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Einstein recebe autorização inédita da Anvisa e poderá fazer tratamento inovador para linfomas e leucemias

Sem a necessidade de encaminhamento das células para o exterior, pesquisa abreviará o tempo de tratamento; essa é a primeira iniciativa em pesquisa nesta área de uma organização acadêmica e hospitalar a ser aprovada pela Agência no Brasil

Na última semana, o Einstein recebeu aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para dar início à aplicação em seres humanos de células CAR-T – grupo de glóbulos brancos (linfócitos) responsáveis pela defesa do organismo contra agentes desconhecidos – produzidas em seu laboratório próprio, sem a necessidade de enviá-las a centros fora do país.

Células CAR-T (azuis) atacam células cancerosas Prasad Adusumilli

Essa é a primeira iniciativa do tipo de uma organização acadêmica e hospitalar a ser aprovada pela Anvisa no Brasil. O estudo terá como foco o tratamento de pacientes com linfomas de células B e leucemias linfocíticas agudas ou crônicas B, em casos de reaparecimento da doença ou em situações de resistência ao tratamento padrão. A técnica utilizada, células CAR-T, consiste em reprogramar geneticamente células do sistema de defesa do próprio paciente, caso dos linfócitos T, para reconhecer e combater seu tumor.

Atualmente, a Anvisa, seja para tratamento ou pesquisas, permite que pacientes submetidos aos tratamentos com CAR-T realizem uma coleta de sangue e que o material seja encaminhado a um centro de produção nos EUA para que as células sejam modificadas geneticamente, ganhando a habilidade de combater alvos específicos de cada doença.

Em seguida, essas células retornam ao hospital, onde são descongeladas e reinfundidas no paciente, após preparação com quimioterapia imunossupressora. Todo este processo dura cerca de três a quatro meses. Nesse período, o paciente precisa ser submetido ao chamado “tratamento ponte”, ou seja, um tratamento intermediário para aguardar a chegada das células.

A iniciativa acadêmica do Einstein, viabilizada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com Ministério da Saúde, reduz o período de espera do paciente para um médio de 8 a 12 dias, otimizando o tempo de resposta no tratamento e as chances de cura.

Nelson Hamerschlak, hematologista, coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Einstein e líder da iniciativa, explica que este avanço só foi possível graças ao pioneirismo dos estudos da organização, fazendo com que o hospital se tornasse um “point of care” (ponto de cuidado, em tradução literal), ou seja, com capacidade de abarcar as etapas de exames e de processamento do material, com validação de um laboratório de boas práticas que possibilita a realização de todos os processos de modificação das células dentro da unidade Morumbi. Para isso, uma equipe de pesquisadores se dedica, há dois anos, à adequação das exigências de segurança e eficácia dos órgãos regulatórios.

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Outro ponto positivo do projeto é a redução melhoria da relação custo-efetividade do tratamento. “Estamos muito orgulhosos e já podemos comemorar os resultados alcançados até agora. A tecnologia que estamos desenvolvendo deve reduzir significativamente o custo atual do tratamento”, destaca Hamerschlak.

O estudo é conduzido há três anos e contou com a participação de diversas áreas e frentes do Einstein, como a área de Hemoterapia e Terapia Celular, a Unidade de Transplantes de Medula Óssea, o Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa e a Academic Research Organization (ARO), tendo recebido a validação em todas as fases iniciais. O protocolo de pesquisa para a nova fase, com seres humanos, prevê que a tecnologia seja usada em 30 pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), dentro do projeto do Proadi-SUS.

Fonte: Einstein

“Não dá mais para esperar. Cuide-se. O câncer não ficou em quarentena”, alerta campanha da SBCO

Com conteúdo qualificado nas mídias sociais e site oficial e ações ao longo do ano, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica mapeia os principais estudos do Brasil e do mundo sobre o impacto da pandemia no diagnóstico e tratamento do câncer e, com linguagem acessível e didática, alerta sobre prevenção e necessidade de retomada dos exames de rastreamento para redução dos casos, das descobertas em fase avançada e mortes por câncer

Antes da pandemia, o câncer já gerava preocupação em todo o mundo por conta de gargalos no diagnóstico, com altas taxas de tumores avançados até mesmo para tipos de câncer que possuem exames de rastreamento como mamografia, colonoscopia e Papanicolau. Além da descoberta tardia, que aumenta a complexidade do tratamento e custos e reduz as chances de cura, havia também a perspectiva do exponencial aumento da incidência da doença em duas décadas. Quando Covid-19 ainda não era pauta mundial, a projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) era de 19,3 milhões de casos em 2020 e um salto de 64,1% em 20 anos, ou seja, atingindo a marca de 30 milhões de novos casos em 2040 (1).

Paralelamente, no Brasil eram esperados que entre 2020 e 2022 houvesse cerca de 625 mil novos casos de câncer por ano (2). Considerando uma média de 60% de aumento em duas décadas, chegaríamos à alarmante marca de 1 milhão de novos casos/ano em 2040 no país. Com a chegada da Covid-19, o câncer não deixou de existir. Pior que isso, a doença evoluiu em agressividade, pois houve uma drástica redução de exames e visitas /revisões com médicos e especialistas que poderiam diagnosticá-la precocemente. Diante deste cenário, com a proposta de conscientizar a população sobre a importância do cuidado com a saúde, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) lança a campanha Não dá para esperar. Cuide-se. O câncer não ficou de quarentena.

O cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Héber Salvador, explica que a ação será um movimento permanente. “Vamos desenvolver inúmeras ações com o propósito de conscientizar a população a estar atenta aos sinais do corpo, aos exames indicados para sua faixa etária e, aos pacientes oncológicos, que não negligenciem o tratamento. Será um movimento permanente, que irá abraçar as demais campanhas que já são tradicionais ao abordar tipos específicos de câncer, como o Julho Verde, Agosto Branco, Setembro Lilás, Outubro Rosa, Novembro Azul e Dezembro Laranja. Além disso, temos também a tradicional Ação Nacional de Combate ao Câncer da SBCO também em novembro”, detalha Héber Salvador.

O impacto mundial da pandemia no câncer em números – A OMS, que havia projetado um aumento superior a 60% na carga de câncer em todo o mundo até 2040, alertou para o catastrófico impacto da pandemia nos últimos dois anos no diagnóstico de novos casos de câncer. Os dados apontam que durante os meses iniciais da pandemia, o diagnóstico de tumores invasivos caiu 44% na Bélgica; assim como na Itália, os exames colorretais diminuíram 46% entre 2019 e 2020, enquanto na Espanha o número de cânceres diagnosticados em 2020 foi 34% menor do que o esperado (3).

