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Café e erva mate não representam risco para câncer, se bebidos em temperaturas abaixo de 65º C

Estudo mundial aponta ainda que café é fator de proteção para cânceres de fígado e endométrio. Resultados foram detalhados em coletiva de imprensa no INCA

Luis Felipe Ribeiro Pinto, vice-diretor do INCA (Instituto Nacional do Câncer) e representante do Brasil na Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) da Organização Mundial da Saúde (OMS), analisou os resultados apresentados pela Iarc, em coletiva de imprensa no Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva na tarde de quarta-feira, 15 de junho.

Após analisarem mais de um mil estudos em diversos países, o grupo de trabalho da Iarc, integrado por 23 pesquisadores de dez países, classificou o café no grupo 3 (sem evidência de ser carcinogênico para humanos). Na última avaliação, em 1991, o café estava classificado no grupo 2B (possivelmente carcinogênico para humanos). O Iarc classificou a erva mate (Ilex Paraguaryense) do grupo 2A (provavelmente carcinogênico para humanos). A classificação varia de: 1 (carcinogênico para humanos), 2A, 2B, 3 e 4 (não carcinogênico).

No entanto, na avaliação atual, o Iarc classificou no grupo 2A, como provavelmente carcinogênico para o câncer de esôfago, a ingestão de qualquer bebida a temperaturas acima 65 graus centígrados, seja café, chá, bebidas derivadas da erva mate ou mesmo água). A classificação serve como advertência principalmente para os consumidores de chimarrão, que frequentemente ingerem a bebida em temperaturas acima do limite de 65º C.

chimarrão

O consumidor, em geral, não toma café e chá acima da temperatura limite, porque sente a sensação de queimação na boca. No caso do chimarrão, a ingestão é feita por meio de um canudo que lança a bebida no esôfago, onde não há terminações nervosas e o calor não é detectado. A bebida em alta temperatura provoca lesões no esôfago, que podem evoluir para tumores.

“Os nossos amigos gaúchos podem continuar a beber o seu chimarrão tranquilamente, mas devem atentar para a temperatura. Se consumido abaixo de 60 graus, que ainda é uma temperatura muito elevada, o chimarrão não representa risco para câncer” afirma Luis Felipe. “A recomendação é que o consumidor espere alguns minutos antes de beber. Uma forma prática é medir com um termômetro quantos minutos são necessário para temperatura cair para o limite adequado, e passar a obedecer esse tempo de espera”.

Para os amantes do café, a conclusão dos pesquisadores da Iarc não poderia ter sido melhor. Além de descer um nível na classificação de risco, os especialistas concluíram que há evidência científica para afirmar que o café não apresenta risco para os cânceres de mama e próstata – no Brasil, os mais frequentes entre as mulheres e homens – e pâncreas, que é um câncer extremamente agressivo.

café

“Os estudos evidenciaram também que o consumo de café protege contra o desenvolvimento de tumores no fígado e endométrio. Enfim, o café passou de ano sem recuperação!”, afirma Luis Felipe.

Fonte: INCA

Campanha “Adote uma Peruca” entra na reta final

Celebridades e artistas como Ana Maria Braga, Fafá de Belém e Família Schurmann gravaram vídeos apoiando a iniciativa, que visa a arrecadar fundos para confeccionar perucas para crianças com câncer

No próximo dia 2 de junho se encerra a Campanha “Adote uma Peruca”, criada pela ONG Cabelegria, cuja meta é conquistar a quantia de R$ 100 mil para a confecção de 1000 perucas para crianças e pacientes que lutam contra o câncer. Até o momento, pouco mais de 20% do valor estipulado foi arrecadado.

As doações podem ser feitas de forma rápida, prática e segura neste link. A ONG, que tem como missão devolver o sorriso para pacientes com câncer com a confecção e doação de perucas, já possui material (cabelos) suficiente para produzir mais de 10 mil perucas. Para se ter uma ideia, essa quantia é suficiente para colocar a Rapunzel para morar no topo do Everest e mesmo assim o príncipe chegaria lá; ou, ainda, fantasiar toda a estátua da Liberdade de Chewbacca.

