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Mitomania: necessidade de mentir compulsivamente, por Andréa Ladislau*

A mania de mentir pode ser muito mais grave do que parece: é o que chamamos de mitomania. É comum ter um amigo, parente ou conhecido que sempre inventa uma mentira, uma viagem que não fez ou uma história que nunca aconteceu. Um transtorno caracterizado pela compulsão de mentir, onde o indivíduo, inconscientemente, mente com grande frequência. Existe um prazer enraizado na criação de suas próprias histórias.

E qual seria a razão para esse tipo de comportamento? Existem dois possíveis motivos para que alguém recorra às mentiras, um deles é o medo. Na grande maioria das vezes, o indivíduo mente porque tem medo de enfrentar a sua própria realidade. Ou medo de perder alguém, além do perder afeto e reconhecimento. Uma outra razão possível é a ambição.

O transtorno da mitomania pode ser desencadeado por transtornos de personalidade, doenças neurológicas ou psiquiátricas – mas nem sempre está ligado a alguma doença. E o que vai diferenciar este transtorno de uma simples mentira é a intensidade e a frequência. Quando mais se mente, mas sente a necessidade de mentir. Fazendo elos entre as histórias inventadas.

As consequências da mitomania na vida de uma pessoa podem ser muito sérias, como o fim de relacionamentos amorosos e até a perda de emprego. Ao perder o controle sobre as histórias fantasiosas que inventa, a pessoa acaba se complicando nos relacionamentos pessoais e profissionais por não ter sustentação para suas mentiras. Além disso, quando são descobertas as mentiras é comum que o afastamento do mitomaníaco ocorra por pessoas próximas, fazendo com que este sinta-se rejeitado, agravando ainda mais seu quadro psíquico.

O transtorno pode ser tratado, mas os métodos utilizados no tratamento dependem da gravidade do quadro do paciente. Antes de se controlar a mitomania, o indivíduo deve passar por uma investigação terapêutica que irá identificar as doenças psiquiátricas que possam estar associadas a este transtorno, motivo pelo qual a terapia é fundamental para tratar a mitomania. Em alguns casos onde os níveis estão elevados, também é indicado o uso de intervenção medicamentosa. Os antidepressivos entram com a função de reforçar a confiança e autoestima desse indivíduo, bloqueando a necessidade de aceitação e eliminando as angústias oriundas pelo sentimento de rejeição.

É de suma importância estar atento às crianças. É normal que elas mintam. Esse comportamento fantasioso faz parte do universo infantil quando o amadurecimento pessoal começa a ser formado. Porém, o que parece uma atitude ingênua pode tornar-se um problema sério na juventude, quando este jovem começa a se assumir como indivíduo e passa a sustentar relacionamentos sociais adultos.

Também chamada de “síndrome de Pinóquio”, percebemos que existe consciência sobre aquilo que está sendo feito, porém, o mentiroso encara o hábito como uma “mentira boa ou inofensiva”. Fato é que essa doença surge como sintomas de outras questões psicológicas, a exemplo da depressão e outros problemas emocionais como: a necessidade de atenção e o medo da rejeição. Os mentirosos, em geral, são tidos como contadores de histórias. Precisam sentir-se superiores aos demais e, para isso, contam histórias de sua bravura, popularidade e grandes feitos. Ou mesmo mentem para esconder erros e falhas. No entanto, não existe neste comportamento qualquer indício de culpa ou responsabilidade.

Para manter sua “vida grandiosa” aos olhos dos outros, adotam o plágio como uma parte integrante de suas ações. Ao contar uma mentira após a outra, podem não perceber que disseram a mesma mentira para a mesma pessoa mais de uma vez. Cada vez que se conta a mesma mentira, o conceito básico irá permanecer, sendo apenas os personagens, local e data da ocorrência modificados.

Ficam evidentes razões como a baixa autoestima, o déficit de atenção, a hiperatividade e o transtorno bipolar como umas das principais razões que podem transformar um indivíduo em um mitomaníaco ou portador da “Síndrome de Pinóquio”. Uma das molas presentes nesta alteração comportamental é o complexo de inferioridade que impulsiona a pessoa a inventar histórias, fazendo-a acreditar que desta maneira poderá se tornar mais importante e apreciada pelo outro. Indivíduos com alterações severas de humor, oscilando entre a depressão e a agitação (típico comportamento maníaco), bem como os dependentes e viciados em drogas ou jogos, são fortes candidatos a se tornarem mitomaníacos. Os dependentes, por exemplo, precisam mentir – na grande maioria dos casos – para fugir de situações difíceis, como problemas financeiros.

