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Síndrome de Burnout: você pode estar doente e não sabe

Estresse demais no trabalho por um longo período de tempo pode causar Síndrome de Burnout, fique atenta

No início dos anos 1970, após se autodiagnosticar com um intenso esgotamento profissional recorrente, o psicanalista alemão Freudenberger, denominou esse mal como Síndrome do Esgotamento Profissional, logo depois passou a ser conhecido como Síndrome de Burnout, do inglês to burn out (podendo ser traduzido por “ser consumido pelo fogo”).

A Síndrome de Burnout, associada ao estresse extremo e contínuo no ambiente de trabalho, acaba gerando um estado de exaustão física, emocional e mental. Esse estresse pode ser causado pelas cobranças impostas pelos superiores, seja para cumprimento de horas e datas impossíveis para realizar determinado trabalho, pelo excesso de trabalho mental, por trabalhos em situações tensas ou que apresentam alto risco de acidentes, podendo levar até a morte, ou ambientes de trabalho desarmoniosos e opressivos.

Segundo Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana é importante que todos saibamos que merecemos ser respeitados em nosso ambiente de trabalho, e não devemos aceitar jornadas exaustivas ou qualquer tipo de desrespeito. Nossos superiores e colegas de trabalho não podem normalizar gozações, bullying ou outras situações constrangedoras. Se percebermos que nossos limites não estão sendo respeitados, devemos procurar o setor de recursos humanos da empresa, o psicólogo da empresa ou até mesmo o nosso sindicato.

Esse distúrbio psíquico que acaba afetando todas as áreas da vida da pessoa, por causa do acúmulo de trabalho envolvendo estresse contínuo e tensão emocional, atinge todos aqueles trabalhadores e profissionais de vários setores da sociedade, como médicos, enfermeiros, bombeiros, policiais, publicitários, operários que trabalham na construção de edifícios, cargos de elevada confiança e responsabilidade, enfim, qualquer trabalho em que há pressão intensa e constante pode levar o indivíduo a sofrer de Síndrome de Burnout.

Os principais sintomas são: cansaço mental e físico extremos, irritabilidade e agressividade, dificuldade de concentração e lapsos de memória, insônia, baixa autoestima, desânimo, depressão, dores de cabeça, sentimentos de fracasso e isolamento social.

“A Síndrome de Burnout também pode acontecer com profissionais liberais, quando eles impõem a si mesmos jornadas de trabalho exaustivas ou múltiplos empregos, como médicos, enfermeiros, advogados, e outros” – complementa Aline.

Para se evitar ou minimizar os impactos da Síndrome de Burnout é necessário que a pessoa tenha um momento para ela, para fazer aquilo que lhe dá prazer: ler, assistir filmes ou sua série preferida, passar o tempo com familiares, conversar com amigos, fazer passeios e viagens, enfim, ter aquele tempo de pausa. Muitas vezes só nos damos conta do problema quando já é tarde. Temos que conhecer os nossos limites. Isso é qualidade de vida. Devemos nos lembrar que não há dinheiro no mundo que compense a perda da nossa saúde.

“Em caso de dúvidas se a situação que está ocorrendo é ilegal, também podemos consultar um advogado. O importante é não esquecermos que, mesmo sendo funcionários de uma empresa e tendo obrigações, também temos direitos que devem ser respeitados” – finaliza Aline.

Caso você apresente os sintomas citados ou tenha suspeitas de que está acometida pela Síndrome de Burnout, deve procurar um psiquiatra para o adequado diagnóstico e tratamento.

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicoterapeuta Junguiana. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria, atua há mais de 9 anos com psiquiatria clínica e psicoterapia. Atende presencialmente na cidade de Lajeado (RS) e também online.

Três a cada cinco mulheres já viveram um relacionamento abusivo; saiba se está em um

Médica psiquiatra e psicoterapeuta explica como agir diante desta situação

Estudos relatam que três a cada cinco mulheres já viveram um relacionamento abusivo, mas não é só na relação homem mulher que isso acontece. O abuso pode ocorrer de diversas formas: de pai pra filha, de filho pra pai, de filha pra mãe, entre casais homoafetivos…

E o que são relacionamentos abusivos?

