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Consumo de doces por adolescentes cresce 48% durante pandemia

Opções de alimentos e produtos que substituem a sacarose auxiliam no emagrecimento, regulam o humor e ajudam na prevenção de doenças

Diminuir a ingestão de açúcar não é uma tarefa fácil. Além do sabor considerado agradável, alimentos com alto teor de sacarose (popularmente conhecido como açúcar branco) funcionam como calmantes emocionais e, por isso, são consumidos em excesso durante momentos de tensão e preocupação, seja por crianças, jovens ou adultos.

A pandemia e as incertezas geradas por ela podem acentuar ainda mais o abuso do ingrediente. Segundo recente pesquisa publicada no periódico científico Nutrients, que contou com a participação da Fiocruz, a porcentagem de adolescentes que consomem doces diariamente cresceu de 14% para 20,7% durante o período de isolamento social – um aumento de 48%, aproximadamente.

Seja nesta fase da vida, na infância ou na fase adulta, uma dieta balanceada e que priorize a redução do consumo do açúcar branco pode trazer diversas vantagens para o organismo – entre elas a perda de peso, a regulação do humor e a prevenção de doenças, como hipertensão, problemas cardiovasculares, obesidade e diabetes. Além disso, a baixa ingestão de sacarose ainda auxilia na saúde da pele e ajuda no equilíbrio do sistema nervoso.

De acordo com a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Jasmine Alimentos, Melissa Carpi, a busca por opções mais saudáveis já tem sido sentida pela indústria. “Em tempos como esse que estamos vivendo, as pessoas percebem a importância de adequar a alimentação. Então, cada vez mais, os alimentos saudáveis, orgânicos, integrais e com baixo teor de açúcar estão entrando na rotina das famílias que buscam a melhoria do bem-estar e o aumento da imunidade”, afirma.

A indústria de alimentos tem investido em soluções alternativas à sacarose, com opções naturais e até mesmo de produtos que não possuem origem animal. “Além da preocupação com a saúde, a proveniência da comida e sua sustentabilidade têm feito parte do debate sobre alimentação”, acrescenta Melissa.

Alternativa ao açúcar

Graças a esse cuidado com a origem dos alimentos, a Calda de Agave tem caído no gosto de consumidores e, principalmente, de nutricionistas e influencers de saúde, que trocaram até mesmo o mel (alternativa conhecida como ‘mais saudável’ ao açúcar branco) e tenham aderido ao adoçante natural de origem 100% vegetal.

“Por se tratar de um produto à base de frutose natural e com baixo teor de sacarose, a Calda de Agave se torna uma ótima escolha, por ser muito indicada para adoçar bebidas, cafés, sucos e vitaminas. O produto funciona ainda como ingrediente para preparações culinárias, como bolos e doces. Outra vantagem é a substituição do mel como adoçante natural, já que é o Agave proveniente de uma planta nativa do México e não agride o habitat das abelhas, tornando-se também uma opção viável para a comunidade vegana”, explica a nutricionista da E4 e consultora da Jasmine Alimentos, Karla Maciel.

A profissional ainda salienta que, além de alternativa ao açúcar e ao mel, a calda de Agave também combina com frutas, iogurtes e cereais no café da manhã. “O poder de adoçar desse ingrediente é até 1,5 vezes maior que a sacarose comum”, finaliza.

Linha Zero Açúcar

Além de possuir sua própria Calda de Agave Orgânico, prática, de fácil dissolução e pronta para o consumo, a Jasmine Alimentos também conta com uma linha completa de produtos zero açúcar para o consumidor brasileiro, como cookies, granolas, rosquinhas e Stevine Líquido.

Fonte: Jasmine

Alienação parental vira problema com a pandemia

Paulo Eduardo Akiyama, advogado atuante em Direito de Família, indica curso on-line do CNJ para evitar esse tipo de conflito

A incidência de atos de alienação parental teve um crescimento bastante relevante desde março de 2020 segundo pesquisas feitas por institutos como o Observatório da Alienação Parental. A crise entre casais separados tornou-se mais constante, com discussões e demais conflitos no que se refere aos filhos. Além da privação de convivência imposta ao genitor não guardião, ainda se estendeu a toda família deste. As crianças acabaram sendo afastadas da convivência dos parentes com a desculpa da pandemia e eventual contaminação pelo coronavírus.

