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Entenda os tipos de cirurgias indicados ao tratamento de enxaqueca

Desenvolvida em 2000 e respaldada por vários estudos científicos, cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital, envolvidos nos pontos de dor.

A enxaqueca afeta 15% da população brasileira, segundo estatísticas, e já existe uma forma mais eficaz de lidar com o problema: a cirurgia. Hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard, o procedimento tem resultados muito positivos e semelhantes.

“As publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

Mas afinal, por que investir em uma cirurgia para enxaqueca? De acordo Rubez, a enxaqueca tem sido associada à compressão e irritação dos principais nervos sensitivos do rosto e da cabeça. “Em pessoas com predisposição genética para a enxaqueca os nervos podem sofrer compressões ao longo de seus trajetos e desencadear a cascata de sintomas da doença. O alívio cirúrgico da compressão nos nervos pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração das dores de cabeça ou até mesmo eliminá-las”, destaca.

Da mesma forma, a cirurgia é uma opção muito vantajosa para pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a essas medicações. Todos os tipos de cirurgia de enxaqueca são pouco invasivos, de forma que a cirurgia tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som”, diz o médico.

A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migrânea (enxaqueca) feito por um neurologista, e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações; pacientes que tenham muitos efeitos colaterais com as medicações; ou ainda em pacientes que desejam realizar o procedimento devido ao grande comprometimento que as dores causam em sua vida pessoal e profissional.

Segundo o especialista, são sete os tipos de cirurgia, pois para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. O cirurgião explica que cada cirurgia foi desenvolvida para gerar a menor alteração possível na fisiologia local. “Em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”.

Conheça abaixo cada um deles:

Frontal – um dos tipos mais comum e é realizado para os pacientes que têm o início das dores na região dos supercílios, segundo o médico. “Esta cirurgia é feita a partir de incisões nas pálpebras superiores, como nas blefaroplastias, ou incisões no couro cabeludo. As cicatrizes, portanto, ficam imperceptíveis. Nesta cirurgia, é realizada a remoção dos músculos corrugadores do supercílio, depressores do supercílio e próceros, além de artérias locais, que causam irritação aos ramos supraorbital e supratroclear do nervo trigêmeo”, afirma o médico. Além de tratar a enxaqueca, o paciente desse tipo de cirurgia, como consequência do procedimento, diminui a formação de rugas nestas áreas, contribuindo para um efeito rejuvenescedor da face.

Temporal – “Neste procedimento as incisões são realizadas no couro cabeludo, e tem como objetivo descomprimir ou ressecar parte do nervo zigomático-temporal, o qual é rotineiramente lesado em cirurgias estéticas para a face”, afirma o médico. A perda parcial de sensibilidade na região temporal pode ser temporária ou definitiva e nesta cirurgia também ocorre efeito rejuvenescedor da face, uma vez que os tecidos da região são levemente tracionados para lateral, causando elevação discreta da sobrancelha.

Aurículo-temporal – pacientes que apresentem dores na lateral da cabeça, ou seja, nas têmporas, podem se submeter a cirurgia para o nervo aurículo-temporal. “Assim como as demais, fará a descompressão dos nervos localizados na região temporal — bem próximo à orelha—, minimizando os sintomas da enxaqueca. Em alguns casos, a condição pode ser eliminada por completo. Esta cirurgia pode ser feita sob anestesia local, com duração de cerca de 15 minutos”, afirma o médico.

Numular – trata-se de um procedimento realizado sob anestesia local, com duração em torno de 15 minutos. “As dores são na região do couro cabeludo, mais comumente nas laterais da cabeça. O paciente em geral consegue identificar pontualmente o local de maior dor, que é confirmado com a utilização de um doppler. Através de pequena incisão é realizada a neurotomia de pequenos ramos nervosos, sendo que a cicatriz fica disfarçada pelo cabelo”, explica Rubez.

Rinogênico – trata-se de cirurgia realizada toda por dentro do nariz, e destinada para os pacientes que apresentam dores que se iniciam atrás dos olhos, por exemplo, causadas por variações do clima. “Os contatos entre o septo desviado e os cornetos (ou carne esponjosa) ativam a cascata de dores neste caso. O intuito da cirurgia, portanto, é corrigir eventuais desvios ou esporões do septo, hipertrofias de cornetos ou conchas bulhosas. Esta cirurgia vai promover um pós-operatório com melhora da respiração”, conta o especialista.

Occipital – este tipo é correspondente às dores atrás da cabeça ou na nuca, que podem ser causadas pela irritação de diversos nervos, sendo o principal o nervo occipital maior. “A compressão do nervo pode ser feita por músculos ou vasos. Realiza-se, então, a remoção de parte do músculo semiespinal e descompressão do nervo em todo seu trajeto”, afirma.

Occipital Menor – o nervo occipital menor, quando apresenta compressão, faz com que o paciente tenha dores na região lateral da nuca, semelhantes a uma dor muscular. “Para melhorar a condição clínica, a cirurgia realiza a neurotomia (secção) do nervo. A incisão é pequena e no couro cabeludo do paciente, não resultando em cicatriz visível, e com melhora significativa do quadro de enxaqueca na grande maioria dos casos”, enfatiza o especialista.

Rubez enfatiza que as cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e em alguns casos sob anestesia local. “A duração da cirurgia, para cada nervo, é de cerca de uma a duas horas, e o paciente tem alta no mesmo dia, ou no dia seguinte, para casa”, explica.

