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Dia Mundial do Diabetes: país tem 500 novos casos diagnosticados por dia, aponta especialista

Doença metabólica atinge 16 milhões de brasileiros e, nos últimos dez anos, a taxa mundial de incidência cresceu mais de 60%; Biofarmacêutica Biomm lança campanha #ÉBomSaber para ampliar o conhecimento da população e estimular o diagnóstico precoce

Atualmente, cerca de 463 milhões de pessoas no mundo têm diabetes, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), sendo o Brasil a quarta maior população afetada. Os números assustam e ajudam a avaliar o tamanho do desafio para combater essa doença. E para reforçar a conscientização a respeito do problema, o dia 14 de novembro foi instituído pela IDF e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial do Diabetes.

A doença metabólica crônica, segundo dados da OMS, atinge 16 milhões de brasileiros e, nos últimos dez anos, sua taxa de incidência cresceu 61,8% mundialmente. Muito falado, mas pouco conhecido, o diabetes tem duas causas principais causas diferentes: nos pacientes com tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina, o hormônio que leva a glicose para dentro das células, para que o açúcar seja usado como combustível. Já em pacientes com tipo 2, o organismo não produz quantidade suficiente de insulina ou não consegue empregar de forma adequada o hormônio produzido.

Cerca de 500 novos casos são diagnosticados por dia, mas, ainda assim, muitas pessoas não sabem identificar a doença. Segundo Dr. Márcio Krakauer, endocrinologista do núcleo de tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, “devido à falta de conhecimento, quase metade das pessoas com diabetes não sabem que convivem com a doença e desconhecem os riscos desse problema para a saúde, o que pode gerar complicações graves, em virtude dos níveis elevados de açúcar no sangue.” Com isso em mente, a disseminação da informação é o primeiro passo para que a doença seja identificada e, então, tratada o mais rápido possível.

#Ébomsaber

Com o intuito de fomentar a busca pelo diagnóstico precoce do diabetes, a biofarmacêutica Biomm , pioneira no setor de medicamentos biológicos, responsável pela chegada da insulina inalável no Brasil, lança a campanha educativa “É bom saber”.

Com o intuito de fomentar a busca pelo diagnóstico precoce do diabetes, a biofarmacêutica Biomm , pioneira no setor de medicamentos biológicos, responsável pela chegada da insulina inalável no Brasil, lança a campanha educativa “É bom saber”.

A influenciadora digital Marina Collaço, paciente com diabetes que comanda a conta Diabética Tipo Ruim no Instagram, junto com Mário Márcio Barros, criador de conteúdo no perfil Diabetes de Boa , foram convidados pela companhia a dividirem suas histórias pessoais, desde os primeiros sintomas e o diagnóstico do diabetes, até os desafios encarados no dia a dia para manter a glicemia controlada. Celebridades como os atores José Loreto e João Fernandes também receberão o kit da campanha.

Além disso, ambos incentivarão seus seguidores a compartilharem seus relatos nas redes sociais, considerando informações que podem ajudar outras pessoas a identificarem a doença ou a lidarem com o diagnóstico que, no primeiro momento, pode não ser fácil.

“A Biomm busca constantemente por soluções que promovam melhor qualidade de vida aos portadores da doença. Pensando nisso, a campanha ganhará vida ao longo do final de semana do Dia Mundial do Diabetes, quando influenciadores digitais que vivem com a doença serão os grandes porta-vozes da causa. Faz parte da nossa missão institucional atuar na educação em saúde da sociedade”, destaca Caio Campos, gerente de Marketing da companhia.

A campanha será desdobrada nas redes sociais dos influenciadores e da Biomm , com o uso da #ÉBomSaber.

Fonte: Biomm

Dia Mundial do Diabetes: retinopatia diabética pode causar cegueira irreversível

Especialista do Hospital CEMA explica o que é a doença, quais os avanços no controle da enfermidade e como prevenir

Hoje é o Dia Mundial do Diabetes e quem sofre com a doença precisa cuidar dos olhos. No entanto, apesar da relação bem consolidada entre problemas de visão e diabetes, são poucos os que, de fato, se preocupam com a saúde ocular. Porém, deveriam. Diabéticos têm 25 vezes mais chances de ficarem cegos, de acordo com estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Uma das enfermidades mais graves, nesse sentido, é a retinopatia diabética, que pode afetar até 40% dos diabéticos. Embora grave, a medicina segue avançando no tratamento desse problema, com novidades como a injeção intravítrea de antiangiogênicos. “Quando há edema na retina, principalmente na região macular, e outras condições que causem sofrimento do tecido retiniano, essa é uma das opções mais novas e eficazes”, explica o oftalmologista do Hospital CEMA, Antônio Sérgio Franca Neves.

A retinopatia ocorre em pacientes portadores de diabetes, principalmente aqueles que apresentam a doença há muito tempo ou sofrem com um quadro crônico de descompensação de glicemia. Na retinopatia, o desequilíbrio glicêmico leva a alterações na rede vascular da retina (tecido neurológico que cobre a parte interna do olho), tornando-a incapaz de exercer sua principal função: transformar estímulos luminosos em impulsos elétricos, para que o cérebro interprete essas imagens.

Uma das consequências mais graves é a cegueira irreversível. “Normalmente, é uma doença silenciosa. Os sintomas ocorrem quando afetam a região central, causando baixa acuidade visual progressiva. Em estágios avançados, há presença de manchas ou escurecimento súbito da visão, secundários à hemorragia e o descolamento tracional da retina”, explica o médico do CEMA.

