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Tabaco prejudica a pele e faz fumante parecer mais velho

Existem condições dermatológicas causadas, associadas ou agravadas pelo tabagismo. “No contexto da saúde da pele, parar de fumar é fundamental para desacelerar o envelhecimento, minimizar complicações cirúrgicas e dermatológicas relacionadas ao tabagismo e melhorar as condições de saúde como um tudo, o que impacta diretamente no tecido cutâneo”, explica a dermatologista Paola Pomerantezeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Abaixo, a médica destaca as principais manifestações cutâneas do cigarro:

Dificuldade na cicatrização de feridas: o tabagismo demonstrou repetidamente ter efeitos deletérios na cicatrização de feridas cutâneas. “O cigarro tem sido associado a inúmeras complicações pós-operatórias, incluindo infecções de feridas. Quando são usados retalhos ou enxertos, os fumantes têm maior risco de necrose. Isso ocorre basicamente por três motivos: vasoconstrição, efeito pró-trombóticos e inflamação”, explica a médica. No caso da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui em 30-40% em poucos minutos após a inalação da fumaça, comprometendo a oxigenação dos tecidos e a cicatrização de feridas. “A nicotina aumenta a adesividade das plaquetas ao inibir a prostaciclina, levando à oclusão microvascular e isquemia do tecido. O tabaco também inibe a função das células endoteliais e dos fibroblastos, a atividade do óxido nítrico, a produção do fator de crescimento endotelial vascular e a síntese de colágeno, tudo isso com impacto direto na cicatrização”, destaca.

Aparecimento de rugas e aceleração do envelhecimento da pele: a associação entre tabagismo e rugas foi estabelecida há muito tempo. “As características clínicas de um ‘rosto de fumante’ foram descritas em estudos e incluem: rugas faciais proeminentes, proeminência dos contornos ósseos subjacentes, pele seca e vermelha. As mulheres, segundo estudos, parecem ser mais suscetíveis aos efeitos de enrugamento causado pelo fumo do que os homens. O tabagismo é um fator de risco independente para as rugas, entretanto, a exposição ao sol tem um efeito sinérgico que potencializa o envelhecimento da pele”, explica Paola. “Os mecanismos de influência do cigarro nas rugas incluem a degradação da elastina da pele (mesmo quando não exposta ao sol), o aumento de espécies reativas de oxigênio, que estão implicadas no envelhecimento acelerado da pele, e também de metaloproteinases da matriz, que são enzimas que levam à degradação do colágeno, fibras elásticas e proteoglicanos”, explica a médica.

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Distúrbios orais e mucocutâneos: o tabaco tem se mostrado um fator de risco independente para o carcinoma epidermoide oral, o câncer que se desenvolve na boca. Fumar está associado à melanose do fumante, hiperpigmentação gengival devido ao aumento da melanina na camada basal da epiderme, além de gengivite, periodontite e erosões palatinas dolorosas. “O hábito de fumar também contribui para as rugas labiais, na medida em que ajuda a quebrar a fibra de sustentação e o colágeno da pele, ocasionando o aparecimento do código de barras.”

Doenças de unhas e cabelos: fumar tem sido associado a vários distúrbios do cabelo e das unhas, como alopecia androgenética, cabelo grisalho prematuro, unhas de fumante e pelos faciais descoloridos. “O cigarro basicamente prejudica a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação e aporte de nutrientes de tecidos periféricos, incluindo a pele, unhas e cabelo. As substâncias tóxicas do cigarro também levam a um quadro altamente inflamatório, sensibilizando a região que pode sofrer com irritação, dermatite seborreica, afinamento, quebra dos fios e queda capilar”, explica.

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Hidradenite supurativa: conhecida como acne inversa, essa condição de pele ocorre com mais frequência em fumantes. “Geralmente confundida com furúnculos ou espinhas grandes, a hidradenite supurativa é uma inflamação crônica da pele que se caracteriza pelo surgimento de inchaços e cistos profundos em regiões como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos, que liberam secreção purulenta e causam desconforto e dor”, explica a Dra. Paola Pomerantzeff. “O mecanismo dessa associação ainda não está claro, mas foi sugerido que a nicotina altera a função das células imunológicas e hiperplasia epidérmica, levando à oclusão e ruptura dos folículos pilosos”, explica.

Psoríase: fumantes apresentam risco aumentado de desenvolver psoríase e apresentam taxas mais baixas de melhora clínica com o tratamento. “Nessa doença autoimune comum, o corpo reconhece uma proteína normal da pele como anormal e tenta se livrar dela fazendo a pele descamar. Isso resulta em placas grandes, espessas e escamosas que racham e sangram, e podem ser dolorosas e apresentar coceira”, diz a dermatologista. As áreas de impacto podem variar, mas algumas das mais sensíveis são o couro cabeludo, rosto, genitais e unhas. “Pacientes que fumam têm maior probabilidade de apresentar maior gravidade da doença. A pustulose palmoplantar, uma variante da psoríase, demonstrou ter uma associação mais forte com o tabagismo”, explica.

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Lúpus: o desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico, bem como o aumento da gravidade da doença, tem sido associado ao tabagismo. “Além disso, o cigarro prejudica demais o tratamento da doença, interferindo diretamente na efetividade dos medicamentos”, afirma.

Desordens vasculares: Doença de Buerger (tromboangeíte obliterante), uma doença oclusiva segmentar não aterosclerótica que afeta várias extremidades, está fortemente associada ao tabagismo. “Nessa doença, os sintomas são os mesmos da redução do fluxo de sangue nas extremidades: sensação de frio, dormência, formigamento ou ardor. É mais comumente visto em homens com idade entre 20 e 40 anos que fumam muito”, diz Paola.

Dermatite: o tabagismo demonstrou ter uma associação significativa com eczema ativo nas mãos. Os cigarros são um fator de risco conhecido para dermatite de contato alérgica. “Vários alérgenos potenciais de cigarros podem ser encontrados em filtros, papel e tabaco. Vários relatórios documentaram dermatite de contato irritante e alérgica ao adesivo de nicotina em alguns pacientes que tentaram parar de fumar.”

Câncer de pele: apesar da presença de vários carcinógenos na fumaça do tabaco, a relação entre o tabagismo e o câncer de pele permanece controversa. “Parece haver uma correlação entre maços por dia e anos de tabagismo com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas, principalmente em mulheres. Mas, mais estudos precisam ser realizados para avaliar o papel do tabagismo no desenvolvimento do câncer de pele. O que se sabe é que a falta de nutrição das células da pele pode prejudicar sua imunidade, o que a deixa mais suscetível aos danos ambientais do sol”, explica a médica. Não existe evidência conclusiva que associe o tabagismo a um risco aumentado de melanoma. “De qualquer maneira, parar de fumar ajudará e melhorar diversas condições de pele”, finaliza a médica.

