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Dez sinais de alerta para se detectar o autismo*

É provável que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar tanto no Transtorno do Espectro Autista (TEA) quanto atualmente, mas ainda há dúvidas sobre o que realmente é, seus sintomas e as implicações para o indivíduo. O TEA é conhecido também de diferentes maneiras, como Transtorno Autístico (Autismo), Transtorno/Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Global ou Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação e é considerado um dos transtornos do neurodesenvolvimento.

Entre as organizações que oferecem avaliação diagnóstica para identificar casos de TEA está a Apae de São Paulo, referência no tratamento de deficiência intelectual. Por meio do Ambulatório de Diagnóstico, profissionais investigam sinais característicos desta condição em crianças, jovens e adultos. Os atendimentos podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde e consultas particulares.

No diagnóstico é detectado se o paciente possui características que envolvam prejuízos na interação social, na linguagem/comunicação, e se há padrões repetitivos de comportamento. A orientação é para que os pais, professores e/ou responsáveis procurem auxílio médico quando há os seguintes sinais:

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1. Pouco contato visual: a criança não olha quando é chamada pelo nome ou não sustenta o olhar.

2. Não interagir com outras pessoas: não interage com outras pessoas por meio de sorrisos, por exemplo.

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3. Bebês que não fazem jogo de imitação: os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos por volta dos seis a oito meses de vida, portanto, deve-se ficar atento quanto à ausência desse comportamento.

4. Não atender quando chamado pelo nome: a criança pode parecer desatenta, pois não atende quando é chamada pelo nome.

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5. Dificuldade em atenção compartilhada: não demonstra interesse em brincadeiras coletivas e parece não entender a brincadeira.

6. Atraso na fala: criança acima de dois anos que não fala palavras ou frases.

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7. Não usar a comunicação não-verbal: não usa as mãos para indicar algo que quer.

8. Comportamentos sensoriais incomuns: se incomoda com barulhos altos, por vezes colocando as mãos nos ouvidos diante de tais estímulos; não gosta do toque de outras pessoas, irritando-se com abraços e carinho.

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9. Não brinca de faz de conta: não cria suas próprias histórias e não participa das brincadeiras dos colegas. Também não utiliza brinquedos para simbolizar personagens. Suas brincadeiras costumam ser solitárias e com partes de brinquedos, como a roda de um carrinho ou algum botão.

10. Movimentos estereotipados: apresenta movimentos incomuns, como chacoalhar as mãos, balançar-se para frente e para trás, correr de um lado para outro, pular ou girar sem motivos aparentes. Os movimentos podem se intensificar em momentos de felicidade, tristeza ou ansiedade.

Não há medicação para o TEA, mas há casos em que são necessárias medicações para controlar quadros associados ao autismo, como insônia, hiperatividade, impulsividade, irritabilidade, atitudes agressivas, falta de atenção, ansiedade, depressão, sintomas obsessivos, raiva e comportamentos repetitivos. Em alguns casos, o indivíduo desenvolve problemas psiquiátricos.

O tratamento do autismo baseia-se em estratégias como:

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Lumpi/Pixabay

=Treinamento dos pais: é a família que mais interage e estimula o comportamento das crianças, portanto, um tratamento eficaz depende do auxílio dos familiares e amigos.

=Análise Aplicada do Comportamento (ABA): a Metodologia de Análise Aplicada do Comportamento (ABA – Applied Behavior Analysis) é um conjunto de procedimentos aplicados com o intuito de melhorar o comportamento socialmente adaptável e a aquisição de novas habilidades por meio de práticas intensas.

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Foto: Shutterstock

=Tratamento e Educação para Crianças Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação (Teacch): é um programa desenvolvido para educadores. Desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, e iniciado em 1972 por Eric Schopler, tem sido amplamente incorporado nos contextos educativos e contribuído para uma base concreta de intervenções do autismo. É também chamado de estrutura de ensino, pois de baseia na evidência e observação de que indivíduos com autismo compartilham um padrão de comportamento semelhante na maioria dos casos.

