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Câncer colorretal: a prevenção está no prato

A ciência acumula evidências sobre a importante relação entre alimentação e câncer colorretal. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse é o segundo tipo de tumor mais comum entre os homens (depois do câncer de próstata) e entre as mulheres (depois do câncer de mama). Por isso é importante sempre estar atento à alimentação: uma dieta saudável ajuda a prevenir a doença, enquanto uma dieta não saudável tem efeito contrário, podendo desencadeá-la.

É isso que mostra, por exemplo, um estudo realizado recentemente pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a partir de revisão bibliográfica que promoveu uma síntese de outros trabalhos. O estudo concluiu que os hábitos alimentares influem de maneira considerável no aparecimento de tumores do câncer colorretal quando inadequados ou, quando saudáveis, ajudam na prevenção.

“O consumo exagerado de gorduras, carne vermelha, embutidos (salsicha, linguiça, presunto e mortadela), bacon e até o peito de peru precisa ser evitado”, lembra a nutricionista Juliana Zanetti, coordenadora de Nutrição e Dietética da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “O excesso de gordura acarreta aumento da produção da bile, cujos sais possuem ação detergente, que pode provocar lesões na mucosa intestinal e multiplicação desordenada das células dessa região. No caso dos embutidos, um problema adicional são os aditivos químicos usados na sua fabricação”, explica.

Pesquisa desenvolvida no Reino Unido, publicada em 2019 no International Journal of Epidemiology, demonstrou que o consumo diário de 76 gramas de carne vermelha e carnes processadas elevou em 21% o desenvolvimento de câncer colorretal, em comparação com os pacientes da mesma faixa etária que consumiam diariamente apenas 21 gramas.

Órgãos internacionais, como a World Cancer Foundation e o American Institute for Cancer Research, atestam ser saudável a ingestão semanal entre 350 a 500 gramas de carne cozida. No Brasil, o INCA recomenda até 500 gramas, também com preferência para preparações cozidas ou assadas e evitando o churrasco ou contato direto com o fogo. Para referência, considere que um espetinho tem entre 80 e 100 gramas; um bife, entre 100 e 120 gramas; e um hambúrguer, cerca de 120 gramas.

Escolhas saudáveis

Foto: Everyday Health

De acordo com a nutricionista da BP, uma série de alimentos tem ação preventiva comprovada frente ao câncer colorretal, entre eles, verduras, legumes, frutas, grãos e cereais integrais e sementes (linhaça, chia, gergelim etc.). “Essas opções são ricas em fibras, que agem protegendo as paredes do intestino, além de auxiliar na regulação do trânsito intestinal”, diz Juliana.

Ela lembra que as fibras solúveis, presentes nas frutas e vegetais, auxiliam na fermentação digestiva, estimulando a proliferação de bactérias boas que vivem no intestino e contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico e metabólico. Já as fibras insolúveis, presentes nos vegetais folhosos, cascas de frutas, grãos e sementes, promovem uma varredura da parede do intestino, eliminando substâncias e impurezas nos tecidos que poderiam desencadear processos inflamatórios na região.

Mas as escolhas saudáveis não param por aí: castanhas e peixes são ricos em ômega 3 e ômega 6, que auxiliam na absorção de vitaminas A, E, D e K. Além disso, fibras, frutas, verduras e legumes possuem compostos como as vitaminas A, E e C, carotenoides, antioxidantes, selênio, flavonoides e ácido fólico, que também auxiliam na prevenção do câncer.

Essas informações, que têm base científica, são bons indicadores para combinar ingredientes e fazer pratos saborosos – que agradam ao paladar e ainda têm o efeito de promover a saúde e proteger contra o câncer colorretal. Como exemplo, a nutricionista da BP compartilhou duas receitas que trazem essa combinação de sabor e prevenção. Confira:

Salada verde crocante com molho cremoso

Imagem meramente ilustrativa – Foto: The Pretty Life

Ingredientes:

2 maços de alface
1 avocado ou 1/2 abacate
4 colheres (sopa) de azeite extravirgem
2 colheres (sobremesa) de mostarda de Dijon
suco de 1 limão
1 dente de alho
1 colher (chá) de sal
1/2 copo de nozes picadas ou amêndoas torradas

Modo de preparo:
Lave e corte a alface em fatias largas e coloque em uma tigela grande. Junte o abacate e o azeite no processador de alimentos e misture até ficar homogêneo. Adicione os ingredientes restantes (exceto as nozes/amêndoas) e processe novamente. Misture o molho com a alface.
Em uma frigideira, toste as nozes picadas ou amêndoas por três minutos em fogo baixo.
Sirva as nozes/amêndoas em cima da salada.

Bolo de banana (sem açúcar e sem farinha de trigo)

Imagem meramente ilustrativa – Foto: Gimme Delicious

Ingredientes:

4 bananas nanicas (devem estar bem maduras, quase estragando)
1 xícara (chá) de uvas passas pretas
4 ovos pequenos
1/2 xícara de óleo
2 xícaras de aveia (flocos finos ou grossos)
1 colher (sopa) de fermento em pó

Modo de preparo:
Bata os ovos junto com o óleo no liquidificador. Aos poucos, acrescente as bananas e a uva passa.Coloque a massa em uma tigela e, aos poucos, misture a aveia com o batedor
(a massa é densa). Por último, misture o fermento em pó. Unte com óleo e farinha de aveia. Asse em forno preaquecido a 200ºC por 35 minutos (o tempo pode variar, dependendo do forno).

Fonte: Beneficência Portuguesa de São Paulo

Bebeu demais? Veja como diminuir os sintomas da ressaca

Hidratação e alimentação saudável são alternativas para aliviar os sintomas após ter ingerido álcool em excesso

Carnaval, época de rever os amigos, curtir os bloquinhos de rua, os trios elétricos e ver as escolas de samba. Com toda essa festa alguns foliões exageram na ingestão de bebidas alcoólicas e no dia seguinte sentem mal-estar, a famosa ressaca. “As indisposições começam de 6 a 8 horas após o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e os efeitos podem durar cerca de 24 horas. Isso acontece após um pico entre 0,11% e 0,12% de concentração de álcool no sangue”, explica Diana Lara, neurocirurgiã da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Segundo a especialista, os sintomas da ressaca variam de pessoa para pessoa: dependem de fatores genéticos, do quanto ela se alimentou e se hidratou. “O acúmulo de álcool no corpo interfere nos nossos hormônios e no sistema imunológico e essas alterações acabam contribuindo para a sensação de ressaca”, afirma ela.

Bebeu demais? A especialista da BP dá dicas para você amenizar os efeitos da ressaca:

1 – Você realmente estará indisposto

GettyImages mulher ressaca

Se você exagerou na bebida provavelmente sentirá indisposição. Existem vários sintomas e os mais comuns são náuseas, boca seca, tontura, desconforto gastrointestinal, cansaço, tremedeira, ausência de apetite, falta de concentração, sonolência e sudorese, além de dor de cabeça.

2 – No dia seguinte…

agua copo

Ingerir bastante líquido e ter alimentação balanceada é o grande segredo para se livrar da ressaca. O principal método para se proteger desse mal-estar é a hidratação. Por isso, após abusar da bebida é fundamental tomar bastante água, repousar e tirar o dia para fazer refeições leves a base de saladas, frutas, legumes e sucos naturais.

3 – Antes de beber, coma algo

mulher comendo macarrão

O ideal é nunca beber de estômago vazio e ingerir carboidratos e proteínas antes de consumir bebidas alcoólicas, pois a absorção do álcool fica mais lenta, minimizando os efeitos da ressaca.

4 – Remédios de farmácia contra ressaca

ressaca queensland health

Medicamentos como antiácidos, analgésicos e antieméticos podem ajudar a amenizar os sintomas, porém não há evidência científica de nenhum tipo de medicamento que cure a ressaca. Não há como afirmar se esses remédios tomados antes da ingesta alcoólica de fato ajudam no alívio dos sintomas da ressaca.

Quantidade de bebida alcoólica ingerida é determinante na intoxicação do organismo

“Quem já teve uma forte ressaca, nunca esquece”, brinca Carolina Novoa, Enfermeira Mestre em ciências da saúde pela Universidade de São Paulo (USP). Afinal, como ela pontua, os sintomas são bastante intensos: forte dor de cabeça, sensibilidade a ruídos e luminosidade intensa, tontura, náusea, vômito, palidez, tremores e sede significativa.

E por que isso acontece?

