Arquivo da tag: andrea ladislau

Reflexões sobre a tentação que temos em comparar nossa vida com a dos outros continuamente*

No momento em que retomamos discussões e reflexões sobre a prevenção do suicídio neste Setembro Amarelo, temos importantes apontamentos a serem observados. Lembrando que um dos principais deles é não se esquecer de que pensar na prevenção do suicídio – e em ajudar a impedir potenciais candidatos de tirar sua vida – deve ser feito ao longo dos 365 dias do ano. A cada minuto alguém pode estar entrando em estado de total desespero, desamparo e depressão, a ponto de enxergar apenas o suicídio como uma solução definitiva e cruel para aninhar sua angústia.

Uma situação dramática como essa aponta um fator que, com o advento tecnológico e as inovações de redes sociais, fica muito mais evidente: a necessidade que o ser humano possui em estar sempre comparando sua vida com a dos outros, diante das exposições jogadas e expostas nas mídias. Comparar-se é natural, pois estamos em constante busca de critérios para julgar o certo e o errado.

Buscamos referências a todo custo. E as redes sociais nos proporcionam isso com muita facilidade, já que se apresenta como um território bem fértil para adventos comparativos. Mas a maior questão é que devemos nos conscientizar de que existe o lado bom e o lado ruim de tudo. Lembra da história de que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa? Não. Ela não é. O que ocorre é que o é demonstrado nas redes é o que o outro deseja mostrar. A parte que lhe importa. Nem sempre aquela pessoa da foto, com o sorriso mais lindo em um dia ensolarado, está mesmo tão feliz como está aparentando. O que se passa dentro de cada um não pode ser genuinamente evidenciado de forma real.

Cada um possui uma individualidade e vive um determinado contexto particular. Portanto, o maior cuidado que devemos tomar é buscar entender que a internet é uma vitrine irreal. Se a comparação for desigual, certamente o indivíduo que já se encontra fragilizado ou depressivo por qualquer que seja o motivo poderá ter sua autoestima afetada, a partir da criação de falsas expectativas e falsas ilusões – correndo o risco de entrar em um processo de negação de sua própria realidade, recusa de sua trajetória individual e estará sujeito a deixar de trabalhar os mecanismos de ponderação de sua essência.

Na prática, quando ficamos limitados a ver a vida do outro por um único ponto de vista, somos tentados a entrar em armadilhas ilusórias que alimentam apenas o que nos convém. Fortalece os desejos fantasmagóricos que temos em mente, contribuindo para que possamos nos sentir mais inferiorizados, sem ter o discernimento de enxergar que todos temos bons e maus momentos. Situações alegres, positivas, mas também difíceis e angustiantes. E está tudo bem. Isso é perfeitamente normal.

E aqui entra a necessidade, em muitos casos, de se tirar a própria vida, movido por uma tentativa frustrada de evidenciar uma tristeza instalada e mal compreendida. Tristeza que dói. E o ato de suicídio é exatamente uma infeliz decisão de se eliminar essa dor. Portanto, ao perceber que as conquistas do outro estão criando empecilhos para que você consiga criar e valorizar seus próprios passos, ligue seu botão de alerta. Conscientize-se de que cada ser humano é único e tem emoções e sentimentos muito peculiares.

Desejos, metas e conquistas são inerentes a todos. E se o outro consegue, você também pode conseguir. É importante avaliar e refletir o que possa estar lhe impedindo de ter um olhar mais crítico para perceber o que o afasta de sua felicidade. Só quando nos organizamos por dentro é que as coisas começam a tomar forma e a caminhar de vez em todos os sentidos de nossa vida.

Enfim, como mudar essa energia? Como alterar esses pensamentos limitantes? Saiba que uma situação não pode ser mudada apenas se enchendo de certezas negativas. Ao se comparar com os outros, ninguém está te julgando mais do que você mesmo. Fato é que estamos comprometidos com situações que podem nos impedir de seguir em uma busca por uma mente mais saudável. Buscamos respostas e nem sempre as encontramos de imediato. Portanto, encare sua própria mudança interna.

