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Dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta desenvolvimento de doenças cardíacas e morte

Um estudo global, que conta com a participação de habitantes dos cinco continentes, revela que uma dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta o risco de ataques cardíacos, derrames e consequentemente, morte.

O levantamento constata que os riscos de uma dieta glicêmica elevada foram semelhantes às pessoas que tinham ou não doenças cardiovasculares anteriores.

O estudo publicado no New England Journal of Medicine é o maior já registrado, que engloba uma população geograficamente diversificada, já que estudos anteriores se concentraram principalmente em países ocidentais de alta renda.

Um total de 137.851 pessoas, de 35 a 70 anos, foram acompanhadas por uma média de 9,5 anos pelo estudo Population Urban and Rural Epidemiology (PURE), realizado pelo Population Health Research Institute (PHRI), da Universidade McMaster e Hamilton Health Sciences. No Brasil, o estudo é coordenado pelo Prof. Dr. Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Foto: James Hills/Pixabay

Para o levantamento das informações do estudo, foram feitos questionários alimentares para medir a ingestão a longo prazo dos participantes e estimar o índice glicêmico (o ranking de alimentos com base em seu efeito sobre os níveis de açúcar no sangue) e a carga glicêmica (a quantidade de carboidratos em um alimento x seu índice glicêmico) de dietas. Foram registrados 8.780 óbitos e 8.252 eventos cardiovasculares de grande porte entre os participantes durante o período de seguimento.

Os pesquisadores categorizaram a ingestão de carboidratos pelos tipos que aumentaram mais os níveis de açúcar no sangue do que outros (alto índice glicêmico), e compararam esse índice com a ocorrência de doenças cardiovasculares ou morte.

O grupo que tinha uma dieta com índice glicêmico 20% mais alto, eram 50% mais propensas a ter um evento cardiovascular, derrame ou morte se tivessem um problema cardíaco pré-existente, ou 20% mais propensos a ter um evento destes, se não tivessem uma condição pré-existente. Esses riscos também foram maiores entre as pessoas obesas.

“Estamos estudando o impacto de dietas glicêmicas altas há muitas décadas, e esta pesquisa ratifica que o consumo de altas quantidades de carboidratos de má qualidade é um problema em todo o mundo”, explica o primeiro autor David Jenkins, professor de ciências nutricionais e medicina da Faculdade de Medicina Temerty da Universidade de Toronto, que também é cientista do Li Ka Shing Knowledge Institute of St. Michael’s Hospital, Unity Health Toronto.

“Os trabalhos de estudo PURE já indicaram que nem todos os alimentos ricos em carboidratos são iguais. Dietas ricas em carboidratos de baixa qualidade estão associadas à redução da longevidade, enquanto dietas ricas em carboidratos de alta qualidade, como frutas, legumes e leguminosas, têm efeitos benéficos”, diz. A maioria das frutas, legumes, feijões e grãos integrais intactos tem um baixo índice glicêmico, enquanto pão, branco, arroz e batatas têm um alto índice glicêmico.

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O pesquisador da PHRI, Mahshid Dehghan acrescenta “Este estudo também deixa claro que, entre uma população diversificada, uma dieta baixa tanto em seu índice glicêmico quanto na carga, tem um menor risco de doenças cardiovasculares e morte.”

“Os dados atuais, juntamente com publicações anteriores do PURE e de vários outros estudos, enfatizam que o consumo dos carboidratos de má qualidade provavelmente será mais adverso do que o consumo da maioria das gorduras na dieta”, disse Salim Yusuf, autor sênior do PURE, diretor executivo do PHRI e professor de medicina na McMaster. “Isso exige uma mudança fundamental em nosso pensamento sobre quais tipos de dieta provavelmente serão prejudiciais, e quais tipos neutros ou benéficos”,

“O estudo feito com a população de todos os continentes, comprova que o consumo de grandes quantidades de carboidratos de baixa qualidade associado à redução de longevidade é um problema mundial. Estes achados permitem estabelecermos políticas de saúde alimentar visando promoção de saúde e prevenção cardiovascular”, explica Alvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Os grãos consumidos nesses tipos de carboidratos, e os produtos à base dele, representam cerca da metade das calorias que as pessoas consomem em um dia. Em algumas regiões da África e da Ásia, porém, eles chegam a ser 70% do consumo calórico”, complementa Avezum.

O estudo PURE, consiste em uma plataforma do entendimento do adoecimento cardiovascular no mundo, e que está em andamento há 18 anos, reunindo dados de 101 países, com 300 mil indivíduos no mundo. É apoiado por dezenas de agências governamentais de saúde, instituições de caridade e empresas farmacêuticas, entre várias organizações, de todos os países participantes do estudo.

No Canadá, os principais apoiadores incluíram os Canadian Institutes of Health Research, Heart and Stroke Foundation of Ontario, Ontario Ministry of Health and Long-Term Care and Hamilton Health Sciences Research Institute through, a PHRI.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

HCor cria ceia de final de ano com alimentos que protegem o coração

Cardápio com entradas, pratos e sobremesas é elaborado com receitas da dieta cardioprotetora

Carnes, tortas, doces. Final de ano costuma ser sinônimo de mesas fartas com comes e bebes diferenciados. Em 2020, apesar da recomendação para que a população não realize reuniões com grandes grupos, as ceias com menor número de pessoas devem ocorrer com os menus já tradicionais.