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Foto: edmontonfetalalcoholnetworkorg

“Já nos primeiros 10 minutos de ingestão de bebida alcoólica, o álcool chega à mucosa do estômago e começa a ser absorvido e transportado pela corrente sanguínea até o fígado. Ali, ele será metabolizado em uma substância chamada acetaldeído, tóxica para o organismo”, conta Carolina.

Como nosso corpo é feito para se “autodesintoxicar”, ele tenta se livrar do acetaldeído o quanto antes. “Quando a ingestão é baixa, o organismo consegue metabolizar a substância e transformá-la numa espécie de vinagre atóxica. Mas, se a pessoa exagerar, em 20 minutos após beber, o corpo não dá conta de neutralizar todo o acetaldeído – aí surgem os sinais da embriaguez”, detalha.

A embriaguez ocorre quando o acetaldeído chega ao sistema nervoso central. O resultado é alegria, excitação ou depressão e tristeza, comprometimento do julgamento, perda de equilíbrio, fala mole, entre outros sintomas.

“Após cerca de 1 hora do início do consumo de álcool, o sistema de depuração que controla o hormônio antidiurético entra em ação e surge a forte vontade de urinar”, explica a enfermeira, “como a pessoa não está ingerindo água, a desidratação ocorre mais rapidamente e agrava os sintomas da ressaca”. É por isso que o indicado é sempre alternar uma dose de bebida alcoólica com outra de água ou água de coco.

E quando a ressaca bater?

mulheres bebendo cerveja
Foto: Shutterstock

O ideal é prevenir este mal, bebendo de forma moderada, devagar e de estômago cheio para retardar a formação do acetaldeído.

Mas, se não deu para prevenir, dá para remediar!

Chá de Mate e Matcha

Carolina conta que é preciso reidratar o organismo para reduzir os sintomas ruins. Beber bastante água, chá, sucos é essencial. A alimentação também deve ser leve e não se deve ficar em jejum. A enfermeira orienta o consumo de carnes magras, verduras e legumes frescos, crus o cozidos e nada de frituras ou gorduras.

Dicas importantes

A enfermeira alerta para alguns cuidados extras:

bebida energetica PIXABAY
Pixabay

– Nunca misture bebida alcoólica com energético. A cafeína e a taurina, substâncias estimulantes presentes nessas bebidas, fazem com que o consumo de álcool seja maior e o trabalho cardíaco também. “A pessoa pode evoluir para um quadro de infarto, parada cardiorrespiratória e até morte”, alerta.

vomito dor doente mulher african rubiz

– Álcool é fator de risco para alguns tipos de câncer, como os de fígado, cólon e esôfago, lesões hepáticas e pancreáticas. Beba sempre com moderação.

alcool carnaval margarita

– A substância também atrapalha a absorção de nutrientes, podendo causar desnutrição grave, alteração do metabolismo ósseo, causa de disfunção erétil e infertilidade, sobrepeso e dependência.

“Apesar de ser um tipo de droga legalizada e muito usada socialmente, o uso frequente de bebidas alcoólicas pode levar a situações de abuso e dependência química. Policie o seu consumo”, conclui a enfermeira.

Beneficência Portuguesa de São Paulo realiza ação para estimular doação de sangue

Iniciativa faz alusão ao Dia do Doador Voluntário de Sangue, comemorado em 25 de novembro, e contará com distribuição de brindes, cartão personalizado e local para tirar fotos

Para conscientizar a população e incentivar ainda mais a doação de sangue, a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo promove nos dias 23 e 25 de novembro uma ação especial no banco de sangue da instituição e também na Unidade Paulista, localizada na Rua Maestro Cardim, no bairro da Bela Vista.

A iniciativa, realizada em prol do Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue, comemorado em 25 de novembro, terá distribuição de brindes, cartão personalizado reforçando a importância da prática e um local para que as pessoas possam fazer selfies e brincar de multiplicar as imagens na mesma foto, simbolizando que o ato de doar também é o de multiplicar vidas.