Portanto, a incapacidade de enfrentamento da realidade desencadeia neste ser humano a sentimentos de negação, contribuindo para que a mentira seja uma muleta em sua vida, construída a partir das fantasias criadas. A medida que percebem os “falsos ganhos” com este comportamento, passam a alimentar suas mentiras compulsivamente. Seu maior objetivo é levar a atenção do outro para longe da realidade em que vivem. Por isso, dizemos que o mitomaníaco acredita em sua própria mentira. Por mentir tanto, passa a confundir o que é real do que é fantasioso. Mas tenhamos muita cautela, pois o diagnóstico dessa patologia deve ser minucioso e realizado por profissional de saúde mental adequado.

Quem sofre com a mitomania, a mentira patológica, apresenta transtornos de personalidade narcisista e antissocial. Quando tratadas prematuramente, essas características, notadas a partir de observações criteriosas, diminuem o risco de evolução da doença – visto que é extremamente importante o desenvolvimento da elevação da autoestima, a potencialização de valores e forças, além do enfraquecimento do medo da rejeição e do abandono. Para conseguir uma melhor qualidade de vida, se faz necessária a promoção de sentimentos positivos e um melhor gerenciamento das emoções, assim a mentira compulsiva deixa de fazer parte da realidade do indivíduo – libertando-o da Síndrome de Pinóquio.

*Andrea Ladislau é psicanalista; doutora em Psicanálise, Membro da Academia Fluminense de Letras. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise, Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada.

Psiquiatra Marco Antônio Abud promove aulas online gratuitas sobre ansiedade e depressão

Para aproveitar o período de alerta que ocorre no mês da conscientização sobre a saúde mental, denominado Janeiro Branco, o psiquiatra Marco Antônio Abud – responsável pelo canal Saúde da Mente, no YouTube, o maior do Brasil sobre o tema, com mais de 1,3 mi de inscritos – promove dois cursos on-line gratuitos voltados a pessoas interessadas em técnicas de controle da ansiedade e formas de lidar com a depressão.

“É uma forma não só de levar conhecimento sobre o tema, como também pode ser um primeiro passo para que essas pessoas tomem consciência sobre si mesmas para conseguirem lidar com essas questões. É importante ressaltar que a ansiedade e depressão são condições que afetam a maioria da população em algum nível e não devem ser tratadas como tabus”, explica Abud.

O médico desenvolveu técnicas para promoção da melhora da qualidade de vida de seus pacientes após anos de estudos e pautado pela sua própria experiência com a ansiedade. Aos 22 anos, o psiquiatra enfrentou sua primeira crise e, diante dos aprendizados como indivíduo e profissional, criou técnicas para ajudar a população em geral a lidar com essas barreiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo – no Brasil, os números chegam a 11,5 milhões e de acordo com o órgão, a doença será a mais comum entre a população até 2030. Além disso, em 2019 outro dado importante foi revelado: o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com o transtorno (9,3% da população).

De acordo com Abud, aulas e workshops online são uma maneira de oferecer conteúdo de qualidade sobre os temas de maneira acessível a todas as classes sociais. “É a minha forma de levar conhecimento sobre esses assuntos o mais longe possível, para pessoas das mais variadas origens e condições financeiras, com respaldo médico científico”, explica.

Como funcionarão as maratonas de aulas

Shutterstock

Atualmente, em tempos de pandemia, o isolamento se tornou uma medida de segurança para conter o coronavírus. A distância de amigos, familiares e pessoas do convívio social faz parte da realidade de inúmeras pessoas do mundo inteiro e tal fator, somado também ao luto (já são mais de dois milhões de mortes registradas mundialmente pela doença), vem agravando ainda mais a situação tanto de quem já sofria com transtornos mentais quanto de quem passou a desenvolvê-los.

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde da mente e qualidade de vida de forma democrática, as maratonas/ workshops se dividirão entre os temas ansiedade e depressão, ambos com quatro aulas gravadas que serão disponibilizadas às 10h da manhã, nos dias 17, 19, 21 e 24 de janeiro. Ocorrerão também aulas complementares ao vivo com o Dr. Marco nos dias 18, 20, 22 e 24.

A Maratona Livre da Ansiedade, que já conta com 57 mil inscritos, será focado nas pessoas que desejam conhecer os diferentes tipos do transtorno e suas crises, além de aprender a controlar a crise de ansiedade de forma prática e assim, conquistar uma vida mais harmônica e equilibrada, com mais felicidade, tranquilidade e redução do estresse.

Para participar, basta se inscrever no site clicando aqui.

Além disso, na aula do dia 24 de janeiro, Abud abrirá inscrições para uma nova turma do Treinamento para Mentes Ansiosas. Já na Maratona Supere a Depressão, que já possui 12 mil inscritos, o foco será desvendar e entender como e porque o transtorno ocorre, entendendo seu diagnóstico e as melhores formas de tratamento.

O objetivo é que, a partir do conteúdo proposto, o público possa aprender a lidar com a doença e assim, conquistar mais qualidade de vida, vitalidade, segurança em si mesmo e melhorar os relacionamentos. Para participar, basta se inscrever no site, clicando aqui.

Além disso, os participantes terão a oportunidade se inscreverem na nova turma do Treinamento para Mentes Depressivas, cuja inscrição também será liberada na aula do dia 24 de janeiro.

Abud frisa que as aulas das maratonas são um primeiro passo para o entendimento sobre os temas e estimulam o autocuidado, o que é especialmente válido para pacientes com sintomas leves e moderados, que possivelmente não precisam de medicação para tratar a condição.

“O autocuidado é um conjunto de estratégias que as pessoas podem colocar em prática para lidarem melhor com seus pensamentos, sentimentos e relações e, assim, melhorarem o bem-estar geral. No caso da saúde mental, é essencial estar alinhado aos estudos e práticas que auxiliam no controle de transtornos, como ansiedade e depressão. No entanto, nem sempre é possível fazer esse controle sozinho e buscar um tratamento adequado, começando por um psiquiatra ou psicólogo, se torna essencial”, finaliza o médico.

A mania de controlar tudo que afeta severamente o equilíbrio emocional do ser humano*

Já parou para pensar se você está sofrendo por alimentar uma mania de controle? Por que desejamos controlar tudo? Na verdade, existe uma linha muito tênue em promover ou não uma justificativa para a mania de controle. A grande questão é que a necessidade em ter o controle das situações nas mãos é um sentimento intrínseco de nossa espécie. Tudo o que é externo, e nos foge ao controle, gera insegurança e medo – e nos faz sentir vulneráveis.

Essa sensação pode desencadear uma falsa ilusão de segurança, além de colaborar para que acreditemos que nossas ações e pensamentos são sempre superiores aos do outro, quando, na verdade, nossa necessidade por controle só reflete nossas próprias inseguranças e a falta de confiança que, inconscientemente, depositamos no outro e em nós.

Não podemos dizer que essa mania é justificável, pois tudo o que causa dor e sofrimento perde sua capacidade de aceitação. Estudos comprovam que a busca pelo controle pode refletir uma neurose por felicidade constante – uma vez que o ser humano tem a ilusão de que, quando o outro e todas as coisas estão dominadas ou sob o seu controle, não haverá possibilidades de riscos de resultados negativos. O grande problema é que não existem garantias de que a todo momento poderemos ter o controle total sobre o universo a nossa volta. Só podemos controlar nossas ações, não controlamos o tempo e nem os sentimentos e atitudes do outro. E é por isso que, por vezes, nos frustramos e experimentamos o sentimento de angústia.

As pessoas que quererem ter o controle de todas as situações vivem um dilema interno consigo mesmas, pois estão sempre frustradas por não terem suas expectativas atendidas. Podem, psiquicamente, apresentar distúrbios de alteração de humor, irritabilidade excessiva, estresse elevado e até desenvolvem transtornos depressivos. Apresentam grande dificuldade para lidar com críticas e podem ser totalmente inflexíveis, por estarem sempre tentando interferir no livre-arbítrio do próximo. São indivíduos capazes de oprimir a identidade do outro em função de sua característica dominadora, além de tentarem a todo custo centralizar tudo. Ou seja, por todo o exposto, quem possui este perfil e a mania de querer controlar tudo acaba sofrendo muito porque está sempre em estado de tensão. Sempre desesperado para saber se tudo sairá conforme suas expectativas. E quando isso não acontece, é invadido pelo amargo gosto da frustração e da decepção.

As palavras de ordem aqui são: equilíbrio e controle emocional. O autoconhecimento te faz entender que, na realidade, é impossível controlar tudo. Se faz necessário um melhor gerenciamento de seus sentimentos, pensamentos, emoções e ações. Desta maneira, fica mais claro perceber o que está fora do seu alcance e, assim, não correr o risco de empregar energia em algo que não irá trazer resultado. Saber separar, por meio de atitudes conscientes, o que eu posso controlar e o que não faz parte do meu autocontrole. O desapego a esta necessidade de controle é o que irá propiciar uma vida mais equilibrada, mais leve e sem pressões internas e, principalmente, sem o elemento culpa. Culpa porque quando o indivíduo percebe que algo deu errado e que perde o controle da situação, ele se enche de frustração e de culpa. Começa a povoar a mente com cobranças excessivas que aumentam ainda mais seu estresse e a sua ansiedade.

Ilustração: Kabaldesch0/Pixabay

Existem muitas situações as quais tentamos controlar em vão, pois tudo o que é externo a nós é incontrolável e imprevisível. Não controlamos, por exemplo, as palavras do outro, os sentimentos alheios, as decisões, ações e esforços das pessoas a nossa volta (sejam elas íntimas ou não). Nem o tempo é controlado por nós. No fundo, o que precisamos desapegar e abandonar é o orgulho e o delírio que alimentamos de acreditar que tudo vai ser como queremos, como planejamos em nosso inconsciente.