A injeção intravítrea de antiangiogênicos funciona da seguinte forma: uma medicação de antiangiogênicos é aplicada diretamente no vítreo, que fica localizado na parte interna e posterior do olho, em contato direto com a retina. Os antiangiogênicos inibem a formação de novos vasos, ajudam ainda na regressão do quadro, além de melhorar o desequilíbrio gerado pela diabetes na circulação retiniana. O procedimento dura poucos minutos, não dói e raramente traz complicações.

Além desse tratamento, é possível administrar injeções de anti-inflamatórios, fotocoagulação a laser (para casos avançados) e a vitrectomia, uma cirurgia indicada para casos nos quais o paciente apresenta hemorragia vítrea (sangue na estrutura gelatinosa que fica em contato com a retina), descolamento de retina e alguns outros casos específicos. “Consiste no uso de instrumentos e aparelhos específicos para remoção do sangue do gel vítreo e das trações geradas pelo tecido cicatrizado. A ideia é restaurar ao máximo a anatomia dessas estruturas”, detalha o especialista.

Todos esses procedimentos são indicados de acordo com o caso e a evolução da doença. A melhor forma de prevenir a retinopatia diabética é fazer o controle dos índices glicêmicos, com acompanhamento multidisciplinar, e exames oftalmológicos de rotina, principalmente os que avaliam o fundo do olho.

Imagem mostra olho normal e olho com a retinopatia diabética – Ilustração: Researchgate

Nos últimos dez anos, o Brasil apresentou crescimento de 61,8% dos casos de diabetes, atingindo 8,9% da população, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que cerca de 422 milhões de pessoas no mundo vivam com a doença, sendo que metade delas nem sabe que tem o problema. A Federação Internacional de Diabetes estima que, em 2040, a cada 10 adultos, 1 será diabético.

Fonte: Hospital Cema

DiabetTX amplia linha e lança creme hidratante enriquecido com ureia

Produto possui o endosso de qualidade da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD)

DiabetTX, a marca especialista na pele do diabético, está com novidades em sua linha: o DiabetTX Creme Hidratante Plus Ureia acaba de chegar às prateleiras das farmácias e drogarias de todo o Brasil.

Enriquecido com 10% de Ureia, ingrediente reconhecido por sua alta propriedade hidratante, DiabetTX Creme Hidratante Plus Ureia alivia a aspereza causada pelo ressecamento intenso da pele de todo o corpo (exceto rosto), principalmente nas regiões dos pés, mãos, cotovelos, joelhos e calcanhares.

O ressecamento da pele é uma complicação característica entre os diabéticos: 1 em cada 3 portadores da Diabetes terá problemas na pele decorrentes da doença, como pele seca, extremamente sensível, mais fina e menos elástica com tendência à descamação. Por isso, é necessário um cuidado específico com a pele que precisa de uma hidratação intensiva e diária.

Os cremes corporais DiabetTX hidratam intensamente, aliviando a aspereza causada pelo ressecamento extremo da pele, promovendo uma sensação de alívio imediata. Todos os produtos DiabetTX possuem o selo de qualidade da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD) e são testados e aprovados na pele de diabéticos.

Preço Sugerido: R$ 39,99 (embalagem de 250g)

Informações: DiabetTXYouTube

Diabetes: é possível ter uma alimentação variada sem agravar a doença

Nutricionista da Dietbox explica que reduzir carga glicêmica das refeições, priorizar alimentos anti-inflamatórios e contar carboidratos podem ajudar no processo

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença crônica atinge cerca de 13 milhões de pessoas no Brasil, e esse número tende a aumentar. A enfermidade faz com que o corpo não produza insulina ou não consiga usa-la de forma adequada, sendo este o hormônio que controla a quantidade de glicose (açúcar) no sangue. Essa deficiência eleva os níveis de glicose no organismo causando a hiperglicemia que, em longo prazo, pode danificar vasos sanguíneos, nervos e órgãos.

Quando falamos em diabetes, surgem diversas dúvidas sobre alimentação, pois muitas pessoas acreditam que é necessário ter uma rotina alimentar restritiva. Para Júlia Canabarro, nutricionista da Dietbox, startup de nutrição, além do tratamento com um médico, o acompanhamento nutricional ajuda a entender que é possível tomar decisões assertivas e substituir alimentos, sem tornar a dieta monótona. “Muitos alimentos podem auxiliar no tratamento da Diabetes, é necessário apenas usa-los com sabedoria para manter os níveis glicêmicos dentro dos padrões estabelecidos”, explica a profissional.

O que consumir?

De acordo com a especialista, alguns alimentos não podem faltar na rotina. Os anti-inflamatórios, como, por exemplo, peixes (salmão, sardinha e atum), óleos (óleo de linhaça, óleo de peixe e azeites) e alimentos como cúrcuma, alho, cebola, entre outras especiarias podem auxiliar no tratamento da resistência à insulina e a diminuir a liberação de substâncias inflamatórias.

Outro ponto importante é a redução da carga glicêmica das refeições, que pode promover diminuição dos níveis de glicose e também ajudar a controlar a resistência à insulina. “Este fator dependerá da proporção entre os tipos de carboidratos ingeridos, do teor de fibras dos alimentos, do grau de processamento e do tipo e tempo de cozimento”, esclarece Júlia.

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“Algumas opções de baixo índice glicêmico que podem compor as refeições são pães e massas integrais, aveia, soja, vegetais, cogumelos, batata-doce, leguminosas e algumas frutas com maior teor de água”, completa a nutricionista da Dietbox.

Alimentos funcionais e compostos bioativos também são fortes aliados quando inseridos na dieta. Algumas opções podem ser chia, canela, biomassa de banana verde, fibras e probióticos.