Cigarro provoca rugas precoces e fumantes aparentam ter dois anos a mais

Cigarro acelera envelhecimento da pele e nicotina estimula o estresse oxidativo, libera mensageiros pró-inflamatórios, que prejudicam a função de barreira da pele, e compromete a hidratação

O cigarro figura entre os principais vilões de nossa saúde e com relação à pele não é diferente. “Ao fumarmos um cigarro ocorre, por exemplo, a vasoconstrição periférica, o que diminui o fluxo sanguíneo que é responsável por nutrir o tecido cutâneo. Como consequência desta diminuição de oxigenação e nutrição, nossa pele perde a luminosidade e torna-se amarelada e mais flácida com o passar do tempo”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

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“O fumo também causa uma série de manifestações cutâneas de forma que fumantes aparentam ter dois anos a mais do que suas idades reais, segundo pesquisa”, completa a médica. “O consumo de cigarro induz ao envelhecimento, já que as substâncias tóxicas presentes estão associadas à vasoconstrição periférica por um período de dez minutos, o que diminui o fluxo sanguíneo para o tecido cutâneo e cabelos. Isso traz consequências na perda da viço e luminosidade da pele além de favorecer o amarelamento do tecido; também há uma perda de firmeza por conta da oxigenação e nutrição diminuídas”, afirma Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com a especialista, o tabagismo é associado ao comprometimento da permeabilidade epidermal, ou seja, da primeira camada da pele. “E isso contribui para um aumento da prevalência de desordens cutâneas, uma vez que a nicotina – que é somente uma das substâncias tóxicas presentes no cigarro – estimula o estresse oxidativo e libera mensageiros que vão causar inflamação na pele e prejudicar a função da barreira. Isso compromete a hidratação e favorece o aparecimento de rugas e flacidez”, conta Roberta. Os efeitos do fumo no envelhecimento foram avaliados no norte da Finlândia, onde os danos cumulativos da exposição solar são baixos.

O cigarro também é responsável por causar a deterioração acelerada das fibras de colágeno e elastina responsáveis por conferir sustentação à pele, visto que a nicotina, princípio ativo do tabaco que compõe o cigarro, percorre pelo sangue até a parte interna do tecido cutâneo, lesando estas fibras elásticas da pele. “Dessa forma, a pele adquire um aspecto acinzentado, sem brilho, com a presença de rugas e vincos na região dos olhos e numerosas linhas de expressão na bochecha e mandíbula. Além disso, há a perda do contorno facial, o que culmina em olheiras profundas, sulcos mais proeminentes, mandíbula sem definição e maçãs do rosto caídas”, alerta Roberta Padovan.

A influência do tabaco sobre a saúde de nossa pele é tamanha que, segundo pesquisa realizada Santa Casa de São Paulo, as rugas em fumantes são 38% mais evidentes do que em não fumantes, sendo então o cigarro tão ou mais prejudicial para a pele do que a exposição solar prolongada sem proteção. “Além dos aspectos estéticos, o cigarro também é um fator de risco para certos tipos de câncer de pele, visto que provoca mutações no DNA das células que compõem o tecido cutâneo”, acrescenta a médica.

Roberta sugere que fumantes, além de buscar reduzir o consumo do cigarro, devem procurar um médico para reforçar os cuidados com a pele, a fim de diminuir os danos causados pelo cigarro. “Existem diversos tratamentos para recuperar o contorno facial, como preenchimentos injetáveis, além de lasers e radiofrequência microagulhada para melhorar a qualidade da pele”, diz.

Um dos tratamentos mais indicados para rejuvenescer a pele de fumante é o Pico Ultra 300, no modo de tratamento ultrafracionado. Segundo Letícia, diferente dos outros lasers de picossegundos, é possível com o comprimento de onda 532nm eliminar os sinais de fotodano e envelhecimento: “Além das hiperpigmentação, o envelhecimento ocorre pela desnaturação e redução de fibras elásticas e colágenas, então Pico Ultra 300 promove uma reorganização dessas fibras, além de aumento da produção dessas proteínas de sustentação da pele”.

A grande vantagem, segundo a médica, é o rejuvenescimento sem downtime ou com mínimo incômodo por pouco tempo. “Hoje as pessoas não querem e não tem tempo para ficar vermelhas ou descamando em casa. Além disso, o tratamento não dói, mas ainda é possível aplicar anestésico tópico antes para pessoas mais sensíveis”, conta. No geral, são feitas três sessões, sendo uma a cada 30 dias, mas podem ser feitas mais vezes, dependendo da indicação.

Outra opção para renovar o colágeno da pele, consumido pelos anos de vício, é o ultrassom microfocado, capaz de combater a flacidez e devolver firmeza à pele. “As ondas de ultrassom fazem micropontos de coagulação sob a pele para tonificar o tecido cutâneo, estimular a produção de colágeno e conferir efeito lifting, o que dá fim à flacidez presente na área tratada”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

“As sessões são rápidas, com o tempo de duração variando de acordo com o local de aplicação e a quantidade de áreas tratadas. No geral, cada sessão facial dura entre 15 e 40 minutos”, afirma a cirurgiã plástica. Já é possível ver melhora significativa após a primeira sessão e os resultados continuam a aparecer durante os três meses seguintes.

Confira cinco alimentos que ajudam a parar de fumar

No Dia Mundial sem Tabaco, a Bio Mundo separou algumas opções saudáveis que podem ajudar na luta contra o vício

Para de fumar certamente é um ato difícil para muitas pessoas. Isso ocorre porque o vício já está relacionado à rotina, por exemplo, no consumo de café, ansiedade e ao humor. E, em tempos de pandemia, isso pode aumentar. Porém, a prática não traz à saúde nenhum benefício e pode ser responsável por diversos tipos de cânceres e doenças cardíacas e pulmonares.

No processo de parar de fumar, o primeiro passo é reconhecer os estímulos que levam à prática. A cafeína, por exemplo, faz com que a pessoa se sinta mais ansiosa, pois é um ingrediente estimulante, e as substâncias viciantes da nicotina do cigarro liberam no corpo uma sensação incrível de prazer. Para controlar a vontade e a ansiedade, a inserção de atividades físicas e o consumo de uma alimentação equilibrada são grandes aliados nessa batalha.

Para contribuir com a data que visa o controle do tabagismo, a partir da conscientização dos malefícios, a Bio Mundo, franquia de alimentos naturais e saudáveis, separou opções de alimentos e bebidas para quem deseja largar a dependência de forma mais tranquila e natural.

Chá de ervas

Foto: Rickyy Sanne/Morguefile

Além de ser uma bebida natural à base de água, os chás são calmantes e uma boa opção para substituir o café. A grande dica é realmente tirar da dieta bebidas que contenham cafeína, substância que aumenta o desejo pelo cigarro, diminuindo a ansiedade. Fatores que estão diretamente ligados à vontade de fumar.

Laranja: um dos principais alimentos para largar o cigarro

O cigarro causa uma grande perda de nutrientes, entre eles a vitamina C, e o fazer a reposição dessa vitamina por meio da ingestão da fruta, o fumante sente menos vontade do cigarro. Isso ocorre pois, ao perder os nutrientes e as vitaminas, o corpo costuma buscá-los em elementos da nicotina, o que causa severa dependência. Com o consumo de laranja, a vitamina C retorna ao organismo, que passa a sentir menos falta do fumo.

Óleo de linhaça

Rico em ômega 3, o óleo de linhaça estimula a liberação da serotonina, hormônio responsável por equilibrar o humor, fator importante para quem quer parar de fumar. Além da substância estar relacionada a perda de peso, já que ao parar de fumar algumas pessoas notam o ganho de calorias.