Em sua Pesquisa Global Pulse, a OMS indicou que no último trimestre de 2021 houve uma interrupção no cuidado do câncer (exames de rastreamento e tratamento) de 5% a 50% em todos os países do mundo. Esta situação (embora tenha melhorado desde o primeiro trimestre de 2021 – quando os serviços foram interrompidos em mais de 50% em 44% dos países e entre 5% a 50% no restante) refletirá negativamente por alguns anos. Estudo publicado na revista científica JAMA (Journal of The American Medical Association) evidenciou que a Holanda observou uma queda de até 40% na incidência semanal de câncer e o Reino Unido teve redução de 75% nos encaminhamentos por suspeita de câncer. Estes dados foram obtidos a partir dos registros de janeiro a abril de 2019 comparados com os mesmos meses de 2020 pela Quest Diagnostics, líder mundial em medicina diagnóstica. Foram identificadas quedas significativas nas neoplasias malignas, benignas, in situ e de comportamento não especificado (5).

Outro estudo, assinado por pesquisadores do Sidney Kimmel Cancer Center, da Filadélfia, nos Estados Unidos e do National Health Service (NHS), do Reino Unido, mostra redução de 89,2% no rastreamento de câncer de mama e de 85,5% dos exames de investigação de câncer colorretal. Os dados foram obtidos a partir dos registros de 278 mil pacientes, dentre eles mais de 20 mil do período de covid-19. A pesquisa foi publicada no JCO Clinical Cancer Informatics, revista científica da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

Recente

Publicado em abril de 2022 na revista científica The American Surgeon – um estudo de coorte retrospectivo, que investigou o impacto da pandemia na triagem, diagnóstico e taxas de mortalidade das cinco principais causas de morte por câncer (pulmão/brônquios, cólon/reto, pâncreas, mama e próstata) mostra que as triagens diminuíram 24,98% para câncer colorretal e 16,01% para câncer de mama de 2019 a 2020. A mesma revista, também em abril, trouxe um estudo que mostrou redução de mamografias de rastreamento em 44% e de 21% de redução de mamografias de diagnóstico.

Os números do impacto no Brasil

O impacto da Covid-19 no controle do câncer no Brasil começou a ser quantificado já no início da pandemia. Nos primeiros quatro meses (março a junho de 2020) sete entre dez cirurgias oncológicas não foram realizadas, aponta a SBCO. Paralelamente, levantamento da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) mostrou que ao menos 70 mil brasileiros deixaram de receber o diagnóstico de câncer no mesmo período.

Outro levantamento feito pela SBCO, junto ao banco de dados do Datasus, aponta que ao menos 148 mil colonoscopias deixaram de ser realizados no Sistema Único de Saúde nos últimos dois anos. O sistema registra a realização de 347.098 colonoscopias em 2019. Em 2020, quando houve medidas mais restritivas para contenção da disseminação do SarsCov-2, o que incluiu o fechamento de serviços de colonoscopia, foram realizados 241.329 exames (redução de 30,4% no ano passado). Em 2021, foi registrada uma retomada na procura pelo exame, porém, observou-se ainda uma significativa redução (304.004 colonoscopias, um volume 12,4% menor em relação a 2019).

Outros números do país

=Redução de 47% na realização de mamografias no SUS de janeiro a julho de 2020 quando comparado ao mesmo período de 2019 – INCA.
=Redução de 46,3% dos diagnósticos de câncer colorretal (intestino grosso e reto) de janeiro a julho de 2020 quando comparado ao mesmo período de 2019 – SBCO e A.C.Camargo Cancer Center.
=61% dos serviços de Radioterapia tiveram mais de 20% de redução do movimento, sendo que 15% viram o número cair em mais de 50%. – Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

No Brasil, a média de deslocamento para um procedimento de Radioterapia é de 76 quilômetros. Por sua vez, a desigualdade de acesso escancara uma distância média que varia de 33 km no estado de São Paulo a 1605,5 km, que é a distância média que precisa ser percorrida por um paciente que reside em Roraima, estado que não possui qualquer serviço de Radioterapia. No Acre, que também não conta com Radioterapia, a distância ao serviço mais próximo é de 1487,3 km – Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT).

O reflexo na cirurgia oncológica

Até 2040, a demanda por cirurgias relacionadas ao câncer deve aumentar 52%, chegando a 13,8 milhões de procedimentos nos próximos 20 anos. Para dar conta desse cenário, estima-se que quase 200 mil cirurgiões e 87 mil anestesistas adicionais sejam necessários para cumprir o desafio. Além disso, também será preciso melhorar sistemas de saúde para evitar mortes decorrentes de complicações pós-operatórias. Estas previsões foram publicadas na revista científica The Lancet.

O impacto já é percebido na cirurgia oncológica no Brasil, pois os pacientes estão chegando com tumores maiores e mais agressivos, o que exige procedimentos mais extensos e qualificação profissional. Embora o panorama esteja melhorando, por conta da queda dos números da pandemia e avanço da imunização contra Covid-19, é missão da SBCO trabalhar pela retomada dos cuidados e exames periódicos e que a população tenha, em dia, a sua mamografia, toque retal, colonoscopia, dentre outros exames de rastreamento, assim como os meninos e meninas vacinados contra o vírus HPV.

Com a campanha 360º, que envolve conteúdo multimídia e qualificado nas mídias digitais e ações externas com a população, a campanha, além de conscientizar a população, visa engajar os mais de 1400 cirurgiões oncológicos membros da SBCO. Paralelamente, é essencial também a atuação multiprofissional. “Precisamos lutar pela maior oferta do ensino de Oncologia em todas as faculdades de Medicina do país e que esta disciplina também figure na grade curricular de outras áreas de saúde, essenciais para o cuidado multidisciplinar do paciente oncológico, como Fonoaudiologia, Fisioterapia, Nutrição, Psicologia, Enfermagem, dentre outras. Os médicos e os demais profissionais da saúde precisam aprender a pensar oncologicamente. Com isso, a população será mais bem assistida por eles em todas as etapas, da prevenção à reabilitação pós-tratamento”, vislumbra Héber Salvador.

Fonte: SBCO

Cabelegria retorna ao Santana Parque Shopping para doações de perucas e cortes de cabelo

Objetivo da ação é transformar a vida de pessoas que passaram por tratamentos de câncer ou outras doenças

No dia 14 de maio, o Santana Parque Shopping recebe mais uma vez o Banco de Peruca Móvel da ONG Cabelegria. A ação acontece das 11h às 19h, na entrada principal do empreendimento.

O projeto, que retorna ao shopping a cada dois meses, tem como principal objetivo transformar a doação de cabelos em perucas para serem distribuídas às pessoas que passaram por tratamentos de câncer ou que foram diagnosticadas com outras doenças que causam queda de cabelo.

“É sempre muito gratificante poder ser um ponto de apoio da Cabelegria e ver quantas pessoas se solidarizam com as doações, assim como a alegria no rosto de todas aquelas que recebem uma peruca. Em cada ação esperamos transformar um número maior de vidas”, afirma Rodrigo Rufino, gerente de marketing do Santana Parque Shopping.

Os interessados em abraçar a causa podem realizar cortes de cabelos gratuitamente no local. Não existem restrições para doação, todos os tipos de cabelos com no mínimo 15cm são aceitos, podendo ser natural, com química ou tintura. Além disso, quem doar terá isenção no preço do estacionamento.