Pensando nisso, a equipe do HCor criou um cardápio completo com entradas, pratos principais e sobremesas para o Natal e o Ano Novo. “São receitas preparadas com ingredientes que fazem bem para a saúde do coração, de maneira mais saudável (e ainda muito saborosa)”, comenta Juliana Guedes, gerente da Gastronomia do hospital.

De acordo com Ângela Bersch, nutricionista do HCor, tratam-se de receitas típicas e adaptadas ao conceito da Dieta Cardioprotetora Brasileira (criada pelo Instituto de Pesquisa do HCor em parceria com o Ministério da Saúde), reduzindo a quantidade de calorias, colesterol, sódio e gordura saturada, comparada aos modelos tradicionais.

“A estratégia foi substituir parte do sal das receitas por temperos naturais, utilizar mais alimentos cardioprotetores, e reduzir a quantidade de carnes, ovos, carboidratos e óleos vegetais, além, é claro, de excluir alimentos ultraprocessados”, explica Ângela.

Pegue caneta e papel (ou tire um print de tela) para encarar a cozinha às vésperas das festas de final de ano.

Entradas

Salada de folhas ao molho de laranja e gengibre

Ingredientes:
10 folhas de alface cortadas em tiras finas
10 ramos de agrião
10 ramos de rúcula
4 colheres (sopa) de molho de laranja e gengibre

Molho de gengibre e mel
7 colheres (sopa) de mel
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal
1 colher (sobremesa) de gengibre ralado
Raspas da casca e suco de ½ limão

Modo de preparo:
Em uma travessa, coloque as folhas de alface, os ramos de agrião e rúcula, e regue com o molho feito à base de laranja e gengibre. Sirva.

Molho de gengibre e mel
Coloque todos os ingredientes em uma panela pequena e misture bem. Aqueça em fogo brando, mexendo de vez em quando, até que o molho fique liso e líquido. Sirva quente ou frio.

Rendimento: 4 porções

Pasta de berinjela

Ingredientes:
2 colheres (sopa) de óleo composto
2 dentes de alho amassados
1 cebola média picada
2 tomates médios picados
3 berinjelas médias cortadas em cubos pequenos
½ colher (chá) de sal refinado
Manjericão picado a gosto
Salsinha picada a gosto

Modo de preparo:
Em uma panela, aqueça o óleo e refogue os dentes de alho. Acrescente a cebola e deixe dourar, adicione os tomates e refogue por 1 minuto. Adicione as berinjelas, refogue até ficarem macias e tempere com sal. Acrescente as ervas e desligue o fogo. Consuma fresco ou gelado.

Rendimento: 8 porções

Pratos

Lombo recheado com palmito

Ingredientes:
1kg de lombo aberto em manta
Suco de 1 limão
1 colher (sopa) de gengibre ralado
3 dentes de alho amassados
½ xícara (chá) de vinagre
½ colher (sobremesa) de sal
Pimenta-do-reino a gosto
3 ½ xícaras (chá) de palmito fresco, cozido e cortado em cubos pequenos
3 tomates médios picados
3 colheres (sopa) de salsa picada

Modo de preparo:
Tempere o lombo com o suco de limão, o gengibre, os dentes de alho, o vinagre, o sal e a pimenta. Coloque em um refratário, tampe com papel-alumínio e leve à geladeira por 2 horas. Misture o palmito, o tomate e a salsa. Distribua essa mistura sobre o lombo. Enrole e amarre com barbante. Coloque em uma assadeira, regue com a marinada, cubra com papel-alumínio e leve para assar no forno preaquecido a 220°C durante 50 minutos. Retire o papel-alumínio e volte ao forno até dourar, regando de vez em quando com o molho que se forma na assadeira.

Rendimento: 10 porções

Peixada ao molho de camarão

Ingredientes:
1kg de peixe em postas (sugestão pescada)
½ colher (sobremesa cheia) de sal refinado
1 colher (sopa) de vinagre
2 colheres (sopa) de suco de limão
½ xícara (chá) de leite de coco
1 cebola grande cortada em pedaços grandes
2 tomates médios cortados em quatro pedaços
1 pimentão vermelho médio cortado em pedaços grandes
1 colher (sopa) de óleo composto
1 colher (sopa) de manteiga sem sal
3 dentes de alho amassados
1 pimenta dedo de moça picada sem sementes

Molho de camarão
1 dente de alho amassado
1 colher (sopa) de óleo composto
200 g de camarão fresco limpo cozido
1 xícara (chá) de molho de tomate caseiro

Modo de preparo:
Tempere as postas de peixe com o sal, o vinagre e o suco de limão. Reserve. Bata no liquidificador metade do leite de coco com metade da cebola, um tomate e o pimentão durante 3 minutos. Reserve. Em uma panela grande, aqueça o óleo e a manteiga. Junte os dentes de alho, a pimenta dedo de moça, o tomate e a cebola restantes e refogue até ficarem macios. Acrescente a outra metade do leite de coco e misture. Junte as postas de peixe e, em seguida, a mistura do liquidificador. Tampe a panela e cozinhe por 20 minutos ou até que, ao espetar o peixe com um garfo, a carne se separe em lascas. Reserve.