Castanha-do-pará

Pixabay

A castanha-do-pará é rica em selênio, mineral com alto poder antioxidante que auxilia na prevenção de doenças e no fortalecimento do sistema imunológico, além de estar ligado a melhora do humor. Com o consumo de poucas unidades ao dia já é possível atingir a recomendação diária de nutrientes, que contribuem também na melhora do cansaço, tristeza e ansiedade.

Leite

Um copo de leite também pode ser um grande aliado nessa luta. Pesquisas confirmam que tanto o leite quanto os seus derivados, como queijo ou iogurte,ajudam a eliminar a nicotina do organismo do fumante, e também alteram o sabor do cigarro,

Fonte: Bio Mundo

Tabagismo aumenta riscos de câncer de boca e de contaminação e agravamento da Covid 19

Especialista alerta sobre o uso de novos tipos de cigarros de uso compartilhado como o narguilé e o cigarro eletrônico

Os brasileiros passaram a consumir mais cigarro durante a pandemia da Covid-19. De acordo com pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), feita em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade Estadual de Campinas, cerca de 34% dos que se declararam fumantes passaram a consumir mais cigarros por dia durante o período de isolamento social.

Os fumantes também podem ficar ainda mais expostos ao contágio pelo coronavírus, já que o constante manuseio do cigarro com as mãos e o possível contato com a boca, além da necessidade de tirar a máscara para fumar, podem aumentar a possibilidade de contágio pelo vírus. Além disso, o estudo publicado no dia 29 de dezembro pelo periódico Thorax, com mais de 2,4 milhões de participantes no Reino Unido, indica que os fumantes eram 14% mais propensos a terem sintomas clássicos e evidentes da Covid-19 (tosse persistente, falta de ar e febre) do que os não fumantes.

Ely Pineiro/Getty Images

Diante desse número preocupante, campanhas de conscientização sobre os riscos do cigarro e do tabagismo para a saúde, principalmente durante a pandemia, passaram a ganhar mais relevância e devem pautar o Dia Mundial do Combate ao Fumo, celebrado hoje, 31 de maio. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), cerca de 443 pessoas morrem por dia por causa do tabagismo.

A pneumologista Fernanda Miranda, que atende no Órion Complex, alerta que não existe alternativa saudável para a prática do tabagismo. “Os cigarros eletrônicos, que são apresentados como uma alternativa ao fumo, são também compostos por nicotina e causam dependência da mesma maneira. Outro que pode ser tão ou até mais prejudicial para a saúde é o narguilé. Cada sessão deste instrumento corresponde a 100 cigarros fumados”, detalha Fernanda Miranda. Além disso, o compartilhamento de narguilés é um fator muito preocupante pois também pode contribuir para a disseminação do vírus.

A pneumologista alerta que o cigarro pode causar mais de 50 doenças e, do ponto de vista pulmonar, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e o câncer de pulmão são as mais frequentes. Esta última neoplasia teve a terceira maior incidência entre homens em 2020, segundo o INCA, com quase 18 mil ocorrências (7,9% dos novos casos) e foi a quarta com mais incidência entre as mulheres, com mais 12 mil casos (5,6%).

Combate ao tabagismo

De acordo com a pneumologista, apesar das campanhas e das restrições impostas aos fumantes, principalmente em espaços públicos, ainda há pessoas que começam a fumar por curiosidade, principalmente os mais jovens. “Depois disso, muitos fumantes encontram dificuldades em parar de fumar pelo fato de a nicotina ser uma droga com alto poder de levar à dependência química. Ela atua no cérebro e quanto mais se usa, mais difícil é de se deixar o vício”, destaca a especialista.

Ações feitas pelo Ministério da Saúde têm contribuído para o controle em relação ao fumo. Uma delas é o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), por meio do INCA, que busca reduzir a prevalência de fumantes e a mortalidade relacionada ao uso de tabaco por meio de ações educativas e de atenção à saúde. Segundo Miranda, essas ações são importantes para que o país continue sua busca por reduzir ainda mais os números relacionados ao tabagismo.

Ela ainda ressalta que a ajuda multiprofissional formada por médicos e terapeutas pode ser eficaz para o tratamento contra o fumo. “O suporte psicológico, terapia cognitivo comportamental e tratamento medicamentoso são importantes aliados no tratamento do tabagismo”, destaca Miranda.

As ameaças disfarçadas do tabagismo para a sua saúde bucal

70% das pessoas com câncer de boca fumam e o problema não está só no cigarro industrializado

Maio é o mês marcado pela luta contra o fumo, graças ao Dia Mundial sem Tabaco (31/5). Essa é uma das principais datas no calendário da Saúde e da Odontologia, uma vez que o tabagismo aumenta e muito o risco de câncer de boca, um dos tipos mais comuns entre fumantes – 70% das pessoas com câncer de boca fumam, revela o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Diante desse cenário, o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp) faz um alerta para os ‘novos cigarros’, opções mais atraentes do que o industrializado, mas que escondem grandes perigos. São os narguilés, os vapes – cigarros eletrônicos – e até as versões disfarçadas de naturais, com camomila, sálvia, jasmim ou essências de sabor, em que o próprio fumante prepara o cigarro.

“Não existe consumo seguro de tabaco. Se tem tabaco, sempre tem o risco, pois são as substâncias que estão nele que prejudicam a saúde bucal e, consequentemente, o corpo em geral. Nicotina, alcatrão, monóxido de carbono e até a fumaça e o calor geram danos à mucosa da boca”, avisa a cirurgiã-dentista Silmara Regina da Silva, integrante da Câmara Técnica de Estomatologia do Crosp.

São poucos os estudos que abordam os diferentes formatos, mas já se sabe, por exemplo, que “uma hora de cigarro eletrônico equivale a 10 cigarros convencionais fumados”, explica o presidente da mesma Câmara Técnica do Crosp, Fábio de Abreu Alves. A comparação é importante, pois as versões eletrônicas chamam a atenção por emitir menos fumaça e pela discrição, já a ameaça está na alta concentração de nicotina, provocando a dependência de forma mais intensa.

Mas, até o surgimento de problemas, existe um caminho: dos menos graves, como manchas nos dentes e doenças periodontais, ou seja, que afetam os tecidos de suporte, levando, muitas vezes, à perda de dentes e ao insucesso dos implantes dentários; até os de maior complexidade, sendo o câncer de boca o mais preocupante. Ainda segundo o Inca, a estimativa é de que 15 mil pessoas tenham desenvolvido a doença em 2020 no Brasil, além das mais de 6,6 mil mortes registradas em 2019.

Esse percurso do tabagismo no corpo é silencioso e aumenta em até oito vezes o risco de uma pessoa desenvolver câncer de boca em relação a quem não fuma. “A doença é mais comum a partir dos 40 anos porque o tempo e a quantidade ingerida são fatores que influenciam. Mas, dependendo da suscetibilidade da pessoa, uma quantidade pequena já pode desencadear o câncer”, afirma Silmara. “Os sinais surgem em feridas que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas vermelhas ou esbranquiçadas e nódulos (caroços) em qualquer região da boca: língua, gengiva, bochecha ou palato (céu da boca), por exemplo. Ao notar um desses sintomas, é preciso procurar imediatamente por um serviço de Saúde”, enfatiza.

