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PhD em Nutrição aponta os quatro mitos da obesidade

Sophie Deram, pesquisadora e autora do best-seller “O Peso das Dietas”, traz reflexões sobre o que pode mudar no tratamento contra a doença

É comum encontrar pessoas obesas ou com excesso de peso que já tenham sofrido algum tipo de discriminação. As atitudes preconceituosas direcionadas para os que convivem com essa condição são inúmeras, como um olhar atravessado ao passar na catraca do ônibus ou comprar roupas novas, ao montar a refeição em um restaurante ou até mesmo ao ocupar assentos no transporte público.

Julgamentos preconcebidos podem, muitas vezes, acuar pacientes e impedir que procurem ajuda especializada. Este cenário resulta em pessoas na busca de se tratar de forma autônoma, com o uso de medicamentos e dietas restritivas que não resolvem, mas pioram a condição do indivíduo.


“Muitos pensam que as causas da obesidade dependem exclusivamente de questões pessoais, como preguiça gula e a falta de força de vontade. São suposições que estão em desacordo com as evidências científicas”, repudia Sophie Deram, PHD em Nutrição, autora do best seller “O Peso das Dietas” e especialista em comportamento alimentar.

A partir de diversas pesquisas, o consenso indica que o estigma da obesidade é uma questão bem difundida na sociedade. A prevalência de discriminação apresenta taxas mais altas entre aqueles com maior Índice de Massa Corporal (IMC) e entre as mulheres, quando comparadas com os homens. Um estudo de 2018 citado pelos autores sugere que aproximadamente 40% a 50% de adultos norte-americanos com excesso de peso e obesidade sofrem internalização do estigma, e cerca de 20% experimentam isso em níveis elevados

Sophie esclarece que existem quatro mitos relacionados à obesidade. Para a especialista é necessário mostrar às pessoas os reais motivos por trás desta condição pode tornar o tratamento desta doença mais humano e efetivo, não apenas no ponto de vista dos estudiosos da área, como também da população em geral que convive e, muitas vezes, maltrata quem sofre com o excesso de peso. Confira abaixo:

1 – Obesidade é uma opção

Foto: Xenia/Morguefile

Esta é uma das declarações mais irresponsáveis que podem ser feitas em relação ao excesso de peso, pois transfere toda a responsabilidade para a pessoa que já está vulnerável. “É preciso se atentar que a obesidade é um problema multifatorial, ou seja, envolve questões genéticas, emocionais, culturais e fisiológicas”, esclarece a especialista.

2 – Consome mais calorias do que gasta

Usar esta expressão é simplificar a complexidade com a qual o corpo humano trabalha. A conta não é tão simples. “São muitos os fatores que podem levar um indivíduo a desenvolver esta condição, comer muito não pode ser considerada uma causa predominante”, destaca Sophie.

3 – Obesidade é um estilo de vida

Pixabay

Mais uma vez a desinformação pode levar as pessoas a tirarem conclusões equivocadas como esta. Dados de estudos realizados em diversos países mostram que a obesidade é sim um problema de saúde que pode afetar as pessoas em diferentes momentos da vida. “Considerar a obesidade como opção é transferir toda a responsabilidade para o indivíduo. Na verdade, é um problema multifatorial, que envolve questões sociais, culturais, genéticas, emocionais e fisiológicas”, avalia.

4 – Obesidade severa pode ser resolvida com dietas e exercícios físicos
E por último, porém não menos insensata, esta afirmação pode ser refutada pelo simples fato de não ter apoio científico. Estudos já comprovaram a ineficácia de tentativas voluntárias de restringir a alimentação e adicionar exercícios físicos nesta equação ajuda menos ainda. Esta combinação, para aqueles que sofrem com um quadro severo de excesso de peso, traz resultados modestos que não se sustentam em longo prazo.

Sophie explica que, quando aderimos às dietas restritivas, acontecem duas mudanças em nosso corpo: o aumento de apetite e a redução da taxa metabólica basal – mínimo de energia necessária para manter as funções vitais do organismo. “Justamente por essa combinação de resultados, nosso corpo entende que estamos passando pela privação de alimentos e promove a recuperação de peso”, aponta Sophie.

Manifesto sobre a obesidade
Sophie acredita que a falta de informações no tocante à obesidade com base na ciência é uma das principais responsáveis pela existência desses quatro mitos sobre o tema. Para desmistificar esses equívocos, a nutricionista realiza no próximo sábado (21/11) o “Manifesto para um novo olhar sobre a obesidade” no formato online. O evento debaterá com um time de especialistas um tratamento mais humano e digno para as pessoas que sofrem com esta condição. Confira a programação clicando aqui.

Fonte: Sophie Deram é autora do livro “O Peso das Dietas”, é engenheira agrônoma de AgroParisTech (Paris), nutricionista franco-brasileira e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no departamento de Endocrinologia. Além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo Ambulim – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, é coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no Ambulim no laboratório de Neurociências.

Mitos e verdades sobre a dieta low carb

Os médicos, José Carlos Souto e Rodrigo Bomeny, diretor-presidente e diretor científico de Medicina da ABLC, respectivamente, esclarecem as principais dúvidas sobre a prática alimentar e falam sobre sua eficácia no tratamento do diabetes

A Associação Americana do Diabetes, em inglês American Diabetes Association (ADA) tem diretrizes em que recomenda a prática alimentar low carb como alternativa dietética válida para o tratamento de diabetes tipo 2. Entre as vantagens comprovadas da estratégia alimentar para a doença, segundo a ADA, estão: perda de peso, redução da pressão arterial, aumento do HDL, o chamado colesterol bom, e redução dos triglicerídeos.

A decisão da associação vem baseada em estudos científicos realizados ao longo dos anos por cientistas renomados e capacitados, que demonstraram a eficácia da low carb, não apenas para o tratamento de diabetes tipo 2, como para o combate à obesidade, o tratamento de síndrome metabólica e a diminuição de gorduras no fígado.

Não obstante os resultados já demonstrados, a prática alimentar continua sendo contestada. Há muitas informações circulando na internet que não dizem totalmente a verdade sobre a prática. Neste contexto, os médicos José Carlos Souto e Rodrigo Bomeny, diretor-presidente e diretor científico de Medicina da Associação Brasileira LowCarb (ABLC), respectivamente, acharam por bem, esclarecer algumas dúvidas a respeito do consumo de carboidratos e consequentemente dos resultados que podem ser alcançados com a low carb.

Dieta da moda?

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A low carb é uma prática alimentar das mais populares. Certamente o termo dieta cetogênica (um dos espectros da estratégia low carb) é um dos mais pesquisados na ferramenta de busca Google. Contudo, segundo o diretor-presidente da ABLC, quando chamam esta abordagem de “dieta da moda”, isto é feito com conotação negativa e desmerecimento. Além disso, conforme Souto, não se trata propriamente de um argumento. “Há coisas que estão na moda e são ruins e outras que são ótimas. A popularidade não é o critério pelo qual se determina o mérito científico”, diz.

O que deve ser, de fato, levado em questão, segundo o médico, é que diversos estudos clínicos randomizados (os mais fidedignos) mostram a eficácia da prática low carb para o emagrecimento, manutenção de peso, e tratamento de diversas doenças.

Souto explica que low carb é, sobretudo, uma alimentação restrita em produtos refinados, alimentos processados e grãos. Essa era basicamente a forma como nossos ancestrais se alimentavam, em um período anterior ao surgimento da agricultura. Assim, de que forma uma prática alimentar tão antiga pode ser considerada como algo “da moda”? “O que é novo, datando dos anos 1970, é a recomendação de que devemos comer de 3 em 3 horas, com carboidratos perfazendo 60% das calorias, como sugere a ultrapassada pirâmide alimentar”, destaca.

