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10 dicas de como manter a mente jovem e afiada, fortalecendo a saúde cerebral

Para afastar o risco do declínio cognitivo que vem com a idade, nosso cérebro precisa de estímulo. “E existem muitos pilares no nosso estilo de vida que dão sustentação à saúde cerebral. Realizar atividades menos automáticas, buscar conhecimento, comer bem, buscar atividades prazerosas, tudo isso tem relação com a prevenção da deterioração cognitiva, na medida em que mantém o nosso cérebro bem treinado”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Abaixo, o especialista destaca 10 pilares importantes para manter a mente jovem e saudável:

Arranje tempo para fazer amigos: uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo o Dr. Gabriel. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. “Estudos têm mostrado que aqueles com maior interação social dentro de sua comunidade experimentam a taxa mais lenta de declínio da memória. Casamentos felizes ou relacionamentos de longo prazo e com um propósito na vida têm demonstrado efeitos protetores significativos contra o comprometimento cognitivo relacionado à idade”, diz o médico. Nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos amorosos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, diz Gabriel.

Fuja, às vezes, da rotina: não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo uma vez por semana pode ajudar. Uma mudança na rotina aumenta a capacidade do cérebro de aprender novas informações e mantê-las. Experimente uma nova receita ou explore uma parte diferente da sua cidade.

Torne-se um estudante novamente: quando você aprende uma nova habilidade ou assunto, seu cérebro cria novos caminhos entre suas muitas células, segundo o Dr. Gabriel. “Você pode tentar escrever um texto criativo ou um novo hobby que lhe interesse, como tocar violão. Se parecer difícil no início, não desista. Quanto mais difícil for para você pegar o jeito, melhor para o seu cérebro”, diz. O mesmo vale para a leitura de um livro, que requer também mais concentração. “E, nesse sentido, tente sempre manter o foco. Quando seu cérebro é atingido por vários fluxos de informações ao mesmo tempo, ele precisa vasculhar tudo. Isso torna mais difícil para você se concentrar, gerenciar sua memória e mudar de uma coisa para outra. Vá devagar com o seu cérebro e dê toda a sua atenção a uma coisa de cada vez”, diz.

Exercite o seu corpo: segundo Batistella, pessoas que se exercitam regularmente têm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo e protege a memória; estimula mudanças químicas no cérebro que melhoram o aprendizado, o humor e o pensamento”, diz o neuro-oncologista. Malhar é tão bom para o cérebro quanto para o corpo. “O exercício mantém suas habilidades de raciocínio e raciocínio afiados. Além de melhorar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes. Já o treinamento de força não é apenas para fisiculturistas. Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca Batistella.

Descanse: poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixa com um humor melhor e aguça nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma o médico. Um estudo* suíço descobriu que as pessoas que dormiam com mais qualidade retinham as informações recentes melhor do que aquelas que não dormiam bem. “Durante o sono, a informação é consolidada e é transferida para áreas do cérebro associadas à memória de longo prazo”, explica o neuro-oncologista. Se você não dormir o suficiente, mesmo uma tarefa simples pode exigir mais esforço mental do que de outra forma. “Você também achará muito mais difícil se concentrar e poderá notar lacunas em sua memória de curto prazo. Para se manter revigorado, tente dormir de 7 a 9 horas todas as noites”, afirma o médico.

Fique de olho no seu prato: você é o que você come. Conforme você envelhece, seu cérebro é exposto a mais estresse prejudicial devido ao estilo de vida e fatores ambientais, resultando em um processo chamado oxidação, que danifica as células cerebrais. “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro. Alimentos ricos em antioxidantes podem ajudar a evitar os efeitos nocivos da oxidação das células no cérebro”, explica o Dr. Gabriel. Pesquisas mostram que uma dieta de estilo mediterrâneo rica em peixes, grãos inteiros, vegetais de folhas verdes, azeitonas e nozes ajuda a manter a saúde do cérebro e pode reduzir o risco de doença de Alzheimer. “Cozinhe e coma alimentos frescos, saboreie, desfrute de um jantar com a família e amigos. Adote um comportamento alimentar saudável como um estilo de vida, uma forma de viver bem”, explica o médico. “Não esqueça das ervas e especiarias – como açafrão-da-índia, canela e gengibre – elas contêm antioxidantes que podem diminuir a inflamação prejudicial no cérebro e em outros lugares. Os sabores fortes e as cores vivas e intensas são pistas do benefício que se esconde dentro do seu armário de especiarias”, diz o neuro-oncologista. Além disso, saiba que quanto mais calorias você ingerir, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Pequenas mudanças, como evitar ‘beliscar’ comidinhas fora do horário, o ajudarão a reduzir calorias. Seu médico ou nutricionista pode ajudá-lo com um plano certo para você”, diz. Por fim, preste atenção aos alimentos ultraprocessados: eles são mais inflamatórios e aceleram o processo de oxidação do cérebro.