Aprender a não sofrer pela falta de controle, tolerando a sensação de incerteza que é intrínseca ao ser humano, sem dúvida é um de nossos maiores desafios. Faz parte do curso natural da vida não conseguir conduzir ou controlar tudo. Não somos seres onipresentes, onipotentes ou oniscientes. É necessário que tenhamos e possamos aceitar nossa infinita necessidade de autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal que nos garanta ordenação da vida, de forma a crescermos com as oportunidades e adversidades apresentadas à partir de um enfrentamento consciente. No entanto, o gerenciamento das emoções pode contribuir de maneira positiva na tarefa contínua de domínio dessa sensação de insegurança causada pela percepção de que não podemos controlar tudo.

Algumas ações individuais garantem o equilíbrio de sua saúde mental e um maior controle emocional em busca de uma vida saudável, como por exemplo: tentar não abraçar tudo para si; evitar centralizar tudo a ponto de se sufocar e aumentar sua ansiedade; aprender a delegar; não ser imprudente a ponto de se colocar acima dos desafios; ter humildade para reconhecer que não se sabe e não se pode tudo; não sucumbir à histeria e neurose coletiva de que é necessário ser perfeito e não se pode errar nunca; aceitar suas deficiências e fortalecer suas qualidades; aprender a exprimir novos significados para seus próprios resultados; permitir-se ousar e experimentar a sensação do descontrole ( por mais desconfortável que possa parecer). Sem medo de errar, se esses pontos forem observados e trabalhados, o indivíduo poderá aprender muito e se conhecer muito mais – entrando até em um processo adaptativo que promova gatilhos para que consiga se sentir mais feliz e menos vulnerável às adversidades.

Portanto, ao abrir mão do controle, relaxar e administrar apenas o que está ao seu alcance de ser administrado e controlado, o ser humano consegue ter mais domínio sobre si mesmo. Isso porque instala-se um equilíbrio emocional, reflexo da ausência de tensão interna que, naturalmente, torna-o mais leve e menos pressionado. Fato é que o primeiro passo deve ser dado: parar de pressionar a si mesmo. Em seguida, eliminar crenças enraizadas que valorizam os seus “tem que” e os “devo”.

Além de parar de se cobrar e de querer controlar com sua mente tudo o que acontece ao redor. Perceba que sua responsabilidade é cuidar de si mesmo. Se sua cabeça anda mal, certamente ficará difícil administrar sua casa, seus filhos ou seus negócios. Melhore seus pensamentos e emoções e se deixe um pouco mais à vontade, sem a rigidez que você mesmo se impõe. Permita-se! Seu corpo vai agradecer, sua saúde mental e sua vida podem se equilibrar e o resultado, acredite, será um maior controle emocional – sem culpas e sem cobranças.

Foto: Pedro Costa

*Andrea Ladislau é psicanalista; doutora em Psicanálise, Membro da Academia Fluminense de Letras. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise, Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada.

Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Setembro Amarelo: infográfico traz dicas de autocuidado

A Care Plus faz parte da Bupa, que tem presença em mais de 190 países. Há mais de 28 anos, fornece soluções de saúde premium, por meio de uma ampla gama de produtos (medicina, odontologia, saúde ocupacional e medicina preventiva). É a principal operadora de saúde no Brasil em seu nicho de mercado, atendendo a mais de 1.000 empresas e cerca de 112 mil beneficiários.

A empresa preparou um infográfico com dicas de autocuidado da saúde mental durante a quarentena, especialmente para este mês, quando é realizada a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.  Confira:

Fonte: Care Plus

Setembro Amarelo: como a beleza pode levar ao suicídio – por Luzia Costa*

Setembro é o mês dedicado à valorização da vida e a prevenção do suicídio. Um assunto preocupante que deve ser levado a sério por todos. Muitas vezes um amigo, um parente, alguém muito próximo que convive com você diariamente pode demonstrar ser divertido, estar bem, mas pode passar por problemas que desconhecemos. E pasmem, na maioria das vezes estão enfrentando momentos difíceis, sozinhos, e não percebemos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada 40 segundos, todos os anos no mundo. Impressionante este número, não é mesmo?! No Brasil, anualmente há um registro de 12 mil suicídios.

É muito comum vermos cada vez mais jovens preocupados com a aparência, com status e com a necessidade de mostrar uma vida feliz e estável nas redes sociais. A procura por um corpo e rosto perfeitos acabam sendo metas de vida nos dias de hoje.

Quantas pessoas do seu convívio que você já ouviu dizer: “quero ser magra”, “queria um nariz igual da atriz”, “quero emagrecer”, “queria meu cabelo assim”, e vários outros discursos como esses no dia a dia?!

Na Sóbrancelhas, nossa rede de embelezamento do olhar e da face, frequentemente lidamos com situações parecidas, onde clientes chegam até nossas lojas com fotos de atrizes e influenciadoras, querendo as sobrancelhas idênticas, por exemplo. Porém, não é possível, afinal cada rosto tem seu desenho e sua própria beleza.

Percebemos uma excessiva imposição a um padrão de beleza por essa geração. A mídia, principalmente a internet sempre pregou o que é bonito, o que é melhor, e se você não faz parte desse modelo, você está fora, não serve, ou você é inferior aos demais.

Há estudos que comprovam que na área profissional também é afetada por todo essa exigência. Muitas esteticistas competentes também sofrem esse tipo de preconceito por não fazer parte do padrão “magro”.

E todo esse bombardeio pelo padrão da beleza gera a dificuldade de lidar com a vida real, o que pode acarretar desde quadros de ansiedade à depressão, podendo levar até ao suicídio.

O que precisamos fazer, principalmente nós da área da beleza é incentivar as pessoas a se aceitarem como elas são, dar importância a beleza natural. É possível e importante ter a autoestima elevada do jeito que somos, das mais diversas formas que cada ser humano é. Jamais transforme em um refém do padrão de beleza que nos é imposto!

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Lembrem-se: tenham empatia com você mesmo e com o próximo.

*Luiza Costa é CEO do Grupo Cetro que detém as marcas Sóbrancelhas e Beryllos. Coleciona prêmios como Prêmio Grandes Mulheres, na Categoria de Médias Empresas, realizado pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios – PEGN e Facebook; Destaque Empresarial 2018 & Revelação na área de Empreendedorismo Social; Prêmio Empresário do Ano Top of Quality Gold Internacional.

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Estresse; veja dicas

Cinco reflexões importantes sobre o tema que merecem destaque em tempos de pandemia

Há mais de seis meses de convívio com a situação de pandemia do novo coronavírus no país, ainda é difícil definir como ficou a saúde mental dos brasileiros. Essa ‘panela de pressão’ – que colocou os níveis de estresse e ansiedade de boa parte da população nas alturas – continua sendo alvo de pesquisas de muitas instituições nacionais e internacionais. Em meio a esse cenário desafiador para a mente da população global, o Dia Mundial de Combate ao Estresse, comemorado hoje, 23 de setembro, nunca foi tão relevante.

Um pesquisa recente realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de Valencia , na Espanha, reuniu respostas de 22 mil pessoas sobre como o isolamento ou distanciamento social afetou a saúde mental de brasileiros e espanhóis. O levantamento apontou que 51% dos brasileiros responderam ter alterações no controle do estresse neste momento. Nos espanhóis, a taxa foi menor: 34%.

O coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo, Rodrigo Linhares, salienta que o estresse é uma defesa, uma reação a um estímulo numa tentativa de se adaptar a ele. “Certos níveis de estresse, nervosismo ou irritação, portanto, são perfeitamente esperados na vida de qualquer pessoa. O estresse merece atenção quando se aproxima do trauma – quando, na tentativa de adaptação ao estímulo, o sujeito passa a produzir sintomas que trazem algum sofrimento significativo ou quando incidem numa perda de liberdade em relação à própria vida ou nas diversas relações”, exemplifica.

O psicólogo aproveita para elencar 5 reflexões importantes que precisam ser debatidas e também algumas estratégias para enfrentar o estresse neste momento atual que vivemos. Confira abaixo:

1 – Encontrando novos sentidos no mundo moderno

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O mundo moderno nos inunda de estímulos, com os quais cada sujeito se inventa para lidar. Nossa vida já é, em si, muito estressora e, num contexto pandêmico, o estresse pode chegar a níveis realmente devastadores. Dedicarmos um dia ao estresse e falar dele é essencial, visto que a melhor saída para o trauma é a possibilidade de encontrar novos sentidos.

2 – Fique alerta aos sintomas


Sintomas ansiosos, depressivos, de intrusão (lembranças, sonhos ou pensamentos que involuntários que acarretam angústia), de evitação (de recordações ou sentimentos) e de excitação (perturbação do sono, comportamento irritadiço e surtos de raiva, hipervigilância, problemas de concentração) são comuns ao estresse. É preciso ficar atento a eles.

3 – Avaliação da vida e combate prático

O estresse é sinal de uma tentativa de adaptação: a insistência dele é um pedido para avaliarmos nossa vida. Primeiro, é válido se perguntar: há lugar para mim, meus desejos e sonhos na minha vida? Segundo, identificar os estressores: o que, como, quando e por que me estresso? Terceiro, verificar alternativas: elas vão sempre visar a si mesmo, seja se afastando de estressores, seja dando lugar e tempo ao que é realmente importante para nós.

4 – Compartilhe o que está vivendo

Foto: Klimkin/Pixabay

Momentos de crise escancaram a fragilidade de nossas vidas. Precisamos dar lugar às pessoas, aos desejos e sonhos, de forma ampla e coletiva. O sofrimento, se partilhado, tem potencial de mudança. O sofrimento vivido de forma isolada, nenhum.

5 – Procure um profissional

Foto: Shutterstock

Após reconhecer o estresse, é importante perceber se a situação é pontual ou recorrente. No segundo caso, busque ajuda especializada. O atendimento profissional é fundamental se houver sofrimento significativo, sintomas diversos e/ou mudanças de comportamento, por exemplo abuso de substância, agressividade ou isolamento.

Fonte: Anhanguera

Psicóloga ensina como pessoas próximas podem ajudar quem sofre com depressão

Um problema de saúde pública que tem aumentado o número de vítimas e ainda vive como uma espécie de tabu na sociedade é o suicídio. Apenas no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 45 minutos, há uma tentativa de tirar a própria vida. A falta de auxílio pode resultar em morte. Por essa razão, surgiu “Setembro Amarelo”, que tem como propósito a iniciativa de se abrir aos outros e pedir ou oferecer ajuda.

Segundo a psicóloga Amanda Fitas, o movimento do Setembro Amarelo traz uma conscientização. “Também mostrar que as pessoas não estão sozinhas, que elas têm um canal para conversar com outros que sentem os mesmos sentimentos e que existem outras saídas para encararem as suas dores”.

Ainda existe uma barreira enorme para ser derrubada, muitas pessoas não se sentem confortáveis para compartilhar suas dores ou a existência de pensamentos suicidas; muitas das vezes, não conseguem nem ao menos compreender inteiramente o que estão sentindo, preferindo ignorar os sentimentos ruins. “O indivíduo que normalmente toma essa atitude acha que está sozinho e entende que não pertence a esse mundo. É a mesma sensação que pessoas com transtornos e depressão sentem. Elas veem que a única forma de acabar com a dor que sentem, é tirando a própria vida”, explica a psicóloga.

Como podemos ajudar nessa causa?

Foto: Klimkin/Pixabay

Antes de qualquer coisa, devemos escutar essas pessoas que precisam se sentir mais pertencentes. “Elas precisam ver que suas vidas fazem sentido, que existe forma de se recuperar independentemente do que esteja passando”. Encorajar a recuperação durante uma depressão e até mesmo um transtorno, mostrar outros caminhos diferentes para lidar com seus sofrimentos e que não está sozinha.

Como perceber que a depressão do outro pode levá-lo ao suicídio?

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A depressão é considerada uma das principais causas do suicídio, por essa pessoa já estar sentindo uma tristeza irremediável e uma sensação que tudo está ruim, negativo. “Para surgir a escolha de tirar a própria vida, o nível depressão não precisa ser o mais grave. Precisamos perceber se o outro está muito triste, se está se isolando muito, se o seu ânimo mudou repentinamente do nada, o pessimismo mais frequente, esses são alguns indícios que deve ter total atenção”.

Qual a importância de um psicólogo nessas situações?

Esse profissional irá acolher as dores que o outro sente e mostrar para o indivíduo que ele consegue encontrar caminhos internamente. “Ao procurar nele formas de vencer essa batalha com um psicólogo que irá ajudar a clarear a mente é fundamental. Com a ajuda de um profissional, o quadro pode ser revertido e controlar os sentimentos ruins”.

Telefone para pedir ajuda: Centro de Valorização da Vida (CVV):
Disque 188: ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, são gratuitas em todo o país.

Fonte:  Amanda Fitas é psicóloga, escritora e palestrante com mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais. Autora de 4 livros de relacionamentos que já ultrapassam 40 mil cópias vendidas: “Amores Saudáveis”, “Textos Obrigatórios Para Você Se Relacionar Melhor”, “Aprenda a ser mais interessante” e “Viva um Amor Leve”. 

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio, por Sivan Mauer*

Desde 2003, 10 de setembro é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Porém, desde 1994 já existia a campanha “Setembro Amarelo”, que teve início nos Estados Unidos com os pais e amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou a própria vida. Mike tinha grandes habilidades para lidar com mecânica automotiva, e recuperou e pintou de amarelo um Mustang ano 1968. As habilidades levaram Mike a ficar conhecido como “Mustang Mike”.

Já a fita amarela virou tradição quando os jovens amigos de Mike as prenderam na lapela, no cabelo ou no chapéu no dia do funeral do jovem, onde também distribuíram cartões com a inscrição “It’s ok to Ask4help”, que basicamente significa “não tem problema pedir ajuda”. A fita amarela lembrava a cor do Mustang de Mike, e o formato da fita em coração era para lembrar as pessoas que ele deixou. Impressionantemente, em cerca de três semanas o primeiro cartão distribuído no funeral chegou às mãos de um professor, com um pedido de socorro de uma aluna.

A história de Mike é comovente e tenho de certeza que sensibiliza a muitos, mas infelizmente no dia a dia a realidade não é bem esta, pois, o suicídio muitas vezes é alvo de preconceito e mitos, tanto por parte da população leiga quanto da comunidade médica. É preciso entender que o suicídio não é uma doença. Entretanto, na maioria das vezes, ele é o resultado de algumas doenças como o transtorno bipolar e a esquizofrenia.

Entre 80% e 90% das pessoas que cometem suicídio estão sofrendo de algum tipo de transtorno do humor, ou seja, estão tão doentes quanto aquele paciente que teve um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Muitas vezes, o paciente psiquiátrico sofre preconceito até mesmo por médicos de outras áreas e outros profissionais da saúde, em hospitais gerais. Ironicamente os médicos fazem parte de uma das profissões que mais cometem suicídio no mundo.

Entre a população leiga o preconceito em relação ao suicídio se amplifica. A falta de empatia pelo paciente pode ser exemplificada por meio de vários casos. Em um deles, uma pessoa estava tentando tirar a própria vida saltando de uma ponte entre Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo. O resgate levou algumas horas, e neste intervalo as pessoas se expressavam de todas as maneiras, sendo a mais frequente o pedido para que o suicida se jogasse de uma vez por todas.

Algumas, inclusive, afirmaram que se dispunham a empurrá-lo. Em um certo momento iniciou-se um buzinaço, e assim por diante. Empatia é um fator importante para que exista o acolhimento do paciente psiquiátrico, e isso pode ser decisivo em momentos emergenciais. Ainda bem que no caso do Espírito Santo existia uma equipe dos bombeiros muito bem treinada, que demonstrou empatia e cuidado com o paciente, evitando o suicídio.

Podemos observar, também, o preconceito em relação a algumas populações no Brasil, como as indígenas, que chegam a ter uma prevalência de suicídio triplicada quando comparada à da população em geral. Isso demostra um descaso da sociedade em geral, do governo e das entidades responsáveis por esta população, que demonstra negligência diante de um número tão expressivo de suicídios.

As campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina entende que isso pode ser prevenido. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisam se atualizar e entender os novos fatores de risco para doenças mentais. Alguns estudos, por exemplo, demonstram que cyberbullyng e o tempo que se passa na internet estão relacionados a suicídio.

Algumas formas de prevenção passam por abordagens psicoterápicas e outras pelo uso de psicofármacos. Entre as abordagens psicoterápicas se destaca o CVV (Centro de Valorização da Vida), que desde 1962 exerce um grande papel na sociedade, trabalhando na prevenção do suicídio. O CVV atende 24 horas por telefone ou site, além de realizar atendimento pessoal. Quanto à questão psicofarmacológica, a maneira mais efetiva e importante de prevenção ao suicídio é o uso do lítio.

Hoje, esta abordagem já é fato. Mas ela precisa ser disseminada entre médicos clínicos que atendem pacientes, principalmente nos prontos-socorros. Precisamos ter em mente a questão da recidiva das tentativas de suicídio. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado com a seriedade devida. Apenas com medidas preventivas e educacionais, episódios como o que ocorreu na ponte poderão deixar de existir. E as pessoas, em vez de torcerem para que o suicida se jogue da ponte ou do alto de um edifício, terão o mínimo de empatia em relação ao sofrimento humano.

*Sivan Mauer é médico psiquiatra especialista em transtornos do humor. O profissional é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Hoje é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

“Na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela e, não necessariamente a vida” – diz a psiquiatra e psicoterapeuta junguiana

Este é o mês da campanha Setembro Amarelo, ou Yellow Ribbon, um movimento mundial contra o suicídio. Mas, o que sabemos sobre o tema? Apesar de ser um tabu para muitas pessoas, e do preconceito que envolve o assunto, cada vez mais se faz necessário debatermos sobre esse mal.

“O suicídio é a manifestação suprema das dores da alma. Quem se suicida não quer morrer e, sim, acabar com a dor. Os motivos para o suicídio são tão variados quanto são as causas para o sofrimento humano, e o que não é motivo para o sofrimento de um, pode ser motivo suficiente para outro”- diz Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana.

Buscar uma compreensão mais profunda sobre a morte e sobre nós mesmos e nossos conflitos, pode nos ajudar a ampliar nossa visão de quem somos e do mundo que nos cerca. É o que nos explica a especialista.

“Como psicoterapeuta junguiana penso que o desejo pela morte deve ser visto de maneira simbólica, e é preciso que o psicoterapeuta ajude o paciente a transformar o desejo pela morte do corpo, em uma morte de aspectos da sua psique, que precisam partir, para que novos aspectos nasçam, possibilitando seu próprio renascimento. Desta maneira ocorrerá uma morte, mas será simbólica”- diz a psiquiatra.

Ela acrescenta: “Quando o paciente passa a entender o que esta morte simbólica significa, ele amplia a consciência dos seus conflitos, desejos e reais sentimentos, e o self – seu próprio eu – consegue atuar, havendo um incremento na relação ego-self. O fluir do processo de individuação possibilita o encontro e a realização do sentido de uma vida”.