Não se compare a ninguém. Somos seres divergentes. Lições, experiências, necessidades e trajetórias diferentes. O outro não é tão grande e especial assim como lhe parece. Não se sinta insignificante ou menor com aquilo que está sendo exposto em uma rede social. Aprenda a lidar com seus defeitos, pois estes temos todos, até mesmo o carinha mais feliz da internet.

Aquele que parece perfeito e esbanja felicidade a todo minuto, mas que lá no mais profundo do íntimo pode estar tão destruído emocionalmente que não demonstra, não verbaliza ou mesmo não busca ajuda profissional. Veste apenas uma máscara irreal e fica preso a seus sabotadores. Lidamos com dificuldades diariamente e disso ninguém escapa. Fuja da tentação de entrar na desilusão imposta por um feed perfeito, que retrata apenas melhores momentos com filtros aplicados.

Pexels

Portanto, valorize sua vida. Valorize cada dor, cada dúvida e cada conquista. Aprenda que é permitido crescer tanto com as coisas boas quanto com as ruins que acontecem conosco. Tirar a vida por se sentir inferiorizado não o tornará vencedor. Será vitorioso ao conseguir reconhecer suas falhas, suas forças e dentro desse cenário poder promover um autoconhecimento que lhe permita ressaltar suas qualidades e evidenciar o que tem de melhor.

Não meça sua vida pela régua dos outros. Lamentar aquilo que não se tem é uma forma de desperdiçar o que já possui de melhor. Sua vida importa – e muito. Pense nisso e vida cada mais feliz e realizado, perseguindo seus objetivos e conquistando seus espaços merecidos.

Foto: Pedro Costa

*Andréa Ladislau é psicanalista, Doutora em Psicanálise, palestrante, colunista da Academia Fluminense de Letras, Gestora em saúde, Representante Internacional (USA) da University Miesperanza

A convivência desafiando as relações amorosas em tempos de pandemia*

O confinamento social, medida extremamente necessária para que possamos evitar a disseminação do Covid-19, aponta algumas situações que nos levam a avaliar questões dentro dessa nova experiência a que estamos expostos, como, por exemplo, o convívio confinado. Processo no qual a proximidade e a convivência em tempo integral desafiam as relações interpessoais.

A convivência afetiva em uma quarentena, submetida ao estresse, ao medo e a incerteza do amanhã, tende a fazer com que nossas insatisfações, angústias e frustrações sejam deslocadas para o outro de forma intuitiva. Além, claro, do estresse econômico que, potencializado, contribui ainda mais para esse desconforto – complicando, assim, a relação conjugal e florescendo aspectos desagradáveis deste convívio.

casal-discussao

Naturalmente, é o momento em que estamos mais suscetíveis a refletir sobre as nossas vidas, onde queremos chegar e o que estamos fazendo dos nossos dias. O cenário da pandemia alterou os hábitos e a rotina de todos. As famílias estão convivendo 24 horas do dia. O contato com o parceiro foi intensificado.

Com isso, temos relatos de que, com o fim do período de confinamento na China, o número de divórcios quase triplicou. Demonstrando que o relacionamento não resistiu ao convívio contínuo. Além disso, já temos também dados de que essa mesma temática está sendo aplicada para justificar o aumento de casos de violência doméstica no Brasil e no mundo.

E quais seriam as causas? Relacionamentos frágeis? Dificuldades em administrar problemas? Bem, podemos destacar vários aspectos. Para se evitar a deterioração da relação, em primeiro lugar é importante que cada parceiro entenda que o momento de isolamento é necessário e que medidas de boa convivência devem ser adotadas, levando sempre em consideração o outro.

Entendendo que cada pessoa é única, possui características, ciclos de vida e bagagens diferentes. Um pode ser mais vulnerável, ansioso e reativo que o outro. Por isso, o auto controle é essencial neste momento de quarentena. A meta é não enlouquecer e não enlouquecer quem está a sua volta.