Pare de fumar: “Muitos produtos químicos nos cigarros são tóxicos para o cérebro, então você pode não se surpreender ao saber que fumar está relacionado ao declínio mental e à demência. O acetato de chumbo, por exemplo, é uma das substâncias tóxicas que possuem efeito cumulativo para o organismo, na medida em que o chumbo não é eliminado. Então, há um risco de danos celulares e para o desenvolvimento de tumores”, explica o neuro-oncologista. E o mesmo vale para o fumo passivo. Converse com outras pessoas de sua família sobre parar de fumar também. Todos ficarão mais saudáveis se sua casa e seu carro forem protegidos da fumaça do cigarro.

Cuide do seu coração: cada vez mais, estudos mostram a relação entre a saúde do coração e a do cérebro. Fatores de risco para problemas cardiovasculares, como obesidade, pressão alta, colesterol alto e diabetes, também estão ligados a um risco maior de demência e problemas cognitivos. “Se o seu coração está com problemas de saúde, é mais provável que você tenha problemas de aprendizagem e de memória. Estar acima do peso e não fazer exercícios suficientes pode estreitar os vasos sanguíneos. Isso limita a quantidade de sangue que flui para o cérebro e as artérias podem começar a endurecer. A pressão alta é o maior sinal de que a saúde do seu cérebro está em risco. Se o seu estiver alto, converse com seu médico sobre como controlá-lo”, diz o médico.

Dê uma trilha sonora à vida: seu cérebro treina mentalmente quando você reproduz sua lista de reprodução favorita. “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz o médico.

Foto: Shutterstock

Obtenha ajuda para sua saúde mental: se você está deprimido, é mais provável que tenha um declínio mental. Além de sentimentos de impotência e perda de interesse nas coisas que você ama, a depressão também pode colocá-lo em uma “névoa cerebral”. Pensar, manter o foco e tomar decisões pode ser muito mais difícil. Se você tiver algum desses sinais, converse com seu médico sobre o que você pode fazer para tratá-los.

Além dessas dicas, o médico também destaca que o estresse pode fazer seu cérebro liberar um hormônio chamado cortisol, o que torna difícil pensar com clareza. “Com o tempo, altos níveis de estresse podem causar problemas de aprendizado e memória. Uma maneira divertida de proteger seu cérebro é dar uma boa risada. Busque mais situações de vida em que o bom humor faça parte. Isso pode reduzir os níveis de cortisol e ajudar a manter o cérebro saudável”, explica. Outra forma de acalmar é por meio do contato com a natureza. “Quando você passa algum tempo ao ar livre, dá ao seu cérebro um descanso do fluxo constante de dados e estímulos que ele recebe ao longo do dia. Isso permite que ele reinicie sua capacidade de foco, para que você se sinta mais criativo e mais capaz de resolver os problemas”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

Alzheimer: atividade física retarda avanço da degeneração do cérebro de quem já tem a doença

Meia hora, cinco vezes por semana. Esta é a quantidade de tempo que se deve investir em exercícios físicos para prevenir a perda de memória causada pela doença de Alzheimer (DA), que afeta hoje cerca de 40 milhões de pessoas no mundo, 1,2 milhão somente no Brasil. A recomendação é do professor Mychael Lourenço, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Estudos mostraram que incorporar estes exercícios, controlar a alimentação, consumir álcool de forma moderada e não fumar reduzem as chances de desenvolver Alzheimer em até 50%, em média”, diz.

Lourenço vai falar sobre os benefícios dos exercícios para frear o avanço do Alzheimer durante o evento UFRJ+100, que, durante os dias 8,9 e 10 de outubro, irá reunir pesquisadores da universidade para debater, de forma on-line e aberta a todos, temas de interesse da atualidade (conheça a programação aqui). Ele foi um dos pesquisadores que, em 2019, revolucionou o que se sabia sobre a perda da memória decorrente da DA.

Junto de Fernanda De Felice e Sergio T. Ferreira, descobriu que um hormônio chamado irisina, normalmente produzido pelos músculos após exercícios, também surgia no cérebro após a prática física. E que a substância era capaz de proteger as sinapses (falhas de comunicação entre neurônios), favorecendo a manutenção das memórias.

A descoberta, realizada a partir de experimentos com camundongos, abriu caminho para pesquisas com humanos e para a possibilidade de desenvolvimento de medicamentos à base de irisina para idosos que não consigam usufruir dos benefícios da prática de exercícios. Como a DA é silenciosa antes do início dos sintomas e de difícil prevenção, o trabalho e ganhou a atenção de pesquisadores de outros países.

Existem componentes genéticos que aumentam o risco para Alzheimer, mas, mesmo nestes casos, o exercício físico é benéfico – diz Lourenço, lembrando que a doença costuma chegar a partir dos 65 anos e acomete mais mulheres do que homens, na proporção de 2/3 para 1/3.

Para quem se animou, o pesquisador dá um lembrete importante. Segundo ele, exercício não é cura. Depois que os sintomas aparecem, o Alzheimer é praticamente irreversível.

O cérebro já está em degeneração, mas o que se pode conseguir é um progressão mais lenta da doença – diz, ensinando a diferenciar a perda de memória ocasional da causada pela doença. – Outras razões, doenças e circunstâncias da vida podem levar a um comprometimento cognitivo leve, causado por estresse, depressão, dentre outras. O problema, que pode indicar Alzheimer, é a perda da memória progressiva, aquela que atrapalha continuamente as atividades cotidianas.

Alzheimer: neurologista elenca principais sinais de alerta

Segundo a Associação Brasileira de Alzheimer, estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos – a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

A doença, infelizmente, se agrava ao longo do tempo, mas pode ser controlada. A maioria dos portadores são pessoas acima dos 50 anos. O Mal de Alzheimer se apresenta como demência e ou perda de funções cognitivas devido a morte das células cerebrais que, consequentemente, reduz a capacidade de realizar tarefas simples, interferindo no comportamento e na personalidade.

“ A queixa de memória mais frequente que eu recebo em meu consultório é a pessoa perceber dificuldades numa parte da memória que a gente chama de Memória Executiva, isto é, aquela que está ligada no controle da atenção, da concentração, é essa parte da memória que é responsável pela lógica, pelo planejamento, pela capacidade de resolver problemas, pela articulação rápida de ideias”, explica Saulo Nader, neurologista da USP e do Albert Einstein.

Dificuldades para se concentrar no trabalho, para desempenhar sua função de uma maneira ágil como estava acostumada, começa a perder objetos, depois a carteira, onde pôs a bolsa, enfim, o rendimento global acaba caindo, em especial no trabalho, que é onde a gente usa muito a cognição, essa situação normalmente é secundária a outras doenças, segundo o especialista.

Nader explica que estresse excessivo, ansiedade, tristeza excessiva, depressão, sono insuficiente (pessoas que dormem pouco porque não conseguem dormir ou propositalmente guardam poucas horas do seu dia para o sono), entre outras doenças podem ser sintomas da falha da “Memória Executiva”, uma doença que pode ser revertida desde que seja identificada por um médico.

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Já sobre a doença de Alzheimer, o especialista lista alguns alertas: “Vale a pena se você, algum amigo ou algum familiar estiver apresentando algum desses sintomas, desses sinais de alerta, procurar um neurologista”, enfatiza ele.

=O primeiro deles é quando a pessoa começa a ter dificuldade pra lembrar nome, até mesmo nome de pessoas mais próximas, de familiares, a pessoa tem muita dificuldade de falar, troca muitos nomes ou o nome não vem na cabeça, isso é um sinal de alarme.

=Quando a pessoa começa a ter dificuldade, por exemplo, para seguir o enredo de um filme ou de uma novela, não entende muito bem a história e o papel da personagem; está seguindo a novela, mas todo dia pergunta o que aconteceu, pergunta sobre determinado personagem, como se não tivesse entendendo muito bem o que está ocorrendo.

=Quando a pessoa começa a repetir a mesma história várias vezes dentro do mesmo dia, então, conta uma coisa de manhã, a tarde já conta de novo, daqui a pouco repete mais uma vez, fica com aquele discurso repetitivo de sempre estar falando a mesma coisa, isso também é um sinal de alerta.

=Outra coisa importante é quando começa a desaprender coisas que sabia fazer muito bem, por exemplo, cozinhava muito bem e agora está tendo dificuldades, já não cozinha mais; lidava muito bem com finanças, mas agora está com dificuldades e já não consegue mais fazer pagamentos, não consegue mais entrar na Internet pra pagar um boleto; não consegue separar troco ou dinheiro para determinada necessidade e, assim, começa a ter um descontrole das finanças.

=Quando a pessoa ia ao mercado antes, fazia toda compra, agora já está com dificuldade ou esquece muitos itens, ou chega lá e já não consegue realizar a compra de uma maneira boa. Volta pra casa sem terminar ou não consegue pagar no final, enfim, começa a desaprender funções que fazia naturalmente.

=A pessoa se perde na rua ao ir ao mercado ou à padaria, e teve dificuldades para ir ou para voltar, ficou meio perdido em identificar como era o caminho de volta e teve que pedir ajuda.

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=Dificuldades em manter uma linha inteligível de conversa: a pessoa está conversando, se perde no meio do assunto, começa a falar uma coisa que não tem muito a ver com o tema da conversa; fica com um discurso meio ininteligível, meio estranho, isso também é um sinal de alerta.

=Começa a ter muita dificuldade com data,  a falar que está no mês errado, tem dificuldade sempre em lembrar o dia da semana em que está, ou o dia do mês. Às vezes erra até o ano.

=A pessoa começa a ficar dependente de outras pessoas para sobrevivência, como alguém para cozinhar, para fazer compras, cuidar das finanças dela; ou seja, começa a ficar em uma condição de dependência. Perde a autonomia e outras pessoas, paulatinamente, começam a assumir essas funções.

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“O grande problema é que esses achados da doença de Alzheimer são muito sutis no começo, é uma coisa que começa a acontecer de uma forma progressiva e, muitas vezes, os familiares demoram para entender que aquilo é uma dificuldade de memória. Por isso dei esses sinais de alerta, se algum deles chamar a atenção, vale a pena procurar um neurologista”, finaliza Nader.

Jogo de palavras cruzadas personalizado com as memórias de quem tem Alzheimer

Desenvolvido pela agência Mirum, novo site da A Recreativa tem o objetivo de reconectar os portadores deste mal com a sua família

Jogos de palavras cruzadas são indicados por alguns neurologistas para quem tem Alzheimer, doença neurológica e degenerativa, pois ajudam a manter a mente ativa. Mas, além dos sintomas mais conhecidos, essa doença ainda causa isolamento social e familiar, o que pode piorar o quadro ou até levar à depressão.

Pensando nesse público, os passatempos da editora de palavras cruzadas mais antiga do Brasil – A Recreativa, que já auxiliavam a exercitar o cérebro, também vão poder ajudar a reconectar os pacientes com as suas famílias a partir do lançamento do projeto “Memórias Cruzadas: as palavras cruzadas feitas com as memórias de quem tem Alzheimer”.

O novo site da editora, que foi desenvolvido pela agência digital Mirum, em parceria com a Asteroide, na produção dos filmes, e da Canja Audio Culture, no sound design, é indicado às pessoas que tenham alguém em sua família que sofra da doença. Esses parentes podem acessar a página e responder perguntas sobre a vida e a história do paciente e gerar um esquema personalizado de palavras cruzadas, com a possibilidade de baixá-lo para a impressão também. Ao responderem juntos, criam uma nova conexão com seu familiar conversando sobre as histórias do passado.

O filme de lançamento mostra a importância da presença e compreensão dos familiares para a qualidade de vida do paciente a partir da história da Maria e o relato de sua filha, Berenice. Com uma família presente e interessada em buscar meios de proporcionar seu bem-estar, a Maria ganhou mais uma ferramenta para reforçar essa conexão e trazer benefícios para ambas as partes: paciente e seus entes queridos.

Estima-se que há mais de 1.2 milhão de casos de Alzheimer no Brasil. “O que percebemos ao longo do processo é que o Alzheimer impacta também a vida de familiares e amigos, que sentem dificuldade em se conectar com o paciente. Isso aumenta o sofrimento e a dificuldade em lidar com a doença. Por isso, nosso objetivo é proporcionar um momento de interação de qualidade entre eles, usando a tecnologia aliada à criatividade para criar uma solução simples, mas com força para causar um impacto positivo na vida dos pacientes e suas famílias”, comenta Filipe Matiazi, Diretor de Criação da Mirum.

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O projeto “Memórias Cruzadas” está disponível online para todo o Brasil e ainda estão previstas versões do site em inglês e espanhol. Veja mais detalhes no site Memória Cruzadas e o vídeo de seu lançamento clicando aqui.

 

 

Conheça primeira plataforma digital dedicada ao cuidador familiar

Quem cuida do idoso também precisa ser cuidado? Dedicação, generosidade, carinho, atenção e doação de tempo em favor do outro. Essas são algumas das qualidades necessárias no cuidador familiar. Mais do que a rotina de cuidados com higiene, alimentação, mobilidade e descanso, o idoso precisa de atenção em aspectos que vão além do bem estar físico. Garantir isso para o ente querido faz do cuidador uma figura essencial nessa nova etapa da vida. Mas quem cuida do cuidador?

A startup Plug and Care lança uma plataforma digital, direcionada a esse público, que une a tecnologia e gerontologia para dar suporte nas tarefas diárias e minimizar as sobrecargas. Ser um cuidador nem sempre é uma escolha pessoal, e sim uma necessidade familiar. A maioria das pessoas que se dedicam ao outro precisa também dividir as atividades do cuidado com outras tarefas, como trabalho e dar atenção a própria família, além disso a falta de recursos (informação e tecnologia) potencializam as dificuldades.

No Brasil, dos mais de 30 milhões de idosos, cerca de 1/3 deles apresenta dificuldades para realizar tarefas da vida diária e, desses, 81% declararam necessitar de ajuda para realizar uma ou mais dessas atividades. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde que apontou que 62% recebem ajuda de familiares que moram com o idoso e 35,8% por familiares que não moram com o idoso.

Para o empreendedor e cofundador, Alexandre Pereira, o propósito de criar a plataforma é dar aos cuidadores uma fonte amigável de informação e que isso traga instrumentalização na rotina diária.

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“A falta de informação é uma das principais razões de ansiedade e estresse dos cuidadores. Perguntas como: O que fazer? Como fazer? Quais as perspectivas de futuro? são as principais dúvidas de quem cuida. E a maior parte do conteúdo disponível na web está direcionado aos problemas do idoso, como doenças e tratamentos. Pouco se dedica ao cuidadores, suas dores, inquietações e dúvidas. Entendemos que quanto mais ele estiver informado e bem preparado para o cuidado, melhor é o bem estar e qualidade de vida de todos, cuidadores, idosos e familiares,” revela.

Há 9 meses, a administradora Regina Garcia de Oliveira mudou a sua rotina e se tornou a cuidadora familiar do sogro, Otogamis de Oliveira, de 86 anos. “Sempre gostei de receber as pessoas, de encher e ver movimento na casa. Minha sogra também era assim e cuidou dos seus familiares, pais, tios, irmãs ao longo da vida, deixando o seu legado. Inspirada nela, eu acho que fui assumindo de forma natural esse papel na família, mas sempre foi algo íntimo meu o instinto de querer ajudar o próximo. Tenho prazer e fico feliz em ver que ele está tendo um final de vida digno. Hoje passo isso para os meus filhos. Percebo que com a convivência diária com o avô eles estão aprendendo a ter um cuidado diferenciado com o idoso, a ter paciência e a olhar a velhice com outros olhos”, confidencia.

Raquel Pires, cofundadora da Plug and Care, viveu história semelhante. “Faço parte de uma família que foi se tornando cuidadora ao longo dos anos. Iniciamos os cuidados com a minha avó, portadora de uma artrose de joelhos que a deixou dependente fisicamente nos últimos 10 anos de sua vida. E há 19 anos, meus irmãos e eu cuidamos da minha mãe que tem a doença de Alzheimer. Como sou a única pessoa da área da saúde, me responsabilizei em passar orientações a todos, assim não sobrecarregaria um só e vivenciei que quanto mais os cuidadores familiares forem informados e preparados para o cuidado, melhor é a qualidade de vida de todos, idosos e seus familiares,” explica.

Por meio do app gratuito, desenvolvido por profissionais especializados, é possível receber orientações, conteúdos especializados, baixar e-books e assistir vídeos didáticos onde é possível aprender sobre como lidar com tosse e engasgo durante as refeições, como o cuidador pode ajudar o idoso a sentar e levantar de forma segura, como estimular o prazer de comer usando a consistência certa do alimento, a estimular a memória do ente querido, entre outras dicas cotidianas.

A ferramenta traz informações fluídas, amigáveis numa página de fácil navegação. “Ver um familiar envelhecer já um desafio por si só. Quem cuida, muitas vezes usa do bom senso e de boa vontade, mas isso nem sempre é o suficiente. A Plug and Care pretende ser um portal de soluções onde o cuidador pode recorrer, se sentir acolhido e ter acesso fácil ao que precisa. Queremos que esse cuidar seja mais leve, mais flexível, mais compassivo, mais generoso e menos desgastante para ambos os lados, idoso e cuidador,” esclarece a professora-doutora, especialista em gerontologia e cofundadora da startup, Monica Perracini.

A plataforma também apresenta o primeiro e-commerce totalmente voltado para o cuidador familiar com seleção de produtos especiais para o cuidar com maior segurança, eficiência e desenvolvimento do ente querido. Entre os produtos disponíveis: cinta transferência, barras de segurança, bengala, jogos de memória, artes e muito mais.

O envelhecimento não ocorre de forma igual para todos e cada indivíduo tem necessidades específicas, para isso foi criado um app que conta com uma rede social de apoio para conectar cuidadores em um ambiente para troca de experiências, compartilhamento de histórias, ensinamentos e aprendizados. A Plug and Care também dá acesso a um clube de benefícios para o cuidador, através de uma rede credenciada para atividades de lazer e entretenimento, educação e bem-estar.

“Além de todas essas soluções, a nossa proposta é lançar no final de junho uma versão do aplicativo com rede de cuidado, com planejamento de agendas de medicamentos, eventos e medições com foco no engajamento e aderência dos idosos no tratamento, com prevenção à saúde por meio de notificações para interações medicamentosas e com uma comunicação orientada a necessidade do cuidador familiar e do idoso, e avançar na relação B2B2C embarcando e-commerce,” adianta a sócio-empreendedora Monica Tomomitsu, responsável pela área de operações e tecnologia da Plug and Care.

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Plug and Care

Plug and Care é a primeira plataforma online criada para melhorar a qualidade de vida dos cuidadores familiares de idosos, por meio da tecnologia e da inovação. A ferramenta apresenta soluções e orientações úteis para dar suporte a rotina de cuidados e questões relacionadas a saúde e segurança, planejamento e organização, suporte social e bem-estar de quem cuida.

O portal Plug and Care apresenta conteúdos especializados, vídeos, orientações e espaço para interagir e compartilhar experiências. O site traz ainda o primeiro e-commerce totalmente voltado para o cuidador familiar, o E-Shop Plug and Care, com uma seleção de produtos especiais para dar maior segurança, eficiência e desenvoltura ao cuidador familiar.

No aplicativo Plug and Care, que pode ser instalado gratuitamente, é possível participar de uma rede que compartilha experiências e ter acesso a orientações de especialistas, por meio dos Plugs do Cuidar e ainda ter acesso a um clube de benefícios.

 

 

 

Sábado acontece 2ª Caminhada da Memória e Conscientização do Alzheimer

Evento Memory Walk Brasil marca o mês mundial da doença, que afeta 1,2 milhão de pessoas no país, e terá também palestras para compartilhar informações sobre qualidade de vida de pacientes e cuidadores

A 2ª edição da campanha Memory Walk Brasil, caminhada em prol da memória e da conscientização sobre a doença de Alzheimer, será realizada neste sábado (23), a partir das 9h30, no parque Villa-Lobos, zona oeste de São Paulo. O evento ocorre em várias cidades do mundo para marcar a data mundial do Alzheimer, celebrada em 21 de setembro, com objetivo de compartilhar informações e combater os estigmas da doença, que afeta 1,2 milhão de pessoas no Brasil.

Além da caminhada de 1.400 km dentro do parque, o público poderá participar de atividades nas tendas de bem-estar e saúde, com conversas e palestras para esclarecimento de dúvidas sobre prevenção, genética e riscos da doença. O roteiro inclui ainda jogos de memória, dança e musicoterapia que colaboram na melhora cognitiva em expressões físicas, emocionais, mentais e sociais.

O evento é gratuito, mas os interessados em comprar um kit de participação, que inclui camiseta, podem se inscrever por meio do site http://www.memorywalkbrasil.com.br. A renda será revertida para a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). A iniciativa conta com apoio da Cora Residencial Senior, a maior rede de instituição de longa permanência para idosos da América Latina.

Sobre a doença

O Alzheimer é um dos problemas neurológicos mais comuns entre a população idosa, e uma das principais causas de demência. A condição causa a morte gradual dos neurônios, provocando a perda de memória e de outras funções cognitivas, como capacidade de organização, orientação de tempo e espaço, entre outras. A doença atinge 1,2 milhão de pessoas no Brasil e 47 milhões no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Quando a doença é diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente e à família. O acompanhamento médico e de uma equipe multidisciplinar permite priorizar o bem-estar de pacientes e cuidadores.

“É preciso mostrar ao idoso que mesmo com a perda de memória ele ainda é útil no meio em que vive. E também é fundamental que o cuidador não o estigmatize como uma pessoa ‘esclerosada’ e entenda que o idoso com déficit de memória tem uma doença neurológica que preciso de um cuidado adequado”, afirma o Dr. Rodrigo César Schiocchet da Costa, geriatra da Cora Residencial Senior.

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Sobre a Cora

A Cora foi criada em 2015 para oferecer um residencial sênior moderno e romper com as ideias e modelos das antigas casas de repouso. Administrada pela empresa Brasil Senior Living (BSL), tem como objetivo revolucionar o conceito de instituição de longa permanência, com uma experiência única de cuidado, carinho e acolhimento. Entre os diferenciais estão a localização das unidades em regiões centrais da cidade, a estrutura projetada e construída para atender às necessidades dos idosos, a visita aberta a qualquer hora do dia, o atendimento assistencial 24 horas e os serviços de qualidade com terapias modernas e atualizadas.

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Programação:

Dia: sábado – 23/09/2017
Local: Parque Villa-Lobos – entrada principal
Horário: 9h30 às 14h

Atividades:
Caminhada: 9h30 às 10h30 (1,4 km)
Tenda ABRAAZ – 9h30 às 12h30

Memória e Alzheimer: união entre profissionais, familiares e cuidadores
Moderador: Rodrigo Rizek Schultz (neurologista)

 

10h30 – 11h
Profissionais, familiares e cuidadores: princípios e significado desta união
Apresentação: Paulo Henrique Ferreira Bertolucci (neurologista); Ceres Eloah de Lucena Ferretti (enfermeira); Vera Lúcia Duarte Vieira (psicóloga); Lucia Bertolucci (psicóloga); Luciane Teixeira Soares (fonoaudióloga – deglutição).

11h – 12h30
Doença de Alzheimer: discutindo soluções frente às dificuldades com base em depoimentos e experiências de familiares
Abordagem médica e de uma equipe multidisciplinar. Apresentação: Ivan Hideyo Okamoto (neurologista); Maísa Kairalla (geriatra); Marina Dauar (neurologista); Cléo Monteiro França Correia (musicoterapeuta); Selma Jinnyat (psicóloga); Sandra Langer (jogos computadorizados); José Roberto Wajman (psicólogo).

 

 

Hoje é o Dia Mundial da Conscientização sobre a Doença de Alzheimer

Segundo a Associação Internacional de Alzheimer, a doença é a principal causa de demência no mundo. A Organização Mundial da Saúde estima que, só no Brasil, ela atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas. Para conscientizar a população sobre o problema, a OMS criou em 1994 o Dia Mundial da Conscientização da Doença de Alzheimer é comemorado hoje, 21 de setembro.

“A principal recomendação é que se a pessoa tiver mais de 60 anos e perceber que sua memória piorou muito em um intervalo de seis meses a um ano, que procure um especialista para que possa ser feita uma avaliação, principalmente se notar dificuldades e declínios que interfiram no dia a dia. Às vezes pode não ser Alzheimer, mas é sempre bom verificar” recomenda Jerusa Smid, neurologista e secretária do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), para quem a conscientização é importante já que, quanto mais cedo a doença é detectada, o tratamento pode trazer melhores resultados.

Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa, progressiva e sem cura, que provoca o declínio das funções cognitivas como a memória, a linguagem e a percepção, incapacitando o paciente de realizar tarefas cotidianas e de se situar no tempo e no espaço. Mudanças de comportamento, de personalidade e de humor como agitação, agressão, apatia, dificuldade em pensar e compreender são alguns dos indícios, além de fatores psicológicos como alucinações, confusões mentais e depressão.

A doença possui três estágios: leve, moderado e grave. No início, os sintomas geralmente não são percebidos, mas a pessoa precisa de ajuda para executar tarefas complexas como cuidar de finanças. Na fase intermediária, é necessário auxílio em atividades corriqueiras como se vestir e sair de casa. Na etapa final, quando o Alzheimer está em estado avançado, o paciente já não consegue mais tomar banho nem comer sozinho.

Por ser uma doença sem cura, as formas de tratamento são indicadas para controlar e melhorar, temporariamente, os sintomas. Basicamente, se resumem à forma medicamentosa e de reabilitação cognitiva, utilizada nas fases iniciais da doença, além das atividades físicas aeróbicas, que podem ajudar na melhora do desempenho cognitivo.

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Foco em atualização e conhecimento

Para ajudar no compartilhamento de informações atualizadas e na descoberta de novas formas de tratamento, a ABN realiza, bianualmente, a Reunião de Pesquisadores em Doença de Alzheimer e Desordens Relacionadas (RPDA). A 11ª edição do encontro ocorrerá neste ano, nos dias 1 e 2 de dezembro, no Hotel Meliá Campinas, interior de São Paulo.

Entre os temas que serão discutidos estão “Atualização dos critérios diagnósticos da doença de Alzheimer para fins de pesquisa”, “Avanços em biomarcadores sanguíneos e liquóricos na doença de Alzheimer” e “Marcadores cognitivos de comprometimento cognitivo subjetivo”, entre outros. As aulas serão oferecidas pelos mais conceituados especialistas nacionais na área de Neurologia Cognitiva e do Comportamento.

“Esse é o evento de pesquisa em doença de Alzheimer mais importante que temos no Brasil. É uma oportunidade para apresentar o que há de melhor na produção científica brasileira. Além disso, muitos estudantes irão participar do encontro, que é também uma chance para promover um intercâmbio entre os pesquisadores e mostrar os trabalhos que foram desenvolvidos”, ressalta Márcio Luiz Figueiredo Balthazar, coordenador do evento e do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN.