Paulo Eduardo Akiyama, advogado atuante em Direito da Família e sócio do escritório Akiyama Advogados Associados, informa que, em 25 de abril, é lembrado o Dia Internacional Contra a Alienação Parental, e sugere aos pais que realmente desejam o melhor aos seus filhos que se inscrevam na oficina de pais e mães do CNJ – Conselho Nacional de Justiça para poderem entender como os casais separados devem se comportar em relação à prole, afim de evitar a prática de atos alienantes.

O advogado destaca que os casos aumentaram por conta da obrigatoriedade do distanciamento social e deslocamento, causando mudança nas visitas pré-estabelecidas. “Muitos detentores da guarda, utilizando-se desta desculpa, atuando fortemente na prática de atos alienantes. Não podemos esquecer que filhos não são mobília da casa, mas sim, seres humanos que necessitam conviver com ambos os genitores e seus familiares. Claro que dentro de uma segurança sanitária, mas também deve-se garantir a convivência para a segurança psicológica”, alerta.

Akiyama ainda ressalta que a comunicação por videoconferência não substitui a convivência presencial entre o genitor não guardião e a prole. “A videochamada, como antes da pandemia, sempre é vista como um meio de comunicação temporária, ou seja, naqueles dias em que não esteja estabelecida a visita, mas não substitui a visita presencial, o contato, o calor humano, o diálogo, a participação em atividades, tudo isto é salutar a criança. A videoconferência trata-se apenas de um paliativo para contato, mas não é convivência”, observa.

Para o advogado, comportamentos alienantes que devem ser sempre evitados pelos genitores, como por exemplo, interromper abruptamente a ligação ou fazer comentários do tipo “chega de lero-lero”, entre outras manifestações. “Isto é prejudicial principalmente para a criança. Muitos pais esquecem que seus atos vão de encontro ao subconsciente da criança, que grava estas informações de repúdio e que, em um futuro próximo, se manifestará no seu comportamento”, adverte.

Ainda segundo Akiyama, qualquer um dos lados que age desta forma, esquece que as crianças crescem e um dia se darão conta do que lhes foi imposto, criando assim uma enorme decepção, em especial, com relação ao genitor praticante dos atos alienantes. “Na internet podemos encontrar vídeos que descrevem este comportamento, depoimentos de pessoas que foram vítimas da alienação parental”, exemplifica.

O advogado orienta sempre seus clientes a agirem em consenso para manter a convivência presencial, prolongando os dias de visita estabelecidos, visto que as aulas não têm ocorrido de forma presencial e também é optativo para os pais que não desejam enviar seus filhos à escola por medo da pandemia. “Há casos em que recomendei ao invés de o genitor visitante pegar o filho na sexta-feira ou no sábado, buscar na quinta feira e em vez de devolver no domingo, retornar com a criança na segunda-feira. Em vários casos isto ocorreu com enorme sucesso, quando não há prática de alienação parental”, comemora.

Fonte: Paulo Akiyama é formado em economia e em direito desde 1984. É palestrante, autor de artigos, sócio do escritório Akiyama Advogados Associados e atua com ênfase no direito empresarial e direito de família.

Adolescência e tecnologia: como e quando impor limites

Muitos pais têm dúvidas quanto ao momento e a forma correta de impor limites saudáveis na relação entre seus filhos e o uso dos aparelhos eletrônicos

Eles já nasceram em meio à tecnologia. Diferentemente de seus pais, que viveram boa parte de suas vidas num mundo analógico, os adolescentes de hoje não sabem o que é um mundo sem aparelhos eletrônicos, sem Internet e sem a virtualidade. Diante disso, muitos pais, muitas vezes, ficam em dúvida quanto a estabelecer um limite saudável para o uso de aparelhos tecnológicos, justamente porque ali, naquele aparelho, se fundem tanto vida pessoal quanto escolar, especialmente neste momento de distanciamento social.

menina adolescente celular

As orientadoras de Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional, Telma Portugal Pereira e Debora R. R. Hochheim, consideram que a tecnologia chegou para ficar e modificou as relações humanas em todas as esferas, inclusive, ou principalmente, na família, podendo afastar ou aproximar pais e filhos, dependendo do vínculo que se estabeleceu desde cedo entre eles.

Para elas, ao chegar à adolescência, filhos e pais passam a se enxergar de forma diferente, com ou sem a presença da tecnologia. Ainda assim, em todas as áreas de atuação do filho adolescente, os pais devem cuidar, observando seu desempenho e posturas, seja em meio à presença da tecnologia ou não.