De forma inconsciente, o confinamento traz a necessidade do indivíduo alinhar-se e, através desse alinhamento, vencer o momento vivenciado. Portanto, a regulação emocional é o ponto chave. Infelizmente, a tendência é – em um convívio prolongado – apegar-se a pequenas coisas, potencializando a raiva e a chateação por questões que antes, quando a convivência era menos intensa, não incomodavam tanto. Agora, mais evidentes, podem desagradar, fomentando o total desconforto.

casal cama separado

O desafio dos casais neste período é, além de manter sua saúde e a de todos, também manter – de forma saudável e equilibrada – as suas relações. Buscamos a assertividade constante, mas temos que aprender a controlar os ímpetos com orientação e foco.

Algumas atitudes devem ser eliminadas para não prejudicar o relacionamento e ajudar o casal a sair mais fortalecido e unido desse período de isolamento. Adotar um modelo acusatório, apontando o dedo para culpar o parceiro por tudo, certamente irá ativar a defesa do outro – que poderá reagir com ataques. Vitimizar-se também não trará uma energia saudável para a relação.

O clima também poderá ficar pesado e desconfortável se um dos parceiros se colocar de forma queixosa e cheia de lamúrias, reclamando e alimentando a negatividade. As repetições, os excessos de cobrança, as necessidades de convencimento e o abuso da vigilância, são, sem dúvida alguma, aspectos nocivos ao convívio.

Sabendo que todo relacionamento se sustenta pelos níveis de prazer acima dos níveis do desprazer, e que os comportamentos destrutivos devem ser vigiados e descartados, a meta é fortalecer a relação. Algumas medidas devem ser tomadas: intensificar o diálogo com o parceiro, trabalhando de forma consciente, a cumplicidade e a intimidade do casal.

Controlar a agressividade, reagindo com ponderação, polidez e diplomacia. Além do respeito ao limite do outro. Outro fator é não alimentar, dentro de si, a mágoa e a dúvida. Por isso, o diálogo é tão importante para eliminar a distância na comunicação saudável. As exposições respeitosas, no momento certo, são mais que bem vindas nesta busca pela harmonia conjugal.

Portanto, o vínculo afetivo pode ser melhor solidificado se as atitudes sensatas forem adotadas por ambos neste momento tão estressante e desafiador que estamos vivendo.

casal meia idade feliz

Enfim, a potencialização das emoções exige equilíbrio e maturidade para promover uma comunicação pessoal positiva. Cuide da forma de falar, use a gentileza, a empatia e sabedoria, uma vez que a pandemia pede autocontrole e muita cautela para não tornar seu convívio em um relacionamento tóxico e destrutivo.

*Andrea Ladislau é psicanalista, Doutora em Psicanálise Membro da Academia Fluminense de Letras, Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde, Pós-Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social e Professora na Graduação em Psicanálise

É permitido não gostar ou não dar conta de fazer tudo na quarentena*

Aumenta o número de pessoas com queixas relacionadas à pressão para seguirem – ou cumprir – as preciosas dicas de atividades que surgem, a cada minuto, durante a quarentena.

Uma verdadeira maratona de lives, cursos on line, aplicativos com tarefas planejadas para adultos ou crianças, listas enormes com sugestões de livros, filmes, séries e afins. Tudo com o objetivo de preencher as 24 horas do isolamento social.

Percebemos uma histeria coletiva para que o indivíduo consiga conciliar o suposto “excesso” de tempo com a grande oferta de ocupações. Muitas vezes impedindo a sua capacidade de admitir que não se é tão megaprodutivo e conectado assim.

estresse

O bombardeio, em um tempo carregado de incertezas, que não ajudam a relaxar, acrescido da sensação de impotência ou da incapacidade de se cumprir o que foi proposto ou imposto a si mesmo, pode manifestar sensações de estresse, ansiedade e muita, muita tensão. É o que chamamos de exaustão emocional.