Carboidratos são essenciais para o desenvolvimento físico?

A crença geral é de que apenas a glicose (encontrada no carboidrato) é capaz de gerar energia suficiente para a prática esportiva e, consequentemente, para o desenvolvimento físico. Isto não condiz com a verdade. O diretor-presidente da ABLC explica que a gordura é uma ótima fonte energética, pois tem mais do que o dobro de calorias do que os carboidratos. Além disso, existe em maior quantidade no corpo, visto que o mesmo tem capacidade maior em armazenar gordura do que glicose.

Outra molécula que pode ser utilizada como fonte de energia quando se ingere poucos carboidratos é a proteína. Contudo, segundo o diretor científico de Medicina da ABLC, o corpo prefere usar este macronutriente para construir músculos e realizar outras funções importantes para a saúde. E, havendo consumo adequado de proteínas na dieta, as proteínas do próprio corpo são poupadas. “Por isso, a gordura é a melhor fonte de energia alternativa”, explica Bomeny.

Em relação à alegação de que haveria perda de massa magra (músculos) com dieta low carb, Souto argumenta que qualquer dieta para perda de peso causa, em algum grau, este efeito. “Há apenas duas estratégias para mitigar isso: exercício resistido (musculação, por exemplo) e aumento do consumo de proteínas”, diz. Isto posto, os estudos randomizados não mostram uma perda maior de massa magra com low-carb quando comparada à que ocorre com outras estratégias.

Na verdade, estudos científicos – ensaios clínicos randomizados – realizados com atletas da ginástica olímpica da Itália, do crossfit, e de levantamento de peso, por exemplo, mostraram que uma estratégia alimentar com muito pouco carboidrato não produziu perda de massa muscular. Segundo o diretor-presidente da ABLC, esses estudos clínicos mostram até que o que há é uma maior perda de gordura com a adesão à prática low carb.

Com a diminuição da quantidade de carboidratos, o corpo precisa de outra fonte de combustível. Por este motivo, a gordura passa a ser utilizada, e não armazenada, favorecendo a perda de peso.

O cérebro precisa de carboidratos para funcionar?

O cérebro precisa de glicose para funcionar – algo em torno de 130 gramas – o que se traduz em cerca de 500 calorias por dia. Mas o fato de que o cérebro precisa de glicose não significa que esta precise ser adquirida por meio da dieta, no caso,mas por meio de uma alimentação rica em carboidratos. De acordo com Souto, a glicogênese – produção de glicose pelo fígado – é mais do que suficiente para manter o nível glicêmico do organismo por tempo indeterminado. E os aminoácidos necessários para a realização deste processo podem vir de proteínas ingeridas na dieta – a alegação de que tais aminoácidos viriam dos músculos é inverídica no contexto de uma alimentação com quantidade adequada de proteína, como demonstram vários ensaios clínicos randomizados.

O médico explica que o cérebro apenas depende primariamente de glicose em quem se alimenta à base de glicose. “Nas pessoas que se alimentam com baixo carboidrato, até 75% das necessidades energéticas do cérebro são supridas por corpos cetônicos – pequenas moléculas energéticas produzidas pelo fígado, a partir dos lipídios, com esse fim”, afirma.

Conforme o diretor científico de medicina da ABLC a prática alimentar pode ser utilizada perfeitamente sem a preocupação de afetar negativamente a função cognitiva. “Na verdade, na prática clínica, observamos uma melhora na concentração, foco e memória com a low carb”, salienta Bomeny.

Low carb faz mal à saúde cardíaca?

Uma prática alimentar que não condena o consumo de carnes e gordura animal pode ser considerada potencialmente problemática ao coração, afinal trata-se de um tipo de alimentação mais rica em gorduras saturadas do que sugerem as recomendações tradicionais?

De acordo com o diretor científico de Medicina da ABLC, a despeito de alegações em contrário, as gorduras dietéticas total e saturada não se correlacionam com o risco de doença cardiovascular, e há evidências científicas de alto nível que comprovam isso.

Estudo realizado entre 1999 e 2004 com pacientes portadores de doenças coronarianas, recrutados em dois hospitais da Noruega, mostrou que aqueles com maior consumo de gordura saturada apresentavam menos doença cardiovascular do que aqueles que ingeriam menos gordura. De acordo com Souto, isso na verdade é o esperado, já que a quantidade de gordura saturada no sangue não é decorrência direta da quantidade de gordura que se consome, e sim de carboidratos. E os níveis elevados de glicose e de insulina são fatores de risco cardiovascular muito mais importantes.

O diretor-presidente da ABLC explica que os carboidratos ingeridos, particularmente amido e açúcar, são transformados em glicose no organismo. Ou seja, quanto mais carboidratos, maior o nível de glicose no sangue. A questão é que a insulina, hormônio responsável por retornar a glicose para valores normais, sinaliza também ao corpo para que ele armazene gordura. “Como resultado, seu fígado começa a converter o excesso de açúcar em triglicerídeos (gordura)”, afirma o médico. Além disso, a insulina elevada favorece o ganho de peso e a deposição de gordura visceral – o tipo mais associado a doenças cardiovasculares.

A prática alimentar sobrecarrega rins e fígado?

Essa dúvida é suscitada porque pacientes com insuficiência renal crônica apresentam dificuldades em excretar diversas substâncias, entre as quais as derivadas do metabolismo de proteínas. Desse modo, pacientes portadores da doença não podem aderir a uma prática alimentar hiperproteica. Contudo, de acordo com Souto, pessoas sadias não vão adquirir a doença se consumirem proteínas. Não há indicações na literatura médica nesse sentido. Conforme o diretor-presidente da ABLC, na realidade, o que se vê é contrário. “As duas principais causas de doença renal e hemodiálise, diabetes e hipertensão, melhoram com low carb”, afirma.

Outro ponto, conforme Souto, é que a prática alimentar low carb não é hiperproteica. Então, ainda que uma dieta rica em proteínas prejudicasse os rins, esse não seria o caso da low carb. O diretor-médico da ABLC afirma que o mesmo consumo de proteínas é recomendado nas estratégias alimentares low carb, low fat e mediterrânea. “Low carb é normoproteico, e isso deveria ser conhecimento básico para um profissional de saúde que fala sobre esse assunto”, declara.

A respeito do fígado, é sabido que o álcool e medicamentos são os principais agentes que causam sobrecarga ao órgão. Já a esteatose (gordura no fígado) tem como causa o açúcar. A prática alimentar low carb, inclusive traz benefícios a quem sofre da doença. “Estudo recente mostrou que apenas 14 dias de low carb são capazes de reduzir significativamente a gordura hepática”, garante Souto.

Low Carb significa restrição total de carboidratos?

Pessoas que buscam saber mais sobre low carb em fontes de informações não confiáveis costumam ligar a prática à ingestão exclusiva de proteínas e gorduras. O diretor-presidente da ABLC enfatiza que as recomendações são simples e em nenhum momento afirmam que carboidratos devem ser eliminados. “Uma prática low carb não deve ser ‘no carb’. Ou seja, trata-se de restringir açúcar, farináceos e o excesso de amido, e não de preocupar-se com alguns gramas de carboidratos em vegetais, por exemplo”, afirma o médico.

Souto esclarece que uma low carb bem planejada frequentemente contém uma quantidade de vegetais (em volume de comida) maior do que a quantidade de produtos animais. “Isso é importante para a flora intestinal e para o equilíbrio nutricional da prática alimentar, pois vegetais folhosos e vegetais de baixo amido estão universalmente associados a bons desfechos de saúde em 100% dos estudos”, diz.