Por não existir consumo seguro, também não há meios de prevenir os efeitos do cigarro na cavidade oral. “Nenhum cuidado com higiene bucal pode evitar os riscos trazidos pelo tabaco. Contudo, bons hábitos como a correta higienização, o consumo de frutas e vegetais e a periodicidade das consultas com o cirurgião-dentista são fundamentais para fazer o diagnóstico precoce e tratamento das possíveis alterações”, conta Silmara.

Alves recomenda que as visitas dos fumantes ao consultório sejam de duas a três vezes por ano. “O câncer de boca na fase inicial, em geral, não tem sintomas, por isso é tão importante a avaliação da cavidade oral por exames odontológicos. O diagnóstico precoce oferece 90% de chance de cura. No diagnóstico tardio, essa chance diminui para 50%”.

O enfrentamento à dependência

O tabagismo é uma doença crônica de dependência química da nicotina, presente no tabaco, e faz parte do grupo de transtornos mentais e comportamentais pelo uso de substância psicoativa, conforme a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10).

“O Brasil é o segundo país no mundo, depois da Turquia, a promover um modelo exitoso de implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (primeiro tratado internacional de saúde pública, assinado e ratificado por 181 países), um conjunto de medidas que permite o enfrentamento ao tabagismo. Isso possibilitou uma queda significativa na prevalência da doença, mas há muito a ser feito”, fala a coordenadora Estadual do Programa Nacional de Controle de Tabagismo de São Paulo, pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), e integrante da Comissão de Políticas Públicas do Crosp, Sandra Marques.

No ano passado, com o desafio da pandemia do novo coronavírus e o agravamento das condições de saúde mental, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a campanha Comprometa-se a parar de fumar durante a Covid-19 para o Dia Mundial sem Tabaco de 2021. “O cirurgião-dentista tem papel fundamental na estratégia de ampliação das ações de enfrentamento ao tabagismo e integralidade do cuidado. Assumir esse protagonismo perante um grave problema de saúde pública nos remete à concepção do papel que exercemos enquanto profissionais de Saúde. Precisamos desmistificar a dependência química e entendê-la como patologia para tratá-la”, completa.

Dia Mundial Sem Tabaco: cigarro compromete circulação e aumenta risco de trombose e câncer

Além disso, a nicotina diminui a espessura dos vasos sanguíneos e o monóxido de carbono reduz a concentração de oxigênio no sangue

Mais de 4.000 compostos químicos (muitos deles tóxicos), incluindo a nicotina, o monóxido de carbono, a acroleína e outros oxidantes: essa é a composição da fumaça de cigarro, cuja exposição constante induz a múltiplos efeitos patológicos no organismo, causados pelo estresse oxidativo das células.

“Os efeitos adversos do cigarro são muitos e, no caso da saúde das veias, o fumo também afeta principalmente a circulação e isso favorece o aparecimento de processos de trombose (com entupimento dos vasos e que pode levar à morte), principalmente quando associado a fatores de risco”, afirma a cirurgiã vascular e angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Por conta de todas as doenças associadas, o tabagismo é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de morte evitável no mundo.

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Normalmente relacionado ao aumento da probabilidade de desenvolver infarto, o cigarro também pode causar problemas circulatórios como arteriosclerose (envolvendo as artérias da perna) e tromboangeite obliterante – distúrbio que afeta as extremidades do corpo. “Em ambos os casos, há riscos de ter de amputar o membro (como pernas, pés e mãos)”, explica.

A médica enfatiza que a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos. “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, afirma a médica.

A trombose é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um ‘trombo’, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue. Os principais fatores de risco são: dor na perna, obesidade, uso de hormônios (pílula anticoncepcional), portadores de qualquer tipo de câncer, portadores de Trombofilias (doença do sangue que deixa maior predisposição a coagulação sanguínea) e qualquer condição que aumente a imobilização (gesso, deficientes físicos, fraturas), gestantes e idosos.

Alguns estudos também sugerem que a exposição à fumaça do cigarro resulta na ativação das plaquetas e estimulação da cascata de coagulação, por isso há um aumento na incidência de trombose arterial em fumantes. “Ao mesmo tempo, as propriedades anticoagulantes naturais são significativamente diminuídas”, comenta.

Outra complicação do cigarro é que o ele dificulta o importante papel do sangue no processo de cicatrização, após cirurgias e procedimentos. “O vaso mais estreito tem um fluxo menor de sangue e o suprimento de oxigênio aos tecidos é afetado. Isso dificulta a cicatrização e pode causar até necrose de pele. Várias substâncias no cigarro dificultam a formação de fibroblastos, células ligadas ao processo cicatricial”, comenta.

A angiologista alerta que, para os fumantes, o acompanhamento médico é fundamental para impedir que as doenças apareçam ou progridam.

É possível parar de fumar mesmo durante a pandemia

O consumo de cigarros aumentou durante a pandemia. E a dependência química causada pela nicotina pode provocar sofrimento para fumantes que desejam parar, mas a busca por conselho profissional e tratamento ajudam a vencer a batalha

Ansiedade, depressão e tristeza são algumas das causas apresentadas por pessoas que aumentaram o consumo de cigarro durante a pandemia. A batalha travada por fumantes que querem parar de fumar parece ser ainda mais árdua quando se pensa em todas as privações que população tem passado.

Uma pesquisa de comportamento na pandemia da Fundação Oswaldo Cruz, realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas em 2020, mostrou que 34% dos fumantes aumentaram a quantidade de cigarros. Desses, 6,4% aumentaram 5 cigarros ou menos, 22,5% aumentaram cerca de 10 cigarros e 5,1% aumentaram 20 cigarros ou mais. Entre as mulheres, o percentual de aumento de cerca de 10 cigarros por dia (29%) foi maior do que o percentual entre os homens (17%). No total da população, cerca de 12% são fumantes.

Segundo o oncologista torácico Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas, o tabagismo é um importante fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, doenças respiratórias, diabetes e, o mais grave, câncer de pulmão. “A maioria dos pacientes diagnosticados com a doença é ou já foi fumante. Quem fuma também é mais vulnerável a desenvolver um quadro grave da Covid-19, uma vez que têm o pulmão mais comprometido”, diz o médico.

Portanto, parar de fumar é uma batalha que pode e deve ser vencida – mas não sem ajuda. A nicotina é considerada droga e pode levar a dependência química. “Quando a pessoa resolve parar, sofre desconfortos físicos e psicológicos que podem trazer sofrimento. Por isso, é importante procurar ajuda profissional e não julgar ou desencorajar quem está passando pelo problema”, afirma o oncologista.

Campanha da OMS para 2021

Para ajudar quem deseja parar, a Organização Mundial da Saúde lançou no dia 8 de dezembro de 2020 uma campanha mundial com duração de um ano para o Dia Mundial Sem Tabaco de 2021 – intitulada “Comprometa-se a parar de fumar durante a COVID-19”. Um canal exclusivo via WhatsApp (Quit Challenge) e a publicação 101 razões para parar de fumarforam criados para dar início a campanha. “Fumar mata oito milhões de pessoas por ano, mas se as pessoas precisarem de mais motivação para largar o vício, a pandemia fornece o incentivo certo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

SUS oferece tratamento para quem quer parar de fumar

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde e nos Hospitais. O órgão do Ministério da Saúde responsável pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) e pela articulação da rede de tratamento do tabagismo no SUS, em parceria com estados e municípios e Distrito Federal é o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). O tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa juntamente com a abordagem intensiva.