=Psicoterapia em abordagem cognitivo-comportamental (TCC): a abordagem psicológica demonstra ter eficácia nos quadros de ansiedade, autoajuda e habilidades de vida diária.

Para a Apae de São Paulo, o diagnóstico precoce é fundamental para que o indivíduo possa receber o tratamento adequado e desenvolver uma vida produtiva e inclusiva, com chances de estudar e trabalhar. A Organização atua há 57 anos para promover assistência e desenvolver o potencial de seus pacientes, a fim de capacitá-los e incluí-los na sociedade.

*Por André Luiz de Sousa, Cindy Mourão, Regina Viana Nojoza e Luciana Mello Di Benedetto, psicólogos/neuropsicólogos do Ambulatório de Diagnóstico da Apae de São Paulo

Bibliografia: Gadia, Carlos A.; Tuchman, Roberto; Rotta, Newra T. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. Jornal de pediatria, v. 80, n. 2, p. 83-94, 2004.

 

 

Cinco coisas que toda pessoa com autismo gostaria que você soubesse

Especialista fala sobre o transtorno e como auxiliar adultos e crianças nesses casos

Dados do Centro de controle de doenças dos EUA, estimam que 1 a cada 59 crianças, em idade escolar, possuem algum tipo de autismo, aqui no Brasil, segundo a OMS, esse número ultrapassa a marca de dois milhões. O Autismo ou Transtornos do Espectro Autista (TEA) causa distúrbios no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social de crianças e adultos.

“O transtorno não tem cura, mas pode ser tratado para que o paciente possa se adequar ao convívio social da melhor maneira possível, quanto antes ele for diagnosticado, melhores são os resultados do tratamento”, explica Tiago Bara, psicólogo e Mestre em Ensino nas Ciências da Saúde do Centro de Recuperação Neurológica – Cerne e Membro do Núcleo de Neurociências do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. E para ajudar nessa tarefa, listamos cinco coisas que toda pessoa com autismo gostaria que você soubesse.

1) Antes de tudo, eu sou um ser humano

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O autismo é um aspecto do funcionamento do meu cérebro, isto é, ele não define quem eu sou. Assim como você, eu tenho pensamentos, sentimentos, talentos e vontades. Quando você me define por essa característica, pode criar expectativas que serão pequenas para mim. Apesar do TEA ser marcado por alterações do comprometimento da interação e comunicação social, eu sou capaz, acredite.

2) Quanto antes meu autismo for diagnosticado, melhor é…

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O diagnóstico do TEA é clínico, feito a partir de critérios definidos pelo DSM-5 ou CID-10. Quanto mais cedo o autismo for diagnosticado, melhores serão as chances da pessoa ter uma melhor qualidade de vida. Hoje existem tratamentos relacionados à educação e terapias com função comportamental que trazem ótimos resultados.

3) Meu autismo não é sua culpa!

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Pessoas com autismo tem um transtorno heterogêneo do neurodesenvolvimento, com grande variação de manifestações cognitivas e comportamentais. Mas isso não tem relação com os seus cuidados em relação a mim.

4) Mantenha minha vacinação em dia

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Foto: Milton Michida / Governo do Estado de S. Paulo

Apesar de algumas pessoas acharem, o Autismo não é provocado por vacinações. Aliás, você deve manter minha vacinação em dia, como forma de proteção.

5) Eu consigo mais!

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Pessoas com autismo progridem sim. A chave para isso está no diagnóstico precoce e no tratamento adequado. Mas, leve em consideração as minhas particularidades e explore os meus potenciais por meio de uma intervenção multidisciplinar. Isso possibilita novos aprendizados e melhor prognóstico.

Bara enfoca que cada autista tem seus trejeitos e seu estilo de vida. “Alguns podem permanecer minimamente verbais e não conquistarem a independência. Enquanto outros se tornarão estudantes universitários, jovens adultos que vivem de forma independente. Mas todos eles precisam de atenção e carinho para uma vida mais tranquila”, finaliza o psicólogo.

Fonte: Cerne

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: mitos que atrapalham o tratamento

Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (Cerne) destaca a importância do atendimento precoce do transtorno

Neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2 de abril), o Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (Cerne) deseja contribuir para desfazer mitos que dificultam a identificação do espectro autista e seu tratamento.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a deficiência que mais afeta o neurodesenvolvimento em crianças. Os indicadores norte-americanos têm apontado um aumento na prevalência de casos, passando de 1 em cada 166 pessoas em 2002 para 1 em cada 59 pessoas em 2018. “Esses dados refletem a necessidade de se investir não apenas em pesquisas para descobrir suas causas, mas também em tratamentos que reduzam os sintomas”, salienta a psicóloga do Cerne especializada em TEA, Giulianna Kume.

Diante de um transtorno que vem aumentando significativamente, é imprescindível que a sociedade esteja mais informada para identificar precocemente os sintomas e desenvolver mecanismos de intervenção para que autistas possam participar ao máximo da vida em sociedade, possibilitando maior independência e autonomia.

Portanto, vamos desfazer esses quatro mitos:

1) O comportamento do autista é imutável.

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Mito: TEA é caracterizado por um déficit na comunicação e interação social, além de apresentar comportamentos restritos. Essas dificuldades afetam não apenas a plena participação da pessoa na sociedade, mas sobretudo o processo de aprendizagem. Atualmente, têm sido ofertados diversos tipos de terapias e tratamentos para minimizar o impacto do TEA na vida dos indivíduos.

2) Não há comprovação científica para o tratamento do autismo.

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Mito: a análise do comportamento aplicada (ABA) tem sido a terapia mais indicada e com maior comprovação científica de eficácia no tratamento do TEA. Ela consiste na aplicação dos princípios da ciência na análise do comportamento em contextos de intervenção social. Utiliza-se de procedimentos para aumentar e refinar o repertório comportamental.

3) É preciso esperar a criança crescer para iniciar o tratamento.

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Foto: Stocksnap/Pixabay

Mito: um fator importante no tratamento é a precocidade. Quanto antes for realizado o diagnóstico e a intervenção melhores são os resultados e a resposta da criança. Isso devido ao desenvolvimento neurológico, que permite maior aprendizagem, e aos atrasos menores em relação a indivíduos neurotípicos de mesma idade.

4) Crianças não respondem tão bem ao tratamento.

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Ilustração: clker-free pixabay

Errado: o modelo Denver é uma terapia com embasamento em ABA para intervenção precoce de crianças com TEA. É o tratamento com melhor taxa de resposta para crianças com idade de 12 a 60 meses. Em 2012, foi eleito pela revista Time uma das 10 maiores descobertas na área médica. Seu maior objetivo é ensinar a criança a partir do fortalecimento da interação social em jogos e brincadeiras, simulando um ambiente muito próximo ao natural.

Fonte: Cerne

 

Alerta aos pais: nem todo psicólogo tem capacitação para cuidar de alguém com autismo

Entenda a importância da especialização na área da Análise do Comportamento Aplicada no momento de buscar tratamento para a criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista)

É de conhecimento geral da população que um médico cardiologista, oftalmologista, ginecologista, ou de qualquer outra especialidade tenha formação nas áreas de atuação. Não basta ele apenas ser médico, precisa de uma pós-graduação, se aprofundar na técnica, teoria para depois buscar experiência na prática, para então, estar apto a atender na especialidade.

Você sabia que na psicologia funciona da mesma forma? Todo o profissional que deseja tratar de crianças autistas e aplicar a terapia chamada ABA (Análise do Comportamento Aplicada), deve passar por um curso de especialização, após a formação acadêmica na área.

Se estivéssemos diante de um conselho médico e fosse relatado que um paciente passou por uma cirurgia cardíaca realizada por um clínico geral a comoção, sem dúvida, seria generalizada. Na Psicologia, entretanto, isso tem se tornado comum e, o que é mais grave, com pacientes altamente vulneráveis e que necessitam do tratamento correto e intensivo para que possam ter um melhor prognóstico no futuro.

Infelizmente muitos profissionais de psicologia não seguem o importante pré-requisito e têm oferecido o tratamento em ABA, sem ao menos ter o conhecimento profundo na área. Motivo para os pais ficarem atentos. Afinal, entregam o bem mais preciso que são os filhos, para serem tratados da melhor maneira por um profissional capacitado.

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Atualmente, tem crescido no país o número de casos de crianças e adolescentes diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Por consequência, muitos pais têm procurado o tratamento a seus filhos e, muitas vezes, buscado judicialmente que o Estado ou planos de saúde custeiem o tratamento em ABA, prescrito pelo médico.

Com a demanda crescente para Analistas do Comportamento Aplicados ao campo do Autismo, e a ampla oferta de psicólogos no mercado, cada vez mais, profissionais que não possuem qualquer titulação de pós-graduação ou experiência comprovada de atuação sob supervisão em Análise do Comportamento Aplicada, atuam com ABA ao autismo.

“ABA é um Ciência aplicada do comportamento que pode ser utilizada para trazer soluções de problemas a fenômenos de relevância social, entre eles, o autismo. O clássico livro americano Applied Behavior Analysis de Cooper, Haron e Heward (2007), descreve cerca de 95 habilidades necessárias para a prática de tal profissional. Tais habilidades vão desde a realização de uma análise funcional apurada, passando por procedimentos de ensino e de mudança de comportamentos, até a forma de registro e avaliação de resultados. Portanto, o aprendizado de uma ciência além de complexo, tem de ser contínuo. A quem deseja atuar em uma ciência natural que se propõe a predizer comportamento e desenvolver repertórios comportamentais, cabe o enfrentamento de anos de estudo e dedicação que nunca devem se exaurir. Além disso, a atuação de modo competente é também resultado da experiência do profissional sob supervisão de um analista do comportamento experiente e esse quesito deve, também, ser considerado”, afirma a especialista em neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir, Renata Michel.

Nos Estados Unidos, país com maior número de analistas do comportamento do mundo, foi criado há cerca de 30 anos a certificação denominada BCBA (Behavior Analyst Certification Board). Para obter esse certificado é exigido mestrado, horas de experiência (cerca de 1500), e, ao final, aprovação em um exame. O título do BCBA é reconhecido internacionalmente e tais critérios evidenciam a especificidade de conhecimentos necessários ao Analista do Comportamento. A adoção de um critério similar na realidade do nosso país faz-se cada vez mais necessária.

Tendo isso em vista, associações como a ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental), ACBr (Associação Brasileira de Análise do Comportamento) e o Lahmiei (Laboratório de Aprendizagem Humana), inserido na estrutura administrativa do Departamento de Psicologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) recomendam na procura do Analista do Comportamento o nível de pós-graduação, o que pode mais claramente atestar sua qualificação profissional para atuação.

“Como se trata de uma ciência, com produção de conhecimento ininterrupta, é também necessário que o Analista de Comportamento se mantenha constantemente atualizado. A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é a base para os tratamentos mais indicados para o TEA, segundo a Organização Mundial de Saúde. As mudanças recorrentes no campo da Educação Especial, principalmente a partir da década de 90, através das políticas de inclusão, deveriam fazer com que todos os profissionais refletissem sobre suas práticas e buscassem capacitação. É condição Sine Qua Non que os governos apoiem tais profissionais e auxiliem e oportunizem essas capacitações, pois não existe inclusão sem especialização”, afirma a Profª Drª Giovana Escobal, vice-coordenadora do Instituto Lahmiei, da UFSCar.