Há restrição de fibras, vitaminas e nutrientes?

Como se trata de uma prática alimentar em que grãos integrais não são recomendados, é comum achar que organismo de quem adere ao low carb tem falta de fibras, vitaminas e nutrientes. De acordo com o diretor-presidente da ABLC, tal assertiva não procede. Primeiramente, porque sequer há comprovação científica de que grãos integrais trazem benefícios à saúde: os estudos apenas mostram que seu consumo é melhor do que o de grãos refinados.

Em segundo lugar, porque grãos não são as únicas fontes de fibras, vitaminas e minerais. Conforme Souto, vegetais folhosos, vegetais de baixo amido e legumes apresentam densidade nutricional de magnitude superior a qualquer grão. “De que forma a retirada de pão, massa, biscoitos, guloseimas, açúcar e farinhas diversas, e sua substituição por vegetais múltiplos, peixes, ovos, carnes, laticínios, nozes, castanhas e amêndoas teria qualquer efeito que não fosse o de melhorar a densidade nutricional?”, questiona.

Low carb é ruim, pois elimina um grupo inteiro de alimentos?

Segundo o diretor-presidente da ABCL, trata-se de um argumento falacioso. Não existe uma restrição de um grupo inteiro de alimentos, o que há são opções feitas, dentro de cada grupo, visando um objetivo. Assim, em uma estratégia low carb, para que a meta de consumir pouco açúcar seja alcançada, sem que as frutas sejam eliminadas do cardápio, se dará preferência ao morango em relação à banana, por exemplo – mas ambos são frutas.

Mas, ainda que alguma estratégia alimentar restrinja um grupo inteiro de alimentos, como a paleolítica, em que os laticínios não podem ser ingeridos, ou a vegana, em que diversos alimentos nutritivos são deliberadamente excluídos, o que deve validar os benefícios de uma prática alimentar são os ensaios clínicos randomizados. Conforme Souto, se eles mostram que a prática traz bons resultados, é este o critério que embasa a sua indicação.

É difícil se manter na dieta low carb?

Toda intervenção de estilo de vida – seja a prática de exercícios físicos, a cessação do tabagismo ou do consumo de bebidas alcoólicas, ou qualquer tipo de dieta – deixa de funcionar com o tempo. Isto porque a maioria das pessoas deixa de seguir a recomendação em menos de 24 meses. Assim, de acordo com o diretor-presidente da ABLC, uma prática alimentar deve ser valorada em relação a sua eficácia no período em que foi utilizada.

E, conforme Souto, a low carb para diabéticos mostrou resultados muito favoráveis, quando aferidos nos primeiros 90 dias a 180 dias, intervalo em que as pessoas ainda estão seguindo a estratégia. Por isso é muito recomendada para estes casos. Se a baixa efetividade, no longo prazo, não nos impede de recomendar a cessação do tabagismo e a prática de exercícios físicos, também não deve nos impedir de indicar low carb para os pacientes diabéticos. “Isso é óbvio”, conclui.

Fontes:
José Carlos Souto – médico e diretor presidente da ABLC
Rodrigo Bomeny de Paulo – médico endocrinologista e diretor de Medicina na ABLC

Quatro mitos sobre o ganho de peso na menopausa

Por Sally Kuzemchak*

Estar na casa dos 40 anos significa que as conversas com amigos geralmente incluem alguém declarando tristemente: “Minha calça não serve mais!” ou “Ganhei 2,5 quilos e não tenho ideia do motivo!” Todos nós concordamos com simpatia porque podemos nos identificar.

O ganho de peso na meia-idade é real. É também uma das maiores preocupações que as mulheres têm em torno da menopausa, de acordo com o novo livro The Menopause Diet Plan (O plano de dieta da menopausa em tradução livre), de Hillary Wright, e Elizabeth M. Ward. “Um dos erros que todos cometemos é não falar o suficiente sobre a menopausa e não educar as mulheres sobre as mudanças pelas quais o corpo passará”, diz Elizabeth. “Isso faz com que as mulheres sejam pegas de surpresa quando o número na balança aumenta e suas roupas não servem mais”.

Aqui estão alguns equívocos comuns sobre o ganho de peso na meia-idade – além dos fatos, para que você possa entender o que está acontecendo e tomar medidas para se sentir melhor física e emocionalmente.

Mito 1: o ganho de peso na menopausa é sua culpa.

Esqueça a acusação insultuosa e gasta de “se deixar levar”. De acordo com as autoras do livro, é um simples fato que muitas mulheres ganham cerca de 1,5 quilo por ano em seus 40 e 50 anos. Isso se deve a algumas coisas: o metabolismo desacelera naturalmente com a idade. Você também perde músculos na meia-idade (e os músculos queimam mais calorias do que gordura). Além disso, níveis mais baixos de estrogênio podem levar a mais gordura na cintura.

Mito 2: o ganho de peso não acontece até a menopausa.

O ganho de peso na verdade começa na perimenopausa, os anos que antecedem a menopausa (que é oficialmente definida como 12 meses consecutivos sem menstruar). Essa transição para a menopausa pode levar até dez anos.

Mito 3: ganhar quilos extras perto da menopausa não é grande coisa.

Shutterstock

Claro, algum ganho de peso próximo à menopausa está relacionado à aparência – e ao inconveniente de aumentar o tamanho das roupas. Mas as autoras alertam que o excesso de peso também pode aumentar o risco de doenças que ocorrem com mais frequência com a idade, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e câncer. O peso extra também pode piorar as ondas de calor.

Mito 4: não há nada que você possa fazer a respeito do ganho de peso na menopausa.

Embora o ganho de peso seja normal na meia-idade, existem algumas etapas que você pode tomar para retardá-lo, pará-lo ou perder os quilos que você ganhou:

Adicione (ou intensifique) o treinamento de força: o metabolismo diminui com a idade, em grande parte por causa da perda muscular, diz Elizabeth. Portanto, preservar e até mesmo construir músculos agora é fundamental. Todos os exercícios podem ajudar a queimar calorias, o que ajuda no controle de peso. Mas ela recomenda exercícios de resistência desafiadores, como musculação, pelo menos duas vezes por semana (além de outras atividades como caminhar) para se manter forte e ajudar a combater o ganho de peso. Bônus: os exercícios também podem ajudar com os efeitos colaterais da menopausa, como problemas com o sono, mau-humor e baixo nível de energia.

Foto: Visual Hunt/CC

Seja mais esperta QUANDO você come: “Comer após o pôr do sol ou próximo do pôr do sol não está em harmonia com a maneira como nosso corpo processa melhor os alimentos, que é no início do dia”, diz a nutricionista. Ela acrescenta que é comum as mulheres não comerem o suficiente durante o dia e ficarem com tanta fome no jantar que comem muito mais calorias do que precisam – o que também contribui para problemas de controle de peso.

Evite dietas drásticas: elas podem funcionar em curto prazo, mas a maioria é muito baixa em calorias e nutrientes – portanto, são insustentáveis. Você acaba se sentindo como se tivesse falhado quando ganha de volta o peso (e muitas vezes, mais que antes). Fazer pequenas mudanças em seus hábitos alimentares é uma abordagem muito melhor para a saúde e felicidade em longo prazo, diz Elizabeth.

Concentre-se em proteínas e carboidratos mais inteligentes: há um equívoco de que você tem que “cortar os carboidratos” para perder peso na meia-idade. Mas os alimentos ricos em carboidratos incluem frutas, vegetais, laticínios como iogurte natural e grãos inteiros como aveia. “Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras de que as mulheres precisam para uma boa saúde e não queremos que elas os eliminem em nome da perda de peso”, diz a nutricionista. Priorizar esses alimentos em vez de outros com baixo teor de carboidratos, como biscoitos, batatas fritas e sorvete, é uma abordagem melhor. Incluir proteínas nas refeições e lanches também é fundamental.