Cabelegria no Santana Parque Shopping
Quando: Dia 14 de maio
Horário: 11h às 19h
Local: Entrada principal do Santana Parque Shopping
Endereço: Rua Conselheiro Moreira de Barros, 2780 – Santana – SP
Mais informações: site ou pelo telefone: (11) 2238-3002 ou WhatsApp: (11) 96588-3226.

Câncer de pulmão: imunoterapia e terapias avançadas revolucionam combate à doença

Tratamentos baseados no conceito de oncologia de precisão, cirurgias minimamente invasivas e programa antitabagismo estão entre as grandes aliadas para qualidade de vida dos pacientes

Na segunda-feira, 11 de abril, Rita Lee, de 74 anos, contou que não há mais a presença de um tumor no pulmão, segundo exames recentes. A cantora começou o tratamento logo após a descoberta da doença, em maio de 2021, e passou por imunoterapia e radioterapia. Na ocasião, foi encontrado um tumor primário no pulmão esquerdo da cantora. No entanto, mesmo em fase de remissão, Rita Lee irá continuar realizando exames para monitoramento

Rita Lee fotografada em casa pelo marido, Roberto de Carvalho. Reprodução Instagram

A ciência tem transformado a maneira de tratar diferentes tipos de câncer. E, no caso das neoplasias de pulmão, as alternativas terapêuticas avançam a passos largos, permitindo ao paciente um arsenal poderoso de condutas que podem ser indicadas para o enfrentamento da doença.

Diante deste cenário, estratégias que combinam modalidades de tratamento sistêmico (baseados na adoção de medicações via oral ou intravenosa, como por exemplo a quimioterapia) e local (radioterapia) podem ser adotadas no início do tratamento para reduzir o tumor antes de uma cirurgia para retirada da parte do pulmão acometido, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada. A radioterapia isolada também é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor. “A indicação depende principalmente do estadiamento, tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente”, diz Mariana Laloni, oncologista da Oncoclínicas São Paulo

O tratamento da imunoterapia oferece ferramentas para o sistema imune enxergar essas células anormais e combatê-las mais fortemente. Isso se dá por meio de medicamentos orais, injetáveis ou tópicos (pomadas) que estimulam a produção de citocinas (moléculas de proteína que agem contra as células cancerosas). O prognóstico é melhor nos pacientes cujos tumores possuem o revestimento de células imunes chamadas linfócitos infiltrantes no tumor (LIT)

Embora o sistema imune possa prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as células cancerosas podem ter capacidade de driblá-lo para evitar a destruição. Em algumas situações, elas podem:
-Sofrer alterações genéticas que as tornam menos visíveis pelo sistema imunológico;
-Ter proteínas em sua superfície que desabilitam o poder das células imunes sobre elas (formam uma camada de proteção); e
-Alterar as células normais ao redor do tumor para que interfiram na forma como o sistema imune responde às células cancerosas.

Além disso, o tratamento poderá ser diário, semanal ou mensal – a frequência depende de fatores como o tipo de câncer e seu estágio, a imunoterapia a ser utilizada e a maneira como o organismo responde a ela. Alguns tipos de imunoterapia são feitos em ciclos, da mesma forma que ocorre com a quimioterapia, seguidos de um período de descanso para que o corpo se recupere e produza novas células sadias.

Para a especialista, é válido destacar o papel que a imunoterapia exerce no panorama de enfrentamento do câncer de pulmão. Baseado no princípio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem, e de que com o passar do tempo este tumor passa a se “disfarçar” para não ser reconhecido pelo sistema imunológico e então crescer, a terapia biológica funciona como uma espécie de chave, capaz de religar a resposta imunológica contra este agente agressor.

“Embora o sistema imune esteja apto a prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as células cancerígenas sempre dão um jeitinho de driblá-lo e, assim, evitar que sejam destruídas. O papel da imunoterapia é justamente ajudar os ‘soldados’ de defesa do organismo a agir com mais recursos contra o câncer, produzindo uma espécie de super estímulo para que o corpo produza mais células imunes e assim a identificação das células cancerígenas seja facilitada – devolvendo ao corpo a capacidade de combater a doença de maneira efetiva”, explica a especialista.

Não à toa, as medicações imunoterápicas vêm conquistando protagonismo no tratamento de tumores de pulmão e de outros tipos de câncer. A abordagem terapêutica tem trazido resultados importantes também para cânceres de bexiga, melanoma, estômago e rim. Estudos atestam ainda a eficácia no tratamento de Linfoma de Hodgkin e de um subtipo do câncer de mama, chamado triplo negativo. “Na última década, a imunoterapia passou rapidamente de uma descoberta promissora para um padrão de cuidados que está contribuindo para respostas positivas para diversos casos de pacientes oncológicos”, pontua Mariana Laloni.

Tipos de imunoterapias

Existem diversos tipos de imunoterapia utilizados no tratamento oncológico. Os principais são:

-Inibidores de checkpoint: são drogas que bloqueiam os checkpoints imunes. Um dos papéis do sistema imunológico é atacar as células normais e anormais do organismo. Para fazer isso, usa pontos de verificação – ou checkpoints -, que são as moléculas de controle das células imunológicas que precisam ser ativadas ou desativadas para iniciar uma resposta de defesa. As células cancerosas podem utilizar esses checkpoints para evitar serem combatidas, e por isso os medicamentos imunoterápicos os tornam alvos. Pode apresentar efeitos adversos como danos teciduais inflamatórios, diarreia, colite, rash cutâneo, dermatite, elevação de transaminases, hipofisite e tireoidite;
-Transferência de células T adotivas: aumenta ainda mais a capacidade natural das células T de combater o câncer. Nesta abordagem, as células imunes são retiradas do tumor e as mais ativas contra o câncer são selecionadas ou alteradas em laboratório para se tornarem ainda melhores no ataque às células cancerosas – elas são cultivadas em grandes quantidades e, quando prontas, transferidas de volta ao organismo por meio de injeção intravenosa. Já no organismo, começam a combater as células doentes. Possíveis efeitos adversos são vitiligo e uveíte (em pacientes com melanoma) e hepatotoxicidade (naqueles com carcinoma renal);
-Anticorpos monoclonais: são medicamentos que auxiliam o corpo a identificar as células cancerosas. Os anticorpos são produzidos em laboratório para se ligar a um alvo específico nas células tumorais e podem provocar tanto uma resposta imune que destrói as cancerosas como marcá-las, facilitando a sua identificação pelo sistema imunológico. Essa técnica também pode ser chamada de terapia-alvo. Febre, calafrios, fraqueza, dor de cabeça, náusea, vômitos, diarreia, redução da pressão sanguínea e erupções cutâneas são alguns possíveis efeitos adversos;
-Vacinas: agem contra o câncer impulsionando a resposta do sistema imune às células cancerosas. Em geral, são produzidas a partir das próprias células tumorais do paciente ou de substâncias coletadas delas. Seu objetivo é tratar cânceres já existentes fortalecendo as defesas naturais do organismo contra a doença, mas também podem ser usadas para retardar ou impedir o crescimento de células cancerosas, reduzir o tamanho de tumores, prevenir recidivas da doença e eliminar células cancerosas remanescentes de outras formas de tratamento. É importante esclarecer que estas vacinas são diferentes das que previnem doenças, pois possuem um papel de tratamento, e não de prevenção. Podem desencadear febre, calafrios, fadiga, dor nas costas e articulações, náusea e cefaleia; e
-Moduladores do sistema imune: aumentam a resposta do sistema imunológico do paciente contra o câncer. Alguns destes agentes afetam partes específicas do sistema imune, enquanto outros o atingem de maneira mais geral. Possíveis efeitos adversos incluem supressão da medula óssea, hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, neurotoxicidade, hipertensão, aumento do risco para infecções, leucopenia, disfunção gastrointestinal e trombocitopenia.