Celso Goyos, cordenador do Instituto Lahmiei, da UFSCar, afirma: “O melhor tratamento para o TEA, baseado em ABA, implica em início precoce, duração mínima de dois anos, intensidade de 30 a 40 horas por semana, e supervisão de um analista de comportamento capacitado e experiente. O tratamento é altamente complexo e exige uma integração dos recursos, envolvendo aplicadores (técnicos e profissionais da área da saúde ou educação), escolas e pais, e exige a supervisão capacitada e experiente”.

Rosane Cardoso Lacerda, administradora de empresas, tem um filho de 6 anos, que é tratado pela abordagem ABA há três ano. Ela comenta que chegou a procurar por tratamento em vários locais, que diziam ter a especialização na área, mas que na verdade não possuíam habilitação. Ela decidiu, então, pesquisar a fundo, exigir comprovação até encontrar o lugar ideal para o tratamento do filho.

“O progresso no meu filho só se deu após ingressarmos no tratamento correto, em um local verdadeiramente especializado em ABA. Após isso, a evolução foi notória, tanto na postura dele, quanto na linguagem. Sem contar que ele adora as terapeutas, já criou um vínculo e afinidade por todo o carinho dedicado a ele ao longo do tempo”, afirma Rosane.

Por isso é importante que os pais estejam atentos. Procure apenas profissionais que tenham a especialização ou supervisão e um especialista em ABA. Dessa maneira, a evolução no tratamento da criança com TEA pode ser realmente vista nos resultados apresentados.

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Fontes:

– Renata Michel – especialista em Neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir
– Celso Goyos – Coordenador do Instituto LAHMIEI. Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos
– Giovana Escobal – Vice-coordenadora do Instituto LAHMIEI. Departamento de Psicologia, Universidade Federal de São Carlos

Autismo: atividades online e offline auxiliam no desenvolvimento cognitivo de crianças

Cada criança tem suas necessidades e características próprias, que devem ser respeitadas e compreendidas por todos ao seu redor. O pequeno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não foge dessa regra. Porém, antes de trabalhar temas como aceitação e inclusão, é necessário entender o que é o autismo.

O denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA), engloba diversos aspectos do desenvolvimento infantil, podendo se dar em maior ou menor grau. De acordo com Lílian Kuhn, em Autismo: O que é e quais são os sinais do TEA, existem três quadros clínicos que englobam o diagnóstico, são eles: autismo clássico (tipo mais conhecido, em que há um comprometimento nas áreas de interação, comportamento e linguagem, além de relevante déficit cognitivo), o Autismo de Alto funcionamento (ou Síndrome de Asperger: os portadores conseguem se expressar por meio da fala e são muito inteligentes, acima da média da população) e Distúrbio Global do Desenvolvimento (tem características do TEA, como alteração de interação e comportamento, mas não há um diagnóstico fechado).

Pais e cuidadores podem se atentar a alguns sintomas característicos que podem ser divididos da seguinte forma:

– Interação social: ausência ou baixa frequência de contato visual, sem interação espontânea com adultos e crianças.

– Comportamento: repetitivo, estereotipado (dar pulos, chacoalhar as mãos ou se balançar). Ter interesse restrito em temas e brinquedos específicos.

– Linguagem: ausência ou atraso significativo do desenvolvimento de linguagem oral (compreensão e expressão) e alteração em diversas habilidades linguísticas.

Entender o que é o TEA é também um primeiro passo para desmistificar o transtorno. Existem alguns mitos que permeiam os sintomas do autismo, inibindo a possibilidade de diagnósticos de pequenos que não apresentam claramente estes sintomas. Por isso a busca por especialistas é tão importante para adquirir informações confiáveis o mais cedo possível.

Uma das ferramentas que podem ser utilizadas em prol do desenvolvimento infantil, e que pode auxiliar no tratamento de crianças com autismo, é a tecnologia. ” Os vídeos e desenhos infantis, por serem atrativos aos pequenos, podem ser um meio de aproximar pais e filhos, desde que eles assistam juntos, comentando e compartilhando suas impressões sobre o conteúdo. Ou seja, os meios digitais, assim como outras brincadeiras, devem sempre promover momentos em família, de trocas, em que a relação interpessoal é privilegiada sempre”, explica Sarah Helena, formada em psicologia, curadora na PlayKids.

Já os livros continuam sendo uma ferramenta importante para explicar o significado de ser autista e todo o universo que permeia essa condição. “A literatura vem abordando o autismo de forma suave e compreensível para aqueles que se enquadram no espectro, para quem conhece ou até mesmo para quem nunca ouviu falar sobre o TEA. As obras destinadas à temática mostram as características presentes no autismo e apresentam formas de conviver com elas, destinadas a qualquer pessoa que tenha interesse sobre o assunto”, finaliza.

Em homenagem ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado hoje, 2 de abril, a PlayKids, uma das líderes globais em conteúdo educativo para as famílias, preparou uma lista de atividades para estimular os pequenos diagnosticados com TEA. A proposta também de apresentar o tema, para que todos pequenos e adultos entendam um pouquinho mais sobre o mundo azul. Confira:

Livros

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Na coleção Mundo Azul, criada pela Leiturinha, maior clube de assinaturas de livros infantis do Brasil, o tema autismo é abordado em todos os livros. No kit, os assinantes recebem os livros A Escova de Dentes Azul (do autor Marcos Mion) e O Menino Só (escrito por Andrea Viviana Taubman) que juntos auxiliam no entendimento e compreensão sobre o autismo, além de mostrar as características presentes no transtorno e apresentar formas de conviver em harmonia com os pequenos.

Atividades online

Hora de Escovar os dentes, ABC’s, conteúdo original da PlayKids

A maioria dos dentistas recomenda que todos deveriam escovar os dentes por pelo menos dois minutos, três vezes ao dia. Para algumas crianças pode ser difícil saber o equivalente a dois minutos. Essa música vai ajudar o pequeno a descobrir o quanto ele deve esperar enquanto escova os dentes junto com Junior.

Não sinto mais tanto medo assim, Eu Amo Aprender, conteúdo original da PlayKids

Ter medo do escuro é uma questão comum entre as crianças. Mesmo para o Theo, a tartaruguinha mais esperta que eu conheço, tem medo do escuro. Chamem as crianças para assistir como o Theo superou esse medo!

Quando eu Durmo, Eu Amo Aprender, conteúdo original da PlayKids

Dormir bem depois de um longo dia de aprendizado é uma das coisas mais importantes que você pode fazer para deixar seu cérebro saudável e feliz! Esse vídeo da PlayKids é o jeito perfeito de mostrar para as crianças todas as coisas maravilhosas que acontecem no seu corpo enquanto você dorme.

Informações: PlayKids / Leiturinha

 

 

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Experiência das crianças com instrumentos musicais mostrou melhorias na fala, na sociabilidade e no sistema motor

No dia 2 de abril, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data chama atenção para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), um conjunto de síndromes que se caracteriza por problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social da criança. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que, hoje, 70 milhões de pessoas no mundo possuem algum tipo de autismo; no Brasil, esse número chega a 2 milhões. Com causas ainda incertas, o TEA não possui cura, mas os pacientes podem ser reabilitados e tratados para que possam se adequar ao convívio social da melhor forma possível.

Entre as terapias, a música é uma das indicadas para auxiliar no desenvolvimento dos autistas. Segundo a terapeuta ocupacional, Dayane Sanches de Castro, do Grupo São Cristóvão Saúde, estudos mostram que a musicoterapia abre o canal de comunicação em diversos sentidos sensoriais, “além de auxiliar na atenção e autonomia, desenvolvendo suas habilidades de comunicação, cognitivas, motoras e sociais”, completa.