Algumas instituições privadas também oferecem programas de cessação do tabagismo. Um exemplo é o Grupo Oncoclínicas, com o apoio do Instituto Oncoclínicas, que vem conduzindo um amplo programa para pacientes e colaboradores.

Novas diretrizes de rastreamento de câncer de pulmão em 2021

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) atualizou as recomendações para detecção precoce do câncer de pulmão. No documento publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 2021, a orientação é de ampliar o grupo de pessoas que deve fazer exames anuais para a doença. O foco ainda está em fumantes, mas agora ainda mais jovens e que consomem menos cigarro, o que pode ajudar no diagnóstico precoce.

Fumantes, ou pessoas que pararam a menos de 15 anos, entre 50 – 80 anos que consumiram um maço de cigarro por dia durante um ano ou o equivalente a isso, devem fazer anualmente uma tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. (Antes eram fumantes com 30 “anos-maço” e com idade entre 55 e 80 anos).

“O câncer de pulmão é uma doença com alto índice de letalidade por causa da rápida evolução, se comparada com outros tipos de câncer e pelo diagnóstico que, na maioria dos casos, só acontece quando a doença já está em estágio avançado. A pandemia causada pelo novo coronavírus pode agravar ainda mais essa situação ao provocar um atraso em consultas e realização de exames que, para o câncer de pulmão, pode significar chances bem menores de cura” alerta Ferreira.

Mês da família: campanha arrecada doações em prol de crianças e adolescentes com câncer

Instituto Ronald McDonald busca aumentar as chances de cura do câncer infantojuvenil no Brasil aos mesmos patamares dos países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)

No mês de maio é celebrado o Dia Internacional da Família (15), e para reconhecer o valor da instituição familiar e ajudar tantas famílias que lutam pela vida dos seus filhos em tratamento oncológico, o Instituto Ronald McDonald está promovendo uma campanha de arrecadação online. A instituição sem fins lucrativos, que há 22 anos atua para aproximar famílias da cura do câncer infantojuvenil no Brasil, pede apoio de toda a sociedade para manter seus projetos e ajudar crianças e adolescentes com câncer, que apresentam um quadro de imunidade muito frágil devido ao tratamento oncológico, sendo mais um perfil no grupo de risco da Covid-19.

“Sem a ajuda que recebemos, nem sei se teria minha filha comigo hoje. O sonho dela é ser curada do câncer. Depois que isso tudo passar e quando ela crescer, Júlia será modelo e estilista. E eu tenho certeza que ela vai realizar todos esses sonhos”. Esse é o relato emocionado de Milene Pereira, mãe da pequena Julia Moreno Faria, de 13 anos, que desde os primeiros meses de vida luta contra o câncer. Julia é uma das crianças que integra as famílias auxiliadas através de doações e projetos do Instituto Ronald McDonald.

Vicente Nascimento e o filho Antônio, de 13 anos, hóspedes da Casa Ronald McDonald Belém

No Brasil, o câncer é a doença que mais mata na faixa etária de 1 a 19 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inca. A cada hora, no país, surge um novo caso em crianças e adolescentes. No atual cenário da pandemia da Covid-19, o dado se torna ainda mais alarmante, visto que pacientes oncológicos costumam apresentar imunossupressão, seja pela própria doença, seja pelo tratamento, o que os tornam mais suscetíveis a infecções, e não podem interromper o tratamento oncológico.

Devido ao contexto mundial, o Instituto Ronald McDonald realizou em 2020 uma revisão estratégica, e suspendeu a grade de eventos presenciais de arrecadação prevista, principal fonte de doações da instituição. A suspensão resultou em uma queda nas receitas. Mesmo com esse cenário, a organização sem fins lucrativos impactou, só no ano passado, de 154 mil crianças e adolescentes e seus familiares, através de 78 projetos apoiados em 17 Estados e o Distrito Federal no Brasil.

Em 22 anos de história na oncologia pediátrica do Brasil, o Instituto Ronald já investiu mais de R$ 341 milhões mudando a vida de milhares de famílias que lutam pelas vidas de seus filhos. A organização já apoiou 1.624 projetos de mais de 100 instituições de todo o país.

“Ao longo desses 22 anos de história, o Instituto investiu em diversos programas com o objetivo de promover saúde e qualidade de vida de crianças e adolescente com câncer antes, durante e após o tratamento. Mas nada disso teria sido possível sem a parceria e auxílio de voluntários, parceiros e amigos da causa, que através da dedicação incansável, se doaram para mudar a realidade e futuro de milhares de famílias. Mas agora, temos mais um desafio, enfrentar a pandemia do Coronavírus e mais do que nunca precisamos de doações”, solicita o superintendente do Instituto Ronald McDonald, Francisco Neves.

Os recursos arrecadados serão investidos na causa da oncologia pediátrica. Para doar, basta clicar aqui.

Médico explica tratamento pelo qual Rita Lee vai passar após diagnóstico de câncer de pulmão

Câncer de pulmão: imunoterapia e terapias avançadas estão revolucionando o combate à doença; tratamentos baseados no conceito de oncologia de precisão, cirurgias minimamente invasivas e programa antitabagismo estão entre as grandes aliadas para qualidade de vida dos pacientes

Rita Lee, um dos ícones do rock brasileiro e uma das mais queridas cantoras do país, descobriu um tumor no pulmão esquerdo. Ela, que está com 73 anos, passava por exames de rotina no Hospital Israelita Albert Einstein. No Instagram, a equipe da cantora postou sobre o assunto e acrescentou: “Ela já se encontra em casa e dará sequência aos tratamentos de imuno e radioterapia”.

Rita Lee fotografada em casa pelo marido, Roberto de Carvalho. Reprodução Instagram

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, ao ano, mais de 30 mil brasileiros são diagnosticados com câncer de pulmão, fazendo com que o tumor esteja entre os líderes em volume de incidência no país – cerca de 13% de todos os casos registrados. E cabe a ele mais um título pouco valoroso: o de doença oncológica que mais mata todos os anos. O levantamento mais recente sobre esses índices no Brasil, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer (2019), indica 29.354 mortes em decorrência dessa neoplasia maligna a cada 12 meses.

Contudo, há boas notícias que devem promover a melhora desse cenário: graças ao avanço proporcionado pelas pesquisas científicas nos últimos anos, os tumores de pulmão atualmente contam com um arsenal poderoso, que, somados à quimioterapia, radioterapia e outras condutas de cuidado, tem revolucionando o combate a esse tipo de câncer. Entre as mais recentes, a imunoterapia – que ativa o sistema imunológico por meio de uma combinação de medicamentos biológicos avançados – é apontada como uma aliada valiosa e eficaz em muitos casos, podendo ser combinada ou não a outras alternativas terapêuticas.

O tratamento recebeu dedicatória do Prêmio Nobel de Medicina em 2018 e, desde então, se estabeleceu como caminho importante para pacientes com Câncer de Pulmão, inclusive aqueles que apresentam metástases, por seu potencial de ação em tumores mais complexos, com um acúmulo de mutações genômicas alto. Dados apresentados na Associação Americana de Pesquisa do Câncer, em Chicago, no mesmo ano, já mostravam a Imunoterapia como a responsável por maior qualidade de vida e probabilidade de sobrevivência, modificando de forma imediata as práticas médicas no tratamento de algumas formas da doença desde então.

“Essa prática terapêutica vem apresentando resultados muito significativos para casos de neoplasias malignas de pulmão. Em linhas gerais, alguns tipos de câncer são capazes de driblar o sistema imunológico usando uma espécie de ‘camuflagem’ para não serem notados ou ‘desligando’ os mecanismos responsáveis por identificar que há algo errado com aquela célula. A imunoterapia tem então a missão de potencializar o sistema de defesa do corpo para combater o câncer, oferecendo ferramentas para que o organismo enxergue essas células anormais e as combatam. Ou seja, o caminho passa a ser o fortalecimento do sistema imune do próprio indivíduo, com menos chances de efeitos colaterais e aumentando não apenas as possibilidades de sucesso, mas também de bem-estar ao paciente”, argumenta Carlos Gil Ferreira, Líder de Oncologia Torácica do Grupo Oncoclínicas e Presidente do Instituto Oncoclínicas.

O médico lembra que nem todos os casos de câncer podem ser tratados com uso de imunoterapia, mas estudos para descoberta de novas drogas imunoterápicas seguem em curso, o que permitirá que cada vez mais pessoas sejam beneficiadas. Atualmente, além da indicação para alguns tumores de pulmão, os imunoterápicos podem ser adotados para tratar cânceres de bexiga, rins, cabeça e pescoço, melanoma, leucemia e linfoma de Hodgkin. Estudos clínicos apontam ainda para avanços consideráveis em alternativas de uso para subtipos específicos de câncer de mama e colorretal.

Combate ao tabagismo e individualização também são palavras de ordem

O arsenal de avanços na Oncologia tem ainda como aliada a análise genética, tanto para a precisão diagnóstica, quanto para o direcionamento de tratamentos cada vez mais pautados pelo olhar individualizado e eficácia nos resultados. Segundo Carlos Gil Ferreira, exames que ajudam a detectar o perfil molecular de tumores de pulmão têm se mostrado importantes ferramentas no controle da condição.

“Esse tipo de teste proporciona maior precisão e melhor qualidade no diagnóstico, o que é fundamental para uma definição precisa do tratamento. Isso porque, apenas conhecendo com precisão a célula cancerígena o profissional de saúde conseguirá especificar o melhor tratamento para aquele caso”, ressalta.

O presidente do Instituto Oncoclínicas cita estudos que comprovam esses impactos positivos, entre eles uma análise publicada no New England Journal of Medicine em agosto de 2020 , que mostra que a mortalidade em nível populacional devido ao câncer de pulmão diminuiu acentuadamente durante 2013-2016. Além disso, as taxas de sobrevivência após o diagnóstico melhoraram com o tempo, o que, conforme descrito pelos autores, é resultado da melhora nos índices de detecção precoce combinadas a esses avanços no tratamento, levando pouco a pouco à redução das taxas de letalidade pela doença.

Adicionalmente, seguindo essa visão voltada à união de esforços para obtenção de melhores resultados em toda a linha de cuidados ao paciente, o Carlos Gil ressalta que o combate ao fumo é essencial para reduzir os riscos de incidência de tumores de pulmão.

“Nunca é tarde para abandonar o vício. Mesmo no caso de pacientes com diagnóstico de câncer, aqueles que largam o cigarro obtêm uma melhora na capacidade de oxigenação que favorece a redução de possíveis efeitos colaterais das terapias empregadas e contribui para uma melhor resposta ao tratamento, com ganhos evidentes para a qualidade de vida”, finaliza, reforçando que em linha com esta percepção, o Instituto Oncoclínicas lançou neste ano um programa próprio de cessação do tabagismo.

Fonte: Carlos Gil Ferreira é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora e doutorado em Oncologia Experimental – Free University of Amsterdam. Foi pesquisador Sênior da Coordenação de Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) entre 2002 e 2015, onde exerceu as seguintes atividades: Chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, Chefe do Programa Científico de Pesquisa Clínica, Idealizador e Pesquisador Principal do Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT), Coordenador da Rede Nacional de Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC/SCTIE/MS) e Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC/SCTIE/MS). Desde 2018 é Presidente do Instituto Oncoclínicas e Diretor Científico do Grupo Oncoclínicas.

Dieta mediterrânea pode prevenir câncer de intestino

Rica em hortaliças e alimentos naturais, a dieta mediterrânea pode ajudar no bom funcionamento intestinal

Sabe-se que hábitos saudáveis são fundamentais na prevenção de doenças. Entre esses hábitos, a alimentação, fonte primordial de macro e micronutrientes, inclusive antioxidantes, tem um papel central. Dentre várias dietas, uma tem chamado a atenção dos proctologistas – a mediterrânea. Segundo os médicos, essa dieta pode prevenir o câncer de intestino.

O câncer de intestino, de acordo com o Instituto nacional do Câncer – INCA, deve atingir, ainda em 2020, mais de 40 mil pessoas no Brasil. Conhecido como câncer colorretal, a neoplasia tem uma taxa de mortalidade de cerca de 19 mil mortes anuais. Além disso, é o segundo tipo mais comum, excetuando-se o câncer de pele não melanoma.

Fator de risco

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Segundo o oncologista do Grupo OncoProcto do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, Ricardo Cembranelli, um dos fatores de risco para a incidência de câncer no intestino é a má alimentação. “O consumo de embutidos, alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas, por exemplo, pode provocar inflamações que, a longo prazo, correm risco de se tornarem cancerígenas”, explica.

Simone Silvestre, médica especialista em nutrologia, também do grupo OncoProcto, lembra que, em geral, uma dieta rica em alimentos in natura promove importantes efeitos no organismo. “Os alimentos in natura parecem ter funções ainda não inteiramente entendidas pela ciência. Um bom exemplo são as evidências que mostram que eles são mais eficazes que um suplemento vitamínico”, comenta.

Dieta mediterrânea

Um estudo divulgado pelo GUT, jornal internacional líder em Gastroenterologia e Hepatologia, mostrou que a dieta mediterrânea reage positivamente com a microbiota intestinal e ajuda a promover o envelhecimento saudável. “Essa dieta é baseada nos hábitos alimentares de países mediterrâneos e é rica em hortaliças, frutas, grãos integrais, nozes, azeite, laticínios, aves, frutos do mar, feijão e ovos. Além desses alimentos, há um menor consumo de carne vermelha”, explica Simone.

Segundo a médica, esses alimentos são fonte de antioxidantes e fibras, componentes que auxiliam o corpo a permanecer saudável e são moduladores da microbiota. “Os antioxidantes ajudam a eliminar radicais livres, que são substâncias que podem danificar nossas células e predispor a neoplasias. Já as fibras auxiliam no funcionamento intestinal, e são utilizadas na produção de ácidos graxos de cadeia curta, que têm, entre outros, uma função protetora de células colônicas”, explica. “Por outro lado, a redução no consumo da carne vermelha está associada a uma diminuição do câncer colorretal”, completa.

Simone pondera que, ao falar de hábitos saudáveis, muitas vezes isso se refere ao estilo de vida mediterrâneo. “Além da ingestão dos alimentos citados, valoriza-se também a ingestão adequada de líquidos, a prática de atividade física e o convívio social’, podera.