Os pais devem observar tempo e conteúdo dos acessos. E esse limite, segundo elas, deve ser imposto bem antes que o filho chegue à adolescência. As orientadoras ressaltam que pais com autoridade conseguem manter os filhos em segurança em todos os aspectos, inclusive no mundo virtual.

Débora e Telma alertam aos pais que um sinal amarelo de que o adolescente possa estar ultrapassando os limites saudáveis de uso da tecnologia é quando ele deixa de participar de atividades importantes para o seu desenvolvimento, como convívio familiar e com amigos, responsabilidades escolares, etc. De acordo com elas, caso isso aconteça, é extremamente importante que os pais cumpram seu papel de responsáveis.

Quando o diálogo é construído no decorrer da educação, quando os próprios pais sabem ouvir e falar, quando dão exemplo, mais do que ditam o que deve ser feito, o embate acontece de forma adequada. As educadoras advertem que não é necessário evitar todo o embate na educação dos filhos, mas é imprescindível que eles entendam que os pais são os responsáveis por eles. É importante que sejam firmes nas decisões a tomar com seus filhos e que discutam entre si o que acham melhor para eles.

mulheres usando celular smartphone

Telma e Débora argumentam que o papel da escola nesse controle é o de alertar e orientar os alunos, assim como as famílias, oferecendo oportunidades de reflexão sobre o assunto, por meio de palestras ou até contato individual com os responsáveis ao perceber inadequação do comportamento do aluno, como sono em aula, baixa produção acadêmica, dificuldades no relacionamento com seus pares.

Fonte: Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional

 

Como evitar a alienação parental durante o divórcio, por Paulo Akiyama*

O processo de divórcio muitas vezes pode se tornar algo conflituosamente estressante e traumático para todos os membros da família, em especial para as crianças e adolescentes. É sempre bom lembrar aos pais para evitarem discussões e brigas na frente dos filhos, pois a ruptura conjugal por si só já traz grandes mudanças, e as eventuais brigas e discussões em frente aos filhos lhes proporcionarão lembranças emocionais prejudiciais ao desenvolvimento.

A separação do núcleo familiar pode ser agravada com a disputa da guarda dos filhos, questões financeiras e patrimoniais e sentimentos pessoais por parte dos envolvidos. Esse é o momento para os pais pensarem com calma ao tomarem novas decisões a fim de buscarem os meios de adaptação necessários tanto para os filhos quanto para si mesmos, principalmente por também estarem em um processo de transição de nova formatação de vida e convivência familiar.

A forma como os pais lidam com essas questões influenciam diretamente como os filhos se adaptarão a nova realidade familiar.

casal briga

Evitar envolver a prole nas disputas do casal é a melhor maneira de não prejudicá-los psicologicamente, em especial no desenvolvimento dos mesmos. Especialistas da psicologia ressaltam que o despreparo dos pais em situações como essa, principalmente se tratando de alienação parental, provoca graves consequências na formação emocional e social dos filhos.

A alienação parental encontra-se prevista na Lei n.º 12.318/2010, e descrito as formas de tal prática no parágrafo único do art. 2º, bem como no caput do mesmo artigo, considerado o ato de alienação parental como qualquer interferência na formação psicológica da criança ou adolescente promovido por um dos seus genitores, avós ou pelos que tenham sua guarda.

O comportamento dos pais, durante e após o divórcio, pode vir a trazer a total demolição do instituto família, influenciando na criação de uma nova programação psicológica nas crianças.

Estudos comprovam que as inquietações e insatisfações dos genitores acabam se projetando sobre os filhos, o que já se considera alienação parental.

Os pais devem se conscientizar que a parentalidade deve superar a ruptura conjugal. Seguindo este pensamento, o Brasil adotou a Oficina de Pais e Filhos, coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), visando aperfeiçoar o trabalho do sistema judiciário. Em 2014, o órgão, recomendou aos Tribunais de Justiça dos Estados a adoção destas oficinas como política pública e prevenção de conflitos familiares, disponibilizando vídeos e apresentações no portal do CNJ.

As oficinas ocorrem uma ou duas vezes ao mês, com duração de quatro a seis horas, compostas por profissionais voluntários capacitados para atuar nas modalidades: pai, mãe, adolescentes e crianças, a fim de promover a reflexão acerca do divórcio e parentalidade aos participantes, explanando as mudanças da família.