A campanha, que teve início em março, contou com o apoio de celebridades, artistas e personalidades, tais como Ana Maria Braga, Fafá de Belém, Beth Szafir, Fabiana Scaranzi, Família Schurmann, Equipe do Studio W Cabeleireiros, Paola de Nigris, Fabio Arruda, Luciana Liviero que gravaram vídeos falando sobre a importância da campanha e como ajudar.

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Outras personalidades também aderiram à campanha. Para assistir todos os vídeos, acesse aqui.  

Os efeitos colaterais da fosfoetalonamina*

A aprovação do projeto de lei (PL) que autoriza o uso da fosfoetanolamina sintética para pessoas com câncer entusiasmou pacientes, mas preocupou profissionais de saúde. Por um lado, pretende-se facilitar o acesso a um tratamento inovador a pessoas “sem alternativas terapêuticas eficazes”, nas palavras dos parlamentares, e que “não têm tempo para esperar testes”, nas palavras dos pacientes; por outro, há efeitos colaterais éticos e sanitários importantes.

O PL (cujos autores incluem os deputados Celso Russomano e Jair Bolsonaro) aprova a prescrição de uma droga não testada, exigindo para tanto um laudo médico e a assinatura de termo de compromisso e responsabilidade pelo paciente – deixando aos usuários a responsabilidade sobre a ineficácia da substância ou mesmo os prejuízos decorrentes de seu uso. Ao mesmo tempo que valoriza sobremaneira a autonomia da pessoa sobre a própria saúde, a medida não condiz com as normas da ANVISA nem com o Código de Ética Médica, que estabelece que “o médico aceitará as escolhas de seus pacientes, relativas aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos por eles expressos, desde que adequadas ao caso e cientificamente reconhecidas” (artigo XXI dos Princípios Fundamentais).

O desespero diante da falta de possibilidades terapêuticas torna pessoas com câncer alvos fáceis para soluções mirabolantes ou duvidosas. Tudo o que se podia afirmar sobre a fosfoetanolamina até a aprovação do PL é que ela era promissora, e os últimos testes mostram que talvez nem isso. De qualquer forma, é bom lembrar que antirretrovirais e talidomida já foram drogas promissoras, com resultados conhecidamente diferentes a longo prazo.

Não se trata de defender a supremacia da medicina sobre outros saberes, tampouco alegar a neutralidade da ciência: ambas são políticas, históricas e permeadas pelos mesmos ditames que regem a sociedade. Por isso mesmo, o PL em questão abre precedentes temerários e é muito conveniente para as empresas do complexo médico industrial, cujo lucro deriva em boa parte de vender remédios e procedimentos questionáveis. O PL da fosfoetanolamina é a porta para outros que autorizem a prescrição (e, claro, a venda) de remédios, exames e vacinas desnecessários ou não comprovadamente eficazes, arriscando a saúde da população e fortalecendo a medicalização da vida. Ademais, que parlamentar teria coragem de questionar projetos de lei que prometem beneficiar a saúde?

Diante do dilema entre facilitar acesso a um tratamento inovador, porém não comprovado, e o risco de danos à saúde e do uso da dor dos outros como plataforma política e mercadológica, outros caminhos são possíveis. Um deles é estimular e acelerar as pesquisas, captando tantos voluntários quanto possível e resultando em tratamentos seguros a eles e às gerações de pacientes que os seguirão.

Substância Fosfoetanolamina
Cápsulas de fosfoetanolamina: produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

*Antônio Modesto, médico de família e comunidade, membro da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC)

Governo de SP anuncia laboratório que produzirá a fosfoetanolamina

Substância será testada para o tratamento do câncer em até mil voluntários

Creio que todos se lembram da polêmica envolvendo o uso de uma nova substância contra o câncer, que havia mostrado resultados entre camundongos, porém sem ser testada em seres humanos. Desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP), o material era distribuído em forma de pílulas experimentais para doentes terminais.

Pois ontem (5), o governador Geraldo Alckmin anunciou que o laboratório PDT Pharma, de Cravinhos, será o responsável pela sintetização da substância fosfoetanolamina para testes no tratamento do câncer. Depois de produzido, o medicamento será encapsulado pela Furp (laboratório farmacêutico oficial do Governo do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria da Saúde) e, na sequência, será iniciada a fase de testes em pacientes. O Governo investirá aproximadamente R$ 5 milhões na pesquisa.

“A definição do laboratório é um passo muito importante. Esta é a última fase, que estabelece a segurança e a eficácia da substância. Depois, a Secretaria da Saúde vai verificar o critério mais adequado para iniciar o tratamento em até mil pacientes, de diversas patologias”, explicou o governador Geraldo Alckmin.

O protocolo de pesquisa precisa, ainda, de aprovação final da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde – CNS). O Governo do Estado de São Paulo, por meio do Instituto do Câncer (Icesp), conta com um projeto de pesquisa para testar a fosfoetanolamina sintética para o tratamento do câncer.

O protocolo de pesquisa clínica irá avaliar a segurança e a possível eficácia da substância no tratamento de pacientes com câncer em estágios avançados. Todos os pacientes serão monitorados continuamente por uma equipe multiprofissional com larga experiência em testes clínicos, no Icesp.

O estudo prevê uma primeira fase, em que serão avaliados 10 pacientes para determinar a segurança da dose que vem sendo utilizada na comunidade. Após essa primeira etapa, caso a droga não apresente efeitos colaterais graves, a pesquisa prosseguirá.

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No estágio 1, está prevista a inclusão de mais 21 pacientes para cada um dos 10 grupos (tipos) de tumor: cabeça e pescoço, pulmão, mama, cólon e reto (intestino), colo uterino, próstata, melanoma, pâncreas, estômago e fígado. Os candidatos passarão por triagem e deverão preencher os critérios de elegibilidade para determinar a segurança da droga. Se observados sinais de atividade da substância nessa fase, o estágio 2 se iniciará com mais 20 participantes em cada grupo.

Progressivamente, desde que se comprove atividade relevante, a inclusão de novos pacientes continuará até atingir o máximo total de 1.000 pessoas (100 para cada tipo de câncer). A estratégia adotada permitirá melhor compreensão da droga.

A Universidade de São Paulo (USP) cedeu ao Estado o direito à pesquisa e produção da substância para que seja utilizada nos testes. A síntese do elemento químico é estudada há 20 anos pelo pesquisador aposentado Gilberto Chierice.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

Campanha no Dia Mundial do Câncer destaca o papel da sociedade na luta contra a doença

Ação nas redes sociais da Fundação do Câncer enfatiza a prevenção e o controle da enfermidade

Com o tema “Nós podemos. Eu posso”, a campanha 2016 para o Dia Mundial do Câncer, celebrado hoje, 4 de fevereiro, está sendo lembrada pela Fundação do Câncer, referência nacional há 25 anos, durante toda esta semana, até sexta-feira, dia 5, em ação nas redes sociais. Criado pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC), o slogan enfatiza que todos – tanto no coletivo quanto individualmente – têm papel importante para a redução da carga global de câncer.

Mundialmente, a incidência do câncer cresceu 20% na última década. No Brasil, é a segunda causa de morte por doença, atrás apenas das doenças cardiovasculares. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para o país, em 2016, é de cerca de 600 mil novos casos. O Dia Mundial do Câncer reforça que a adoção de hábitos de vida saudáveis, a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais para a luta contra a doença.

Para impactar o maior número possível de pessoas, a Fundação do Câncer, parceira da UICC há 8 anos, está divulgando no Facebook, com mais de 240 mil seguidores, dicas para a prevenção da doença. A campanha também está no Instagram e disponibilizada no site da instituição. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de câncer deve aumentar dos 14,1 milhões diagnosticados em 2012 para 22 milhões em 2030. As mortes, que chegam a 8,2 milhões por ano, devem subir para 13 milhões.

“Buscar uma solução para reduzir esses números significa investir em um forte planejamento, reunir esforços de todas as esferas de governo para a avaliação e o controle da doença. Para esse planejamento, é necessário pensar o câncer em sua integralidade e como uma patologia muito específica, já que corresponde a um conjunto de mais de 100 doenças distintas. Não é possível imaginar, por exemplo, que uma leucemia possa ser enfrentada da mesma forma que um tumor de próstata” – observa Alfredo Scaff, médico epidemiologista e consultor da Fundação do Câncer.