Alimentação flexível

Botswanayouth

Uma alimentação que proporcione maior flexibilidade ajudará a conseguir melhores resultados. A contagem de carboidratos na escolha dos alimentos é um fator importante, pois é o nutriente que mais altera a glicemia. “Se o indivíduo souber a quantidade de carboidrato ingerida terá maior controle, independentemente de sua origem, seja de açúcares, pães, frutas ou biscoitos, por exemplo. Diabéticos não precisam seguir uma alimentação tão restritiva, desde que conheçam os limites e sejam bem orientados para evitar futuras complicações”, pondera Júlia.

Neste processo é fundamental definir a proporção insulina X carboidrato, ou seja, quantas unidades de insulina serão necessárias para cobrir os gramas de carboidratos ingeridos, oferecendo maior liberdade para determinar o que quer comer e aprender a corrigir a glicemia, caso necessário.

A nutricionista da Dietbox reforça que o método de contagem de carboidrato deve ser orientado por profissionais capacitados. “A princípio, essa técnica pode parecer difícil, mas com acompanhamento nutricional regular é possível ter uma rotina mais flexível e manter uma vida saudável apesar da doença”, conclui a especialista.

Fonte: Dietbox

Tenho diabetes: nunca mais posso comer nada com açúcar? Mitos e verdades sobre a doença

14 de novembro marca o Dia Mundial do Diabetes. Fake news também rondam a doença

O diabetes é uma doença crônica que afeta mais de 16 milhões de brasileiros, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), sendo que cerca de 8 milhões desses pacientes ainda não sabem de seu próprio diagnóstico. A melhor forma de controlar o Diabete Mellitus (DM) e ter uma vida normal é conhecer melhor a doença para aprender a gerenciar a glicemia e aderir ao tratamento.

Nesse sentido, quando não são amparados pelos profissionais de saúde, muitos pacientes com DM buscam informações não confiáveis na internet, o que pode gerar ainda mais dúvidas e confusões, além da possibilidade de uma piora do quadro clínico. Para desmistificar a doença, a Roche Diabetes Care conversou com Mariana Pereira, médica endocrinologista e duas pacientes com Diabetes Mellitus tipo I para compartilhar suas histórias e juntos esclarecer as verdades do que significa conviver com o diabetes.

Mitos e verdades acerca do Diabete Mellitus

· Chás e simpatias podem reduzir a glicemia e até curar o diabetes
Mito.
O controle da glicemia, objetivo principal do tratamento da doença, é feita por meio de alimentação adequada e administração diária de insulina ou uso de medicamentos orais. O Diabetes Mellitus é uma doença crônica e que não tem cura, mas a adesão ao tratamento garante que o paciente permaneça saudável, não enfrente um agravamento no quadro clínico e tenha uma vida normal.

· A pessoa com diabetes não pode comer doces nem carboidratos
Mito.
Embora o diabetes seja uma doença causada pelo aumento da glicose no sangue, se o paciente com Diabetes Mellitus tipo I souber realizar a contagem de carboidratos e administrar corretamente a insulina, ele pode sim se alimentar de produtos que contenham açúcar.
O paciente com Diabetes Mellitus tipo II, que faz uso de medicamentos orais precisa ajustar sua dieta e fazer escolhas mais saudáveis, controlando a ingesta de carboidratos na maior parte das vezes.

· Atividade física ajuda no controle do diabetes
Verdade.
O exercício físico estimula a captação da glicose circulante pelas células musculares e melhora a ação da insulina, pois aumenta a sensibilidade ao hormônio. Além disso, a perda de peso promovida pelo exercício físico reduz a resistência celular à insulina e colabora para a captação da glicose e consequente redução da glicemia. Assim, com uma rotina adequada de atividade física, o paciente pode diminuir a dose de insulina ou antidiabético oral.

· Comeu muito doce e ficou diabético
Mito.
O Diabetes Mellitus tipo I é uma doença autoimune, em que ocorre a destruição das células pancreáticas produtoras de insulina, e isso não tem relação com a ingestão prévia de doces e outros açúcares. Já o Diabetes Mellitus tipo II está associado ao estilo de vida e predisposição genética hereditária, de forma que maus hábitos como obesidade e sedentarismo aumentam a probabilidade do desenvolvimento da doença.

· O Diabetes Mellitus tipo I está associado a outras doenças autoimunes
Verdade.
O Diabetes Mellitus tipo I é uma doença de origem autoimune e está frequentemente associado a outras doenças da mesma etiologia, tais como a tireoidite de Hashimoto, doença celíaca, doença de Addison e outros quadros relacionados com o mesmo determinante gênico.

· A cirurgia bariátrica pode levar à remissão do diabetes
Verdade para o Diabetes Mellitus tipo II.
Como essa variação da doença é desencadeada principalmente pela obesidade e excesso de gordura abdominal, a cirurgia que promove a perda de peso e a eliminação de tecido adiposo pode contribuir para a melhora do quadro clínico.

· Pacientes com diabetes têm maior probabilidade de ter Covid-19
Mito
. Até o momento não há estudos que indiquem que o paciente com Diabetes Mellitus tipo I ou II tenha maiores chances de ter Covid-19. O que se tem acompanhado é pessoas com diabetes descompensado, têm maior probabilidade de desenvolver quadros mais graves de Covid.

· Pacientes com diabetes devem ter mais atenção com a vacinação
Verdade.
O paciente com Diabetes Mellitus tem maior probabilidade de adquirir e desenvolver complicações graves de outras doenças, bem como é mais suscetível a doenças respiratórias como pneumonia e influenza. Por esse motivo é fundamental estar em dia com o calendário vacinal.