Como surgiu a cirurgia para enxaqueca

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A Cirurgia para Enxaqueca foi criada e desenvolvida, a partir de 2000, pelo cirurgião plástico Dr. Bahman Guyuron, em Cleveland nos EUA. Desde então, diversas equipes ao redor de todo o mundo vêm realizando este tipo de cirurgia com sucesso. Único médico a realizar a cirurgia em São Paulo, Rubez aprendeu detalhes das técnicas cirúrgicas desse procedimento com o médico Bahman Guyuron, por meio de sete estágios entre os anos de 2014 e 2019.

Segundo Rubez, o procedimento foi criado a partir de cirurgias estéticas para a região frontal ou superior da face, de forma que Guyuron notou que seus pacientes melhoravam das dores de enxaqueca, quando sofriam com o problema. Em 2005, Guyuron e sua equipe publicaram um estudo prospectivo com randomização entre um grupo tratado e um controle sem cirurgia, envolvendo no total 125 pacientes.

Do grupo tratado 92% dos pacientes obtiveram sucesso com a cirurgia, sendo que 35% apresentaram eliminação completa dos quadros de Enxaqueca. “Nos trabalhos científicos sobre a Cirurgia de Enxaqueca, o sucesso do procedimento é definido como uma melhora de no mínimo 50% na intensidade, duração e frequência das crises. Este mesmo grupo de pacientes foi acompanhado por cinco anos e, em nova publicação de 2011, comprovou-se a manutenção da melhora dos pacientes operados”, finaliza.

Fonte: Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Três tendências de beleza perigosas que você deve seguir somente com orientação médica

Médicos reforçam uma mensagem que deveria ser óbvia: nem todo modismo é seguro. Por isso, tome muito cuidado antes de se aventurar em uma tendência de beleza

Quando se trata de cuidados com a pele, parece que sempre há uma nova tendência. É necessário tomar muito cuidado com os modismos populares de cuidados com a pele ou de tratamentos estéticos. Nem todas as pessoas estão aptas a passar por algum procedimento, por isso a indicação médica é fundamental sempre. Abaixo, as três principais tendências que reforçam a ideia de que nem todo modismo é livre de ser perigoso:

Harmonização facial e injetáveis nem sempre são seguros

A aplicação de toxina botulínica e substâncias preenchedoras para rejuvenescer a face têm ficado cada vez mais populares. O problema é que, com a demanda por injetáveis crescendo cada vez mais, começam a surgir versões mais baratas destes procedimentos que, apesar de parecerem um bom negócio à primeira vista, podem trazer sérias complicações, ainda mais se forem aplicados por profissionais não-médicos.

“A aplicação de produtos de qualidade duvidosa pode levar a consequências como irritações, reações inflamatórias, alergia e infecções”, alerta a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “Quando falamos de preenchedores o cuidado deve ser ainda maior, pois ainda hoje são utilizadas substâncias como o metacrilato, um preenchedor permanente e de baixo custo que, apesar de ter registro na Anvisa, possui uma grande taxa de complicação a longo prazo, podendo provocar o aparecimento de nódulos endurecidos e avermelhados que necessitam de cirurgia para serem retirados”, destaca a cirurgiã plástica.

Dessa forma, é importante ressaltar que o procedimento deve ser realizado apenas por um médico, como um cirurgião plástico ou dermatologista. “Isso por que o procedimento requer grande conhecimento das estruturas faciais, visto que o rosto é uma região de grande vascularização, e destreza no manuseio de agulhas e cânulas por parte do profissional. Além disso, apenas o profissional especializado poderá realizar uma avaliação correta do seu rosto, tratando apenas as partes necessária para garantir um resultado natural e um procedimento sem complicações”, explica o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O tratamento antiacne sem prescrição pode piorar sua pele

A acne é uma doença inflamatória de pele que tem causa multifatorial e, se um dermatologista não for consultado, o corpo pode não responder tão bem ao tratamento. Na verdade, pode haver até mesmo um processo de piora: o chamado efeito rebote. “Existem alguns produtos que secam demais a pele, dando a impressão do controle da oleosidade, porém o sistema biológico desenvolve mais óleo para dar o equilíbrio necessário. Este desenvolvimento com produção de mais óleo é chamado de efeito rebote e, associado à descamação da pele causada pelo ressecamento, aumenta o acúmulo da acne, piorando o processo infeccioso e formando comedões”, explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Para um tratamento efetivo contra a acne, o primeiro passo é consultar um médico que fará uma verdadeira investigação para começar o tratamento. Em alguns casos, ele pode pedir um exame genético. Segundo o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene, quando você sabe qual o genótipo de genes pró-inflamatórios, você consegue modular a expressão desse gene.

“Então se é um processo inflamatório exagerado que está piorando a acne, o que você pode fazer: você genotipa alguns genes, o TNF-alfa é um deles que está associado com o processo inflamatório, e se o indivíduo tem um alelo (forma alternativa de um determinado gene) que leva a um processo inflamatório mais intenso, você vai usar alguns ativos orais em uma determinada concentração para frear e adequar a expressão desse gene”, diz o geneticista.

“Isso significa que para haver essa adequação, você vai precisar de mais ativos orais ou tópicos em uma concentração maior, para frear essa maior produção, já que está sendo produzido em maior intensidade por esses dois alelos”, explica ele. E o exame pode ajudar até mesmo no controle da dieta, já que alguns alimentos estimulam a inflamação no corpo. “Então, se você tiver uma dieta adequada, você vai minimizar a inflamação sistêmica. E inclusive vai minimizar a inflamação na pele que está levando à acne”, afirma Sady.