Todo mês, cerca de sete mil vidas são salvas na BP por meio da doação de sangue. Por isso, a continuação desse trabalho e o convite para que outras pessoas venham até o local é tão importante. Para ser um doador, basta estar em boas condições de saúde, pesar acima de 50 kg e ter entre 18 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido realizada até os 60 anos. No site da BP , é possível checar todas as recomendações e alertas.

sangue doação

Ação no Banco de Sangue da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo
Data: 23/11/2019.
Horário: das 10h às 17h.
Local: Rua Maestro Cardim nº 1.041 – Bela Vista

Ação na recepção da Unidade Paulista
Data: 25/11/2019.
Horário: das 10h às 17h.
Local: Unidade Paulista -Rua Maestro Cardim nº 769 – Bela Vista

Réveillon: nutricionista indica sucos para hidratar e combater sintomas dos excessos

As receitas antioxidantes levam frutas ricas em nutrientes que ajudam a manter a hidratação, desintoxicar o organismo e ganhar energia para o início do ano

Com a chegada da festa de virada de ano e dos excessos que normalmente ocorrem nas celebrações, Weruska Barrios, nutricionista da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, ensina alguns truques para manter a hidratação e desintoxicar o organismo, combatendo os sintomas do pós-Réveillon.

“Para ajudar o organismo a se restabelecer dos excessos de comida e bebida durante as festas de fim de ano, a principal dica é a ingestão de líquidos em abundância, água e sucos de frutas in natura, sem ingredientes industrializados, conservantes e açúcar. As frutas, ricas em micronutrientes, minerais e vitaminas, são de fácil digestão, ativam as funções gástricas e desintoxicam o organismo. Além disso, ajudam no balanço hidroeletrolítico”, orienta a nutricionista.

Weruska explica que com o exagero de consumo de bebidas alcoólicas que, mesmo não recomendado, muitas vezes ocorre nas festas, o corpo sofre desequilíbrio hidroeletrolítico, que é quando os eletrólitos do corpo humano (sódio, potássio, cálcio, entre outros) não estão dentro das taxas necessárias para que possam exercer normalmente suas funções, causando a alteração da pressão arterial, mal-estar, vômitos, diarreia e outros sintomas.

A especialista recomenda misturar pelo menos duas frutas de cores diferentes em um mesmo suco por conta da composição de minerais e vitaminas distintas que cada uma pode acrescentar à bebida.

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Foto: Xenia Antunes/MorgueFile

“Quando converso com os meus pacientes na BP, percebo que raramente eles misturam ingredientes no suco natural. Porém, frutas de cores diferentes possuem nutrientes variados, que trazem diversos benefícios quando associados em um mesmo suco, tornando essa união uma opção rica, nutritiva e deliciosa. Acrescentar ainda algumas ervas é um bom truque, porque são agentes digestivos e calmantes, como hortelã, manjericão ou erva-doce”, completa Weruska.

Para desintoxicar

Segundo Weruska Barrios, o suco detox é uma técnica de nutrição usada para liberar as toxinas acumuladas no organismo por meio da urina e reidratar o organismo, eliminando o mal-estar após o consumo excessivo de substâncias como gorduras, agrotóxicos e bebidas alcoólicas. O suco é feito usando folhas verdes, ervas, frutas e água de coco no liquidificador. Os ingredientes são diuréticos, antioxidantes e anti-inflamatórios.

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“Uma ótima pedida é bater no liquidificador água de coco com o suco de melão, que é diurético e estimula a excreção de metabólicos do organismo, somado à uva roxa, que é rica em substâncias funcionais cardioprotetoras, e ao manjericão, que contém agentes digestivos e calmantes”, recomenda.

Para energizar

No Réveillon é comum gastar muita energia por conta da comemoração e, por isso, Weruska também recomenda um suco para que a disposição volte 100% no dia seguinte.

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Foto: Modnar/MorgueFile

“A laranja tem bastante fibra e vitamina C e o morango é antioxidante e rico em radicais livres. As duas frutas somadas ao guaraná em pó (que pode ser encontrado em lojas de produtos naturais) e ao mel, que fornecem energia rápida, é uma ótima ferramenta para ganhar disposição no começo do ano. Tudo isso sempre acompanhado da hidratação com muita água”, recomenda a nutricionista.

Fonte: Beneficência Portuguesa de São Paulo

 

Uma velhice saudável para honrar essa vida, por Américo Tângari Jr.*

“A alma nasce velha e se torna jovem.
Eis a comédia da vida.
O corpo nasce jovem e se torna velho.
Eis a tragédia da alma.”
Oscar Wilde

Com a alma rejuvenescida e o cérebro em perfeito estado, às vezes é difícil conviver com as limitações que a vida impõe aos mais velhos durante a caminhada. O importante é resistir e se sentir bem, sem pensar muito na idade, mas tomando todos os cuidados para impedir tropeços e uma jornada perversa, como o avanço de doenças.