São aqueles em que há vítima e agressor. Acontece a partir do momento em que alguém tenta dominar o outro fisicamente ou por artifícios psicológicos e emocionais. Neste momento, o relacionamento deixa de ser saudável e pode inclusive evoluir para um relacionamento doentio e perigoso, resultando em crimes passionais, por exemplo.

O agressor tende a querer dominar tudo o que for possível na vida da outra pessoa; tentando controlar as amizades, o modo de vestir, o uso do celular e das redes sociais. O abuso dentro de um relacionamento, não se restringe à violência física, mais fácil de ser detectada, seja no meio familiar ou social, mas ele existe sempre que há a violência psicológica, mais difícil de identificar e cujo manejo é bem mais complexo e demorado.

Em qualquer situação, mas principalmente pelo abuso psicológico, o agressor obtém poder sobre a outra pessoa, usando de controle e manipulação emocional.

Segundo Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana, uma das primeiras coisas que um agressor faz em um relacionamento abusivo é destruir a autoestima da outra pessoa. Ela explica que a autoestima da vítima é afetada drasticamente e pode ser destruída quando o agressor usa de jogos psicológicos com frases de acusação como: “ela faz isso porque quer” ou “ela sempre foi assim, só está se fazendo de vítima”, a fim de manipular a realidade.

A vítima torna-se a culpada pela agressão sofrida e aceita isso como verdade. Desta maneira, a vítima passa a ter uma percepção distorcida de si. Quanto mais oprimida, mais passiva a pessoa pode ficar, até se tornar completamente impotente, pois foi convencida pelo agressor de que ela está errada e é a culpada pelos problemas no relacionamento.

Chantagem e culpa

A chantagem emocional é um artifício muito usado para a manipulação e, geralmente, é de difícil identificação. O chantagista conhece os pontos fracos da vítima e se utiliza de sentimentos como o medo e a culpa para manipular as pessoas e alcançar os seus objetivos, embora nem sempre o manipulador tenha consciência de que pratica a chantagem emocional.

Outros tipos de vítimas

Embora sejam mais conhecidos e tratados, os relacionamentos abusivos em que a vítima é a mulher e o agressor o homem, esse tipo de situação vai muito além e envolve pais e filhos, relacionamentos homoafetivos, relacionamentos entre patrões e empregados, relações de amizades etc.

Violência doméstica

Hoje em dia é bem mais comum a violência doméstica quando a mãe ou o pai é a vítima de filhos adolescentes que, muitas vezes, usam de agressão física. Mas não para por aí. Além das agressões físicas o abuso psicológico e a manipulação também se fazem presentes nestes casos. Ocorrem comumente a chantagem emocional e a agressão verbal. Acusações como: “você acabou com a minha vida” ou “você só me faz passar vergonha” entre outras, são apelativas e até teatrais.

A falta de imposição de limites nos filhos desde a infância, levam os pais a sofrerem esse tipo de problema doméstico, e não sabendo como agir, acabam cedendo.

“Desde a infância, o papel de autoridade dos pais se perde pela dominação dos filhos. A situação mais conhecida e explorada é a inversa, o abuso dos pais contra os filhos, e nesse caso, a violência física acaba sendo a mais comum” – explica Aline.

“Não é fácil sair de um relacionamento abusivo, ainda mais quando já é de longa data. A pessoa que é vítima de um relacionamento abusivo precisa de ajuda profissional que possa auxiliá-la a identificar o problema e superá-lo, principalmente quando esses relacionamentos deixam traumas mais profundos e que afetam uma ou mais áreas da vida”, completa a psiquiatra.

A especialista lembra que relacionamentos são sempre um desafio e, para termos relacionamentos saudáveis, é preciso impor limites ao outro e entendermos que nós também precisamos de limites. Isto implica inclusive saber lidar com as relações quando detemos alguma posição de poder.

Foto: Unsplash

“Aprender a dizer ‘não’ é necessário, e saber aceitá-lo também. Se você se identificou com as situações citadas, procure ajuda profissional. Não desista de você”, finaliza Aline.

Relacionamentos tóxicos: como identificar e o que fazer

Ao contrário do que muita gente acredita e do que a mídia apresenta, o relacionamento tóxico não se limita ao relacionamento romântico, tendo sempre o homem como vilão. O relacionamento tóxico vai muito além do aspecto romântico.

Relacionamento tóxico é todo aquele onde uma das pessoas acaba prejudicando a outra, como por exemplo: nas relações onde há ciúmes em excesso, onde há invasão à privacidade alheia, manipulação emocional, entre outros. E entre os diversos tipos de relacionamentos: entre mães e filhos, pais e filhos, patrão e empregado e sim, nos relacionamentos de amizades e entre cônjuges.

Em um relacionamento romântico nós precisamos ter cuidado, por exemplo, com o ciúmes em excesso, como afirma Aline Machado Oliveira, médica psiquiatra e psicoterapeuta junguiana: “O ciúmes é uma reação natural, ele vai acontecer, mas é preciso saber como controlá-lo. Numa relação onde um dos dois é muito ciumento, o relacionamento será prejudicado, porque aquele que está sofrendo o ciúmes acaba perdendo a sua liberdade, e a perda da liberdade é o início do fim de um relacionamento. E liberdade não é libertinagem; significa que um vai confiar no outro e vai confiar que o outro está lhe respeitando, mesmo que não estejam juntos o tempo todo.”

Pais & Filhos

O relacionamento tóxico de mãe para filho é quando a mãe não deixa o filho viver a própria vida; não o deixa crescer. Ela quer viver pelo filho, quer protegê-lo de todos os males do mundo e isso é impossível porque todos nós passamos por sofrimentos em nossas vidas. É assim na vida de todas as pessoas, independente de classe social, raça ou crença, explica Aline.

“Nenhum pai ou mãe no mundo, por mais que tente, vai conseguir impedir que seu filho passe pelas dores que todo ser humano precisa passar. Então, quando uma mãe cria o filho como se este fosse o rei e ela, o súdito, certamente este relacionamento é tóxico, pois as atitudes da mãe impedirão que seu filho cresça, se desenvolva e assuma suas próprias responsabilidades” – completa a psicoterapeuta.

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Também é muito comum o relacionamento tóxico partindo dos filhos para os pais, como, por exemplo, o filho que abusa financeiramente dos pais, que os xinga, que os manipula emocionalmente com chantagens e estes cedem, com medo de perdê-los.

“É muito comum no consultório, relatos de pessoas que têm filhos usuários de drogas, que aceitam tudo que os filhos impõem, inclusive que eles usem drogas dentro de casa, pois temem que se não deixarem, os percam para o mundo. Assim, rendem-se às chantagens, manipulações e ao desrespeito. Isto é tóxico” , diz a psiquiatra.

As relações sociais e profissionais

Nas relações em que não há respeito pelo espaço do outro, quando não se respeita os limites da privacidade, quando há manipulação emocional, desejo de controle ou excesso de críticas negativas, existe toxidade. E estes são só alguns exemplos que servem como sinais de que estes relacionamentos não são harmônicos e isso pode ser, de muitas formas, nocivo.

O relacionamento tóxico também está presente em outras áreas da nossa vida social, como por exemplo, quando há abuso de poder por parte de figuras de autoridade, seja para benefício próprio ou por puro egoísmo.

Fato é, que nem todas as pessoas estão preparadas psicológica ou emocionalmente para assumirem posições de poder, refletindo suas frustrações ou traumas não resolvidos.

Dentro do aspecto social mais abrangente, relacionamentos tóxicos podem ser criados ou estimulados, como por exemplo, a hostilidade entre brancos e negros, pobres e ricos, ou mesmo a hostilidade religiosa.

O que fazer?

O ideal é buscarmos relacionamentos mais harmoniosos, pessoas que acrescentem aquilo que precisamos, que venham para somar, que respeitem nosso espaço e nossas escolhas, mas que também possamos compartilhar o que temos de melhor para as outras pessoas, seja nos relacionamentos familiares ou românticos, seja com os amigos, na vida profissional ou social.

Caso você esteja vivenciando algum relacionamento nocivo e não saiba como sair desse relacionamento, o melhor é procurar ajuda profissional.