Molho de camarão
Refogue o dente de alho no óleo até dourar. Junte o camarão e o molho de tomate (veja modo de preparo na página 224) e deixe ferver. Em uma travessa, coloque as postas do peixe e acrescente o molho. Sirva quente.

Rendimento: 14 porções

Sobremesa

Rocambole de maçã

Ingredientes:

Massa
1 2/3 xícara de chá de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de manteiga sem sal
¾ de xícara (chá) de leite desnatado morno
1 colher (sopa) de farinha de rosca
1 colher (sopa) de leite desnatado 1 colher de sobremesa de linhaça

Recheio
4 maçãs verdes grandes descascadas, sem sementes e cortadas em fatias finas em formato de meia lua
¼ de xícara (chá) de açúcar
1 colher (chá) de canela em pó
Suco de 1 limão
½ colher (sopa) de casca de limão ralada

Modo de preparo:

Massa
Coloque a farinha de trigo sobre uma superfície, formando um monte. Faça um buraco no centro, junte a manteiga e o leite com as mãos e agregue todos os ingredientes. Sove até a massa se desprender da superfície. Deixe descansar por cerca de 30 minutos.

Recheio
Coloque em uma tigela as fatias de maçã, o açúcar, a canela, o suco e casca de limão, misture delicadamente e reserve.

Montagem
Forre uma superfície lisa com papel manteiga. Coloque a farinha de rosca no local onde será colocada a massa. Abra a massa rapidamente com o auxílio de um rolo, elimine as partes mais grossas das bordas. Distribua a mistura de maçã, cuidadosamente, em uma faixa horizontal de massa, deixando um espaço nas bordas para o recheio não escapar. Enrole a massa, sobre o recheio, levantando o papel manteiga, como um rocambole. Achate as pontas com uma espátula. Coloque-a em uma assadeira untada. Pincele com leite para ajudar a dourar e salpique a linhaça. Leve ao forno preaquecido a 180°C e asse por 25 minutos.

Rendimento: 16 porções

Fotos meramente ilustrativas

Fonte: HCor

Climatério: severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

60% a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores

É a severidade e não a frequência das ondas de calor do climatério, o famoso fogacho, que aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Essa foi a principal descoberta de um estudo publicado esse ano, no American Journal of Obstetrics and Gynecology.

O estudo reuniu dados de 23 mil mulheres por meio da análise de seis estudos prospectivos, fruto de uma colaboração internacional, liderada pela Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra, cerca de 60% a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores, como os fogachos e suor noturno.

“Esses sintomas costumam se acentuar dois anos antes da última menstruação (menopausa), com um pico de um ano após a menopausa. Em média, esses incômodos podem durar até sete anos. Além de afetar a qualidade de vida, aumentam o risco de eventos cardiovasculares”.

O que o estudo mostrou de interessante é que o risco de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com a severidade das ondas de calor e dos suores noturnos.

“Mesmo que a mulher tenha uma frequência maior desses sintomas, a severidade é o que realmente faz a diferença quando se fala de maior probabilidade de ter um AVC ou um infarto, por exemplo”, comenta Cavalcante.

Início precoce ou tardio

Outra descoberta dos pesquisadores é o que risco de eventos cardiovasculares também é maior nas mulheres que apresentaram esses sintomas precocemente (muito tempo antes da menopausa) ou tardiamente (muito tempo depois da menopausa).

Janela de oportunidade

Infelizmente, não há evidências científicas sólidas sobre hábitos que possam prevenir os sintomas vasomotores no climatério. “Entretanto, quanto mais saudável a mulher chegar a essa fase, melhor. Inclusive porque aquelas com doenças cardiovasculares prévias têm contraindicação para realizar a terapia hormonal (TH)”, comenta o médico.

“Atualmente, o consenso sobre a indicação da TH aponta que deve ser iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa, no que chamamos de ‘janela de oportunidade’. Mas, a TH só pode ser prescrita para mulheres saudáveis e sem doenças cardiovasculares”, explica o especialista.

A TH indicada nessa janela não só alivia os sintomas vasomotores, como também reduz o risco cardiovascular.

Alternativas aos hormônios

Stock Photos

De acordo com Cavalcante, existem alternativas para as mulheres que possuem contraindicação ou que não desejam usar a TH. “Os estudos mais recentes apontam que o tratamento com alguns fármacos de uso psiquiátrico, como antidepressivos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), ISRN (inibidores seletivos da recaptação de serotonina-norepinefrina) e a gabapentina (anticonvulsivante) são eficazes em reduzir os sintomas vasomotores”, cita o ginecologista.

Por outro lado, fitoterápicos e acupuntura são terapias controversas, com estudos de menor consistência.

Quanto ao estudo citado no início do texto, o recado é claro: mulheres com quadros mais severos de sintomas vasomotores no climatério e na pós-menopausa devem ser monitoradas mais de perto.