Tabagismo ainda é a principal causa

O tabagismo está na origem de 90% de todos os casos de câncer de pulmão no mundo, sendo responsável por ampliar em cerca de 20 vezes o risco de surgimento da condição. E, apesar destes dados não serem novidade, os tumores pulmonares ainda lideram o ranking das doenças oncológicas que mais matam todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 30 mil pessoas receberão o diagnóstico da doença ainda em 2022, enquanto a edição mais recente do Atlas de Mortalidade por Câncer (2019), indica que são 29.354 mortes em decorrência dessa neoplasia maligna a cada 12 meses.

A oncologista explica ainda que a maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório. “Os sinais de alerta são tosse, falta de ar e dor no peito. Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença, o que contribui amplamente para o sucesso do tratamento”, diz.

A médica comenta que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, destaca.

Além disso, o tabagismo continua sendo o maior responsável pelo câncer de pulmão no Brasil e no mundo. Aliás, não apenas deste tipo de tumor: segundo o INCA, 156 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se o tabaco fosse evitado, sendo que cerca de 1/3 desses óbitos são decorrentes de algum tipo de câncer devido ao hábito de fumar.

E apesar do Brasil ter sido reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um exemplo no combate ao cigarro – o país tem um dos menores índices de fumantes do mundo, cerca de 10% da população acima de 18 anos, segundo o próprio INCA – os desafios não param de chegar. Um deles, é a chegada dos cigarros eletrônicos e outros dispositivos de vape, que têm conquistado principalmente os jovens.

“Nós vemos novas formas de tabagismo chegando, como o cigarro eletrônico, por exemplo, que tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, pela novidade e pela falta de informação também sobre o impacto nocivo deles. Então, estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro, voltar para versões digamos, mais modernas, do mesmo mal”, alerta Mariana.

Parar de fumar, alerta a especialista, é a forma mais eficaz de se prevenir contra o câncer de pulmão e diversos outros tumores, além de doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica, pneumonia, AVC (acidente vascular cerebral) e complicações severas decorrentes da contaminação pela Covid-19.

Fonte: Oncoclínicas

Dia Mundial Sem Carne: como a retirada dela do prato ajuda sua saúde

Especialistas e ONGs comentam estudos que mostram relação entre o consumo da proteína animal e aumento de casos de câncer

Há 37 anos, o dia 20 de março é marcado por ações de conscientização sobre os impactos que o consumo de carne tem. Na data, foi instituído o Dia Mundial Sem Carne e diferentes aspectos são levantados no debate, como a degradação ambiental decorrente da pecuária e as condições a que os animais são submetidos durante a produção.

O ex-Beatle Paul McCartney entre as filhas Mary e Stella, defensores da campanha Segunda Sem Carne pelo mundo

Neste ano, as ONGs Sinergia Animal e Million Dollar Vegan Brasil fazem um alerta sob um ponto de vista pouco debatido: a relação entre o consumo de carne e a saúde humana. O alerta é de que a retirada das carnes da alimentação pode ajudar a prevenir casos de câncer.

Só no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), 625 mil novos casos de câncer devem surgir neste ano. Pessoas que serão afetadas pela gravidade da doença e do tratamento, na maioria das vezes, não sabem que os inimigos podem estar no próprio prato, a cada refeição.

A Million Dollar Vegan, organização que incentiva os líderes mundiais a darem exemplo e mostrarem como a adoção de uma dieta vegana (sem carnes, ovos, leite e derivados) pode proteger a saúde, lamenta que esta informação não chegue à grande parte da população mesmo sendo fruto de tantos estudos já publicados.

O médico e escritor Michael Greger, apoiador oficial da ONG, alerta: “Até o sistema mudar, precisamos nos responsabilizar por nossa saúde. Não podemos esperar que a sociedade se atualize com a ciência para agir, porque é uma questão de vida ou de morte”.

Por isso, a organização se dedica a ampliar o acesso à informação sobre a contribuição da carne também nos riscos de câncer, assim como outras doenças crônicas como as cardíacas e cardiovasculares.

OMS reconhece os prejuízos da carne à saúde

Pequenas quantidades de carne podem agir como um veneno silencioso, inflando os percentuais das chances de doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já classificou carnes processadas, como salsichas, presunto e bacon, no grupo 1 de carcinogênicos – mesmo grupo em que estão os cigarros, amianto, radiação ultravioleta e álcool.

Uma pessoa que consuma diariamente 50 gramas de carne processada, o equivalente a 4 fatias de bacon ou uma salsicha, aumenta o risco de câncer colorretal em 18%. No Brasil, o tumor localizado inicialmente no cólon e reto é o terceiro câncer que mais mata homens e mulheres.

E não é só em formato processado que a carne é vilã da saúde. Sem passar pelo processamento, a carne vermelha foi classificada pela OMS no Grupo 2A, como provável cancerígena para humanos.

A Sinergia Animal, organização internacional de proteção animal reconhecida como uma das mais efetivas ONGs do mundo, defende a retirada da carne do prato e ressalta os benefícios de uma dieta vegana balanceada, repleta de frutas, legumes, verduras e grãos, no combate ao câncer, pois é rica em antioxidantes, que têm um papel importante na prevenção.

A Million Dollar Vegan espera que, a partir da repercussão dos estudos, mais médicos, nutricionistas e outros profissionais da saúde reconheçam a eficácia de uma dieta 100% vegetal com o intuito de prevenir, tratar e curar doenças crônicas.

Para contribuir com informação, a organização disponibiliza orientações para iniciantes na alimentação sem carne, ovo e leite, trazendo receitas e dados sobre os benefícios à saúde. Em seu site, a Million Dollar Vegan desafia as pessoas a “descobrirem o veganismo” experimentando uma alimentação 100% vegetal por 31 dias.

Recém-lançado, Guia de Nutrição Vegana traz orientações para uma vida sem carne

Em fevereiro, uma nova ferramenta para auxiliar profissionais da saúde com orientações sobre a alimentação sem produtos de origem animal foi lançada no Brasil. O Guia de Nutrição Vegana para Adultos, desenvolvido pelo Departamento de Medicina e Nutrição da União Vegetariana Internacional (IVU), traz também informações importantes sobre o combate ao câncer.

