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Cannabis medicinal tem eficiência no tratamento de dor crônica, aponta estudo

Especialistas em dor falam dos benefícios da medicina canabinóide

O uso de plantas para o tratamento de doenças é milenar, o que não é diferente com a Cannabis sativa, a maconha. Os primeiros registros de seu uso medicinal são datados antes de Cristo, mas o fato de ser considerada substância ilícita até este mês dificultou os avanços e estudos científicos da planta. Apesar do Brasil ter votado contra, em 2 de dezembro passado, depois de 60 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou a maconha da lista de drogas mais perigosas, reconhecendo seus efeitos terapêuticos e trazendo novas possibilidades de pesquisas nessa área.

Segundo estudo realizado pela The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids, nos Estados Unidos, o alívio da dor crônica é a condição mais comum relatada pelos pacientes que fazem uso da cannabis medicinal. Isso se dá pela existência do sistema endocanabinoide presente em todo o organismo que inclui receptores para substâncias da maconha.

“É o único sistema do organismo que tem receptores em todos os órgãos e nos tecidos. Diferente de todos os sistemas orgânicos, ele só entra em funcionamento em situações de alerta para recuperar o equilíbrio do organismo”, diz Maria Teresa Jacob, médica que desenvolve a medicina canabinóide com foco na dor crônica. Dentre os fitocanabinoides mais conhecidos e pesquisados, estão o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBD (canabidiol), mas existem mais de 400 substâncias ativas em sua composição. “Como são receptores que temos no corpo inteiro, a cannabis não vai atuar somente na dor”, reforça Beatriz Jacob Milani, filha e parceira de trabalho de Maria Teresa.

As especialistas, que têm prescrito remédios à base da cannabis principalmente neste ano, citam as patologias que respondem bem ao tratamento. Epilepsia, doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, transtornos de saúde mental (como estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, vício, insônia), transtorno do espectro autista, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável, náuseas e vômitos secundários à quimioterapia, anorexia e caquexia, são alguns exemplos.

Além disso, todos os tipos de dor crônica (incluindo enxaqueca e fibromialgia), doenças reumáticas, doenças autoimunes, diabetes tipo 1, síndrome de Raynaud, distúrbios de pele (psoríase, acne, dermatite), osteoporose, distúrbios ginecológicos (endometriose, adenomiose e cólica menstrual), dor oncológica e pacientes sob cuidados paliativos. “Em oncologia, a cannabis pode ser utilizada tanto para melhorar os sintomas da quimioterapia como para aumentar a eficácia da mesma, uma vez que apresenta efeito antitumoral. Nessas doenças já existem pesquisas. A alteração de classificação pela ONU, facilita o surgimento de mais estudos científicos em humanos”, destaca Maria Teresa.

Por ser uma planta, a cannabis oferece menos efeitos adversos em relação à alopatia convencional. Outra vantagem é a possibilidade da sua utilização concomitante com outros medicamentos para tratamento de dor crônica, aumentando a eficácia e, em alguns casos, diminuindo as doses destes, a partir da melhora do quadro com consequente melhora da qualidade de vida do paciente. Entretanto, é fundamental que o médico conheça a interação medicamentosa da cannabis com outros remédios, pois ela pode potencializar ou inibir a ação deles quando em associação.

“De certa forma, não existe nenhuma contraindicação formal ao uso da cannabis, principalmente do CBD com outros medicamentos. Ela é uma substância extremamente segura e não existe nenhum relato de óbito pelo uso de cannabis medicinal”, argumenta Maria Teresa. Quanto ao THC, a médica conta que existem algumas contraindicações, que têm sido estudadas recentemente.

Hoje, o paciente precisa passar por uma consulta, em que será avaliada a indicação ou não do uso da cannabis. Com a prescrição em mãos, basta acessar o site da Anvisa para solicitar a importação de produtos à base da planta. “É um processo burocrático, mas que se tornou muito mais ágil, principalmente depois da Covid-19. Entre sete a dez dias, no máximo, esses processos já estão sendo liberados. Esses medicamentos têm aprovação no país de origem com todo estudo cromatográfico e análise do produto, para que o médico possa saber aquilo que ele realmente está prescrevendo, quais as substâncias da cannabis presentes e em quais concentrações. Desta forma temos uma prescrição bem mais segura”, explica.

