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Dia Mundial da Obesidade faz Brasil e mundo darem atenção para doença que agrava quadro de covid-19

Se a obesidade pode agravar infecção causada pelo novo coronavírus, por sua vez, desdobramentos da pandemia podem piorar a obesidade

Hoje, 4 de março, é o Dia Mundial da Obesidade. O Brasil tem motivos de sobra para olhar com atenção para esta data e refletir a respeito da doença que se alastra como uma epidemia no país e no mundo. Para ser ter uma ideia do crescimento da obesidade em solo brasileiro, entre 2014-2015, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou a primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), na qual foi constatada que 20,8% dos brasileiros estavam obesos. Cinco anos depois, em 2020, lançou a segunda edição da PNS, e a porcentagem de brasileiros com obesidade havia saltado para 25,7%.

Por si só, estes números são alarmantes. Em tempos de pandemia pelo novo coronavírus, o quadro acima descrito causa muito mais preocupação, já que a obesidade é um dos fatores de risco para agravamento da covid-19. O médico endocrinologista, especialista em tratamento de obesidade, Rodrigo Bomeny, explica que desde o início do espalhamento da doença, na China, estudos daquele país já demonstravam que pacientes obesos apresentavam maior risco de desenvolver quadros.

Foto: Xenia/Morguefile

Posteriormente, conforme Bomeny, com o avançar da doença na Europa e nos Estados Unidos, foram desenvolvidos novos estudos que também atestavam isso. “Recentemente, foi publicado um estudo francês, com uma análise retrospectiva dos pacientes que tiveram quadro de covid-19 e constatou-se que quem tem obesidade apresenta um risco cerca de oito vezes maior de ventilação mecânica”, diz.

Tal fato não significa, contudo, que todas as pessoas com obesidade, se contraírem a covid-19, desenvolverão quadros graves. A idade avançada continua sendo o maior fator de risco. Jovens, que em condições normais, são menos suscetíveis ao agravamento da doença, correm mais risco quando são obesos. Em relação ao gênero, homens têm mais chances de necessitarem de internação e ventilação que mulheres.

A obesidade é uma doença multifatorial, mas um dos aspectos de maior relevância para seu desenvolvimento é a alimentação. No artigo “Obesity and Covid-19 in Latin-America: a tragedy of two pandemics”, em português, “Obesidade e Covid-10 na América Latina: uma tragédia de duas pandemias”, publicado na Obesitu Review, a mais influente revista científica do mundo com foco na obesidade, a Federação Latino-Americana de Obesidade (Flaso), afirmou que nos últimos anos a América Latina viu um crescimento acentuado da doença entre as classes menos favorecidas. E um dos motivos, conforme o artigo, parecer ser a má alimentação, já que também foi constatado um aumento do consumo de alimentos ultraprocessados nessas classes.

Além de engordativos, por terem mais calorias, os alimentos processados ainda são pouco nutritivos, o que em contexto de pandemia de covid-19, torna o quadro ainda pior, podendo tornar a saúde da pessoa mais frágil e, consequentemente, mais vulnerável a complicações.

Se a obesidade é o fator de risco para agravamento da infecção causada pelo novo coronavírus, por sua vez, os desdobramentos da pandemia (isolamento social, crise econômica e perda de empregos) podem ser agentes causadores e de piora da obesidade. Isto porque acarreta ao maior consumo de alimentos industrializados, processados e ultraprocessados, grosso modo, mais caros.

“Manter o peso saudável já é difícil em tempos normais, mas parece ter ficado muito mais difícil em meio às mudanças radicais durante a pandemia”, enfatiza o médico endocrinologista. De acordo com Bomeny, o resultado de uma pesquisa online no Reino Unido atesta a dificuldade. No levantamento, feito com mais de 800 adultos, 63% dos entrevistados relataram dificuldade em manter o peso durante a pandemia.

O médico endocrinologista cita os principais fatores de risco associados ao ganho de peso durante a quarentena, inerentes ao isolamento social, ao confinamento, à rotina de home office e ao estado de ansiedade gerado pela doença. São eles: sono inadequado; lanches após o jantar; falta de restrição alimentar; alimentação em respostas ao estresse; e redução da atividade física.

Estar ciente de que a obesidade é morbidade que contribui para complicações no quadro infeccioso da covid-19 não significa de que se deve culpar o paciente obeso, como se quisesse dizer que a responsabilidade é só dele. Bomeny ressalta que a obesidade é uma doença. “Crônica e recorrente, ela resulta de alterações hormonais, sendo influenciada diretamente por questões ambientais e comportamentais”, explica.

Conforme Bomeny, reconhecer obesidade como doença é importante para pacientes se sentirem mais confiantes em buscar tratamento e para que medidas públicas mais eficientes sejam implementadas pelos governos. A obesidade é uma pandemia que não deve ser lembrada somente durante outra pandemia. Trata-se de condição que é fator de risco para muitas outras doenças, como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, esteatose hepática (gordura no fígado) e síndrome metabólica.

Fonte: Rodrigo Bomeny é especialista em emagrecimento, é graduado em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em clínica médica e em endocrinologia e metabologia pela mesma instituição de ensino.

Os estigmas do TDAH: por que ainda existe muito preconceito sobre essa doença?

Comportamentos do ator e cantor Fiuk no BBB 21 colocam no holofote os problemas ocasionados pela falta de informação e tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

O BBB 21 vem chamando a atenção do público pelo comportamento de alguns de seus confinados desde o início do programa. Um deles é o ator e cantor Fiuk. Dias atrás, ele teve dificuldade em compreender as informações da Prova do Anjo, entre outras atitudes, e virou motivo de meme na internet, além de várias manifestações, tanto dos próprios participantes que estão na casa, quanto da audiência nas redes sociais.

Inconformada com a repercussão, sua equipe resolveu se pronunciar, dizendo que parte das dificuldades de relacionamento e até de entendimento se dão justamente porque ele é portador de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e está sem medicação.

“Fiuk sofre de TDAH, depressão e ansiedade. O principal sintoma é a desatenção extrema, que pode resultar na impercepção de coisas ditas como óbvias por muitos do tribunal da internet que o julgaram ignorantemente após a prova do Anjo”, afirma o comunicado. Mas, de fato, o que é o TDAH?

Segundo o médico psiquiatra e fundador do canal Saúde da Mente, Marco Antonio Abud, existem três esferas que caracterizam o transtorno: a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. “Esse problema, se não tratado, pode levar a vários prejuízos pessoais, profissionais e a um nível de sofrimento gigantesco para o portador. Dificuldades extremas coma execução de tarefas simples do dia a dia, por exemplo. Se as pessoas que estão em volta não têm ciência do problema, muitas vezes surgem julgamentos como preguiçoso, não comprometido, desinteressado, falta de força de vontade, ou até mesmo caracterizado como uma pessoa incompetente”.

O psiquiatra lista dez características comuns de comportamentos do dia a dia que podem caracterizar a presença do TDAH em um adulto:

=Ocorrência de atrasos constantes;
=Direção impulsiva no trânsito (com mais infrações, multas e maior risco de acidentes);
=Falta de foco ao participar de reuniões longas, distraindo-se com outros pensamentos;

Freelik

=Cansaço intenso e distraibilidade ao ter que fazer tarefas não estimulantes;
=Grande dificuldade com relacionamentos, pela dificuldade de escutar o outro e de se lembrar de compromissos;
=Excesso de procrastinação para atividades consideradas chatas ou repetitivas;
=Sensação de não conseguir relaxar, parecendo estar com o motor ligado o tempo todo;

=Dificuldade para priorizar tarefas;
=Explosões de raiva intensas e repentinas, que passam em minutos, agindo, depois, como se nada tivesse acontecido;

=Desorganização extrema de objetos, roupas e outros itens do dia a dia.

Até bem pouco tempo atrás, de acordo com Abud, os especialistas apontavam que o TDAH só existia na infância. Mas, hoje, estudos já levaram essa teoria por terra. “Existem casos de TDAH que vão se manifestar mais tarde. É necessário que os sintomas estejam presentes desde antes dos 12 anos de idade, mas, em alguns casos, a criança e o adolescente usava a inteligência para superar os problemas de atenção. Mas, quando a pessoa se depara com as diversas tarefas e demandas da vida adulta, o diagnóstico fica mais evidente”

O médico destaca ainda outras atitudes que podem sinalizar a presença do TDAH em um adulto. “Existem vários adultos que só conseguem cumprir , com excelências, tarefas com prazo apertado, ‘na última hora’, o que leva a um gigantesco gasto de energia e sofrimento. Outros, terminam relacionamentos abruptamente, de forma impulsiva. Ou trocam de emprego sem planejamento devido a dificuldade em gerenciar emoções negativas e frustrações. Normalmente são pessoas inteligentes, muito capacitadas, mas sentem que não conseguem conquistar o sucesso e reconhecimento compatíveis com seu nível intelectual.”

O TDAH não tratado gera diversos prejuízos para o portador da doença, que são exacerbados com os estigmas e estereótipos presentes na nossa sociedade, como o que está ocorrendo com Fiuk. “A maneira como a sociedade sente prazer em brincar com a dor do próximo é devastadora. Os transtornos psíquicos e seus estigmas jamais devem ser motivos de zombaria”, reforça o comunicado da equipe.

Existem várias personalidades mundiais que assumiram publicamente que têm o transtorno e estão em tratamento. Celebridades como os cantores Adam Levine (Maroon 5) e Justin Timberlake e o nadador Michael Phelps mostram que o TDAH nada tem a ver com falta de capacidade. “Eles são exemplos claros de que pessoas com TDAH podem alcançar eficiência, prestígio e reconhecimento caso tenham tratamento”, conclui Abud.

Infectologistas respondem as principais dúvidas sobre a vacinação contra o vírus Sars-CoV-2

Devo me vacinar mesmo após contrair o vírus? Posso tomar as doses da vacina em locais diferentes? Veja essas e outras respostas sobre o processo de imunização

Quem contraiu a Covid-19 recentemente pode tomar a vacina?
Sim: entretanto, recomenda-se esperar ao menos 30 dias após término dos sintomas para que a infecção não atrapalhe a eficácia da vacina.

O pré-cadastro no site “Vacina Já” garante que eu serei convocado para tomar a vacina?
Não:
o “Vacina Já” somente agiliza o tempo de cadastro do paciente no momento da vacinação.

Quanto tempo após tomar a vacina eu estarei de fato protegido?
Para as vacinas utilizadas atualmente no Brasil — CoronaVac, do Instituto Butantan, e AstraZeneca, da Oxford — espera-se que a proteção efetiva ocorra após os 14 dias de vacinação da segunda dose.

Devo abandonar o uso das máscaras ou qualquer outro meio de proteção logo após tomar vacina?
Não.
O uso de máscara continuará fazendo parte da nossa rotina até quando houver imunidade coletiva.

Após quanto tempo depois de tomar a primeira dose eu poderei tomar a segunda?
Ao tomar a vacina CoronaVac, o indivíduo deve esperar entre 14 dias e 28 dias para receber a segunda dose. Para a vacina da AstraZeneca, de 4 a 12 semanas. Vale lembrar que é preciso seguir a recomendação dos profissionais de retornar ao local de vacinação somente na data da segunda dose, marcada no comprovante de vacina.

Gestantes ou lactantes podem tomar a vacina?
Os estudos de liberação das vacinas contra a Covid-19 não foram realizados em gestantes ou lactantes originalmente. Portanto, ainda não há resposta concreta. De acordo com o Ministério da Saúde “as mulheres, pertencentes a um dos grupos prioritários, que se apresentem nestas condições, a vacinação poderá ser realizada após avaliação cautelosa dos riscos e benefícios e com decisão compartilhada, entre a mulher e o médico prescritor.” Dessa forma, caberá aos envolvidos (profissional e paciente) avaliarem o risco de contágio versus o risco de efeitos colaterais durante a gestação.

Eu já contraí a Covid-19, mesmo assim devo tomar a vacina?
Sim.
Apesar de ser incomum, em 1% dos pacientes que já tiveram infecção pela Covid-19, pode haver nova infecção e apenas a vacina conseguirá dar proteção eficaz contra o vírus.

Quais reações a vacina pode causar no organismo?
A reação principal da vacina é a proteção, conseguida por meio da produção de memória imunológica pelos componentes da vacina. Do ponto de vista de efeitos adversos as vacinas CoronaVac e AstraZeneca têm reações que podem durar de 24h a 48h e geralmente melhoram com analgésico comum. Alguns deles são:
Cefaleia
Náuseas
Diarreia
Dor no local da aplicação
Febre

Existe uma vacina melhor que a outra? Qual a diferença de resultados entre elas?
Todas as vacinas liberadas para uso só conseguem aprovação se tiverem o mínimo de proteção necessária para evitar infecções pela Covid-19 e as únicas diferenças entre elas são em relação à quantidade de efeitos adversos, número de doses e o tipo de vacina.

Quais documentos são obrigatórios apresentar no dia da vacinação?
Para o Estado de São Paulo, recomenda-se realizar o pré-cadastro no site “VacinaJá”, além de apresentar obrigatoriamente, no dia da vacinação, um documento com foto, CPF e número do cartão do SUS. Confira a relação de documentos obrigatórios para o seu estado.

Foto: Lisa Ferdinando

O que significa a taxa de eficácia divulgada pelas farmacêuticas fabricantes das vacinas?
A taxa de eficácia é o quanto a vacina protege contra uma infecção. Quando se fala em eficácia global quer dizer o quanto a vacina protege o indivíduo do vírus. Essa porcentagem pode ainda ajudar a definir quanto da população deveria ser vacinada para evitar novas transmissões.

Quem faz uso de medicamentos controlados pode tomar a vacina normalmente?
Sim.
Não há contraindicação ao uso das vacinas disponibilizadas atualmente no país em combinação com medicamentos controlados.

Se eu demorar para tomar a segunda dose mais do que o recomendado, é possível que a imunidade se perca?
Recomenda-se tomar a vacina dentro do intervalo proposto pelo fabricante a fim de garantir a eficácia da vacina.

Iamspe

Qual a diferença entre as vacinas aprovadas? Principalmente referente às reações adversas de cada uma.
A vacina AstraZeneca tem eficácia geral descrita de 82%, porém variam de acordo com a idade e as populações diferentes, podendo ser menor em alguns grupos e maior em outros.
Já a CoronaVac tem eficácia geral de 50.38%. Em relação aos efeitos adversos, as duas vacinas apresentam resultados muito semelhantes, tendo discreto aumento de reações adversas na vacina da AstraZeneca em relação à CoronaVac.

Posso tomar a primeira dose da vacina AstraZeneca e a segunda da CoronaVac?
Não.
Ainda não há segurança para dizer que as vacinas se complementam.

Tomei a primeira dose num determinado lugar. Posso tomar a segunda em outro lugar?
Preferencialmente não
. A recomendação neste momento é que se retorne ao mesmo local da primeira dose — salvo em caso de troca de Estado.

Existem exames que comprovam a presença de anticorpos contra a Covid-19 após a vacinação? Se sim, quais são?
Existe um exame chamado pesquisa de anticorpos neutralizantes, que poderia avaliar proteção pós-vacina, porém está em fase de avaliação.

Fonte: Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe)

O home office pode estar danificando sua visão

Especialista do Hospital Cema alerta para possíveis distúrbios oculares que podem ocorrer em virtude do uso excessivo de telas e mostra como evitar que os olhos sofram tanto nesse período

Embora o uso de aparelhos eletrônicos, especialmente os smartphones, tenha se disseminado amplamente nos últimos anos, nunca se usou tanto as telas quanto agora. Com a pandemia, e a necessidade de isolamento social, todas as esferas da vida passaram a ser feitas em um mesmo ambiente: em casa; e as demandas de escola, do trabalho e outros eventos precisaram se deslocar para o mundo virtual. Haja visão para tanta tela!

Não à toa a procura em hospitais especializados têm aumentado muito, nesse período. “Especialmente as crianças em idade escolar e profissionais que fazem home office têm buscado os consultórios oftalmológicos com bastante frequência”, explica o oftalmologista do Hospital Cema, Gustavo de Léo Soares.

Entre os principais distúrbios causados pelo uso excessivo de telas estão a Síndrome do Olho Seco e a Miopia. A Síndrome do Olho Seco ocorre quando há uma falta de lubrificação nos olhos, o que pode levar a sintomas, como ressecamento, visão embaçada e vermelhidão. O uso de telas em excesso pode desencadear a doença, pois as pessoas tendem a piscar menos, o que impede a correta lubrificação ocular.

Já no caso da miopia, que é um distúrbio que ocorre quando há dificuldade para enxergar objetos que estão longe, o que acontece é que ficar muito tempo em frente aos aparelhos eletrônicos pode forçar a musculatura responsável por focalizar imagens que estão perto, o que pode levar à fadiga, em longo prazo, dificultando a visão à distância. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que entre 2020 e 2050 os casos de miopia cresçam 89% no Brasil e 49% no mundo. No entanto, essa relação entre a doença e o aumento no uso de telas ainda não é comprovada.

De todo modo, o especialista do Hospital Cema dá algumas orientações para evitar fadiga visual e possíveis complicações oculares. “É importante que as pessoas se lembrem de fazer pausas durante o uso de telas no trabalho. Utilizar colírios específicos, nos casos de Síndrome do Olho Seco, também é algo que pode ajudar muito”, detalha.

Além disso, é essencial deixar a área de trabalho ou estudo em local arejado e iluminado e utilizar essas pausas para exercitar a visão à distância, olhando o horizonte, por exemplo. Além disso, caso ocorram sintomas persistentes, como irritação ocular ou dores é importante procurar um oftalmologista para avaliar melhor o caso.

Fonte: Hospital Cema

Altas temperaturas aumentam riscos de doenças vasculares e circulatórias

Cuidados com alimentação e prática de atividades físicas ajudam a evitar o acúmulo de líquido e inchaço no corpo, sinais de alerta do sistema circulatório

Com a chegada do verão, é comum sentirmos as pernas mais pesadas, os pés e mãos inchados e a sensação constante de cansaço provocada pelo calor excessivo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), o período mais quente do ano provoca um aumento de 30% na incidência de doenças vasculares.

A condição, somada às altas temperaturas, é fomentada pelo acúmulo de líquidos em espaços ao redor dos tecidos e órgãos. “O inchaço, embora seja mais frequente no verão, é sempre um sinal de alerta em qualquer época, principalmente se há persistência após algumas horas de repouso, pois demostra uma sobrecarga no sistema circulatório”, destaca Paulo Eduardo Bochio, cirurgião vascular da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

MedicalNewsToday

Ele explica que esta sobrecarga pode ser provocada por uma condição fisiológica, como a dilatação das veias destas áreas, e também pode ser um indício de trombose venosa profunda. “Sendo assim, inchaços persistentes necessitam de avaliação médica.” Segundo o especialista, as mulheres são as que mais sofrem com os problemas vasculares durante o verão. E esclarece que os hormônios femininos, principalmente o estrógeno, estão associados à piora dos sintomas de doenças vasculares, como peso, cansaço e inchaço.

“Em alguns casos, o uso de medicamentos com estrógenos pode até causar ou agravar a própria doença, como em pessoas com predisposição genética ou fumantes, seja piorando os sintomas e aspecto do membro, ou mesmo levando à trombose venosa, principalmente em mulheres acima dos 35 anos”, explica.

E frisa que, normalmente, a principal queixa das pacientes durante esta estação é sobre os inchaços nas pernas, um dos principais sintomas da insuficiência venosa crônica, que acomete um número significativo de pessoas da população geral e principalmente do sexo feminino: “Este problema, na maior parte das vezes, é benigno, quando tratado de maneira adequada.”

Para pessoas que têm problemas vasculares prévios, como insuficiência venosa crônica (varizes), o médico pede atenção às altas temperaturas, assim como nas doenças arteriais para as baixas temperaturas. “As varizes dos membros inferiores são veias dilatadas e tortuosas, incapazes de conduzir adequadamente o sangue das pernas para o coração. No sistema superficial de veias, essa dificuldade de retorno se chama estase venosa, e facilita o aparecimento de edema e até flebites (inflamação aguda da veia)”, ressalta.

De acordo com o especialista, em casos mais graves, principalmente quando há acometimento do sistema venoso profundo, como no caso de pacientes que já tiveram trombose, podem aparecer úlceras varicosas ou novos episódios de trombose.

Trombose

Getty Images

A pandemia de Covid-19 impôs à população muitas mudanças de comportamento e estilo de vida. “Essas mudanças fizeram com que muitos deixassem um pouco de lado os cuidados com a saúde, aumentando o risco, principalmente agora no verão, de ocorrência de doenças como a trombose”, relata o cirurgião vascular.

A trombose é um problema de circulação, causado pela criação de um coágulo em locais em que não ocorreram qualquer tipo de sangramento. “Em condições normais, a formação do trombo (coágulo) é um mecanismo fisiológico do sistema circulatório que cessa qualquer tipo de sangramento, por exemplo no caso de um ferimento. Porém, com a trombose, esse trombo se forma dentro de um vaso, dificultando ou impedindo a circulação sanguínea na região ou em um órgão específico”, afirma o especialista.

A trombose acontece em diferentes tipos de vasos sanguíneos, podendo se apresentar como:

  • Trombose venosa profunda: afeta principalmente as veias nos membros inferiores, geralmente na região das coxas e panturrilhas, podendo acometer outros vasos, como os abdominais. Sua principal e mais temida complicação é a embolia pulmonar, quando o trombo é levado pela corrente sanguínea e entope a circulação dos pulmões, causando grande risco à vida.
  • Trombose arterial: forma-se nas artérias, os sintomas principais são causados pela falta de suprimento sanguíneo adequado, ao órgão ou região acometida, por exemplo, no coração, angina ou infarto, no cérebro, um AVCI (acidente vascular cerebral isquêmico, causado pela) nas pernas: frialdade, arroxeamento e alteração da sensibilidade, com risco de perda do membro.

As doenças arteriais normalmente têm sua maior incidência no inverno e, como principais fatores de risco, diabetes, hipertensão, tabagismo e colesterol elevado. A obesidade e o sedentarismo são fatores de risco tanto para a doença venosa como para a arterial.
Outra preocupação, apresentada pela SBACV, foi a identificação da doença em pacientes que tiveram Covid-19.

“A doença pode ser grave em pacientes que já tinham algum fator de risco prévio, como obesidade ou tabagismo. No entanto, estamos observando o aparecimento de trombose em pacientes previamente saudáveis. Ao que parece, o processo inflamatório extremo causado pela Covid- 19 está intimamente relacionado à trombose”, destaca o cirurgião vascular. Alguns dos fatores que, segundo a especialista, podem causar a trombose são: período de gravidez, uso de anticoncepcionais e a permanência na mesma posição por longos períodos.

“Ficar muito tempo de pé ou sentado, durante o horário de trabalho ou em viagens, dificulta o retorno do sangue e líquidos ao coração, já que a musculatura e o próprio movimento em si têm um papel fundamental na circulação”, explica Bochio, que dá algumas recomendações para as pessoas que passam muito tempo em pé ou sentadas, mesmo que não tenham insuficiência venosa:

  • Levantar-se pelo menos uma vez a cada hora;
  • Caminhar por cerca de 5 minutos;
  • Sentado ou em pé, fazer movimentos circulares com os pés;
  • Elevar as pernas próximo ao nível do coração, algumas vezes ao dia;
  • Utilizar meias elásticas, caso haja recomendação médica.

As dicas acima podem ajudar no bom funcionamento da circulação sanguínea e contribuem significativamente para a melhora dos sintomas e prevenção de complicações.

Cuidados

Segundo Lígia dos Santos, nutricionista da Rede, outros fatores que mais causam problemas vasculares durante o verão são a desidratação e a preexistência de doenças associadas à obesidade e ao sobrepeso, como o diabetes e a hipertensão.

“Esses são elementos que atrapalham a circulação e podem agravar quaisquer inflamações presentes nos vasos sanguíneos, levando o corpo a reter líquidos para diluir o mineral, como o sódio, e inchar”, explica a especialista. Ela também pontua que alguns alimentos muito consumidos, como os industrializados e ultraprocessados, são prejudiciais por possuírem altos níveis de sais e açúcares em sua composição.

Para evitar a má circulação, ela recomenda uma dieta balanceada, com a presença de alimentos diuréticos como melancia, melão, pepino e abóbora, além da ingestão de água pura, que ajuda a evitar a retenção de líquidos e a repor o potássio que é eliminado pelo suor.
“Muitos acreditam que os inchaços são causados pela quantidade de líquido ingerido, mas a hidratação, pelo contrário, é o que evita a retenção e favorece o funcionamento intestinal. A desidratação pode favorecer o aparecimento do edema.”

Daniel Reche/Pixabay

Por fim, Lígia recomenda realizar regularmente atividades físicas. O ideal, segundo ela, é se exercitar antes das 10 horas ou na parte da noite (se isto não tirar seu sono), para evitar a exposição ao calor. “Realizar exercícios físicos ou caminhadas são essenciais para evitar inúmeras doenças, principalmente a trombose, pois são as formas mais eficientes de combater os incômodos causados pela má circulação. Lembrando que a atividade física deverá ser orientada por um profissional”, finaliza.

Fonte: Rede de Hospitais São Camilo

Café da manhã equilibrado previne diabetes e doenças cardiovasculares

A refeição além de dar mais disposição, ajuda a evita excessos e consequentemente o sobrepeso

O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia, isto você já sabe. Responsável por conceder a energia necessária para a realização das atividades diárias, a refeição também mantém a pessoa alerta, disposta e com o metabolismo funcionando bem — durante a noite, para que o corpo consiga descansar, o metabolismo se torna mais lento e a partir do desjejum, volta ao funcionamento normal.

Um estudo da Universidade Columbia, nos Estados, constatou que pessoas que pulam o café da manhã, tendem a beliscar mais durante o dia e principalmente à noite, o que pode favorecer o exagero de comida e consequentemente resultar em ganho de peso, inflamação e resistência à insulina favorecendo assim a diabetes e doenças cardiovasculares.

A especialista em Nutrição e Educação Física Sue Lasmar aponta que para que o café da manhã cumpra seu papel, ele precisa ser completo, rico em proteínas, minerais, vitaminas e carboidratos. “Comer bem durante a manhã evita que haja exageros na hora do almoço pois, ajuda a prolongar a sensação de saciedade”, explica.

Sue Lasmar aponta ainda que pular essa refeição também atrapalha o processo de emagrecimento. “Ao ficar sem comer, o corpo começa a fazer reservas de gordura e dificulta o ganho de massa muscular”, garante.

O que comer?

Pixabay

Mamão papaia: rico em fibras, essa fruta ajuda a fazer um desjejum correto, além de ser rico em vitamina C

Leite desnatado: com uma concentração baixa de gordura, o leite supre as necessidades de cálcio diárias.

Klacomas/Pixabay

Cereais e pães: opte por integrais, que fornecem fibras e antioxidantes para a dieta. O consumo também garante o bom funcionamento intestinal e previne doenças.

Mel’s Kitchen Cafe

Ricota: além de não ter altos teores de sódio, o queijo é rico em cálcio, vitaminas A, B, D e E, e outros minerais como zinco e iodo.

Frutas ou sucos de fruta naturais: fontes de vitaminas e minerais. O ideal é evitar colocar açúcar.

Probióticos: saiba mais sobre as bactérias do bem

Nutricionista do São Cristóvão Saúde explica seus benefícios e em quais alimentos podemos encontrá-los

Para quem desconhece ou tem dúvidas sobre os probióticos e seus benefícios, eles são organismos vivos que, quando ingeridos de maneira adequada, trazem benefícios à saúde e conferem ao alimento a capacidade de ser considerado funcional, ou seja, oferecem benefícios para a saúde que vão além da sua função nutricional.

Os benefícios dos probióticos são diversos, como:
=combater e prevenir doenças intestinais e hemorroidas;
=melhorar a digestão;
=combater a azia, a prisão de ventre e a diarreia, com a regulação do intestino;
=fortalecer o sistema imunológico;
=impedir a proliferação de bactérias ruins no intestino;
=ajudar a digerir a lactose;
=prevenir problemas como alergias e intolerâncias alimentares;
=e ajudar a melhorar o humor, uma vez que foi identificada uma relação direta entre o equilíbrio da flora intestinal com uma diminuição de doenças como a depressão e a ansiedade.

Segundo a Supervisora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, alguns estudos demonstraram que as cepas de probióticos trazem benefícios e colonizam o intestino: “O uso deve ser contínuo e, para manter os benefícios, o ideal é que o consumo dos probióticos ocorra diariamente, pois eles não sobrevivem por muito tempo no intestino. Além disso, os estudos demonstraram benefícios com o consumo diário de no mínimo 10 UFC por dia, quantidade que é, em geral, alcançada pelos fabricantes.”

Em geral, os suplementos de probióticos são bastante prescritos por médicos ou nutricionistas quando a flora intestinal está em desequilíbrio, seja pelo uso de medicação ou por alimentação inadequada. Porém o ideal é que o consumo seja feito através dos alimentos fonte e que faça parte de uma alimentação saudável.

Neste caso eles podem ser encontrados nos seguintes alimentos: “Nos leites fermentados, como os iogurtes, coalhadas, queijos e sobremesas lácteas, que sofrem ação de bactérias, especialmente produtoras de ácido lático, além de Kefir e picles”, afirma a nutricionista.

Fonte: Grupo São Cristóvão Saúde

Álcool gel e doenças da pele: dermatologista dá dicas de como prevenir

A segunda onda do novo coronavírus chegou e é hora de redobrar os cuidados que já eram obrigatórios. Entre as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), está a higienização frequente das mãos por meio do álcool gel, o que acaba ressecando a pele. Além do ressecamento normal causado pela substância, a pele também pode apresentar coceira, descamação e até feridas.

Para ajudar prevenir essas doenças dermatológicas e minimizar desconfortos causados pelo álcool gel, a dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Nádia Bavoso, dá algumas sugestões:

=Sempre que possível, higienize as mãos com água e sabonete, de preferência produtos que tenham componentes com mais hidratação e menos detergentes (sabonetes neutros). Esses produtos costumam ter o pH mais equilibrado para a pele sensível. Deixe o álcool para situações na rua e para higienizar as compras, por exemplo;

Foto: Anastasia Gepp/Pixabay

=Use luvas sempre que for trabalhar com produtos de limpeza e até mesmo lavar a louça. O detergente é feito para tirar a gordura dos pratos, talheres etc., mas também acaba tirando um pouco da proteção da pele das mãos. Se a região está ressecada, as chances de irritação são bem maiores;

=Hidrate muito a região das mãos e braços (até perto do cotovelo). O álcool resseca, lavar excessivamente também pode ressecar e ainda tem o fator do clima que, em muitas regiões do Brasil, pode ser mais seco em determinadas épocas do ano. Prefira sempre cremes à base de água e emolientes como a ureia, o ácido hialurônico e o D-pantenol. Os produtos à base de óleo deixam a pele macia, mas não repõe água – e se a região já estiver irritada, pode piorar. Dica: lambuze as mãos com hidratante e coloque suas luvas descartáveis ou reutilizáveis e deixe por 15 minutos antes de dormir. Isso ajuda a intensificar a hidratação em um momento que a pele não será exposta e vai ficar algumas horas sem receber álcool ou água;

=Use protetor solar diariamente e reaplique toda vez que lavar as mãos e for se expor ao sol, mesmo que seja por poucos minutos. Com a pele mais sensível, a exposição solar, mesmo que por poucos minutos, pode causar queimaduras na região. Além disso, vale ressaltar que o câncer de pele atinge cerca de 200 mil brasileiros por ano e a principal forma de prevenção é com o uso correto de protetor solar;

By Pink

=Faça uma esfoliação suave nas mãos uma vez por mês. Isso ajuda a renovar as células e deixar a pele mais saudável. Você pode usar produtos específicos para a mão ou seguir essa receitinha:

  • Uma colher de sopa de aveia em flocos finos
  • Uma colher de sopa de mel
  • Misturar os ingredientes e aplicar sobre a pele fazendo movimentos leves. Deixar agir por 15 minutos e enxaguar apenas com água. O protetor solar deve ser aplicado em seguida.

“Essas dicas ajudam muito a prevenir o sofrimento da pele na região das mãos, uma área tão sensível. Mas vale reforçar que se a irritação, descamação ou feridas persistirem por mais de 15 dias, é importante buscar um Dermatologista de confiança para avaliação. Às vezes é preciso entrar com algum medicamento local para abreviar o desconforto. Mas isso só uma avaliação médica poderá definir. A automedicação não é uma opção”, explica Nádia.

Fonte: Nádia Bavoso é dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem mestrado pela mesma instituição e faz parte do corpo docente da Unifenas (BH). É sócia da Clínica Eveline Bartels, uma das mais conceituadas em medicina estética de Belo Horizonte.

Seis chás para amenizar sintomas da menopausa

A nutricionista Angela Federau lista seis opções naturais que ajudam as mulheres a ganharem qualidade de vida nesse período

A menopausa é um marco na vida da mulher. A última menstruação acontece, geralmente, entre 45 e 55 anos, marcando o fim da fase reprodutiva. Ela pode vir mais cedo ou mais tarde, porém, acompanhada com frequência por sintomas desagradáveis, e até mesmo traumáticos para a mulher como: ressecamento vaginal, perda da libido, depressão, ondas de calor, insônia e dores musculares, entre outros.

“Vários tratamentos farmacológicos são procurados por mulheres em menopausa, com objetivo substituir os hormônios que baixam de nível nesta fase da vida. Entretanto, estudos recentes mostram que existem opções naturais que podem cumprir o papel dessa reposição hormonal”, enfatiza Angela Federau, nutricionista.

Para ajudar a melhorar a qualidade de vida das mulheres, Angela preparou uma lista com seis chás de ervas naturais que podem atuar amenizando os sintomas da menopausa. Confira:

Chá de folha de amoreira

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A folha de amoreira tem vários compostos químicos que ajudam a regular os hormônios femininos. Além de propriedades que amenizam os sintomas mais desagradáveis da menopausa. Pode ser consumido quente ou frio, de preferência em menos de 24 horas após ser feito, e a infusão é normalmente feita com uma colher de sopa de folhas de amoreiras secas em um litro de água.

Chá de aquileia, alquemila e sálvia

A sálvia tem propriedades calmantes antioxidantes e ansiolíticas. A alquemila melhora o trânsito intestinal e seus flavonoides ajudam a repor níveis hormonais. A aquileia mantém a hidratação natural da pele que fica dificultada na menopausa e tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. O chá deve ser feito com a infusão de quatro colheres de chás das três folhas secas em um litro de água.

Chá de hipericão

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O chá de hipericão é excelente no combate dos sintomas dos sintomas da menopausa, principalmente no que diz respeito a mudanças de humor. Em resumo, a planta alivia a ansiedade e estresse decorrentes de mudanças hormonais.

Chá de erva-de-são-cristóvão

A erva-de-são-cristóvão também chamada de cimicifuga ajuda na regulação do ciclo menstrual. Além disso, ela alivia as ondas de calor comuns no climatério e menopausa.

Chá de Ginseng

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É uma raiz de prioridades potentes e seu chá pode aliviar ondas de calor e ansiedade. Ela é anti-inflamatória e pode ajudar no controle do peso, ou seja, aliviando o ganho de peso que comumente acontece nessa fase.

Chá de Trevo-vermelho

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É um tipo de leguminosa rica em isoflavonas, substâncias também presentes na soja. Excelente para o alívio dos sintomas da menopausa. O chá deve ser feito em forma de infusão.

Fonte: Angela Federau é nutricionista clínica, pós-graduada em fitoterapia aplicada à nutrição, especializada em nutrição funcional, pediátrica e escolar. É palestrante, escritora de livros, artigos e colunas em jornais e revistas. Nutricionista responsável pela APSAM – Associação Paranaense Superando a Mielomeningocele. Além disso, a nutricionista é empresária do segmento alimentício e atua como parceira da Polícia Militar do Paraná e de clínicas de fertilidade.

Quando deve-se iniciar a reposição hormonal?

Médica ginecologista Marcella Marinho detalha todos os passos para a mulher fazer a terapia e ter melhor qualidade de vida

A partir dos 35 anos toda mulher inicia um processo de declínio hormonal. Ao longo dos anos e progressivamente, essa menor produção natural dos hormônios começa a causar sinais e sintomas de maneira singular em cada organismo.

A médica ginecologista Marcella Marinho explica que a menopausa é culturalmente o grande marco, e é mais fácil de ser lembrada por se tratar de um evento único: trata-se da última menstruação. “Porém, muitas são as mulheres que entre os 48 e 55 anos sofrem com as consequências desse declínio hormonal. Esse período de transição da vida reprodutiva à senilidade, chamamos de climatério”, esclarece.

Segundo Marcella, os principais hormônios impactados nesta fase da vida da mulher são os estrogênios, embora também a testosterona seja afetada — sim, a mulher também tem esse hormônio.

Ela alerta para a importância da mulher realizar seus exames com uma periodicidade mais exigente e com um especialista, não apenas pelos desagradáveis sintomas como ondas de calor, sangramento irregular, fadiga, libido diminuída, distúrbios do sono, secura vaginal, incontinência urinária, dor na relação sexual, dificuldade de perder peso, perda da elasticidade da pele, irritabilidade, sintomas depressivos e falta de concentração e memória.

Segundo a médica, tratar esses sintomas e promover a qualidade de vida da mulher já é um benefício incontestável. Mas também é muito importante saber que o estradiol é um hormônio que atua em outros órgãos do corpo, como protetor cardiovascular, mantém a densidade mineral óssea, atua no estímulo de colágeno na pele, reduz o LDL (colesterol ruim), aumenta o HDL (colesterol bom), eleva a capacidade de concentração e memória, estimula o sono REM, mantém a elasticidade das artérias, melhora a resistência à insulina, entre outros benefícios.

Marcela ainda informa que a reposição hormonal bem indicada pode promover saúde e diminuir o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, doença de Alzheimer, obesidade, distúrbios da memória, diabetes, cardiopatias e também alguns tipos de câncer, como o colorretal.

Quando fazer o tratamento

A reposição hormonal é indicada para alívio sintomatológico, promover qualidade de vida e prevenir outras doenças e seus agravos. Segundo a médica, a clínica é soberana na decisão de quem deve ou não fazer a terapia. “Os exames complementares de sangue e imagem são ferramentas para acompanhar com segurança este tratamento”, recomenda.

A médica ginecologista ainda ressalta que algumas mulheres não apresentam queixas e passam por esse período com tranquilidade. Porém, isso não significa que elas não precisem manter hábitos saudáveis e seus exames em dia. “A ausência de sintomas nem sempre significa imunidade à doenças. E o climatério é uma fase que aumenta o risco de neoplasias, como câncer de mama, ovário ou útero. Por isso, é importante manter o rastreamento, pois um diagnóstico precoce será o grande diferencial de sucesso nos tratamentos”, adverte.

Segundo o último consenso publicado pela Sociedade Brasileira de Climatério em 2018 são contraindicações ao uso de terapia de reposição hormonal o sangramento vaginal não explicado, doença hepática ativa grave, antecedentes de câncer de mama ou de endométrio, doença coronariana, acidente vascular cerebral, demência, porfiria cutânea tarda e hipertrigliceridemia.

O lúpus eritematoso sistêmico e o risco elevado de doença tromboembólica venosa são consideradas contraindicações relativas. Portanto, nesses casos, cabe ao médico optar pela administração transdérmica após realizar uma avaliação e expor claramente ao paciente todos os riscos e os benefícios. “É uma decisão em conjunto”, finaliza Marcella.

Fonte: Marcella Marinho é especialista em ginecologia e obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). É pós graduada em Laparoscopia e Histeroscopia pelo Hospital do Servidor Estadual (Iamspe), em Sexualidade Humana pela USP, em Ciências da Longevidade Humana – Grupo Longevidade Saudável e pós graduanda em Nutrologia pela Instituto Israelita de ensino e pesquisa Albert Einstein. Realiza acompanhamento preventivo de mulheres, priorizando o atendimento integral em todas as fases da vida, da adolescência até a menopausa.