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Saiba como aliviar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável

Presente em até 20% da população, desordem afeta a qualidade de vida e pode ser tratada com ajustes na alimentação

A Síndrome do Intestino Irritável (SII) está presente na vida de até 20% da população adulta brasileira, mas muitas pessoas ainda vivem com o desconforto sem serem diagnosticadas. Com sintomas que incluem dores, inchaço abdominal e episódios intercalados de constipação e diarreia, o distúrbio não é considerado uma doença, mas traz perda na qualidade de vida.

“A síndrome causa uma desordem funcional no intestino, mas não provoca nenhuma alteração ou lesão que possa ser detectada em exames. É mais comum em mulheres e pode estar diretamente relacionada a momentos de estresse emocional. E embora não haja nenhum exame para comprovar a SII, é preciso procurar o médico para excluir a possibilidade de outras doenças”, explica a nutricionista ortomolecular Claudia Luz, da Via Farma.

Após feito o diagnóstico por eliminação, é possível amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida por meio de algumas mudanças nos hábitos, principalmente na alimentação. “Já que a síndrome também pode ser agravada por gatilhos emocionais, em alguns casos também são indicadas abordagens terapêuticas para aliviar o estresse e a ansiedade, além de acompanhamento psicológico”, pontua a nutricionista.

Cuidados essenciais

As causas da Síndrome do Intestino Irritável ainda não são completamente esclarecidas, mas acredita-se que sua origem seja multifatorial. “Além da alimentação e da questão emocional, a desordem também pode estar ligada a fatores genéticos e desequilíbrios na flora intestinal” explica Claudia. Por isso, o tratamento adequado deve contar com um acompanhamento multidisciplinar, que inclua o médico e também o nutricionista.

A mudança da alimentação é um dos fatores mais importantes, já que algumas escolhas na hora das refeições podem piorar os sintomas. “Estudos têm mostrado que dietas ricas em alimentos altamente fermentáveis, conhecidos no meio científico como FODMAPs, trazem pioras significativas nos quadros de SII. Por isso, uma das estratégias nutricionais indicadas é justamente reduzir o consumo desses alimentos”, diz Claudia.

O grupo dos FODMAPs é grande, e inclui desde alguns tipos de frutas até leite e derivados, leguminosas e carboidratos. De acordo com a especialista, a dieta para reduzir o consumo desses alimentos pode amenizar as crises intestinais, mas não deve ser feita por muito tempo e precisa do acompanhamento de um nutricionista.

Dentro do plano alimentar, é preciso priorizar as opções naturais, dando atenção especial à hidratação ao longo do dia. E na hora de temperar os preparos, também é importante dar preferência aos condimentos naturais, já que as versões industrializadas podem ser prejudiciais para a saúde do intestino e do organismo como um todo. Para potencializar os resultados de uma alimentação balanceada, a suplementação de probióticos também pode ser indicada pelo nutricionista e desenvolvida de forma personalizada em farmácias de manipulação.

“O uso desse tipo de nutracêutico é muito eficaz no reequilíbrio da flora intestinal e no alívio de dores, distensões, constipação e diarreia. A cepa Saccharomyces cerevisiae (Bowell), por exemplo, conta com estudos que apontam a melhora dos sintomas nos primeiros 15 dias de uso”, finaliza Claudia.

Fonte: Via Farma

Pandemia aumenta casos de gastrite e síndrome do intestino irritável

No HCor, internações pelas doenças gastrointestinais cresceram 15%; cirurgião do aparelho digestivo do hospital relata maior presença de pacientes com esses quadros também nos ambulatórios

Estresse, má alimentação, ingestão de álcool e automedicação. Todas essas circunstâncias ampliadas durante a pandemia podem estar motivando o aumento de casos de gastrite e síndrome do intestino irritável (SII) neste último ano.

Um levantamento epidemiológico do HCor, hospital multiespecialista em São Paulo, apontou um crescimento de 15% nas internações de pacientes com um desses dois diagnósticos. Nos consultórios, segundo o cirurgião do aparelho digestivo da instituição, André Siqueira, o movimento não foi diferente. A análise utiliza dados de 2019 em comparação ao ano de 2020.“Temos visto no ambulatório um maior número de casos de pessoas com problemas gastrointestinais, sobretudo gastrite e síndrome do intestino irritável, que são doenças muito relacionadas ao estresse, de grande fundo emocional”, comenta.

Para o médico, no curto prazo, é possível que esses pacientes tenham apresentado dores de estômago e alterações do ritmo intestinal, por exemplo. Agora, com mais de um ano de pandemia, os quadros chegaram a diagnósticos mais específicos e até mesmo agravados.

Apesar de considerar as questões emocionais o principal fator para essa crescente de casos, Siqueira relembra que os hábitos alimentares da população durante o isolamento sofreram mudanças significativas, sem falar nos relatos de pessoas que passaram a consumir bebidas alcoólicas mais frequentemente – ou até diariamente.

“Vale lembrar também que o medo de procurar ambientes hospitalares e a tentativa de se prevenir da Covid-19 levou muita gente a se automedicar, e que alguns remédios têm como efeitos colaterais comuns impactos no aparelho digestivo”, destaca.

Gastrite e síndrome do intestino irritável: como diagnosticar

A gastrite é uma inflamação, infecção ou erosão no revestimento do estômago, podendo ser aguda (com duração de pouco tempo) ou crônica. O quadro é manifestado por sinais como indigestão, queimação, vômitos ou dores abdominais.

O diagnóstico da doença costuma considerar o histórico clínico do paciente e ser complementado com a realização de endoscopia. O exame é feito sob sedação, através de um tubo flexível que possui um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo por meio de uma câmera.

Já a síndrome do intestino irritável, ou síndrome do cólon irritável, é um distúrbio na motilidade intestinal (capacidade que o intestino tem de realizar movimentos autônomos). A doença é caracterizada por episódios de desconforto abdominal, dor, diarreia e prisão de ventre, presentes pelo menos durante 12 semanas, consecutivas ou não.

Embora não exista um exame específico para diagnóstico da síndrome, alguns testes podem ser propostos para descartar a existência de doenças similares. São eles: exames de sangue, cultura de fezes e colonoscopias, esse último realizado também sob efeito sedativo, de forma indolor.

“A colonoscopia é um exame que permite observar o revestimento interno do intestino grosso e a parte final do intestino delgado. O procedimento requer dieta prévia e o uso de laxativos mais fortes para a limpeza do conteúdo intestinal, porém, para minimizar o mal estar durante a preparação, o paciente pode optar por fazer o preparo dentro do ambiente hospitalar, com acompanhamento especializado”, explica Paula Poletti, médica endoscopista do HCor.

Hábitos saudáveis e cuidados com a saúde mental

Algumas mudanças no estilo de vida podem melhorar o funcionamento do aparelho digestivo, tais como preferir os alimentos naturais – que possuem alto valor nutricional – e evitar os industrializados, que são extremamente calóricos e contêm aditivos artificiais que prejudicam a saúde.

Além disso, diminuir o consumo de sal, açúcar e gorduras hidrogenadas e aumentar a ingestão de fibras é recomendado em qualquer fase da vida.

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Dentre outros hábitos saudáveis, o cirurgião pontua a importância de comer devagar e mastigar bem os alimentos; não fazer refeições distraído, enquanto conversa, assiste televisão ou faz qualquer outra atividade; e tomar uma quantidade adequada de líquido ao longo do dia, para ter uma boa hidratação.

Fora da mesa, para combater o estresse, a recomendação é reservar alguns momentos do dia para relaxar, além de praticar exercícios regularmente e investir em boas noites de sono.

Fonte: HCor

Como doenças funcionais do aparelho digestivo impactam na qualidade de vida do paciente*

A maioria das pessoas não sabe que o maior e mais complexo sistema do corpo humano é o aparelho digestivo. Constituindo-se por um longo tubo que começa na boca, passa pelo esôfago, segue pelo estômago, intestino delgado, intestino grosso e, por fim, o esfíncter anal, além de estar ligado a dois importantes órgãos: o fígado e o pâncreas.

Esta maravilhosa máquina é capaz de executar muitas funções independentes em cada setor, mas, de alguma maneira, estão interligadas. Podemos compará-la à regência de uma orquestra, composta por vários instrumentos que, juntos e em perfeita harmonia, produzem um concerto encantador. Da mesma maneira, o aparelho digestivo produz o milagre da perpetuação de nossa espécie por meio da manutenção do processo de absorção e transformação dos vários elementos nutritivos necessários à nossa vida.

Representando o grande maestro, temos o sistema nervoso entérico (SNE). Uma complexa rede, formada por neurônios e gânglios nervosos, denominados plexos, que se interligam e executam multitarefas com relação à condução, absorção de proteínas, gorduras, vitaminas e eliminação de produtos desprezados pelo processo de excreção. Há também o mecanismo de reciclagem, como é o caso do ferro, no qual aproveitamos 98% daquilo que perdemos, em função da sua reabsorção no intestino grosso.

Outra comparação que podemos fazer é à uma fábrica, em que as máquinas e engrenagens são orientadas por um sistema micro e comandados por um sistema maior. No caso do sistema digestivo, o cérebro (sistema nervoso central) ajuda a regular algumas funções. O termo “eixo cérebro intestinal” representa esta interação e, por meio dele, é possível observar que um sistema influencia o outro.

Por exemplo, quando subimos em uma montanha russa e estamos no ponto mais alto do brinquedo, sentimos um “frio na barriga”, que nada mais é do que uma manifestação da emoção, do medo, causado pelo nervo vago que emerge do sistema nervoso central e que excita o sistema nervoso entérico e produz a sensação de desconforto na região central da barriga.

Portanto, podem existir múltiplos pontos para o descontrole deste complexo sistema. Como é uma rede interligada, para algumas funções é preciso que outras aconteçam antes, durante ou depois do processo digestivo.

Para se ter uma ideia, uma alimentação mal mastigada tem dificuldade de ser transportada no esôfago e, quando chega ao estômago, demora para ser digerida. Por conta disso, o processamento do alimento é dificultado, atingindo os intestinos que ainda não estão prontos para a absorção de nutrientes e podem, eventualmente, influenciar o funcionamento intestinal para mais ou para menos. Muitas situações são decorrentes dos nossos hábitos de vida, do tipo de alimentação, podem ser consequências de outras doenças, pós estados tóxicos ou infecciosos ou por alteração de estados emocionais. Existem vários fatores em conjunto e individuais que podem determinar uma disfunção em um setor específico ou então em vários que se interdependem.

As doenças funcionais digestivas constituem o maior contingente de motivos para consultas e exames em todo o mundo, pois são universais, atingindo todas as etnias, classes sociais e faixas etárias.

Podemos dizer que as síndromes mais frequentes são a Dispepsia Funcional, a Síndrome do Intestino Irritável e a Constipação Intestinal Funcional. Como característica principal e comum entre elas, apresentam sintomas diários ou intermitentes que tiram a qualidade de vida do indivíduo, com longa duração, menos ou mais intensos, impedindo que as pessoas atingidas por essas síndromes tenham uma vida com mais conforto.

Dispepsia Funcional

Foto: MD-Health

Caracterizada por sintomas que sugerem o acometimento do estômago ou do duodeno na ausência de qualquer anormalidade de natureza orgânica, estrutural ou metabólica que possa explicar o quadro. Os sintomas mais comuns são dor na região do estômago, difícil digestão, peso ou de estufamento no abdômen alto, regurgitação e arrotos frequentes.

Síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável caracteriza-se pela combinação dos principais sintomas: dor ou desconforto abdominal e alterações bem definidas do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Essas manifestações têm intensidade variável, piorando com alguns tipos de alimentação em determinadas épocas de vida. Não existem também alterações estruturais ou orgânicas que os justifiquem.

Constipação Intestinal Funcional

Muito frequente em nossa era, a constipação intestinal funcional caracteriza-se pela dificuldade de evacuar em diferentes intensidades, com presença de fezes endurecidas, havendo muito esforço para o movimento evacuatório, associada com frequência à sensação de abdômen inchado e dor no baixo ventre.

Diagnóstico

Para diagnosticar qualquer doença funcional, o médico tem que excluir causas orgânicas mais graves como inflamações, tumores ou doenças metabólicas. Para isso, é necessário solicitar exames especializados, que são realizados muitas vezes ao longo da vida de um indivíduo.

Neurogastroenterologia

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As doenças funcionais são um grande desafio e derivaram uma nova especialidade: a neurogastroenterologia. Temos evoluído muito nos últimos anos no conhecimento para a compreensão destas alterações, mas ainda há um longo caminho para percorrer até o entendimento de toda a complexidade.

É possível afirmar que cada paciente tem um perfil geral comum, mas com respostas distintas, evolução em tempos diferentes, podendo-se dizer que cada um tem a sua doença funcional e o desafio do médico é saber interpretar e entender como funciona ou não o maior órgão do corpo humano naquele indivíduo.

*Ricardo Guilherme Viebig é Diretor Técnico do Núcleo de Motilidade Digestiva de Neurogastroenterologia (MoDiNe) do Hospital IGESP e Presidente da Sociedade Brasileira De Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia.

Como as técnicas de massagem podem aliviar a constipação

É possível realizar massagem para alívio da constipação em casa sem equipamento. Envolve uma leve pressão sobre os músculos e órgãos envolvidos na eliminação dos resíduos. Embora não haja prova conclusiva de que a massagem para constipação funcione, algumas evidências sugerem que ela pode fornecer alívio. As massagens geralmente não são perigosas, podem proporcionar alívio e melhorar o bem-estar, independentemente de ajudarem na constipação, por isso pode valer a pena tentar.

Este artigo explora quais técnicas de massagem podem aliviar a constipação e como realizá-las.

O que é prisão de ventre?

A constipação ocorre quando uma pessoa tem dificuldade para evacuar. Os sintomas podem variar, mas uma definição comum é ter:

menos de 3 movimentos intestinais em uma semana
fezes duras ou encaroçadas
dor ao evacuar
sensação de que nem todas as fezes passaram

Massagem pode proporcionar alívio?

Massagens abdominais podem ajudar a aliviar a constipação. Pequenos estudos apoiam o uso da massagem terapêutica para ajudar com essa condição. Abaixo estão vários tipos e os efeitos no alívio da constipação.

Massagem abdominal

Existem algumas evidências de que massagens abdominais podem ajudar a aliviar sintomas da constipação. Em uma revisão mais antiga, pesquisadores descobriram que estudos mostraram resultados geralmente favoráveis ao realizar massagens abdominais para constipação.

No entanto, os autores mencionam que a pesquisa tinha falhas metodológicas, incluindo as massagens que os participantes usaram, quem recebeu a massagem e os tamanhos dos testes. Embora a maioria dos estudos seja pequena, a evidência geralmente é positiva.

Como fazer massagem abdominal

Para realizar uma massagem abdominal:

Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés plantados no chão.
Comece a massagem no lado direito próximo ao osso pélvico e aplique pressão em movimentos circulares, trabalhando as mãos até a caixa torácica.
Mova as mãos para o lado esquerdo, continue trabalhando-as até o osso do quadril, depois volte para cima em direção ao umbigo.
Repita conforme necessário.

Massagem do cólon para constipação

Embora as pessoas possam traçar paralelos com a massagem do cólon e a abdominal, a principal diferença parece ser a quantidade de pressão aplicada. Os médicos afirmam que a massagem do cólon é uma técnica abdominal profunda para estimular os órgãos a liberar gás e pressão.

Não está claro se os pesquisadores usaram massagens abdominais profundas ou massagens abdominais em seus estudos. Também é incerto se eles examinaram especificamente uma massagem do cólon ou a diferença entre aplicar pressão profunda e massagem regular.

A massagem do cólon é semelhante a uma massagem abdominal. Para executar a técnica:

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Deite-se de costas com os joelhos dobrados e os pés no chão
Use os nós ou as pontas dos dedos para aplicar pressão no lado esquerdo, indo da caixa torácica até o osso pélvico.
Em seguida, comece no lado direito e trabalhe as pontas dos dedos para a esquerda sob a caixa torácica e, em seguida, mova as mãos para baixo até o osso pélvico.
Finalmente, no lado direito do estômago, massageie do umbigo até a caixa torácica, depois da esquerda para o outro lado e finalmente desça novamente até o osso pélvico.
Repita essas etapas de 10 a 15 vezes.

Outros tipos de massagem para constipação

Massagear outras áreas do corpo também pode ajudar na constipação. A seguir estão algumas dessas técnicas, juntamente com qualquer evidência de apoio.

Massagem nas costas

Foto: Yoel/MorgueFile

Embora as pesquisas sejam limitadas, o Institute for Integrative Healthcare sugere que a natureza interconectada dos músculos das costas e do cólon pode fazer com que as massagens nas costas ajudem com a constipação. Não existem estudos que examinem especificamente esse efeito, mas é improvável que este tipo de massagem cause danos, além disso, pode ajudar no relaxamento. Este é o tipo de massagem que você vai precisar de uma ajuda.

Massagem nos pés

Em um estudo de 2003 sobre reflexologia, os pesquisadores descobriram que as crianças que receberam uma massagem nos pés viram melhorias em sua constipação. Semelhante a outra pesquisa, este estudo foi pequeno, com apenas 50 participantes, o que significa que os resultados podem não ser os mesmos para todas as faixas etárias ou tipos de pessoas. Em um estudo mais recente, pesquisadores examinaram 60 adultos mais velhos para estudar os efeitos da reflexologia na constipação. Semelhante ao estudo em crianças, os cientistas encontraram resultados positivos usando essa técnica.

Para realizar reflexologia:

Sente-se em uma posição confortável com um pé cruzado sobre o joelho oposto para que eles possam tocar facilmente a planta do pé. Começando pelo meio do calcanhar, massageie com o polegar e trabalhe em direção à borda externa. Seguindo a borda do pé, continue aplicando pressão, movendo o polegar em direção ao meio do pé. Troque os pés e trabalhe do centro do pé na borda interna para a externa. Mova o polegar em direção ao calcanhar e finalize massageando a parte interna do meio do pé.

Massagem perineal

A massagem perineal usa um ponto de pressão entre a vagina ou escroto e o ânus para ajudar a aliviar a constipação. De acordo com um estudo de 2014 com 100 adultos, uma massagem perineal autoadministrada ajudou os participantes com a passagem das fezes e melhorou a qualidade de vida.

Para realizar uma massagem perineal:

use os dois primeiros dedos para aplicar pressão entre o ânus e o escroto ou vagina
aplique pressão em direção ao ânus
segure a pressão, libere e repita várias vezes

Dicas adicionais para aliviar a constipação

Existem vários métodos para aliviar a constipação ao lado ou em vez da massagem terapêutica. Esses remédios incluem:

mantendo-se hidratado
exercitando-se mais
mantendo uma programação regular de idas ao banheiro
comendo mais fibra
tentando laxantes osmóticos que puxam água para o intestino

Quando procurar um médico

Uma pessoa pode não precisar consultar seu médico se a constipação for resolvida dentro de algumas semanas após tentar métodos como remédios caseiros ou mudanças na dieta alimentar. As pessoas devem falar com um médico se os sintomas afetarem suas vidas diárias ou se houverem preocupações sobre sua condição.

Fonte: MedicalNewsToday

Estresse, depressão e ansiedade são gatilhos das crises da SII, afirma médica

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR e diretora da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre a síndrome do intestino irritável e dá algumas dicas de alimentação e como ter uma vida mais saudável, mesmo tendo o distúrbio.

Ela começa explicando que síndrome do cólon irritável (outro nome dado à SII) é um distúrbio na motilidade intestinal, sem associação com alterações de estruturais do trato digestório, nem disfunções bioquímicas. Geralmente, se caracteriza por episódios de desconforto, dor e distensão abdominal, podendo estar acompanhados de diarreia e constipação.

Para Marcela, identificar a SII pode ser um pouco mais trabalhoso: “O diagnóstico não é fácil, pois ela pode ser confundida com algumas doenças mais graves, mas também não é tão difícil. O diagnóstico é essencialmente clínico, geralmente baseado nos sintomas, na ausência de sinais relevantes verificados no exame físico e, eventualmente, na visualização direta do intestino por meio de colonoscopia, para descartar diagnósticos diferenciais”.

Para ela, os casos têm se tornado mais comum em consultórios porque o estresse é um fator desencadeante importante e, claro, esse sintoma tem aumentado muito atualmente. “Doenças psiquiátricas como depressão e ansiedade também são gatilhos das crises”, admite a médica. “Assim como hábitos alimentares, como o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados e pró-inflamatórios aliados a um estilo de vida inadequado, com má qualidade de sono e sedentarismo”, completa.

Sabemos que muitas pessoas com a síndrome acreditam que ela seja causada apenas pela alimentação, mas há estudos que comprovam que o cérebro e as emoções são as origens. Marcella explica que no aparelho digestivo são sintetizadas a maior parte das substâncias chamadas neurotransmissores, como a serotonina, que atuam levando sinais e estímulos ao sistema nervoso e este manda sinais ao organismo para sintetizar mais ou menos deles.

“Essa comunicação entre o cérebro e o intestino deve ocorrer de forma adequada e depende de vários fatores, como dieta, equilíbrio da microbiota intestinal, prática moderada de atividade física, uma boa qualidade de sono e um controle adequado do estresse”, aconselha a médica.

E, como em outros problemas de saúde, as mulheres são as mais atingidas pela SII. Marcella admite que nesse caso, o problema pode estar ligado a outros, como a endometriose ou a piora dos sintomas durante o período menstrual: “A endometriose, por exemplo, é uma doença inflamatória que, por si só, pode ter sintomas parecidos com os do cólon irritável. Porém, se as duas disfunções estiverem presentes, os sintomas das duas situações serão exacerbados”, alerta.

Dieta FODMAP

Marcella explica o que é esta dieta: FODMAP é uma sigla para designar carboidratos osmóticos, geralmente fibras, que podem ser de difícil digestão para algumas pessoas: fermentable oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols. São alimentos carboidratos fermentáveis não digeridos pelo trato digestivo humano, entre os principais estão os oligossacarídeos, fruto-oligossacarídeos (FOS) e galacto-oligossacarídeos (GOS), dissacarídeos como a lactose e monossacarídeos como a frutose. No grupo dos polióis estão principalmente o sorbitol e o manitol.

“A dieta de baixo FODMAP é prescrita temporariamente, até que os alimentos gatilhos sejam identificados, pois, como o aporte de prebióticos da dieta é baixo, se for mantida por muito tempo pode levar a quadros de constipação e disbiose (desequilíbrio da flora bacteriana intestinal que reduz a capacidade de absorção dos nutrientes e causa carência de vitaminas). Por ser uma dieta que oferece riscos, deve obrigatoriamente ter orientação profissional”, frisa a médica.

Entre os alimentos ricos em FODMAPs, ela lista o xarope de milho, mel, maçã, pera, manga, aspargos, cereja, melancia, sucos de frutas, leite de vaca, de cabra e de ovelha, iogurte, nata, creme, queijo ricota e cottage, cebola, alho, alho-poró, trigo, cuscuz, farinha, massa, centeio, caqui, chicória, alcachofra, beterraba, cenoura, quiabo, chicória, couve, lentilhas, grão-de-bico, feijão, ervilha, soja, damasco, pêssego, ameixa, lichia, couve-flor, cogumelos.

Para quem sofre com a SII, ela aconselha tratamento clínico com reeducação alimentar e mudanças de estilo de vida e o uso de medicamentos sintomáticos. Os tratamentos com probióticos suplementares específicos e individualizados também podem ajudar. “Porém, se os sintomas forem muito prevalentes, a pessoa deve procurar atendimento médico, para descartar outras patologias, identificar os gatilhos, reorganizar a dieta e o estilo de vida”, diz Marcella.

Ela enfatiza que a dieta é o ponto central tanto para desencadear os sintomas, se estiver desequilibrada, quanto para o tratamento por meio das mudanças de hábito alimentares.

Porém, não há nada mágico que possa ajudar: “Não há uma receita para o público em geral, porque os alimentos que são causadores de desconforto digestivo para alguns portadores de SII, não são para outros. Porém, uma dieta equilibrada, variada e o mais natural possível, aliada à boa ingestão de água e estilo de vida saudável são boas dicas para todos”, finaliza Marcella.

Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Abran e docente do Curso Nacional de Nutrologia da entidade. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do Conselho Regional de Medicina do Paraná, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Como os antidepressivos afetam as bactérias intestinais?

Pesquisas recentemente publicadas  examinam os efeitos de drogas psiquiátricas, incluindo antidepressivos, na composição de bactérias intestinais de roedores e de humanos. Mais e mais estudos estão apoiando o papel da microbiota intestinal em condições psiquiátricas.

Ansiedade e depressão são apenas algumas das condições de saúde mental que os pesquisadores associaram a alterações na composição da microbiota intestinal.

Por exemplo, um estudo recente publicado pela Medical News Today listou uma variedade de bactérias que contribuem para a criação de compostos neuroativos no intestino – isto é, substâncias que interagem com o sistema nervoso, influenciando a probabilidade de desenvolver depressão.

Outra pesquisa em ratos mostrou que roedores criados para serem livres de germes desenvolveram sintomas de ansiedade e depressão e tornaram-se socialmente retraídos. Portanto, dado esse vínculo íntimo entre a saúde mental e a composição das bactérias intestinais, os medicamentos psiquiátricos que afetam o humor também afetam a população de bactérias no intestino?

pesquisa estudo microscopio testes ciencia pixabay
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Pesquisadores liderados por Sofia Cussotto, da University College Cork, na Irlanda, começaram a investigar isso em roedores. Primeiro, a equipe “investigou a atividade antimicrobiana dos psicotrópicos contra duas estirpes bacterianas residentes no intestino humano, Lactobacillus rhamnosus e Escherichia coli“.

Os psicotrópicos nos quais os pesquisadores se concentraram incluem: fluoxetina, escitalopram, venlafaxina, lítio, valproato e aripiprazol. Em seguida, os cientistas testaram “o impacto do tratamento crônico com esses medicamentos” na microbiota dos ratos.

Sofia e sua equipe publicaram a primeira parte dos resultados no ano passado na revista Psychopharmacology. Eles já apresentaram suas descobertas completas no Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, em Copenhague, na Dinamarca.

Os resultados do primeiro estudo desse tipo

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Os cientistas deram aos roedores medicamentos psiquiátricos por um período de quatro semanas, no final dos quais analisaram as composições da microbiota intestinal. Eles descobriram que o lítio e o valproato – ambos estabilizadores de humor que podem tratar doenças como transtorno bipolar – aumentaram o número de certos tipos de bactérias, como Clostridium, Peptoclostridium, Intestinibacter e Christenellaceae.

Por outro lado, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como os antidepressivos fluoxetina e escitalopram, interromperam o crescimento de cepas bacterianas como Escherichia coli. “Descobrimos que certos medicamentos, incluindo o estabilizador de humor lítio e o antidepressivo fluoxetina, influenciaram a composição e a riqueza da microbiota intestinal”, diz a cientista.

“Embora algumas drogas psicotrópicas tenham sido previamente investigadas em ambientes in vitro, esta é a primeira evidência em um modelo animal”  Sofia Cussotto

Implicações da nova pesquisa

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Shape Magazine

Comentando de forma independente, Serguei Fetissov, professor de fisiologia da Universidade Rouen, na França, que não participou da pesquisa, oferece sua opinião sobre os resultados.

Ele diz: “Esses dados iniciais são intrigantes e dignos de uma investigação mais aprofundada. No momento, seria prematuro atribuir um papel direto das bactérias intestinais na ação dos medicamentos antidepressivos até que este trabalho possa ser reproduzido em seres humanos, o que autores agora esperam fazer. ”

De fato, Sofia e colegas estão atualmente tentando desvendar os efeitos que as drogas psiquiátricas podem ter sobre os indivíduos e, para esse fim, estão realizando um estudo observacional em larga escala em humanos.

“A composição da microbiota intestinal é muito sensível aos processos metabólicos do corpo e pode mudar naturalmente, por meio de mudanças metabólicas induzidas por drogas no cérebro e em outros órgãos”, explica Fetissov.

“Algumas das mudanças relatadas aqui, por exemplo, aumento de Christensenella, podem realmente ser benéficas, mas o significado geral das alterações da composição bacteriana induzidas por medicamentos na […] saúde metabólica e mental precisa de mais pesquisas”.

A pesquisadora principal do estudo também registra a importância dos resultados. “Existem várias implicações nesse trabalho”, diz ela.

“Primeiro de tudo, alguns estudos mostraram que pacientes deprimidos ou esquizofrênicos podem ter composição microbiológica alterada; portanto, drogas psicotrópicas podem funcionar nos micróbios intestinais como parte de seus mecanismos de ação. É claro que isso tem que ser provado”.

“Dado que os antidepressivos, por exemplo, funcionam em algumas pessoas, mas não em outras, a concessão de um subsídio para [o] microbioma pode alterar a resposta de um indivíduo aos antidepressivos. Por outro lado, os efeitos do direcionamento de microbioma podem ser responsáveis pelos efeitos colaterais associados ao esses medicamentos “. Sofia Cussotto

“Todas essas hipóteses precisam ser testadas em modelos pré-clínicos e em humanos, e este é o nosso próximo passo”, finaliza Sofia.

Fonte: MedicalNewsToday

Saciedade precoce: por que me sinto cheio tão rapidamente?

Quando uma pessoa come, os receptores nervosos dentro do estômago percebem quando ele está cheio. Esses receptores, então, enviam sinais ao cérebro, que os interpreta como uma sensação de plenitude. Esse processo ajuda a evitar excessos.

No entanto, algumas pessoas podem se sentir cheias depois de consumir uma quantidade muito pequena de alimentos. Isso é conhecido como saciedade precoce. Com o tempo, a saciedade precoce pode levar a deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

O que é saciedade precoce?

mulher prato dieta pinterest

Para manter níveis adequados de nutrientes, uma pessoa deve consumir uma quantidade adequada de calorias por dia. Esse valor varia de acordo com:

idade
sexo
altura e peso
nível de atividade
genes

A saciedade precoce ocorre quando uma pessoa não pode comer uma refeição de tamanho adequado ou se sente cheia após apenas algumas mordidas. Em curto prazo, isso pode levar a náuseas e vômitos. Em longo prazo, uma pessoa pode experimentar deficiências nutricionais e complicações de saúde associadas.

Sintomas

pão com geleia mordido.jpg

Os sintomas mais comuns da saciedade precoce incluem:

=incapacidade de consumir uma refeição completa e de tamanho adequado
sentindo-se cheio depois de comer uma quantidade muito pequena de comida
náusea ou vômito enquanto come;

=se a saciedade precoce é devida a uma condição médica subjacente, uma pessoa pode experimentar sintomas adicionais. Estes variam de acordo com a condição;

Em geral, uma pessoa deve conversar com um médico se a saciedade precoce for acompanhada de algum dos seguintes sintomas:

-dificuldade em engolir
-tosse seca
-dor de garganta
-gases
-inchaço
-arrotos
-indigestão
-dor no peito
-dificuldade para respirar
-náusea
-vômito
-dor de estômago
-ganho ou perda de peso
-fezes pretas e demoradas
-tornozelos inchados
-má cicatrização de feridas

Causas

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Existem muitas causas potenciais de saciedade precoce. Algumas são relativamente inofensivos, enquanto outras são muito mais graves. Segundo a Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston, uma das causas mais comuns de saciedade precoce é a gastroparesia. Essa condição faz com que o conteúdo do estômago esvazie lentamente no intestino delgado.

Pessoas com gastroparesia podem apresentar os seguintes sintomas, além da saciedade precoce:

=inchaço
=náusea
=azia
=dor no estômago ou abdômen
=perda de apetite

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, uma das principais causas da gastroparesia é o diabetes. Isso ocorre porque o diabetes pode causar danos aos nervos que afetam o estômago e como ele funciona.

Algumas outras causas potenciais de saciedade precoce incluem:

intestino-figado-corpo-elionas2-pixabay
Pixabay

=úlceras estomacais
=doença do refluxo gastroesofágico, em que o ácido do estômago sobe para o esôfago ou tubo alimentar
=obstrução da saída gástrica, em que os alimentos não podem entrar facilmente no intestino delgado
=síndrome do intestino irritável
=prisão de ventre
=fígado aumentado
=líquido no abdômen ou ascite
=câncer

Diagnóstico

Ao diagnosticar a saciedade precoce, os profissionais de saúde devem garantir que os sintomas não se devam a outro problema gastrointestinal. Para fazer um diagnóstico preciso, o médico registra o histórico médico da pessoa e realiza um exame físico. Ele também pode solicitar os seguintes testes para confirmar o diagnóstico ou descartar outras causas:

EXAME DE SANGUE MNT
MedicalNewsToday

-Hemograma completo: é um exame de sangue que ajuda a identificar o sangramento interno.
-Teste de fezes: esta é uma análise de fezes que ajuda a identificar o sangramento intestinal.
-Ultrassom abdominal: é uma técnica de imagem que usa ondas sonoras para procurar anormalidades no estômago.
-Série gastrointestinal superior: esta é uma técnica de imagem que usa raios-X para examinar o trato gastrointestinal.
-Endoscopia superior: técnica de imagem que utiliza uma pequena câmera para observar o interior do aparelho digestivo superior.
-Teste de esvaziamento gástrico: procedimento que utiliza os níveis de dióxido de carbono na respiração para avaliar a rapidez com que o estômago esvazia os alimentos.
-Cintilografia de esvaziamento gástrico: procedimento envolve comer uma refeição contendo uma pequena quantidade de uma substância radioativa. Uma varredura mostra a rapidez com que a comida se esvazia do intestino.
-SmartPill: uma cápsula ingerível que mede os níveis de pH, pressão e temperatura em todo o sistema gastrointestinal.

Tratamentos

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Neuroestimulador Implantável Medtronic

As opções de tratamento para saciedade precoce dependem de sua causa subjacente. No entanto, alguns tratamentos gerais que um médico pode recomendar incluem:

=comer várias pequenas refeições ao longo do dia
=consumir alimentos em forma de purê ou líquido
=consumir menos fibra e gordura
=tomar medicamentos para ajudar a aliviar o desconforto estomacal
=usar estimulantes do apetite

Algumas causas de saciedade precoce podem exigir cirurgia. Dependendo do tipo e gravidade da condição subjacente, um médico pode recomendar um dos seguintes procedimentos:

=Estimulação elétrica gástrica: procedimento que envia pequenos pulsos de eletricidade ao estômago para ajudar a prevenir náuseas ou vômitos.
=Tubos de alimentação: são tubos que passam pelo nariz de uma pessoa e penetram no estômago. Eles permitem que a nutrição líquida contorne o esôfago.
=Nutrição parenteral total: este é um método de alimentação que usa um cateter para fornecer nutrição líquida diretamente a uma veia no peito.
=Jejunostomia:  método de alimentação que utiliza um tubo de alimentação para fornecer nutrientes diretamente para uma pequena parte do intestino.

Sumário

A saciedade precoce pode ser o resultado de uma condição benigna ou grave. Uma pessoa deve consultar seu médico se não puder comer uma refeição completa com frequência ou se se sentir cheia após apenas algumas mordidas.

Casos prolongados de saciedade precoce podem causar problemas como desnutrição e fome. Eles também podem levar a outras complicações de saúde associadas à má nutrição. Um profissional de saúde trabalhará para diagnosticar a causa da saciedade precoce. Tratar a causa subjacente pode ajudar a aliviar a saciedade precoce e evitar episódios futuros.

Fonte: Medical News Today

Retirar o glúten da alimentação pode fazer mal?

O consumo de glúten vem sendo amplamente discutido na alimentação diária. Ingeri-lo ou não? No Brasil a doença celíaca atinge mais de 2 milhões de pessoas, de acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil e para esta porcentagem da população a restrição à proteína é inevitável, é uma questão de saúde.

Além das pessoas que possuem Doença Celíaca, a retirada do glúten também é indicada para quem possui sensibilidade ao glúten não celíaca e para quem faz tratamento para Síndrome do Intestino Irritável. Nestes casos, a retirada da proteína é necessária e deve ser realizada sob orientação de um nutricionista. Mas e quem apenas opta por retirar o glúten sem possuir sensibilidade à substância?

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A nutricionista Luiza Carvalho, da Schär, explica que não existem efeitos colaterais ou malefícios em adotar uma dieta sem glúten. “O glúten é uma proteína de baixo valor nutricional, portanto, ao excluí-la, a pessoa não apresentará déficit na alimentação, mas é sempre importante que, qualquer mudança ou restrição alimentar, seja acompanhada por um nutricionista, já que cada pessoa tem necessidades específicas”.

A especialista ainda reforça que é sempre bom buscar por alimentos sem glúten que possuam ingredientes nutricionalmente interessantes, com adição de fibras, por exemplo, e sem aditivos artificiais, como conservantes, aromatizantes e corantes.

Luiza explica que o glúten é a única proteína que o corpo humano não é capaz de digerir completamente. Por esse mesmo motivo, pessoas que buscam um estilo de vida mais equilibrado ou que têm dificuldade na digestão, optam pela alimentação isenta de glúten, evitando o processo de má digestão e reduzindo o nível de inflamação do organismo. Estudos apontam que atletas de alta performance também se beneficiam da retirada do glúten da alimentação, melhorando seu rendimento.

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A nutricionista ainda lembra que retirar glúten não tem nenhuma relação com perda de peso. “A perda de peso não depende exclusivamente do glúten, mas, sim, das escolhas alimentares realizadas. Quando uma pessoa opta por uma dieta sem glúten, muitas vezes ela tem uma perda de peso devido à exclusão de alimentos calóricos e ricos em carboidratos, como pães, massas e farinhas refinadas”, finaliza Luiza.

Fonte: Schär

Low Fodmap: dieta melhora desconfortos intestinais

Conviver com desconfortos intestinais, como cólicas, diarreia, constipação e gases, pode ser indício de sensibilidade a um grupo de alimentos composto por carboidratos de cadeia curta. Para sanar esses sintomas, entra em cena a dieta low fodmap, que tem como objetivo restringir por um período os alimentos que dificultam a digestão.

A nutricionista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Silvia Ribeiro Messalem, tira as principais dúvidas sobre o protocolo. Confira:

1. O que é a dieta low fodmap?

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“Low Fodmap” é um termo em inglês (fermentable, oligosaccharides, disaccharides, monosaccharides and polyols) que usamos para dietas com restrição dos cinco tipos de carboidratos citados na sigla: monossacarídeos, dissacarídeos, fruto-oligossacarídeo, galacto-oligassacarídeo e polióis. Esses componentes são de cadeia curta, fermentativos e não digeridos pelo intestino delgado. Além de absorverem mais água para o meio intestinal, são rapidamente fermentados por bactérias, o que facilita o surgimento dos desconfortos intestinais.

2. É indicada para qualquer pessoa ou somente para quem tem intolerância? Quem deve seguir?

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O protocolo é indicado apenas a pacientes que tenham alguma indicação específica. Estudos apontam que a low fodmap seja capaz de controlar os sintomas da Síndrome do Intestino Irritável (SII), além de outras alterações gastrointestinais.

3. Quais sintomas indicam necessidade da dieta?

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Os sintomas mais comuns são: flatulência (gases), má digestão, distensão abdominal, constipação ou diarreia, cólicas, Síndrome do Intestino Irritável (SII) e disbiose – desequilíbrio da microbiota intestinal.

4. Quais são os benefícios dessa dieta?

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O protocolo, que envolve a retirada dos alimentos ricos em fodmap, auxilia no desaparecimento dos sintomas de desconforto intestinal, quando a causa realmente é alimentar. Porém, se os sintomas persistem mesmo com a exclusão dos alimentos, a dieta deve ser interrompida.

5. Os alimentos que serão excluídos por um tempo do cardápio do paciente causam desconforto em todo mundo? Como eles agem no organismo?

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Getty Images

Nem todos indivíduos apresentam problemas com a fermentação desses carboidratos. Porém, alguns podem manifestar sensibilidade com leve desconforto, enquanto outros, podem vir a ter sintomas. No atual cenário, é muito mais comum do que se pode imaginar, atender pacientes que relatam tais sintomas e desconfortos. Quanto à exclusão dos alimentos, é importante ressaltar que é feita somente com os carboidratos que não são bem absorvidos e completamente digeridos pelo organismo. Como eles são fermentados por bactérias, acabam causando um supercrescimento desses micro-organismos e, consequentemente, ocasionando outros problemas, como os desconfortos intestinais.

6. Neste período de restrição, há uma compensação com outros alimentos para manter a dieta saudável e equilibrada?

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Pixabay

Todo protocolo deve ser montado por um nutricionista, que indicará uma dieta equilibrada, com outros carboidratos, fibras, minerais e vitaminas que não estão listadas no fodmap. Com base nisso, o profissional tem como opção desenvolver receitas para o paciente com os alimentos permitidos, para que ele tenha várias opções disponíveis.

7. Por quanto tempo deve ser executada essa dieta?

mulher comendo iogurte
O protocolo deve ser seguido entre seis a oito semanas. Este período é o suficiente para que os sintomas desapareçam ou não, e após uma avaliação médica e nutricional, inicia-se a reintrodução dos alimentos de forma cautelosa, em pequenas quantidades e de forma isolada; com isso é possível identificar os grupos causadores do desconforto.

Confira quais são os alimentos considerados fodmaps:

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Foto: Mitaukano/Pixabay

Os monossacarídeos (frutose) podem ser encontrados, em sua forma natural, na maçã, pera, manga, aspargos e ervilha. Já em industrializados, nos alimentos com xarope de milho, xarope de frutose, como: mel artificial, biscoitos, refrigerantes e geleias.

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Foto: Hotblack

Os dissacarídeos (lactose) estão presentes no leite de vaca, de cabra, ovelha, queijo ricota e cottage. Assim como em produtos prontos como sorvete, iogurte e outros que contenham leite. Já os fruto-oligossacarideo (FOS), são encontrados na cebola, alho, trigo, centeio, beterraba, couve, entre outras frutas e legumes. Mas também em farinha de trigo, bolos, ketchup, maionese, carnes processadas como salsicha e presunto.

grao de bico

A lista continua com os galacto-oligossacarideo (GOS), que está presente na lentilha, grão-de-bico, feijão, grãos integrais de soja e em produtos que contenham esses alimentos.

xilitol

Por fim, os polióis estão na composição de frutas como pêssego, damasco, ameixa, abacate, e também em cogumelos, adoçantes com xilitol, manitol, sorbitol e produtos com glicerina.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Para existir saúde plena, o intestino tem que funcionar bem, por Leonard Verea*

O intestino determina, em grande parte, nossas emoções, estado mental e até preferências alimentares. Da saúde do intestino depende a saúde do cérebro. À primeira vista, essas afirmações podem parecer irreais – mas não são. Considere os seguintes fatos:

O intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões – perdendo apenas para o cérebro em número de neurônios. Ele fabrica muito mais serotonina que o cérebro. Mais exatamente 95% dela são fabricadas e armazenadas no intestino. Serotonina é um neurotransmissor – substância química fabricada pelos neurônios e que possui papel vital na transmissão e processamento das informações e estímulos sensoriais por meio dos neurônios.

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O equilíbrio da serotonina determina, em última análise, o “fundo musical” dos nossos pensamentos. Dependendo do fundo musical, uma mesma cena (pensamento) pode ser interpretada como alegre, triste, pavoroso, engraçado, neutro, relaxante ou aterrorizante.

Além da serotonina, o intestino fabrica e utiliza mais de 30 neurotransmissores – substâncias envolvidas na transmissão e processamento das informações pelos neurônios, tanto do intestino quanto do cérebro. Todos esses neurônios e neurotransmissores são necessários para a complexa função que é a passagem dos alimentos pelo intestino – a chamada digestão.

O processo de digestão envolve, entre outras coisas, o monitoramento da pressão exercida pelo alimento na parede do intestino a cada momento; o movimento coordenado desse alimento ao longo do intestino; o progresso do processo digestivo; a concentração de sal, nutrientes, acidez, alcalinidade – tudo isso sem ajuda do cérebro.

Ao mesmo tempo, esses mesmos neurônios e neurotransmissores, em conjunto com os do cérebro, fazem parte da rede neural responsável pela conexão entre o bem-estar emocional e o bem-estar físico. E também, é claro, o mal-estar.

Neurotransmissores como a serotonina conectam o que ocorre no cérebro com o que ocorre no intestino e vice-versa. A quase totalidade de quem sofre de doenças crônicas envolvendo o cérebro, como, por exemplo, depressão, pânico, ansiedade, enxaqueca, autismo, esquizofrenia etc, sofre também de problemas no sistema digestivo em maior ou menor grau, como constipação intestinal (intestino preso), síndrome do intestino irritável (alternância entre períodos com intestino muito solto e períodos com intestino preso), cinetose (enjoo fácil quando em movimento, por exemplo, numa simples viagem de carro ou ônibus), colite, doença de Crohn (tipo especial e potencialmente grave de inflamação no intestino), e todo tipo de má digestão e intolerâncias alimentares.

Emoções extremamente fortes podem causar desde “frio no estômago” até diarreia e/ou vômitos. Quantos de nós não lembramos de pelo menos um dia muito importante, na infância ou adolescência – pode ter sido uma viagem muito esperada, um prêmio muito antecipado, um final decisivo de torneio ou competição, ou até uma prova escolar – quando, justamente naquele dia, aconteceu uma diarreia e/ou vômito “inexplicável”?

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Situações de estresse podem também provocar um aumento da permeabilidade do intestino, resultando na absorção de “pedaços” maiores, incompletamente digeridos, de material digestivo, os quais, uma vez na circulação sanguínea, não são reconhecidos pelo organismo como nutrientes a serem aproveitados, mas, sim, como corpos estranhos a serem atacados pelo sistema imunológico, provocando reação com produção de anticorpos. Uma reação inútil, que apenas serve para criar todo um estado inflamatório no nosso corpo e cérebro, o que predispõe a uma série de doenças. Isso além de diminuir o “gás” de nosso sistema imunológico para combater os vírus e bactérias causadores de doenças que realmente importam, e predispondo, em consequência, a toda sorte de infecções.

Alimentos ásperos, de impossível digestão – inclusive muitas das tão festejadas “fibras” – podem causar irritação e dano às delicadíssimas células epiteliais que recobrem o intestino, resultando em aumento da permeabilidade do intestino com as mesmas consequências do parágrafo anterior.

Você já se perguntou como os “chás emagrecedores” funcionam? Eles agem provocando irritação no intestino, o que resulta em digestão incompleta, absorção incompleta, aumento da velocidade do “trânsito intestinal” e eliminação mais rápida de alimentos que poderiam ter sido muito melhor digeridos. Não sem que alguns desses “pedaços” tenham sido indevidamente absorvidos, provocando – mais uma vez – um estado inflamatório em todo nosso organismo.

A esta altura você já deve ter compreendido que o mesmo processo vale para quem faz uso muito frequente de laxantes – naturais ou não. E inflamação inútil é exatamente o que não precisamos. As mais variadas doenças são causadas e/ou “turbinadas” por processos inflamatórios. Não apenas doenças acompanhadas de dor – como enxaqueca, cólicas menstruais, tendinites, fibromialgia e muitas outras “ias”, “ites” e dores que existem no universo –, mas também doenças que não envolvem dor física. Porém, envolvem processos inflamatórios, como esclerose múltipla, esquizofrenia, autismo, entre uma série de problemas de ordem cerebral, mental e comportamental.

Cada vez mais, a ciência vem percebendo que por trás de todas as doenças existe um componente inflamatório. Tais reações de anticorpos contra “pedaços” mal digeridos de nutrientes pode ter consequências ainda mais desastrosas, na eventualidade de um desses “pedaços” ser confundido, pelo sistema imunológico, como sendo uma parte do corpo. Nesse caso, anticorpos começam a atacar estruturas do próprio corpo (por exemplo da glândula tireoide, cérebro, articulações ou qualquer outro órgão ou tecido), simplesmente por confundirem essas estruturas pertencentes ao nosso organismo com a estrutura química tridimensional de algum desses “pedaços” de material digestivo presentes, indevidamente, na circulação.

Esta confusão e ataque a estruturas do nosso próprio corpo por parte dos anticorpos recebe o nome de autoimunidade. Doenças autoimunes são aquelas que resultam do ataque a órgãos e tecidos do corpo pelos nossos próprios anticorpos. Alguns exemplos são doença celíaca, diabetes do tipo I, tireoidite de Hashimoto, artrite reumatoide e doenças cerebrais como esclerose múltipla.

Até mesmo doença de Parkinson (Nature Communications 5, artigo número: 3633, publicado em 16 de abril de 2014), autismo (Molecular Psychiatry 18:1171-1177, Nov 2013), e transtorno obsessivo-compulsivo (http://www.health.harvard.edu/blog/can-an-infection-suddenly-cause-ocd-201202274417) passaram a fazer parte da lista de suspeitos de possível fundo autoimune.

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Podemos também olhar a conexão intestino-cérebro por outro ângulo: uma criança (ou adolescente, ou adulto) não come bem, vive à base de “produtos alimentícios” industrializados, refinados, desvitalizados, pobres em nutrientes e que até prejudicam, de uma forma ou de outra, a integridade do intestino e absorção de nutrientes necessários para o bom funcionamento do cérebro.

Com o tempo, isso causa prejuízo das funções mentais mais sofisticadas, como memória, atenção, concentração e humor. Isso, por sua vez, leva a um aumento do estresse que, como vimos acima, resulta em um prejuízo ainda maior da função de absorção de nutrientes pelo intestino, criando um círculo vicioso que, inevitavelmente, resulta em doenças e piora do estado mental e comportamental.

Qual a doença, ou qual a manifestação indesejável do estado mental e/ou comportamental que uma pessoa poderá ou não apresentar, dependerá das predisposições genéticas que ela possuir.

Esse círculo vicioso somente pode ser quebrado por meio do conhecimento que você começa a adquirir ao ler este artigo. Afinal, somente o conhecimento pode levar a mudanças-chave no estilo de vida.

Você ou suas crianças têm “alimentação rica em fibras”? À luz do que foi discutido, isso pode não ser tão bom quanto se imagina. Tudo depende das fibras utilizadas. O termo “fibras” pode incluir elementos que, mesmo moídos, esfarelados, cozidos e mastigados, continuam “duros”, “pontudos”, “cortantes” e agressivos para a delicada camada celular que compõe as vilosidades e criptas microscópicas do nosso intestino, causando má absorção, aumento da permeabilidade, e todas as possíveis consequências.

Você cozinha seus alimentos o quanto mais depressa, na panela de pressão, para economizar tempo e conta de luz/gás? Lembre-se que o cozimento lento (por mais tempo, no fogo baixo) ajuda a pré-digerir os alimentos, de modo a tornar o processo digestivo menos agressivo e menos oneroso para nosso intestino, otimizando a absorção de nutrientes e preservando a integridade do tecido epitelial intestinal.

Deixar grãos de molho por 24 horas (feijão, arroz integral, lentilhas, grão-de-bico etc), antes de cozinhá-los lentamente, é uma maneira excelente de aumentar a digestibilidade desses grãos, e minimizar a agressividade deles para com nosso intestino. Nossos antepassados da era ‘pré-alimentos-industrializados’ sempre faziam isso. Ah, e também deixavam o pão fermentar naturalmente por muitas horas, o que melhora a digestibilidade do trigo.

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Hoje vivemos em um mundo com cada vez menos tempo para cozinhar, porém cada vez mais doente. Colite, enxaqueca, depressão, pânico, intestino irritável, comportamento agressivo, autismo, distúrbio bipolar e doenças autoimunes estão cada vez mais frequentes, segundo as estatísticas.

Conclusão: para existir saúde plena, o intestino tem que funcionar bem.

Leonard Verea psiquiatra

*Leonard F. Verea é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap, empresa voltada à implementação e manutenção das condições de saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Nota da Redação: os artigos aqui publicados não refletem, necessariamente, a opinião do blog.