A ideia da improdutividade negativa em alguns casos ganha força quando nos incomodamos ao ver que o outro está realizando inúmeras atividades ao mesmo tempo: é assíduo no acompanhamento das milhares de lives ofertadas; está concluindo vários cursos oferecidos por plataformas on line; praticando dança, atividades físicas, culinária, artesanato, enfim… É um exímio conhecedor e praticante dos mais variados aplicativos.

Entenda que cada um tem seu ritmo e seu tempo de resposta aos estímulos externos. Não se sucumbir a essa pressão também faz parte. E sim, você é normal quando não dá conta de tudo ou não se sente motivado a acompanhar ou fazer tudo o que está sendo oferecido. Não é um crime não acompanhar todas as lives, fazer os cursos ou estar em conexão direta todo momento.

Não precisamos corresponder às expectativas do mundo sempre. Tenha essa consciência e sua saúde mental agradecerá. Cada um de nós é um ser único e em nossa individualidade trazemos uma essência singular – essência essa que irá determinar o nosso ritmo. Compreender a sua velocidade, dominar suas emoções, reconhecer suas reais necessidades, desejos e falhas é sinônimo de autoconhecimento. Portanto, não acelere e não negligencie seu “tempo interior” simplesmente para dizer ao mundo que sua quarentena está sendo produtiva.

Cobrar e culpar-se por tudo, sem respeitar seus limites e seus anseios, sem dúvida alguma só irá aumentar a sua angústia. É muito importante ouvir seu próprio chamado interno. Fazer as coisas ao seu tempo. Lembrando sempre que o prazer na realização das atividades deve estar acima da sua autocobrança de TER QUE…Não se sinta exaurido e nem obrigado a nada. Tudo o que gera desconforto, foge da normalidade.

Portanto, não faça nada por obrigação, sem vontade, apenas para atender ao apelo do bombardeio de sugestões de ocupação em tempos de pandemia. Seja honesto e genuíno com sua essência e seu ritmo. Não force uma motivação. O desejo em realizar qualquer coisa deve surgir naturalmente; para agregar, conciliando benefício e prazer.

mulher estressada ocupada multitarefa pixabay geralt
Pixabay

Quando o incômodo se instala, é possível que o equilíbrio emocional seja ferido e que ocorra o acionamento do gatilho para um processo de transtorno de ansiedade generalizada, até de depressão. Não alimente a neurose da produtividade que os tempos atuais têm trazido. Se todo excesso reflete uma falta, tenha cautela para não provocar uma exaustão mental, pincelada por culpas e cobranças, através de uma pressão insana. Viva um dia de cada vez sendo fiel ao seu ritmo e aos seus desejos.

*Andrea Ladislau é Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras;  Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites.

O caos mental ocasionado pelo excesso de notícias sobre o coronavírus*

Mundialmente, estamos enfrentando momentos de crise na saúde pública com a disseminação do Coronavírus Disease (Covid – 19). Uma doença que foi identificada pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, e está revolucionando o mundo de uma forma geral.

A transmissão se dá por contato próximo com pessoas que foram infectadas pelo vírus, por alguma superfície ou objeto contaminado. E podemos destacar como sintomas da doença a febre acima de 37,5ºC, tosse e a falta de ar, com bastante dificuldade respiratória. E, em casos mais extremos, podendo até chegar a pneumonias graves com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos, levando a eventual óbito. Mas, a boa notícia é que os casos que são tratados, em sua grande maioria, não deixam sequelas.

Infelizmente, o coronavírus trouxe muito pânico e medo, por isso, além de estarmos atentos aos aspectos físicos e biológicos relacionados a esta doença, cabe também fazermos uma análise minuciosa de outros pontos relevantes voltados para a saúde mental e emocional das pessoas.

2 Micrografia eletrônica de transmissão de uma partícula do vírus SARS-CoV-2, isolada de um paciente. Crédito NIAID
Niaid

O excesso de notícias e informações tem levado o ser humano a um descontrole e a uma insegurança sem igual. Com o advento tecnológico, a propagação das chamadas fake news (notícias falsas) trouxe um grande impacto viral e, por meio de chamadas sensacionalistas, tendem a prender o público e acabam, assim, por desestabilizar emocionalmente quem consome essas notícias. E a cada minuto surge uma nova notificação nas mídias colaborando por aumentar o medo e o desespero das pessoas. Com isso, é natural a presença de transtornos de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade generalizada, pânico e outros sintomas decorrentes.

Infelizmente, essas são as respostas de nossa mente para a tão temida pandemia que se desenha no cenário mundial. Como estão recebendo uma enxurrada de notícias, as pessoas se sentem inseguras e sem ter muita certeza do que pode realmente ser real, a sensação mais comum é a falta de controle, incerteza com os dias futuros e uma instabilidade relativa a tudo e a todos. Pessoas infectadas ou com suspeita podem, pelo desespero, apresentar comportamentos impulsivos e até evidenciar tendências suicidas.

Definição dos sintomas, causas, tratamento e cuidados com o coronavírus, ainda são pontos que geram muitas dúvidas, portanto é natural que os pacientes infectados ou com suspeita de infecção venham a manifestar, principalmente, o medo das consequências de se portar a doença. Em casos suspeitos ou confirmados, a recomendação é colocar o paciente em quarentena. Estes, no entanto, por estarem isolados, impedidos de realizar suas atividades rotineiras e de manterem contato direto com outras pessoas, podem apresentar sinais que vão do tédio à solidão, incluindo acessos de raiva, intolerância e agressividade.

Os transtornos psíquicos das epidemias podem atingir a todos, inclusive os cuidadores e profissionais da saúde que entram em contato com os pacientes. Transtornos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, agitação psicomotora (movimentos indesejados devido ao estresse), delírio e suicídio, são os sintomas mais comuns. O medo, a frustração e ansiedade ocasionados pela possibilidade de se contrair a doença, tirando-os assim de suas atividades e também podendo até deixá-los isolados de suas famílias, são as principais apreensões que povoam a mente dos colaboradores da saúde ao estarem diante de uma situação de cuidado de um infectado. Além claro, da sensação de impotência diante de um possível fracasso no trato e manejo do doente.

Por mais que se tenha uma informação de qualidade e pautada em dados verdadeiros e estatísticos, infelizmente, comprovamos que o ser humano não está preparado para compreender. A fragilidade cerceada pelo medo contribui ainda mais para a potencialização dessa atmosfera de insegurança.

Nestas horas, o que podemos orientar é que as pessoas devem procurar não alimentar mais ainda a sensação de medo e pânico que se instaurou. O vírus Covid- 19 trouxe um verdadeiro estrago para a economia e a paz mundial. Não podemos contribuir com o caos. Devemos evitar as fake news. Buscar as informações corretas e verdadeiras sobre o assunto, não divulgar as falsas notícias e respeitar as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) que preconiza medidas de cuidado e precaução para não se adquirir a doença e também não disseminar, infectando os outros.

Existem, sim, muitos oportunistas que estão se aproveitando de toda essa situação de desequilíbrio estrutural e emocional, para desestabilizar toda uma sociedade que, já vive sob tensão psicológica desde que os primeiros casos foram anunciados. Ao menor sinal de contaminação deve-se buscar orientação de um profissional de saúde e seguir todas as recomendações necessárias. Informação e prevenção são os melhores caminhos. Tranquilidade e serenidade é o que devemos buscar para nossa vida e para os que estão a nossa volta.

shutterstock mulher cama dor depressao

É certo que vencemos o medo e a insegurança quando trabalhamos a nossa inteligência emocional a favor da razão. Esta fará com que você ultrapasse os obstáculos. Se estiver consciente dos cuidados e precauções, municiado de informações corretas, com toda certeza, você poderá encarar essa situação da maneira mais tranquila, sem pânico e sem desespero. E, o mais importante: sem contribuir para a disseminação das falsas notícias que só trazem angústia e alimentam os transtornos psíquicos de toda uma população.

*Andréa Ladislau é Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras – cadeira de numero 15 de Ciências Sociais. Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise. Possui clínica terapêutica em Ipanema, Bonsucesso e Niterói, onde atua como psicanalista, atendendo jovens, adultos e casais.

 

Janeiro Branco: entenda a importância da campanha sobre saúde mental

Criado em 2014 por um grupo de psicólogos que, a partir de estudos, perceberam a necessidade de uma campanha de conscientização do cuidado com a saúde mental, o Janeiro Branco marca o primeiro mês do ano.

A psicóloga e psicanalista Andrea Ladislau explica, no entanto, que a saúde mental não merece atenção apenas no mês de Janeiro. É necessário cuidado durante todo o ano. “Se você possui equilíbrio e harmonia emocional, certamente você consegue resolver suas questões com muito menos sofrimento. O sofrimento e a angústia são gatilhos importantes para sinalizar que algo está errado. E é uma boa saúde mental que trará o sentido para sua vida”, afirma.

depressao terapia ajuda apoio pixabay p

Para Andrea, a terapia é uma excelente ferramenta na construção da plena saúde mental do ser humano. Através da terapia o indivíduo poderá ter contato com seu eu interior e administrar de forma leve os desafios que o mundo impõe a cada segundo.

Ainda segundo a psicanalista, o ser humano, de forma natural, possui uma preocupação exagerada com a estética, em função das cobranças do mundo moderno. Desta maneira acaba deixando de lado o cuidado e a atenção com a saúde mental.

“Uma mente doente pode estar acometida por diversos problemas e transtornos variados, como angústias, depressão, fobias exageradas, pânico, traumas e síndromes entre outros. A questão é que só vamos nos atentar para isso quando já estamos doentes mentalmente”, diz.

Cuidar da saúde mental requer buscar equilíbrio e leveza de forma a não se entregar a questões que possam atrapalhar a paz interior, de acordo com a psicanalista. Para isso, segundo Andrea, o autoconhecimento é um grande aliado neste processo.

“Devemos buscar conhecer nosso interior, nossas questões, nossos sentimentos, nossas reações e respeitar nossos limites. Ao fazer isso não estaremos negligenciando nosso eu. Assim, fica mais fácil lidar com o mundo a nossa volta e nos relacionarmos melhor com os outros. Se eu não me entendo e não me conheço, será muito mais difícil ter uma relação saudável com as pessoas a minha volta”, explica.

mulher dor depressao tristeza doença pexels

Andrea enfatiza que, assim como o corpo possui limites, a mente também tem seus aspectos limitadores, o que pode ajudar muito ou também causar danos. “Preste atenção nas suas emoções e como lidar com elas. Um de nossos maiores tesouros e o que devemos almejar é a nossa qualidade de vida. Que passa tanto pelo aspecto da vivência em si, quanto da harmonia mental propriamente dita”, afirma. E complementa:

“Enfim, não seja negligente consigo mesmo. Respeite sua mente e seu corpo. Infelizmente, a urgência do mundo hoje, nos faz ver que todos os caminhos levam para a construção de indivíduos doentes mentalmente. Não seja um deles, busque seu equilíbrio, sua força motora e faça com que corpo e mente andem lado a lado para a conquista de uma vida feliz e consciente.”

Cuidados com a saúde mental

A OMS afirma que a saúde mental depende do bem-estar físico e social, lembrando que o conceito de saúde vai além da ausência de doenças. Esse conjunto é fundamental para que, como seres humanos, tenhamos plenas capacidades individuais e coletivas para pensar, nos emocionar, interagir uns com os outros e aproveitar a vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 300 milhões de pessoas sofrem por depressão em todo o mundo, um transtorno mental frequente que afeta todas as faixas etárias, de qualquer raça, etnia ou classe social. A doença é a principal causa de incapacidade e é pauta de destaque quando se fala em saúde da mente.

 

 “Cuidar da saúde mental não é frescura”

Em apoio ao movimento, o Instituto do Cérebro promoverá plantão psicológico gratuito neste primeiro mês de 2020

Ainda há muita discriminação e falta de informação em relação aos transtornos mentais, principalmente a depressão. A neuropsicóloga Marcella Bianca Neves, fundadora do Instituto do Cérebro e membro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia – SBNP, reforça que apenas através de debates e conscientizações será possível quebrar esse tabu e alerta que a psicoterapia é fundamental para todas as pessoas.

“Atualmente, o preconceito é mascarado pela ignorância e pelos estereótipos que vitimizam os portadores de transtornos mentais – o que, além de dificultar a aceitação do distúrbio pelos próprios indivíduos, serve de empecilho para que se recuperem de uma doença tão perigosa quanto subestimada. O acompanhamento psicológico frequente é primordial para uma vida mais saudável e produtiva. Temos que mudar o paradigma de que a psicoterapia auxilia apenas indivíduos com graves problemas psicológicos. Cuidar da saúde mental não é frescura”, destaca Marcella.

terapia shutterstock
Foto: Shutterstock

De acordo com a especialista, qualquer comportamento que prejudique a autonomia na vida diária de uma pessoa merece atenção e os sintomas variam conforme o transtorno. “Em casos depressivos, por exemplo, sinais de isolamento social; tristeza; desânimo persistente; baixa autoestima; sentimentos de inutilidade; mudança de apetite; entre outros. Mas de modo geral, alterações no sono, confusão mental (temporal e espacial) e comportamentos disfuncionais tendem a ser sinais importantes para buscar ajuda profissional e iniciar uma investigação clínica”, pontua.

O Instituto do Cérebro Marcella Bianca incentiva as reflexões sobre as questões emocionais e afetivas e o cuidado com o bem-estar psíquico. Para contribuir com as ações da campanha Janeiro Branco, durante todo o mês de janeiro haverá plantão psicológico um dia por semana com atendimento gratuito à comunidade.

Consumo de antidepressivos no Brasil aumentou

Dados da Funcional Health Tech apontam que nos últimos quatro anos o consumo desses medicamentos aumentou 23%

Um estudo da Funcional Health Tech – empresa líder em inteligência de dados e serviços de gestão no setor de saúde – feito com base em 327 mil clientes da companhia, localizados em todo o país, demonstra que de 2014 a 2018 o consumo de antidepressivos cresceu 23%. Esse aumento contraria a tendência de consumo geral de medicamentos, que apresentou queda de 5% nesse período.

De acordo com o estudo, mulheres na faixa de 40 anos são as que mais utilizam antidepressivos. Ainda com base nos dados da Funcional Health Tech, foi criado um ranking de vendas de medicamentos, dividido por classes terapêuticas, que demonstra que a psiquiatria é a 10ª classe mais consumida no país. Dentro dessa classe, os medicamentos mais vendidos são antidepressivos e analépticos (drogas estimulantes do sistema nervoso central), depois sedativos e ansiolíticos (medicamentos usados no controle da ansiedade).

mulher ansiedade depressao medo pixabay

“A saúde mental e a saúde física são duas vertentes fundamentais para o bom funcionamento do corpo humano”, diz Ricardo Ramos, médico e vice-presidente da Funcional Health Tech. “Ansiedade e depressão têm afetado a população do mundo todo e o cuidado especial com a ajuda de um médico especialista em saúde mental é muito importante”, ressalta.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em escala global, o número de pessoas com depressão aumentou 18,4% nos últimos dez anos. São 322 milhões de indivíduos, ou 4,4% da população da Terra. Na América Latina, o Brasil é o país mais ansioso e estressado. Cerca de 5,8% dos brasileiros sofrem de depressão e 9,3% de ansiedade.