Além disso, em alguns casos o médico pode indicar limpeza de pele feita por esteticista, que ajuda a limpar os cravos. E acredite: espremer o seu cravo em casa não é a mesma coisa que limpeza de pele. “Isso por que, quando você espreme um cravo, pode estar na verdade empurrando o sebo e as bactérias para o fundo do poro causando inflamação e até mesmo uma espinha. Podendo evoluir para uma cicatriz. O ideal é que a extração seja feita por uma profissional através da limpeza de pele para diminuir o risco de inflamações ao invés de alastrar o problema ainda mais”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Aspiradores de poros podem causar lesões na pele

Cravos são um desconforto estético para muitas pessoas, que utilizam das mais diversas técnicas para se verem livres destes poros entupidos de sebo e óleo. Uma dessas técnicas consiste na remoção das impurezas presentes nos poros por meio de gadgets conhecidos como removedores de cravos ou aspiradores de poros. Mas, afinal, esses aparelhos realmente funcionam? “Ao contrário dos cosméticos, que atuam sobre os cravos através da esfoliação e dissolução do sebo e células mortas, os removedores de cravos utilizam a sucção para extrair fisicamente as sujidades de dentro dos poros”, explica Paola.

“O problema é que esses aparelhos podem ser perigosos quando utilizados da maneira incorreta, pois a grande pressão exercida pelo dispositivo sobre a pele pode provocar o surgimento de lesões como cicatrizes, manchas, vasinhos e hematomas.” Segundo a dermatologista, o uso do aparelho é ainda mais arriscado para pacientes que sofrem com rosácea, pele sensível ou vasinhos no rosto, já que força da sucção pode agravar essas condições.

“Além disso, esses aparelhos também são pouco eficazes e funcionam apenas como uma solução temporária, já que os poros tendem a entupir novamente após certo tempo”, alerta a especialista. Além da rotina skincare recomendada pelo dermatologista, sessões de limpeza de pele com um profissional capacitado são fundamentais para a extração dos cravos já instalados na pele. Existem também medicamentos orais que podem acabar definitivamente com o problema em casos mais graves. “Caso você sofra constantemente com cravos e espinhas, o ideal é que você consulte um dermatologista”, finaliza Paola.

Naturalidade é tendência de beleza para 2021

O que Marina Ruy Barbosa, Gisele Bündchen, Giovanna Ewbank e Bruna Lombardi entre outras celebridades, têm em comum além da fama? Todas exibem uma beleza natural, sem exageros, o que se torna uma tendência entre famosas e anônimas para os próximos anos.

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Segundo a cirurgiã plástica e especialista em laser, Ana Carolina Chociai, a busca agora é pela beleza natural e proporcionalidade, sem um padrão que deixe todos os rostos iguais. “As pessoas são bonitas como são e querem envelhecer bem e com naturalidade, o que não significa ficar sem nenhum cuidado mas sim buscar um resultado natural”, explica.

De acordo com a especialista, o tratamento facial está em evidência e a busca por tratamentos que melhorem o aspecto do rosto em alta desde que as pessoas foram forçadas a aumentar o volume de reuniões por videoconferência devido à pandemia.

“Trabalhando em casa, as pessoas estão se enxergando muito mais. É como se estivessem de frente para o espelho o tempo todo e isso faz com que observem coisas que antes não as incomodava”, comenta a especialista.

Para quem busca rejuvenescimento facial, a cirurgiã destaca que os procedimentos com laser de ultraperformance são o que há de mais moderno e podem ser utilizados para potencializar outros tratamentos como bioestimuladores de colágeno, aplicações de ácido hialurônico, entre outros.

Especificamente para a região dos olhos, Ana Carolina explica que é possível tratar a flacidez das pálpebras sem cirurgia e postergar uma blefaroplastia. A cirurgiã, que atua em Curitiba, é também pesquisadora e precursora de uma técnica lançada neste ano que busca o rejuvenescimento dessa região da face. O estudo apresentado e publicado na revista científica Lasers in Surgery and Medicine servirá como base em todo o mundo para aplicação da técnica que recebeu o nome de Eyelift.

“O tratamento da região periorbitária também é uma tendência porque com o uso das máscaras isso está em muita evidência no dia a dia e temos uma grande procura de tratamento para o terço superior. O procedimento prevê uma abordagem completa dos tecidos moles periorbitários (olheiras) tratando além da pele, músculos e ligamentos que também perdem a elasticidade e a firmeza durante o processo de envelhecimento”, explica a especialista.

Tratamento confiável

Seja na aplicação de injetáveis ou no uso de tecnologias como o laser, o paciente deve sempre procurar por um profissional de confiança, que tenha estudado e se certificado para estes serviços. Com a demanda crescente deste mercado passam a surgir opções mais baratas e que, apesar de parecem bons negócios à primeira vista, podem trazer complicações.

“O paciente deve buscar o profissional que está apto para orientá-lo sobre a correta indicação daquele procedimento, buscando um alinhamento da expectativa. O profissional também deve estar disponível e ser capacitado”, finaliza Ana Carolina.

Fonte: Ana Carolina Chociai é Graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – Curitiba PR. Residência Médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Regional Hans Dieter Schmidt – Joinville SC. Residência Médica em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru e Hospital Santa Casa de Curitiba – PR. Membro Especialista certificada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Associação Médica Brasileira.