E  o Projeto Guri, maior programa sociocultural brasileiro mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, é um desses lugares procurados por responsáveis de crianças e jovens com TEA. O programa recebe jovens de 6 a 18 anos independentemente de qualquer deficiência, síndrome ou transtorno. Segundo pesquisa de perfil dos alunos, dos cerca de 47 mil alunos atendidos pelo Guri, 857 possuíam alguma deficiência. Destes, 8,4% têm algum tipo de Transtorno do Espectro Autista.

“O TEA apresenta uma multiplicidade de gradações. O que quer dizer que cada criança atingida pelo autismo tem características muito particulares que devem ser observadas pelos educadores para o seu melhor desempenho. É por esse motivo que contamos, na nossa equipe pedagógica, com alguns profissionais engajados com o tema”, pontua a gerente pedagógica da Amigos do Guri, Valéria Zeidan.

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A trajetória de Maria Clara Oliveira, 11 anos, mostra como a música pode auxiliar no processo de desenvolvimento. Filha única, Maria Clara teve dificuldades com a fala até os 9 anos. Após a investigação de vários profissionais de saúde, a mãe, Maria de Fátima Oliveira, recebeu o diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo. Foi a própria filha que se interessou pela música ao tomar conhecimento do Guri, mas a mãe acreditava que a dificuldade motora seria um impeditivo. Há um ano no Projeto, a aluna de violoncelo do Polo São Roque se esforça cada vez mais para avançar nos níveis de aprendizado.

“Faz pouco tempo que ela voltou a falar e ainda assim se comunica com todos no Guri, faz amizade. No começo, ela gritava na aula, era muito hiperativa e tímida. Agora, está centrada, disciplinada e se esforça cada vez mais por conta da dificuldade motora”, comemora Maria de Fátima.

O aluno João Vitor de Souza, 13 anos, foi diagnosticado com TEA aos 7 anos. Os pais encontraram na musicoterapia um apoio para o desenvolvimento do garoto, que sempre gostou de música, inclusive clássica, mas nunca suportou barulho. Mesmo com a resistência de João, os pais insistiram e incentivaram sua entrada no Projeto Guri.

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Hoje, ele estuda percussão no Polo Itararé. “Sinto que a música mudou sua autoestima, ele sente que está fazendo algo especial e eu o recordo sempre que esse desafio o torna corajoso para investir cada vez mais em seu potencial próprio”, conta a mãe, Márcia Jesus de Souza.

João se desenvolveu tanto que já faz parte de uma turma avançada. Socializa com os colegas e até ajuda quem está com dificuldade. O educador do adolescente, Alan Lessa, conta que o menino também o ensina: “Aprendo com ele em cada aula e dou mais atenção para que ele esteja no ritmo dos outros alunos e não desanime. Parte de seu aprendizado é muito rápida. Só preciso dar uma atenção maior na parte teórica e tentar mantê-lo sempre focado”, pontua o educador.

“É nas relações entre os diferentes que construímos nossa visão de mundo em sociedade. Ao longo de 22 anos de experiência, utilizando salas de ensino mistas, coletivas e inclusivas, percebemos o quanto é fundamental e saudável para o desenvolvimento humano equilibrado esta convivência”, analisa a gerente de Desenvolvimento Social da Amigos do Guri, Fabiola Formicola.

 

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Foto: Shutterstock

Projeto Guri

Mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o Projeto Guri é considerado o maior programa sociocultural brasileiro e oferece, nos períodos de contraturno escolar, cursos de iniciação musical, luteria, canto coral, tecnologia em música, instrumentos de cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados e percussão, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos. Mais de 49 mil alunos são atendidos por ano, em quase 400 polos de ensino, distribuídos por todo o estado de São Paulo. Os mais de 330 polos localizados no interior e litoral, incluindo os polos da Fundação CASA, são administrados pela Amigos do Guri, enquanto o controle dos polos da capital paulista e Grande São Paulo fica por conta de outra organização social. A gestão compartilhada do Projeto Guri atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural. Desde seu início, em 1995, o Projeto já atendeu cerca de 650 mil jovens na Grande São Paulo, interior e litoral.