Ainda de acordo com Scaff, o câncer exige uma linha de cuidado integral, muito além do oportuno diagnóstico e tratamento. O médico reforça que na política de saúde, deve ser levado em conta o estímulo à educação do paciente, para que ele desenvolva o autocuidado, e serem feitas ações de promoção de saúde e prevenção: “Isso permitiria, por exemplo, que os pais não desconhecessem a necessidade de vacinar suas filhas contra o HPV”, complementa.

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Em 2016, a campanha proposta pela UICC e disseminada pela Fundação do Câncer vai explorar alguns assuntos como forma de produzir conhecimento a respeito da doença. Entre eles, “Eu Posso: Escolher um Estilo de Vida Saudável; Eu Posso: Compartilhar Minha História; Eu Posso: Entender que a Detecção Precoce Salva Vidas; Eu Posso: Criar Ambientes Saudáveis; Nós Podemos Inspirar Ação, Agir”.

A Fundação do Câncer, como membro da UICC e apoia a data do Dia Mundial do Câncer, criada pela instituição com a intenção de chamar a atenção globalmente para a doença e desmitificar conceitos. Fundada em 1933 e com sede em Genebra, na Suíça, a UICC é a maior organização mundial de luta contra o câncer, com mais de 400 organizações membros em 120 países.

Sobre a Fundação do Câncer
A Fundação do Câncer é uma instituição sem fins lucrativos que capta recursos e investe em promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce, assistência, cuidados paliativos, educação e pesquisa. Também conta com programas e projetos relacionados a transplante de medula óssea e sangue de cordão umbilical. Criada em 1991, tem como missão promover ações estratégicas para a prevenção e o controle do câncer em benefício da sociedade. Apoia o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e todas as atividades do Programa Nacional de Controle do Câncer. Além disso, presta consultoria para estados e municípios do país para melhoria de processos no combate ao câncer, através dos Planos de Atenção Oncológica.

Informações médicas e ações sociais gratuitas para pacientes com câncer

Instituto de Oncologia Santa Paula no Outubro Rosa: hospital chama a atenção da população para a prevenção e a importância do diagnóstico precoce

O Instituto de Oncologia Santa Paula (IOSP), referência em tratamento de câncer em São Paulo, adere ao movimento Outubro Rosa com o objetivo de levar à população informações sobre diagnóstico precoce do câncer de mama, o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. O hospital tem uma parceria com o Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, que é o responsável pela gestão médica do IOSP.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), o câncer de mama responde por cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Em 2015, estima-se que o problema possa chegar a 57.120 casos novos, sendo a imensa maioria em mulheres (apenas 1% dos casos são diagnosticados em homens).

De acordo com o oncologista Tiago Kenji, a maior parte dos casos ocorre após os 50 anos. “Cerca de quatro em cada cinco casos ocorre após esta faixa etária. A chegada da menopausa contribui para o aparecimento da doença. Além disso, a classe médica se divide a respeito da reposição hormonal nesta fase, principalmente por um período maior do que cinco anos. Alguns estudos apontam que o tratamento pode aumentar as chances de desenvolvimento da doença”, diz.

Segundo o INCA, o câncer de mama de caráter genético/hereditário corresponde a apenas 5% a 10% do total de casos da doença. Estima-se que 30% dos novos casos seriam evitados com a adoção de práticas saudáveis.

Entre os principais fatores de risco estão:

– Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
– Sedentarismo;
– Consumo de bebida alcoólica;
– Exposição frequente a radiações ionizantes (Raios-X);
– Primeira menstruação (menarca) antes de 12 anos;
– Não ter tido filhos;
– Primeira gravidez após os 30 anos;
– Não ter amamentado.
(Fonte: INCA)

Para o mastologista André Perina, houve um aumento na incidência do câncer de mama nos últimos anos devido a maior expectativa de vida da população associada a mudança de hábitos das mulheres. Por exemplo, a gestação antes dos trinta anos de idade, que é um fator protetor, atualmente não é tão comum na vida da mulher.