Pecados capitais de beleza que envelhecem e tornam a pele mais vulnerável

Com a flexibilização da quarentena, tome cuidado com esses descuidos na rotina porque eles podem deixar sua pele mais suscetível aos danos externos (e ambientais), o que leva ao envelhecimento precoce

Muitas pessoas ainda ignoram os cuidados com a pele e, mais cedo ou mais tarde, sofrem as consequências. Mas mesmo quem já tem uma rotina skincare pode enfrentar alguns problemas, por falta de informação (ou indicação adequada), preguiça ou ansiedade em ver resultados rápidos. É necessário ter cuidado e cautela, pois alguns desleixos ou abusos podem ser considerados pecados capitais contra a sua pele: e eles favorecem o envelhecimento precoce. Consultamos os melhores experts em beleza e saúde da pele para listar os pecados que, definitivamente, você deve evitar.

mulher usando protetor solar

Não usar filtro solar no frio, em dias nublados ou chuvosos – pode parecer fora de realidade, mas as queimaduras solares também acontecem em dias nublados, no outono e no inverno. E além disso, menos visível que os danos das queimaduras, há alterações subcutâneas que nem sempre percebemos na hora – apenas quando os anos passam. “Isso ocorre porque as nuvens absorvem por volta de 10% da radiação ultravioleta, ou seja, apesar do dia não estar ensolarado, ele tem praticamente a mesma intensidade de radiação ultravioleta que um dia megaensolarado”, destaca a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A dermatologista lembra que o índice mínimo de filtros solares recomendado é FPS 30. “Mas, para algumas peles muito sensíveis ou com manchas, o ideal é abusar de um FPS mais alto, porque há, sim, diferença de proteção entre FPS. E o protetor deve garantir proteção contra UVA, radiação ultravioleta A, um tipo de radiação que atinge a pele mais profundamente, causa o fotoenvelhecimento, aparecimento das rugas e manchas”, afirma. O fotoprotetor deve ser usado todo dia e repassado após três horas em exposição direta e após quatro horas em ambientes fechados.

mulher cosmetico serum

Abusar do uso de retinoides – nenhum retinoide (retinol ou ácido retinoico) deve ser usado sem que haja a prescrição de um dermatologista! Dito isto, vamos entender por que isso acontece: “Estamos falando de um ácido (vitamina A ácida), que pode provocar irritabilidade, hipersensibilidade, até uma queimadura, quando mal utilizado, em concentração acima do que a pele pode suportar, ou muitas vezes sendo utilizado de uma maneira inadequada, sem orientação médica”, diz a dermatologista Claudia Marçal, professora-fundadora do Dermacademy MB e membro da SBD. Outro problema que pode surgir na pele, com o excesso desse ácido, são os vasinhos: “Quando fazemos peeling ou usamos ácidos, estamos criando um processo inflamatório, ‘queimando a pele’ para ela descamar. Se esse processo for excessivo, abusivo, pode gerar, sim, os vasinhos no rosto”, argumenta Aline Lamaita, angiologista e cirurgiã vascular, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. De acordo com a Dra. Claudia, geralmente os retinoides são prescritos no inverno e não devem ser usados de maneira contínua, pois a pele fica mais fina, avermelhada e delicada, o que a deixa susceptível a agressores ambientais, como mormaço, calor, luz visível, poluição e especialmente o sol. “Seu uso é obrigatoriamente noturno, e o ideal é começar com a aplicação de duas a três vezes por semana, intercalados com nutritivos adequados à pele, como Overnight Repair, Progenitrix, Vitamina C e nutriomega 3, 6, 7 e 9”, diz a dermatologista. E lembre-se: no dia seguinte, é necessário lavar o rosto e usar um filtro solar potente.

mulher usando serum pele

Usar bons produtos na hora errada – quando usamos produtos noturnos durante o dia, corremos o risco de fotossensibilização. Um dos principais erros, nesse sentido, é fazer uso de ácidos de manhã. “Esses produtos podem fazer a pele descamar e deixá-la mais sensível, o que é um perigo tendo em vista que a radiação solar e a poluição podem causar muito mais danos”, explica Isabel Piatti, especialista em Estética e Cosmetologia, conselheira do Comitê Técnico de Inovação da Buona Vita, embaixadora do CIA – Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas, e Membro do Conselho Científico da Academia Brasileira de Estética Científica – ABEC. Então é importante que esses produtos, quando prescritos pelo dermatologista à noite, ou quando é possível observar no rótulo os posicionamentos “over night”, “creme para noite”, “night cream”, sejam utilizados de fato à noite. “Durante a noite a pele vai experimentar um período de reparação celular, então, os cremes devem ajudar a pele a renovar as células”, afirma Isabel. É o caso do Tenso Active, que é o anti-idade noturno da linha Day & Night da Buona Vita. O creme combate as rugas e minimiza as linhas de expressão e flacidez. Por outro lado, durante o período matutino, a fotoproteção da pele é essencial, então além do filtro solar, devemos apostar em ativos antioxidantes com ações específicas contra poluição e outras agressões ambientais. O Gel Creme Nanocápsulas, creme diurno da linha da Buona Vita, traz Vitamina C para ação antioxidante e FPS 30 para proteger a pele.

cotovelo pele cuidados

Negligenciar as “áreas esquecidas” – na rotina de beleza diária da pele, muitas pessoas concentram-se no rosto, afinal é a região onde surgem rugas e linhas de expressão. “Porém, outras regiões do corpo, como joelhos e cotovelos, também sofrem igualmente, e às vezes até mais (por conta das características da pele da região), com os danos externos que levam ao processo de envelhecimento precoce. Logo, necessitam de cuidados tanto quanto o rosto”, diz a dermatologista Kédima Nassif, membro da SBD. Além disso, não podemos esquecer do pescoço e colo, que também demonstram sinais do envelhecimento. No caso dos joelhos e cotovelos, abuse da vitamina E e óleos naturais. Para o pescoço, colo e a área atrás da orelha, o ideal é estender os cuidados do rosto, com hidratantes associados a antioxidantes com Vitamina C, Alistin e Hyaxel, além da fotoproteção. “Também é necessário usar cremes específicos para área dos olhos e lembre-se de usar um fotoprotetor, já que, nos últimos anos, a incidência de câncer de pele aumentou em 10% nas pálpebras. Vale a pena também apostar nos óculos escuros com proteção UV”, acrescenta Kédima.

