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Tudo que você precisa saber para cuidar da delicada pele ao redor dos olhos

Esta área sensível requer cuidados diferentes do que o resto do seu rosto. Saiba o que fazer e o que evitar nos cuidados com essa pele, além de descobrir como tratar problemas comuns, desde linhas finas e olheiras até inchaço

Nunca os olhos foram tão expressivos quanto agora. Por conta das máscaras de proteção, o olhar é o nosso maior destaque – e também nossa maior representação das emoções. Mas devemos cuidar bem da região, pois algumas alterações estéticas dão sinais que não necessariamente queremos dizer.

“Enquanto as rugas deixam a aparência mais triste, as olheiras dão um ar de cansaço. A pele ao redor dos olhos é uma das mais finas e sensíveis do corpo. Também está entre as primeiras a revelar sinais de envelhecimento precoce, como linhas finas, flacidez, rugas e olheiras”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

“A pele da área dos olhos não tem tantas glândulas sebáceas e colágeno quanto o resto do seu rosto e corpo, tornando-a mais propensa a secar e desenvolver sinais de envelhecimento. Um estudo publicado no periódico Clinical Anatomy concluiu que as áreas da pele com menos glândulas sebáceas (que produzem oleosidade) são menos densas e mais sujeitas a rugas, razão pela qual os pés de galinha são um problema tão grande nessa região”, acrescenta. Abaixo, a médica destaca um manual de cuidados e tratamentos para a pele ao redor dos olhos:

Três cuidados básicos:

=Comprometa-se a tratar a pele dos olhos: os cremes para os olhos são um dos produtos que os pacientes mais esquecem de usar com frequência, segundo Roberta: “Você precisa de um hidratante que possa penetrar na área para fornecer a hidratação necessária”.

=Não confie no seu hidratante facial: é um hábito comum usar o hidratante facial na área dos olhos, mas, na maioria das vezes, isso não é indicado. “É necessário um creme específico para a área dos olhos, pois ele é desenvolvido com ativos destinados a tratar essa área e na textura ideal. Além disso, alguns hidratantes faciais podem conter ingredientes ativos, como retinoides, que podem estar em uma concentração muito forte para a pele sob os olhos – o que pode causar uma grande irritação”, diz a médica.

=Opte por determinados ativos: só porque é uma área delicada não significa que você precise de um hidratante suave. “Um dos melhores ativos para ficar atento é o retinol, um derivado da vitamina A. Um creme para os olhos que contém retinol é diferente de um creme facial típico com retinol, por conta de textura e da concentração do ativo. Nesse caso, ele também é formulado em uma base mais emoliente (ou seja, hidratante); além disso, procure ingredientes como ácido hialurônico para aumentar a hidratação enquanto diminui o risco de irritação. Outros ativos importantes para a região são: meiyanol e ácido kójico para atuar contra olheiras, peptídeos e extratos como o de cafeína”, afirma Roberta.

Quatro dicas para lidar com problemas comuns:

Círculos escuros: embora eles estejam ligados à falta de sono, às vezes registrar consistentemente oito horas por noite não vai eliminá-los. “Isso porque há um componente genético nas olheiras também. Elas são difíceis de apagar completamente com cremes, mas existem alguns produtos tópicos interessantes que contêm cafeína ou vitamina K, que podem ajudar na circulação para clarear os círculos escuros”, diz a médica.

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Inchaço: “Se você acordar inchado, pode ser por causa do fluido que se acumulou sob seus olhos enquanto você dormia. “Se este for um cenário comum para você, um rolo de jade pode ajudar. Deixe na geladeira durante a noite e, de manhã, mergulhe o rolo no gel para os olhos e role suavemente sobre o inchaço, o que ajudará a drenar a região, diminuindo o inchaço. As baixas temperaturas reduzem o fluxo sanguíneo para reduzir o inchaço da área dos olhos”, afirma a médica.

Linhas finas e rugas: opte por um retinol ou um creme para os olhos cheio de peptídeos. “Enquanto o retinoide estimula a renovação das células da pele e a produção de colágeno, os peptídeos ligam-se às células para exercer diversas ações, como: antiglicante (combatendo os malefícios do açúcar), clareadora e rejuvenescedora”, explica a médica. Pela manhã, ela recomenda um creme para os olhos que contenha chá verde, um ingrediente antioxidante que protege a pele contra os estressores ambientais que contribuem para o envelhecimento. “Os polifenóis do chá verde, que são compostos antioxidantes, neutralizam os radicais livres do envelhecimento no corpo, diminuem o risco de queimaduras solares e diminuem a atividade de uma enzima que degrada o colágeno da pele. O resultado: menos danos UV e menos linhas e rugas”, afirma Roberta.

Foto: HealthStatus

Vermelhidão e irritação: “Dada a natureza fina e sensível dessa pele, pode levar mais tempo para se recuperar, então se você for sensível a um ingrediente de um de seus produtos, como fragrâncias, conservantes ou extratos naturais de plantas, os olhos costumam ser a primeira área que vai explodir em irritação, ou a irritação pode ser mais extrema. Nesse caso, consulte um médico. É melhor tratar a área imediatamente [e identificar o produto ofensivo]; caso contrário, pode levar semanas ou meses para voltar ao normal”, diz.

Que tipo de produto escolher?

Creme ou gel? Esta questão depende do seu tipo de pele ou da preocupação principal. “Se você costuma sofrer com secura na pele dessa região, então é melhor escolher um creme que contenha menos água do que um gel, permitindo uma melhor hidratação. Nesse caso, o gel por si só não é hidratante o suficiente. Por outro lado, se você está lidando com bolsas sob os olhos, um gel pode ser perfeito para você. A vantagem de muitos produtos em gel disponíveis no mercado é que eles podem ser refrigerados. Quando você aplica, qualquer inchaço desaparece imediatamente”, diz a médica.

Aplicação adequada do cosmético

Sobre como aplicar um creme ou gel para os olhos, a médica recomenda usar o dedo com o toque mais leve, geralmente o mindinho. “Bata suavemente na área sob os olhos até que esteja coberta. Isso garante que você não puxe essa pele delicada como faria se a esfregasse”, afirma.

Procedimentos médicos

Às vezes, uma solução sem receita simplesmente não resolve. Felizmente, existem soluções mais poderosas disponíveis no consultório médico. Aqui estão alguns procedimentos e tratamentos sobre os quais você deve perguntar:

Injetáveis: de acordo com um artigo publicado em janeiro de 2015 na Clinics in Plastic Surgery, a injeção de uma pequena quantidade de ácido hialurônico, um preenchedor comum, pode preencher o pequeno sulco próximo à cavidade lacrimal. “Como a pele da região é muito fina, como a pesquisa mostrou, esse procedimento deve ser feito por um profissional qualificado. Para pessoas entre 20 e 40 anos, as olheiras reagem muito bem a esse tratamento”, diz a médica. “Os tratamentos injetáveis de ácido hialurônico têm a função de preencher e restabelecer a estrutura desta região das pálpebras inferiores quando o paciente começa a perder a sustentação. É uma ótima opção para quem sofre com a hiperpigmentação da região, restaurando o volume da pálpebra inferior e reduzindo a coloração”, afirma Paolo Rubez, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS).

Ao preencher esse espaço, ele muda a forma como a luz é refletida nessa área, fazendo com que os olhos pareçam cada vez mais claros. Com um anestésico tópico, as injeções produzem o mínimo de dor e duram de 9 a 12 meses. Uma abordagem diferente pode ser garantida para pessoas na casa dos 45 anos, diz a médica. “Frequentemente, ocorrem alterações ósseas, bem como escorregamento de almofadas de gordura profundas devido à perda de gordura e colágeno, que servem de suporte para a área”, diz a médica. Para tratar essas alterações, a lipoenxertia pode ser indicada. “Nesse caso, utilizamos a gordura do próprio corpo para rejuvenescer a pele, então, a técnica é biocompatível e não há os riscos de rejeição. E, mesmo sabendo que cerca de 50% do material enxertado pode ser absorvido pelo organismo, a quantidade restante é repleta de células-tronco capazes de melhorar a qualidade e o aspecto da pele”, afirma Rubez

“O primeiro passo é retirar a gordura de outra região, que pode ser dos culotes, partes internas ou externas das coxas, costas ou abdômen — sendo que esta última área é a mais comum. O procedimento é feito através de uma cânula que fará a lipoaspiração do material, levando-o para um recipiente separado. Nele, o médico eliminará partes desnecessárias para que a gordura fique limpa e pronta para ser enxertada no local desejado”, completa o médico. Logo após, a gordura é injetada na região facial com o objetivo de trazer efeito volumizador, tratando problemas como olheiras profundas.

Tratamento a laser: para linhas finas ou olheiras, experimente um tratamento a laser. “Existem tecnologias não ablativas que aquecem as camadas mais profundas da derme sem danificar a superfície da pele e melhoram vários sinais de envelhecimento de uma só vez, usando o calor direcionado para desencadear uma resposta de tratamento da pele enrugada”, diz a médica. “Essa resposta estimula a produção de colágeno, o que ajuda a firmar a pele ao longo do tempo. Os lasers não apenas reduzem as linhas, mas também melhoram a aparência das olheiras, manchas escuras e textura”, explica.

Cirurgia de blefaroplastia: “Com a perda de colágeno com o envelhecimento da pele, a camada de gordura ao redor do olho pode escorregar, criando uma protuberância que as pessoas percebem como bolsas ao redor dos olhos”, afirma Roberta. Indicada para fins estéticos e também funcionais, visto que a flacidez excessiva das pálpebras pode atrapalhar a visão de algumas pessoas, a cirurgia de blefaroplastia tem como objetivo rejuvenescer a área periorbital por meio da retirada do excesso de pele e bolsas de gordura presentes nas pálpebras superiores e inferiores, com a possibilidade do reposicionamento dessas estruturas ou preenchimento de sulcos na região quando o médico julgar necessário.

“Em alguns pacientes pode ser realizada também enxertia de gordura para preencher a perda dos tecidos locais, visto que o resultado da cirurgia se torna mais natural quando há certo volume de tecido ao redor dos olhos”, afirma Rubez. “Feito sob anestesia local com sedação ou geral, a cirurgia, que dura entre uma e duas horas, também pode ser realizada em conjunto ao lifting do terço superior da face, quando o excesso de tecido nas pálpebras é causado também pela queda dos supercílios”.

De acordo com o especialista, a recuperação do procedimento é tranquila e indolor, sendo que nos primeiros dias após a cirurgia o paciente pode apresentar inchaço e hematomas no local, sintomas que se resolvem dentro de algumas semanas e podem ser aliviados com a ajuda de repouso e compressas frias sobre os olhos. Os cuidados pós-operatórios são semelhantes aos da cirurgia de correção de ptose palpebral e o resultado definitivo é notado em torno de 3 a 6 meses.

Por fim, a médica lembra que maus hábitos de saúde, principalmente o fumo, podem contribuir para problemas sob os olhos: “O consumo excessivo de álcool pode causar bolsas e olheiras, além de afetar a qualidade do seu sono. Por falar em sono, certifique-se de que está dormindo bem entre sete e nove horas recomendadas por noite. Beber bastante água, reduzir o sal na dieta e aumentar o consumo de vegetais folhosos e frutas, ambos alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, também é um bom caminho para ajudar a pele dessa região”.

Fontes:
Roberta Padovan é médica pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela Incisa. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, é proprietária de duas clínicas, no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps), Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Entenda os tipos de cirurgias indicados ao tratamento de enxaqueca

Desenvolvida em 2000 e respaldada por vários estudos científicos, cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital, envolvidos nos pontos de dor.

A enxaqueca afeta 15% da população brasileira, segundo estatísticas, e já existe uma forma mais eficaz de lidar com o problema: a cirurgia. Hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard, o procedimento tem resultados muito positivos e semelhantes.

“As publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

Mas afinal, por que investir em uma cirurgia para enxaqueca? De acordo Rubez, a enxaqueca tem sido associada à compressão e irritação dos principais nervos sensitivos do rosto e da cabeça. “Em pessoas com predisposição genética para a enxaqueca os nervos podem sofrer compressões ao longo de seus trajetos e desencadear a cascata de sintomas da doença. O alívio cirúrgico da compressão nos nervos pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração das dores de cabeça ou até mesmo eliminá-las”, destaca.

Da mesma forma, a cirurgia é uma opção muito vantajosa para pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a essas medicações. Todos os tipos de cirurgia de enxaqueca são pouco invasivos, de forma que a cirurgia tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som”, diz o médico.

A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migrânea (enxaqueca) feito por um neurologista, e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações; pacientes que tenham muitos efeitos colaterais com as medicações; ou ainda em pacientes que desejam realizar o procedimento devido ao grande comprometimento que as dores causam em sua vida pessoal e profissional.

Segundo o especialista, são sete os tipos de cirurgia, pois para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. O cirurgião explica que cada cirurgia foi desenvolvida para gerar a menor alteração possível na fisiologia local. “Em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”.

Conheça abaixo cada um deles:

Frontal – um dos tipos mais comum e é realizado para os pacientes que têm o início das dores na região dos supercílios, segundo o médico. “Esta cirurgia é feita a partir de incisões nas pálpebras superiores, como nas blefaroplastias, ou incisões no couro cabeludo. As cicatrizes, portanto, ficam imperceptíveis. Nesta cirurgia, é realizada a remoção dos músculos corrugadores do supercílio, depressores do supercílio e próceros, além de artérias locais, que causam irritação aos ramos supraorbital e supratroclear do nervo trigêmeo”, afirma o médico. Além de tratar a enxaqueca, o paciente desse tipo de cirurgia, como consequência do procedimento, diminui a formação de rugas nestas áreas, contribuindo para um efeito rejuvenescedor da face.

Temporal – “Neste procedimento as incisões são realizadas no couro cabeludo, e tem como objetivo descomprimir ou ressecar parte do nervo zigomático-temporal, o qual é rotineiramente lesado em cirurgias estéticas para a face”, afirma o médico. A perda parcial de sensibilidade na região temporal pode ser temporária ou definitiva e nesta cirurgia também ocorre efeito rejuvenescedor da face, uma vez que os tecidos da região são levemente tracionados para lateral, causando elevação discreta da sobrancelha.

Aurículo-temporal – pacientes que apresentem dores na lateral da cabeça, ou seja, nas têmporas, podem se submeter a cirurgia para o nervo aurículo-temporal. “Assim como as demais, fará a descompressão dos nervos localizados na região temporal — bem próximo à orelha—, minimizando os sintomas da enxaqueca. Em alguns casos, a condição pode ser eliminada por completo. Esta cirurgia pode ser feita sob anestesia local, com duração de cerca de 15 minutos”, afirma o médico.

Numular – trata-se de um procedimento realizado sob anestesia local, com duração em torno de 15 minutos. “As dores são na região do couro cabeludo, mais comumente nas laterais da cabeça. O paciente em geral consegue identificar pontualmente o local de maior dor, que é confirmado com a utilização de um doppler. Através de pequena incisão é realizada a neurotomia de pequenos ramos nervosos, sendo que a cicatriz fica disfarçada pelo cabelo”, explica Rubez.

Rinogênico – trata-se de cirurgia realizada toda por dentro do nariz, e destinada para os pacientes que apresentam dores que se iniciam atrás dos olhos, por exemplo, causadas por variações do clima. “Os contatos entre o septo desviado e os cornetos (ou carne esponjosa) ativam a cascata de dores neste caso. O intuito da cirurgia, portanto, é corrigir eventuais desvios ou esporões do septo, hipertrofias de cornetos ou conchas bulhosas. Esta cirurgia vai promover um pós-operatório com melhora da respiração”, conta o especialista.

Occipital – este tipo é correspondente às dores atrás da cabeça ou na nuca, que podem ser causadas pela irritação de diversos nervos, sendo o principal o nervo occipital maior. “A compressão do nervo pode ser feita por músculos ou vasos. Realiza-se, então, a remoção de parte do músculo semiespinal e descompressão do nervo em todo seu trajeto”, afirma.

Occipital Menor – o nervo occipital menor, quando apresenta compressão, faz com que o paciente tenha dores na região lateral da nuca, semelhantes a uma dor muscular. “Para melhorar a condição clínica, a cirurgia realiza a neurotomia (secção) do nervo. A incisão é pequena e no couro cabeludo do paciente, não resultando em cicatriz visível, e com melhora significativa do quadro de enxaqueca na grande maioria dos casos”, enfatiza o especialista.

Rubez enfatiza que as cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e em alguns casos sob anestesia local. “A duração da cirurgia, para cada nervo, é de cerca de uma a duas horas, e o paciente tem alta no mesmo dia, ou no dia seguinte, para casa”, explica.

Como surgiu a cirurgia para enxaqueca

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A Cirurgia para Enxaqueca foi criada e desenvolvida, a partir de 2000, pelo cirurgião plástico Dr. Bahman Guyuron, em Cleveland nos EUA. Desde então, diversas equipes ao redor de todo o mundo vêm realizando este tipo de cirurgia com sucesso. Único médico a realizar a cirurgia em São Paulo, Rubez aprendeu detalhes das técnicas cirúrgicas desse procedimento com o médico Bahman Guyuron, por meio de sete estágios entre os anos de 2014 e 2019.

Segundo Rubez, o procedimento foi criado a partir de cirurgias estéticas para a região frontal ou superior da face, de forma que Guyuron notou que seus pacientes melhoravam das dores de enxaqueca, quando sofriam com o problema. Em 2005, Guyuron e sua equipe publicaram um estudo prospectivo com randomização entre um grupo tratado e um controle sem cirurgia, envolvendo no total 125 pacientes.

Do grupo tratado 92% dos pacientes obtiveram sucesso com a cirurgia, sendo que 35% apresentaram eliminação completa dos quadros de Enxaqueca. “Nos trabalhos científicos sobre a Cirurgia de Enxaqueca, o sucesso do procedimento é definido como uma melhora de no mínimo 50% na intensidade, duração e frequência das crises. Este mesmo grupo de pacientes foi acompanhado por cinco anos e, em nova publicação de 2011, comprovou-se a manutenção da melhora dos pacientes operados”, finaliza.

Fonte: Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.