Nossos legisladores também buscam a saúde psicológica e o desenvolvimento de filhos de pais separados, vindo a ser publicada a lei 13.058/2014, incluindo a guarda compartilhada como sendo o meio de convivência entre filhos e cônjuges, especialmente quando os pais não tenham consenso sobre a guarda dos filhos e ambos estão aptos a exerce-la.

Em 2010, entrou em vigor a Lei 12.318 – Alienação Parental – com o seguinte fundamento: “Inibir a alienação parental e atos que dificultem o convívio entre a criança e seus genitores”.

pais discussão separação casamento

Assim, concluímos que, os pais devem antes de mais nada, pensarem em seus filhos, pois o nosso ordenamento jurídico assim o faz, ou seja, o principio da proteção da criança e do adolescente para conviverem com ambos os genitores de maneira equilibrada. A ruptura conjugal não é sinônimo de ruptura parental.

*Paulo Eduardo Akiyama é advogado atuante no direito de família e direito empresarial, possui também formação em economia. É sócio-fundador do escritório Akiyama Advogados Associados, atuando há mais de 20 anos. 

Meu filho repetiu de ano. E agora?

O ano letivo acabou e agora chegou o momento em que alguns pais irão se deparar com uma notícia não muito boa: a reprovação do filho na escola. Como agir em uma situação dessa? Os pais devem castigar ou consolar a criança? Como superar este momento difícil?

Uma reprovação nunca é uma notícia que pega a família desprevenida. Hoje, graças à tecnologia, a comunicação entre a família e a escola acontece em tempo real. Muitas escolas usam aplicativos, e-mail, mensagens e reuniões para se comunicar com os pais.

Portanto, ao longo do ano letivo, é perfeitamente possível ter um cenário do que vai acontecer no final das aulas. Mas, de qualquer maneira, quando a notícia vem, muitos pais podem ter dificuldade em gerenciar a situação.

Depositphotos criança desenhando

O lado cheio do copo

Segundo a neuropsicopedagoga, Viviani Zumpano, parceira da NeuroKinder, a reprovação pode ser negativa ou positiva, depende da maneira como é vista, tanto pelos pais como pelos educadores.

“Eu, como educadora, vejo a reprovação como uma oportunidade de resgatar conteúdos não aprendidos de anos anteriores, é uma chance de amadurecimento e fortalecimento da autoestima, já que este aluno será o mais forte entre os que estão chegando. Então, tudo depende do significado que se dá, tanto da parte da escola como da família”, afirma Viviani.

Quanto ao castigo, Viviani comenta que a reprovação é o castigo suficiente para o aprendizado do aluno sobre as consequências de não ter se dedicado aos estudos: “Reprovar significa que a criança ou o adolescente não tem os requisitos básicos para passar para o ano seguinte, portanto, o aspecto negativo a criança já tem. Brigar, ofender e agredir, seja verbalmente ou fisicamente, não tem nenhuma valia neste momento”.

E a especialista completa: “É preciso entender que a reprovação é o resultado final de um processo e não está ligada apenas às notas, nem ao último mês de aulas, está ligada à jornada deste aluno e aos seus comportamentos também”.

Segundo Viviani, os pais devem procurar trazer o que é positivo desta experiência reforçando que será uma nova chance de fazer tudo melhor, com mais dedicação e empenho. O novo ano será útil para a reafirmação e a sistematização do conhecimento. Os pais devem acolher o filho e empoderá-lo para enfrentar o ano seguinte.

menino criança

Reter pode ser inevitável

É possível evitar a reprovação? Para a especialista, o mais importante é que tanto a escola quanto os pais percebam a tempo os problemas na aprendizagem. “Se o aluno tem dificuldade em algumas matérias, por exemplo, o ideal é estabelecer estratégias para resgatar ou reforçar os conteúdos não aprendidos em sala de aula. Os pais podem procurar tutores, neuropsicopedagogos ou ainda professores particulares para isso”.

Por outro lado, a reprovação muitas vezes é inevitável. “A partir do segundo ano, o aluno é reprovado por notas. O reforço escolar para melhorar seu desempenho pode evitar retê-lo. Porém, na educação infantil e no primeiro ano, reprovar o aluno é algo discutido com a família. Isso porque é nestas séries que o aluno faz a consolidação do processo de alfabetização. Algumas crianças, por imaturidade, não conseguem alcançar a prontidão para a leitura e para a escrita. Portanto, avançar para a série seguinte só causará sofrimento”, explica Viviani.