Sobre o Diabetes Mellitus

O Diabetes Mellitus é uma doença crônica, o mau controle da glicemia pode levar a quadros agudos de descompensação que pode levar à internação hospitalar e cronicamente este mau controle está relacionado às complicações como amputações, lesão nos rins e olhos, além de aumentar deste paciente ter algum evento cardiovascular. Estima-se que até 2030 o Diabetes Mellitus seja a sétima causa mais importante de morte em todo o mundo.

Por esse motivo é fundamental diagnosticar o paciente o mais cedo possível e educá-lo a respeito da doença a fim de obter uma boa adesão ao tratamento e reduzir as chances de complicações.

O DM tipo I acomete entre 5 e 10% do total de pacientes e costuma ser diagnosticado na infância ou juventude, mas pode acontecer em outras fases da vida. Já o Diabetes Mellitus tipo II é mais comum na idade adulta, em pessoas que têm parentes com este tipo de diabetes e tem relação com sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados, o que reforça a importância de estimular uma rotina e dieta saudáveis a toda a população como forma de prevenção.

Fonte: Roche Diabetes Care

Falta de hábitos saudáveis e adesão ao tratamento do diabetes tipo 2 podem agravar doença

20 milhões de brasileiros deverão ser impactados silenciosamente por essa doença crônica e progressiva até 2045

Já se sabe que pessoas com diabetes estão no grupo de risco para desenvolverem o quadro grave da Covid-19. Porém, não é só esse risco que preocupa especialistas. Médicos, instituições e a Organização Mundial da Saúde, apontam a preocupação com o controle de doenças crônicas e progressivas, enquanto o mundo ainda enfrenta a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

O receio é que, após a pandemia, seja detectado um aumento de casos graves do diabetes tipo 2 e outras complicações associadas à doença, provocados pelo estresse, dieta pobre em nutrientes e a falta de atividade física. Com a aproximação do Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, é importante reforçar sobre o cuidado e conscientização sobre a doença.

Segundo o Atlas de 2019 da International Diabetes Federation, o Brasil tem 16.8 milhões de pessoas com diabetes, ocupando 5º lugar no ranking mundial. A estimativa para 2045 é de 20 milhões. O Brasil ainda é o 6º país com maior número de pessoas não diagnosticadas, com 7.7 milhões, além dos possíveis 40 milhões de brasileiros com pré-diabetes. Nessa condição, a pessoa já apresenta alterações no nível de glicose e cerca de 30% de chance de apresentar complicações características do diabetes. Esse cenário aumentou a preocupação de endocrinologistas neste momento de pandemia, como destaca a especialista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Tarissa Beatriz Petry.

“Muitos casos podem ter se agravado durante o isolamento social. É importante salientar que estamos falando de uma doença silenciosa, podendo levar anos para manifestar sintomas, e as pessoas não devem negligenciar sua saúde. Além do uso correto das medicações já prescritas, o retorno ao médico é fundamental para ajustes necessários, a fim de manter a doença sob controle”. A endocrinologista ainda aponta que é importante lembrar que os hormônios do estresse são contrarreguladores no equilíbrio da glicemia, ou seja, tem ação contraria à insulina, favorecendo o aumento da glicose no sangue.

Nos últimos anos, novos medicamentos surgiram e ampliaram as opções para o tratamento desta enfermidade. Entre os fármacos que podem ajudar no tratamento estão os análogos do hormônio GLP-1 e os inibidores da SGLT-2. Uma nova geração de insulinas também tem melhorado a posologia para os pacientes. Porém, mesmo com essas novas associações de medicações a adesão não é fácil. A maioria tem dificuldades em tomar medicações corretamente e manter o estilo de vida saudável.

Em 2019, a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas (Vigitel), feita pelo Ministério da Saúde, já mostrava que 44,8% da população geral relatou um nível insuficiente de atividade física, menos de 75 a 150 minutos por semana, e apenas 34,3% descreveu consumo regular de frutas e verduras, “podemos ter esse ano uma piora ainda maior desses hábitos, por conta do período de isolamento e todo estresse causado pelo atual momento. As pessoas devem manter ou retomar urgentemente a atividade física, ter uma alimentação saudável e ficar de olho nas taxas de glicemia. Qualquer alteração, deve-se procurar atendimento médico”, explica Tarissa.

O controle da doença sempre foi um problema enfrentado pelas pessoas com diabetes, que pode ter sido agravado com a chegada da pandemia. O Coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o cirurgião Ricardo Cohen, aponta um estudo brasileiro que mostrou que cerca de 70% dos pacientes com o tipo 2 da doença, não apresentam controle glicêmico adequado.

“Vivemos há anos uma epidemia global do diabetes, uma doença crônica e progressiva. Os pacientes que não têm controle com medicamentos, a melhor opção é a cirurgia metabólica. Com a pandemia, podemos ter um aumento de pessoas que necessitem do tratamento cirúrgico”, diz.

Benefícios da cirurgia metabólica

Ilustração: RACGP

A cirurgia metabólica é definida como qualquer intervenção sobre o tubo digestivo, que tem como finalidade o controle do diabetes tipo 2. Os resultados podem ser detectados já a curto prazo. Estudos indicam que 90% dos pacientes que são submetidos ao procedimento cirúrgico não precisam mais utilizar a insulina para manter o tratamento da doença, e muitos não necessitam mais de medicamentos via oral, além de obterem redução do peso, controle do colesterol, pressão arterial e redução de complicações renais.