“Isso significa fazer check-up com maior frequência, bem como reduzir os fatores de risco preveníveis, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial e hipercolesterolemia”, encerra o médico.

Fonte: Edvaldo Cavalcante é médico ginecologista e obstetra, mestre e Doutor em Ginecologia, graduou-se em Medicina pela Universidade de Santo Amaro (UNISA–SP), realizou Residência em Ginecologia e Obstetrícia no SUS, em São Paulo; Especialização em Endoscopia Ginecológica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPM-SP) e capacitação em Cirurgia Robótica no Intuitive Surgical Training Center, na Flórida (EUA). Possui títulos de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia; Especialista em Videolaparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Pesquisa revela que paulistas não controlam colesterol, hipertensão e diabetes

Especialista fala sobre os perigos de não tratar essas e outras doenças que afetam o coração

O colesterol, hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco para as complicações cardiovasculares, principalmente quando a evolução destas doenças não é acompanhada e tratada por um especialista.

Uma recente pesquisa, realizada com 9 mil pacientes em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em 32 cidades do estado de São Paulo, e analisada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), indicou que a maioria dos paulistas não se preocupa com o controle destas doenças. Segundo dados do estudo, apenas 16% dos entrevistados se importam com o controle do colesterol, só 25% dos participantes estavam com bons níveis de glicemia, enquanto 48% nem se dedicava em checar e controlar a pressão arterial.

Para Elcio Pires Júnior, cirurgião cardíaco e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, o principal motivo destas doenças serem tão prevalentes entre os brasileiros são os maus hábitos da população. “No Brasil, além dos altos índices de obesidade e sobrepeso, o sedentarismo somado a alimentação ruim, favorece não só para a hipertensão, mas também para o colesterol e diabetes”, alerta o médico.

Como estas doenças afetam o coração?

O diabetes, doença que afeta a resistência insulínica, resulta em um estado inflamatório do organismo. Esta inflamação favorece uma condição chamada de aterosclerose, onde placas de gordura se acumulam no interior das artérias, fazendo com que os vasos percam a sua flexibilidade natural. Quando o colesterol ruim está alto, há uma grande quantidade de LDL circulando pelo organismo, que podem se depositar no interior dos vasos. O enrijecimento das artérias exige que o coração trabalhe ainda mais para que o sangue circule por essas vias que estão cada vez mais estreitas, resultando na hipertensão.

“A hipertensão é um alerta vermelho para o infarto e para o AVC. Se os hábitos não mudarem, os vasos podem se obstruir em qualquer momento, interrompendo o fluxo de sangue. Se isso acontecer próximo do coração e o músculo cardíaco deixar de ser irrigado, temos o infarto do miocárdio. Se acontecer próximo ao cérebro, temos o Acidente Vascular Cerebral”, conta o especialista.

Sem sintomas, sem busca por ajuda

Tanto a hipertensão quanto o alto colesterol e diabetes, em seu início, são doenças que não apresentam sintomas característicos. Quando alguns sinais começam a aparecer, pode já ser tarde para reverter. “Check-ups regulares podem identificar essas doenças previamente, oferecendo ao paciente uma alternativa: a mudança de hábitos”, ressalta o cirurgião.

Vale lembrar que existem vários fatores para o desenvolvimento dessas doenças, até mesmo o avanço da idade. Entretanto, de maneira geral, a melhor maneira de se prevenir é evitando o alto consumo de bebidas alcoólicas, assim como o excesso de sódio na alimentação. Vale lembrar que o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação são os principais fatores para o desenvolvimento dessas doenças.

“Embora essas doenças não tenham cura, existe tratamento. E controlar o diabetes, a pressão alta e o colesterol alto são fundamentais para a saúde geral do organismo e a longevidade. Antes que essas doenças apareçam, previna-se!”, finaliza o médico.

Fonte: Élcio Pires Júnior é coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro – Rede D’or – Osasco, e coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Bom Clima de Guarulhos. Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. E atualmente é cirurgião cardiovascular pela equipe do Dr. André Franchini no Hospital Madre Theodora de Campinas.

Dia Mundial do Coração: nutricionista elenca alimentos amigos do órgão

Monique Gerbauld Ferraz, do espaço Acolher Nutrição, na Barra, também lista o que devemos evitar

Hoje, 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração. O objetivo é alertar e conscientizar a população sobre a importância de manter hábitos saudáveis e preservar a saúde do coração. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), o que motivou a criação da data.

“A principal causa das doenças cardiovasculares é a inflamação sistêmica, por isso é preciso avaliar a saúde como um todo. Fatores que influenciam: obesidade, estresse, diabetes principalmente tipo 2, hipertensão, tabagismo, sedentarismo, histórico familiar, circunferência abdominal, idade e perfil lipídico. Para uma boa saúde cardiovascular, é importante diminuir o processo inflamatório e manter boas taxas de colesterol, e para isso uma alimentação saudável é fundamental”, pontua Monique Gerbauld Ferraz, nutricionista do espaço Acolher Nutrição, coordenado pela nutricionista Ana Carolina Netto.