Não há como fugir: como todos os seres vivos, a régua da vida um dia se esgota. Até lá, vamos manter o corpo e a alma de bem com a natureza e seguir sempre em busca do que realmente interessa: uma vida longa e saudável.

É bom começar com informações importantes: o avanço da idade provoca alterações no corpo e interfere diretamente na alimentação e no estado de nutrição de uma pessoa. Em consequência, o idoso é menos ativo fisicamente e tende a consumir menos calorias que os mais jovens, o que acelera a deficiência de vitaminas.

Há uma queda na capacidade de transporte de nutrientes e, por isso, uma dieta correta é fundamental para vencer desafios na manutenção da boa saúde.

Os ventos estão favoráveis: a expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu para 75,2 anos, muito em razão dos avanços da medicina. E as recomendações para um envelhecimento saudável e com boa qualidade de vida incluem alimentação apropriada e a prática de exercícios físicos, o que diminui o risco de quedas e fraturas e ainda promove uma convivência mais agradável. Todos esses fatores contribuem para melhorar a autoestima e a autoconfiança, com independência física e psíquica.

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Foto: Alvimann/MorgueFile

Atividades como caminhadas ajudam a manter a capacidade cardiorrespiratória e diminuem a perda de massa óssea. Mas é preciso se precaver: um idoso sedentário que pretende iniciar um exercício deve se submeter antes a uma avaliação médica. Depois disso, saiba que a atividade física reduz sintomas de depressão e ansiedade e ainda melhora o humor.

E não pense que nada agora será mais possível em razão dos excessos do passado. É possível reverter os desvios da história, levantar a cabeça e recuperar a boa saúde. As pessoas jamais devem se render. Três caminhos podem ajudar bastante: primeiro, uma prevenção severa para evitar a ocorrência de doenças; segundo, ações para detectar problemas de saúde em seu estágio inicial para facilitar o diagnóstico e seu tratamento. Isso evita disseminação e suas consequências, como rastreamento do câncer de mama ou próstata, aumento do risco cardiovascular, etc. E, terceiro, ações com o objetivo de reduzir prejuízos funcionais que decorrem de problemas agudos ou crônicos, incluindo a reabilitação; aí entram o pós infarto ou acidente vascular.

O mais importante de tudo, como se percebe, é a prevenção. E não há nenhum mistério nessa receita simples:

– hábitos saudáveis na alimentação;

– atividades físicas de forma regular;

– acompanhamento médico periódico;

– descanso e lazer adequados;

– estímulo da mente, que deve se manter ativa e produtiva; programas culturais dão um ótimo suporte a esse quesito.

Uma atenção especial deve ser dedicada ao coração, especialmente depois dos 60 anos. Nessa fase há uma maior incidência de pessoas com problemas cardíacos no Brasil e é preciso ficar atento a pequenos sinais, como o cansaço sem causa aparente. Doenças cardíacas representam o terceiro maior fator de morte no País e qualquer descuido pode ser fatal.

Nesse processo lento do avanço da idade, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares é preponderante. Arritmias cardíacas, bloqueios elétricos, estenose aórtica (abertura reduzida da válvula), aneurismas dos vasos (dilatações) ou doenças coronarianas são alguns diagnósticos mais frequentes, pois há maior enrijecimento dos vasos e válvulas, além de distúrbios elétricos que podem levar à diminuição dos batimentos cardíacos.

coração bibiana

O coração é bastante afetado na velhice em razão de alterações estruturais e funcionais do sistema circulatório e facilitam o desenvolvimento de doenças cardiovasculares: acúmulo de gordura nos tecidos, perda da elasticidade dos vasos, além de calcificação das válvulas e discreto aumento de volume.

Temos de levar em conta a genética, obviamente – pessoas de uma mesma família com histórico de doenças têm riscos maiores e semelhantes. Porém, não é só. Fatores externos podem e devem ser controlados para melhorar a qualidade de vida do ser humano e prolongar sua longevidade. E entre esses estão o fumo, o estresse, o diabetes, a hipertensão, o estilo de vida e de alimentação, a obesidade, as alterações dos níveis de colesterol e/ou triglicérides (dislipidemia), o sedentarismo (falta de atividade física), entre outros.

