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A importância de se manter otimista em situações de isolamento

O terapeuta transpessoal Robson Hamuche sugere exercícios mentais e físicos para mitigar os efeito psicológicos do confinamento a que a população brasileira precisa se submeter em razão do Covid-19

Quando estreou em 2002, o programa televisivo Big Brother Brasil despertou nos telespectadores curiosidade e estranhamento. O interesse de muitos por esse tipo de entretenimento veio justamente do inusitado da situação, em que os participantes perdiam qualquer contato com o mundo externo, sendo obrigados a ficar confinados em uma casa.

Passados 20 anos, precisamos admitir que a vida é sobretudo irônica. No momento em que mais uma edição do reality show é transmitida, não são apenas os participantes do programa que estão confinados, mas boa parte da boa população brasileira e mundial.

Isso tudo para que consigamos nos proteger da pandemia do novo coronavírus, uma família de vírus que causa infecções respiratórias e que provoca uma doença chamada Covid-19. Trata-se de uma infecção com alto grau de contágio e que acomete com mais gravidade o chamado grupo de risco, formado por idosos com mais de 60 anos e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, asma, problemas cardíacos e renais, além de fumantes. Apesar disso, crianças e jovens saudáveis também se contaminam e podem transmitir o vírus para indivíduos do grupo de risco. Nesse sentido, a grande importância do confinamento.

Manter-se apartado de qualquer convívio social, no entanto, não é uma atitude fácil de se tomar. Problemas emocionais e psicológicos podem surgir deste isolamento. Nesse sentido, para o terapeuta transpessoal com especialização em constelação familiar e escritor, Robson Hamuche, antes de tudo, é necessário distinguir claramente o isolamento a que estamos submetidos atualmente da solidão. Esta pode ser sentida mesmo se a pessoa estiver rodeada de amigos, por exemplo. “Se ela já estiver repleta de pensamentos negativos e pessimismo, estar perto ou distante de alguém não fará nenhuma diferença”, justifica.

Dessa forma, de acordo com Hamuche, a experiência atual de confinamento não precisa necessariamente ser ruim, eivada de tristeza e solidão. “Em relação ao que estamos vivendo hoje, esse isolamento obrigatório, podemos encarar a situação de maneira negativa ou positiva, como sempre. Tudo depende de nós”, diz.

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Segundo o terapeuta, diante de tal situação, não é recomendável que fiquemos focados exclusivamente na doença. Informações sobre o vírus e como evitá-lo são necessárias e sempre bem-vindas, obviamente. Contudo, conforme Hamuche, sentar-se em frente a televisão e assistir apenas o crescimento exponencial do vírus no Brasil e no mundo e de como milhares de pessoas já faleceram em razão dessa doença, certamente acarretará problemas para a nossa saúde mental, gerando ansiedade e tristeza.

Apesar do momento difícil, é necessário, segundo o terapeuta transpessoal, que as pessoas se mantenham otimistas. “Elas devem estar conscientes do problema e tomando as providências necessárias para combatê-lo, mas repletas de pensamentos positivos e de esperança”, afirma.

Hamuche é autor do livro “Um compromisso por dia – Pequenas ações diárias que podem mudar a sua vida”, que conta com diversos exercícios mentais e físicos, que certamente podem ajudar em situações de isolamento como a que estamos vivenciando na atualidade. De acordo com os ensinamentos do livro, ao invés de sucumbirem, apenas se alimentando de pensamentos negativos e sofrimento, as pessoas podem usar o momento para se redescobrirem, evoluírem mentalmente e se sentirem melhor.

Entre as ações recomendadas por Hamuche em tempos de quarentena estão: a meditação; a leitura; e até a arrumação da casa. Cuidar do corpo também é essencial, para isso exercícios físicos são indicados.

Quarentena não é sinônimo de férias e muitas pessoas continuam trabalhando em regime de home office. Para quem tem família, Hamuche sugere uma separação bem pensada das tarefas, afinal haverá outras pessoas com quem você estará dividindo o espaço. De nada adiantará esse tempo de isolamento, se você se dedicar apenas à função profissional. Nesse sentido, usar o tempo livre em casa para conversar com familiares é muito importante. “Aproxime-se, aproveite a ocasião para passar mais tempo juntos, ouça as dificuldades de seus familiares e entenda como pode ajudar”, sugere.

Para quem tem criança pequena, Hamuche recomenda ainda uma série de brincadeiras com o intuito de ajudar pais e mães na difícil arte de entreter os pequenos no período de isolamento. São atividades lúdicas, permitidas a todas as famílias, independentemente da condição sócio-econômica, pois são realizadas com brinquedos confeccionados a partir de materiais baratos (papel, papelão, pratinhos e copos de papel) e já existentes na casa (rolos de papel higiênico, caixa de fósforo, palitos e pregadores de roupa).

Por fim, o terapeuta acredita que essa situação delicada à qual o mundo atravessa é um momento propício para que as pessoas reflitam e evoluam, pois estão tomando consciência, à força, de que os seres humanos são interdependentes. “Se eu for contaminado por essa doença, posso transmiti-la para outros, o que fará o mundo inteiro sofrer. Fronteiras não separam nada”, argumenta.

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Desse modo, de acordo com Hamuche, torna-se claro e evidente que não somos apenas indivíduos isolados, ou seja, que dependemos de muitos outros, e que precisamos agir de maneira conjunta para não sofremos ainda mais. “Precisamos aproveitar o ensejo para compreendermos que somos uma sociedade integral”, encerra.

Como reorganizar a rotina pode ajudar sua saúde psíquica na quarentena

Quebra da rotina pode trazer impactos psicológicos diversos para pessoas diferentes; conheça algumas estratégias para manter a saúde mental diante da pandemia

Por Valéria Dias – Jornal da USP

Você acorda, toma café, vive normalmente sua rotina diária. Um dia, um vírus que até pouco tempo estava longe, em outro continente, e você conhecia vagamente apenas pelos noticiários, entra na sua casa sem bater na porta e interrompe, não apenas a sua, mas a rotina de toda uma sociedade. Mas qual o impacto psicológico dessa quebra abrupta que a quarentena e a pandemia trouxeram? E o mais importante: como amenizar o problema?

Para o professor e psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker, do Instituto de Psicologia da USP, o momento exige que todos reorganizem suas rotinas. “Um dos primeiros efeitos da quarentena é a desorientação atencional. A pessoa se sente mais confusa, menos concentrada, muito mais cansada. Ela pensa que vai trabalhar em casa e vai conseguir descansar, mas não é isso que acontece. Porque uma série de apaziguadores que nós temos no trabalho, como a pausa para o cafezinho ou a conversa com o colega, são suspensos”, aponta o psicanalista.

É uma crise geral, mas é muito importante a gente ter em mente que isso tudo vai passar. Pode demorar muito tempo, pode demorar mais tempo do que a gente gostaria, mas vai passar”, ressalta. É como uma guerra: uma hora termina. Dunker lembra que é uma situação que vai ter várias fases e agora estamos apenas começando. “Ter consciência disso é muito importante para fazer a travessia deste momento”, aponta.

Dunker destaca os possíveis efeitos da quarentena em dois grupos de pessoas. O primeiro é de quem nunca foi ansioso, mas passa a ter ansiedade; nunca teve insônia, mas fica com dificuldade de dormir, apresenta reações muito agressivas ou irritadas; ou então começa a se sentir confuso ou desorientado.

Do outro lado, estão aquelas pessoas cujos efeitos da quarentena irão intensificar as dificuldades e fragilidades que já estavam presentes antes. Por exemplo, para um paciente com uma orientação paranoide (um tipo de transtorno de personalidade), é possível que a quarentena ou incremente o sofrimento ou traga um efeito relativamente apaziguador. Outro exemplo são as pessoas com fobia social e que diariamente lutam para ir ao trabalho. Em casa, elas podem se ver em um ambiente mais protegido, mais favorável.

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Christian Ingo Lenz Dunker – Foto: Reprodução via Facebook

Dunker conta que vários de seus pacientes com algum tipo de depressão disseram a ele que agora as coisas estavam melhores, pois antes da quarentena era muito difícil sair da cama ou de casa e agora não precisavam mais se preocupar com isso, podiam passar o dia de pijama, demorar mais para sair da cama etc. O professor alerta que, no caso dessas pessoas, o que agora está sendo sentido como um relativo alívio, pode se tornar potencialmente mais grave com o passar do tempo.

Uma atitude preditiva para um mal percurso, de acordo com o psicanalista, são aqueles que negam a gravidade da epidemia. “Esse tipo de negação é muito ruim porque, no fundo, a gente sabe que é uma espécie de autoengano, às vezes, de autoengano coletivo. E tende a produzir uma espécie de ruptura, de violação, de sentimento de traição, de instabilidade psíquica derivada da ruptura das nossas referências simbólicas”, diz.

Dunker também chama a atenção para a forma como algumas pessoas lidam com o medo, emoção esperada diante da situação: com excessivo compartilhamento de informações. Ele destaca que os dados confiáveis são muito importantes, agem até como medidas protetivas. Mas há quem, em vez de se acalmar, se aquietar e se conter, age com muita compulsividade, seja na obtenção ou na disseminação de informações, sem uma reflexão ou contextualização.

Tarefas a cumprir

Quem está na quarentena tem algumas tarefas a cumprir, de acordo com o psicanalista. A primeira é a reorganização cotidiana, pensar em horários para fazer cada coisa. A segunda tarefa é cuidar da higiene e manter a salubridade corporal, pois vamos entrar em um período de baixa atividade física e isso nos fragiliza. Dunker diz que o Youtube para encontrar a técnica mais adequada para cada pessoa. Mas é preciso selecionar bem as fontes de informação, também neste caso.

Ele também recomenda a prática da meditação e lembra que o Conselho Regional de Psicologia autorizou o tratamento psicológico online. Se os sintomas de ansiedade e depressão passarem da conta, o psicanalista sugere procurar ajuda de um profissional da área e pensar em um tratamento via internet.

Para o equilíbrio mental, o psicanalista sugere fazer pausas ao longo do dia e encontrar atividades que não sejam exatamente produtivas, mas sim restaurativas: pode ser uma leitura, a jardinagem, o cuidado com os animais, ou a arrumação de armários e da casa, mudar os móveis de lugar, etc. “Eu acho a leitura uma boa prática para isso, diferente das telas [televisão, celular, computador], porque a leitura convoca uma reestruturação da atenção da pessoa. Você precisa entrar no livro, seguir o personagem.”

Outra coisa muito importante é a recuperação dos laços afetivos e sociais. Aquele avô ou avó talvez precise de alguns empurrões para, finalmente, entrar no mundo digital, e conversar, por exemplo, via Skype (um comunicador de voz e imagem via internet).

Dunker lembra que há lugares onde o Skype fica ligado durante o dia, continuamente, e não apenas durante as ligações, assim podem ouvir e partilhar a rotina diária com pessoas que estão em outra residência. São usos diferentes para recursos que já estamos acostumados.

Sobre as crianças, elas demandam, segundo o professor, uma atenção especial, pois terão mais dificuldades em substituir os laços físicos pelos digitais. É um momento para acompanhar o filho mais de perto, contar histórias, participar das brincadeiras, interações que foram perdidas ao longo do tempo.

“Para os pais que vivem dizendo ‘eu não tenho tempo pra isso’, agora chegou o momento de fazer esses ajustes. Também é necessário observá-las, se pararam de brincar, se se isolaram demais, se estão comendo e dormindo direito, porque a quarentena é uma situação muito adversa e elas são muito sensíveis para captar a preocupação dos adultos”, informa o psicanalista.

Os pais precisam falar a verdade sobre a quarentena porque, em geral, mentir nesse momento aumenta a problemática. A criança vai ter de lidar com pensamentos como “por que será que os meus pais estão me escondendo alguma coisa?”, além de todas as outras pressões que atingem a todos neste momento. Os idosos também demandam muita atenção pois geralmente mantêm uma relação muito específica com o cotidiano e são muito sensíveis às reformulações mais radicais

Para Dunker, é um momento para cultivarmos a solidariedade, o altruísmo e também a humildade, pois estamos diante de algo maior e mais poderoso que nós. É preciso fazer essa travessia em conjunto e não viver esse momento de forma excessivamente individualizada.

O pior e o melhor de cada um

É uma situação limite, inédita, que está trazendo o melhor e o pior do ser humano. De um lado, o aumento abusivo do preço do álcool em gel e as pessoas estocando comida e papel higiênico. Do outro, exemplos de solidariedade, amizade e empatia, como os daqueles que se oferecem para fazer as compras dos vizinhos idosos. Para Dunker, isso traz respostas criativas, mas também respostas egoístas e destrutivas. Um bom conselho é ficarmos mais tolerantes com nós mesmos e com os outros. Ao mesmo tempo, poderão surgir oportunistas, que se aproveitarão desse momento delicado e da fragilidade alheia para enganar pessoas.

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De um lado, há quem nunca foi ansioso, mas passe a ter ansiedade, insônia, reações agressivas ou se sinta desorientado; de outro, existem pessoas cujos efeitos da quarentena irão intensificar dificuldades que já estavam presentes antes – Arte sobre silhueta Flaticon e Pixabay

A tendência é os preconceitos aumentarem

“Na história da humanidade, as pestes sempre foram associadas com o estrangeiro. Isso às vezes se entranha nos delírios de perseguição que já estão aí funcionando no nosso lado social. Acho que o Brasil está em uma situação muito desvantajosa em relação a outros lugares pela situação de polarização”, opina

Segundo o professor, outra coisa bastante complexa, mas necessária de ser trazida à discussão, é que todos nós vamos ficar mais pobres. Temos menos produção e as pessoas que vivem na informalidade viverão um perigo maior, inclusive de sofrer efeitos secundários da quarentena, como dificuldades de se alimentar, e isso pode levar a um aumento da violência. “Esse é o lado pior. Mas, no aspecto positivo, quero crer que essa situação possa nos ajudar a reformular completamente nossos pactos de trabalho e financeiros”, sugere.

Dunker diz que estamos vivendo em uma anomia (suspensão da ordem normal) e isso deve afetar e deve valorizar as novas formas de contratos que podemos estabelecer com funcionários, patrões, ciclo produtivos etc. E isso não se resume a trabalhar ou dar aulas de casa. Vai muito além, pois é uma situação que vai durar muito tempo e vamos ter de nos preparar para isso, inclusive, reduzindo nossas expectativas de gastos e de ganhos, e entender isso como um processo comum a todos.

Para o professor, vamos ter a oportunidade de ver a civilidade e a incivilidade da barbárie que já estava aí no país. Ele lembra que os esforços civilizatórios ainda podem ser tomados e as guerras – uma boa metáfora para o enfrentamento ao coronavírus – sempre trouxeram grandes avanços tecnológicos, inicialmente, na área da defesa, mas que depois foram integrados à sociedade.

Dunker destaca que, atualmente, há um esforço para disciplinar a população, de fazer ela obedecer as orientações das autoridades de saúde e incorporar a ideia de que a quarentena está sendo feita para o bem coletivo e não individual. Para ele, estamos em uma circunstância que pode ser educativa para o nosso país.

Como diz Freud, [Sigmund Freud (1856-1939), médico psiquiatra austríaco criador da psicanálise] é uma situação que pode convocar os nossos fantasmas para a gente bater um papo com eles e resolver assuntos pendentes.”

Ebola, SARS e quarentena

No dia 14 de março, a revista científica The Lancet publicou a revisão The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. Dentre 3166 artigos das bases Medline, PsycINFO e Web of Science analisados por pesquisadores do King’s College (Reino Unido), foram selecionados 24 estudos realizados em dez países sobre pessoas que passaram por quarentena em função da SARS, ebola, influenza H1N1, síndrome respiratória do Oriente Médio, e de influenza equina.

A revisão mostrou que a quarentena pode trazer impactos psicológicos negativos, como estresse pós-traumático, confusão e raiva, entre outros. Dentre os fatores que levam ao estresse, os artigos destacam uma maior duração da quarentena, medos de infecção, frustração, tédio, suprimentos inadequados, perdas financeiras e estigmas. O texto destaca a importância de uma comunicação rápida e eficaz, de as pessoas em quarentena entenderem o porquê da situação, e os benefícios do isolamento, entre outras considerações.

Dunker ressalta a qualidade dos artigos, mas aponta algumas diferenças em relação ao que está ocorrendo na sociedade brasileira, pois estamos enfrentando algo completamente distinto. Uma delas é o tempo de duração da quarentena. Um ou outro artigo da revisão citava períodos de 20 ou 30 dias. Aqui no Brasil, há estimativas de que a quarentena deve ultrapassar esse período.

Outro ponto são as doenças analisadas, entre elas SARS e ebola, muito diferentes da covid-19. No caso da ebola, cuja letalidade é muito alta, Dunker lembra da variável cultural, pois os casos ocorreram em países africanos, onde a sociabilidade é diferente, e o agrupamento, a presença e o convívio com a família são bem distintos do restante do mundo.

Fonte: Jornal da USP

Pandemia e empatia: o que podemos aprender com o coronavírus

Desde que o coronavírus se espalhou vertiginosamente e a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou uma pandemia, o mundo virou um caos. A sensação de fragilidade, vulnerabilidade e impotência tomou conta das pessoas. De todas as idades, culturas, raças e religiões. As diferenças ficaram de lado. Hoje, somos um só. Aí que entra a empatia.

“Como usar essa adversidade global que o coronavírus representa como uma curva de aprendizado para praticar o amor e a equanimidade? Quando nos preocupamos com os outros, geralmente, temos a tendência de pensar nas pessoas dentro do nosso núcleo: nós mesmos, nossa família e nossos amigos. O momento atual nos traz a oportunidade de expandir nossa mente, exercitar o altruísmo e se preocupar pelo bem de todos os seres. Quem quer que seja e onde quer que esteja”, defende Vivian Wolff, coach especialista em desenvolvimento humano e mindfulness pelo Integrated Coaching Institute (ICI) e formada em Mindfulness pela Georgetown University Institute for Transformational Leadership, Washington DC.

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“Empatia consiste na habilidade de perceber o outro, muitas vezes sem que ele precise dizer algo acerca de sua situação emocional ou afetiva. A empatia significa ‘colocar-se no lugar do outro’, sentir suas emoções. Neste momento difícil, precisamos demonstrar interesse genuíno e ativo diante das preocupações, especialmente dos idosos e dos portadores de doenças que estão no grupo de risco do coronavírus”, explica Elaine Di Sarno, psicóloga com especialização em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica, e Terapia Cognitivo Comportamental, ambas pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP.

De acordo com Vivian, precisamos primeiro trabalhar a aceitação dos fatos: “Devemos avaliar a qualidade dos pensamentos que escolhemos cultivar. Lidamos com o momento difícil cultivando pensamentos de medo que nos enfraquecem ou pensamentos que nos fortalecem? Em meio a uma crise global, ser capaz de avaliar o alcance de uma adversidade e ter recursos internos para lidar com ela da melhor maneira possível é muito valioso. Pessoas resilientes fogem de reclamação e justificativas e passam para o gerenciamento das emoções e solução de problemas”.

Segundo as especialistas, depois que você consegue entender e aceitar a situação atual, já tem total capacidade de ter empatia e enxergar o próximo. “Talvez você não esteja no grupo de risco do coronavírus, mas já olhou a sua volta? Tem vizinhos idosos ou com doenças pulmonares, diabetes ou hipertensão arterial? Essas são as pessoas que precisam de maiores cuidados, que necessitam de proteção. Portanto, pratique a empatia, a solidariedade. Ofereça ajuda. Se for preciso, faça o supermercado para sua vizinha de 70 anos e evite que ela se exponha ao risco”, aconselha Elaine.

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“Essa pandemia que estamos vivenciando nos leva a questionar como e por quem serei cuidadoso. Qual pensamento vai me guiar diante da situação atual? O que posso fazer para que minha comunidade fique em segurança? Reflita e dê o seu melhor como ser humano”, finaliza Vivian.

Por que é tão difícil mudar hábitos

A fisioterapeuta com foco em Saúde Integrativa, Frésia Sa, questiona, por que será que é tão difícil mudarmos hábitos, mesmo sabendo o quanto eles atrapalham nossa saúde?

Sabemos que, para a maioria das pessoas, é muito difícil mudar um hábito. Por que será? O que está relacionado às nossas rotinas que nos impede de realizar mudanças para melhor? Para a fisioterapeuta com foco em Saúde Integrativa, Frésia Sá. Talvez, a resposta esteja nas nossas crenças e nos nossos traumas.

Alguns números podem nos ajudar a compreender por que mudar hábitos é algo diferente para cada pessoa: com relação à questão de tempo, existe uma pesquisa realizada que muda um pouco a lógica que é apregoada nas redes sociais e que já foi tema de livros. Segundo um estudo da Universidade Colege London, com 96 participantes, que durante 84 dias realizaram mudanças de rotina em diferentes graus, existem, também, diferentes tempos para a adesão de hábitos.

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“Para hábitos simples, como beber um copo com água todas as manhãs, o prazo de 21 dias, que é o mais conhecido, funciona muito bem”, explica Frésia. “Entretanto, conforme o hábito vai sendo mais intenso, ou necessite de mudanças mais drásticas que mexam conosco de formas mais profundas, o prazo vai, também, aumentando”, completa.

A média desse estudo foi de 66 dias, com picos de 84 dias, no caso de mudanças mais complexas, como realizar 50 abdominais diariamente. “Para nós, que trabalhamos com saúde integrativa, ou seja, que reúne todas as áreas da vida e que também investiga traumas, crenças, as mudanças precisam estar alinhadas com a saúde corpo-mente para acontecerem de formam mais natural e, portanto, rápida”, lembra Frésia.

Mas, o que são hábitos?

A fisioterapeuta explica: “O que conhecemos por hábitos são ações repetidas que realizamos numa sequência automática com uma frequência que se torna uma rotina. Esta capacidade mecânica de realizar libera a mente, o que facilita muito a ação do sistema nervoso, pois a força de vontade despende muita energia, nos ocupando de maneira muito significativa. Seria como quando aprendemos a dirigir, no início gastamos uma energia muito maior pensando em cada etapa de como fazer. Depois quando isto vira um ‘hábito’ nossa mente fica livre para escutar uma música, conversar”, revela.

“Quase metade de tudo que fazemos são hábitos” – lembra Frésia – “portanto, se deseja transformar a sua vida, mudar os hábitos é um caminho bastante decisivo. Neste sentindo, usar o foco de maneira consciente para identificar que hábitos são construtivos ou limitadores para o seu propósito pode facilitar atingir a realidade que você deseja”.

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Assim, a primeira decisão é identificar todas as características do padrão que deseja mudar na sua vida. os pontos principais que se deve analisar são: gatilho, rotina e recompensa. Então, o que desperta em você a ação mecânica? Como são as etapas destas ações? O que você ganha com esta repetição diária de ações?

Frésia explica que não há como eliminar um hábito completamente: “Nesse sentindo, o mais inteligente seria substitui-lo. Para que você tenha sucesso nesta substituição é importante que você comece pequeno, isto é, escolha um hábito por vez e implemente pequenas novas ações repetidas e abuse das recompensas. Lembre-se você é aquilo que faz e pensa repetidamente, portanto escolha com bom senso aquilo que vai incorporar em sua vida, isto virá a ser um obstáculo ou um facilitador da vida que você tanto deseja”.