Uma pesquisa inédita do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, publicado na Jama Surgery em junho deste ano, apontou que a cirurgia metabólica é o tratamento mais eficaz para impedir a progressão da doença renal crônica precoce em pacientes com diabetes tipo 2. O estudo detectou a remissão da albuminúria (perda da proteína albumina na urina e importante indicador de insuficiência renal), em 54,6% dos pacientes após tratamento clínico e 82% após a cirurgia metabólica por bypass gástrico em Y de Roux.

“A remissão de mais de 80% da albuminúria e das lesões renais, com o tratamento cirúrgico significa evitar a progressão da doença e, consequentemente, reduz a necessidade de fazer diálise e transplante de rins. Além de diminuir fatores de risco que podem levar a infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, avalia o cirurgião.

Ilustração: Medscape

Em outubro, um estudo sueco publicado no New England Journal of Medicine, que comparou pacientes submetidos a cirurgias bariátricas e metabólicas versus os tratados clinicamente, após 24 anos de acompanhamento, comprovou que os submetidos à cirurgia têm 30% menor risco de morte cardiovascular, quando comparados aos que receberam apenas medicamentos. Os tratados cirurgicamente ainda tiveram 13% menos risco de morte por câncer, e ainda ganharam mais de três anos de sobrevida.

“O levantamento ainda apontou que quanto mais cedo o paciente é submetido a cirurgia, maiores são os benefícios em relação as possíveis complicações do diabetes tipo 2 e sobrevida. O procedimento cirúrgico deve ser considerado cada vez mais cedo como tratamento, assim como o medicamentoso. Isso pode salvar vidas”, esclarece Ricardo Cohen, que também fez parte do artigo. “Retardar as cirurgias metabólicas coloca pacientes em risco de complicações graves e mortalidade”, complementa.

Por conta disso, a necessidade de ampliar o acesso à cirurgia metabólica, é ainda maior, principalmente em casos mais graves, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto com as operadoras de saúde. O procedimento já é regulamento pelo Conselho Federal de Medicina desde 2017, e está em aberto uma consulta pública da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para integrar o rol de procedimentos pagos pelos operadores de planos de saúde, que pode ser acessada pelo site. Após entrar na página, basta clicar em “Quero Participar” e depois em “Participar da Consulta Pública”.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Diabetes: cuidados necessários para manter qualidade de vida e não ter problemas de visão

Após 20 anos convivendo com a doença, cerca de 19% dos pacientes desenvolverão o edema macular diabético; para conscientizar a população sobre saúde da visão, Novartis expande campanha com André Marques e Lucinha Lins

A Federação Internacional de Diabetes (IDF) estima que 463 milhões de pessoas convivam com a doença no mundo, sendo 16 milhões de pessoas no Brasil. O diabetes é uma das doenças crônicas que mais crescem, impondo desafios para a saúde pública. O número de adultos vivendo com a doença triplicou nos últimos 20 anos.

As consequências causadas pelo diabetes podem ser agudas e de curta-duração, como alto nível de glicose no sangue, ou crônicas e de longa duração como problemas cardiovasculares ou perda da visão. Dado o cenário da doença, o dia 14 de novembro, Dia Mundial do Diabetes, é dedicado à conscientização sobre a importância de chegar a um diagnóstico rapidamente, e assim, iniciar tratamento e acompanhamento médico, incluindo visitas ao oftalmologista.

Por ser, muitas vezes, silenciosa, estima-se que 50% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença. Com isso, o paciente não toma os cuidados necessários. “Quando não tratado corretamente, o diabetes pode causar diversos problemas. Na visão, o diabetes descontrolado pode levar ao desenvolvimento da retinopatia diabética e do edema macular diabético”, explica Francyne Veiga Reis Cyrino, médica assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto -USP.

Impacto do diabetes na visão

De acordo com a IDF, 10% dos pacientes no mundo apresentam diabetes tipo 1, que é caracterizada pela reação autoimune quando o sistema imunológico do paciente ataca as células produtoras de insulina. Os outros 90%, desenvolvem diabetes tipo 2. Esse tipo é causado por uma resistência à insulina, com isso, os níveis de glicose sobem descontroladamente, obrigando o organismo a produzir mais insulina. “O tipo 2 é mais frequente em adultos, porém, crianças também podem apresentar a doença. Alguns dos fatores de risco mais comuns são obesidade, sedentarismo e uma dieta não balanceada[5]”, afirma a médica.

Com o crescente número de pessoas com diabetes, os cuidados com a visão se tornam ainda mais importantes. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), após 20 anos convivendo com a doença, 90% dos pacientes com tipo I e 60% com o tipo II desenvolvem Retinopatia Diabética (RD), e cerca de 30% dessas pessoas, desenvolverão o edema macular diabético (EMD).

A retinopatia diabética ocorre quando o excesso de glicose no sangue danifica os vasos sanguíneos dentro da retina. “A retinopatia tem quatro fases, e na última, chamada de proliferativa, os vasos sanguíneos estão muito frágeis, e o rompimento deles pode espalhar sangue pela cavidade vítrea, causando a perda de visão”, diz Francyne.

Já o edema macular diabético é uma potencial complicação da retinopatia diabética. A médica explica que, “essa doença provoca um acúmulo de líquido na mácula, área da retina responsável pela visão central nítida, usada para ler, reconhecer rostos, cores e dirigir.” Portanto, é importante que pacientes com diabetes sigam o tratamento corretamente, e visitem o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano. E, caso diagnosticados com problemas na visão, iniciem um tratamento, pois, quando não tratada, a retinopatia pode evoluir para cegueira em 50% dos casos em 5 anos, se não tratada.

“Hoje em dia, existem tratamentos eficazes para os problemas de visão em pacientes com diabetes. A terapia anti-VEGF é eficaz no retardo da progressão do edema macular e tem demonstrado uma recuperação da acuidade visual melhor e mais rápida que a cirurgia a laser, além de ter sido recentemente aprovada para o tratamento da retinopatia diabética proliferativa, a mais grave das fases da doença” finaliza Francyne.

Campanha De Olho Na Visão

Criado em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro, é dedicado à conscientização da população sobre os riscos causados pelo diabetes.

No Brasil, a Novartis lança a campanha “De Olho na Visão”, que engloba a iniciativa “De Olho no Diabetes”, para trazer uma visão mais holística e integrada no cuidado com a visão e dialogar com novos públicos.

A campanha foi criada em parceria com associações de pacientes, as agências AMZ e o grupo IPG. O apresentador, DJ e influenciador André Marques e Lucinha Lins, atriz, cantora, compositora e apresentadora, também se juntam aos esforços de conversar com a sociedade brasileira sobre o tema.

“A ADJ Diabetes Brasil tem como propósito ajudar as pessoas com diabetes a prevenir as suas principais complicações e a desfrutarem de uma vida plena e autônoma, nesse sentido, é importante para nós construir juntos com parceiros de longa data uma campanha que leve informação de qualidade aos brasileiros”, explica Gilberto Casanova, diretor-presidente da associação.

Fonte: Novartis

Médico elucida as principais dúvidas sobre diabetes

No mês de combate, especialista prepara lista das questões sobre a doença que afeta mais de 12 milhões de brasileiros

Neste sábado, 14, comemora-se o Dia Mundial do Diabetes. E a campanha Novembro Diabetes Azul alerta para que a população se atente para prevenção e detecção da diabetes, com objetivo de conscientizar sobre a importância dos cuidados em relação à doença que afeta 6% dos brasileiros, o que corresponde a 9 milhões, segundo Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE.

Diabetes é uma doença causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio que promove o aproveitamento da glicose como energia para o corpo e, de acordo com relatório da IDF (International Diabetes Federation), em 2040, a estimativa é que 642 milhões de pessoas ao redor do planeta estejam com a patologia. Portanto, a previsão é que mais de 570 milhões serão detectadas com o tipo 2 da doença. Além disso, segundo relatório da IDF, o Brasil é o terceiro país com mais casos entre crianças e adolescentes e até os 15 anos cerca de 98,2 mil são diagnosticadas com diabetes tipo 1 a cada ano.

“São dados alarmantes tanto do número de pessoas detectadas quanto ao desconhecimento sobre a doença. Ainda mais considerando que este tipo de doença é controlável e as alterações são descobertas facilmente nos exames, porém precisa ser tratada e diagnosticada rapidamente”, explica a cardiologista Rica Buchler, da Clínica Buchler.

Já uma recente pesquisa analisou a prevalência, percepção e o tratamento dos fatores de risco cardíacos na diabetes tipo 2. O levantamento global Capture apontou que quatro em cada dez brasileiros com diabetes tipo 2 tem doenças cardiovasculares, sendo que a doença é a mais comum e aumenta em até quatro vezes a propensão a infarto cardíaco e derrame cerebral.

“O esclarecimento sobre a diabetes é importante, principalmente, diante do atual panorama da pandemia em que muitas pessoas deixaram de realizar suas consultas médicas”, avalia o cardiologista Gabriel Buchler, da Clínica Buchler. “Por isso, é importante uma rotina de consultas ao especialista e a realização de exames periodicamente”, finaliza.

Qual a diferença de cada tipo de diabetes? Qual o mais comum?
Existem essencialmente dois tipos de Diabetes Mellitus. O diabetes tipo 1 é relacionada à perda de produção de insulina pelas células pancreáticas, ocorrendo em sua maioria em populações mais jovens e com apresentações mais dramáticas e potencialmente fatais se não diagnosticadas. Diabetes tipo 2 exibe uma apresentação mais tardia e arrastada, relacionada à resistência a insulina e a uma combinação de fatores genéticos e pessoais como obesidade, sedentarismo e estilo de vida. O diabetes tipo 2 é a mais comum na população geral.

Diabetes é uma doença relacionada principalmente ao fator genético e obesidade. Isso é verdade?
Sim, diabetes, em especial tipo 2, exibe um componente familiar e de estilo de vida, como a obesidade e sedentarismo.

Os idosos possuem mais propensão? Existe uma faixa etária que tem mais risco?
Tratando-se de uma manifestação associada ao estilo de vida é natural que o diabetes tipo 2 seja mais comum conforme a faixa etária, pois o descontrole de peso, o abandono de atividades físicas regulares, de dieta e a associação a outras comorbidades (hipertensão e dislipidemia) prevalecem. Ao invés de precisar um grupo etário, deve-se alertar as populações com risco de desenvolver a diabetes.

Quais são os primeiros sintomas do diabetes?
O diabetes costuma se apresentar com uma sede e fome intensas junto com um aumento da frequência urinária. Conforme o quadro evolui pode-se observar perda de peso e, em casos de diabetes tipo 1, um hálito característico (“hálito cetônico”), náuseas, vômitos, coma e até mesmo o óbito.

Por que algumas pessoas tomam insulina e outras não? Existem diferentes tratamentos? Está relacionado ao tipo de diabetes?
O uso de insulina no diabetes tipo 1 é obrigatório, pois a doença em si está relacionada à falta de produção da mesma pelo pâncreas e não há outra maneira de substitui-la que não pela reposição. No diabetes tipo 2 o mecanismo envolve também uma resistência do corpo à ação da insulina, sendo indicado nesses casos outros tratamentos com medicamentos que não a insulina. Conforme a doença progride, a suplementação de insulina torna-se obrigatória.