Cada um desses itens está ligado diretamente com o desempenho da máquina que bate e bombeia o sangue em nosso peito. Melhor mantê-la em ordem e com a garantia de todas as revisões.

Um dia a caminhada chegará ao fim, é inevitável. O bom senso recomenda seguir sempre em frente, de forma saudável e com dignidade. Nascemos para isso – vamos honrar.

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(*) Américo Tângari Jr. é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira e integrante da equipe de Cardiologia Cirúrgica do Hospital Beneficência Portuguesa.

Consumo de tabaco e álcool é um dos principais fatores de risco para câncer de boca

Campanha Julho Verde conscientiza sobre a importância da prevenção do câncer de cabeça e pescoço – quinta neoplasia mais comum no mundo

Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) revelam que o hábito de beber e fumar aumenta em até 20 vezes a chance de uma pessoa desenvolver algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. Tumores nessa região correspondem a 3% de todos os tipos de câncer. Os de cavidade oral, que incluem lábios, língua, assoalho de boca, céu da boca, orofaringe como amígdalas, e de laringe são os tumores mais comuns. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, as estimativas de 2016 apontam a ocorrência de 15.490 novos casos de câncer bucal, sendo 11.140 em homens e 4.350 em mulheres.

Além do tabagismo e o álcool, outros fatores estão associados mais fortemente ao aparecimento do câncer de boca, como a exposição solar (para o câncer no lábio) e a infecção por HPV (subtipo 16 principal). De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, 14 milhões de brasileiros podem desenvolver a doença. Há também os fatores de baixo risco, dentre os quais estão a dieta pobre em frutas e vegetais, má higiene oral, próteses mal ajustadas ou adaptadas, genéticos e outros aspectos em associação que determinam uma queda na imunidade do hospedeiro, levando ao aparecimento do tumor.Os sintomas do câncer de boca, às vezes, são nítidos, como feridas com ardor na boca, e às vezes não, sendo indolores no início, como uma ferida que não cicatriza e não dói.

De acordo com Giulianno Molina de Melo, Cirurgião de Cabeça e Pescoço da Beneficência Portuguesa de São Paulo, entre as lesões suspeitas estão a ferida na boca que não cicatriza em duas semanas; os nódulos persistentes no pescoço e em mucosa da bochecha, lábio, assoalho de boca e língua; as manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, indolores ou com leve ardor local em mucosa da boca; os dentes que apresentam amolecimento sem causa aparente; o inchaço na gengiva que dificulta uso de prótese; a dificuldade para engolir, falar, mastigar; mau hálito e perda de peso.

boca

“Apesar de quase 90% das lesões malignas de boca estarem localizadas na língua, assoalho, mucosa jugal e palato, ou seja, de fácil suspeita e reconhecimento, ainda diagnosticamos pacientes, em sua maioria, em estádios avançados, o que dificulta muito o tratamento, levando a cirurgias complexas, prolongadas, envolvendo reconstruções para a reabilitação mais adequada e invariavelmente seguidas de radioterapia e quimioterapia, apresentando-se até o momento com índices mais baixos de sobrevida”, explica Giulianno Molina.

No Brasil, cerca de 70% dos casos ainda apresentam-se em estádios avançados: III e IV, onde as chances de cura ou controle são menores, porém podem ser atingíveis. Já os casos iniciais I e II possuem alta chance de cura/controle.

Os dados demográficos preocupam e se este ritmo continuar, a incidência do câncer de boca, no Brasil, tende a aumentar, ultrapassando outras doenças. Com isto os gastos em saúde como um todo também aumentarão. Hoje ocupa a quinta posição entre os homens e a sexta entre as mulheres. Segundo o cirurgião, a prevenção de fatores de risco ainda é a medida mais simples e eficaz para evitar o aparecimento desses tumores. “A recomendação médica, portanto, é a de cessar o consumo de tabaco e álcool, pois associados e com a presença dos outros fatores já descritos aumenta-se muito a possibilidade de desenvolver esta doença”, conclui Molina.

Informações: Beneficência Portuguesa de São Paulo