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria, atua como psiquiatria clínica e psicoterapia. Atendimentos presenciais na cidade de Lajeado, RS e online para todo o Brasil.

Hoje é o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio

“Na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela e, não necessariamente a vida” – diz a psiquiatra e psicoterapeuta junguiana

Este é o mês da campanha Setembro Amarelo, ou Yellow Ribbon, um movimento mundial contra o suicídio. Mas, o que sabemos sobre o tema? Apesar de ser um tabu para muitas pessoas, e do preconceito que envolve o assunto, cada vez mais se faz necessário debatermos sobre esse mal.

“O suicídio é a manifestação suprema das dores da alma. Quem se suicida não quer morrer e, sim, acabar com a dor. Os motivos para o suicídio são tão variados quanto são as causas para o sofrimento humano, e o que não é motivo para o sofrimento de um, pode ser motivo suficiente para outro”- diz Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana.

Buscar uma compreensão mais profunda sobre a morte e sobre nós mesmos e nossos conflitos, pode nos ajudar a ampliar nossa visão de quem somos e do mundo que nos cerca. É o que nos explica a especialista.

“Como psicoterapeuta junguiana penso que o desejo pela morte deve ser visto de maneira simbólica, e é preciso que o psicoterapeuta ajude o paciente a transformar o desejo pela morte do corpo, em uma morte de aspectos da sua psique, que precisam partir, para que novos aspectos nasçam, possibilitando seu próprio renascimento. Desta maneira ocorrerá uma morte, mas será simbólica”- diz a psiquiatra.

Ela acrescenta: “Quando o paciente passa a entender o que esta morte simbólica significa, ele amplia a consciência dos seus conflitos, desejos e reais sentimentos, e o self – seu próprio eu – consegue atuar, havendo um incremento na relação ego-self. O fluir do processo de individuação possibilita o encontro e a realização do sentido de uma vida”.

Setembro Amarelo

Anualmente, é realizado aqui no Brasil o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, que teve o seu início em 2015 por meio do CVV (Centro de Valorização da Vida), do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Durante todo o mês costuma-se iluminar alguns pontos públicos em todo país, como o Cristo Redentor, no RJ o Congresso Nacional, em Brasília, entre outros.

Como surgiu a campanha

A origem dessa campanha e sua relação com a cor amarela vem da história de um jovem americano, Mike Emme, de 17 anos, que acabou se suicidando com o próprio carro; um Mustang 68, amarelo. A família e os amigos não perceberam que ele pretendia tirar a própria vida. Depois desse ocorrido, no funeral, os pais e os amigos acabaram distribuindo cartões com fitas amarelas seguidas da frase: “Se precisar, peça ajuda”. Desta singela ação nasceu a campanha de prevenção Yellow Ribbon (Fita Amarela), que se expandiu para todo o mundo.

Em 2003, a OMS (Organização Mundial da Saúde) instituiu 10 de Setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio e o amarelo se tornou a cor símbolo da campanha. Mesmo consciente da importância do movimento, Aline faz um alerta: “Precisamos falar sobre o suicídio sempre, não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo. No ano inteiro muitos de nós pensarão em suicídio, outros tantos o tentarão e é preciso que todos nós, enquanto sociedade, estejamos preparados para acolher e amparar aqueles que sofrem”.

Estatísticas

No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública, e sua ocorrência tem aumentado principalmente entre os jovens. De acordo com os números oficiais, em média 32 brasileiros se suicidam por dia, taxa que acaba sendo maior do que as vítimas de AIDS e na maioria dos tipos de câncer.

Há mais vítimas de suicídio do que dessas doenças, é o que mostra um relatório de 2014 feito pela Organização Mundial de Saúde, que colocou o Brasil em oitavo lugar entre os demais países com maior índice de suicídios; ficando atrás de países como Índia, Japão, Estados Unidos e Rússia, e esse número tem aumentado, principalmente entre os jovens.

Em um relatório mais recente, feito em meados de 2019, a OMS (Organização Mundial de Saúde) trouxe novos dados, ainda mais preocupantes: a cada 100 mil habitantes, a taxa de suicídio aumentou 7% aqui no Brasil, ainda que no índice mundial, essa taxa tenha caído 9,8%.

Mesmo em queda, o índice mundial é assustador. Por volta de 800 mil pessoas tiram a vida anualmente em todo o mundo, ou seja, é uma morte por suicídio a cada 40 segundos.

O que é falso e verdadeiro

Há algumas inverdades sobre a questão do suicídio e existe até um certo preconceito, principalmente quando começa-se a falar que tal pessoa “se suicidou porque era covarde” ou “se matou porque não tinha nada na cabeça”, ou coisas do tipo. Pessoas que ameaçam se matar, não querem apenas “chamar atenção”. Na realidade toda ameaça de suicídio deve ser levada a sério. Deve ser vista com carinho e atenção. Outra inverdade é achar que o suicídio só acontece com os outros, mas na verdade ele pode acontecer com qualquer pessoa que acaba vivenciando um sofrimento extremo, independente de raça, classe social, crença ou gênero.

Aquela afirmação de que a pessoa só tenta suicídio uma vez na vida também é falsa, pois, no geral, pessoas que tentaram suicídio mais de uma vez, acabaram se matando de fato depois de mais de uma tentativa. Só o fato de haver uma tentativa de suicídio significa que o suicídio pode ocorrer no futuro.

É preciso conscientização e prevenção, alerta Aline: “É muito comum em nossas relações de amizade, de trabalho ou mesmo no meio da família, nos depararmos com uma vítima de suicídio; quando alguém pensa em suicídio, na verdade, a pessoa quer matar a dor que está dentro dela, e não necessariamente a vida”.

Aline ressalta sobre a importância de saber olhar para o outro e saber ouvir: “É preciso que nos sensibilizemos com a dor emocional e levemos a sério quando alguém diz que está triste, deprimido e com pensamentos suicidas. Precisamos acolher a dor humana e nos colocarmos a disposição para ouvir e nos oferecermos para acompanhar a pessoa que está sofrendo na busca de ajuda profissional”.

Que sejamos mais solidários com relação a isso e busquemos ter mais atenção e mais respeito com pessoas que em algum momento já tentaram suicídio, ou que pensam nisso.
Precisamos ter cuidado, prestar atenção e procurar da melhor maneira possível orientar ou tentar buscar uma orientação para essas pessoas que estão sofrendo com as dores extremas da alma. Se você conhece alguém que pode estar pensando em suicídio ,ou se você mesmo tem pensado nisto ,procure ajuda profissional ,não desista de você!

Onde procurar ajuda
#Pelo SUS: nos CAPS (Centro de Atenção psicossocial) e nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde).
#Por convênios ou particular:nos consultórios ou clínicas de médicos psiquiatras e psicólogos.
#Se for urgente :UPAs (Unidades de Pronto Atendimento ) ou nas Emergências Hospitalares.
#Fale com alguém agora mesmo – CVV (Centro de Valorização da Vida): 188.

Três em cada cinco mulheres já viveram um relacionamento abusivo

Ao contrário do que muitos pensam, relacionamento abusivo acontece de diversas formas e não somente em relações homem X mulher, mostram estudos

Estudos relatam que três a cada cinco mulheres já viveram um relacionamento abusivo, mas não é só na relação homem-mulher que isso acontece. O abuso pode ocorrer de diversas formas: de pai para filha, de filho para pai, de filha para mãe, entre casais homoafetivos…

E o que são relacionamentos abusivos?

São aqueles em que há vítima e agressor. Acontece a partir do momento em que alguém tenta dominar o outro fisicamente ou por artifícios psicológicos e emocionais. Neste momento, o relacionamento deixa de ser saudável e pode inclusive evoluir para uma relação doentia e perigosa, resultando em crimes passionais, por exemplo.

O agressor tende a querer dominar tudo o que for possível na vida da outra pessoa; tentando controlar as amizades, o modo de se vestir, o uso do celular e das suas redes sociais. O abuso dentro de um relacionamento, não se restringe à violência física, mais fácil de ser detectada, seja no meio familiar ou social, mas ele existe sempre que há a violência psicológica, mais difícil de identificar e cujo manejo é bem mais complexo e demorado.

Em qualquer situação, mas, principalmente por meio do abuso psicológico, o agressor obtém poder sobre a outra pessoa, usando de controle e manipulação emocional.

Segundo Aline Machado Oliveira, psiquiatra e psicoterapeuta junguiana, uma das primeiras coisas que um agressor faz em um relacionamento abusivo, é destruir a autoestima da outra pessoa. Ela explica que a autoestima da vítima é afetada drasticamente e pode ser destruída quando o agressor usa de jogos psicológicos com frases de acusação como: “ela faz isso porque quer” ou “ela sempre foi assim, só está se fazendo de vítima” , a fim de manipular a realidade.

A vítima torna-se a culpada pela agressão sofrida e ela aceita isso como verdade. Desta maneira, a vítima passa a ter uma percepção distorcida de si. Quanto mais oprimida, mais passiva a pessoa pode ficar, até se tornar completamente impotente, pois foi convencida pelo agressor de que ela está errada e é a culpada pelos problemas no relacionamento.

A chantagem emocional é um artifício muito usado para a manipulação e, geralmente, é de difícil identificação. O chantagista conhece os pontos fracos da vítima e se utiliza de sentimentos como o medo e a culpa para manipular as pessoas e alcançar os seus objetivos. Também é preciso observar que nem sempre o manipulador tem consciência de que pratica a chantagem emocional.

O chantagista vai levar a outra pessoa a fazer o que ela não quer fazer; aqui o abusador se faz de vítima para manipular a vontade do outro. Frases como: “Se você não fizer isso, nunca mais vou perdoar você”, funcionam como punição e colocam a vítima sob a ameaça da culpa.

Notemos que o sentimento de culpa na chantagem emocional, é facilmente colocado como uma via de mão dupla; no caso do chantagista usar de falso arrependimento, puxando para si toda a culpa, mas ao mesmo tempo se dizendo arrependido e fazendo promessas de não voltar a cometer o erro, ganhando a confiança da outra pessoa, para usá-la depois, até mesmo em outra ocasião.

Embora sejam mais conhecidos e tratados, os relacionamentos abusivos em que a vítima é a mulher e o agressor o homem, esse tipo de situação vai muito além e envolve pais e filhos, relacionamentos homoafetivos, relacionamentos entre patrões e empregados, relações de amizades, etc; ou seja, o relacionamento abusivo não se resume exclusivamente entre um casal em que a vítima é sempre a mulher, ainda que esse seja o caso mais recorrente, ao menos, o mais registrado.

Hoje em dia é bem mais comum a violência doméstica quando a mãe ou o pai é a vítima de filhos adolescentes que, muitas vezes, usam de agressão física. Mas não para por aí. Além das agressões físicas o abuso psicológico e a manipulação também se fazem presentes nestes casos. Ocorrem comumente a chantagem emocional e a agressão verbal. Acusações como: “você acabou com a minha vida” ou “você só me faz passar vergonha” entre outras, são apelativas e até teatrais.

Elder abuse

A falta de imposição de limites nos filhos desde a infância, levam os pais a sofrerem esse tipo de problema doméstico, e não sabendo como agir, acabam cedendo. Desde a infância, o papel de autoridade dos pais se perde pela dominação dos filhos. A situação mais conhecida e explorada é a inversa, o abuso dos pais contra os filhos e, nesse caso, a violência física acaba sendo a mais comum.

A vida social é inerente ao ser humano e as relações de trabalho, estudo e lazer fazem parte do nosso dia a dia, e nem sempre podemos escolher com quem trabalhamos ou estudamos. Em qualquer dos casos, os relacionamentos abusivos começam da mesma forma: xingamentos e gritos, humilhações e a violência psicológica, envolvendo manipulação e controle.

Não é fácil sair de um relacionamento abusivo, ainda mais quando já é um relacionamento de longa data. A pessoa que é vítima de um relacionamento abusivo precisa de ajuda profissional que possa auxiliá-la a identificar o problema e superá-lo, principalmente quando esses relacionamentos deixam traumas mais profundos e que afetam uma ou mais áreas da vida.