Diabetes tem cura? Pode ser evitada?
Diabetes tipo 1 não tem cura e, sim, controle, o qual, se bem realizado, permite uma excelente rotina e qualidade de vida. Já em relação ao diabetes tipo 2, casos relacionados ao estilo de vida podem ser revertidos. No entanto, muitos casos são considerados crônicos e, desta maneira, passíveis de controle com dieta, atividade física e terapia medicamentosa.

Existem alimentos que potencializam o diabetes?
Alguns alimentos são potencializadores, dentre estes, carboidratos (arroz, massas, doces) ingeridos em excesso que provocam um aumento no nível de açúcar no sangue e a um descontrole da diabetes.

Em tempos de Covid-19, por que os pacientes com diabetes fazem parte do grupo de risco da doença? Qual a relação?
Segundo os estudos sobre o novo coronavírus, a doença tem impacto na resposta imunológica e na eventual condução em cenários mais críticos. Por isso, os pacientes diabéticos e sem controle da patologia, assim com fatores associados como hipertensão, tabagismo, obesidade, sedentarismo possuem maior risco se tiverem Covid-19.

Fonte: Clínica Buchler

Pesquisa revela que paulistas não controlam colesterol, hipertensão e diabetes

Especialista fala sobre os perigos de não tratar essas e outras doenças que afetam o coração

O colesterol, hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco para as complicações cardiovasculares, principalmente quando a evolução destas doenças não é acompanhada e tratada por um especialista.

Uma recente pesquisa, realizada com 9 mil pacientes em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em 32 cidades do estado de São Paulo, e analisada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), indicou que a maioria dos paulistas não se preocupa com o controle destas doenças. Segundo dados do estudo, apenas 16% dos entrevistados se importam com o controle do colesterol, só 25% dos participantes estavam com bons níveis de glicemia, enquanto 48% nem se dedicava em checar e controlar a pressão arterial.

Para Elcio Pires Júnior, cirurgião cardíaco e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, o principal motivo destas doenças serem tão prevalentes entre os brasileiros são os maus hábitos da população. “No Brasil, além dos altos índices de obesidade e sobrepeso, o sedentarismo somado a alimentação ruim, favorece não só para a hipertensão, mas também para o colesterol e diabetes”, alerta o médico.

Como estas doenças afetam o coração?

O diabetes, doença que afeta a resistência insulínica, resulta em um estado inflamatório do organismo. Esta inflamação favorece uma condição chamada de aterosclerose, onde placas de gordura se acumulam no interior das artérias, fazendo com que os vasos percam a sua flexibilidade natural. Quando o colesterol ruim está alto, há uma grande quantidade de LDL circulando pelo organismo, que podem se depositar no interior dos vasos. O enrijecimento das artérias exige que o coração trabalhe ainda mais para que o sangue circule por essas vias que estão cada vez mais estreitas, resultando na hipertensão.

“A hipertensão é um alerta vermelho para o infarto e para o AVC. Se os hábitos não mudarem, os vasos podem se obstruir em qualquer momento, interrompendo o fluxo de sangue. Se isso acontecer próximo do coração e o músculo cardíaco deixar de ser irrigado, temos o infarto do miocárdio. Se acontecer próximo ao cérebro, temos o Acidente Vascular Cerebral”, conta o especialista.

Sem sintomas, sem busca por ajuda

Tanto a hipertensão quanto o alto colesterol e diabetes, em seu início, são doenças que não apresentam sintomas característicos. Quando alguns sinais começam a aparecer, pode já ser tarde para reverter. “Check-ups regulares podem identificar essas doenças previamente, oferecendo ao paciente uma alternativa: a mudança de hábitos”, ressalta o cirurgião.

Vale lembrar que existem vários fatores para o desenvolvimento dessas doenças, até mesmo o avanço da idade. Entretanto, de maneira geral, a melhor maneira de se prevenir é evitando o alto consumo de bebidas alcoólicas, assim como o excesso de sódio na alimentação. Vale lembrar que o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação são os principais fatores para o desenvolvimento dessas doenças.

“Embora essas doenças não tenham cura, existe tratamento. E controlar o diabetes, a pressão alta e o colesterol alto são fundamentais para a saúde geral do organismo e a longevidade. Antes que essas doenças apareçam, previna-se!”, finaliza o médico.

Fonte: Élcio Pires Júnior é coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro – Rede D’or – Osasco, e coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Bom Clima de Guarulhos. Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. E atualmente é cirurgião cardiovascular pela equipe do Dr. André Franchini no Hospital Madre Theodora de Campinas.

Dia Mundial da Visão: pesquisa aponta que metade dos brasileiros tem medo da cegueira

Entre pacientes com diabetes, 63% tem receio de perder a visão, sendo que 41% afirmam que esse é seu maior medo; dados fazem parte de uma pesquisa Ibope DTM encomendada pela Bayer

Metade dos brasileiros tem medo da cegueira. É o que aponta uma pesquisa do Ibope DTM encomendada pela Bayer. A pesquisa foi realizada online, com dois mil brasileiros, na faixa etária de 16 a 65+, de todas as regiões do país. Além disso, foi realizada uma etapa complementar telefônica para alcançar 315 casos de pacientes com diabetes. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para dois mil casos e de 6 pontos percentuais para 315 casos, considerando o nível de confiança de 95%.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre 60% e 80% dos casos de cegueira são evitáveis e/ou tratáveis2. A questão é que a falta de conhecimento sobre doenças que podem ocasionar a perda de visão ainda é uma grande ameaça à saúde ocular, já que compromete o diagnóstico precoce e tratamento adequado. Exemplo disso é o desconhecimento sobre a retinopatia diabética (RD), a principal causa de cegueira em pessoas com idade entre 20 e 74 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Cerca de metade (54%) dos participantes da pesquisa Ibope DTM que responderam ter diabetes, um dos principais fatores de risco para doenças da retina, nunca ouviram falar na retinopatia diabética – a porcentagem é de 63% no caso de pacientes que estão no sistema público de saúde. Com relação ao total de entrevistados, o desconhecimento sobre RD sobe para 71%.