Vale ressaltar que a cannabis medicinal tem dosagens específicas dos fitocanabinóides, conforme a necessidade, os antecedentes e o perfil de cada paciente. “A cannabis medicinal possui dosagens de THC dentro de limites seguros, sem efeito psicoativo”, esclarece. As opções disponíveis no Brasil são via oral, em cápsula ou óleo em tintura, mas também já se encontra sob a forma tópica. “Não existem relatos de caso de vício com o uso de cannabis medicinal”, finaliza Maria Teresa.

Bem – Medicina Canábica e Bem Estar

A clínica Bem – Medicina Canábica e Bem Estar está localizada na cidade de Campinas. Com foco em saúde e bem-estar, atende pacientes de dor crônica com a medicina canabinóide, oferecendo tratamento complementar com a acupuntura. Realizam a prescrição e o acompanhamento da cannabis medicinal nos mais diversos casos e patologias. As médicas responsáveis, Maria Teresa Jacob e Beatriz Jacob Milani, mãe e filha respectivamente, fizeram cursos de especialização internacional no uso terapêutico da planta.

Isolamento social aumenta prescrição de canabidiol nos tratamentos psiquiátricos

Levantamento de empresa brasileira pioneira no fornecimento de Cannabis medicinal ouviu médicos que já prescrevem o produto

A HempMeds Brasil conduziu uma pesquisa com médicos prescritores de CBD (canabidiol) para saber se os profissionais da saúde registraram a chegada de novos pacientes com problemas como ansiedade, depressão e distúrbios do sono como reflexo do isolamento social causado pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com levantamento da marca pioneira na importação de Cannabis medicinal no território brasileiro, 87% dos prescritores optaram por receitar a solução de medicina canabinoide após atenderem essas pessoas.

O levantamento foi realizado sob a responsabilidade de Adriana Grosso, MSL (Medical Science Liaison) da HempMeds Brasil. “Isso acontece porque a epidemia que vivemos é um forte fator de estresse, o que desencadeia desequilíbrios neurofisiológicos”, explica a porta-voz da marca. “O canabidiol demonstrou grande potencial terapêutico diante de condições neuropsiquiátricas, sendo um grande aliado no controle de tais transtornos”.

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Ainda segundo o levantamento, dos 31 profissionais de saúde ouvidos pela HempMeds Brasil, 35,5% afirmaram que, nos últimos 50 dias, atenderam entre seis e dez novos pacientes descrevendo aumento de problemas psicológicos por conta do isolamento social. Vale destacar que 9,7% dos médicos chegaram a ser procurados por mais de 31 pacientes com indícios de alguma doença de caráter psicológico.

A depressão, a ansiedade e os distúrbios do sono, são patologias que estão dentro de um universo de quatro milhões de pacientes brasileiros que podem ser beneficiados pelo tratamento com CBD. O alto índice de prescrição durante a pandemia comprova a confiança da comunidade médica nas propriedades e atuações do composto.

Sobre a HempMeds Brasil

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Em outubro de 2014, a HempMeds Brasil tornou-se a primeira empresa a fornecer produto à base de Cannabis com fins medicinais, o RSHO, para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), de maneira judicializada. Desde então, a companhia, pioneira, atua facilitando o acesso das famílias ao fármaco. Além de facilitar o acesso aos produtos a empresa atua como relevante fonte de produção de conhecimento sobre o assunto para médicos e para a sociedade em geral, de modo a desmistificar o tema e trazer conteúdo científico de qualidade para todos.

A HempMeds Brasil atua de acordo a legislação e com as normativas vigentes em relação ao acesso a produtos de Cannabis com fins medicinais: Em dezembro de 2019, uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permitiu a venda destes produtos nas farmácias (a HempMeds Brasil prevê dispor seus produtos nas farmácias em outubro de 2020); e em janeiro de 2020, outra resolução simplificou a importação ao exigir menos documentos e aumentar a validade das autorizações.