Mas o fato é que todos os corpos mudam ao longo da vida. Se seu corpo pós-menopausa parece diferente de seu corpo de 20 e poucos anos, isso é normal e tudo bem. É natural lutar para abraçar as mudanças, mas como Elizabeth sugere, tente se concentrar em como comer alimentos nutritivos e ser fisicamente ativa estão fazendo você se SENTIR. Ao compartilhar sua própria experiência, a nutricionista diz que, embora ela tenha perdido a maior parte do peso que ganhou por volta da menopausa, ela prefere desfrutar de chocolate todos os dias e uma ou duas taças de vinho nos fins de semana do que perder os últimos quilos. “É importante ter equilíbrio na vida”, diz ela.

*Sally Kuzemchak é nutricionista registrada em Columbus, Ohio. Repórter e escritora premiada, Sally já teve artigos publicados em revistas como Health, Family Circle e Eating Well e é editora colaboradora da revista Parents. Ela é a autora do livro The 101 Healthiest Foods For Kids. Ela tem um blog no Real Mom Nutrition, uma zona “sem julgamentos” sobre alimentação familiar.

Fonte: WebMD

Cultura da dieta transforma os alimentos em tabus

Sophie Deram, especialista em nutrição, explica por que a insatisfação corporal é um problema grave

No mundo todo, inúmeras pessoas sentem-se insatisfeitas com seus corpos refletidos no espelho e lutam com problemas de imagem corporal. Devido a esse desagrado, tanta gente se submete a anos de dietas restritivas como a “low carb”, cetogênica, e as ricas em proteínas (paleolíticas), mas se engana quem acha que esta é a solução.

Esses métodos extremistas não fazem bem à saúde e, como consequência, podem produzir o famoso “efeito sanfona”, além de levar a compulsão alimentar e obesidade. De acordo com a Organização Mundial, a projeção é que, em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estejam com sobrepeso; e mais de 700 milhões, obesos.

“A busca pelo corpo magro, musculoso, ou considerado como ‘ideal’ são práticas inseridas na ‘cultura da dieta’. Quando criamos crenças sobre a comida e classificamos determinados alimentos em proibidos, eles se transformam em tabus. Com a proibição, surge o desejo de violar a regra, o que aumenta as chances de exagerar e até mesmo de desenvolver uma compulsão alimentar”, alerta a especialista em nutrição, Sophie Deram, durante palestra “É tempo de abandonar a cultura da dieta: entenda por que ela é um problema”, promovida pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi), apresentada no Ganepão 2020, um dos maiores eventos de saudabilidade da América.

Shutterstock

Para driblar essa vontade exagerada de comer, é essencial começar pela mudança no pensamento, compreendendo que excessos não fazem bem e que dentro de uma alimentação saudável é possível ter uma variedade de produtos, incluindo os mais ricos em energia (carboidratos) ou gordura. “É importante considerar que cada alimento tem uma porção e frequência adequada, e até os conhecidos como “guloseimas” e fast-foods podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que consumidos com moderação”, explica a nutricionista.

Alimentar-se prestando atenção nos sinais de fome e saciedade do corpo também é uma dica para contornar os momentos de gula. É claro que ela requer paciência e autoconhecimento, mas é muito eficaz! “Quando abrir espaço para uma indulgência, escolha um que goste bastante e aprecie com calma, pois desta forma é mais fácil se saciar com uma quantidade menor. Caso exagere, evite comportamentos de compensação como omitir refeições ou fazer jejuns, pois eles apenas agravam a sensação de culpa”, diz Sophie.

Para conseguir manter a sintonia entre as sensações do corpo, a comida e a mente, a especialista separou algumas dicas:


1 – Antes de comer deixe os problemas de lado, relaxe e aprecie a sua refeição.


2 – Diminua as ideias de magreza e corpo ideal, aceita a sua forma física e a sua beleza natural.


3 – Use as roupas que te fazem sentir bem. Se admire ao espelho e não deixe que a beleza de outra pessoa traga aspectos negativos para forma que enxerga o seu próprio corpo.


4 – Quanto mais prazer você leva para as refeições, melhor será a sua relação com a comida.

Foto: Shutterstock

5 – Quando temos sintonia com o nosso próprio corpo, conseguimos diferenciar o que é uma necessidade e o que é uma vontade. Tudo pode ser consumido, desde que na quantidade certa. Então, se permita.

Por fim é válido lembrar que alimentação não é apenas o consumo de nutrientes, e sim um ato social e um prazer que sempre acompanhou os seres humanos. Portanto, aproveite este momento sabendo equilibrar frequência e quantidade, sem recorrer à gula.

Fonte: Abimapi

Dieta Sirtfood, feita pela cantora Adele, é mais uma moda passageira?

Nutricionista Adriana Stavro explica os segredos da dieta que fez a cantora Adele emagrecer 45kg

A preocupação da sociedade atual pela perda e controle de peso, leva cada vez mais a busca de dietas divulgadas nos meios de comunicação não científicos, que recomendam o uso de planos alimentares com restrição energética, como as famosas “dietas da sopa”, “dieta da Lua”, “dieta do tipo sanguíneo” entre muitas outras.

No momento, a dieta que promete a silhueta dos sonhos, comendo chocolate, tomando vinho é a Sirtfood, mais precisamente a dieta que fez a cantora Adele perder 45kg.

Criada em 2016 por dois nutricionistas ingleses, ela ganhou fama por incluir vinho tinto e chocolate amargo no dia a dia. O emagrecimento ficaria por conta dos alimentos ricos em polifenóis, substâncias que ativam as enzimas sirtuínas no organismo. Estas enzimas têm ação antioxidante e anti-inflamatória que previnem o envelhecimento precoce das células.

Alguns alimentos que fazem parte da dieta sirt, ricos em polifenóis, são o chá verde, chocolate amargo com 65% de cacau ou mais, cebola roxa, frutas vermelhas, frutas cítricas, oleaginosas como avelã, castanhas e nozes, rúcula, alcaparras, chicória roxa, aipo, azeite extra virgem, repolho roxo, café, salsa, couve galega, tâmara, cúrcuma, proteínas (salmão e frango) além dos conhecidos sucos detox.

Segundo os autores, é comprovada a perda de 7 kg em 7 dias. Eles afirmam que as sirtfoods são um grupo de nutrientes que ativam a queima de gordura, ao mesmo tempo que programam nossas células para saúde e longevidade. Esses alimentos ativadores de sirtuínas acionam as chamadas vias do ‘gene magro’, as mesmas vias ligadas pelo jejum e pelo exercício físico. É um plano alimentar para perda de peso sustentada e saúde definitiva. É uma dieta de inclusão e não de exclusão e os alimentos propostos estão amplamente disponíveis e acessíveis a todos. Esta é uma dieta que incentiva a ingestão de comida saudável.

A Dieta Sirtfoods é pautada em dois estágios:

Estágio 1: é um programa intensivo de 7 dias, projetado para iniciar a perda de peso. A pessoa consome 1000 calorias nos três primeiros dias. Em cada um deles, ela deve tomar três sucos verdes e ingerir uma refeição rica em alimentos sirt. Do quarto ao sétimo dia, deve aumentar a ingestão calórica para 1,5 mil, com dois sucos verdes e duas refeições diárias

Estágio 2: este serve de manutenção e dura 14 dias. O objetivo é perder peso de forma constante. A pessoa pode comer três refeições balanceadas ricas em alimentos sirt, além de um suco verde. As duas fases podem ser repetidas sempre que desejar para aumentar a perda de gordura.