Setembro Amarelo

Anualmente, é realizado aqui no Brasil o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, que teve o seu início em 2015 por meio do CVV (Centro de Valorização da Vida), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Durante todo o mês costuma-se iluminar alguns pontos públicos em todo país, como o Cristo Redentor, no RJ o Congresso Nacional, em Brasília, entre outros.

Como surgiu a campanha

A origem dessa campanha e sua relação com a cor amarela vem da história de um jovem americano, Mike Emme, de 17 anos, que acabou se suicidando com o próprio carro; um Mustang 68, amarelo. A família e os amigos não perceberam que ele pretendia tirar a própria vida. Depois desse ocorrido, no funeral, os pais e os amigos acabaram distribuindo cartões com fitas amarelas seguidas da frase: “Se precisar, peça ajuda”. Desta singela ação nasceu a campanha de prevenção Yellow Ribbon (Fita Amarela), que se expandiu para todo o mundo.

Em 2003, a OMS (Organização Mundial da Saúde) instituiu 10 de Setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e o amarelo se tornou a cor símbolo da campanha. Mesmo consciente da importância do movimento, Aline faz um alerta: “Precisamos falar sobre o suicídio sempre, não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo. No ano inteiro muitos de nós pensarão em suicídio, outros tantos o tentarão e é preciso que todos nós, enquanto sociedade, estejamos preparados para acolher e amparar aqueles que sofrem”.

Estatísticas

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, e sua ocorrência tem aumentado principalmente entre os jovens. De acordo com os números oficiais, em média 32 brasileiros se suicidam por dia, taxa que acaba sendo maior do que as vítimas de AIDS e na maioria dos tipos de câncer.

Há mais vítimas de suicídio do que dessas doenças, é o que mostra um relatório de 2014 feito pela Organização Mundial de Saúde, que colocou o Brasil em oitavo lugar entre os demais países com maior índice de suicídios; ficando atrás de países como Índia, Japão, Estados Unidos e Rússia, e esse número tem aumentado, principalmente entre os jovens.

Em um relatório mais recente, feito em meados de 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) trouxe novos dados, ainda mais preocupantes: a cada 100 mil habitantes, a taxa de suicídio aumentou 7% aqui no Brasil, ainda que no índice mundial, essa taxa tenha caído 9,8%.

Mesmo em queda, o índice mundial é assustador. Por volta de 800 mil pessoas tiram a vida anualmente em todo o mundo, ou seja, é uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

O que é falso e verdadeiro

Há algumas inverdades sobre a questão do suicídio e existe até um certo preconceito, principalmente quando começa-se a falar que tal pessoa “se suicidou porque era covarde” ou “se matou porque não tinha nada na cabeça”, ou coisas do tipo. Pessoas que ameaçam se matar, não querem apenas “chamar atenção”. Na realidade toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério. Deve ser vista com carinho e atenção. Outra inverdade é achar que o suicídio só acontece com os outros, mas na verdade ele pode acontecer com qualquer pessoa que acaba vivenciando um sofrimento extremo, independente de raça, classe social, crença ou gênero.

Aquela afirmação de que a pessoa só tenta suicídio uma vez na vida também é falsa, pois, no geral, pessoas que tentaram suicídio mais de uma vez, acabaram se matando de fato depois de mais de uma tentativa. Só o fato de haver uma tentativa de suicídio significa que o suicídio pode ocorrer no futuro.

É preciso conscientização e prevenção, alerta Aline: “É muito comum em nossas relações de amizade, de trabalho ou mesmo no meio da família, nos depararmos com uma vítima de suicídio; quando alguém pensa em suicídio, na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela, e não necessariamente a vida”.

Aline ressalta sobre a importância de saber olhar para o outro e saber ouvir: “É preciso que nos sensibilizemos com a dor emocional e levemos a sério quando alguém diz que está triste, deprimido e com pensamentos suicidas. Precisamos acolher a dor humana e nos colocarmos a disposição para ouvir e nos oferecermos para acompanhar a pessoa que está sofrendo na busca de ajuda profissional”.

Que sejamos mais solidários com relação a isso e busquemos ter mais atenção e mais respeito com pessoas que em algum momento já tentaram suicídio, ou que pensam nisso.
Precisamos ter cuidado, prestar atenção e procurar da melhor maneira possível orientar ou tentar buscar uma orientação para essas pessoas que estão sofrendo com as dores extremas da alma. Se você conhece alguém que pode estar pensando em suicídio ,ou se você mesmo tem pensado nisto ,procure ajuda profissional ,não desista de você!

Onde procurar ajuda
#Pelo SUS: nos CAPS (Centro de Atenção psicossocial) e nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).
#Por convênios ou particular:nos consultórios ou clínicas de médicos psiquiatras e psicólogos.
#Se for urgente :UPAs (Unidades de Pronto Atendimento ) ou nas Emergências Hospitalares.
#Fale com alguém agora mesmo – CVV (Centro de Valorização da Vida): 188.