Entre elas, há uma tabela com precauções que podem ser tomadas na alimentação. Segundo o Guia, evitar o consumo de carne vermelha e carnes processadas contribui para diminuir o risco de câncer de cólon e reto. Além disso, a exclusão da carne grelhada e frita pode fazer cair o risco de câncer de cólon, reto, mama, próstata, rins e pâncreas.

Conforme o autor do guia, o médico Eric Slywitch, que é diretor dos Departamentos de Medicina e Nutrição da IVU e da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o consumo de alimentos de origem vegetal tem efeito protetor na prevenção do câncer, ainda mais se associados à redução ou eliminação dos produtos de origem animal.

“A formação acadêmica dos profissionais de saúde de muitas universidades não contempla informações sobre a forma de elaborar a alimentação sem carne e derivados animais. É natural que haja receio de não saber avaliar e conduzir indivíduos com uma alimentação vegetariana e vegana e, por desinformação sobre publicações sobre o tema, muitas vezes é tirada a possibilidade do incentivo a seguir um sistema alimentar que traz mudanças positivas para a saúde e a qualidade de vida”, explica Eric.

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB)

Novas razões pelas quais as pintas podem se transformar em câncer de pele tipo melanoma

Publicada no final de novembro na revista eLife, pesquisa mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental. Descobertas abrem caminho para mais pesquisas sobre como reduzir o risco de melanoma

Pintas, manchas e melanomas provêm da mesma célula chamada melanócitos. “A diferença é que as pintas e manchas geralmente são inofensivas, enquanto os melanomas são cancerígenos e muitas vezes mortais, sem tratamento”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um novo estudo publicado no final de novembro na revista eLife e realizado por pesquisadores do Huntsman Cancer Institute (HCI) explica como as manchas comuns e os melanomas se formam e por que as manchas podem se transformar em melanoma. “Embora muitos trabalhos mostrem um caráter genético forte para o desenvolvimento do melanoma, esse estudo mostrou que as células produtoras de pigmentos, os melanócitos, são mais afetadas pela sinalização ambiental”, diz o médico.

Os melanócitos são células que dão cor à pele para protegê-la dos raios solares. Segundo o estudo, mudanças específicas na sequência de DNA dos melanócitos, chamadas mutações do gene BRAF, são encontradas em mais de 75% das pintas. A mesma alteração também é encontrada em 50% dos melanomas e é comum em cânceres como cólon e pulmão. “Pensava-se que, quando os melanócitos tinham apenas a mutação BRAFV600E, a célula parava de se dividir, resultando em uma pinta. Quando os melanócitos têm outras mutações com BRAFV600E, elas se dividem de forma descontrolada, transformando-se em melanoma. Este modelo foi denominado ‘senescência induzida por oncogene’. Mas vários estudos desafiaram esse modelo nos últimos anos”, diz o médico. “Esses estudos forneceram dados excelentes para sugerir que o modelo de senescência induzida por oncogene não explica a formação de pintas, mas o que faltou a todos é uma explicação alternativa – que permaneceu indefinida”, conta.

A equipe do estudo coletou sinais e melanomas doados por pacientes e usou perfis transcriptômicos e citometria holográfica digital. O perfil transcriptômico permite aos pesquisadores determinar as diferenças moleculares entre pintas e melanomas. A citometria holográfica digital ajuda os pesquisadores a rastrear mudanças nas células humanas. “Os pesquisadores descobriram, então, um novo mecanismo molecular que explica como as pintas e os melanomas se formam, e por que as pintas às vezes se transformam em melanomas”, diz o dermatologista.

O estudo mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental, quando as células da pele recebem interferências do ambiente ao seu redor, que lhes dá direção. A radiação solar, por exemplo, é um estímulo ambiental. “Os melanócitos expressam genes em ambientes diferentes, dizendo-lhes para se dividir incontrolavelmente ou parar de se dividir completamente. As origens do melanoma serem dependentes de sinais ambientais dá uma nova perspectiva na prevenção e no tratamento”, diz o dermatologista. “O estudo também desempenha um papel na tentativa de combater o melanoma, prevenindo e tendo como alvo as mutações genéticas. Também podemos ser capazes de combater o melanoma mudando o ambiente, segundo o estudo”.

Essas descobertas criam uma base para a pesquisa de potenciais biomarcadores de melanoma, permitindo aos médicos detectar alterações cancerígenas no sangue em estágios iniciais. Os pesquisadores também estão interessados em usar esses dados para entender melhor os agentes tópicos potenciais para reduzir o risco de melanoma, atrasar o desenvolvimento ou interromper a recorrência e detectar o melanoma precocemente. “Mas, é claro que novas pesquisas devem ser feitas com o objetivo de confirmar a informação e encontrar meios de frear a replicação celular descontrolada que resulta em melanoma”, finaliza o dermatologista.

Fonte: Daniel Cassiano é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutor em medicina translacional também pela Unifesp. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

Mês de combate ao câncer: alimentação pode auxiliar na prevenção da doença

Vera Cruz Oncologia realiza ação que destaca quais alimentos devem ser evitados

O segundo mês do ano é, definitivamente, o momento certo para se levantar a bandeira do combate ao câncer, nome dado a um grupo de mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células, formando tumores. Além da leucemia, que atinge a medula óssea, lembrada pelo “Fevereiro Laranja”, fevereiro também carrega consigo o Dia Mundial do Câncer (4) e o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil (15). Tudo isso com o intuito de conscientização coletiva, já que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 80% e 90% dos 625 mil casos da patologia que devem ser diagnosticados do início de 2020 até o final deste ano, serão oriundos de causas externas, tais como hábitos e comportamentos prejudiciais à saúde. O restante terá origem interna, das ações e reações naturais do corpo humano de cada indivíduo.

Para a nutricionista Ligia Vieira Carlos, do Vera Cruz Oncologia, tal dado não é surpresa, mas, sim, reflexo da mudança de hábito na alimentação da população brasileira, que vem substituindo alimentos in natura por processados. “Essa transformação no cardápio contribui para o empobrecimento da dieta e favorece o desenvolvimento das células cancerígenas. É importante ter alimentos de origem vegetal na base da alimentação, evitar o consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas, fast food e bebidas alcoólicas”, pontua.

Ela enfatiza que a população precisa comer de forma consciente, sabendo que tudo o que é ingerido será absorvido e refletirá na funcionalidade do organismo, tanto em adultos quanto em jovens e crianças. “Estudos científicos evidenciam que o excesso de realçadores de sabor, assim como de aditivos, como é o caso dos corantes e conservantes presentes em alimentos industrializados de baixo valor nutricional, pode contribuir negativamente para a saúde. Em outros países, a quantidade permitida dessas substâncias é bem menor do que a que está presente nos alimentos no Brasil. Por isso, a profissional alerta, na hora de montar o prato, a dica é que ele seja colorido e contenha todos os grupos alimentares. Atenção aos temperos, para que sejam naturais”.