Fonte: Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

 

Alzheimer é pano de fundo para enredo de livro infantil

Doença é tratada de forma simples e delicada em Vovô Gagá, novo enredo da Editora Moderna escrito pela autora Márcia Abreu

Falar de uma enfermidade como o Mal de Alzheimer para uma criança é uma missão difícil. Seja pela falta de traquejo para lidar com a doença ou mesmo porque não vemos necessidade de abordar um tema como esse na infância. Fato é que, às vezes, esse assunto pode vir à tona e é preciso estar preparado para responder as mais diversas questões e dúvidas que podem surgir dos pequenos.

Para esses casos, a Editora Moderna e a autora Márcia Abreu sugerem a leitura do livro Vovô Gagá. Inspirado em um personagem real da vida da escritora, o título trata com delicadeza e bom humor algumas características daqueles que são acometidos pelo mal e mostra ao leitor que precisamos ter cuidados muito especiais com quem sofre da doença.

No enredo de Vovô Gagá, temos Camilo, um garoto comum e seu avô, Ganimedes, que recentemente passou a morar na casa do neto. Cacá, como chamavam o menino, gostava muito de seu avô, mas notava que as pessoas em sua casa não tinham muita paciência com ele e achava estranho que o chamavam de gagá. Tudo porque Ganimedes volta e meia perguntava a quem estava em sua volta sobre Boa Esperança, cidade em que passou seus tempos de menino. Repetia por diversas vezes a mesma pergunta e relembrava o quão bom era lá.

Quando avô e neto se veem sozinhos em casa, em um feriado, decidem partir rumo à famosa Boa Esperança. Numa mistura de saudades, encontro com velhos amigos e novas descobertas, Camilo e Ganimedes passarão juntos por momentos muito especiais e inesquecíveis.

O livro é indicado para crianças a partir de 10 anos e conta com ilustrações da espanhola Lalalimola.

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Vovô Gagá
Editora Moderna
80 páginas
R$ 44,00

Cigarro aumenta o risco de doenças como Alzheimer, por André Felício*

doutor-andre-felicioTodos conhecemos a relação entre fumar cigarro e o aumento do risco para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, como o AVC. Entretanto, o cigarro também tem uma relação com doenças neurodegenerativas, menos conhecida, que discutiremos abaixo.

Primeiro, sabemos que o envelhecimento é o principal fator de risco não modificável para doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Quando analisamos Alzheimer, entretanto, além da questão “idade” fatores de risco clássicos para doenças vasculares como tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia são também fatores de risco que podem deflagrar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.

Segundo, sabemos que existem aqueles indivíduos em uma zona de fronteira conhecida por “comprometimento cognitivo leve”, quando o indivíduo tem normalmente um problema cognitivo importante, mas que não o impede de exercer suas atividades de vida diária. A importância de fatores de risco como fumar cigarro neste contexto é que indivíduos com comprometimento cognitivo leve terão mais chance para converter em Alzheimer se fumar um cigarro que indivíduos não-tabagistas. Assim, evitar o cigarro é uma atitude essencial para diminuir as chances de Alzheimer.

Em relação à doença de Parkinson, paradoxalmente, estudos em modelos animais e estudos epidemiológicos em humanos já demonstraram que a nicotina pode ter um efeito neuroprotetor. Isto mesmo, neuroprotetor. Este mecanismo é complexo e envolve liberação de neurotransmissores, modulação de apoptose e necrose, função imune e aumenta produção fatores tróficos (Trends in Neuroscience v. 27, p.561-8; 2004). Na vida real isto não é tão simples, uma vez que junto com a nicotina centenas de outros produtos extremamente tóxicos/cancerígenos são aspirados em um cigarro e não se recomenda, em hipótese alguma, fumar cigarro para evitar ou atrasar doença de Parkinson.

Como na própria doença de Alzheimer, o tabagismo associado a outros fatores de risco para doenças cerebrovasculares acaba contribuindo para piora dos sintomas parkinsonianos, em particular, no surgimento de sintomas não-motores como a própria demência associada à doença de Parkinson.

Evitar o tabagismo, mesmo passivo, é uma atitude importante para se ter um cérebro saudável por bastante tempo. Mais do que isto, evitar o tabagismo pode influenciar no desenvolvimento ou no surgimento de complicações relacionadas a doenças neurodegenerativas.

*André Felício é Coordenador do Curso de Pós-graduação em Neurologia da Faculdade IPEMED de Ciências Médicas