Parece fácil emagrecer comendo chocolate e tomando vinho, mas não é. Na verdade, as celebridades lançam tendências em todos os sentidos, inclusive nas dietas.

O problema em relação à Dieta Sirtfoods, é a baixa quantidade de calorias, principalmente nos primeiros 3 dias (1.000kcal). A alimentação é baseada em proteínas magras, carboidratos integrais (pouquíssimas quantidades), verduras, legumes, castanhas, nozes, frutas vermelhas. Nada de novidade. Quanto ao comer chocolate, são 2 quadradinhos 70% cacau, e não uma barra inteira, e tomar vinho, são 15ml no jantar. Mas claro, se for comparar com outras dietas que viraram moda, esta estimula a ingestão de alimentos saudáveis como oleaginosas, verduras, legumes, proteínas e sucos verdes, o que a torna mais interessante.

Lembrando que reduzir drasticamente as calorias nos deixa cansado, com fome, irritado e, em médio prazo, pode nos levar à perda de massa muscular e a um metabolismo estagnado. Além disso, restrição alimentar está relacionada com transtornos alimentares como anorexia e bulimia.

Reprodução

Porém, o segredo para uma vida saudável está no equilíbrio. E se você está querendo mudar de vida siga, sim, o exemplo da cantora Adele.

•Procure um profissional responsável para te ajudar nesta nova jornada;
•Encontre os excessos da sua alimentação e com leveza faça as adaptações;
•Identifique quais alimentos podem estar prejudicando sua saúde e procure evitá-los;
•Inclua regularmente atividade física na sua vida;
•Ajuste um plano alimentar baseado em quantidades adequadas para você;
•Faça a sua dieta e não a dos outros, você é único. Seu metabolismo é único ;
•Pense nos Sirtfood como mais uma opção para estimular seu metabolismo de forma contínua.

A nutricionista simulou um cardápio da dieta “Sirtfoods” para que cada um faça a reflexão, se será ou não mais uma moda passageira

Café da manhã:

Foto: Scibosnian

1 xícara de chá verde mais 10 uvas vermelhas ou 1 ovo mexido ou 1 iogurte natural desnatado com 3 nozes picadas. Obs.: os autores sugerem iogurte de soja

Lanche da manhã:
suco verde – receita abaixo

Almoço:
Sopa de couve com aveia OU salada de rúcula, tomate e pepino acrescida com 1 colher de sopa de sementes de abóbora mais 1 posta de salmão (120g) assada com alcaparras
Sobremesa: 2 quadradinhos de chocolate 70% (comer lentamente, sentir o sabor do chocolate)

Lanche da tarde:
Suco detox – receita abaixo*

Jantar:

Foto: Simply Recipes

1 filé de frango grelhado no azeite (120g) mais 5 azeitonas
15ml de vinho tinto

Ceia: 

Foto: Rickyy Sanne/Morguefile

1 xícara de chá em infusão de erva cidreira sem açúcar ou adoçante

*Receita do suco

Ingredientes 
300ml de chá-verde
1 folha de couve manteiga orgânica
1 maçã verde pequena
1 talo de aipo verde com folhas
1 colher de sopa de salsinha
Suco de 1 limão
1 colher de sopa de matchá
1 colher de sopa de uva roxa sem caroço

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador e consuma sem adoçar ou coar.

Adriana Stavro é nutricionista funcional e fitoterapeuta. Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein – Mestranda do Nascimento a Adolescência pelo Centro Universitário São Camilo.

Hábito alimentar pode prevenir ou, até mesmo, reverter doenças, diz endocrinologista

Médico alerta sobre o importante papel que alimentação exerce no sistema imunológico indo muito além do controle da obesidade

Desde o início da vida escolar, todos aprendem sobre a importância dos alimentos para uma vida saudável como fonte de vitaminas e nutrientes. No entanto, parece que ao passar do tempo as pessoas começam a observar seu hábito alimentar apenas como um aliado no controle da obesidade e se esquecem que simples mudanças em sua rotina podem prevenir ou, até mesmo, reverter as doenças crônicas, ou doenças de estilo de vida.

Por isso, o Prof. Dr. Filippo Pedrinola, endocrinologista, sempre destaca o papel do alimento para o funcionamento saudável do sistema imunológico e alerta que “comida é informação para o seu corpo”.

O sistema imunológico é uma rede de proteção composta por células, tecidos, órgãos e até bactérias de nossa microbiota que atuam em nossa defesa contra invasores, sejam micro-organismos (bactérias, fungos, vírus etc) ou substâncias tóxicas. Mantendo, assim, um corpo saudável e livre de doenças, infecções ou alergias.

Desenvolver um sistema imunológico eficiente, ou seja, um organismo saudável, depende de vários fatores, entre eles, o mais importante é o hábito alimentar. “É por intermédio dos alimentos que nosso corpo absorve vitaminas, minerais e substâncias bioativas. Este é o principal motivo da indicação de uma dieta variada e rica em alimentos como frutas, legumes, verduras e grãos, evitando alimentos processados, com muita gordura e açúcar”, explica Pedrinola.

Microbiota é responsável por 70% dos sistema imunológico

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O corpo humano é colonizado por milhões de micro-organismos que, juntos, podem chegar a dois quilos, que é o peso aproximado do cérebro. Trata-se de bactérias que estão, em sua grande maioria, hospedadas no intestino e que exercem funções como se fossem um órgão responsável por 70% de todo o sistema imunológico de uma pessoa. Uma função protetora acontece por meio do deslocamento de patógenos, competição por nutrientes e receptores, além da produção de fatores antimicrobianos.

Além disso, a microbiota também está associada às funções metabólicas, por exemplo na síntese de vitaminas, biotina e folato, além da fermentação de resíduos de alimentos que não são digeridos.

Quando a microbiota está em desequilíbrio, o corpo passa a permitir uma maior atuação e proliferação de bactérias causadoras de doenças. Esse desequilíbrio, chamado de disbiose, pode ser causado por má alimentação (rica em gorduras saturadas e açúcares refinados), ingestão de álcool, fumo, infecções bacterianas, envelhecimento, medicamentos e, até mesmo, estresse e fadiga. Por isso, o grupo de risco para a disbiose são os portadores de doenças crônicas (como diabetes, hipertensão e câncer), idosos, crianças e atletas de alta performance.

“Um desequilíbrio na microbiota, ao contrário do que muita gente ainda acredita, não está ligado apenas a um desconforto intestinal. São inúmeros os sinais e sintomas causados pela disbiose, como alergias, rinites, infecções de vias aéreas, halitose, alterações de humor, insônia, enxaqueca, asma, eczema, dermatite atópica, psoríase, urticária, doença coronariana, fibromialgia, doenças articulares, diabetes, cólicas, diabetes e até a obesidade, tema da pesquisa inédita da Sociedade Americana de Microbiologia”, alerta Pedrinola.

Adotar a Dieta Mediterrânea é uma das práticas consideradas ideais

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Uma microbiota saudável já é uma grande aliada de um sistema imunológico eficiente. Hoje, depois de muitos estudos populacionais realizados em toda a história da humanidade, que o hábito alimentar considerado mais próximo do ideal é a chamada Dieta Mediterrânea. Uma afirmação baseada em inúmeros estudos científicos já publicados.

Após a 2ª Guerra Mundial, um fisiologista norte-americano chamado Ancel Keys desembarcou em Salermo, no sul da Itália. Ele observou que os habitantes da região banhada pelo Mar Mediterrâneo, de diferentes países e diferentes culturas, compartilhavam um hábito alimentar comum devido as características similares de clima, solo e vegetação. Apesar de rica em gordura, o pesquisador identificou que essa população apresentava baixíssimos índices de doenças cardiovasculares.

Basicamente, as refeições eram compostas por peixes de água salgada, azeite de oliva, oleaginosas, frutas, legumes, grãos integrais e derivados do leite como queijo e iogurte. Consumiam poucas quantidades de carne vermelha e alimentos processados.

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Ao adotar o mesmo hábito alimentar, é comprovada cientificamente a proteção cardiovascular, prevenção do diabetes e do câncer, melhora da função intestinal e estimula a atividade cognitiva do cérebro e prevenindo a temida doença de Alzheimer.

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Foto: Iude Richele

Fonte: Filippo Pedrinola é criador do protocolo Medicina de Estilo de Vida, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com residência médica em clínica e endocrinologia no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após período de um ano do Fellowship Program do Cedars Sinai Medical Center da University of California em Los Angeles (UCLA), doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP. Membro da The Endocrine Society dos Estados Unidos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).

 

Especialista alerta sobre perigo de fazer dieta em tempos de quarentena

Em isolamento social, é necessário cuidar do corpo e não colocá-lo em risco com as restrições; a nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O peso das dietas”, Sophie Deram, acredita que a resposta é respeitar emoções e manter uma alimentação saudável em paz com a comida

Neste momento de isolamento social em que todos estão em casa para achatar a curva de contágio do coronavírus, muitas pessoas têm se preocupado em manter uma alimentação saudável para aumentar a imunidade e diminuir os riscos de se contaminar. Mas, também seria o momento de perder um pouco de peso? Muitos pensam que sim.

De acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS), a obesidade é um fator de risco para quadro grave de contágio do novo coronavírus, considerando que, em sua maioria, pessoas que tem obesidade já fazem parte do quadro de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e complicações pulmonares. Uma pesquisa da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), aponta que, no Brasil, uma a cada cinco pessoas tem obesidade, e mais da metade da população tem sobrepeso.

Por conta disso, muitos adotam dietas restritivas para perder peso rapidamente. Porém essa não é a melhor opção, ainda mais quando se é preciso manter a imunidade do corpo em alta. A nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O peso das dietas”, Sophie Deram, entende que o foco deve estar em manter-se saudável e com uma boa imunidade.
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“As pessoas buscam nas dietas um emagrecimento rápido, acreditando que fará bem à saúde delas, mas não é bem assim. Dietas restritivas causam um grande estresse e, neste momento que estamos vivendo, afeta ainda mais a saúde mental das pessoas. Se você quer perder peso e, principalmente, emagrecer de maneira saudável e sustentável, a resposta não são as dietas, mas sim um estilo de vida saudável”, explica.

As dietas restritivas podem afetar a imunidade e diminuir a resistência física, o que é extremamente prejudicial neste momento. Além disso, o corpo ainda corre o risco de sofrer o “efeito sanfona”, que afeta o metabolismo. A melhor alternativa é ligar o alerta e saber que, no atual período, fazer dieta é piorar a saúde. “Cada dia que passa, respeitamos menos o nosso corpo da maneira que ele é. Atividades físicas diárias são importantes, mas o foco deve estar em manter uma alimentação mais fresca e caseira, com alimentos menos industrializados. Cozinhar também é uma boa dica. Agora, é preferível manter o mesmo peso, e ganhar saúde”, acredita.

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A nutricionista ressalta que a ansiedade é diretamente afetada com uma nova rotina de isolamento social. “Por isso, é importante olhar para si mesmo, enxergar a sua fome e tentar descobrir se ela é real ou emocional. Esse é um fator que pode fazer com que as pessoas comam ainda mais”, salienta.

“O tédio e a ansiedade podem fazer com que as pessoas comam mais do que deveriam e, depois, elas tentam fazer dietas para perder o peso que ganharam. Devemos buscar entender o que sentimos no momento para descobrir se a fome não é apenas o nosso emocional querendo preencher a avalanche de sentimentos que estamos tendo. Não sou a favor de restrições, mas sim de comer bem. Para mim, a alimentação é um estilo de vida: comer bem, sem culpa, sem restrição, com prazer e respeitando sua fome, seu corpo e emoções. Essa é a melhor opção para nos mantermos saudáveis e cuidamos da imunidade no momento em que mais precisamos”, conclui.

Sobre a Sophie Deram

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Nutricionista e autora do livro “O peso das dietas”, Sophie Deram. Créditos: Divulgação

Autora do livro “O Peso das Dietas”, é engenheira agrônoma de AgroParisTech, Paris, nutricionista franco-brasileira e doutora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no departamento de Endocrinologia. Além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo Ambulim – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP é coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no Ambulim.

Abril Vegano quer incentivar a adesão ao veganismo

Ação busca engajar o público em relação ao movimento, alertando sobre os impactos positivos que a alimentação vegana provoca na sociedade, no meio ambiente e na saúde

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) lançou nova campanha online de engajamento batizada de ‘Abril Vegano – Dê o primeiro passo para o veganismo’. O objetivo do trabalho é reforçar os benefícios da dieta 100% vegetal, incentivando a transição nutricional e oferecendo vários materiais gratuitos e já disponíveis online para ajudar as pessoas interessadas. As ações já começaram nas redes sociais e devem se estender ao longo do mês, com veganos enviando convites a amigos não veganos para viverem a experiência do veganismo.

O movimento é uma forma de viver que busca excluir, na medida do possível e do praticável, todos os produtos derivados de animais, seja para a alimentação, vestuário ou qualquer outra finalidade. Não é preciso se esforçar muito no atual mundo digital para encontrar materiais e informações que demonstrem a importância de uma alimentação mais saudável e com respeito aos animais e ao meio ambiente”, observa Mônica Buava, gerente de campanhas da SVB.

Motivos para considerar

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A adesão à alimentação vegana pode ser provocada por vários motivos. Entre os principais estão a ética, que se traduz em uma escolha de não compactuar com a exploração, confinamento e abate dos animais. Mais de 10 mil animais terrestres são abatidos por minuto no Brasil para produzir carnes, leite e ovos. Frangos, porcos, bois – como tantos outros – são sencientes (capazes de sofrer e sentir prazer e felicidade) ou seja, têm uma complexa capacidade cognitiva e sentem dor, sofrimento e alegria da mesma forma que os cães que temos em casa.

“Outro aspecto importante é a saúde. Diversos estudos associam efeitos positivos de saúde com a maior utilização de produtos de origem vegetal e restrição de produtos de origem animal. De acordo com inúmeros estudos científicos – cada vez mais frequentes e publicados por instituições idôneas –, o consumo de carnes está diretamente associado ao risco aumentado de doenças crônicas e degenerativas como diabetes, obesidade, hipertensão e alguns tipos de câncer”, observa Alessandra Luglio, responsável pelo departamento de nutrição da SVB.

O meio ambiente, por sua vez, também é um bom motivo para reconsiderar a forma como nos alimentamos. Segundo a ONU, o setor pecuário é o maior responsável pela erosão de solos e contaminação de mananciais aquíferos do mundo. A entidade também estima que 14,5% das emissões de gases do efeito estufa geradas pelas atividades humanas têm origem no setor pecuário. Quase todo o volume do farelo de soja (97%) e mais da metade do milho produzidos (60%) globalmente são utilizados não para consumo humano, mas para virar ração para as fazendas e granjas industriais, produzindo alimentos a uma eficiência muito baixa.

Por fim, mas não menos importante, está o aspecto social. A produção de alimentos por meio da pecuária não é apenas ambientalmente degradante, mas também contribui significativamente para o desperdício global de alimentos: são exigidos entre dois e 10 quilos de proteína vegetal (soja, por exemplo) para produzir apenas um quilo de proteína de origem animal.

Em um mundo com cerca de um bilhão de pessoas que passam fome, esse volume de desperdício é socialmente inaceitável. Vale ainda mencionar que, estatisticamente, o setor pecuário concentra o maior volume de mão de obra análoga à escravidão do setor rural brasileiro.

Como montar um prato vegano

feijao tropeiro vegano

Mas aí surge a grande questão: como faço para montar um prato vegano? É importante reforçar que um prato 100% à base de vegetais é mais simples do se imagina e não é mais caro. Pode ser muito mais barato, saboroso e sem perder qualidade nutricional.

“Lembre-se de sempre substituir a proteína animal (carnes, ovos e laticínios) por proteína vegetal (feijões, castanhas e outros). É importante que o prato seja composto por 50% de legumes e verduras, 25% de feijões e castanhas e 25% de cereais e batatas”, completa Alessandra.

Para mais informações, basta clicar aqui.

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Sobra a Sociedade Vegetariana Brasileira

Fundada em 2003, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) é uma organização sem fins lucrativos que promove a alimentação vegetariana como uma escolha ética, saudável, sustentável e socialmente justa. Por meio de campanhas, programas, convênios, eventos, pesquisa e ativismo, a SVB realiza conscientização sobre os benefícios do vegetarianismo e trabalha para aumentar o acesso da população a produtos e serviços vegetarianos. Para mais informações, visite o site ou os perfis da entidade no Instagram, Facebook e Youtube.

Dieta mediterrânea melhora microbiota intestinal e favorece envelhecimento saudável

Dieta baseada no consumo de frutas, hortaliças, cereais, leguminosas, oleaginosas, peixes e leite é capaz de prevenir perda de funções importantes do organismo e doenças como diabetes e aterosclerose, segundo pesquisa publicada em fevereiro na revista médica The BMJ.

Conforme envelhecemos, nosso organismo passa por uma série de mudanças, sofrendo com a debilitação de diversos mecanismos importantes. Como resultado, nos tornamos mais propensos a doenças inflamatórias, diminuição do desempenho cognitivo, sarcopenia e condições crônicas como diabetes e aterosclerose. De acordo com evidências científicas, tais problemas estão correlacionados com alterações na microbiota intestinal causadas pelo consumo de dietas extremamente restritivas e pouco variadas em alimentos.

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Mas a boa notícia é que um estudo publicado em fevereiro na revista médica The BMJ apontou que tais consequências do envelhecimento podem ser combatidas através da adoção da dieta mediterrânea no dia a dia.

“A dieta mediterrânea é caracterizada pelo alto consumo de alimentos como frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas como grão-de-bico e lentilha, oleaginosas como amêndoas, azeitonas e nozes, peixes, leite e derivados, incluindo iogurte e queijos. Vinhos, azeite de oliva e uma enorme variedade de ervas de cheiro também estão liberadas nessa dieta. Além disso, deve-se consumir pouco de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e alimentos ricos em gordura e açúcar”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores investigaram de que maneira a adoção da dieta mediterrânea no dia a dia durante um ano é capaz de alterar a microbiota intestinal e reduzir a potencial debilitação do organismo. Essa investigação foi feita através da análise das “bactérias do bem” presentes no intestino de 612 indivíduos com idades entre 65 e 79 anos que viviam em 5 cidades europeias (Reino Unido, França, Holanda, Itália e Polônia) antes e depois desse período de um ano.

“Ao compararem as duas amostras os pesquisadores encontraram uma variedade de resultados benéficos correlacionados às alterações na microbiota intestinal, incluindo diminuição da debilidade de organismo e da inflamação e aumento no desempenho cognitivo, além de identificarem redução nos marcadores de moléculas como Interleucina-17, que possui papel em diversas patologias autoimunes e doenças crônicas inflamatórias intestinais, e Proteína C-Reativa, que aparece em valores elevados no organismo quando há a presença de infecções, aterosclerose e diabetes”, destaca a médica.

Com isso, pode-se concluir que a adoção de uma alimentação saudável e específica, como a dieta mediterrânea, é capaz de modular e alterar a composição da microbiota intestinal, que, por sua vez, tem o potencial de promover um envelhecimento mais saudável e livre de condições crônicas como diabetes e aterosclerose, melhorando assim a expectativa e a qualidade de vida do paciente.

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“Porém, é importante ressaltar que antes de adotar qualquer tipo de dieta você deve consultar um médico nutrólogo, pois ele poderá realizar uma avaliação de seu estado de saúde e prescrever a dieta ideal de acordo com as características de cada indivíduo, conmtemplando todos os grupos de alimentos para suprir as necessidades nutricionais específicas de cada um”, finaliza Marcella.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dieta nórdica ganha adeptos pelo mundo, mas ela é muito diferente da mediterrânea?

Você deve ter notado que há uma nova dieta criando muito barulho na cena da saúde e bem-estar. É a dieta nórdica, e alguns nutricionistas acham que pode ser uma das maneiras mais saudáveis ​​de se alimentar. Ela foi construída quando especialistas em saúde começaram a descobrir por que, exatamente, o norte da Europa tinha taxas de obesidade mais baixas do que as dos Estados Unidos. A dieta nórdica foi desenvolvida com base na culinária tradicional encontrada na Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia.

Os especialistas chegaram à conclusão de que a causa das diferenças era a introdução de uma dieta mais ocidental em detrimento da dieta usual nórdica, que contém menos açúcar, menos gordura e duas vezes mais fibras. A dieta nórdica é caracterizada por um alto teor de frutas, legumes, cereais integrais e peixes. É muito semelhante à Dieta Mediterrânea, mas a maior diferença é a fonte de gordura: enquanto a mediterrânea enfatiza o azeite, a nórdica prefere o óleo de canola.

Um estudo anterior já havia relatado que a Dieta Nórdica era mais benéfica para a perda de peso e para a saúde, apresentando marcadores reduzidos de inflamação e melhores perfis de glicose e lipídios em comparação à dieta média dinamarquesa (próxima à dieta ocidental).

O que é a dieta nórdica?

A dieta nórdica é uma maneira de comer que se concentra em alimentos de origem local nos países nórdicos, os já citados Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia. Pode ser uma boa escolha do ponto de vista ambiental, pois enfatiza os alimentos de origem local e de criação sustentável. Comparado a uma dieta ocidental média, contém menos açúcar e gordura, mas o dobro de fibras e frutos do mar.

Alimentos para comer e evitar

A dieta nórdica enfatiza os alimentos tradicionais, sustentáveis e de origem local, com um forte foco naqueles considerados saudáveis.

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Foto: Alibaba

Coma frequentemente: frutas, bagas, legumes, verduras, batatas, grãos integrais, nozes, sementes, pães de centeio, peixe, frutos do mar, laticínios com pouca gordura, ervas, especiarias e óleo de canola.

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Coma com moderação: carnes de caça, ovos orgânicos, queijo e iogurte.

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Coma raramente: outras carnes vermelhas e gorduras animais.

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Não consuma: bebidas açucaradas, açúcares adicionados, carnes processadas, aditivos alimentares e fast-food refinados

A dieta nórdica é muito semelhante à dieta mediterrânea. A maior diferença é que enfatiza o óleo de canola em vez do azeite extravirgem. Como os críticos apontam corretamente, alguns dos alimentos da dieta nórdica não existiam nos países nórdicos séculos atrás.