Números e fatos

Há vários tipos de câncer, e o termo é usado para nomear neoplasias malignas, cujos principais tipos são: os carcinomas, que se desenvolvem em tecidos de revestimento tanto internos quanto externos; os linfomas, oriundos dos linfonodos do sistema linfático; a leucemia, que pode ser encontrada em tecidos sanguíneos; e os sarcomas, que são raros e acometem os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem. Nos adultos, essa classe corresponde a cerca de 1% dos casos.

Paulo Eduardo Pizão, coordenador do Vera Cruz Oncologia, esclarece que a enfermidade pode se desenvolver em diferentes partes do corpo e ser mais ou menos agressiva dependendo do seu tipo. “O que diferencia o tipo de câncer é a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase”, pontua.

A patologia é uma das principais causas de morte em todos os países do mundo, e os tipos de câncer que mais afetam a população são: próstata, mama, colorretal e pulmão. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, mais de 230 mil pessoas morrem, todos os anos, com a doença.

Segundo Vitória Pinheiro, hematologista infantil do Vera Cruz Hospital, a causa do câncer em crianças, assim como no adulto, é multifatorial, considerando causas externas do meio ambiente (agrotóxicos, metais pesados) e causas internas (condições imunológicas, presença de mutações genéticas). Esses fatores podem interagir de diversas formas, ocasionando o aparecimento do câncer. As mudanças no meio ambiente, provocadas pelo próprio homem, os hábitos e comportamentos podem aumentar o risco de diversos tipos de câncer. “Os tipos mais comuns na infância são as leucemias linfoblásticas agudas, seguidas pelo tumor no sistema nervoso central e os linfomas”, conta.

Human breast cancer, computer illustration.

O câncer pode dar sinais ou ser silencioso, sendo necessário exames para sua detecção. “A leucemia linfoblástica aguda, por exemplo, é o câncer mais comum na infância e pode ser detectada em um hemograma. Quando o tratamento é adequado e o diagnóstico feito precocemente, as chances de cura chegam a 90%. Para que isso seja possível, é importante seguir com as consultas de rotina, além de ficar atento aos sinais do corpo e procurar seu médico de confiança”, sinaliza.

Conscientização

Para que os pacientes e a população em geral possam entender na prática quais alimentos fazem mal à saúde, o Vera Cruz Oncologia preparou uma ação especial: a exposição “A alimentação como aliada na prevenção do câncer”, que expõe alimentos na forma líquida, sólida e gasosa que podem causar a doença.

Além dos principais, como refrigerantes, macarrão instantâneo e tabaco, mais 30 itens estiveram presentes na apresentação do último dia 4, que contou ainda com explicações dos malefícios à saúde e de como afetam o organismo. As unidades do Vera Cruz Hospital e Vera Cruz Casa de Saúde também receberam a ação em horário predeterminado. “A ideia foi alertar a população quanto ao consumo cada vez mais abundante e frequente de produtos industrializados e seus riscos potenciais apontados pela Agência Internacional para Pesquisas em Câncer, órgão vinculado à OMS”, esclarece Ligia.

O objetivo também foi desafiar os pacientes a melhorar hábitos e prevenir o câncer. Todos receberam, no mês passado, um potinho com “21 dias para melhorar os hábitos de vida e prevenir o câncer” feito pelo time de especialistas em oncologia da unidade, como nutricionistas, psicólogos, bucomaxilos e cardiologistas.

O Vera Cruz Oncologia é um espaço único, preparado para acolher e tratar os pacientes que forem diagnosticados com a patologia. “A unidade foi planejada para proporcionar o tratamento da patologia com conforto e comodidade. Os consultórios foram pensados para facilitar a conversa entre médico, pacientes e familiares”, adiciona Pizão.

Informações: Vera Cruz Hospital – Rua Onze de Agosto, 495, Centro – Campinas – SP

Câncer colorretal: a prevenção está no prato

A ciência acumula evidências sobre a importante relação entre alimentação e câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse é o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens (depois do câncer de próstata) e entre as mulheres (depois do câncer de mama). Por isso é importante sempre estar atento à alimentação: uma dieta saudável ajuda a prevenir a doença, enquanto uma dieta não saudável tem efeito contrário, podendo desencadeá-la.

É isso que mostra, por exemplo, um estudo realizado recentemente pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a partir de revisão bibliográfica que promoveu uma síntese de outros trabalhos. O estudo concluiu que os hábitos alimentares influem de maneira considerável no aparecimento de tumores do câncer colorretal quando inadequados ou, quando saudáveis, ajudam na prevenção.

“O consumo exagerado de gorduras, carne vermelha, embutidos (salsicha, linguiça, presunto e mortadela), bacon e até o peito de peru precisa ser evitado”, lembra a nutricionista Juliana Zanetti, coordenadora de Nutrição e Dietética da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “O excesso de gordura acarreta aumento da produção da bile, cujos sais possuem ação detergente, que pode provocar lesões na mucosa intestinal e multiplicação desordenada das células dessa região. No caso dos embutidos, um problema adicional são os aditivos químicos usados na sua fabricação”, explica.

Pesquisa desenvolvida no Reino Unido, publicada em 2019 no International Journal of Epidemiology, demonstrou que o consumo diário de 76 gramas de carne vermelha e carnes processadas elevou em 21% o desenvolvimento de câncer colorretal, em comparação com os pacientes da mesma faixa etária que consumiam diariamente apenas 21 gramas.

Órgãos internacionais, como a World Cancer Foundation e o American Institute for Cancer Research, atestam ser saudável a ingestão semanal entre 350 a 500 gramas de carne cozida. No Brasil, o INCA recomenda até 500 gramas, também com preferência para preparações cozidas ou assadas e evitando o churrasco ou contato direto com o fogo. Para referência, considere que um espetinho tem entre 80 e 100 gramas; um bife, entre 100 e 120 gramas; e um hambúrguer, cerca de 120 gramas.

Escolhas saudáveis

Foto: Everyday Health

De acordo com a nutricionista da BP, uma série de alimentos tem ação preventiva comprovada frente ao câncer colorretal, entre eles, verduras, legumes, frutas, grãos e cereais integrais e sementes (linhaça, chia, gergelim etc.). “Essas opções são ricas em fibras, que agem protegendo as paredes do intestino, além de auxiliar na regulação do trânsito intestinal”, diz Juliana.

Ela lembra que as fibras solúveis, presentes nas frutas e vegetais, auxiliam na fermentação digestiva, estimulando a proliferação de bactérias boas que vivem no intestino e contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico e metabólico. Já as fibras insolúveis, presentes nos vegetais folhosos, cascas de frutas, grãos e sementes, promovem uma varredura da parede do intestino, eliminando substâncias e impurezas nos tecidos que poderiam desencadear processos inflamatórios na região.