De acordo com Monique, o colesterol foi por muito tempo taxado como vilão, mas ele é essencial para nossa saúde, inclusive na proteção cardíaca. Com isso muitas pessoas associam a gordura com o aumento do risco de doenças cardiovasculares, mas estudos mostram que o que mais impacta negativamente é o consumo excessivo de carboidratos refinados, como a farinha branca e o açúcar.

“O carboidrato refinado causa hiperinsulinemia, alta produção da insulina, um hormônio anabólico, que desequilibra o processo inflamatório. Outro alimento extremamente prejudicial são os óleos vegetais, como o de girassol, soja e milho. Eles passam por muitos processos químicos, tornando-os pró inflamatórios, devido a alteração na proporção do ômega-3 e do ômega-6, afirma a profissional.

Já os produtos ultraprocessados costumam ter ambos alimentos, tanto carboidratos refinados quanto os óleos vegetais, por isso devemos evitar ao máximo.

“Sempre priorizar alimentos naturais, como frutas, tubérculos, vegetais, legumes e proteínas. Para quem quer uma boa saúde cardiovascular é preciso dar preferência aos alimentos fonte de gorduras boas (natural dos alimentos), ricos em ômega-3 e gordura saturada, o que auxilia na regulação dos níveis de colesterol, e alimentos que auxiliam no controle da inflamação”, diz a nutricionista.

Monique elencou algum desses alimentos:

Foto: Science of Cooking

Abacate: rico em ômega-3, auxilia na regulação dos níveis de colesterol, aumentando o HDL. Boa opção para o café da manhã com um pouco de limão e sal ou pode ser colocado na salada.

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Sementes e oleaginosas: como a linhaça, nozes, chia e amêndoas: fonte de ácido alfa-linolênico, um ácido graxo do tipo ômega-3, associado à melhor circulação e a efeitos anti-inflamatórios. Tentar incluir em pelo menos duas refeições, por exemplo: acrescentar linhaça e chia em cima de uma fruta no lanche da tarde e colocar algumas nozes na salada a noite.

TheSpruceEats

Ovo: fonte de colesterol e muitas vitaminas e minerais como zinco, ácido fólico, cálcio, vitamina A e E importantes no nosso sistema imunológico e na inflamação. Ótima opção são ovos mexidos no café da manhã.

Cacau: rico em polifenóis que auxiliam na redução da inflamação e na melhora dos níveis de colesterol. Consumir com moderação chocolate com teor igual ou maior que 70% de cacau.

Foto: Pixabay

Cúrcuma: a cúrcumina presente é um dos melhores anti-inflamatórios naturais. Pode ser usada para temperar legumes e outra boa opção é adicionar no ovo.

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Sardinha e salmão: peixes que possuem boas quantidades de ômega-3 e zinco, importante no controle do colesterol e no processo inflamatório. Tentar consumir pelo menos duas vezes por semana peixes de água fria.

Foto: Giovanni42/Pixabay

Frutas com maior concentração de vitamina C: acerola, caju, goiaba e morango. A vitamina C é importante para a saúde das artérias, pela produção de colágeno.

Repolho roxo e uva: possuem resveratrol, outro importante polifenol no combate da inflamação e ainda promove melhora no fluxo sanguíneo, pois relaxa os músculos dos vasos sanguíneos.

Azeite: rico em ácidos graxos monoinsaturados, aumentam os níveis de HDL, além de ser rico em polifenóis que possuem ação antioxidante, ajudam na prevenção de doenças cardiovasculares. Usar 1 colher de sopa para temperar a salada ou sob os legumes.

Fonte: Acolher Nutrição

Estilo de vida atual se reflete no alto índice de óbitos por doenças do coração

Dia Mundial do Coração alerta sobre a falta de atenção à prevenção de doenças cardiovasculares

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, o índice de óbitos no país cresceu intensivamente, tendo ultrapassado a marca das 100 mil mortes ainda no mês de agosto, o que gerou grande comoção entre os brasileiros. O que poucos têm conhecimento é de que fora da pandemia, a maior causa de morte no país – assim como no resto do mundo – são as doenças cardiovasculares, que já resultaram em mais de 280 mil mortes no Brasil apenas neste ano.

A grande diferença entre esses dois cenários é que as doenças cardiovasculares não são virais como a Covid-19 e contam com métodos de prevenção e de tratamento bem mais simples, viáveis e acessíveis para a população. Então por que a prevalência ainda é tão alta?

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Segundo Jairo Lins Borges, professor da disciplina de Cardiologia da Unifesp e consultor científico da Libbs Farmacêutica, o estilo de vida atual dos brasileiros pode dificultar a implementação das mudanças de hábitos necessárias para prevenir as principais doenças do coração. “A conveniência encontrada nos fast-foods, o consumo exagerado de álcool e a rotina estressante, sem um espaço de tempo dedicado à atividade física, são alguns dos pontos que dificultam o alcance de uma vida mais saudável”, comenta o médico cardiologista.

“Essa rotina é muito comum na população brasileira e contribui para o aumento dos níveis de colesterol e de açúcar no sangue, bem como para obesidade, tabagismo e sedentarismo, que são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de doenças e complicações cardiovasculares potencialmente fatais, como o infarto do miocárdio (ataque cardíaco) e o acidente vascular cerebral”.

É por conta disso que a World Heart Federation criou o Dia Mundial do Coração, que ocorre anualmente em 29 de setembro, com o objetivo de alertar a população sobre a importância de manter uma boa qualidade de vida para prevenção das doenças que acometem esse órgão vital. Para ajudar neste processo, a American Heart Association desenvolveu o “Life Simple 7”, uma lista de 7 pontos de fácil abordagem para manter o coração saudável por meio da mudança de estilo de vida.

Botswanayouth

São eles: monitorar e cuidar da pressão arterial; controlar o colesterol; reduzir o açúcar no sangue; ser fisicamente ativo; manter um peso saudável; ter uma alimentação rica em peixe, frutas e verduras, e não fumar.

“Em face da alta incidência e prevalência das doenças cardiovasculares, é de extrema importância mantermos esse trabalho de conscientização da população, incentivando sempre a adoção de hábitos mais saudáveis, com alimentação balanceada e prática regular de atividade física; realização periódica de exames preventivos (check-up) e manter o tratamento recomendado pelos especialistas, bem como a avaliação médica periódica”, afirma Borges.

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“Sabemos que ainda existem obstáculos na busca pela prevenção cardiovascular, como o acesso às unidades de saúde, barreiras socioeducacionais, além da própria dificuldade de adesão e persistência no tratamento; por isso, também é importante considerar as necessidades e o perfil clínico e cultural de cada paciente de forma individualizada”, finaliza o médico.

Fonte: Libbs Farmacêutica

Hoje é o Dia Mundial do Coração: fatores de risco para jovens e adultos

De estresse a hipertensão, fatores de risco devem ser levados em conta em todas as idades destaca especialista do HCor

De 0 a 100 (ou mais). Esse poderia ser um teste de velocidade de um carro potente, mas também representa todo o período em que devemos cuidar do motor do nosso corpo: o coração. De acordo com Leopoldo Piegas, cardiologista do HCor, ao contrário do que ainda se acredita, não são somente os idosos que convivem com as cardiopatias – e a atenção à saúde cardíaca deve começar cedo, levando em conta cada fase da vida e diferentes fatores de risco, como estresse, diabetes e hipertensão.

Segundo o Ministério da Saúde, desde 2013, os episódios de infarto entre adultos com até 30 anos subiram 13%. O estresse repentino, que é tido como a causa de cerca de 15% dos casos de infarto, por provocar o fechamento de uma artéria coronária, também não “escolhe” idade.

Outro número que mostra que a ameaça de enfartar começa muito mais cedo do que se imagina é o de pacientes com pressão alta. No país, são 36 milhões de adultos brasileiros com diagnóstico de hipertensão arterial, de acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp). O quadro é um alerta para o desenvolvimento de problemas cardíacos.

“Muitos fatores de risco para ocorrências de infarto não têm relação direta com a idade, por isso, a recomendação é que os cuidados com o coração e as consultas médicas sejam feitas de forma precoce”, reforça o especialista.

Linha do tempo da saúde do coração: as cardiopatias mais comuns de cada fase da vida

Não é somente o infarto que pode comprometer o bom andamento do nosso motor. Apesar de não ser possível delimitar uma trajetória da saúde do coração, em cada “quilômetro rodado” há, sim, problemas mais incidentes e que merecem atenção e cuidados especiais. O especialista classifica quais são:

– Cardiopatia congênita


Como o próprio nome se refere, é uma condição cardíaca que engloba qualquer alteração do coração e dos vasos desde o feto até a idade adulta. O quadro atinge cerca de 30 mil crianças nascidas no Brasil, anualmente, e é a segunda maior causa de morte de crianças em todo o Brasil, perdendo apenas para a má formação cerebral. A depender do tipo de cardiopatia, essa pode ser diagnosticada e operada antes mesmo do nascimento do bebê, ainda na barriga da mãe. A maioria costuma ser diagnosticada após o nascimento, alguns casos, no entanto, só na fase adulta.

– Cardiopatias pediátricas


São diferentes das cardiopatias congênitas e se caracterizam por doenças do coração adquiridas na infância. Dentre as mais comuns, estão algum tipo de sopro, que pode estar relacionada com algum problema no músculo cardíaco; a miocardite, que geralmente é consequência de uma complicação em um quadro de infecção causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas; e a febre reumática, comum em crianças com até 15 anos, causada pela bactéria Streptococcus pyogenes e decorrente de faringites e amigdalites mal curadas.

– Cardiopatias gerais


Podem acometer jovens e adultos nas mais diferentes etapas da vida, tais como: hipertensão arterial, condição cardiovascular caracterizada pelo elevado nível da pressão arterial; arritmia cardíaca, que reflete alteração no batimento cardíaco de forma descompassada, acelerada ou lenta; angina, desconforto no peito, causado por redução do fluxo sanguíneo na artéria coronária; insuficiência cardíaca, que consiste na incapacidade do coração em bombear sangue de forma satisfatória para as demais partes do corpo; miocardite, inflamação do coração, decorrente de alguma infecção do organismo; e o próprio infarto, caracterizado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo ao coração.