Relacionamentos são sempre um desafio e para termos relacionamentos saudáveis é preciso impor limites ao outro e entendermos que nós também precisamos de limites. Isto implica inclusive saber lidar com as relações quando detemos alguma posição de poder- diz a especialista.

Aprender a dizer “não” é necessário, e saber aceitá-lo também. Se você se identificou com as situações citadas, procure ajuda profissional. Não desista de você!

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria,e atua há mais de 9 anos com psiquiatria clínica e psicoterapia.
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O divórcio e as dores emocionais e físicas por ele provocadas

O casamento continua sendo uma idealização para todos, independente de sexo, gênero e condição social. No entanto, a questão que vem sendo levantada é: ao se casar, ambos estão, de fato, preparados? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 140 mil casamentos são cancelados hoje no Brasil, enquanto em 2006, este número não ultrapassava 80 mil.

mulher segurando alianca separacao

O motivo do crescimento dos registros de divórcio, deve-se a fatores como o estresse diário, a independência financeira individual , mudanças nas leis que facilitam a separação, mas, sem dúvidas, o término do afeto entre os casais continua a ser o motivo principal de uma separação, e é sobre isto que vamos falar hoje.

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estudaram pessoas ao longo de 15 anos e uma das conclusões divulgadas pelo Dayli Mail, foi que, aqueles que passaram pelo divórcio tiveram sua saúde em declínio mais rapidamente, comparados aos que nunca se divorciaram.

Este tipo de pesquisa também confirma que o divórcio pode estar relacionado ao desenvolvimento da síndrome do pânico, da depressão, do câncer de mama, da insônia e do transtorno do estresse pós traumático (TEPT).

casal maduro separacao discussao problemas

“Qualquer término de relacionamento vem cercado de muita tristeza e dor, porque é um momento de luto. É como ter que enfrentar todas as etapas da dor de quando se perde um ente querido. A pessoa terá que aprender a viver sem a outra, que já não fará mais parte do seu dia a dia, de suas atividades, de seus planos. E, na maior parte das vezes, a pessoa que foi deixada sente a dor da rejeição”, explica a psiquiatra e psicoterapeuta Dra. Aline Machado Oliveira, que recebe diariamente em seu consultório pessoas que sofrem as consequências emocionais causadas pelo divórcio.

“O ser humano tem muita dificuldade em aceitar ser excluído, ser rejeitado, porque a dor é inerente; e esta dor emocional pode desencadear quadros depressivos, de ansiedade, insônia ou outros transtornos emocionais”, completa.

coracao machucado separacao

Ela também diz que, quando a pessoa reconhece a dor e aceita que é necessário passar pelo processo de luto, o processo de superação pode ser alcançado, mas cada indivíduo o vivenciará no tempo dele.

Em relação às mulheres que passam pelo divórcio, as preocupações são distintas em diferentes fases da vida. Enquanto o divórcio daquelas na faixa etária dos 30, a maior preocupação, no geral, são os filhos pequenos envolvidos. As mais velhas, na faixa etária dos 50 a 60 anos, não sabem como passarão o resto de suas vidas sozinhas, justo no momento em que estão caminhando para a velhice e se sentindo incapazes de recomeçar.

Assim sendo, não há muito o que discutir: quem está passando esta dor precisa de ajuda e o apoio psicoterápico poderá ser necessário antes, durante e após o divórcio.

Depressão pós-divórcio

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Aline enfatiza que é necessário observar a si mesmo durante este período pós separação. “Se existir uma percepção de que este luto já foi longe demais, está durando muito tempo, que está começando a impedir o indivíduo de realizar suas atividades, fazer a higiene diária, trabalhar, sair da cama e de casa, é hora de buscar ajuda médica”.

E aí, tanto a psicoterapia quanto a medicação assistida pelo psiquiatra, caso haja necessidade, podem ser necessárias neste período. É importante lembrar que a dor emocional vai passar. Mas, para isto, você precisará levantar e seguir em frente. E neste momento, ter alguém que possa te dar a mão e te ajudar a levantar, faz toda a diferença.

aline machado

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria,e atua há mais de 9 anos com psiquiatria clínica e psicoterapia.
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