por aquele que prometeu a Deus e a mim, fidelidade na saúde e na doença. No dia do nosso casamento, estava completamente saudável, jovem e cheia de planos, mas quando se faz uma promessa com o eterno, não se sabe o que vai acontecer no outro dia.

Ele me amou quando tinha cabelos e saúde, mas me amou também quando estava careca e sem forças para me levantar do sofá. Não vou dizer que foi fácil, estávamos enfrentando uma avalanche juntos, saímos cansados, feridos, mas de mãos dadas.

A verdade é que quando as mãos se unem no altar, só devem se separar no caixão, e, para quem crê, permanecem unidas para a vida eterna. Por mais que alguns digam não precisar ou não querer, as leis naturais de Deus estão impressas no coração do homem, portanto, cada um de nós busca um amor que nos ame na alegria e na tristeza.

Por isso, não dá para imaginar a dor de uma mulher que recebe essa notícia e não tem o apoio necessário da família. Um estudo realizado pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center, nos Estados Unidos, apontou que 21% dos homens se afastam da esposa depois do diagnóstico de problemas sérios de saúde, como o câncer. O estudo ainda revelou que, quando um dos cônjuges adoece, o casal fica seis vezes mais propenso ao divórcio.

A verdade é que a face mais bela do amor se revela na dor, no sofrimento, na prova. Para mim, a promessa que eu e meu esposo fizemos no dia do nosso casamento, foi cumprida quando adoeci, e claro, a cada dia até hoje. Foi na dor que provamos a força do amor.

Para você homem: não tenha receio de não saber lidar com a doença, é natural ter medo e querer fugir. Talvez neste momento, você volte aos seus dez anos de idade, quando simplesmente corria, ao perceber o perigo. Mas, é nesta hora que é preciso dar a resposta de um homem que teme, mas não foge. Ela te conhece e sabe que você dará para ela o seu máximo. Portanto, aperte as suas mãos na hora de prender o fòlego, na hora da prova, e tenha certeza que será mais fácil chegar à superfície e respirar de novo se estiverem juntos.

Hoje, os capítulos que eu e meu esposo escrevemos em nossa história são de um ótimo momento, de felicidade com a chegada do nosso filho Gabriel. Não sei se estaria valorizando tanto este tempo, se não tivesse passado por dias tão escuros. O câncer me fez amar mais a vida, me cuidar melhor! Então, se você está passando por isso, aguenta firme! Você poderá terminar esta luta percebendo em você sua melhor versão.

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*Renata Vasconcelos é missionária da Comunidade Canção Nova, jornalista e autora do Livro Te Prometo ser fiel na saúde e na doença pela Editora Canção Nova.