– Cardiopatias em idosos


Além das cardiopatias já citadas, há ainda a estenose aórtica (estreitamento da válvula aórtica), que acomete cerca de 5% da população idosa acima dos 70 anos. Apesar de muitas vezes assintomática, a doença pode ocasionar síncope, insuficiência cardíaca e morte súbita, necessitando de intervenção, a depender do comprometimento da válvula. O diagnóstico tardio de uma estenose aórtica pode aumentar para 50% a chance de mortalidade nesses pacientes em até dois anos.

Melhor prevenir: medidas para cuidar da saúde do coração

Diferentes fatores externos contribuem para o desenvolvimento de problemas cardíacos. Por isso, algumas medidas e mudanças de hábitos são primordiais para manter o coração “batendo forte”. São elas:

1. Praticar atividade física, uma vez que o sedentarismo aumenta em 54% do risco de morte por infarto e ainda contribui para o aumento do peso.


2. Não fumar, pois as substâncias químicas presentes no tabaco provocam o estreitamento das artérias, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial.


3. Não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas, já que o etanol danifica as células musculares do coração e ainda está associado ao desenvolvimento de arritmias.


4. Evitar o estresse excessivo, que, como já dito, é tido como a causa de cerca de 15% dos casos de infarto, por provocar o fechamento de uma artéria coronária.


5. Controlar a pressão arterial, monitorando constantemente a sua pressão e seguindo as orientações do seu médico.

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6. Manter o peso ideal e a circunferência abdominal, que não deve passar de 102cm para os homens e 88cm para as mulheres.


7. Adotar uma alimentação saudável, reduzindo a ingestão de alimentos gordurosos e de sal, e adotando uma dieta cardioprotetora.

Fonte: HCor

Brasil tem aumento de pessoas estressadas; mulheres são mais propensas

Dormência nos braços, sensação de fraqueza, dor de cabeça, tontura e falta de ar. Parece a descrição clara de sintomas de infarto, mas nem sempre estes sinais do corpo sinalizam um problema mais grave. A rotina muito atarefada da maioria das famílias, faz com que os compromissos profissionais e sociais tenham um ponto de começo, mas não um final.

A sensação é de que 24 horas seja pouco tempo na vida de quem trabalha, estuda, cuida da casa e dos filhos, por exemplo. E é ai que o estresse vai agindo em nosso organismo, liberando hormônios e substâncias químicas que deixam nosso corpo em estado de alerta.


A pandemia da Covid-19 fez o mundo parar e a grande maioria das pessoas passou a trabalhar remotamente. Porém, nem todo mundo se adapta à rotina do home office e acaba misturando o trabalho com a rotina do lar, gerando mais estresse. Antes da pandemia o Brasil já era o segundo no hanking de população mais estressada do mundo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo International Stress Management Association (Isma – Brasil), de 2017.

Agora, uma pesquisa recente da Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), mostrou que os casos de estresse e ansiedade aumentaram em 80% com o distanciamento social. O estudo mostrou ainda que as mulheres são as mais afetadas com a ansiedade e estresse durante a epidemia do novo coronavírus.


O médico cardiologista Augusto Vilela alerta para os cuidados com o excesso de estresse, que em altos níveis pode sim levar a um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Embora os sintomas de estresse e infarto possam ser parecidos, existem algumas diferenças que ajudam no diagnóstico inicial. De acordo com Vilela, a maioria dos pacientes que está sofrendo um ataque cardíaco, apresenta dor aguda no meio do peito, no braço esquerdo, gerando formigamento e nas costas podendo refletir em outros pontos como nuca, ombros, mandíbula, queixo e estômago.

“É muito importante que em ambos os casos o paciente procure ajuda médica imediatamente. Somente um médico pode fazer um diagnóstico preciso, afinal, não se pode ‘brincar’ com doenças cardíacas”, avalia o médico.


Segundo o cardiologista, para combater o estresse, não devemos nos descuidar da alimentação saudável e atividade física, que dentre seus inúmeros benefícios, ajuda a liberar endorfina, hormônio responsável pela sensação de bem estar e prazer. Cuidar da mente também é fundamental, evitando notícias catastróficas em excesso, escolhendo boas leituras e amizades verdadeiras. “A ansiedade não ajuda a resolver os problemas e traz prejuízos para a saúde de todos”, completa.

 

VinVino recebe cardiologista em live sobre vinhos e saúde do coração

Na sexta-feira (24), às 20h, o Instagram @vivinobr a sommelière Lindslei Monteiro e a cardiologista Sheila São Pedro sobre vinho e saúde

Muito consumido no inverno, o vinho tinto pode trazer benefícios para a saúde do coração. Para indicar rótulos nacionais e importados que tenham um teor alcoólico moderado e possam ser consumidos diariamente, a VinVino loja online convida a sommelière Lindslei Antunes e a médica cardiologista Sheila São Pedro para uma live no Instagram @vinvinobr, no dia 24 às 20 horas.

vinho taça tinto

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o consumo da uva, seja como fruta, suco ou vinho, é benéfico na prevenção, proteção e combate de doenças, principalmente cardiovasculares e renais. Na verdade, o real benefício vem do consumo de uma substância chamada polifenóis, como os flavonoides e o resveratrol, que inibem a oxidação do colesterol ruim (LDL – Lipoproteína de Baixa Densidade) e diminuem a agregação plaquetária no sangue, contribuindo para melhorar a função vascular.