Indicação e contraindicação

Cembranelli lembra que, para quem tem casos de câncer de intestino na família, é interessante adotar o quanto antes esse tipo de dieta. “Ter casos na família é um dos fatores de risco para os cânceres no intestino. Então, atentar-se à alimentação pode fazer a diferença depois”, orienta.

Já Simone destaca que a dieta mediterrânea é considerada uma das dietas mais saudáveis do mundo, auxiliando não somente na prevenção do câncer como também na prevenção de doenças cardiovasculares.

Entretanto, caso haja o diagnóstico de um câncer e se inicie o tratamento, a dieta deve ser avaliada por um profissional capacitado, uma vez que os objetivos nesse período são diferentes e com efeito imediato. Isso porque as vantagens da dieta mediterrânea se manifestam em longo prazo, enquanto o tratamento pode ter repercussões nutrológicas importantes, necessitando de cuidados específicos.

“Essa situação precisa ser avaliada com cuidado, pois em pessoas que evoluem com perda de peso, é preciso que sejam realizados ajustes na dieta visando a prevenção de desnutrição e melhora de resultados”, salienta.

Fonte: Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho

Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra o Câncer

Oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz compartilha dicas de detecção precoce e rastreamento do câncer

A data 8 de abril é marcada pelo Dia Mundial da Luta Contra o Câncer com o objetivo de conscientizar e disseminar informações úteis para toda a população. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), 600 mil novos casos da doença foram diagnosticados no Brasil em 2020.

Existem diversos tipos de exames de rastreamento para a detecção precoce de tumores, o que contribuiu para aumentar as chances de cura. Segundo Ricardo Caponero, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os exames de rastreamento são divididos em dois grupos, o primeiro é o teste indicado pelo Ministério da Saúde para toda a população, que independe de qualquer risco individual, como é o caso da mamografia, exame que as mulheres devem realizar a partir de 50 anos anualmente, e da vacina contra o HPV (Papilomavírus humano), que previne o câncer no colo do útero.

O segundo grupo de exames de rastreamento envolve testes genéticos, que são indicados para quem tem parentes de primeiro grau (pais ou irmãos) com diagnóstico de câncer. Com base nesses dados, Caponero explica que o resultado será mais específico e individualizado, de acordo com as características genéticas de cada paciente e, assim, a escolha do tratamento será mais precisa.

“É importante particularizar aquilo que é necessário para cada paciente, uma mulher que tem caso de câncer de mama na família, por exemplo, não vai fazer a mamografia apenas aos 50 anos. Ela deve iniciar o acompanhamento e realizar os exames antes desta idade, com mais frequência afim de detectar precocemente a existência de nódulos “, diz.

Para o médico, o ideal é que as pessoas, ao menos uma vez na vida, façam uma consulta com um oncologista ou clínico-geral levando o histórico familiar para que o especialista aponte a melhor conduta a ser adotada para cada um.

Com os resultados dos exames, Caponero diz que não necessariamente o paciente precisará ser submetido à cirurgia preventiva. “Não são todos os genes mutados que indicam a necessidade de tratamento. Pode ser indicado, por exemplo, o uso de medicamento, exames para um acompanhamento mais próximo do paciente, como fazer a mamografia uma vez por ano começando em uma idade mais cedo do que os 50 anos ou fazer uma ressonância da mama ao invés do ultrassom. O teste genético indica a cirurgia para algumas poucas mutações, sendo necessária a avaliação de cada caso”, explica.

Segundo dados do Inca, os tipos mais comuns de câncer hoje no país são de mama nas mulheres e de próstata nos homens. Os exames de rotina e de seguimento são fundamentais para detectar a prevenir esses tipos de neoplasias, no entanto, não é possível fazer a prevenção de todas as formas de câncer. Portanto, a indicação do Ministério da Saúde é de que a população mantenha uma dieta saudável, com os chamados alimentos de verdade, ou seja, diminuir ao máximo o consumo de produtos industrializados e dos alimentos com alto teor de gorduras, evitar o excesso de ingestão de bebida alcoólica e abandonar o tabagismo.

“Adquirir esses hábitos é benéfico não apenas no aspecto da prevenção de alguns dos tipos de câncer, mas também em relação ao controle do diabetes, hipertensão e outras doenças. Fazer 30 minutos de atividade física por dia, além da alimentação balanceada e práticas saudáveis, como não fumar e não ingerir bebida alcoólica em excesso, são atitudes que podem evitar ou postergar inúmeras complicações e doenças ao longo da vida”, conclui o médico.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Por que os seios ficam pesados e doloridos? Confira algumas causas e quando procurar médico

No geral, elas desaparecem sozinhas ou com ajuda de medicamentos ou modificações na dieta. Mas fique de olho que, em alguns casos, a consulta médica é fundamental

Em alguns momentos, por uma série de fatores, a mulher pode sentir os seios mais pesados e doloridos. “Variações hormonais, uso de anticoncepcional, gravidez e amamentação são alguns dos principais motivos. A maioria das causas não é motivo de preocupação. Mas, em alguns casos, e dependendo da frequência, é fundamental procurar ajuda médica, pois se for um problema mais sério, pode ser descoberto no começo e tratado de forma mais eficaz”, afirma Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica Gru Saúde.

A maioria dos casos de dor nas mamas desaparece por conta própria, segundo a médica. “Uma pessoa não precisa consultar um médico se a dor desaparecer e não retornar, ou se ela tiver uma dor cíclica e muito leve na mama. No entanto, uma pessoa deve consultar um médico para: sinais de infecção durante a amamentação, especialmente se sentir febre ou mal-estar; intensa dor nas mamas durante ou após a amamentação; um nódulo, especialmente um nódulo duro que não desaparece após o período menstrual; descarga do mamilo; qualquer dor na mama que seja intensa ou insuportável. O rastreamento da dor na mama ao longo do tempo pode ajudar o médico a dar um diagnóstico adequado”, diz.

Abaixo, a especialista aponta as seis principais causas de seios doloridos e pesados:

Mastalgia – o termo se refere justamente à dor nas mamas e existem dois tipos: “A primeira é a dor cíclica da mama, que os períodos menstruais costumam causar. O segundo é a dor não cíclica da mama, que pode vir da mama ou dos músculos e articulações que a circundam”, diz a Dra. Eloisa. A dor cíclica da mama geralmente ocorre no momento da ovulação e continua até o início do ciclo menstrual. Ela pode ocorrer em um ou ambos os seios e pode variar de leve a grave, mas afetar também as axilas. “Já a dor mamária não cíclica não varia com o ciclo menstrual de uma pessoa e ocorre em um único local e não desaparece. Nesse caso, o que gera essa dor está relacionado a um trauma, um golpe e dores artríticas e musculares”, diz a médica. Para o tratamento da dor, a ginecologista indica compressas quentes e medicamentos analgésicos, como ibuprofeno ou acetaminofeno, que podem ajudar na dor cíclica da mama. Algumas dicas para prevenir e aliviar a dor cíclica podem incluir: a redução da ingestão de cafeína, diminuir o consumo de gorduras e aumento na ingestão de alimentos com Vitamina E (amêndoas, castanha-do-pará e semente de girassol).