Prevenção e diagnóstico

Perina ressalta que a principal forma de detecção precoce do câncer de mama é a visita ao médico regularmente, além da recomendação de mamografia anual para mulheres acima de 40 anos. O autoexame é importante, mas não substitui a mamografia, uma vez que só permite a percepção do tumor quando tem um tamanho que permite ser palpável. O ideal é ter o diagnóstico em fase inicial, ainda assintomático.

Os principais sinais da doença na fase sintomática são:

– Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;
– Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;
– Alterações no bico do peito (mamilo);
– Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;
– Saída espontânea de líquido dos mamilos.
(Fonte: INCA)

Descobri um câncer de mama, e agora?

A descoberta de um câncer de mama é sempre um momento de aflição para a paciente. No entanto, as modalidades de tratamento avançaram consideravelmente nos últimos anos. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maior a chance de cura. No caso de evidências de metástases, o tratamento tem por objetivos principais prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida da paciente.

Entre as possibilidades estão o tratamento local, com cirurgia e radioterapia, e o tratamento sistêmico, com quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

Segundo Luis Gonzaga, psicólogo especializado em oncologia, a mastectomia (retirada da mama) assombra a maior parte das pacientes.

“É absolutamente compreensível que a paciente seja acometida por um turbilhão de sentimentos como medo, revolta, incertezas, negação e, na maioria das vezes, a depressão. Por essa razão, o suporte psicológico é fundamental para trabalhar a adaptação da paciente ao tratamento e suas consequências, assim como os familiares”, explica.

Ações sociais gratuitas para pacientes oncológicos

Com o objetivo de oferecer um serviço de interação entre pacientes oncológicos como uma extensão ao tratamento, a diretora de marketing do Instituto de Oncologia Santa Paula, Paula Gallo, foi em busca de soluções que pudessem contribuir com a autoestima e a melhora do aspecto emocional das pacientes em tratamento.

“Participei de muitas reuniões com médicos e pacientes para entender as necessidades dessas pessoas no que se refere à troca de informações, experiências, relatos, apoio emocional, etc. Notei que os pacientes têm uma interação muito forte. Os que estão em tratamento há mais tempo sempre procuram dar força para os recém-diagnosticados. Trata-se de uma característica comum entre eles, essa troca constante e os laços de amizade que se formam na espera do consultório, na quimioterapia e na radioterapia. Isso também é muito comum entre os familiares e acompanhantes”, explica.

Diante disso, o IOSP lançou o Coneccte uma rede social desenvolvida para promover a troca de experiências entre pacientes oncológicos e familiares. Nela, qualquer pessoa pode criar uma conta e especificar se é paciente, acompanhante (familiar, amigo, etc.) ou sobrevivente (recebeu alta do tratamento). Não é preciso ser paciente do IOSP e, sim, apenas informar qual o seu diagnóstico.

A plataforma conta ainda com um suporte de informações sobre com conteúdo especializado para informar e esclarecer as dúvidas dos participantes.

“Quem está em tratamento oncológico tem muitos períodos de altos e baixos e precisa o tempo todo de motivação e diálogo. Por essa razão, achei que seria muito mais útil abrir a ferramenta para todos os pacientes oncológicos do Brasil, independente do hospital, para que mais pessoas se conectem e compartilhem suas experiências a favor de um bem comum: a superação. Quanto mais relatos, maior a conexão e identificação entre as pessoas com necessidades em comum. É importante ressaltar que a rede social não tem como objetivo fazer diagnósticos, prescrever medicamentos ou substituir a consulta médica”, explica.

Uma outra iniciativa do IOSP é o Banco de Lenços Flávia Flores. Com um ano de vida, o projeto é coordenado pelo hospital, que disponibiliza uma equipe para receber as doações, higienizar e esterilizar os lenços, ler todos os pedidos (que são realizados pelo site e por meio de cartas) e enviá-los gratuitamente via Correios. Em um ano, o projeto já arrecadou 4 mil peças e mais de 2 mil já foram doadas. Os lenços são escolhidos de forma customizada e a equipe busca traduzir, por meio dos pedidos, a personalidade da paciente para doar um lenço que mais combine com cada uma.