Anos difíceis

A probabilidade de reprovação é maior nas viradas de ciclo. “Quando o aluno vai para o sexto ano passará por uma adaptação. Além de ter mais professores, o conteúdo será novo, é uma nova rotina e um novo ritmo de estudo. O mesmo acontece na entrada para o ensino médio. Então, estes são anos em que percebemos um maior número de alunos retidos, devido à dificuldade de adaptação. Assim, a recomendação é que os pais fiquem ainda mais atentos nessas séries para evitar a reprovação”, comenta a neuropsicopedagoga.

aula adolescente celular professor pixabay
Pixabay

Perfil do aluno x perfil da escola

Outro ponto é que uma das primeiras ideias dos pais é trocar a criança de escola depois de uma reprovação. Viviani comenta que os pais devem fazer a avaliação com calma. “Muitas crianças pedem para mudar de escola, mas antes de tomar essa decisão os pais precisam avaliar se o pedido não está por trás do medo de enfrentar situações desafiadoras, por exemplo. A criança precisa aprender a lidar com a frustração e a se esforçar para ter um bom desempenho, não podemos ceder apenas por conta da criança querer as coisas de modo mais fácil”.

Claro que é importante que a escola se enquadre no perfil da criança. Cada pessoa tem um perfil e isto impacta diretamente no aprendizado. “Se a criança é mais criativa e mais agitada, por exemplo, e estuda numa escola tradicional, pode enfrentar mais dificuldade no aprendizado. Uma investigação junto a um neuropediatra e a um neuropsicólogo pode ser útil para descartar transtornos do neurodesenvovimento ou de aprendizagem ou ainda para ajudar os pais na escolha da escola”, reflete Viviani.

Para finalizar, a especialista aconselha: “Os anos escolares são fundamentais na formação do ser humano. É essencial encontrar uma escola que seja adequada ao perfil do aluno e também aos valores da família. A parceria com os professores e coordenadores pedagógicos, a presença dos pais nas reuniões e o acompanhamento do desempenho ao longo do ano são estratégias preciosas para evitar a reprovação. Mas, se ela aconteceu, o que se pode fazer é incentivar a criança a ter bom ano por meio de dedicação e mudança de comportamento”.

Fonte: Neurokinder

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência

Karina Toledo | Agência Fapesp

Pais que exigem o cumprimento de regras e que monitoram constantemente as atividades dos filhos – buscando saber onde estão, com quem e o que fazem – correm menor risco de enfrentar problemas relacionados ao abuso de álcool e de outras drogas quando as crianças entram na adolescência.

A probabilidade torna-se ainda menor quando, além de monitorar e cobrar, os pais também abrem espaço para o diálogo, explicam o motivo das regras e se mostram presentes no dia a dia dos filhos, dispostos a acolher suas dificuldades – característica parental que especialistas chamam de “responsividade”.

A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.381 jovens de seis cidades brasileiras. Os resultados acabam de ser publicados na revista Drug and Alcohol Dependence.

“A principal conclusão do estudo é que o estilo parental, ou seja, o modo como os pais educam seus filhos, pode ser um fator de proteção ou de risco para o consumo de álcool e outras drogas na adolescência. Isso significa que os programas escolares de prevenção devem, além de conscientizar as crianças, também se preocupar em treinar habilidades parentais”, disse Zila Sanchez, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora da pesquisa apoiada pela Fapesp.

Os dados foram coletados em 62 escolas públicas das cidades de Tubarão (SC), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Participaram do levantamento estudantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental. A idade média dos entrevistados foi de 12,5 anos.

“Optamos por trabalhar com jovens que haviam acabado de entrar na adolescência para avaliar se, nessa fase, o estilo parental já estava influenciando o consumo de substâncias. Entretanto, como ainda são muito jovens, a prevalência de consumo ainda é baixa. Por esse motivo, consideramos no questionário quem havia feito uso ao menos uma vez no último ano”, explicou Sanchez.

Os questionários foram preenchidos pelos próprios adolescentes, sem a presença do professor, e depositados anonimamente em envelopes pardos – de modo a evitar inibição e constrangimento. Além de perguntas sobre o uso de drogas, também foram incluídas questões sobre o estilo parental (como os jovens percebiam os pais), condições socioeconômicas, comportamento sexual e violência escolar, entre outras.

A análise das respostas foi feita durante o doutorado de Juliana Valente, com Bolsa da Fapesp e orientação de Sanchez.