Quero mudar, mas minhas memórias não deixam

“Vamos pensar em um caso de alguém que tenha ouvido, a vida toda, que é preguiçoso, ou pouco esforçado, ou que nunca consegue nada do que quer. Desde criança. Essa crença, no caso, ficou gravada no inconsciente e essa pessoa possivelmente agirá, na vida, sem perceber, de forma preguiçosa e pouco esforçada. Não por vontade própria e, muitas vezes, nem mesmo por uma característica pessoal. Mas porque ela acredita que é assim”, revela a especialista.

Uma crença limitante pode ampliar o tempo de uma mudança de hábito ou, inclusive, invalidar a própria mudança: “O mesmo acontece com traumas. Alguém que sofreu um trauma em um assalto noturno, por exemplo, pode criar um hábito de não sair de casa à noite. E, caso o trauma não seja tratado, mudar esse hábito pode ser quase impossível. Estamos dando um exemplo prático, mas podemos ter traumas desconhecidos que nos limitam de forma inconsciente”, lembra Frésia.

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Para ela, em casos como esses, o trabalho de Saúde Integrativa, que analisa todas as áreas da vida do paciente, e o uso da microfisioterapia e do PSYCH-K, por exemplo, que são ferramentas que Frésia utiliza, são fundamentais para tratar os traumas e as crenças e criar um programa de mudança de hábitos.

Fonte: Biointegral Saúde

Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo OMS

Janeiro Branco chama atenção para saúde mental

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, com 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com sintomas do transtorno.

Já este ano, uma pesquisa da Funcional Health Tech — empresa especializada em inteligência de dados e serviços de gestão no setor de saúde — demonstrou que, de 2014 a 2018, o consumo de antidepressivos cresceu 23% no país. Todos esses dados só reforçam ainda mais a importância da campanha Janeiro Branco, uma ação que visa evidenciar temas ligados à saúde mental.

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“O Brasil acompanhou um movimento mundial, na década de 70, ao instituir a Reforma Psiquiátrica, que tirou a Saúde Mental da margem social e a colocou como sendo estrutura primordial dos Direitos Humanos no país. Expandimos a nossa compreensão a respeito da vida e do bem-estar emocional, estruturas fundamentais para lidar com nossa correria e turbulência do cotidiano. Com isso, direcionar um mês do calendário anual para discutir sobre a saúde emocional é um grande presente e precisamos aproveitá-lo com afinco”, destaca o psiquiatra da Clínica Maia, Ygor Czovny.

De acordo com a OMS, saúde mental não é apenas ausência de doença ou sintomas, mas um estado completo de bem-estar físico, emocional e social. “Se o indivíduo percebe que algum setor de sua vida está apresentando dificuldades, este é o momento de buscar ajuda e garantir um tratamento rápido e eficaz. É importante não esperar o total comprometimento emocional ou profissional, por exemplo, para ir atrás de suporte”, alerta o especialista.

Segundo o médico, alguns sinais podem indicar que a saúde emocional não vai bem e é preciso estar atento, são eles o excesso de pensamentos negativos, medos constantes, preocupações excessivas, que podem levar a quadros de insônia, compulsão alimentar, tristeza intensa e sintomas físicos de ansiedade como taquicardia, sudorese, frio na barriga.

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Foto: Shutterstock

“Vale ressaltar que a pessoa não deve hesitar ao procurar auxílio profissional para tratar uma saúde mental possivelmente debilitada. Quando temos, por exemplo, sinais de uma pneumonia, procuramos um médico clínico ou pneumologista, certo? Assim também é na saúde emocional: psiquiatra, psicólogo e terapeuta são os profissionais responsáveis pelo tratamento desses e outros sintomas de alerta que, em alguns casos, podem indicar um quadro psiquiátrico sério, mas perfeitamente tratável”, finaliza.

Fonte: Clínica Maia

Janeiro Branco: entenda a importância da campanha sobre saúde mental

Criado em 2014 por um grupo de psicólogos que, a partir de estudos, perceberam a necessidade de uma campanha de conscientização do cuidado com a saúde mental, o Janeiro Branco marca o primeiro mês do ano.

A psicóloga e psicanalista Andrea Ladislau explica, no entanto, que a saúde mental não merece atenção apenas no mês de Janeiro. É necessário cuidado durante todo o ano. “Se você possui equilíbrio e harmonia emocional, certamente você consegue resolver suas questões com muito menos sofrimento. O sofrimento e a angústia são gatilhos importantes para sinalizar que algo está errado. E é uma boa saúde mental que trará o sentido para sua vida”, afirma.

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Para Andrea, a terapia é uma excelente ferramenta na construção da plena saúde mental do ser humano. Através da terapia o indivíduo poderá ter contato com seu eu interior e administrar de forma leve os desafios que o mundo impõe a cada segundo.

Ainda segundo a psicanalista, o ser humano, de forma natural, possui uma preocupação exagerada com a estética, em função das cobranças do mundo moderno. Desta maneira acaba deixando de lado o cuidado e a atenção com a saúde mental.

“Uma mente doente pode estar acometida por diversos problemas e transtornos variados, como angústias, depressão, fobias exageradas, pânico, traumas e síndromes entre outros. A questão é que só vamos nos atentar para isso quando já estamos doentes mentalmente”, diz.

Cuidar da saúde mental requer buscar equilíbrio e leveza de forma a não se entregar a questões que possam atrapalhar a paz interior, de acordo com a psicanalista. Para isso, segundo Andrea, o autoconhecimento é um grande aliado neste processo.

“Devemos buscar conhecer nosso interior, nossas questões, nossos sentimentos, nossas reações e respeitar nossos limites. Ao fazer isso não estaremos negligenciando nosso eu. Assim, fica mais fácil lidar com o mundo a nossa volta e nos relacionarmos melhor com os outros. Se eu não me entendo e não me conheço, será muito mais difícil ter uma relação saudável com as pessoas a minha volta”, explica.

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Andrea enfatiza que, assim como o corpo possui limites, a mente também tem seus aspectos limitadores, o que pode ajudar muito ou também causar danos. “Preste atenção nas suas emoções e como lidar com elas. Um de nossos maiores tesouros e o que devemos almejar é a nossa qualidade de vida. Que passa tanto pelo aspecto da vivência em si, quanto da harmonia mental propriamente dita”, afirma. E complementa:

“Enfim, não seja negligente consigo mesmo. Respeite sua mente e seu corpo. Infelizmente, a urgência do mundo hoje, nos faz ver que todos os caminhos levam para a construção de indivíduos doentes mentalmente. Não seja um deles, busque seu equilíbrio, sua força motora e faça com que corpo e mente andem lado a lado para a conquista de uma vida feliz e consciente.”

Cuidados com a saúde mental

A OMS afirma que a saúde mental depende do bem-estar físico e social, lembrando que o conceito de saúde vai além da ausência de doenças. Esse conjunto é fundamental para que, como seres humanos, tenhamos plenas capacidades individuais e coletivas para pensar, nos emocionar, interagir uns com os outros e aproveitar a vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 300 milhões de pessoas sofrem por depressão em todo o mundo, um transtorno mental frequente que afeta todas as faixas etárias, de qualquer raça, etnia ou classe social. A doença é a principal causa de incapacidade e é pauta de destaque quando se fala em saúde da mente.

 

 “Cuidar da saúde mental não é frescura”

Em apoio ao movimento, o Instituto do Cérebro promoverá plantão psicológico gratuito neste primeiro mês de 2020

Ainda há muita discriminação e falta de informação em relação aos transtornos mentais, principalmente a depressão. A neuropsicóloga Marcella Bianca Neves, fundadora do Instituto do Cérebro e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia – SBNP, reforça que apenas através de debates e conscientizações será possível quebrar esse tabu e alerta que a psicoterapia é fundamental para todas as pessoas.

“Atualmente, o preconceito é mascarado pela ignorância e pelos estereótipos que vitimizam os portadores de transtornos mentais – o que, além de dificultar a aceitação do distúrbio pelos próprios indivíduos, serve de empecilho para que se recuperem de uma doença tão perigosa quanto subestimada. O acompanhamento psicológico frequente é primordial para uma vida mais saudável e produtiva. Temos que mudar o paradigma de que a psicoterapia auxilia apenas indivíduos com graves problemas psicológicos. Cuidar da saúde mental não é frescura”, destaca Marcella.

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Foto: Shutterstock

De acordo com a especialista, qualquer comportamento que prejudique a autonomia na vida diária de uma pessoa merece atenção e os sintomas variam conforme o transtorno. “Em casos depressivos, por exemplo, sinais de isolamento social; tristeza; desânimo persistente; baixa autoestima; sentimentos de inutilidade; mudança de apetite; entre outros. Mas de modo geral, alterações no sono, confusão mental (temporal e espacial) e comportamentos disfuncionais tendem a ser sinais importantes para buscar ajuda profissional e iniciar uma investigação clínica”, pontua.

O Instituto do Cérebro Marcella Bianca incentiva as reflexões sobre as questões emocionais e afetivas e o cuidado com o bem-estar psíquico. Para contribuir com as ações da campanha Janeiro Branco, durante todo o mês de janeiro haverá plantão psicológico um dia por semana com atendimento gratuito à comunidade.

Consumo de antidepressivos no Brasil aumentou

Dados da Funcional Health Tech apontam que nos últimos quatro anos o consumo desses medicamentos aumentou 23%

Um estudo da Funcional Health Tech – empresa líder em inteligência de dados e serviços de gestão no setor de saúde – feito com base em 327 mil clientes da companhia, localizados em todo o país, demonstra que de 2014 a 2018 o consumo de antidepressivos cresceu 23%. Esse aumento contraria a tendência de consumo geral de medicamentos, que apresentou queda de 5% nesse período.

De acordo com o estudo, mulheres na faixa de 40 anos são as que mais utilizam antidepressivos. Ainda com base nos dados da Funcional Health Tech, foi criado um ranking de vendas de medicamentos, dividido por classes terapêuticas, que demonstra que a psiquiatria é a 10ª classe mais consumida no país. Dentro dessa classe, os medicamentos mais vendidos são antidepressivos e analépticos (drogas estimulantes do sistema nervoso central), depois sedativos e ansiolíticos (medicamentos usados no controle da ansiedade).

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“A saúde mental e a saúde física são duas vertentes fundamentais para o bom funcionamento do corpo humano”, diz Ricardo Ramos, médico e vice-presidente da Funcional Health Tech. “Ansiedade e depressão têm afetado a população do mundo todo e o cuidado especial com a ajuda de um médico especialista em saúde mental é muito importante”, ressalta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em escala global, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% nos últimos dez anos. São 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. Na América Latina, o Brasil é o país mais ansioso e estressado. Cerca de 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão e 9,3% de ansiedade.

 

Consumo em excesso pode ser compulsão e necessitar de tratamento

Amigo secreto, troca de presentes no Natal, roupa nova para o Réveillon… As festas de fim de ano são um convite às compras, ainda mais com um número incontável de promoções, muitas à distância de um clique. O estímulo ao consumo próprio dessa época do ano leva a uma reflexão sobre quando o ato de comprar ultrapassa o limite da satisfação de uma necessidade, ou mesmo de um desejo, e passa a uma compulsão que não pode ser controlada, causando prejuízos ao indivíduo.

O psiquiatra da clínica Holiste, de Salvador, Luiz Guimarães, aponta que a chamada compulsão por compras faz parte dos comportamentos dependentes, aos quais também estão associados o uso de drogas lícitas ou ilícitas, jogos, sexo compulsivo, prática de exercícios e até comida.

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“Muito se fala sobre as dependências químicas – álcool e drogas -, mas essas são apenas algumas das facetas dos comportamentos dependentes, que estão relacionados ao mecanismo de recompensa do cérebro. A pessoa pensa o tempo todo naquela experiência e fica presa naquele pensamento intrusivo. Além disso, ocorre a liberação de substâncias, como a dopamina, no cérebro, e tudo isso é associado na dependência. A pessoa não consegue não fazer. As dependências comportamentais são caracterizadas pela recorrência de impulsos, onde se realiza esse comportamento específico e mantém apesar das consequências negativas ou danosas”, explica Guimarães.

Na compulsão por compras, assim como em outros comportamentos compulsivos, não existe a satisfação de uma necessidade e nem de um desejo, mas sim um impulso para consumir sem qualquer objetivo específico ou necessidade. A ansiedade antes da compra, a compulsão e o arrependimento, logo em seguida, são características desse quadro. Sem ajuda, o problema pode causar, além de dívidas cada vez maiores, depressão e isolamento social.

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André Dória, psicólogo da Holiste

“A compra compulsiva pode gerar transtornos quando começa a representar um prejuízo financeiro ou emocional. Acontece uma espécie de inversão de papéis: a pessoa perde a autonomia em escolher e se torna refém do ato de comprar compulsivamente. Ou seja, deixa de ser agente de suas decisões diante do fascínio exercido pelos objetos que quer adquirir. Um vez adquirido, o objeto perde o brilho, a angústia retorna e o ciclo angústia-compra-frustração se repete indefinidamente”, aponta o psicólogo André Dória.

Comportamentos dependentes

O psicólogo Pablo Sauce destaca que, para avaliar o que causa o comportamento dependente, é preciso olhar para três fatores. A questão biológica ou genética (fator somático), a interferência sociocultural ou fator ambiental, e o psicológico, subjetivo, ou fator mental. É a interação desses três fatores que sustenta o comportamento.

“Não adianta irmos atrás do objeto da dependência pois podemos, a todo tempo, acrescentar algo nesta lista. Temos comportamentos dependentes relacionados às substâncias, ao ato de comer, às compras, ao jogo, e diversos outros. O que caracteriza a compulsão são elementos como o imediatismo, uma vontade que se impõe e a impossibilidade de não obter satisfação. Isso leva ao recuo do confronto com a insatisfação da realidade externa, fazendo a pessoa se entrincheirar na realidade psíquica, apoiada em um ou outro objeto de satisfação. Somos capazes de escolher a dor e até a morte em nome de uma satisfação, e a dependência nos mostra isso”, alerta o especialista.

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O tratamento das compulsões é individualizado, podendo ser indicada a psicoterapia e, nos casos mais graves, medicação. Como muitas vezes a pessoa não se percebe como compulsiva, o paciente chega ao tratamento por meio da família ou de pessoas próximas, por isso é importante ficar atento a comportamentos que possam indicar compulsão.

Fonte: Holiste

 

Como lidar com a avalanche de estímulos ao consumo desta época do ano?*

O consumo paira sobre o imaginário neste período do ano. Mais recentemente, se inicia com a adoção massiva do comércio brasileiro à campanha Black Friday, em novembro, seguindo os estímulos dos tradicionais presentes de Natal e, depois, as promoções e queimas de estoque em janeiro. São inúmeros eventos que conduzem às compras de itens, muitas vezes, não essenciais.

Nesse sentido, o consumo pode ocorrer como resposta a uma emoção negativa (tristeza, baixa estima, tédio) ou mesmo pela necessidade de mostrar status social por meio do poder de compra. Além do quesito emocional, é inegável o impacto das campanhas publicitárias, a ponto de transformar alguns produtos e serviços em necessidades imediatas. São as ideias por detrás do “valer a pena” ao mostrar o “preço reduzido” ou a sensação de “poucas unidades” disponíveis daquele produto/serviço.

Diferentes teorias tentam explicar o comportamento de consumo. Alguns economistas destacam o aumento dos gastos diante da percepção de redução do preço. Sem contar aquelas pessoas que tendem a valorizar mais as possíveis perdas (ou faltas) do que os ganhos que virão do produto ou serviço que estão prestes a adquirir.

Mas o que desencadeia a decisão de comprar?

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Pode ser qualquer estímulo (ambiente, mídia, fala de alguém) que nos faça pensar sobre alguma ideia, conceito, produto ou necessidade. Ou seja, os gatilhos despertam interesse em coisas que não estávamos necessitando ou pensando até o momento que fomos estimulados por eles.

Como lidar com esses gatilhos e evitar armadilhas?

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• Identificar o que te faz querer consumir é o primeiro passo. Pergunte-se sobre o que te levou a querer o produto/serviço naquele momento? Estava triste? O desconto pareceu atraente? O atendimento na loja foi cordial e te fez sentir-se à vontade?
• Seja consciente de sua real necessidade e do motivo que te faz pensar que o produto/serviço é importante naquele momento.
• Questione-se sobre a disponibilidade do produto ou serviço no futuro: ele poderá acabar ou parar de ser oferecido? Você deve comprar naquela hora?

Em síntese, tenha clareza dos objetos ao seu redor, de como eles te afetam, e das estratégias de venda no comércio físico e virtual. A consciência é uma das principais formas de garantir que as decisões de consumo sejam realizadas adequadamente e que efetivamente trarão benefícios.

Por outro lado, deixar-se levar pela sedução barata de algum momento ocasionará a aquisição de bens e serviços desnecessários, decorrentes de pura falta de consciência. É preciso estar atento a si mesmo e ao seu ambiente até mesmo no momento das compras.

*Por Jeferson G. Pires, professor mestre do curso de Psicologia da Anhanguera São José (SC), Psicólogo e Doutorando em Psicologia- UFSC.

Por que os casos de ansiedade e depressão aumentam no fim do ano?

Frustrações por metas não alcançadas, sentimentos de perdas e principalmente o luto, são alguns dos motivos para entristecer as pessoas neste período

A proximidade com as festas de fim de ano, para a maioria das pessoas é sinônimo de alegria e de diversão, para outros, de tristeza e frustração. Mas por que as sensações costumam variar tanto de pessoa para a pessoa? Por que uma época do ano, em específico, costuma mexer tanto com os sentimentos?

Segundo o psicólogo cognitivo comportamental Emerson Viana, existem inúmeros fatores para isso e o principal é que costumam ficar mais sensíveis e pensativos nesta época, principalmente porque tudo o que estiver relacionado a situações vividas em anos anteriores, costumam voltar com força neste momento e nem sempre essas lembranças são positivas. Muitas vezes essas lembranças são acompanhadas de frustrações pela perda de um amor, ou pela sensação que mais um ano está se acabando e não foi possível reatar laços perdidos no passado.

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O psicólogo explica ainda que isso é normal, pois tendemos a fazer uma retrospectiva sobre os meses que passaram, o que inclui tanto as conquistas, quanto as frustrações. Além disso, as famílias costumam se reunir mais neste período e isso pode ser bastante doloroso para aqueles que perderam entes queridos ou que possuem problemas familiares. “E esse misto de sentimento pode desencadear reações adversas em cada pessoa. Alguns lidarão com isso de maneira mais leve, enquanto outros sofrerão antes mesmo que essa época chegue” – garante.

Para lidar com todos esses sentimentos que circundam o fim de ano é necessário tomar algumas atitudes que incluem a presença de um profissional especializado. O indivíduo precisa, avaliar o que deu certo e o que não deu de maneira imparcial, buscando entender o porquê de cada uma destas resoluções e pontuar o que ele pode fazer para ajustar a rota para o ano seguinte. “Mas este exercício é importante para o autoconhecimento e não para que a pessoa se frustre ainda mais, por isso é importante ser realizada com ajuda de um profissional” – reforça.

Além disso, outra dica importante para evitar a frustração é estipular metas que são possíveis de serem realizadas. Se junto com a meta, não for criado um plano para conquistá-la, é quase impossível dela se realizar.

“Muitas pessoas chegam ao meu consultório frustradas com elas mesmas, por não terem alcançado os planos que traçaram no último dia do ano, mas quando começamos a terapia, fica evidente que isso não seria possível. Uma pessoa extremamente sedentária, jamais conseguirá se tornar uma atleta se não houver preparo e acompanhamento médico, por exemplo. Assim como realizar aquela tão sonhada viagem; se a pessoa não estiver disposta a economizar e abrir mão de algumas coisas. Assim, é importante buscar ajuda para alcançar suas metas.” – evidencia Viana.

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O psicólogo finaliza dizendo que muitos destes objetivos só são possíveis com dedicação e cuidado emocional. É importante conhecer a motivação para cada um destes sonhos; buscar entender o que eles significam e para isso a terapia é uma grande aliada na hora de lidar com emoções que são difíceis de serem compreendidas. O autoconhecimento ainda é o principal fator para um ano leve e feliz.

Fonte: Emerson Viana é psicólogo cognitivo comportamental formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Neste período, estagiou em importantes centros de atendimento psíquico ampliando o seu conhecimento e adquirindo experiência no desenvolvimento pessoal de adolescentes e terceira idade. Fundador e diretor clínico da Clínica Viva Psicologia

Aspectos psicológicos e emocionais após o diagnóstico de uma doença grave

Apoio de pessoas queridas pode auxiliar na superação da notícia e no tratamento

Ser diagnosticado com uma doença grave é algo muito delicado tanto para quem recebe o diagnóstico quanto para a família e amigos. “Em um primeiro momento, é natural que a pessoa fique insegura e seja tomada pelo medo, criando uma série de conflitos internos e sentimentos negativos, como tristeza e apatia. Isso acontece devido ao mecanismo de defesa do nosso corpo em não saber como lidar com o inesperado, com o que foge de um planejamento, tanto no presente e principalmente quando relacionado ao futuro. E quando somos diagnosticados com doenças consideradas graves, por exemplo, o câncer, o primeiro pensamento que se passa nas nossas cabeças é a morte” – explica Emerson Viana, psicólogo cognitivo comportamental e diretor clínica da Viva Psicologia.

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Neste momento, o apoio da família e dos amigos é fundamental. “A pessoa precisa se sentir segura e acreditar que o diagnóstico não é uma sentença de morte e caso isso venha a acontece, é preciso estar conformada e consciente. É preciso entender tudo sobre a doença para eliminar de seu corpo sensações de medo, preparando-se para o que irá enfrentar”, pontua.

Quanto mais a pessoa souber sobre a doença, mais preparada ela estará para seguir com o tratamento. Sentindo menos as consequências da possível perda de cabelo, diminuição da libido, baixa autoestima. “Todos estes pontos são tratados durante as sessões de terapia. Nosso objetivo é tornar esse momento o menos traumático para todos os envolvidos”.

O apoio de pessoas próximas é essencial nessa fase. É de onde o portador consegue aconchego, carinho e afago, sentindo-se mais seguro consigo mesmo. “O apoio de pessoas queridas é indispensável durante todo o processo. Caso você tenha algum familiar ou amigo que infelizmente foi diagnosticado com alguma enfermidade grave, procure falar palavras de motivação e também de conforto, para ele é de extrema importância entender que não está sozinho”, conclui.

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Vale ressaltar que o acompanhamento médico é indispensável nesse período, procure seguir à risca todas as recomendações médicas, para o melhor resultado no tratamento e logo a cura.

Fonte: Emerson Viana é psicólogo formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Neste período, estagiou em importantes centros de atendimento psíquico ampliando o seu conhecimento e adquirindo experiência no desenvolvimento pessoal de adolescentes e terceira idade. Atualmente, além de fundador e diretor clínico da Clínica Viva Psicologia também atua no atendimento de temas relevantes, como crises entre casais homo e heterossexuais, convivência e sucesso com trabalhos em grupo, problemas na adolescência como transformação hormonal e da própria mente, escolha vocacional e organização empresarial.