Mas as escolhas saudáveis não param por aí: castanhas e peixes são ricos em ômega 3 e ômega 6, que auxiliam na absorção de vitaminas A, E, D e K. Além disso, fibras, frutas, verduras e legumes possuem compostos como as vitaminas A, E e C, carotenoides, antioxidantes, selênio, flavonoides e ácido fólico, que também auxiliam na prevenção do câncer.

Essas informações, que têm base científica, são bons indicadores para combinar ingredientes e fazer pratos saborosos – que agradam ao paladar e ainda têm o efeito de promover a saúde e proteger contra o câncer colorretal. Como exemplo, a nutricionista da BP compartilhou duas receitas que trazem essa combinação de sabor e prevenção. Confira:

Salada verde crocante com molho cremoso

Imagem meramente ilustrativa – Foto: The Pretty Life

Ingredientes:

2 maços de alface
1 avocado ou 1/2 abacate
4 colheres (sopa) de azeite extravirgem
2 colheres (sobremesa) de mostarda de Dijon
suco de 1 limão
1 dente de alho
1 colher (chá) de sal
1/2 copo de nozes picadas ou amêndoas torradas

Modo de preparo:
Lave e corte a alface em fatias largas e coloque em uma tigela grande. Junte o abacate e o azeite no processador de alimentos e misture até ficar homogêneo. Adicione os ingredientes restantes (exceto as nozes/amêndoas) e processe novamente. Misture o molho com a alface.
Em uma frigideira, toste as nozes picadas ou amêndoas por três minutos em fogo baixo.
Sirva as nozes/amêndoas em cima da salada.

Bolo de banana (sem açúcar e sem farinha de trigo)

Imagem meramente ilustrativa – Foto: Gimme Delicious

Ingredientes:

4 bananas nanicas (devem estar bem maduras, quase estragando)
1 xícara (chá) de uvas passas pretas
4 ovos pequenos
1/2 xícara de óleo
2 xícaras de aveia (flocos finos ou grossos)
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de preparo:
Bata os ovos junto com o óleo no liquidificador. Aos poucos, acrescente as bananas e a uva passa.Coloque a massa em uma tigela e, aos poucos, misture a aveia com o batedor
(a massa é densa). Por último, misture o fermento em pó. Unte com óleo e farinha de aveia. Asse em forno preaquecido a 200ºC por 35 minutos (o tempo pode variar, dependendo do forno).

Fonte: Beneficência Portuguesa de São Paulo

No Dia Mundial do Câncer, confira 10 mitos e verdades sobre a doença

Hoje, 4 de fevereiro reforça ainda mais a necessidade de desmistificar as mais diversas fake news ao redor do tema; Oncologista tira as principais dúvidas e comenta a importância da informação de qualidade

O termo “câncer” ainda é cercado por preconceitos e informações que nem sempre são verdadeiras sobre o que pode ou não contribuir para o surgimento da doença. Por isso, é muito importante não acreditar em tudo o que se escuta por aí. De acordo com Daniel Gimenes, oncologista da Oncoclínicas São Paulo, o primeiro passo é buscar informações de qualidade, seja em veículos que tenham autoridade e com o próprio médico: “Durante as consultas, é fundamental que o paciente leve quais são suas principais dúvidas. É bastante comum diversos mitos serem compartilhados nas redes sociais e internet como um todo, portanto o combate à fake news deve começar dentro do consultório e ir além dele”.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), é previsto que cerca de 625 mil novos casos de câncer por ano sejam diagnosticados no triênio 2020/2022. Nas mulheres, a incidência da doença no Brasil tem como localização primária a mama (29,7%); seguido por cólon e reto (9.2%); e colo de útero (7,5%). Já nos homens, é possível notar os casos de próstata (29,2%); cólon e reto (9,1%); e traqueia, brônquio e pulmão (7,9%).

Apesar de existirem muitos tipos de câncer, os tumores aparecem pelo crescimento descontrolado das células em qualquer região do corpo. Podendo ser causado tanto por fatores externos como internos, alguns cuidados contribuem para a prevenção da doença – sendo a informação um deles.

Abaixo, Gimenes lista dez mitos e verdades sobre o câncer que você precisa ficar de olho:

Esquentar alimentos no micro-ondas aumenta risco de câncer
Mito.
Até o momento, não existem evidências científicas que comprovem o risco de câncer relacionado ao uso do micro-ondas. Sabe-se que a radiação interna do aparelho é testada nos altos padrões de segurança. Por isso, é essencial consumir apenas eletrônicos com o certificado do InMetro.

Airfryer é cancerígena
Mito. A principal relação entre o aparelho com o câncer se dá por substância liberadas durante o preparo dos alimentos. A principal dela é a acrilamida, que se forma em preparos em alta temperatura – ou seja, quando a batata, mandioca, entre outros possui um tom marrom escuro. Em animais, por exemplo, existe, sim, uma possível ligação de alimentos que contêm acrilamida ao risco de câncer. Mas, no caso dos humanos, não existem fatos científicos que comprovem a condição, por isso, a airfryer não é considerada cancerígena.

Foto: Pixabay

Amamentar protege contra o câncer de mama
Verdade.
Durante a amamentação, as células começam a produzir leite e passam a se multiplicar menos. Como o câncer é o aparecimento anormal delas, o risco da doença é sim reduzido.

Câncer tem cura
Verdade.
Quando é descoberto precocemente, as chances de cura podem chegar a mais de 90%. Cada tratamento é único e individualizado para cada paciente, pois cada um pode responder de maneiras diferentes.

Desodorante pode causar câncer
Mito.
Isso circula na internet há tempos e não é verdadeiro! Vale lembrar que não existem evidências científicas que comprovem o fato, principalmente sua relação com o câncer de mama.

Atividades físicas podem prevenir alguns tipos de câncer
Verdade.
Quando os exercícios fazem parte da rotina diária, há o equilíbrio dos níveis hormonais, defesa do organismo, entre outros benefícios. Segundo o Inca, eles contribuem para diminuir o risco de câncer de cólon, mama e endométrio.

Câncer é contagioso
Mito.
Ele não pode passar de uma pessoa para a outra. Porém, no caso do câncer causado por vírus, como o do HPV ou hepatite B, pode haver um risco de contaminação por relações sexuais, transfusões de sangue e seringas compartilhadas. Mas, vale lembrar que nestes casos a infecção não garante que o paciente irá desenvolver a doença. Diversos vírus, como os mencionados acima, possuem vacinas que fazem parte do calendário infantil de imunização, podendo ser prevenidos.

Aquecer alimentos ou deixá-los quentes em potes plásticos pode aumentar o risco de câncer
Verdade.
É importante que os alimentos não sejam aquecidos em recipientes plásticos, ou ainda não sejam armazenados enquanto estiverem quentes. Nestes casos, eles podem liberar substâncias cancerígenas, como a dioxina, bisfenol, entre outros. A recomendação pela INCA é de utilizar vasilhas de vidro ou porcelana.

Açúcar pode fazer com que o tumor cresça mais rápido
Mito!
O alimento não é considerado uma substância cancerígena. Até o momento, não existem provas científicas de que ele pode acelerar o crescimento de um tumor, portanto deixar de consumi-lo não significa que o processo deixará de acontecer.