Por meio de um modelo estatístico conhecido como análise de classes latentes, foi possível dividir os entrevistados em três grupos de uso de drogas. A mais prevalente, com 81,54%, foi a classe dos “abstinentes/usuários leves”. Em seguida, com 16,65%, vieram aqueles considerados “usuários de álcool/bebedores pesados”. Por último, com 1,8%, os “poliusuários”, ou seja, aqueles que, além de álcool, usaram no último ano substâncias como tabaco, maconha, cocaína, crack ou inalantes (benzina e cola de sapateiro, por exemplo).

“O passo seguinte foi avaliar se os estilos parentais estavam associados a algum desses três perfis de consumo. Para isso, os pais também foram classificados em quatro tipos diferentes – segundo a avaliação dos adolescentes e critérios estabelecidos na literatura científica”, explicou Sanchez.

Com base em uma escala de avaliação consagrada em estudos internacionais e validada no Brasil, os perfis parentais foram classificados de acordo com dois domínios principais: “exigência” – o quanto os pais monitoram as atividades dos filhos e demandam o cumprimento de regras – e “responsividade” – o quanto são sensíveis às demandas dos filhos e abertos ao diálogo.

drogas
Estudo feito com mais de 6 mil jovens reforça a função protetora do estímulo ao cumprimento de regras. Pesquisa também indica que ricos bebem mais (Foto: Rebcenter / Wikimedia)

Pais com escore alto nos dois domínios foram classificados como “autoritativos”. Aqueles com escore alto apenas no domínio da exigência foram classificados como “autoritários”. Pais responsivos, mas que não monitoram as atividades dos filhos ou não se apegam a regras foram considerados “indulgentes”. Por último, aqueles com escore baixo nos dois domínios foram classificados como “negligentes”.

De modo semelhante ao observado em estudos internacionais, o estilo “autoritativo” foi o mais protetor, seguido pelo “autoritário” e, na sequência, pelo “indulgente”. Como ressaltaram os pesquisadores no artigo, os pais “negligentes” são os que colocam os adolescentes em maior risco de pertencer às duas classes de usuários de drogas encontradas no estudo: usuários de álcool/bebedores pesados e poliusuários.

“O fato de o ‘autoritativo’ ser o mais protetor e o ‘negligente’ o de maior risco já era esperado. Porém, ainda havia na literatura científica uma discussão em relação aos estilos ‘autoritário’ e ‘indulgente’. Não estava claro qual deles seria melhor. Os achados deste estudo reforçam a função protetora que a dimensão da exigência, composta por monitoramento parental e estímulo ao cumprimento de regra, desempenha na prevenção do consumo de drogas na adolescência”, disse Valente.

Ricos bebem mais

Um dado que chamou a atenção do grupo da Unifesp foi que, quanto mais alta era a classe social do entrevistado, maior era a probabilidade de pertencer aos grupos de bebedores pesados ou poliusuários. De acordo com Sanchez, o achado contraria dados de estudos norte-americanos e europeus, onde a pobreza é considerada um fator de risco para o uso de álcool e drogas na adolescência. Porém, vai ao encontro de dados brasileiros anteriores para a mesma faixa etária.

“Esse dado é bem curioso e mostra que não podemos simplesmente importar dados relacionados a fatores de risco e proteção para programas de prevenção de uso de drogas, sem considerar diferenças culturais”, disse Sanchez.

Segundo Valente, as análises estatísticas não permitiram associar os diferentes modelos de educação a uma classe social específica, ou seja, houve uma distribuição homogênea dos estilos parentais entre as diferentes faixas de renda.

A coleta dos dados ocorreu no fim de 2014, no âmbito de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde. A equipe da Unifesp foi escalada pelo órgão governamental para avaliar nas 62 escolas selecionadas a efetividade de um programa de prevenção ao uso de drogas intitulado #Tamojunto.

“Esse programa foi trazido da Europa, onde apresentou bons resultados, e adaptado pelo Ministério da Saúde. Além de passar conhecimentos sobre as drogas para os jovens, buscava trabalhar o desenvolvimento de habilidades pessoais e interpessoais. Porém, aqui no Brasil, não observamos efetividade para as mesmas medidas europeias”, contou Valente.

Como explicou Sanchez, os dados analisados durante o doutorado de Valente, que embasam o artigo agora publicado, foram coletados antes da aplicação do programa #Tamojunto e não têm relação com seus resultados.

O artigo Gradient of association between parenting styles and patterns of drug use in adolescence: A latent class analysis, de Juliana Y.Valente, Hugo Cogo-Moreira e Zila M. Sanchez, pode ser lido aqui.