Apesar disso, 41% dos pacientes apontaram a perda de visão como seu maior medo. Ou seja: apesar do conhecimento insuficiente sobre doenças da retina como a RD, há uma noção sobre os riscos que o diabetes – que já acomete cerca de 12,5 milhões de brasileiros, segundo o Ministério da Saúde – traz para a saúde dos olhos.

Diabetes e cegueira evitável

“A retinopatia diabética é geralmente causada pela glicemia mal controlada nos pacientes. Esse descontrole danifica os vasos sanguíneos da retina, o que estimula o crescimento desordenado de novos vasos, que podem se romper com facilidade e fazer com que o sangue vaze para a retina e para a parte interna do olho, afetando a visão. Na grande maioria dos casos, não existem sintomas na fase inicial da doença. Já em fases mais avançadas, os sintomas mais comuns são moscas volantes, borrões, áreas escuras na visão e dificuldade de distinguir cores”, explica o oftalmologista Emerson Castro, do Hospital Sírio Libanês. Outros fatores de risco da doença são hipertensão, colesterol alto, consumo de álcool, tabagismo e gravidez associados ao diabetes, além da apneia obstrutiva do sono.

O médico ressalta que “caso as alterações decorrentes da RD não sejam detectadas a tempo, podem atingir a área central da retina, a mácula, responsável pela visão de detalhes, causando o chamado edema macular diabético (EMD), que pode provocar visão embaçada, baixa da acuidade visual (capacidade do olho para identificar o contorno e a forma dos objetos), visão distorcida ou dificuldade para diferenciar cores. O tratamento precoce se faz necessário, pois as alterações, com o passar do tempo, podem ser irreversíveis, causando a temida perda de visão”.

O EMD afeta, em média, 10% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 2 no mundo3. Mais de 90% dos pacientes com tipo 1 terão algum grau de retinopatia após 20 anos com a doença, enquanto naqueles com o tipo 2 a porcentagem é de 60%.

EMD – Ilustração Bayer

O acompanhamento médico e diagnóstico precoce são essenciais para o sucesso do tratamento e prevenção da cegueira. De acordo com a pesquisa, ¼ dos pacientes com diabetes nunca foram incentivados por seu médico a avaliar a retina. Além disso, apenas 66% disseram já ter realizado algum exame para a verificação de doenças dos olhos relacionadas ao diabetes – a maioria que deu resposta positiva se encontra na saúde suplementar (76%).

Para a detecção da RD e do EMD, existem exames que vão além do popular teste de refração, em que o paciente tenta enxergar figuras ou letras no fundo da sala. O exame mais utilizado especificamente para avaliação do fundo do olho com a pupila dilatada é o mapeamento de retina, mas outros complementam o diagnóstico e também podem auxiliar no acompanhamento do tratamento.

Alguns exemplos são: a angiografia, que identifica novos vasos, obstruções e outros problemas na retina; a tomografia de coerência óptica (OCT), que recria uma imagem 3D de estruturas como retina, vítreo e nervo óptico; a fundoscopia, que por meio de um feixe de luz no fundo dos olhos torna possível observar várias estruturas, como a retina; e o Phelcom Eyer, um retinógrafo portátil adaptável ao smartphone, que traz imagens de alta precisão da retina.

Algumas atitudes preventivas são a realização de atividades físicas, alimentação saudável, acompanhamento médico regular e controle do diabetes. Já o tratamento pode ser feito com laser, injeções antiangiogênicas, medicamentos corticoides e cirurgia – lembrando que o acompanhamento clínico, ou seja, controle do diabetes, hipertensão e outras doenças já existentes deve ser concomitante.

“Em alguns casos, a injeção, que interrompe o crescimento de novos vasos sanguíneos anormais e consequentemente impede o vazamendo de fluido e sangue para dentro da retina, consegue não só estabilizar a doença, mas também melhorar ou recuperar a visão que já havia sido perdida”, conta o médico.

Envelhecimento: outro fator de risco importante

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O envelhecimento também pode acarretar doenças da retina que levam à cegueira, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), principal causa de perda visual na terceira idade. A pesquisa da Bayer alerta a população para a conscientização nesse sentido. Isso porque 74% dos entrevistados disseram que nunca ouviram falar em DMRI, sendo que desses, 65% tem 55 anos ou mais, faixa etária mais acometida pelo problema.

A degeneração macular relacionada à idade é causada pelo envelhecimento e desgaste natural dos tecidos. A forma mais comum é a seca, provocada por depósitos de resíduo celular na mácula (área central da retina), e a mais rara e agressiva é a úmida, que acontece com o surgimento de vasos sanguíneos frágeis, cujo sangue vaza e se acumula sob a retina, fazendo com que a visão fique embaçada, escurecida e/ou distorcida.

Além da faixa etária acima dos 50 anos, outros fatores de risco são o tabagismo, sedentarismo, obesidade, olhos claros e histórico familiar. O tratamento preconizado para a forma úmida é com injeções de medicamentos antiangiogênicos, com a possibilidade também de indicação de suplementação com minerais e antioxidantes para a forma seca da doença.

Fonte: Bayer