Infecções – duas infecções comuns que podem causar dor nas mamas são a mastite e infecção por candidíase ou levedura. “A mastite pode ocorrer após um longo período de ingurgitamento ou quando os dutos de leite ficam entupidos. Nesse caso, os sintomas podem incluir: febre, arrepios, uma área quente ou inchada na mama, náusea, fadiga, vômito e descarga amarela do mamilo. O tratamento é feito após avaliação médica e, nesse caso, a paciente deve fazer uso de antibióticos com orientação do ginecologista”, afirma.

Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, é seguro que uma pessoa continue amamentando se tiver mastite e estiver usando antibióticos. No caso da infecção por candidíase ou levedura, os sintomas podem incluir: mamilos doloridos, mamilos rosados, escamosos, brilhantes, rachados e com coceira, seios doloridos, e no caso de puérperas, ela pode sentir dor intensa na mama após a amamentação e é observado no bebê manchas brancas na língua, gengivas ou bochechas. Medicamentos e substâncias antifúngicas devem ser indicados pelo médico. Para prevenir o problema, é recomendado que as gestantes lavem as roupas em água quente com água sanitária, enxague os mamilos com uma solução de vinagre e água após a alimentação do bebê.

Nódulos fibrocísticos – a doença fibrocística da mama causa nódulos inofensivos nas mamas. Os seios podem parecer pesados ou cheios. “A fibrose ocorre quando há um espessamento do tecido mamário, o que pode causar secreção mamilar e dor”, diz a médica. O tratamento para aliviar os sintomas são compressas quente ou fria, vestir sutiã confortável, evitar excessos de sal, cafeína e gordura na dieta, tomar contraceptivos orais e usar analgésicos. “Se houver um cisto incômodo, o médico poderá drenar o fluido.”

Câncer – a maioria dos cânceres de mama não causa dor. “No entanto, se uma pessoa sentir dor na mama que não desaparece, deve consultar um médico para descartar a possibilidade de câncer.” Outros sintomas incluem: secreção mamilar sangrenta, alterações na pele ao redor do mamilo ou o mamilo virando para dentro, calor ou prurido nos seios (embora possa ser mastite), espessamento da pele com textura semelhante a casca de laranja, inchaço ou caroços que aparecem ao redor da clavícula e axilas, nódulo que geralmente é duro e indolor. O tratamento geralmente envolve: remover todo o tumor, o que pode resultar em uma mastectomia (retirada do seio); quimioterapia, que pode encolher o tumor; e radioterapia, que pode destruir as células cancerígenas. “Nesse caso, a consulta com o médico é fundamental o quanto antes. Por esse motivo, ressaltamos a importância de manter os exames em dia e fazer o autoexame das mamas”, finaliza a ginecologista.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Carcinoma basocelular: entenda a doença da apresentadora Marília Gabriela

O sol é uma das principais causas do carcinoma basocelular, tumor maligno que mais atinge os brasileiros

Na última segunda-feira (8), a jornalista e atriz Marília Gabriela anunciou que passou por um procedimento cirúrgico para retirada de um câncer de pele não melanoma – no caso dela classificado como um carcinoma basocelular – localizado na região do nariz.

Reprodução Instragram

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é que mais de 176 mil novos casos da doença sejam diagnosticados em 2021 – valor que corresponde a 30% de todos os tumores malignos no Brasil, fazendo dele o tipo de câncer mais comum no país.

Em linhas gerais, a principal causa evitável da doença é o Sol. Os melanócitos e queratinócitos (células da pele) são os principais envolvidos no processo de fotoproteção e quando expostos à radiação solar podem aumentar em número e tamanho. O câncer de pele ocorre quando há um crescimento anormal e excessivo dessas células que compõem a pele e pode ser de dois tipos: melanoma e não-melanoma, sendo o primeiro responsável por 95% dos tumores cutâneos identificados entre os brasileiros

De acordo com Sheila Ferreira, oncologista do CPO Oncoclínicas, esse índice está diretamente relacionado à constante exposição à radiação ultravioleta (UV) sem uso de proteção adequada. Por isso, é preciso estar atento aos sinais de alerta.

“Os principais sinais e sintomas de câncer não-melanoma são a presença de lesões cutâneas com crescimento rápido, ulcerações que não cicatrizam e que podem estar associadas a sangramento, coceira e algumas vezes dor e geralmente surgem em áreas muito expostas ao Sol como rosto, pescoço e braços”, explica a médica.

De olho na prevenção

Para pessoas que costumam ficar expostas ao Sol, é preciso reforçar o uso do protetor solar diariamente, principalmente no rosto. Se a exposição aos raios solares for maior, como na praia ou piscina, por exemplo, é importante abusar do protetor no corpo todo, usar chapéus e evitar horários em que a incidência solar esteja mais forte.

“Pessoas de pele clara, cabelos claros ou ruivos, com sardas e olhos claros são mais propensas a desenvolver o câncer de pele. A idade é um fator que também deve ser considerado, pois quanto mais tempo de exposição da pele ao Sol, mais envelhecida ela fica, aumentando também a possibilidade de surgimento do câncer não-melanoma”, destaca Sheila.

É importante a avaliação frequente de um especialista (dermatologistas) para acompanhamento das lesões cutâneas. A análise da mudança nas características destas lesões é de extrema importância para um diagnóstico precoce. O dermatologista tem o papel de orientar uma proteção adequada para descobrir os possíveis riscos que os raios solares de verão podem causar na pele.

Entenda os diferentes tipos de câncer de pele e os possíveis tratamentos

O câncer de pele não-melanoma pode ser classificado em: carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular. O primeiro é o tipo mais frequente, com crescimento normalmente mais lento. O diagnóstico se dá, usualmente, pelo aparecimento de uma lesão nodular rosa com aspecto peroláceo na pele exposta do rosto, pescoço e couro cabeludo. Já no carcinoma espinocelular, mais comuns em homens, ocorre a formação de um nódulo que cresce rapidamente, com ulceração (ferida) de difícil cicatrização.

“Tanto o carcinoma basocelular quanto o espinocelular estão relacionados a alta exposição dos raios solares e devem ser prevenidos com protetor solar e consultas frequentes com dermatologista são importantes para detecção do câncer na sua fase inicial”, aponta a Oncologista do CPO.

Já o chamado câncer de pele do tipo melanoma, apesar de considerado como sendo de baixa incidência – ele é responsável por 8.450 novos diagnósticos por ano -, é o mais agressivo e requer atenção redobrada. São geralmente os casos que se iniciam com o aparecimento de pintas escuras na pele, que apresentam modificações ao longo do tempo. As alterações a serem avaliadas como suspeitas são o “ABCDE”- Assimetria, Bordas irregulares, Cor, Diâmetro, Evolução. “A doença é mais facilmente diagnosticada quando existe uma avaliação prévia das pintas”, finaliza a médica.

É recomendável a ressecção cirúrgica destas lesões por especialista habilitado para adequada abordagem das margens ao redor da mesma. Posteriormente, dependendo do estágio da doença, pode ser necessária a realização de tratamento complementar. Quando diagnosticada precocemente, quimioterapia ou radioterapia são raramente necessárias e a cirurgia é capaz de resolver a maioria dos casos.

Fonte: CPO Oncoclínicas