Isso inclui laticínios com pouca gordura e óleo de canola, que são alimentos modernos. A maioria das frutas também não cresce bem no norte – exceto maçãs e poucas outras. Ainda assim, a dieta nórdica não foi projetada para refletir a dieta das pessoas nórdicas centenas de anos atrás. Em vez disso, enfatiza alimentos saudáveis que são adquiridos localmente na Escandinávia moderna.

Ajuda na perda de peso?

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Vários estudos avaliaram os efeitos da perda de peso da dieta nórdica. Em um deles, realizado em 147 pessoas obesas instruídas a não restringir calorias, as pessoas com dieta nórdica perderam 4,7 kg , enquanto as pessoas que seguiam uma dieta dinamarquesa típica perderam apenas 1,5 kg.

No entanto, em um estudo de acompanhamento um ano depois, os participantes da dieta nórdica haviam recuperado a maior parte do peso. Esses resultados são muito típicos para estudos de longo prazo sobre perda de peso. As pessoas perdem peso no começo, mas depois recuperam gradualmente ao longo de 1 a 2 anos.

Outro estudo de seis semanas apóia os efeitos de redução de peso da dieta nórdica, pois o grupo da dieta nórdica perdeu 4% do seu peso corporal – significativamente mais do que aqueles em uma dieta padrão.

Potenciais benefícios à saúde

Uma alimentação saudável vai além da perda de peso. Também pode levar a melhorias significativas na saúde metabólica e diminuir o risco de muitas doenças crônicas. Vários estudos examinaram os efeitos da dieta nórdica em marcadores de saúde.

Pressão sanguínea

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Em um estudo de 6 meses em pessoas obesas, a dieta nórdica reduziu a pressão arterial sistólica e diastólica em 5,1 e 3,2 mmHg, respectivamente – em comparação com uma dieta controle. Outro estudo de 12 semanas encontrou uma redução significativa na pressão arterial diastólica (o número mais baixo de uma leitura) em participantes com síndrome metabólica.

Colesterol e triglicerídeos

Embora a dieta nórdica seja alta em muitos alimentos saudáveis ​​para o coração, seus efeitos sobre o colesterol e os triglicerídeos são inconsistentes. Alguns estudos – mas não todos – encontram uma redução nos triglicerídeos, mas os efeitos no colesterol LDL (ruim) e HDL (bom) são estatisticamente insignificantes. Ainda assim, um estudo observou uma leve redução no colesterol não HDL, bem como as razões LDL-c / HDL-c e Apo B / Apo A1 (todos fatores de risco fortes para doenças cardíacas).

Controle de açúcar no sangue

A dieta nórdica não parece ser muito eficaz na redução dos níveis de açúcar no sangue, embora um estudo tenha observado uma pequena redução em jejum.

Inflamação

A inflamação crônica é um dos principais fatores de muitas doenças graves. Estudos sobre a dieta nórdica e inflamação dão resultados mistos. Um estudo encontrou uma redução no marcador inflamatório da PCR (proteína C-reativa), enquanto outros não observaram efeitos estatisticamente significativos. Outro estudo mostrou que a dieta nórdica reduziu a expressão de genes relacionados à inflamação nos tecidos adiposos do corpo.

Calorias

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A dieta nórdica é saudável porque substitui os alimentos processados por alimentos integrais e de ingrediente único. Pode causar perda de peso a curto prazo e alguma redução na pressão arterial e marcadores inflamatórios. No entanto, a evidência é fraca e inconsistente. Geralmente, qualquer dieta que enfatize alimentos integrais, em vez de junk food ocidental padrão, provavelmente levará a algumas melhorias na perda de peso e na saúde.

Não há contagem de calorias ou dieta intensiva – a dieta nórdica promove uma abordagem ao longo da vida para uma alimentação saudável. Na verdade, a “nova dieta” já existe há séculos e foi adaptada da Pirâmide da Dieta do Mar Báltico em 2004 para incluir mais sabores e valor nutricional. A nova versão promove mais alimentos de origem selvagem, menos aditivos alimentares, produtos orgânicos sempre que possível e mais refeições caseiras.

Como se compara à dieta mediterrânea?

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A dieta nórdica é bastante semelhante à bem conhecida dieta mediterrânea. Ambas incluem muitos peixes de água doce, vegetais de raiz, frutas e grãos integrais – como aveia e cevada – e limitam o consumo de carne vermelha, laticínios, açúcares e alimentos processados.

A principal diferença está nas gorduras oleosas. Como já foi dito, enquanto a mediterrânea sugere azeite, a nórdica opta pelo óleo de colza, também conhecido como óleo de canola. Ambos os óleos promovem um coração saudável, aumentando o bom colesterol (HDL) e eliminando o colesterol ruim (LDL).

“Ambos são óleos vegetais com grandes quantidades de ômega-3. Como o óleo de canola tem menos gordura saturada que o azeite, é considerado mais saudável, no entanto, ambos têm um uso recomendado diferente na cozinha ”, afirma Nancy P. Rahnama, médica bariátrica de Los Angeles.

Por exemplo, o azeite, que é mais rico em antioxidantes, é mais saboroso e normalmente é usado para saladas e coberturas, enquanto o óleo de canola pode suportar mais calor, e pode ser usado ao cozinhar e assar em temperaturas mais altas.

A longa lista de benefícios à saúde

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Uma das principais razões pelas quais os nutricionistas gostam tanto da dieta nórdica é por causa de todos os benefícios de saúde apoiados por pesquisas às quais está associada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descobriu que as dietas mediterrânea e nórdica reduzem o risco de câncer, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Outros estudos revelaram que pode reduzir os níveis de pressão arterial sistólica e diastólica, normalizar os níveis de colesterol e ajudar as pessoas a perder peso ou manter um peso saudável.

Além disso, como a dieta é bastante semelhante às dietas anti-inflamatórias – que tradicionalmente consistem em frutas, vegetais, proteínas magras e gorduras saudáveis ​​- foi demonstrado que reduz a inflamação nos tecidos gordurosos e, consequentemente, os riscos à saúde relacionados à obesidade.

Pode até ajudar as mulheres que estão tentando engravidar

“Esse estilo de vida se alinha com as recomendações que dou aos meus clientes quando eles estão tentando conceber”, disse Lauren Manaker, nutricionista e proprietária do Nutrition Now Counseling. “Uma dieta pobre em alimentos processados ​​e carboidratos refinados, além de consumir principalmente proteínas vegetais e frutos do mar e de alto consumo de frutas e legumes, está correlacionada com o aumento das chances de gravidez”.

Também é boa para o planeta Terra

Além disso, a dieta nórdica é ambientalmente sustentável, pois se concentra no consumo de ingredientes locais frescos. Como resultado, menos gases de efeito estufa são emitidos. “As dietas à base de plantas criam menos poluição, porque usam menos recursos naturais do que as dietas pesadas”, disse Lauren Cadillac, nutricionista e personal trainer certificada.

“Também podemos reduzir o consumo de energia e o desperdício comendo alimentos produzidos localmente. Uma grande razão pela qual eu gosto dessa dieta é que ela retira o foco das calorias e o coloca na qualidade”, acrescentou Lauren.

Uma opção acessível e equilibrada

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Embora a dieta mediterrânea tenha sido mais pesquisada, o crescente interesse pela dieta nórdica já descobriu que ela é igualmente saudável, se não mais. Sem mencionar que a nórdica se concentra em consumir o que há de temporada e não quebra o orçamento. Os produtos sazonais tendem a ser um pouco mais baratos, pois são mais amplamente disponíveis.

Portanto, se você deseja fazer algo de bom para o seu corpo, e para o planeta, vale a pena tentar a dieta nórdica. Ela é embalada com uma tonelada de nutrientes, vitaminas e minerais que seu corpo precisa para sobreviver e prosperar.

Fonte: Healthline