“O lenço é um símbolo para dizer a outras mulheres que elas não estão sozinhas e podem enfrentar a doença com autoestima. Meu objetivo é devolver a alegria e a vontade de viver às pacientes”, conta Flávia Flores, ex-modelo, diagnosticada com câncer de mama em outubro de 2012 e idealizadora do Banco de Lenços.

As interessadas em receber os lenços devem acessar o site e clicar em “Solicite seu Lenço”. No link “Amarrações” é possível ver diversos tutoriais em vídeo de como amarrar os lenços e construir looks variados, para as mais diferentes ocasiões.

“O projeto é uma das ações de humanização que o IOSP oferece às pacientes. Comprar um lenço é fácil. O que queremos vai além disso, usamos o lenço como um símbolo que leva com ele carinho, amor e solidariedade às pessoas em tratamento”, explica Paula Gallo, que já enviou lenços até para fora do Brasil, para países como Espanha, Portugal e Estado Unidos.

Informações: Santa Paula

Nilta Cabeleireiros & Perucas cria espaço privativo para pessoas em tratamento

Salas reservadas garantem atendimento personalizado para as clientes que estão sob tratamento médico

Entrada do salão
Entrada do salão

Nilta Cabeleireiros & Perucas é um completo salão de beleza nos Jardins, na cidade de São Paulo, que atende clientes como Regina Duarte, Luana Piovani, Déborah Secco e Juliana Paes, que utilizam seus serviços para as transformações que suas personagens necessitam, já que perucas e alongamentos são os grandes diferenciais do endereço.

Para atender melhor quem chega ao salão para escolher suas perucas, Nilta criou um espaço em que o troca troca do acessório pode ser feito com tranquilidade e atenção. Ele fica no segundo andar, ao qual se chega graças a um elevador interno.

Espaço exclusivo e uma das salas reservadas
Espaço exclusivo e uma das salas reservadas

Além de espelhos centrais, há salas exclusivas que podem ser fechadas, garantindo a privacidade. “Atendemos muitas mulheres que, por estarem em tratamento médico, precisam de perucas. Este espaço é dedicado a elas”, conta Nilta Murcelli.

As perucas podem ser naturais ou sintéticas, e acessórios para compor o novo visual auxiliam na hora da escolha.

Informações: Nilta Cabeleireiros & Perucas

Mulheres de Peito tem ação no Shopping Taboão

Programa terá unidade móvel realizando gratuitamente exame de mamografia

De 6 de outubro a 4 de novembro o Shopping Taboão recebe a Unidade Móvel do programa Mulheres de Peito, que realiza gratuitamente o exame de mamografia, fundamental para a prevenção e detecção precoce do câncer de mama.

Para fazer o exame é necessário ter entre 35 e 49 anos e estar com pedido médico em mãos. Maiores de 50 anos não é preciso ter o pedido médico. Como o atendimento é limitado por dia, é importante que se chegue cedo para pegar as senhas que são distribuídas na chegada.

Esta ação, que é uma parceria entre o Shopping Taboão, Secretaria de Saúde de Taboão da Serra e Governo do Estado de São Paulo, quer promover a conscientização da importância de se fazer o exame, pois quanto mais cedo se descobre a doença, maiores são as chances de cura.

Informações: Shopping Taboão

Outubro Rosa Loungerie

Durante todo o mês de outubro, a Loungerie se junta à Fundação Laço Rosa, voltada para a prevenção e tratamento do câncer de mama, e faz uma ação especial em prol desta importante causa.

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A marca desenvolveu um livro de colorir, que poderá ser adquirido nas lojas físicas e online, com preço de R$14,90. Parte desse valor será revertido para a Fundação Laço Rosa.

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Já nas lojas físicas da marca, cofres da instituição estarão disponíveis para quem quiser contribuir com a causa.

Informações: Loungerie

Mulheres com mamas densas têm até cinco vezes mais chances de desenvolver câncer

Além das mulheres com histórico de câncer de mama na família, aquelas que têm mamas densas também se encaixam no grupo de risco – devendo ser acompanhadas de perto como forma de prevenção da doença. No Reino Unido, por exemplo, foi identificado que o câncer de mama está numa escalada e deve aumentar até 2030 – em parte por causa do aumento da expectativa de vida das pacientes, em parte por causa do sedentarismo, da obesidade, do consumo elevado de álcool e até mesmo pelo fato de as mulheres adiarem a maternidade para depois dos 40 anos.

No Brasil, todos esses fatores também são observados. Especialistas dizem que acrescentar informações sobre a densidade mamária resulta em melhor modelo de prevenção, já que mulheres com mamas densas têm até cinco vezes mais chances de desenvolver câncer de mama em relação àquelas com baixa densidade mamária.

De acordo com a radiologista Vivian Schivartche, especialista em diagnóstico da mama do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), em São Paulo, um dos grandes desafios da mamografia é que mamas densas (principalmente nos níveis três e quatro) podem dificultar a interpretação das imagens.

“Na imagem mamográfica, o tecido denso aparece em branco, enquanto a gordura é caracterizada pelas áreas escuras. Como os tumores também aparecem em branco nessas imagens, é mais difícil diferenciar o que é tecido altamente denso de um tumor. Os avanços da mamografia nos últimos anos, quando passou de um simples exame em filme para um exame digital e, mais recentemente, para um exame em três dimensões (tomossíntese), caminham na direção de aumentar a detecção de tumores cada vez menores. Ao lado disso, a ultrassonografia também auxilia a encontrar alterações no meio do tecido denso”.

Outro ponto que gera dúvidas de interpretação são as calcificações. Elas fazem parte de muitos processos da mama. Algumas são malignas, outras não. Por isso, muitas vezes é necessário realizar imagens adicionais na mamografia ou ainda uma biópsia para chegar a um diagnóstico definitivo. “A mamografia tomográfica, também chamada de mamografia 3D ou tomossíntese, costuma aumentar em até 30% a detecção do câncer de mama, já que permite enxergar o tumor numa fase muito precoce e em mamas densas e heterogêneas. Porém, em situações especiais, em pacientes de alto risco, ou quando persistirem dúvidas, esses outros exames devem ser realizados, como a ultrassonografia e a ressonância magnética”.

A especialista diz que as nuances que deixam dúvidas nos resultados da mamografia fazem com que as pacientes algumas vezes sejam chamadas para repetir o exame. Mas não é preciso sofrer por antecipação. Entre 5% e 15% das pacientes costumam receber uma chamada para imagens adicionais. Não significa que têm câncer de mama, mas que por algum motivo as imagens não estão bem claras.

Estudos apontam que pacientes entre 40 e 49 anos têm 30% de chance de ter um resultado falso-positivo num período de dez anos – ou seja, serem chamadas para fazer imagens adicionais sem ter câncer. Vivian Schivartche revela cinco boas dicas para quem vai fazer mamografia:

1.“Se a paciente puder optar pela mamografia digital em detrimento da convencional, é melhor. Mas vale ressaltar que hoje em dia já é possível realizar a tomossíntese – ou mamografia 3D – em muitas cidades do Brasil, aumentando ainda mais o percentual de diagnóstico precoce”.

2.“Observe a reação do seu corpo durante o ciclo menstrual, evitando agendar a mamografia naqueles dias em que as mamas estão mais sensíveis e doloridas”.

3.“Se puder escolher a clínica onde será realizada a mamografia, dê preferência àquelas que investem em novas tecnologias, já que os mamógrafos vêm sendo modificados para tornar o exame mais rápido e menos incômodo às pacientes. Outro ponto importante é a clínica contar com um radiologista especializado em imagem da mama para orientar a realização do exame”.

4.“Durante o exame, procure seguir a orientação do profissional que está no comando, evitando movimentos que possam comprometer o resultado final. Tenha em mente de que se trata de um exame rápido, realizado somente uma vez ao ano, e que pode salvar a sua vida”.

5.“Não se apavore se for chamada para uma repetição. Ao contrário, procure agendar o quanto antes esse novo exame e procure relaxar, permitindo a compressão necessária para a melhor imagem possível. Oito em cada dez nódulos encontrados não têm nada a ver com câncer”.

Fonte: Vivian Schivartche, médica radiologista, especialista no diagnóstico de câncer de mama do CDB Premium, em São Paulo