Stefan Obermeir/Getty Images

Álcool e tabaco podem aumentar as chances do desenvolvimento do câncer
Verdade.
Pesquisas mostram que esse hábito concomitantemente possui um risco aumentado para o câncer de faringe, laringe, boca e esôfago. Ou seja, no caso do consumo de álcool e tabaco juntos, os efeitos são multiplicados quando comparados aos riscos individuais.

Fonte: Oncoclínicas

Terceiro câncer mais comum entre brasileiras pode ser erradicado com Papanicolau e vacina

O câncer de colo do útero, que registra mais de 16 mil casos anuais no Brasil, é uma doença que não só pode ser diagnosticada precocemente, como também é, principalmente, evitável. Janeiro Verde, mês de conscientização sobre a doença, alerta para a importância do acesso ao exame de Papanicolau e adesão à imunização de meninos e meninas contra o vírus HPV

Quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a Estratégia para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, em novembro de 2020, a saúde pública brasileira, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), já oferecia o acesso ao exame de Papanicolau e a vacina para meninos e meninas contra o vírus HPV, duas medidas capazes de erradicar a doença, que é o terceiro tipo de câncer mais comum entre as brasileiras, com 16.710 novos casos previstos para 2022, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal.

Embora o exame e a imunização estejam disponíveis pelo SUS, gargalos nas cinco regiões do país impedem que a incidência de câncer de colo do útero diminua. As metas globais para a eliminação do câncer do colo do útero são a marca de 90% de cobertura da vacina contra o HPV em meninas antes dos 15 anos; 70% de cobertura de rastreamento com teste de HPV em mulheres de 35 a 45 anos; e 90% de cobertura de tratamento de doenças do colo do útero (pré-câncer e câncer), incluindo cuidados paliativos.

Na contramão destes números, a adesão no Brasil é baixa. Em 2019, apenas 22% dos meninos e 51% das meninas foram imunizados. Vale ressaltar que é fundamental também imunizar os meninos para se evitar toda a cadeia de transmissão, assim como para prevenir outros tipos de câncer que têm o HPV como fator de risco: tumores de cabeça e pescoço (principalmente de orofaringe), pênis e ânus.

“Além da baixa taxa de cobertura da vacina contra HPV, o Brasil sofre com a falta de acesso ao exame de Papanicolau e, como reflexo disso, a região Norte registra prevalência de colo do útero similar à do câncer de mama”, alerta a cirurgiã oncológica Ana Carolina Anacleto Falcão, vice-diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

Dados do estudo Evita trouxeram alguns motivos mais frequentemente relatados para a não realização do Papanicolau: falta de vontade em 46,9%, vergonha ou constrangimento em 19,7%, e falta de conhecimento em 19,7%. Este estudo também demonstrou que a baixa adesão ao papanicolau está associada a disparidades sociais, menor renda, nível educacional e parceiro estável.

Somado a isso, o efeito da pandemia de Covid-19, que comprometeu o diagnóstico e a prevenção de câncer e impactou na cobertura vacinal para outras doenças, que também caiu.

Tratamento das pacientes

Microscopia de infecção por papiloma vírus (HPV)…

A cirurgia é o primeiro tratamento de escolha para as pacientes com diagnóstico de câncer de colo do útero e a habilidade da(o) cirurgiã(o) oncológica(o) é essencial para o sucesso do tratamento e melhor prognóstico. Os principais procedimentos são histerectomia radical (retirada do útero e dos ligamentos que o fixam na pelve e de dois a quatro centímetros do fundo da vagina); mapeamento linfático e biópsia de linfonodo sentinela; retirada por laparoscopia dos linfonodo retroperitoneais, um procedimento minimamente invasivo para determinar a extensão do câncer e ajudar a planejar o tratamento/ assim como técnicas de preservação da fertilidade, incluindo traquelectomia radical, uma cirurgia altamente especializada que pode ajudar algumas mulheres a manter a condição de ter filhos. Complementar à cirurgia, nos últimos anos, foi demonstrada a superioridade do tratamento com quimioterapia e radiação, em vez de apenas radiação. Os mais recentes ensaios clínicos não demonstraram, até o momento, avanços significativos em terapias-alvo e na imunoterapia para câncer de colo uterino.

Mais de seis mil mortes anuais

O Brasil registra mais seis mil mortes anuais por câncer de colo do útero. As chances de cura são menores quando a doença evolui para metástase. O tumor pode se espalhar para órgãos próximos, como a vagina, bexiga ou intestino grosso/reto (colorretal), mas também há casos de metástase à distância, chegando a órgãos como fígado, cérebro e pulmão. Esta semana, com o anúncio da morte de Françoise Forton, foi noticiado que a atriz havia recebido o diagnóstico de câncer de colo do útero por duas vezes em sua vida (1989 e recentemente) e que a doença, no segundo caso, chegou ao pulmão.

A íntima relação entre HPV e câncer de colo de útero

Imagem: Agência Aids

A contaminação pelo vírus HPV é fator causal para quase todos os casos de câncer de colo do útero. Para imunização dos HPVs oncogênicos 16 e 18, que são responsáveis por 70% dos tumores malignos no colo uterino, há vacina disponível na rede pública. A vacina quadrivalente, que protege contra os HPVs 16 e 18, também previnem os HPVs 6 e 11, que são responsáveis pela maioria das verrugas genitais.

A vacina quadrivalente é aplicada gratuitamente pelo SUS e é indicada para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV e pessoas transplantadas na faixa etária de 9 a 26 anos. Em razão da baixa adesão às campanhas de vacinação contra HPV e gargalos no acesso ao exame Papanicolau, o Brasil apresenta alta incidência e mortalidade por câncer de colo do útero.

Gargalos no Brasil e distância para Canadá, Reino Unido e Austrália

Em alguns estados, principalmente na Região Norte, os tumores de colo uterino superam o câncer de mama. O problema é mais acentuado no Amazonas, que registra 40 casos para cada 100 mil mulheres. Na sequência, vem o Amapá, com 33 casos para cada 100 mil. Comparativamente, em São Paulo, são 6 casos para cada 100 mil.

A prevalência de câncer de colo do útero em São Paulo é similar ao cenário do Canadá, que registra 5,7 casos para cada 100 mil mulheres. Entre as canadenses, a mortalidade é de 1,7 casos para cada 100 mil. O Canadá apresenta taxa de cobertura vacinal acima de 80%. O mesmo ocorre com o Reino Unido e Austrália, que também registram 1,7 mortes pela doença para cada 100 mil mulheres.

O abismo mundial fica ainda mais evidente quando se compara com os países de menor IDH. Na Suazilândia, no sul da África, são 75,3 casos e 52,5 mortes para cada 100 mil mulheres. Na América do Sul, o maior impacto da falta de acesso se dá na Bolívia, que registra 38,5 casos e 19,0 mortes para cada 100 mil bolivianas.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO)