Arquivo da tag: ABA

Dez sinais de alerta para se detectar o autismo*

É provável que a maioria das pessoas nunca tenha ouvido falar tanto no Transtorno do Espectro Autista (TEA) quanto atualmente, mas ainda há dúvidas sobre o que realmente é, seus sintomas e as implicações para o indivíduo. O TEA é conhecido também de diferentes maneiras, como Transtorno Autístico (Autismo), Transtorno/Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Global ou Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação e é considerado um dos transtornos do neurodesenvolvimento.

Entre as organizações que oferecem avaliação diagnóstica para identificar casos de TEA está a Apae de São Paulo, referência no tratamento de deficiência intelectual. Por meio do Ambulatório de Diagnóstico, profissionais investigam sinais característicos desta condição em crianças, jovens e adultos. Os atendimentos podem ser realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde e consultas particulares.

No diagnóstico é detectado se o paciente possui características que envolvam prejuízos na interação social, na linguagem/comunicação, e se há padrões repetitivos de comportamento. A orientação é para que os pais, professores e/ou responsáveis procurem auxílio médico quando há os seguintes sinais:

criança menino loja pixabay

1. Pouco contato visual: a criança não olha quando é chamada pelo nome ou não sustenta o olhar.

2. Não interagir com outras pessoas: não interage com outras pessoas por meio de sorrisos, por exemplo.

criança comida alimento

3. Bebês que não fazem jogo de imitação: os bebês começam a imitar atitudes e comportamentos por volta dos seis a oito meses de vida, portanto, deve-se ficar atento quanto à ausência desse comportamento.

4. Não atender quando chamado pelo nome: a criança pode parecer desatenta, pois não atende quando é chamada pelo nome.

criança tablet pixavay
Pixabay

5. Dificuldade em atenção compartilhada: não demonstra interesse em brincadeiras coletivas e parece não entender a brincadeira.

6. Atraso na fala: criança acima de dois anos que não fala palavras ou frases.

menina criança praia boné píxabay
Pixabay

7. Não usar a comunicação não-verbal: não usa as mãos para indicar algo que quer.

8. Comportamentos sensoriais incomuns: se incomoda com barulhos altos, por vezes colocando as mãos nos ouvidos diante de tais estímulos; não gosta do toque de outras pessoas, irritando-se com abraços e carinho.

menino brincando com carrinho criança autismo
Pexels

9. Não brinca de faz de conta: não cria suas próprias histórias e não participa das brincadeiras dos colegas. Também não utiliza brinquedos para simbolizar personagens. Suas brincadeiras costumam ser solitárias e com partes de brinquedos, como a roda de um carrinho ou algum botão.

10. Movimentos estereotipados: apresenta movimentos incomuns, como chacoalhar as mãos, balançar-se para frente e para trás, correr de um lado para outro, pular ou girar sem motivos aparentes. Os movimentos podem se intensificar em momentos de felicidade, tristeza ou ansiedade.

Não há medicação para o TEA, mas há casos em que são necessárias medicações para controlar quadros associados ao autismo, como insônia, hiperatividade, impulsividade, irritabilidade, atitudes agressivas, falta de atenção, ansiedade, depressão, sintomas obsessivos, raiva e comportamentos repetitivos. Em alguns casos, o indivíduo desenvolve problemas psiquiátricos.

O tratamento do autismo baseia-se em estratégias como:

familia pixabay lumpi
Lumpi/Pixabay

=Treinamento dos pais: é a família que mais interage e estimula o comportamento das crianças, portanto, um tratamento eficaz depende do auxílio dos familiares e amigos.

=Análise Aplicada do Comportamento (ABA): a Metodologia de Análise Aplicada do Comportamento (ABA – Applied Behavior Analysis) é um conjunto de procedimentos aplicados com o intuito de melhorar o comportamento socialmente adaptável e a aquisição de novas habilidades por meio de práticas intensas.

musica criança autismo shutterstock
Foto: Shutterstock

=Tratamento e Educação para Crianças Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação (Teacch): é um programa desenvolvido para educadores. Desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, e iniciado em 1972 por Eric Schopler, tem sido amplamente incorporado nos contextos educativos e contribuído para uma base concreta de intervenções do autismo. É também chamado de estrutura de ensino, pois de baseia na evidência e observação de que indivíduos com autismo compartilham um padrão de comportamento semelhante na maioria dos casos.

=Psicoterapia em abordagem cognitivo-comportamental (TCC): a abordagem psicológica demonstra ter eficácia nos quadros de ansiedade, autoajuda e habilidades de vida diária.

Para a Apae de São Paulo, o diagnóstico precoce é fundamental para que o indivíduo possa receber o tratamento adequado e desenvolver uma vida produtiva e inclusiva, com chances de estudar e trabalhar. A Organização atua há 57 anos para promover assistência e desenvolver o potencial de seus pacientes, a fim de capacitá-los e incluí-los na sociedade.

*Por André Luiz de Sousa, Cindy Mourão, Regina Viana Nojoza e Luciana Mello Di Benedetto, psicólogos/neuropsicólogos do Ambulatório de Diagnóstico da Apae de São Paulo

Bibliografia: Gadia, Carlos A.; Tuchman, Roberto; Rotta, Newra T. Autismo e doenças invasivas de desenvolvimento. Jornal de pediatria, v. 80, n. 2, p. 83-94, 2004.

 

 

Dia Mundial da Conscientização do Autismo: mitos que atrapalham o tratamento

Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (Cerne) destaca a importância do atendimento precoce do transtorno

Neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo (2 de abril), o Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (Cerne) deseja contribuir para desfazer mitos que dificultam a identificação do espectro autista e seu tratamento.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é a deficiência que mais afeta o neurodesenvolvimento em crianças. Os indicadores norte-americanos têm apontado um aumento na prevalência de casos, passando de 1 em cada 166 pessoas em 2002 para 1 em cada 59 pessoas em 2018. “Esses dados refletem a necessidade de se investir não apenas em pesquisas para descobrir suas causas, mas também em tratamentos que reduzam os sintomas”, salienta a psicóloga do Cerne especializada em TEA, Giulianna Kume.

Diante de um transtorno que vem aumentando significativamente, é imprescindível que a sociedade esteja mais informada para identificar precocemente os sintomas e desenvolver mecanismos de intervenção para que autistas possam participar ao máximo da vida em sociedade, possibilitando maior independência e autonomia.

Portanto, vamos desfazer esses quatro mitos:

1) O comportamento do autista é imutável.

menino criança

Mito: TEA é caracterizado por um déficit na comunicação e interação social, além de apresentar comportamentos restritos. Essas dificuldades afetam não apenas a plena participação da pessoa na sociedade, mas sobretudo o processo de aprendizagem. Atualmente, têm sido ofertados diversos tipos de terapias e tratamentos para minimizar o impacto do TEA na vida dos indivíduos.

2) Não há comprovação científica para o tratamento do autismo.

criança-brincando-jenga

Mito: a análise do comportamento aplicada (ABA) tem sido a terapia mais indicada e com maior comprovação científica de eficácia no tratamento do TEA. Ela consiste na aplicação dos princípios da ciência na análise do comportamento em contextos de intervenção social. Utiliza-se de procedimentos para aumentar e refinar o repertório comportamental.

3) É preciso esperar a criança crescer para iniciar o tratamento.

mae filho criança livro stocksnap pixabay
Foto: Stocksnap/Pixabay

Mito: um fator importante no tratamento é a precocidade. Quanto antes for realizado o diagnóstico e a intervenção melhores são os resultados e a resposta da criança. Isso devido ao desenvolvimento neurológico, que permite maior aprendizagem, e aos atrasos menores em relação a indivíduos neurotípicos de mesma idade.

4) Crianças não respondem tão bem ao tratamento.

crianças exercícios ginástica clker-free pixabay
Ilustração: clker-free pixabay

Errado: o modelo Denver é uma terapia com embasamento em ABA para intervenção precoce de crianças com TEA. É o tratamento com melhor taxa de resposta para crianças com idade de 12 a 60 meses. Em 2012, foi eleito pela revista Time uma das 10 maiores descobertas na área médica. Seu maior objetivo é ensinar a criança a partir do fortalecimento da interação social em jogos e brincadeiras, simulando um ambiente muito próximo ao natural.

Fonte: Cerne

 

Especialista alerta: nem todo psicólogo tem capacitação para tratar criança autista

Entenda a importância da especialização na área da Análise do Comportamento Aplicada no momento de buscar tratamento para a criança com TEA (Transtorno do Espectro Autista)

É de conhecimento geral da população que um médico cardiologista, oftalmologista, ginecologista, ou de qualquer outra especialidade tenha formação nas áreas de atuação. Não basta ele apenas ser médico, precisa de uma pós-graduação, se aprofundar na técnica, teoria para depois buscar experiência na prática, para então, estar apto a atender na especialidade.

Você sabia que na psicologia funciona da mesma forma? Todo o profissional que deseja tratar de crianças autistas e aplicar a terapia chamada ABA (Análise do Comportamento Aplicada), deve passar por um curso de especialização, após a formação acadêmica na área.

Se estivéssemos diante de um conselho médico e fosse relatado que um paciente passou por uma cirurgia cardíaca realizada por um clínico geral a comoção, sem dúvida, seria generalizada. Na Psicologia, entretanto, isso tem se tornado comum e, o que é mais grave, com pacientes altamente vulneráveis e que necessitam do tratamento correto e intensivo para que possam ter um melhor prognóstico no futuro.

Infelizmente, muitos profissionais de psicologia não seguem o importante pré-requisito e têm oferecido o tratamento em ABA, sem ao menos ter o conhecimento profundo na área. Motivo para os pais ficarem atentos. Afinal, entregam o bem mais preciso que são os filhos, para serem tratados da melhor maneira por um profissional capacitado.

menino criança

Atualmente, tem crescido no país o número de casos de crianças e adolescentes diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo). Por consequência, muitos pais têm procurado o tratamento a seus filhos e, muitas vezes, buscado judicialmente que o Estado ou planos de saúde custeiem o tratamento em ABA, prescrito pelo médico. Com a demanda crescente para Analistas do Comportamento Aplicados ao campo do Autismo, e a ampla oferta de psicólogos no mercado, cada vez mais, profissionais que não possuem qualquer titulação de pós-graduação ou experiência comprovada de atuação sob supervisão em Análise do Comportamento Aplicada, atuam com ABA ao autismo.

“ABA é um Ciência aplicada do comportamento que pode ser utilizada para trazer soluções de problemas a fenômenos de relevância social, entre eles, o autismo. O clássico livro americano ‘Applied Behavior Analysis’ de Cooper, Haron e Heward (2007), descreve cerca de 95 habilidades necessárias para a prática de tal profissional. Tais habilidades vão desde a realização de uma análise funcional apurada, passando por procedimentos de ensino e de mudança de comportamentos, até a forma de registro e avaliação de resultados. Portanto, o aprendizado de uma ciência além de complexo, tem de ser contínuo. A quem deseja atuar em uma ciência natural que se propõe a predizer comportamento e desenvolver repertórios comportamentais, cabe o enfrentamento de anos de estudo e dedicação que nunca devem se exaurir. Além disso, a atuação de modo competente é também resultado da experiência do profissional sob supervisão de um analista do comportamento experiente e esse quesito deve, também, ser considerado”, afirma a especialista em neuropsicologia e Analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir, Renata Michel.

Nos Estados Unidos, país com maior número de analistas do comportamento do mundo, foi criado há cerca de 30 anos a certificação denominada BCBA (Behavior Analyst Certification Board). Para obter esse certificado é exigido mestrado, horas de experiência (cerca de 1500), e, ao final, aprovação em um exame. O título do BCBA é reconhecido internacionalmente e tais critérios evidenciam a especificidade de conhecimentos necessários ao Analista do Comportamento. A adoção de um critério similar na realidade do nosso país faz-se cada vez mais necessária.

Tendo isso em vista, associações como a ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental), ACBr (Associação Brasileira de Análise do Comportamento) e o LAHMIEI (Laboratório de Aprendizagem Humana), inserido na estrutura administrativa do Departamento de Psicologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) recomendam na procura do Analista do Comportamento o nível de pós-graduação, o que pode mais claramente atestar sua qualificação profissional para atuação.

“Como se trata de uma ciência, com produção de conhecimento ininterrupta, é também necessário que o Analista de Comportamento se mantenha constantemente atualizado. A Análise de Comportamento Aplicada (ABA) é a base para os tratamentos mais indicados para o TEA, segundo a Organização Mundial de Saúde. As mudanças recorrentes no campo da Educação Especial, principalmente a partir da década de 90, através das políticas de inclusão, deveriam fazer com que todos os profissionais refletissem sobre suas práticas e buscassem capacitação. É condição Sine Qua Non que os governos apoiem tais profissionais e auxiliem e oportunizem essas capacitações, pois não existe inclusão sem especialização”, afirma a Profa. Dra. Giovana Escobal, vice-coordenadora do Instituto LAHMIEI, da UFSCar.

grupo conduzir
Paciente do Grupo Conduzir durante terapia em ABA com sua terapeuta.

Celso Goyos, cordenador do Instituto LAHMIEI, da UFSCar, afirma: “O melhor tratamento para o TEA, baseado em ABA, implica em início precoce, duração mínima de dois anos, intensidade de 30 a 40 horas por semana, e supervisão de um analista de comportamento capacitado e experiente. O tratamento é altamente complexo e exige uma integração dos recursos, envolvendo aplicadores (técnicos e profissionais da área da saúde ou educação), escolas e pais, e exige a supervisão capacitada e experiente”.

Rosane Cardoso Lacerda, administradora de empresas, tem um filho de 4 anos, que é tratado pela abordagem ABA há um ano. Ela comenta que chegou a procurar por tratamento em vários locais, que diziam ter a especialização na área, mas que na verdade não possuíam habilitação. Ela decidiu, então, pesquisar a fundo, exigir comprovação até encontrar o lugar ideal para o tratamento do filho: “O progresso no meu filho só se deu após ingressarmos no tratamento correto, em um local verdadeiramente especializado em ABA. Após isso, a evolução foi notória, tanto na postura dele, quanto na linguagem. Sem contar que ele adora as terapeutas, já criou um vínculo e afinidade por todo o carinho dedicado a ele ao longo do tempo.”

Por isso é importante que os pais estejam atentos. Procure apenas profissionais que tenham a especialização ou supervisão e um especialista em ABA. Dessa maneira, a evolução no tratamento da criança com TEA pode ser realmente vista nos resultados apresentados.

Fonte: Grupo Conduzir