envelhecimento pele mulher

Acreditar que a pele é “imutável” – é um erro comum insistir em cosméticos e fórmulas que foram boas e deram resultados 10 anos atrás. Conforme vão mudando as características da pele, os cuidados que devemos ter com ela se modificam também. Como na adolescência, em que a pele tem tendência a ser mais oleosa, na faixa dos 50 anos há cada vez mais um ressecamento cutâneo. Para fugir do básico na hora de hidratar a pele, o ideal é oferecer ao tecido cutâneo algo a mais, como os peptídeos. Existem centenas de diferentes peptídeos, que são feitos a partir de diferentes combinações de aminoácidos. Eles estimulam a comunicação e proliferação celular, no geral. Segundo o farmacêutico Maurizio Pupo, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina Italy, os peptídeos agem na pele quase como se fossem medicamentos: “Eles penetram, vão ao encontro do receptor, ligam-se à célula e produzem determinado efeito. Existem peptídeos que estimulam produção de elastina, ácido hialurônico e agem na cicatrização da pele. Eles são realmente muito importantes”, diz o diretor da marca, que tem dois produtos com peptídeos pró-colagênicos, que trabalham fortemente para estimular colágeno: Collagen Peptide e Sustent C Pro-Collagen. Os produtos agem de maneira eficiente no estímulo ao colágeno, deixando a pele mais jovem.

shutterstock botox

Acreditar que procedimentos fazem milagres – é muito comum que as pessoas procurem por procedimentos para rejuvenescer acreditando que sairão do consultório quase que irreconhecíveis. “Porém, não existem procedimentos que rejuvenescerão o rosto em uma única sessão de maneira rápida e simples, pois é impossível reverter de uma única vez todos os danos do envelhecimento causados ao longo de anos”, diz a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). “O ideal então é conversar com seu médico para verificar a possibilidade da combinação de diferentes procedimentos que, realizados em uma determinada sequência e ao longo de um certo tempo, potencializarão os resultados esperados”, recomenda a cirurgiã. Após a cirurgia, também é preciso adequar alguns hábitos, como parar de fumar, diminuir a quantidade de açúcar e sal na alimentação e ter muito cuidado com bebidas alcoólicas.

mulher madura rosto creme olhos grisalha

Pensar que os cremes mais caros serão a salvação da sua pele – para quem fica muito ligado em novidade, é bom saber que nem sempre comprar um produto inovador vai ser a salvação. “Essa paciente precisa ter a orientação de um especialista, de seu dermatologista. Porque muitas vezes esse produto não é adequado para o tipo de pele, época do ano, fototipo e condições naturais genéticas daquela pele”, afirma Claudia. Além disso, os cremes não fazem milagres. “Quando falamos sobre investimento em anti-aging, isso tem de partir da mudança da qualidade de vida dessa pessoa, pois nós sabemos que a genética é importante, mas ela não responde pela maior parte, quando falamos em equilíbrio e longevidade e com qualidade de vida. Então, os tripés de sustentação como alimentação, atividade física e proteção à ação danosa da radiação ultravioleta. Além disso, ter uma vida com menos estresse é fundamental”, diz a médica. “Muitas vezes, essa paciente precisa de nutracêuticos como Exsynutriment, InCell e Bio-Arct para promover, de dentro para fora, um estímulo às proteínas de sustentação da pele. E hoje temos muitas tecnologias em consultório que podem ser indicadas para um tratamento completo e eficaz do paciente”, finaliza a médica.

 

Rugas em excesso podem dificultar expressão das emoções e deixar o rosto triste e cansado

Pesquisas já relacionaram o excesso de rugas à percepção emocional dos pacientes. Rosto com muitas marcas de expressão pode dar sinais falsos de que o paciente está triste, cansado ou zangado

As rugas não só deixam o rosto mais envelhecido como seu excesso pode dificultar a expressão de emoções, deixando a face com aspecto mais triste e cansado. Há alguns anos, pesquisadores da Penn State University pediram a um grupo de participantes, em um estudo, para examinar 64 faces e classificá-las com base nas emoções que percebiam nas imagens. Em média, as fotos que mostram adultos mais velhos foram classificadas como mais zangadas ou tristes em comparação às fotos de pessoas mais jovens, apesar de cada rosto fotografado mostrar emoções neutras.

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“Vincos na boca e na testa podem fazer com que as pessoas pareçam estar franzindo a testa em uma expressão de que estão chateadas”, afirma o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Este não é o primeiro estudo a examinar a ligação entre rugas e percepção emocional.

Um estudo anterior realizado por pesquisadores da Universidade Humboldt, em Berlim, descobriu que as pessoas mais jovens tinham dificuldade em julgar os rostos dos adultos mais velhos, e muitas vezes percebiam que tinham mais “emoções confusas” do que imagens semelhantes de pessoas mais jovens.

A dificuldade se configura com o excesso de rugas. Segundo a dermatologista Claudia Marçal, independentemente da idade, seja aos 40, aos 50 ou 80, é possível ter rugas, mas é necessário ter uma pele tratada, bonita, viçosa, luminosa, hidratada, tonificada.

“Até mesmo pacientes que pretendem fazer uma cirurgia plástica para diminuir as rugas necessitam de uma ajuda dermatológica para melhorar a qualidade dessa pele”, explica Farinazzo.

“Por exemplo, mesmo uma paciente de 80 anos com sulcos, marcas, linhas ao redor da boca e entre as sobrancelhas, pode e precisa ter uma pele luminosa, com um quadro de tonicidade e uma pele que por si só seja reconhecida como uma bem cuidada”, diz a dermatologista.

De acordo com o cirurgião plástico, este estudo mostra que as pessoas que buscam procedimentos de cirurgia plástica, como ritidoplastia, facelifts ou injeções de toxina botulínica, não estão fazendo isso simplesmente por vaidade. “Existem problemas reais associados aos primeiros sinais de envelhecimento, de forma que o paciente pode apresentar falsamente a ideia de que está enfrentando tristeza e depressão, ou ainda parecer nervoso demais”, diz o cirurgião.

“Felizmente, existem muitos tratamentos que podem ajudar a tratar rugas no rosto e pescoço. Embora os de lifting facial sejam os mais conhecidos e definitivos, outros podem optar pelos injetáveis para paralização muscular (toxina botulínica), preenchimento (ácido hialurônico) e estímulo de colágeno (bioestimuladores), que também trazem bons resultados”, afirma o médico.

mulher rugas nasoge

“O mais importante é consultar um médico para indicação precisa dos tratamentos que devem ser realizados, que muitas vezes podem ser feitos em conjunto entre dermatologistas e cirurgiões para o melhor resultado. Além disso, é muito importante que o resultado seja natural, pois um rosto paralisado também demonstra dificuldade de expressar sentimentos”, finaliza Farinazzo.

Fontes:
*Cláudia Marçal é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Professora e fundadora do Dermacademy MB, plataforma online de ensino a dermatologistas. Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. Proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.
*Mário Farinazzo é cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da Unifesp e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz e Oswaldo Cruz entre outros.

Envelhecimento causa pele enrugada como pergaminho, mas maus hábitos influenciam

A pele enrugada, também conhecida como “pele de pergaminho” ou “pele de elefante”, é uma condição em que a pele sofre pela diminuição do colágeno, ficando mais flácida, enrugada e com perda de elasticidade

O enrugamento da pele é um sinal comum do envelhecimento. Nossa pele vai perdendo elasticidade ao longo do tempo, fazendo com que sua textura fique cada vez mais enrugada, sendo essa a principal causa da “pele de pergaminho” ou “pele de elefante”. No entanto, a maioria de nós tem pele enrugada antes mesmo de alcançar a velhice.

pele enrugada mulher

“Se você olhar para os cotovelos, por exemplo, verá que a pele tem uma textura enrugada como um fino papel amassado. Quando envelhecemos, a tendência é que esse tipo de pele tome conta do pescoço, braços, mãos, pernas e rosto. Esse envelhecimento da pele tem influência genética, mas se dá principalmente por fatores externos, como a exposição aos raios ultravioletas, por exemplo”, explica Paolo Rubez, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Segundo Rubez, rugas se formam a partir de expressões faciais repetidas. “Por exemplo, um sulco se forma abaixo da superfície da pele quando sorrimos ou franzimos a testa. No entanto, fatores externos agravam o problema, como a exposição aos raios do sol e o fumo. Essa pele mais enrugada é causada pela diminuição da produção de colágeno, que torna a pele mais flácida e com falta de elasticidade. A exposição ao sol, a desidratação e o tabagismo potencializam o problema”, diz.

Para ajudar a aumentar a elasticidade da sua pele e retardar o aparecimento da pele de pergaminho, é importante manter-se bem hidratado, evitar muita exposição ao sol e utilizar protetor solar com no mínimo FPS 30 todos os dias, além de ter uma dieta saudável e equilibrada, repleta de alimentos ricos em antioxidantes. Uma vez que a pele já está envelhecida, alguns tratamentos podem ser aplicados. Rubez fala um pouco sobre eles:

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Toxina Botulínica: a aplicação da toxina pode ser tanto corretiva quanto preventiva. “O bloqueio dos movimentos musculares da face resulta em uma redução das linhas de expressão e impede que uma ruga dinâmica se torne uma ruga estática”, informa o médico.

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Preenchimento facial: “Feito com ácido hialurônico, o preenchimento facial é um dos principais procedimentos estéticos realizados atualmente, devido aos bons resultados alcançados e pela segurança da substância, que já é presente no nosso organismo. O ácido hidrata e traz vitalidade à pele, pois atrai moléculas de água entre as células, proporcionando volume às áreas tratadas, melhorando o contorno facial e promovendo uma aparência mais harmônica.”

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Bioestimuladores de colágeno: aplicados através de cânulas ou agulhas eles promovem a produção de colágeno pelo organismo. “Há um benefício grande da flacidez e qualidade da pele, a partir de 2 a 3 sessões e os efeitos podem durar até 2 anos”.

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Lifting facial: “É a cirurgia plástica recomendada para rejuvenescimento facial. Indicada para casos mais avançados de envelhecimento da pele da face, mais comum em pacientes a partir de 50 anos e que precisam de um tratamento mais acentuado”, afirma o cirurgião plástico. O lifting facial elimina rugas, flacidez e remove o excesso de pele, além de “levantar o rosto”, amenizando sulcos e melhorando o contorno da face, segundo o cirurgião.

É necessário que qualquer um dos tratamentos citados seja conduzido por um cirurgião plástico qualificado, pois só ele saberá avaliar as demandas do paciente e os cuidados pré e pós-procedimentos.

Fonte: Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. Especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp. 

Cirurgia de contorno corporal: como funciona e quais os cuidados necessários?

Cirurgia deve ser planejada de forma responsável para que riscos sejam diminuídos e os resultados potencializados

Atingir uma meta de peso é um desafio que exige bastante empenho e dedicação, e certamente deve ser bastante valorizado. No entanto, após uma perda de peso significativa, é natural que haja um excesso de pele e isso é incômodo para muitas pessoas. Por esse motivo, muitas delas acabam procurando o procedimento de contorno corporal.

“A cirurgia de contorno corporal (ou body lifting) tem como propósito ajudar as pessoas que ainda estão insatisfeitas com seu corpo, mesmo depois de perder peso através de dieta, exercício ou cirurgia bariátrica. Os resultados do Body Lifting são visíveis quase que imediatamente, mas pode levar de um a dois anos até que se perceba o efeito completo da cirurgia. Como toda cirurgia, o procedimento pede um planejamento cuidadoso para a maximização dos resultados”, explica Mário Farinazzo, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Quando se decidir pela cirurgia, o paciente já deve ter atingido o seu peso alvo (ou o mais próximo disso possível). Ainda que o tratamento de contorno corporal possa incluir lipoaspiração para ajudar a remover pequenas áreas isoladas de gordura, a cirurgia plástica não deve servir como perda de peso.

Se a perda de peso foi alcançada através de cirurgia bariátrica, dieta ou rotina de exercícios físicos, é imprescindível que o paciente consiga manter um peso estável a longo prazo antes de decidir realizar a cirurgia de contorno corporal. “Variações de peso significativas podem afetar de forma negativa o resultado, além de aumentar o risco de complicações durante ou após o contorno corporal”, enfatiza o cirurgião plástico.

Para realizar a cirurgia de body lifting, bem como qualquer outra cirurgia, é necessário que o paciente esteja com uma boa condição de saúde. Caso tenha passado por uma cirurgia bariátrica recentemente e está se adaptando a um novo plano de dieta, convém dar ao corpo algum tempo para se acostumar antes de um novo procedimento cirúrgico. “É importante manter hábitos alimentares saudáveis e com os nutrientes necessários para uma recuperação adequada. Não recomendo fazer dieta durante a recuperação de abdominoplastia, mas sim fornecer ao corpo o suficiente dos alimentos certos”, diz Farinazzo.

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Majoritariamente, o objetivo principal das pessoas que buscam a cirurgia de contorno corporal é estético, porém, é importante que o paciente tenha objetivos claros e realistas sobre o que o contorno corporal pode ou não proporcionar, como explica o médico: “Quando a lipoaspiração é adicionada ao Body Lifting, há um resultado melhor, pois ela é capaz de tratar também aquelas pequenas áreas de gordura que se acumulam em lugares como quadris e cintura”.

Após a recuperação total da cirurgia, o médico ressalta ainda a importância da prática de atividades físicas regulares e alimentação adequada. “Uma dieta rica em boas fontes de energia, vitaminas e sais minerais contribuem para um melhor resultado. Praticar exercícios físicos é importante também para a manutenção do peso e da saúde”, conclui o cirurgião plástico.

Fonte: Mário Farinazzo é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Departamento de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da Unifesp e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine Annual Meetings.

A importância da água e de alguns alimentos para a cicatrização

Uma das coisas mais importantes nos pós-operatório é a importância da boa hidratação e alimentação para a recuperação do corpo e boa cicatrização.

Após uma cirurgia, o corpo como um todo entende que sofreu uma agressão e dispara vários mecanismos de defesa, mudando assim todo seu metabolismo. Uma das formas para uma boa recuperação é manter o corpo hidratado, com ingestão de dois a três litros de água por dia.

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A água é um dos principais elementos necessários para nossas reações enzimáticas e para manter o bem-estar de nosso metabolismo, além de ser umas das precauções para evitar eventos tromboembólicos. Faz os rins funcionarem adequadamente excretando os metabólitos tóxicos.

“Após tratamentos estéticos ou cirurgias plásticas há uma série de cuidados para que o resultado do procedimento seja favorável, bem como para mantê-lo. Entre eles, há um método muito simples, eficaz e econômico que é beber água”, afirma o cirurgião plástico Juliano Souto Ferreira .

Segundo o especialista, a água não deve ser ingerida nem muito e nem pouco. Na dose certa, ela evita desidratação e não potencializa o efeito diurético, aquela vontade de fazer xixi muitas vezes.

Portanto, o ideal é que, no período de recuperação de uma cirurgia, sejam ingeridos por volta de dois litros de água por dia.

dieta proteica alimentos proteina

De forma geral a alimentação deve ser baseada em proteínas de alto valor biológico, como carnes, frango, peixes e ovos. Muito importante: os bons carboidratos de baixos índices glicêmicos para dar a energia necessária para a recuperação. Vitaminas como a C é muito importante para a formação do colágeno e uma boa cicatrização. Por isso é contraindicado fazer dietas restritivas nos primeiros 30 dias de pós cirurgia sem orientação adequada.

Isto também vale para manter bem a saúde, independente de fazer uma cirurgia ou não.

Fonte: Juliano Souto Ferreira é Cirurgião Plástico, formado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). Fez residência médica de cirurgia geral no Hospital Prof. Dr. Alipio Corrêa Neto. Residência de cirurgia plástica no Hospital dos Defeitos da Face (atual Hospital da Cruz Vermelha Brasileira). Membro especialista em cirurgia plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Preceptor da residência de cirurgia plástica do Hospital da Cruz Vermelha Brasileira. Médico do corpo clínico do Hospital São Luiz do Itaim e do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês.

Quatro estruturas da face que são alteradas no processo de envelhecimento

Apesar da queixa do paciente focar apenas uma das estruturas da face, como pele (flácida) ou (perda de) gordura, o problema pode estar relacionado com os músculos e lingamento ou com o envelhecimento dos ossos, que perdem projeção e estrutura

Durante o processo de envelhecimento, o rosto sofre alterações em várias estruturas da face. “Apesar da queixa mais comum focar em apenas uma estrutura, geralmente a pele, que pode estar flácida ou com rugas, um exame clínico adequado visualiza a face como um todo, a estrutura óssea, a quantidade e qualidade de tecidos como gordura, músculos e ligamentos e a qualidade e aparência da pele e ainda a proporcionalidade entre os segmentos da face”, afirma a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

“É uma avaliação global da face tanto em repouso como dinamicamente durante os movimentos da musculatura”, acrescenta.

Como o processo de envelhecimento é complexo, a correta avaliação do que pode ser feito é primordial, segundo a médica. Ela explica abaixo as principais alterações em quatro estruturas da face:

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Ossos — “Algumas áreas perdem projeção e espessura dos ossos, por exemplo, as maçãs do rosto ficam mais apagadas”;

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Gordura — “Existem compartimentos de gordura na face que diminuem com emagrecimento ou envelhecimento, e isso faz com que os tecidos mais superficiais tenham menos estrutura, ficando flácidos.”

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Músculos e ligamentos — “Com o passar do tempo, eles ficam mais frouxos, é o que chamamos de flacidez”;

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Pele — “Ela perde elasticidade e firmeza e acompanha a flacidez dos tecidos abaixo.”

A importância de se visitar um médico para análise completa da pele é justamente evitar a aplicação de preenchedores, por exemplo, em locais incorretos. “Por exemplo, o preenchedor mais utilizado é o ácido hialurônico mas também podemos utilizar a hidroxiapatita de cálcio. O produto pode ser aplicado com agulhas ou com microcânula, que diminui muito o desconforto e riscos de hematomas. Dependendo da estrutura a ser tratada pode ser injetado profundamente próximo ao osso, ou na gordura (subcutâneo) ou ainda sob a pele. Para isso temos produtos com diferentes coesividades, ou seja, mais ou menos espessos, para cada plano de tratamento”, afirma a médica.

Beatriz diz que o bigode chinês, ou o sulco nasogeniano, é uma queixa muito comum. “A causa pode ser diminuição da parte óssea do osso malar (o osso da maçã do rosto) ou dos compartimentos de gordura da face, fazendo com que os tecidos mais superficiais “caiam” e dobrem sobre o ligamento que formam o sulco do bigode chinês. Se simplesmente preenchermos o sulco, a parte inferior vai ficar ainda mais pesada e pode piorar o aspecto de cansado”, diz a médica.

“O ideal é preencher com ácido hialurônico de alta coesividade sobre o osso e simular o aumento dessa estrutura óssea ou repor o volume que foi perdido, dando aspecto de lifting e pode ser usado o método MD codes para repor este volume.

Segundo a cirurgiã plástica, quando o envelhecimento da pele está associado à flacidez dos tecidos mais profundos, como músculos e ligamentos, que pioram o aspecto da pele, dependendo do caso a cirurgia se faz necessária. “Procure sempre um cirurgião plástico que, com o correto diagnóstico, pode escolher como tratar estas estruturas. O envelhecimento é inevitável, mas pode ser tratado para obter um aspecto saudável e feliz do rosto”, finaliza.

Fonte: Beatriz Lassance é cirurgiã plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL, é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Malefícios do álcool para a pele, em especial após procedimento estético

Álcool pode envelhecer a pele e é completamente contraindicado após a realização de um procedimento estético, principalmente no caso dos invasivos

Você já deve ter percebido que, após o consumo excessivo de álcool, sua pele fica naturalmente mais desidratada. Se isso acontece com frequência, há uma piora da qualidade da pele, que acelera o envelhecimento cutâneo.

“Quem ingere álcool em excesso, sente muita sede, principalmente no dia seguinte. Isso acontece porque o organismo precisa de água para metabolizar o álcool. No entanto, se não houver água suficiente, o organismo busca nos tecidos periféricos a água para realizar o seu trabalho. E esse é o grande problema, pois a perda d’água afeta a pele, diminuindo o viço e colaborando para o ressecamento e a descamação”, explica Paolo Rubez, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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“Além disso, o álcool é especialmente maléfico após a realização de um procedimento estético, afetando na recuperação e até mesmo nos resultados”, acrescenta. Segundo o médico, quanto mais elevado o teor alcoólico da bebida, mais difícil a recuperação da pele ou mais intenso o dano causado.

“A exceção é o vinho tinto, que contém altos níveis de polifenóis antioxidantes, dentre eles o resveratrol, e pode ser consumido moderadamente, com cerca de meia taça por dia. Ele traz benefícios para a pele”, afirma.

Abaixo, o especialista explica três razões para se afastar do álcool após os procedimentos estéticos:

Aumenta o inchaço – “O álcool dilata os vasos sanguíneos e o resultado disso é o inchaço do corpo. Como a desidratação também é uma consequência do álcool, isso faz com que o corpo retenha o máximo de água possível, piorando a sensação de inchaço. Uma área extremamente susceptível é o nariz, então o paciente deve redobrar atenção após rinoplastias.”

Aumenta o sangramento – “Em procedimentos que demandam tempo de recuperação, como as cirurgias invasivas, o álcool é especialmente maléfico, pois ele afina o sangue e aumenta o risco de pacientes terem sangramento e prolongando a recuperação.”

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Foto: Emilysimagery/Morguefile

Resseca a pele – álcool aumenta a perda de água no corpo e causa desidratação da pele (e nem sempre beber água serve como medida para combater isso). “Para resultados otimizados, os cirurgiões podem recomendar a suspensão do consumo duas semanas antes e depois da cirurgia plástica – o tempo pode variar de acordo com o procedimento a ser realizado”, finaliza.

Fonte: Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.