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Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Setembro Amarelo: infográfico traz dicas de autocuidado

A Care Plus faz parte da Bupa, que tem presença em mais de 190 países. Há mais de 28 anos, fornece soluções de saúde premium, por meio de uma ampla gama de produtos (medicina, odontologia, saúde ocupacional e medicina preventiva). É a principal operadora de saúde no Brasil em seu nicho de mercado, atendendo a mais de 1.000 empresas e cerca de 112 mil beneficiários.

A empresa preparou um infográfico com dicas de autocuidado da saúde mental durante a quarentena, especialmente para este mês, quando é realizada a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.  Confira:

Fonte: Care Plus

Setembro Amarelo: como a beleza pode levar ao suicídio – por Luzia Costa*

Setembro é o mês dedicado à valorização da vida e a prevenção do suicídio. Um assunto preocupante que deve ser levado a sério por todos. Muitas vezes um amigo, um parente, alguém muito próximo que convive com você diariamente pode demonstrar ser divertido, estar bem, mas pode passar por problemas que desconhecemos. E pasmem, na maioria das vezes estão enfrentando momentos difíceis, sozinhos, e não percebemos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada 40 segundos, todos os anos no mundo. Impressionante este número, não é mesmo?! No Brasil, anualmente há um registro de 12 mil suicídios.

É muito comum vermos cada vez mais jovens preocupados com a aparência, com status e com a necessidade de mostrar uma vida feliz e estável nas redes sociais. A procura por um corpo e rosto perfeitos acabam sendo metas de vida nos dias de hoje.

Quantas pessoas do seu convívio que você já ouviu dizer: “quero ser magra”, “queria um nariz igual da atriz”, “quero emagrecer”, “queria meu cabelo assim”, e vários outros discursos como esses no dia a dia?!

Na Sóbrancelhas, nossa rede de embelezamento do olhar e da face, frequentemente lidamos com situações parecidas, onde clientes chegam até nossas lojas com fotos de atrizes e influenciadoras, querendo as sobrancelhas idênticas, por exemplo. Porém, não é possível, afinal cada rosto tem seu desenho e sua própria beleza.

Percebemos uma excessiva imposição a um padrão de beleza por essa geração. A mídia, principalmente a internet sempre pregou o que é bonito, o que é melhor, e se você não faz parte desse modelo, você está fora, não serve, ou você é inferior aos demais.

Há estudos que comprovam que na área profissional também é afetada por todo essa exigência. Muitas esteticistas competentes também sofrem esse tipo de preconceito por não fazer parte do padrão “magro”.

E todo esse bombardeio pelo padrão da beleza gera a dificuldade de lidar com a vida real, o que pode acarretar desde quadros de ansiedade à depressão, podendo levar até ao suicídio.

O que precisamos fazer, principalmente nós da área da beleza é incentivar as pessoas a se aceitarem como elas são, dar importância a beleza natural. É possível e importante ter a autoestima elevada do jeito que somos, das mais diversas formas que cada ser humano é. Jamais transforme em um refém do padrão de beleza que nos é imposto!

Pixabay

Lembrem-se: tenham empatia com você mesmo e com o próximo.

*Luiza Costa é CEO do Grupo Cetro que detém as marcas Sóbrancelhas e Beryllos. Coleciona prêmios como Prêmio Grandes Mulheres, na Categoria de Médias Empresas, realizado pela Pequenas Empresas & Grandes Negócios – PEGN e Facebook; Destaque Empresarial 2018 & Revelação na área de Empreendedorismo Social; Prêmio Empresário do Ano Top of Quality Gold Internacional.

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Estresse; veja dicas

Cinco reflexões importantes sobre o tema que merecem destaque em tempos de pandemia

Há mais de seis meses de convívio com a situação de pandemia do novo coronavírus no país, ainda é difícil definir como ficou a saúde mental dos brasileiros. Essa ‘panela de pressão’ – que colocou os níveis de estresse e ansiedade de boa parte da população nas alturas – continua sendo alvo de pesquisas de muitas instituições nacionais e internacionais. Em meio a esse cenário desafiador para a mente da população global, o Dia Mundial de Combate ao Estresse, comemorado hoje, 23 de setembro, nunca foi tão relevante.

Um pesquisa recente realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de Valencia , na Espanha, reuniu respostas de 22 mil pessoas sobre como o isolamento ou distanciamento social afetou a saúde mental de brasileiros e espanhóis. O levantamento apontou que 51% dos brasileiros responderam ter alterações no controle do estresse neste momento. Nos espanhóis, a taxa foi menor: 34%.

O coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo, Rodrigo Linhares, salienta que o estresse é uma defesa, uma reação a um estímulo numa tentativa de se adaptar a ele. “Certos níveis de estresse, nervosismo ou irritação, portanto, são perfeitamente esperados na vida de qualquer pessoa. O estresse merece atenção quando se aproxima do trauma – quando, na tentativa de adaptação ao estímulo, o sujeito passa a produzir sintomas que trazem algum sofrimento significativo ou quando incidem numa perda de liberdade em relação à própria vida ou nas diversas relações”, exemplifica.

O psicólogo aproveita para elencar 5 reflexões importantes que precisam ser debatidas e também algumas estratégias para enfrentar o estresse neste momento atual que vivemos. Confira abaixo:

1 – Encontrando novos sentidos no mundo moderno

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O mundo moderno nos inunda de estímulos, com os quais cada sujeito se inventa para lidar. Nossa vida já é, em si, muito estressora e, num contexto pandêmico, o estresse pode chegar a níveis realmente devastadores. Dedicarmos um dia ao estresse e falar dele é essencial, visto que a melhor saída para o trauma é a possibilidade de encontrar novos sentidos.

2 – Fique alerta aos sintomas


Sintomas ansiosos, depressivos, de intrusão (lembranças, sonhos ou pensamentos que involuntários que acarretam angústia), de evitação (de recordações ou sentimentos) e de excitação (perturbação do sono, comportamento irritadiço e surtos de raiva, hipervigilância, problemas de concentração) são comuns ao estresse. É preciso ficar atento a eles.

3 – Avaliação da vida e combate prático

O estresse é sinal de uma tentativa de adaptação: a insistência dele é um pedido para avaliarmos nossa vida. Primeiro, é válido se perguntar: há lugar para mim, meus desejos e sonhos na minha vida? Segundo, identificar os estressores: o que, como, quando e por que me estresso? Terceiro, verificar alternativas: elas vão sempre visar a si mesmo, seja se afastando de estressores, seja dando lugar e tempo ao que é realmente importante para nós.

4 – Compartilhe o que está vivendo

Foto: Klimkin/Pixabay

Momentos de crise escancaram a fragilidade de nossas vidas. Precisamos dar lugar às pessoas, aos desejos e sonhos, de forma ampla e coletiva. O sofrimento, se partilhado, tem potencial de mudança. O sofrimento vivido de forma isolada, nenhum.

5 – Procure um profissional

Foto: Shutterstock

Após reconhecer o estresse, é importante perceber se a situação é pontual ou recorrente. No segundo caso, busque ajuda especializada. O atendimento profissional é fundamental se houver sofrimento significativo, sintomas diversos e/ou mudanças de comportamento, por exemplo abuso de substância, agressividade ou isolamento.

Fonte: Anhanguera

Psicóloga ensina como pessoas próximas podem ajudar quem sofre com depressão

Um problema de saúde pública que tem aumentado o número de vítimas e ainda vive como uma espécie de tabu na sociedade é o suicídio. Apenas no Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 45 minutos, há uma tentativa de tirar a própria vida. A falta de auxílio pode resultar em morte. Por essa razão, surgiu “Setembro Amarelo”, que tem como propósito a iniciativa de se abrir aos outros e pedir ou oferecer ajuda.

Segundo a psicóloga Amanda Fitas, o movimento do Setembro Amarelo traz uma conscientização. “Também mostrar que as pessoas não estão sozinhas, que elas têm um canal para conversar com outros que sentem os mesmos sentimentos e que existem outras saídas para encararem as suas dores”.

Ainda existe uma barreira enorme para ser derrubada, muitas pessoas não se sentem confortáveis para compartilhar suas dores ou a existência de pensamentos suicidas; muitas das vezes, não conseguem nem ao menos compreender inteiramente o que estão sentindo, preferindo ignorar os sentimentos ruins. “O indivíduo que normalmente toma essa atitude acha que está sozinho e entende que não pertence a esse mundo. É a mesma sensação que pessoas com transtornos e depressão sentem. Elas veem que a única forma de acabar com a dor que sentem, é tirando a própria vida”, explica a psicóloga.

Como podemos ajudar nessa causa?

Foto: Klimkin/Pixabay

Antes de qualquer coisa, devemos escutar essas pessoas que precisam se sentir mais pertencentes. “Elas precisam ver que suas vidas fazem sentido, que existe forma de se recuperar independentemente do que esteja passando”. Encorajar a recuperação durante uma depressão e até mesmo um transtorno, mostrar outros caminhos diferentes para lidar com seus sofrimentos e que não está sozinha.

Como perceber que a depressão do outro pode levá-lo ao suicídio?

Freepik

A depressão é considerada uma das principais causas do suicídio, por essa pessoa já estar sentindo uma tristeza irremediável e uma sensação que tudo está ruim, negativo. “Para surgir a escolha de tirar a própria vida, o nível depressão não precisa ser o mais grave. Precisamos perceber se o outro está muito triste, se está se isolando muito, se o seu ânimo mudou repentinamente do nada, o pessimismo mais frequente, esses são alguns indícios que deve ter total atenção”.

Qual a importância de um psicólogo nessas situações?

Esse profissional irá acolher as dores que o outro sente e mostrar para o indivíduo que ele consegue encontrar caminhos internamente. “Ao procurar nele formas de vencer essa batalha com um psicólogo que irá ajudar a clarear a mente é fundamental. Com a ajuda de um profissional, o quadro pode ser revertido e controlar os sentimentos ruins”.

Telefone para pedir ajuda: Centro de Valorização da Vida (CVV):
Disque 188: ligações para o Centro de Valorização da Vida (CVV), que auxilia na prevenção do suicídio, são gratuitas em todo o país.

Fonte:  Amanda Fitas é psicóloga, escritora e palestrante com mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais. Autora de 4 livros de relacionamentos que já ultrapassam 40 mil cópias vendidas: “Amores Saudáveis”, “Textos Obrigatórios Para Você Se Relacionar Melhor”, “Aprenda a ser mais interessante” e “Viva um Amor Leve”. 

Setembro Amarelo: precisamos falar sobre suicídio, por Sivan Mauer*

Desde 2003, 10 de setembro é conhecido como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Porém, desde 1994 já existia a campanha “Setembro Amarelo”, que teve início nos Estados Unidos com os pais e amigos de Mike Emme, um jovem de 17 anos que tirou a própria vida. Mike tinha grandes habilidades para lidar com mecânica automotiva, e recuperou e pintou de amarelo um Mustang ano 1968. As habilidades levaram Mike a ficar conhecido como “Mustang Mike”.

Já a fita amarela virou tradição quando os jovens amigos de Mike as prenderam na lapela, no cabelo ou no chapéu no dia do funeral do jovem, onde também distribuíram cartões com a inscrição “It’s ok to Ask4help”, que basicamente significa “não tem problema pedir ajuda”. A fita amarela lembrava a cor do Mustang de Mike, e o formato da fita em coração era para lembrar as pessoas que ele deixou. Impressionantemente, em cerca de três semanas o primeiro cartão distribuído no funeral chegou às mãos de um professor, com um pedido de socorro de uma aluna.

A história de Mike é comovente e tenho de certeza que sensibiliza a muitos, mas infelizmente no dia a dia a realidade não é bem esta, pois, o suicídio muitas vezes é alvo de preconceito e mitos, tanto por parte da população leiga quanto da comunidade médica. É preciso entender que o suicídio não é uma doença. Entretanto, na maioria das vezes, ele é o resultado de algumas doenças como o transtorno bipolar e a esquizofrenia.

Entre 80% e 90% das pessoas que cometem suicídio estão sofrendo de algum tipo de transtorno do humor, ou seja, estão tão doentes quanto aquele paciente que teve um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC). Muitas vezes, o paciente psiquiátrico sofre preconceito até mesmo por médicos de outras áreas e outros profissionais da saúde, em hospitais gerais. Ironicamente os médicos fazem parte de uma das profissões que mais cometem suicídio no mundo.

Entre a população leiga o preconceito em relação ao suicídio se amplifica. A falta de empatia pelo paciente pode ser exemplificada por meio de vários casos. Em um deles, uma pessoa estava tentando tirar a própria vida saltando de uma ponte entre Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo. O resgate levou algumas horas, e neste intervalo as pessoas se expressavam de todas as maneiras, sendo a mais frequente o pedido para que o suicida se jogasse de uma vez por todas.

Algumas, inclusive, afirmaram que se dispunham a empurrá-lo. Em um certo momento iniciou-se um buzinaço, e assim por diante. Empatia é um fator importante para que exista o acolhimento do paciente psiquiátrico, e isso pode ser decisivo em momentos emergenciais. Ainda bem que no caso do Espírito Santo existia uma equipe dos bombeiros muito bem treinada, que demonstrou empatia e cuidado com o paciente, evitando o suicídio.

Podemos observar, também, o preconceito em relação a algumas populações no Brasil, como as indígenas, que chegam a ter uma prevalência de suicídio triplicada quando comparada à da população em geral. Isso demostra um descaso da sociedade em geral, do governo e das entidades responsáveis por esta população, que demonstra negligência diante de um número tão expressivo de suicídios.

As campanhas de prevenção são de extrema importância para pessoas que consideram a possibilidade do suicídio, pois cada vez mais a medicina entende que isso pode ser prevenido. Entretanto, os profissionais da área da saúde precisam se atualizar e entender os novos fatores de risco para doenças mentais. Alguns estudos, por exemplo, demonstram que cyberbullyng e o tempo que se passa na internet estão relacionados a suicídio.

Algumas formas de prevenção passam por abordagens psicoterápicas e outras pelo uso de psicofármacos. Entre as abordagens psicoterápicas se destaca o CVV (Centro de Valorização da Vida), que desde 1962 exerce um grande papel na sociedade, trabalhando na prevenção do suicídio. O CVV atende 24 horas por telefone ou site, além de realizar atendimento pessoal. Quanto à questão psicofarmacológica, a maneira mais efetiva e importante de prevenção ao suicídio é o uso do lítio.

Hoje, esta abordagem já é fato. Mas ela precisa ser disseminada entre médicos clínicos que atendem pacientes, principalmente nos prontos-socorros. Precisamos ter em mente a questão da recidiva das tentativas de suicídio. Muitas vezes o sofrimento psíquico não é levado com a seriedade devida. Apenas com medidas preventivas e educacionais, episódios como o que ocorreu na ponte poderão deixar de existir. E as pessoas, em vez de torcerem para que o suicida se jogue da ponte ou do alto de um edifício, terão o mínimo de empatia em relação ao sofrimento humano.

*Sivan Mauer é médico psiquiatra especialista em transtornos do humor. O profissional é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Hoje é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

“Na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela e, não necessariamente a vida” – diz a psiquiatra e psicoterapeuta junguiana

Este é o mês da campanha Setembro Amarelo, ou Yellow Ribbon, um movimento mundial contra o suicídio. Mas, o que sabemos sobre o tema? Apesar de ser um tabu para muitas pessoas, e do preconceito que envolve o assunto, cada vez mais se faz necessário debatermos sobre esse mal.

“O suicídio é a manifestação suprema das dores da alma. Quem se suicida não quer morrer e, sim, acabar com a dor. Os motivos para o suicídio são tão variados quanto são as causas para o sofrimento humano, e o que não é motivo para o sofrimento de um, pode ser motivo suficiente para outro”- diz Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana.

Buscar uma compreensão mais profunda sobre a morte e sobre nós mesmos e nossos conflitos, pode nos ajudar a ampliar nossa visão de quem somos e do mundo que nos cerca. É o que nos explica a especialista.

“Como psicoterapeuta junguiana penso que o desejo pela morte deve ser visto de maneira simbólica, e é preciso que o psicoterapeuta ajude o paciente a transformar o desejo pela morte do corpo, em uma morte de aspectos da sua psique, que precisam partir, para que novos aspectos nasçam, possibilitando seu próprio renascimento. Desta maneira ocorrerá uma morte, mas será simbólica”- diz a psiquiatra.

Ela acrescenta: “Quando o paciente passa a entender o que esta morte simbólica significa, ele amplia a consciência dos seus conflitos, desejos e reais sentimentos, e o self – seu próprio eu – consegue atuar, havendo um incremento na relação ego-self. O fluir do processo de individuação possibilita o encontro e a realização do sentido de uma vida”.

Setembro Amarelo

Anualmente, é realizado aqui no Brasil o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, que teve o seu início em 2015 por meio do CVV (Centro de Valorização da Vida), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Durante todo o mês costuma-se iluminar alguns pontos públicos em todo país, como o Cristo Redentor, no RJ o Congresso Nacional, em Brasília, entre outros.

Como surgiu a campanha

A origem dessa campanha e sua relação com a cor amarela vem da história de um jovem americano, Mike Emme, de 17 anos, que acabou se suicidando com o próprio carro; um Mustang 68, amarelo. A família e os amigos não perceberam que ele pretendia tirar a própria vida. Depois desse ocorrido, no funeral, os pais e os amigos acabaram distribuindo cartões com fitas amarelas seguidas da frase: “Se precisar, peça ajuda”. Desta singela ação nasceu a campanha de prevenção Yellow Ribbon (Fita Amarela), que se expandiu para todo o mundo.

Em 2003, a OMS (Organização Mundial da Saúde) instituiu 10 de Setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e o amarelo se tornou a cor símbolo da campanha. Mesmo consciente da importância do movimento, Aline faz um alerta: “Precisamos falar sobre o suicídio sempre, não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo. No ano inteiro muitos de nós pensarão em suicídio, outros tantos o tentarão e é preciso que todos nós, enquanto sociedade, estejamos preparados para acolher e amparar aqueles que sofrem”.

Estatísticas

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, e sua ocorrência tem aumentado principalmente entre os jovens. De acordo com os números oficiais, em média 32 brasileiros se suicidam por dia, taxa que acaba sendo maior do que as vítimas de AIDS e na maioria dos tipos de câncer.

Há mais vítimas de suicídio do que dessas doenças, é o que mostra um relatório de 2014 feito pela Organização Mundial de Saúde, que colocou o Brasil em oitavo lugar entre os demais países com maior índice de suicídios; ficando atrás de países como Índia, Japão, Estados Unidos e Rússia, e esse número tem aumentado, principalmente entre os jovens.

Em um relatório mais recente, feito em meados de 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) trouxe novos dados, ainda mais preocupantes: a cada 100 mil habitantes, a taxa de suicídio aumentou 7% aqui no Brasil, ainda que no índice mundial, essa taxa tenha caído 9,8%.

Mesmo em queda, o índice mundial é assustador. Por volta de 800 mil pessoas tiram a vida anualmente em todo o mundo, ou seja, é uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

O que é falso e verdadeiro

Há algumas inverdades sobre a questão do suicídio e existe até um certo preconceito, principalmente quando começa-se a falar que tal pessoa “se suicidou porque era covarde” ou “se matou porque não tinha nada na cabeça”, ou coisas do tipo. Pessoas que ameaçam se matar, não querem apenas “chamar atenção”. Na realidade toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério. Deve ser vista com carinho e atenção. Outra inverdade é achar que o suicídio só acontece com os outros, mas na verdade ele pode acontecer com qualquer pessoa que acaba vivenciando um sofrimento extremo, independente de raça, classe social, crença ou gênero.

Aquela afirmação de que a pessoa só tenta suicídio uma vez na vida também é falsa, pois, no geral, pessoas que tentaram suicídio mais de uma vez, acabaram se matando de fato depois de mais de uma tentativa. Só o fato de haver uma tentativa de suicídio significa que o suicídio pode ocorrer no futuro.

É preciso conscientização e prevenção, alerta Aline: “É muito comum em nossas relações de amizade, de trabalho ou mesmo no meio da família, nos depararmos com uma vítima de suicídio; quando alguém pensa em suicídio, na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela, e não necessariamente a vida”.

Aline ressalta sobre a importância de saber olhar para o outro e saber ouvir: “É preciso que nos sensibilizemos com a dor emocional e levemos a sério quando alguém diz que está triste, deprimido e com pensamentos suicidas. Precisamos acolher a dor humana e nos colocarmos a disposição para ouvir e nos oferecermos para acompanhar a pessoa que está sofrendo na busca de ajuda profissional”.

Que sejamos mais solidários com relação a isso e busquemos ter mais atenção e mais respeito com pessoas que em algum momento já tentaram suicídio, ou que pensam nisso.
Precisamos ter cuidado, prestar atenção e procurar da melhor maneira possível orientar ou tentar buscar uma orientação para essas pessoas que estão sofrendo com as dores extremas da alma. Se você conhece alguém que pode estar pensando em suicídio ,ou se você mesmo tem pensado nisto ,procure ajuda profissional ,não desista de você!

Onde procurar ajuda
#Pelo SUS: nos CAPS (Centro de Atenção psicossocial) e nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).
#Por convênios ou particular:nos consultórios ou clínicas de médicos psiquiatras e psicólogos.
#Se for urgente :UPAs (Unidades de Pronto Atendimento ) ou nas Emergências Hospitalares.
#Fale com alguém agora mesmo – CVV (Centro de Valorização da Vida): 188.

Será que terapia é para mim?*

Não é de hoje que as pessoas me perguntam qual é o melhor momento para contratar o serviço de um psicólogo. Tem idade? Situação de vida? Será que terapia é para mim? Esses são questionamentos que costumam surgir para os que ainda não experimentaram as vantagens deste tipo de serviço.

Sim, terapia é um serviço que deve ser contratado como outro qualquer. Você não faz dieta, vai no salão de beleza, na manicure, vai na academia, coloca botox, faz limpeza de pele, vai ao dentista, ao médico etc? Deveria ir ao psicólogo também, afinal a cabeça é o elemento mais importante e significativo desse nosso corpinho. Ah, e ela não está em cima do pescoço apenas para enfeite. Ela é responsável pelas nossas funções cognitivas, executivas e comanda praticamente todas as ações que tomamos diariamente, mesmo que você não perceba.

Bom, se você está se perguntando se terapia é para você, a minha dica será sempre um sonoro “sim”. Terapia é para qualquer pessoa, de qualquer idade. Se você acha que tem algo a melhorar na sua jornada enquanto ser vivo, sim, terapia é pra você! Terapia é uma das ferramentas mais importantes de autodesenvolvimento que conheço. Não estou falando apenas de autoconhecimento, mas, também, da capacidade de ter ações diante do ganho de consciência a respeito de si.

Terapia é fundamental para gente que não aceita feedback. Sabe aquelas pessoas que não se responsabilizam por nada? Que estão sempre se colocando no papel de vítimas? Aquelas que culpam o chefe, o colega, a mãe, o pai, os irmãos, o cônjuge, a economia, o presidente, o coronavírus, ou qualquer outra coisa pelas circunstâncias da vida? Tem quem culpe outros indivíduos até pela sua infelicidade.

Terapia é para o sujeito acima. Responsabilizar-se pelas rédeas da vida é uma das primeiras coisas que um bom psicólogo vai te ensinar. E não para por aí, não!

Terapia é um ótimo instrumento para quem se frustra com os nãos que a vida oferece. Para quem não tem persistência, que desiste fácil dos objetivos, que recua dos desafios sem ao menos tentar. Sabe aquelas pessoas que não param em emprego algum? Que ao sinal de primeira dificuldade pedem para sair? Que desistem dos amores por medo de sofrer ou de serem abandonados?

É bem fácil reconhecer essas pessoas. Talvez elas não se reconheçam. Elas têm medo de encarar a própria imagem diante do espelho. Sentem dificuldade em assumir seus erros, suas falhas, de aceitar orientações. Aliás, elas têm extrema dificuldade de ouvir. Ficam presas em um universo próprio e paralelo. Estão sempre repetindo as mesmas atitudes, fazendo a história pessoal se repetir.

Já viu gente que desiste fácil? Que fecha portas ao invés de mantê-las abertas? Que não se despedem de colegas, não agradecem seus pares, seus mentores e até mesmo aqueles amigos de boteco tão queridos? Aqueles que afastam propositalmente as pessoas que amam. Tem muita gente assim por aí. A terapia ajudaria, e muito, essas pessoas a sofrerem menos.

Terapia também é bom para quem tem dificuldade para amadurecer. Acreditem, tem muita de gente de 30 e poucos que se comporta como adolescente. Outro dia observei um grupo de psicólogos debatendo sobre o adolescente mais velho que cada um já havia atendido. Uma delas respondeu: 39 anos.

Tem muito adulto que vive na barra da saia da mãe. Incapaz de ter escolhas próprias, atitudes maduras, que, se deixar, passa o dia na frente da TV ou do videogame. E tem sempre aquela turma do corpo mole. Que finge demência achando que todo mundo ao redor é bobo. Aquele colega que não sabe trabalhar em equipe, que procrastina, que promete o que não consegue cumprir. Que fala um monte de sim, quando deveria falar não.

Aliás, se tem uma coisa que a terapia ensina é a falar não. Um bom psicólogo vai ensinar qualquer pessoa a reconhecer e estabelecer limites. Falar não, ou melhor, saber falar não é uma bênção, uma verdadeira dádiva. E, acreditem, você pode aprender a falar não na terapia.

Psicoterapia e autoconhecimento fazem bem demais. Conheço gente que, ao invés de colocar a culpa dos problemas atuais na pandemia e no desemprego, aprendeu a costurar e anda fazendo dinheiro comercializando máscaras reutilizáveis. Esta pessoa sabe que está nas mãos dela decidir rir ou chorar, agir ou reclamar. E depois ainda vão dizer que ela teve sorte. Ela apenas tomou as rédeas.

Já conheci muita gente superinteligente, com QI altíssimo, mas totalmente disfuncional do ponto de vista emocional. Gente que chora só de pensar no chefe, na meta, no cliente, no compromisso. Que se cobra pelas atividades erradas. Gente que fica doente toda hora. Cai cabelo, tem problema de pele, gastrite, enxaqueca, alergia, doença autoimune e por aí vai. A imunidade está sempre lá embaixo. Aliás, tem gente que só falta ser o melhor amigo do plantonista do hospital mais próximo de casa.

Quando alguém me pergunta será que terapia é pra mim, eu respondo: terapia é pra quem é forte! É para quem é capaz de olhar para dentro de si e segurar o rojão. Quem consegue mergulhar dentro de si e encarar a própria sombra. Seus medos, suas angústias, seu lado vulnerável. Terapia é para quem tem coragem de se desafiar.

Há quem pensa que mudar de cidade, de emprego, de país, de marido ou de namorado resolve. Sinto informar que não! Só muda o problema de lugar, transfere a culpa para o outro e passa a vida infeliz.

Outro dia, durante uma sessão de mentoring, ouvi a história de uma pessoa que aos 65 anos de idade havia descoberto que passou a vida na profissão errada. Não estava feliz com sua carreira, com a empresa e nem com suas conquistas. Nada tinha valido a pena. Eu pensei comigo: ainda bem que comecei a terapia aos 30.

Tempo é vida, é felicidade. Tempo é a única coisa que não volta atrás e que não conseguimos comprar. E, se tem um tempo bem investido nesta minha vida, ah… posso afirmar que é aquela uma horinha semanal com a Ju, minha psicóloga.

É ali que eu descubro uma Tati nova toda semana. Me reinvento! Me percebo frágil e ao mesmo tempo forte. Insegura, mas também determinada, persistente. Ali, naquela uma hora semanal, aprendo a estabelecer meus limites e ser protagonista da minha trajetória de vida. Afinal, a única responsável pelas minhas escolhas e atitudes, certas ou erradas, sempre serei eu! E viva quem inventou essa tal de terapia.

tatiana pimenta

*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude (plataforma pioneira no ramo de saúde mental que conecta psicólogos e pacientes). Engenheira que se apaixonou pela Psicologia, pelo estudo constante do comportamento humano e da felicidade. Com mais de 15 anos de experiência profissional, foi executiva de sucesso em empresas de grande porte. Única brasileira finalista da premiação internacional Cartier Women’s Initiative Awards em 2019. Faz terapia há mais de 8 anos, é maratonista amadora e praticante de Mindfulness.

 

O divórcio e as dores emocionais e físicas por ele provocadas

O casamento continua sendo uma idealização para todos, independente de sexo, gênero e condição social. No entanto, a questão que vem sendo levantada é: ao se casar, ambos estão, de fato, preparados? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 140 mil casamentos são cancelados hoje no Brasil, enquanto em 2006, este número não ultrapassava 80 mil.

mulher segurando alianca separacao

O motivo do crescimento dos registros de divórcio, deve-se a fatores como o estresse diário, a independência financeira individual , mudanças nas leis que facilitam a separação, mas, sem dúvidas, o término do afeto entre os casais continua a ser o motivo principal de uma separação, e é sobre isto que vamos falar hoje.

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estudaram pessoas ao longo de 15 anos e uma das conclusões divulgadas pelo Dayli Mail, foi que, aqueles que passaram pelo divórcio tiveram sua saúde em declínio mais rapidamente, comparados aos que nunca se divorciaram.

Este tipo de pesquisa também confirma que o divórcio pode estar relacionado ao desenvolvimento da síndrome do pânico, da depressão, do câncer de mama, da insônia e do transtorno do estresse pós traumático (TEPT).

casal maduro separacao discussao problemas

“Qualquer término de relacionamento vem cercado de muita tristeza e dor, porque é um momento de luto. É como ter que enfrentar todas as etapas da dor de quando se perde um ente querido. A pessoa terá que aprender a viver sem a outra, que já não fará mais parte do seu dia a dia, de suas atividades, de seus planos. E, na maior parte das vezes, a pessoa que foi deixada sente a dor da rejeição”, explica a psiquiatra e psicoterapeuta Dra. Aline Machado Oliveira, que recebe diariamente em seu consultório pessoas que sofrem as consequências emocionais causadas pelo divórcio.

“O ser humano tem muita dificuldade em aceitar ser excluído, ser rejeitado, porque a dor é inerente; e esta dor emocional pode desencadear quadros depressivos, de ansiedade, insônia ou outros transtornos emocionais”, completa.

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Ela também diz que, quando a pessoa reconhece a dor e aceita que é necessário passar pelo processo de luto, o processo de superação pode ser alcançado, mas cada indivíduo o vivenciará no tempo dele.

Em relação às mulheres que passam pelo divórcio, as preocupações são distintas em diferentes fases da vida. Enquanto o divórcio daquelas na faixa etária dos 30, a maior preocupação, no geral, são os filhos pequenos envolvidos. As mais velhas, na faixa etária dos 50 a 60 anos, não sabem como passarão o resto de suas vidas sozinhas, justo no momento em que estão caminhando para a velhice e se sentindo incapazes de recomeçar.

Assim sendo, não há muito o que discutir: quem está passando esta dor precisa de ajuda e o apoio psicoterápico poderá ser necessário antes, durante e após o divórcio.

Depressão pós-divórcio

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Foto: Shutterstock

Aline enfatiza que é necessário observar a si mesmo durante este período pós separação. “Se existir uma percepção de que este luto já foi longe demais, está durando muito tempo, que está começando a impedir o indivíduo de realizar suas atividades, fazer a higiene diária, trabalhar, sair da cama e de casa, é hora de buscar ajuda médica”.

E aí, tanto a psicoterapia quanto a medicação assistida pelo psiquiatra, caso haja necessidade, podem ser necessárias neste período. É importante lembrar que a dor emocional vai passar. Mas, para isto, você precisará levantar e seguir em frente. E neste momento, ter alguém que possa te dar a mão e te ajudar a levantar, faz toda a diferença.

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Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria,e atua há mais de 9 anos com psiquiatria clínica e psicoterapia.
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Nutricionista ensina como driblar a compulsão alimentar

Em tempos difíceis, como este de isolamento físico, é natural que as pessoas busquem ferramentas para manter a qualidade de vida e tentar se aproximar ao máximo da “rotina normal”. Porém, neste processo, algumas coisas fogem do controle e podem gerar transtornos prejudiciais à saúde, como, por exemplo, a compulsão alimentar (caracterizada por uma vontade de comer mesmo sem fome).

Mudar esse padrão nem sempre é fácil e, pensando nisso, a nutricionista chefe da n2b, Aryane Emerick, dá seis dicas de como lidar com a compulsão alimentar. Confira abaixo:

O que gera compulsão alimentar?

shutterstock mulher comendo doces
Shutterstock

A compulsão pode ser gerada por vários gatilhos, não tem apenas um fator. Vou citar algumas coisas que podem gerá-la: restrições ou dietas muito rígidas que geram um comer transtornado, obsessão com a própria imagem por uma insatisfação causada por mídias sociais que vinculam imagens de corpos e ditam ser “perfeitos”, fatores genéticos ou dificuldades emocionais como depressão ou ansiedade.

A compulsão é necessariamente uma necessidade física ou psicológica? Ou pode ser os dois?

mulher comendo sorvete na cama

É uma necessidade psicológica, que faz com que você busque escapes tentando minimizá-la. Tem relação com a pessoa e as emoções que ela está sentindo, assim pode se manifestar como compulsão alimentar, é importante saber que a compulsão não é um episódio de gula, está ligada ao emocional e, por isso, é importante dar atenção ao que causa esse gatilho.

Existem alimentos que podem minimizar os efeitos da compulsão?

chá camomila
Foto: chamomileteaonline

O melhor método para minimizar os efeitos da compulsão é entender qual gatilho a está causando. O ideal é reduzir as distrações externas e tentar apreciar a comida, comendo mais lentamente para que consiga observar quando está satisfeito. Sobre os alimentos que ajudam:
-Manter se bem hidratado é essencial;
-Alguns chás que auxiliam a relaxar durante o dia e modulam alguns sintomas são o de camomila, erva cidreira, folhas de maracujá e, durante a noite, para ajudar no sono, mulungu ou camomila;
-Alimentos fontes de magnésio como vegetais verdes escuros (espinafre, couve, brócolis), semente de abóbora;
-Alimentos fontes de ômega 3 (sardinha, atum, salmão, chia, linhaça) e frutas, legumes e verduras que são ricos em antioxidantes, pois uma alimentação mais anti-inflamatória é melhor nesses casos;
-Alimentos que você mastigue mais, pois ajudam na saciedade, como pipoca, semente de abóbora ou girassol, chips de frutas.

Qual a diferença entre compulsão alimentar e vontade de comer?

compulsao alimentar
Hoje em dia, comer coisas gostosas é traduzido como compulsão, porque julgam isso como proibido, mas a compulsão não se trata disso. Compulsão é consumir uma quantidade de comida maior do que comeria em situações similares. Nela, você come muito rápido, com sensação de perda de controle, até sentir um desconforto físico, e pode ter combinações estranhas. A pessoa faz isso porque quer aliviar uma emoção por meio da alimentação. Após isso, sentimentos como culpa, angústia, vergonha, sensação de depreciação podem surgir. A vontade de comer é conhecida como fome emocional ou psicológica, aquela que temos ausência de sinais físicos (o estômago não está roncando), sentimos desejo por um alimento específico (por exemplo, chocolate) e normalmente surge não muito tempo desde a última refeição. A vontade de comer também pode estar ligada aos sentimentos, assim como a compulsão, mas não observamos uma quantidade tão grande. Em ambos os casos, trabalhar a respiração com a meditação, organizar o dia, realizar atividade física, ler e ouvir música pode ajudar.

Quais as dicas e hábitos para quem busca acabar com a compulsão?

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Alguns hábitos importantes são:
-Estabelecer horários, criar uma rotina de atividades durante o dia para se ocupar;
-Não pular as refeições (principalmente as maiores como almoço e jantar);
-Ficar atento para diferenciar se está sentindo fome mesmo ou vontade de comer;
-Mantenha se hidratado, pelo menos dois litros de água por dia, e use chás para relaxar;
-Nas refeições, não se esqueça de caprichar nas fibras: alimentos integrais, verduras, legumes para ter saciedade ao longo do dia;
-Com a ajuda de um profissional habilitado identifique os gatilhos que causam os episódios de compulsão e trace atitudes para driblá-los.

Como lidar com a compulsão neste momento de pandemia?

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É importante que você comece a identificar junto com seu psicólogo quais são os gatilhos que te levam a esses episódios de compulsão e ansiedade para trabalhar isso. Estratégias usadas como trabalhar a respiração por meio da meditação, ouvir uma música que gosta, praticar atividade física podem ajudar nesse controle. Sobre a alimentação, incluir os alimentos que citei acima como bons e manter uma alimentação equilibrada, ter opções saudáveis próximas é essencial. Se hidratar bem é importante. Buscar alimentos fontes de fibras para trazer mais saciedade, por exemplo, a semente de abóbora que você mastiga bastante, é rica em fibras e em magnésio que também ajudam, por exemplo.