“Essas substâncias estão presentes principalmente nas frutas de coloração mais avermelhadas e roxas como uva, amora, jabuticaba, cereja, mirtilo, ameixa e alguns legumes. Sendo assim, consumir uma taça de vinho diariamente, de forma moderada, pode fazer bem ao coração”, afirma Sheila São Pedro médica cardiologista na Clinicor Jundiaí.

Por fim, de acordo com Sociedade Brasileira de Cardiologia, o consumo moderado de vinho tinto significa uma dose diária (150ml) para mulheres e duas doses para homens (300ml).

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Sobre Lindslei Monteiro Antunes é sommelière profissional formada pela Escola Alta Gama de Curitiba, com curso de especialização em harmonizações realizado em Roma na Itália.

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Sobre Sheila São Pedro: é graduada pela Universidade de Ribeirão Preto em 2000. É especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Pós-Graduada em Reabilitação Cardiovascular pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Experiência Internacional no Guy’s and Saint Thomas Hospital e London Chest Hospital, em Londres.

Fonte: VinVino

Doenças cardiovasculares podem ser evitadas com alimentação saudável

Nutricionista do HCor dá dicas de alimentos amigos e inimigos do coração

O consumo excessivo, de gordura de origem animal, frituras, alimentos industrializados feitos com gorduras trans e de carboidratos refinados podem favorecer o acúmulo de placas de gordura nas artérias, dificultando a passagem do sangue e aumentando, assim, os riscos de infartos e acidente vascular cerebral.

A importância da alimentação adequada na redução do risco cardiovascular e no controle dos fatores de risco já está demonstrada por uma série de evidências científicas. Estudos demonstraram que as doenças cardiovasculares podem ser reduzidas em 30% com modificações no estilo de vida, e uma das melhores formas de evitar o problema é através da prevenção, que inclui uma alimentação saudável.

De acordo com a gerente de Nutrição Assistencial do HCor, Rosana Perim, a gordura saturada e a trans, os açúcares simples e o sal estão entre os nutrientes que aumentam o risco quando consumidos em quantidades excessivas, pois exercem efeito direto sobre a saúde do coração aumentando a incidência dos fatores de risco, como a hipertensão, a dislipidemia, a obesidade e o diabetes.

“Aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais, carnes magras e derivados de leite desnatados, são boas opções para manter o peso e controlar os fatores de risco”, alerta a nutricionista.

Para cuidar da saúde do coração, a gerente de Nutrição do HCor dá algumas dicas de alimentos que são amigos e os que são considerados “vilões” para o coração:

Amigos do coração:

Truta
Peixes: ricos em ômega-3, possuem ação anti-inflamatória e, também, auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e triglicérides e aumento do bom colesterol (HDL);

azeite
Azeite de oliva: o tipo extravirgem reduz os níveis de colesterol ruim e aumenta o colesterol bom. Dessa forma, previne doenças cardíacas e aterosclerose;

aveia pixabay
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Aveia: o farelo de aveia é o alimento mais rico em fibras solúveis e com maior capacidade de diminuir o colesterol sanguíneo, reduzindo a absorção de colesterol e retardando a digestão das gorduras;

soja
Soja: possui efeito em reduzir os níveis de colesterol sanguíneo, pela ação das proteínas da soja e das isoflavonas, classe de substâncias vegetais que têm funções semelhantes ao estrógeno humano. As principais fontes são o feijão de soja, o queijo de soja (tofu), o molho de soja (shoyo), a farinha e o leite de soja, dentre outros;

suco de uva Babs Müller por Pixabay
Babs Müller/Pixabay

Suco de uva: os flavonoides presentes na uva podem agir como substâncias antioxidantes, reduzindo o risco de doenças cardiovasculares.

Vilões do coração:

sal saleiro sodio Bruno-Germany por Pixabay
Bruno/Germany/Pixabay

Sal: em grandes quantidades, pode elevar a pressão arterial, contraindo as artérias e consequentemente aumentando as chances de infarto e derrame, além de comprometer o funcionamento dos rins. Atenção aos alimentos industrializados e processados, sopas instantâneas, temperos prontos, salgadinhos de pacote, enlatados, conservas e defumados;

refrigerantes
Açúcares: o excesso de açúcar na alimentação pode levar ao aparecimento da obesidade e diabetes. Não exagere no consumo de doces, chocolates, refrigerantes, massas e pães.=;

carne vermelha embutidos salame linguiça
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Gorduras saturadas, trans e colesterol: promovem o aumento dos níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue. Estão presentes na gordura animal, óleo e polpa de coco, dendê, banha, gema do ovo, frutos do mar (camarão, lula, marisco, polvo), vísceras (fígado, coração), leite e laticínios integrais, manteiga, queijos amarelos, frios e embutidos. Já as gorduras trans, aparecem em algumas bolachas recheadas, sorvetes cremosos, molhos prontos, folhados e alimentos com consistência crocante.

Fonte: HCor