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Transplante de fezes pode ser o recomeço de uma vida

Procedimento, que consiste em colonizar novamente o organismo com bactérias saudáveis, traz mais qualidade de vida para autistas, depressivos e pessoas que tiveram a microbiota intestinal destruída pelo uso excessivo de antibióticos

O transplante de fezes é um dos assuntos abordados pelo farmacêutico, bioquímico e pós-doutor em microbiologia, Alessandro Silveira, em seu livro “O lado bom das bactérias – O poder invisível que fortalece sua defesa natural para ter uma vida mais feliz e longeva”, recém-lançado pela Editora Gente. Trata-se de intervenção externa empregada em casos específicos, por exemplo, quando o uso recorrente de antibióticos causou estragos permanentes às bactérias do intestino de um indivíduo. “A premissa do transplante de fezes é retirar todas aquelas bactérias prejudiciais e fazer uma nova colonização com a microbiota boa”, explica Silveira.

É preciso, antes de tudo, conforme diz Silveira, esclarecer a importância das bactérias boas presentes no organismo humano para o bom funcionamento do sistema imunológico. A microbiota intestinal, especificamente, é a responsável por formar uma barreira no órgão, que impedirá a ação de microrganismos nocivos capazes de gerar inflamações e doenças.

A alimentação saudável – restringindo industrializados e ultraprocessados, ricos em açúcar – é um dos fatores chave para alimentar as bactérias boas do organismo, que contribuem para a promoção de saúde. Entretanto, alimentar-se de maneira adequada e mudar o estilo de vida (ter bom sono, praticar exercícios físicos, evitar estresse etc.) exige mudança de hábitos e leva algum tempo para que ocorra a colonização por bactérias adequadas. Nesses casos o transplante de fezes é uma boa opção.

Antes de tudo, para realizar o procedimento, é necessário encontrar um doador. Ele precisa ter um perfil bacteriano específico. Não à toa, o mais comum é escolher familiares pois são pessoas cujo histórico de vida é conhecido ficando mais fácil atestar saúde. Mesmo assim, é preciso provar que tem a microbiota saudável. Se nasceu de cesárea ou parto normal, qual a dieta alimentar, o histórico de doenças, se exames detectaram hepatite, HIV, rotavírus, giardia e outras parasitoses, tudo isso será levado em conta para classificar a pessoa como um doador.

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O procedimento, apesar de simples, só pode ser realizado após indicação clínica e sob supervisão médica direta. Um dos modos de fazer o transplante é por meio de uma colonoscopia: as fezes do doador (preparadas por um microbiologista) são colocadas em um mixer e diluídas no soro e posteriormente borrifadas, por meio de uma seringa, nos intestinos grosso e delgado durante 30 minutos. Silveira informa que o procedimento apresenta resultados instantâneos.

Até por isso já é usado em muitos países como coadjuvante no tratamento de diversas doenças tais como obesidade, doenças crônicas, depressão, TDAH, autismo e obesidade, Na Europa, por exemplo, alguns consórcios já trabalham com banco de fezes. Por sua vez, no Brasil, este procedimento é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas para tratamento de infecção por Clostridioides difficile, bactéria responsável por doenças gastrointestinais associadas a antibióticos, que variam desde uma diarreia até uma colite pseudomembranosa.

Entusiasta do transplante de fezes, Silveira defende o uso do procedimento no Brasil para tratamento de outras doenças, além das causadas pela Clostridioides difficile, assim como ocorre na Europa, por exemplo. Isso seria simples de ocorrer, desde que houvesse uma forte regulamentação, obedecendo critérios rigorosos para a seleção dos doadores. “Para doar sangue é preciso, inicialmente, responder um longo questionário e, depois de aprovado, passar por exames de sangue. Por que não podemos ter um protocolo semelhante para o transplante de fezes?”, indaga.

Silveira explica que, mesmo não sendo regulamentado pela Anvisa, o transplante de fezes não é proibido no Brasil, desde que seja recomendado e avalizado por um médico. O profissional conhece algumas pessoas que fizeram e obtiveram bons resultados com o procedimento. É o caso de um amigo médico neurologista, que já defendia a utilização do intestino como ferramenta de intervenção para problemas neurológicos, e decidiu avaliar os benefícios do transplante de fezes em si próprio, com o aval de seu gastroenterologista.

O neurologista apresentava sintomas relacionados a uma microbiota doente, tais como insônia, TDAH, síndrome intestino irritável e resistência insulínica – apesar de não ser diabético, sua glicose em jejum era alta. Fez inúmeras tentativas para diminuir a inflamação intestinal, tais como a prática de atividade física e a ingestão de alimentos probióticos e prebióticos, nenhuma intervenção foi bem-sucedida.

Sabia que o seu problema era o microbioma, porque o seu histórico de vida apontava para isso. Seu parto fora realizado por cesárea, na infância havia consumido muitos antibióticos para combater constantes inflamações de ouvido e seus refluxos foram sempre combatidos por altas doses de Omeprazol. Tudo isso fez o neurologista optar pelo transplante de fezes, que resultou, segundo ele, em uma inversão inacreditável de seu microbioma. Além da inflamação diminuir, seu intestino começou a funcionar normalmente, o sono melhorou, a glicose voltou o lugar e sua mente ficou mais focada.

Não obstante os ótimos resultados, Silveira pondera que o transplante de fezes não pode ser visto como uma salvação milagrosa. Conforme o autor do livro “O lado bom das bactérias”, o procedimento funciona como se a pessoa estivesse reiniciando o sistema operacional do computador. “A transferência de bactérias vivas traz um resultado efetivo, mas fugaz. Trata-se de uma estratégia para ser empregada em momentos pontuais, mas não se pode e nem deve depender dela para uma vida mais saudável”, afirma. Nesse sentido, o procedimento é uma nova chance para rever e mudar os hábitos cotidianos. “Somente adotando um estilo de vida mais saudável será possível obter resultados duradouros”, garante.

Sobre Alessandro Silveira

Graduado em Farmácia-Bioquímica pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), doutor em Ciência Médicas pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pós-doutor em Análises Clínicas, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Atualmente é professor titular de Microbiologia Clínica para os cursos de Medicina, Farmácia e Biomedicina da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), em Santa Catarina.

Desempenha, ainda pela FURB, as funções de consultor técnico de Microbiologia Clínica e Bacteriologia Clínica e coordenador do curso de Especialização em Bacteriologia Clínica. Atua também como coordenador de Microbiologia Clínica da Sociedade Brasileira de Microbiologia (SBM), gestor da Microbiologia do Ghanem Laboratório de Joinville e consultor de Microbiologia Clínica e Molecular na DASA. Suas linhas de pesquisa incluem a análise metagemônica do microbioma intestinal e a detecção da diminuição da susceptibilidade de Staphylococcus aureus à vancomicina.

O lado bom das bactérias
Autor: Alessandro Silveira
Subtítulo: O poder invisível que fortalece sua defesa natural para uma vida mais feliz e longeva
Formato: 16cmx23cm
Editora: Gente
Páginas: 192
Preço de capa: R$ 44,90

Saiba como aliviar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável

Presente em até 20% da população, desordem afeta a qualidade de vida e pode ser tratada com ajustes na alimentação

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) está presente na vida de até 20% da população adulta brasileira, mas muitas pessoas ainda vivem com o desconforto sem serem diagnosticadas. Com sintomas que incluem dores, inchaço abdominal e episódios intercalados de constipação e diarreia, o distúrbio não é considerado uma doença, mas traz perda na qualidade de vida.

“A síndrome causa uma desordem funcional no intestino, mas não provoca nenhuma alteração ou lesão que possa ser detectada em exames. É mais comum em mulheres e pode estar diretamente relacionada a momentos de estresse emocional. E embora não haja nenhum exame para comprovar a SII, é preciso procurar o médico para excluir a possibilidade de outras doenças”, explica a nutricionista ortomolecular Claudia Luz, da Via Farma.

Após feito o diagnóstico por eliminação, é possível amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida por meio de algumas mudanças nos hábitos, principalmente na alimentação. “Já que a síndrome também pode ser agravada por gatilhos emocionais, em alguns casos também são indicadas abordagens terapêuticas para aliviar o estresse e a ansiedade, além de acompanhamento psicológico”, pontua a nutricionista.

Cuidados essenciais

As causas da Síndrome do Intestino Irritável ainda não são completamente esclarecidas, mas acredita-se que sua origem seja multifatorial. “Além da alimentação e da questão emocional, a desordem também pode estar ligada a fatores genéticos e desequilíbrios na flora intestinal” explica Claudia. Por isso, o tratamento adequado deve contar com um acompanhamento multidisciplinar, que inclua o médico e também o nutricionista.

A mudança da alimentação é um dos fatores mais importantes, já que algumas escolhas na hora das refeições podem piorar os sintomas. “Estudos têm mostrado que dietas ricas em alimentos altamente fermentáveis, conhecidos no meio científico como FODMAPs, trazem pioras significativas nos quadros de SII. Por isso, uma das estratégias nutricionais indicadas é justamente reduzir o consumo desses alimentos”, diz Claudia.

O grupo dos FODMAPs é grande, e inclui desde alguns tipos de frutas até leite e derivados, leguminosas e carboidratos. De acordo com a especialista, a dieta para reduzir o consumo desses alimentos pode amenizar as crises intestinais, mas não deve ser feita por muito tempo e precisa do acompanhamento de um nutricionista.

Dentro do plano alimentar, é preciso priorizar as opções naturais, dando atenção especial à hidratação ao longo do dia. E na hora de temperar os preparos, também é importante dar preferência aos condimentos naturais, já que as versões industrializadas podem ser prejudiciais para a saúde do intestino e do organismo como um todo. Para potencializar os resultados de uma alimentação balanceada, a suplementação de probióticos também pode ser indicada pelo nutricionista e desenvolvida de forma personalizada em farmácias de manipulação.

“O uso desse tipo de nutracêutico é muito eficaz no reequilíbrio da flora intestinal e no alívio de dores, distensões, constipação e diarreia. A cepa Saccharomyces cerevisiae (Bowell), por exemplo, conta com estudos que apontam a melhora dos sintomas nos primeiros 15 dias de uso”, finaliza Claudia.

Fonte: Via Farma

Pandemia aumenta casos de gastrite e síndrome do intestino irritável

No HCor, internações pelas doenças gastrointestinais cresceram 15%; cirurgião do aparelho digestivo do hospital relata maior presença de pacientes com esses quadros também nos ambulatórios

Estresse, má alimentação, ingestão de álcool e automedicação. Todas essas circunstâncias ampliadas durante a pandemia podem estar motivando o aumento de casos de gastrite e síndrome do intestino irritável (SII) neste último ano.

Um levantamento epidemiológico do HCor, hospital multiespecialista em São Paulo, apontou um crescimento de 15% nas internações de pacientes com um desses dois diagnósticos. Nos consultórios, segundo o cirurgião do aparelho digestivo da instituição, André Siqueira, o movimento não foi diferente. A análise utiliza dados de 2019 em comparação ao ano de 2020.“Temos visto no ambulatório um maior número de casos de pessoas com problemas gastrointestinais, sobretudo gastrite e síndrome do intestino irritável, que são doenças muito relacionadas ao estresse, de grande fundo emocional”, comenta.

Para o médico, no curto prazo, é possível que esses pacientes tenham apresentado dores de estômago e alterações do ritmo intestinal, por exemplo. Agora, com mais de um ano de pandemia, os quadros chegaram a diagnósticos mais específicos e até mesmo agravados.

Apesar de considerar as questões emocionais o principal fator para essa crescente de casos, Siqueira relembra que os hábitos alimentares da população durante o isolamento sofreram mudanças significativas, sem falar nos relatos de pessoas que passaram a consumir bebidas alcoólicas mais frequentemente – ou até diariamente.

“Vale lembrar também que o medo de procurar ambientes hospitalares e a tentativa de se prevenir da Covid-19 levou muita gente a se automedicar, e que alguns remédios têm como efeitos colaterais comuns impactos no aparelho digestivo”, destaca.

Gastrite e síndrome do intestino irritável: como diagnosticar

A gastrite é uma inflamação, infecção ou erosão no revestimento do estômago, podendo ser aguda (com duração de pouco tempo) ou crônica. O quadro é manifestado por sinais como indigestão, queimação, vômitos ou dores abdominais.

O diagnóstico da doença costuma considerar o histórico clínico do paciente e ser complementado com a realização de endoscopia. O exame é feito sob sedação, através de um tubo flexível que possui um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo por meio de uma câmera.

Já a síndrome do intestino irritável, ou síndrome do cólon irritável, é um distúrbio na motilidade intestinal (capacidade que o intestino tem de realizar movimentos autônomos). A doença é caracterizada por episódios de desconforto abdominal, dor, diarreia e prisão de ventre, presentes pelo menos durante 12 semanas, consecutivas ou não.

Embora não exista um exame específico para diagnóstico da síndrome, alguns testes podem ser propostos para descartar a existência de doenças similares. São eles: exames de sangue, cultura de fezes e colonoscopias, esse último realizado também sob efeito sedativo, de forma indolor.

“A colonoscopia é um exame que permite observar o revestimento interno do intestino grosso e a parte final do intestino delgado. O procedimento requer dieta prévia e o uso de laxativos mais fortes para a limpeza do conteúdo intestinal, porém, para minimizar o mal estar durante a preparação, o paciente pode optar por fazer o preparo dentro do ambiente hospitalar, com acompanhamento especializado”, explica Paula Poletti, médica endoscopista do HCor.

Hábitos saudáveis e cuidados com a saúde mental

Algumas mudanças no estilo de vida podem melhorar o funcionamento do aparelho digestivo, tais como preferir os alimentos naturais – que possuem alto valor nutricional – e evitar os industrializados, que são extremamente calóricos e contêm aditivos artificiais que prejudicam a saúde.

Além disso, diminuir o consumo de sal, açúcar e gorduras hidrogenadas e aumentar a ingestão de fibras é recomendado em qualquer fase da vida.

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Dentre outros hábitos saudáveis, o cirurgião pontua a importância de comer devagar e mastigar bem os alimentos; não fazer refeições distraído, enquanto conversa, assiste televisão ou faz qualquer outra atividade; e tomar uma quantidade adequada de líquido ao longo do dia, para ter uma boa hidratação.

Fora da mesa, para combater o estresse, a recomendação é reservar alguns momentos do dia para relaxar, além de praticar exercícios regularmente e investir em boas noites de sono.

Fonte: HCor

Como doenças funcionais do aparelho digestivo impactam na qualidade de vida do paciente*

A maioria das pessoas não sabe que o maior e mais complexo sistema do corpo humano é o aparelho digestivo. Constituindo-se por um longo tubo que começa na boca, passa pelo esôfago, segue pelo estômago, intestino delgado, intestino grosso e, por fim, o esfíncter anal, além de estar ligado a dois importantes órgãos: o fígado e o pâncreas.

Esta maravilhosa máquina é capaz de executar muitas funções independentes em cada setor, mas, de alguma maneira, estão interligadas. Podemos compará-la à regência de uma orquestra, composta por vários instrumentos que, juntos e em perfeita harmonia, produzem um concerto encantador. Da mesma maneira, o aparelho digestivo produz o milagre da perpetuação de nossa espécie por meio da manutenção do processo de absorção e transformação dos vários elementos nutritivos necessários à nossa vida.

Representando o grande maestro, temos o sistema nervoso entérico (SNE). Uma complexa rede, formada por neurônios e gânglios nervosos, denominados plexos, que se interligam e executam multitarefas com relação à condução, absorção de proteínas, gorduras, vitaminas e eliminação de produtos desprezados pelo processo de excreção. Há também o mecanismo de reciclagem, como é o caso do ferro, no qual aproveitamos 98% daquilo que perdemos, em função da sua reabsorção no intestino grosso.

Outra comparação que podemos fazer é à uma fábrica, em que as máquinas e engrenagens são orientadas por um sistema micro e comandados por um sistema maior. No caso do sistema digestivo, o cérebro (sistema nervoso central) ajuda a regular algumas funções. O termo “eixo cérebro intestinal” representa esta interação e, por meio dele, é possível observar que um sistema influencia o outro.

Por exemplo, quando subimos em uma montanha russa e estamos no ponto mais alto do brinquedo, sentimos um “frio na barriga”, que nada mais é do que uma manifestação da emoção, do medo, causado pelo nervo vago que emerge do sistema nervoso central e que excita o sistema nervoso entérico e produz a sensação de desconforto na região central da barriga.

Portanto, podem existir múltiplos pontos para o descontrole deste complexo sistema. Como é uma rede interligada, para algumas funções é preciso que outras aconteçam antes, durante ou depois do processo digestivo.

Para se ter uma ideia, uma alimentação mal mastigada tem dificuldade de ser transportada no esôfago e, quando chega ao estômago, demora para ser digerida. Por conta disso, o processamento do alimento é dificultado, atingindo os intestinos que ainda não estão prontos para a absorção de nutrientes e podem, eventualmente, influenciar o funcionamento intestinal para mais ou para menos. Muitas situações são decorrentes dos nossos hábitos de vida, do tipo de alimentação, podem ser consequências de outras doenças, pós estados tóxicos ou infecciosos ou por alteração de estados emocionais. Existem vários fatores em conjunto e individuais que podem determinar uma disfunção em um setor específico ou então em vários que se interdependem.

As doenças funcionais digestivas constituem o maior contingente de motivos para consultas e exames em todo o mundo, pois são universais, atingindo todas as etnias, classes sociais e faixas etárias.

Podemos dizer que as síndromes mais frequentes são a Dispepsia Funcional, a Síndrome do Intestino Irritável e a Constipação Intestinal Funcional. Como característica principal e comum entre elas, apresentam sintomas diários ou intermitentes que tiram a qualidade de vida do indivíduo, com longa duração, menos ou mais intensos, impedindo que as pessoas atingidas por essas síndromes tenham uma vida com mais conforto.

Dispepsia Funcional

Foto: MD-Health

Caracterizada por sintomas que sugerem o acometimento do estômago ou do duodeno na ausência de qualquer anormalidade de natureza orgânica, estrutural ou metabólica que possa explicar o quadro. Os sintomas mais comuns são dor na região do estômago, difícil digestão, peso ou de estufamento no abdômen alto, regurgitação e arrotos frequentes.

Síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável caracteriza-se pela combinação dos principais sintomas: dor ou desconforto abdominal e alterações bem definidas do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Essas manifestações têm intensidade variável, piorando com alguns tipos de alimentação em determinadas épocas de vida. Não existem também alterações estruturais ou orgânicas que os justifiquem.

Constipação Intestinal Funcional

Muito frequente em nossa era, a constipação intestinal funcional caracteriza-se pela dificuldade de evacuar em diferentes intensidades, com presença de fezes endurecidas, havendo muito esforço para o movimento evacuatório, associada com frequência à sensação de abdômen inchado e dor no baixo ventre.

Diagnóstico

Para diagnosticar qualquer doença funcional, o médico tem que excluir causas orgânicas mais graves como inflamações, tumores ou doenças metabólicas. Para isso, é necessário solicitar exames especializados, que são realizados muitas vezes ao longo da vida de um indivíduo.

Neurogastroenterologia

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As doenças funcionais são um grande desafio e derivaram uma nova especialidade: a neurogastroenterologia. Temos evoluído muito nos últimos anos no conhecimento para a compreensão destas alterações, mas ainda há um longo caminho para percorrer até o entendimento de toda a complexidade.

É possível afirmar que cada paciente tem um perfil geral comum, mas com respostas distintas, evolução em tempos diferentes, podendo-se dizer que cada um tem a sua doença funcional e o desafio do médico é saber interpretar e entender como funciona ou não o maior órgão do corpo humano naquele indivíduo.

*Ricardo Guilherme Viebig é Diretor Técnico do Núcleo de Motilidade Digestiva de Neurogastroenterologia (MoDiNe) do Hospital IGESP e Presidente da Sociedade Brasileira De Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia.

Como as técnicas de massagem podem aliviar a constipação

É possível realizar massagem para alívio da constipação em casa sem equipamento. Envolve uma leve pressão sobre os músculos e órgãos envolvidos na eliminação dos resíduos. Embora não haja prova conclusiva de que a massagem para constipação funcione, algumas evidências sugerem que ela pode fornecer alívio. As massagens geralmente não são perigosas, podem proporcionar alívio e melhorar o bem-estar, independentemente de ajudarem na constipação, por isso pode valer a pena tentar.

Este artigo explora quais técnicas de massagem podem aliviar a constipação e como realizá-las.

O que é prisão de ventre?

A constipação ocorre quando uma pessoa tem dificuldade para evacuar. Os sintomas podem variar, mas uma definição comum é ter:

menos de 3 movimentos intestinais em uma semana
fezes duras ou encaroçadas
dor ao evacuar
sensação de que nem todas as fezes passaram

Massagem pode proporcionar alívio?

Massagens abdominais podem ajudar a aliviar a constipação. Pequenos estudos apoiam o uso da massagem terapêutica para ajudar com essa condição. Abaixo estão vários tipos e os efeitos no alívio da constipação.

Massagem abdominal

Existem algumas evidências de que massagens abdominais podem ajudar a aliviar sintomas da constipação. Em uma revisão mais antiga, pesquisadores descobriram que estudos mostraram resultados geralmente favoráveis ao realizar massagens abdominais para constipação.

No entanto, os autores mencionam que a pesquisa tinha falhas metodológicas, incluindo as massagens que os participantes usaram, quem recebeu a massagem e os tamanhos dos testes. Embora a maioria dos estudos seja pequena, a evidência geralmente é positiva.

Como fazer massagem abdominal

Para realizar uma massagem abdominal:

Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés plantados no chão.
Comece a massagem no lado direito próximo ao osso pélvico e aplique pressão em movimentos circulares, trabalhando as mãos até a caixa torácica.
Mova as mãos para o lado esquerdo, continue trabalhando-as até o osso do quadril, depois volte para cima em direção ao umbigo.
Repita conforme necessário.

Massagem do cólon para constipação

Embora as pessoas possam traçar paralelos com a massagem do cólon e a abdominal, a principal diferença parece ser a quantidade de pressão aplicada. Os médicos afirmam que a massagem do cólon é uma técnica abdominal profunda para estimular os órgãos a liberar gás e pressão.

Não está claro se os pesquisadores usaram massagens abdominais profundas ou massagens abdominais em seus estudos. Também é incerto se eles examinaram especificamente uma massagem do cólon ou a diferença entre aplicar pressão profunda e massagem regular.

A massagem do cólon é semelhante a uma massagem abdominal. Para executar a técnica:

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Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés no chão
Use os nós ou as pontas dos dedos para aplicar pressão no lado esquerdo, indo da caixa torácica até o osso pélvico.
Em seguida, comece no lado direito e trabalhe as pontas dos dedos para a esquerda sob a caixa torácica e, em seguida, mova as mãos para baixo até o osso pélvico.
Finalmente, no lado direito do estômago, massageie do umbigo até a caixa torácica, depois da esquerda para o outro lado e finalmente desça novamente até o osso pélvico.
Repita essas etapas de 10 a 15 vezes.

Outros tipos de massagem para constipação

Massagear outras áreas do corpo também pode ajudar na constipação. A seguir estão algumas dessas técnicas, juntamente com qualquer evidência de apoio.

Massagem nas costas

Foto: Yoel/MorgueFile

Embora as pesquisas sejam limitadas, o Institute for Integrative Healthcare sugere que a natureza interconectada dos músculos das costas e do cólon pode fazer com que as massagens nas costas ajudem com a constipação. Não existem estudos que examinem especificamente esse efeito, mas é improvável que este tipo de massagem cause danos, além disso, pode ajudar no relaxamento. Este é o tipo de massagem que você vai precisar de uma ajuda.

Massagem nos pés

Em um estudo de 2003 sobre reflexologia, os pesquisadores descobriram que as crianças que receberam uma massagem nos pés viram melhorias em sua constipação. Semelhante a outra pesquisa, este estudo foi pequeno, com apenas 50 participantes, o que significa que os resultados podem não ser os mesmos para todas as faixas etárias ou tipos de pessoas. Em um estudo mais recente, pesquisadores examinaram 60 adultos mais velhos para estudar os efeitos da reflexologia na constipação. Semelhante ao estudo em crianças, os cientistas encontraram resultados positivos usando essa técnica.

Para realizar reflexologia:

Sente-se em uma posição confortável com um pé cruzado sobre o joelho oposto para que eles possam tocar facilmente a planta do pé. Começando pelo meio do calcanhar, massageie com o polegar e trabalhe em direção à borda externa. Seguindo a borda do pé, continue aplicando pressão, movendo o polegar em direção ao meio do pé. Troque os pés e trabalhe do centro do pé na borda interna para a externa. Mova o polegar em direção ao calcanhar e finalize massageando a parte interna do meio do pé.

Massagem perineal

A massagem perineal usa um ponto de pressão entre a vagina ou escroto e o ânus para ajudar a aliviar a constipação. De acordo com um estudo de 2014 com 100 adultos, uma massagem perineal autoadministrada ajudou os participantes com a passagem das fezes e melhorou a qualidade de vida.

Para realizar uma massagem perineal:

use os dois primeiros dedos para aplicar pressão entre o ânus e o escroto ou vagina
aplique pressão em direção ao ânus
segure a pressão, libere e repita várias vezes

Dicas adicionais para aliviar a constipação

Existem vários métodos para aliviar a constipação ao lado ou em vez da massagem terapêutica. Esses remédios incluem:

mantendo-se hidratado
exercitando-se mais
mantendo uma programação regular de idas ao banheiro
comendo mais fibra
tentando laxantes osmóticos que puxam água para o intestino

Quando procurar um médico

Uma pessoa pode não precisar consultar seu médico se a constipação for resolvida dentro de algumas semanas após tentar métodos como remédios caseiros ou mudanças na dieta alimentar. As pessoas devem falar com um médico se os sintomas afetarem suas vidas diárias ou se houverem preocupações sobre sua condição.

Fonte: MedicalNewsToday

Estresse, depressão e ansiedade são gatilhos das crises da SII, afirma médica

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre a síndrome do intestino irritável e dá algumas dicas de alimentação e como ter uma vida mais saudável, mesmo tendo o distúrbio.

Ela começa explicando que síndrome do cólon irritável (outro nome dado à SII) é um distúrbio na motilidade intestinal, sem associação com alterações de estruturais do trato digestório, nem disfunções bioquímicas. Geralmente, se caracteriza por episódios de desconforto, dor e distensão abdominal, podendo estar acompanhados de diarreia e constipação.

Para Marcela, identificar a SII pode ser um pouco mais trabalhoso: “O diagnóstico não é fácil, pois ela pode ser confundida com algumas doenças mais graves, mas também não é tão difícil. O diagnóstico é essencialmente clínico, geralmente baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes verificados no exame físico e, eventualmente, na visualização direta do intestino por meio de colonoscopia, para descartar diagnósticos diferenciais”.

Para ela, os casos têm se tornado mais comum em consultórios porque o estresse é um fator desencadeante importante e, claro, esse sintoma tem aumentado muito atualmente. “Doenças psiquiátricas como depressão e ansiedade também são gatilhos das crises”, admite a médica. “Assim como hábitos alimentares, como o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e pró-inflamatórios aliados a um estilo de vida inadequado, com má qualidade de sono e sedentarismo”, completa.

Sabemos que muitas pessoas com a síndrome acreditam que ela seja causada apenas pela alimentação, mas há estudos que comprovam que o cérebro e as emoções são as origens. Marcella explica que no aparelho digestivo são sintetizadas a maior parte das substâncias chamadas neurotransmissores, como a serotonina, que atuam levando sinais e estímulos ao sistema nervoso e este manda sinais ao organismo para sintetizar mais ou menos deles.

“Essa comunicação entre o cérebro e o intestino deve ocorrer de forma adequada e depende de vários fatores, como dieta, equilíbrio da microbiota intestinal, prática moderada de atividade física, uma boa qualidade de sono e um controle adequado do estresse”, aconselha a médica.

E, como em outros problemas de saúde, as mulheres são as mais atingidas pela SII. Marcella admite que nesse caso, o problema pode estar ligado a outros, como a endometriose ou a piora dos sintomas durante o período menstrual: “A endometriose, por exemplo, é uma doença inflamatória que, por si só, pode ter sintomas parecidos com os do cólon irritável. Porém, se as duas disfunções estiverem presentes, os sintomas das duas situações serão exacerbados”, alerta.

Dieta FODMAP

Marcella explica o que é esta dieta: FODMAP é uma sigla para designar carboidratos osmóticos, geralmente fibras, que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas: fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols. São alimentos carboidratos fermentáveis não digeridos pelo trato digestivo humano, entre os principais estão os oligossacarídeos, fruto-oligossacarídeos (FOS) e galacto-oligossacarídeos (GOS), dissacarídeos como a lactose e monossacarídeos como a frutose. No grupo dos polióis estão principalmente o sorbitol e o manitol.

“A dieta de baixo FODMAP é prescrita temporariamente, até que os alimentos gatilhos sejam identificados, pois, como o aporte de prebióticos da dieta é baixo, se for mantida por muito tempo pode levar a quadros de constipação e disbiose (desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que reduz a capacidade de absorção dos nutrientes e causa carência de vitaminas). Por ser uma dieta que oferece riscos, deve obrigatoriamente ter orientação profissional”, frisa a médica.

Entre os alimentos ricos em FODMAPs, ela lista o xarope de milho, mel, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de frutas, leite de vaca, de cabra e de ovelha, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage, cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, chicória, alcachofra, beterraba, cenoura, quiabo, chicória, couve, lentilhas, grão-de-bico, feijão, ervilha, soja, damasco, pêssego, ameixa, lichia, couve-flor, cogumelos.

Para quem sofre com a SII, ela aconselha tratamento clínico com reeducação alimentar e mudanças de estilo de vida e o uso de medicamentos sintomáticos. Os tratamentos com probióticos suplementares específicos e individualizados também podem ajudar. “Porém, se os sintomas forem muito prevalentes, a pessoa deve procurar atendimento médico, para descartar outras patologias, identificar os gatilhos, reorganizar a dieta e o estilo de vida”, diz Marcella.

Ela enfatiza que a dieta é o ponto central tanto para desencadear os sintomas, se estiver desequilibrada, quanto para o tratamento por meio das mudanças de hábito alimentares.

Porém, não há nada mágico que possa ajudar: “Não há uma receita para o público em geral, porque os alimentos que são causadores de desconforto digestivo para alguns portadores de SII, não são para outros. Porém, uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível, aliada à boa ingestão de água e estilo de vida saudável são boas dicas para todos”, finaliza Marcella.

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Abran e docente do Curso Nacional de Nutrologia da entidade. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Como os antidepressivos afetam as bactérias intestinais?

Pesquisas recentemente publicadas  examinam os efeitos de drogas psiquiátricas, incluindo antidepressivos, na composição de bactérias intestinais de roedores e de humanos. Mais e mais estudos estão apoiando o papel da microbiota intestinal em condições psiquiátricas.

Ansiedade e depressão são apenas algumas das condições de saúde mental que os pesquisadores associaram a alterações na composição da microbiota intestinal.

Por exemplo, um estudo recente publicado pela Medical News Today listou uma variedade de bactérias que contribuem para a criação de compostos neuroativos no intestino – isto é, substâncias que interagem com o sistema nervoso, influenciando a probabilidade de desenvolver depressão.

Outra pesquisa em ratos mostrou que roedores criados para serem livres de germes desenvolveram sintomas de ansiedade e depressão e tornaram-se socialmente retraídos. Portanto, dado esse vínculo íntimo entre a saúde mental e a composição das bactérias intestinais, os medicamentos psiquiátricos que afetam o humor também afetam a população de bactérias no intestino?

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Pesquisadores liderados por Sofia Cussotto, da University College Cork, na Irlanda, começaram a investigar isso em roedores. Primeiro, a equipe “investigou a atividade antimicrobiana dos psicotrópicos contra duas estirpes bacterianas residentes no intestino humano, Lactobacillus rhamnosus e Escherichia coli“.

Os psicotrópicos nos quais os pesquisadores se concentraram incluem: fluoxetina, escitalopram, venlafaxina, lítio, valproato e aripiprazol. Em seguida, os cientistas testaram “o impacto do tratamento crônico com esses medicamentos” na microbiota dos ratos.

Sofia e sua equipe publicaram a primeira parte dos resultados no ano passado na revista Psychopharmacology. Eles já apresentaram suas descobertas completas no Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, em Copenhague, na Dinamarca.

Os resultados do primeiro estudo desse tipo

remedio pilula pixabay
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Os cientistas deram aos roedores medicamentos psiquiátricos por um período de quatro semanas, no final dos quais analisaram as composições da microbiota intestinal. Eles descobriram que o lítio e o valproato – ambos estabilizadores de humor que podem tratar doenças como transtorno bipolar – aumentaram o número de certos tipos de bactérias, como Clostridium, Peptoclostridium, Intestinibacter e Christenellaceae.

Por outro lado, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como os antidepressivos fluoxetina e escitalopram, interromperam o crescimento de cepas bacterianas como Escherichia coli. “Descobrimos que certos medicamentos, incluindo o estabilizador de humor lítio e o antidepressivo fluoxetina, influenciaram a composição e a riqueza da microbiota intestinal”, diz a cientista.

“Embora algumas drogas psicotrópicas tenham sido previamente investigadas em ambientes in vitro, esta é a primeira evidência em um modelo animal”  Sofia Cussotto

Implicações da nova pesquisa

cerebro microbioma shape magazine
Shape Magazine

Comentando de forma independente, Serguei Fetissov, professor de fisiologia da Universidade Rouen, na França, que não participou da pesquisa, oferece sua opinião sobre os resultados.

Ele diz: “Esses dados iniciais são intrigantes e dignos de uma investigação mais aprofundada. No momento, seria prematuro atribuir um papel direto das bactérias intestinais na ação dos medicamentos antidepressivos até que este trabalho possa ser reproduzido em seres humanos, o que autores agora esperam fazer. ”

De fato, Sofia e colegas estão atualmente tentando desvendar os efeitos que as drogas psiquiátricas podem ter sobre os indivíduos e, para esse fim, estão realizando um estudo observacional em larga escala em humanos.

“A composição da microbiota intestinal é muito sensível aos processos metabólicos do corpo e pode mudar naturalmente, por meio de mudanças metabólicas induzidas por drogas no cérebro e em outros órgãos”, explica Fetissov.

“Algumas das mudanças relatadas aqui, por exemplo, aumento de Christensenella, podem realmente ser benéficas, mas o significado geral das alterações da composição bacteriana induzidas por medicamentos na […] saúde metabólica e mental precisa de mais pesquisas”.

A pesquisadora principal do estudo também registra a importância dos resultados. “Existem várias implicações nesse trabalho”, diz ela.

“Primeiro de tudo, alguns estudos mostraram que pacientes deprimidos ou esquizofrênicos podem ter composição microbiológica alterada; portanto, drogas psicotrópicas podem funcionar nos micróbios intestinais como parte de seus mecanismos de ação. É claro que isso tem que ser provado”.

“Dado que os antidepressivos, por exemplo, funcionam em algumas pessoas, mas não em outras, a concessão de um subsídio para [o] microbioma pode alterar a resposta de um indivíduo aos antidepressivos. Por outro lado, os efeitos do direcionamento de microbioma podem ser responsáveis pelos efeitos colaterais associados ao esses medicamentos “. Sofia Cussotto

“Todas essas hipóteses precisam ser testadas em modelos pré-clínicos e em humanos, e este é o nosso próximo passo”, finaliza Sofia.

Fonte: MedicalNewsToday

Saciedade precoce: por que me sinto cheio tão rapidamente?

Quando uma pessoa come, os receptores nervosos dentro do estômago percebem quando ele está cheio. Esses receptores, então, enviam sinais ao cérebro, que os interpreta como uma sensação de plenitude. Esse processo ajuda a evitar excessos.

No entanto, algumas pessoas podem se sentir cheias depois de consumir uma quantidade muito pequena de alimentos. Isso é conhecido como saciedade precoce. Com o tempo, a saciedade precoce pode levar a deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

O que é saciedade precoce?

mulher prato dieta pinterest

Para manter níveis adequados de nutrientes, uma pessoa deve consumir uma quantidade adequada de calorias por dia. Esse valor varia de acordo com:

idade
sexo
altura e peso
nível de atividade
genes

A saciedade precoce ocorre quando uma pessoa não pode comer uma refeição de tamanho adequado ou se sente cheia após apenas algumas mordidas. Em curto prazo, isso pode levar a náuseas e vômitos. Em longo prazo, uma pessoa pode experimentar deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

Sintomas

pão com geleia mordido.jpg

Os sintomas mais comuns da saciedade precoce incluem:

=incapacidade de consumir uma refeição completa e de tamanho adequado
sentindo-se cheio depois de comer uma quantidade muito pequena de comida
náusea ou vômito enquanto come;

=se a saciedade precoce é devida a uma condição médica subjacente, uma pessoa pode experimentar sintomas adicionais. Estes variam de acordo com a condição;

Em geral, uma pessoa deve conversar com um médico se a saciedade precoce for acompanhada de algum dos seguintes sintomas:

-dificuldade em engolir
-tosse seca
-dor de garganta
-gases
-inchaço
-arrotos
-indigestão
-dor no peito
-dificuldade para respirar
-náusea
-vômito
-dor de estômago
-ganho ou perda de peso
-fezes pretas e demoradas
-tornozelos inchados
-má cicatrização de feridas

Causas

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Existem muitas causas potenciais de saciedade precoce. Algumas são relativamente inofensivos, enquanto outras são muito mais graves. Segundo a Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston, uma das causas mais comuns de saciedade precoce é a gastroparesia. Essa condição faz com que o conteúdo do estômago esvazie lentamente no intestino delgado.

Pessoas com gastroparesia podem apresentar os seguintes sintomas, além da saciedade precoce:

=inchaço
=náusea
=azia
=dor no estômago ou abdômen
=perda de apetite

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, uma das principais causas da gastroparesia é o diabetes. Isso ocorre porque o diabetes pode causar danos aos nervos que afetam o estômago e como ele funciona.

Algumas outras causas potenciais de saciedade precoce incluem:

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Pixabay

=úlceras estomacais
=doença do refluxo gastroesofágico, em que o ácido do estômago sobe para o esôfago ou tubo alimentar
=obstrução da saída gástrica, em que os alimentos não podem entrar facilmente no intestino delgado
=síndrome do intestino irritável
=prisão de ventre
=fígado aumentado
=líquido no abdômen ou ascite
=câncer

Diagnóstico

Ao diagnosticar a saciedade precoce, os profissionais de saúde devem garantir que os sintomas não se devam a outro problema gastrointestinal. Para fazer um diagnóstico preciso, o médico registra o histórico médico da pessoa e realiza um exame físico. Ele também pode solicitar os seguintes testes para confirmar o diagnóstico ou descartar outras causas:

EXAME DE SANGUE MNT
MedicalNewsToday

-Hemograma completo: é um exame de sangue que ajuda a identificar o sangramento interno.
-Teste de fezes: esta é uma análise de fezes que ajuda a identificar o sangramento intestinal.
-Ultrassom abdominal: é uma técnica de imagem que usa ondas sonoras para procurar anormalidades no estômago.
-Série gastrointestinal superior: esta é uma técnica de imagem que usa raios-X para examinar o trato gastrointestinal.
-Endoscopia superior: técnica de imagem que utiliza uma pequena câmera para observar o interior do aparelho digestivo superior.
-Teste de esvaziamento gástrico: procedimento que utiliza os níveis de dióxido de carbono na respiração para avaliar a rapidez com que o estômago esvazia os alimentos.
-Cintilografia de esvaziamento gástrico: procedimento envolve comer uma refeição contendo uma pequena quantidade de uma substância radioativa. Uma varredura mostra a rapidez com que a comida se esvazia do intestino.
-SmartPill: uma cápsula ingerível que mede os níveis de pH, pressão e temperatura em todo o sistema gastrointestinal.

Tratamentos

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Neuroestimulador Implantável Medtronic

As opções de tratamento para saciedade precoce dependem de sua causa subjacente. No entanto, alguns tratamentos gerais que um médico pode recomendar incluem:

=comer várias pequenas refeições ao longo do dia
=consumir alimentos em forma de purê ou líquido
=consumir menos fibra e gordura
=tomar medicamentos para ajudar a aliviar o desconforto estomacal
=usar estimulantes do apetite

Algumas causas de saciedade precoce podem exigir cirurgia. Dependendo do tipo e gravidade da condição subjacente, um médico pode recomendar um dos seguintes procedimentos:

=Estimulação elétrica gástrica: procedimento que envia pequenos pulsos de eletricidade ao estômago para ajudar a prevenir náuseas ou vômitos.
=Tubos de alimentação: são tubos que passam pelo nariz de uma pessoa e penetram no estômago. Eles permitem que a nutrição líquida contorne o esôfago.
=Nutrição parenteral total: este é um método de alimentação que usa um cateter para fornecer nutrição líquida diretamente a uma veia no peito.
=Jejunostomia:  método de alimentação que utiliza um tubo de alimentação para fornecer nutrientes diretamente para uma pequena parte do intestino.

Sumário

A saciedade precoce pode ser o resultado de uma condição benigna ou grave. Uma pessoa deve consultar seu médico se não puder comer uma refeição completa com frequência ou se se sentir cheia após apenas algumas mordidas.

Casos prolongados de saciedade precoce podem causar problemas como desnutrição e fome. Eles também podem levar a outras complicações de saúde associadas à má nutrição. Um profissional de saúde trabalhará para diagnosticar a causa da saciedade precoce. Tratar a causa subjacente pode ajudar a aliviar a saciedade precoce e evitar episódios futuros.

Fonte: Medical News Today

Retirar o glúten da alimentação pode fazer mal?

O consumo de glúten vem sendo amplamente discutido na alimentação diária. Ingeri-lo ou não? No Brasil a doença celíaca atinge mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil e para esta porcentagem da população a restrição à proteína é inevitável, é uma questão de saúde.

Além das pessoas que possuem Doença Celíaca, a retirada do glúten também é indicada para quem possui sensibilidade ao glúten não celíaca e para quem faz tratamento para Síndrome do Intestino Irritável. Nestes casos, a retirada da proteína é necessária e deve ser realizada sob orientação de um nutricionista. Mas e quem apenas opta por retirar o glúten sem possuir sensibilidade à substância?

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A nutricionista Luiza Carvalho, da Schär, explica que não existem efeitos colaterais ou malefícios em adotar uma dieta sem glúten. “O glúten é uma proteína de baixo valor nutricional, portanto, ao excluí-la, a pessoa não apresentará déficit na alimentação, mas é sempre importante que, qualquer mudança ou restrição alimentar, seja acompanhada por um nutricionista, já que cada pessoa tem necessidades específicas”.

A especialista ainda reforça que é sempre bom buscar por alimentos sem glúten que possuam ingredientes nutricionalmente interessantes, com adição de fibras, por exemplo, e sem aditivos artificiais, como conservantes, aromatizantes e corantes.

Luiza explica que o glúten é a única proteína que o corpo humano não é capaz de digerir completamente. Por esse mesmo motivo, pessoas que buscam um estilo de vida mais equilibrado ou que têm dificuldade na digestão, optam pela alimentação isenta de glúten, evitando o processo de má digestão e reduzindo o nível de inflamação do organismo. Estudos apontam que atletas de alta performance também se beneficiam da retirada do glúten da alimentação, melhorando seu rendimento.

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A nutricionista ainda lembra que retirar glúten não tem nenhuma relação com perda de peso. “A perda de peso não depende exclusivamente do glúten, mas, sim, das escolhas alimentares realizadas. Quando uma pessoa opta por uma dieta sem glúten, muitas vezes ela tem uma perda de peso devido à exclusão de alimentos calóricos e ricos em carboidratos, como pães, massas e farinhas refinadas”, finaliza Luiza.

Fonte: Schär

Low Fodmap: dieta melhora desconfortos intestinais

Conviver com desconfortos intestinais, como cólicas, diarreia, constipação e gases, pode ser indício de sensibilidade a um grupo de alimentos composto por carboidratos de cadeia curta. Para sanar esses sintomas, entra em cena a dieta low fodmap, que tem como objetivo restringir por um período os alimentos que dificultam a digestão.

A nutricionista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Silvia Ribeiro Messalem, tira as principais dúvidas sobre o protocolo. Confira:

1. O que é a dieta low fodmap?

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“Low Fodmap” é um termo em inglês (fermentable, oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols) que usamos para dietas com restrição dos cinco tipos de carboidratos citados na sigla: monossacarídeos, dissacarídeos, fruto-oligossacarídeo, galacto-oligassacarídeo e polióis. Esses componentes são de cadeia curta, fermentativos e não digeridos pelo intestino delgado. Além de absorverem mais água para o meio intestinal, são rapidamente fermentados por bactérias, o que facilita o surgimento dos desconfortos intestinais.

2. É indicada para qualquer pessoa ou somente para quem tem intolerância? Quem deve seguir?

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O protocolo é indicado apenas a pacientes que tenham alguma indicação específica. Estudos apontam que a low fodmap seja capaz de controlar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável (SII), além de outras alterações gastrointestinais.

3. Quais sintomas indicam necessidade da dieta?

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Os sintomas mais comuns são: flatulência (gases), má digestão, distensão abdominal, constipação ou diarreia, cólicas, Síndrome do Intestino Irritável (SII) e disbiose – desequilíbrio da microbiota intestinal.

4. Quais são os benefícios dessa dieta?

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O protocolo, que envolve a retirada dos alimentos ricos em fodmap, auxilia no desaparecimento dos sintomas de desconforto intestinal, quando a causa realmente é alimentar. Porém, se os sintomas persistem mesmo com a exclusão dos alimentos, a dieta deve ser interrompida.

5. Os alimentos que serão excluídos por um tempo do cardápio do paciente causam desconforto em todo mundo? Como eles agem no organismo?

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Nem todos indivíduos apresentam problemas com a fermentação desses carboidratos. Porém, alguns podem manifestar sensibilidade com leve desconforto, enquanto outros, podem vir a ter sintomas. No atual cenário, é muito mais comum do que se pode imaginar, atender pacientes que relatam tais sintomas e desconfortos. Quanto à exclusão dos alimentos, é importante ressaltar que é feita somente com os carboidratos que não são bem absorvidos e completamente digeridos pelo organismo. Como eles são fermentados por bactérias, acabam causando um supercrescimento desses micro-organismos e, consequentemente, ocasionando outros problemas, como os desconfortos intestinais.

6. Neste período de restrição, há uma compensação com outros alimentos para manter a dieta saudável e equilibrada?

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Todo protocolo deve ser montado por um nutricionista, que indicará uma dieta equilibrada, com outros carboidratos, fibras, minerais e vitaminas que não estão listadas no fodmap. Com base nisso, o profissional tem como opção desenvolver receitas para o paciente com os alimentos permitidos, para que ele tenha várias opções disponíveis.

7. Por quanto tempo deve ser executada essa dieta?

mulher comendo iogurte
O protocolo deve ser seguido entre seis a oito semanas. Este período é o suficiente para que os sintomas desapareçam ou não, e após uma avaliação médica e nutricional, inicia-se a reintrodução dos alimentos de forma cautelosa, em pequenas quantidades e de forma isolada; com isso é possível identificar os grupos causadores do desconforto.

Confira quais são os alimentos considerados fodmaps:

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Foto: Mitaukano/Pixabay

Os monossacarídeos (frutose) podem ser encontrados, em sua forma natural, na maçã, pera, manga, aspargos e ervilha. Já em industrializados, nos alimentos com xarope de milho, xarope de frutose, como: mel artificial, biscoitos, refrigerantes e geleias.

cebola e alho - hot black
Foto: Hotblack

Os dissacarídeos (lactose) estão presentes no leite de vaca, de cabra, ovelha, queijo ricota e cottage. Assim como em produtos prontos como sorvete, iogurte e outros que contenham leite. Já os fruto-oligossacarideo (FOS), são encontrados na cebola, alho, trigo, centeio, beterraba, couve, entre outras frutas e legumes. Mas também em farinha de trigo, bolos, ketchup, maionese, carnes processadas como salsicha e presunto.

grao de bico

A lista continua com os galacto-oligossacarideo (GOS), que está presente na lentilha, grão-de-bico, feijão, grãos integrais de soja e em produtos que contenham esses alimentos.

xilitol

Por fim, os polióis estão na composição de frutas como pêssego, damasco, ameixa, abacate, e também em cogumelos, adoçantes com xilitol, manitol, sorbitol e produtos com glicerina.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos