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Setembro Amarelo: comportamentos suicidas e como ajudar

Setembro Amarelo: identifique cinco comportamentos que levam a depressão

Desde 2015, no mês de setembro, ocorre o “Setembro Amarelo”, campanha brasileira de prevenção ao suicídio. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), até 2020, a depressão será a doença mental mais incapacitante do planeta, e a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida.

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Pensando nisso, Carlos Florêncio, psicoterapeuta e autor do livro “Tudo certo!”, criou o PHVida, metodologia que busca o aperfeiçoamento das potencialidades do indivíduo com o objetivo de que o mesmo alcance a excelência humana. Desde sua criação, o método já ajudou mais de 30 mil pessoas, tanto no Brasil quanto no exterior, a superarem conflitos internos e se curarem da depressão.

“Infelizmente no Brasil ainda há muito estigma em relação à depressão que, muitas vezes, é encarada como falta de fé, fraqueza e até mesmo preguiça. Na maioria das vezes o suicídio pode ser evitado, caso seja percebido previamente no indivíduo sinais de que ele está deprimido. Esses sinais são atitudes que impedem a pessoa de progredir e alcançar seus próprios objetivos, ou seja, são comportamentos de autossabotagem”, explica Florêncio.

Confira abaixo cinco comportamentos de autossabotagem que Florêncio listou para identificar a depressão, seja nos outros, ou até mesmo, em você:

Solidão e ansiedade

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Encarada por muitos como o “mal do século”, segundo Florêncio, a ansiedade é fruto da solidão, e esse sim é o verdadeiro distúrbio do novo milênio. Em um mundo cada vez mais digital as pessoas tendem a não se encontrar fisicamente, o que gera um maior número de indivíduos solitários e, por consequência, mais pessoas com ansiedade. Ansiosas por reconhecimento, encontrar alguém ou até mesmo compartilhar o que sentem. A ansiedade pode ser identificada por um humor triste, insônia, preocupação excessiva, sensação de que algo ruim irá acontecer, e até mesmo ser levada a níveis extremos, com verdadeiras crises que podem ser notadas previamente com sinais como boca seca, fadiga, enjoos, tontura, falta de ar, entre outros.

Desânimo

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Em um mundo cada vez mais competitivo e exigente, na maioria das vezes o desânimo é causado pela baixa autoestima. Resultado de padrões de beleza, bullying, estafa mental, estresse, entre tantos outros motivos, o desânimo pode ser identificado por um cansaço frequente, perda ou ganho de peso excessivo e, principalmente, a falta de confiança em si mesmo acompanhada de um pessimismo exagerado para encarar as situações.

Desinteresse por atividades prazerosas

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Um dos clássicos sinais de depressão é a perda do interesse atividades que antes o indivíduo achava prazerosas. A pessoa não sente mais prazer pela vida e, na maioria das vezes, não possui mais hobbies ou pratica qualquer atividade de lazer, tendo como rotina ir ao trabalho, voltar para casa e continuar nesse ciclo sem novidades. Acompanhado de uma apatia pelas pessoas e todo o mundo, a depressão pode ser identificada nesse caso como picos de agressividade, bruscas alterações de humor, fadiga constante e o desinteresse sexual.

Dificuldades para dormir ou acordar

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A pessoa com depressão normalmente evita sair de casa. Não quer contato com o mundo, trabalho ou outras pessoas. Nesse sentido, ela encontra no ato de dormir uma válvula de escape, uma fuga da realidade. Em tese, o ser humano dorme normalmente oito horas por noite, mas uma pessoa deprimida pode dormir de 12 horas até um dia completo. O contrário também indica um comportamento de auto sabotagem e por consequência um sinal de depressão. Muitas vezes ansiosas com fatos que talvez nem aconteçam, pessoas deprimidas tendem a ficarem acordadas por noites e mais noites.

Pensamentos de suicídio

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Em um estágio mais avançado de depressão, os pensamentos de suicídio podem se tornar algo constante. Sinais como conversas frequentes sobre a própria morte, automutilação e um profundo ódio ou desprezo a si mesmo, são extremamente preocupantes. Segundo Florêncio, ao identificar esses sinais o indivíduo deve ter alguém ao seu lado, que converse e também o escute. Deve buscar ajuda médica. Mas mais do que isso deve buscar atitudes de amor e compaixão, pois de acordo com o psicoterapeuta, esses são os melhores remédio para curar a depressão.

 

Seis condutas que devem ser adotadas para auxiliar alguém que está pensando em suicídio

Nove em cada dez mortes por suicídio poderiam ser evitadas. A informação da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequadas, no entanto, quais atitudes devemos ter para auxiliar alguém que precisa de ajuda?

O Setembro Amarelo vem ganhando cada vez mais força. Criado em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), a campanha tem como proposta associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro).

Desde então, muito tem se esclarecido sobre o assunto. Ideias de estereótipos, por exemplo, foram desmitificadas. “O suicida não tem idade. Ele tem dor e quer acabar com este sofrimento. Ele busca uma solução e para ele o mais rápido é o suicídio”, explica Sônia Grácia Pucci Medina, Professora do curso de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica da Unincor.

A cada 40 segundos, uma pessoa comente suicídio no mundo. No Brasil, a taxa de suicídios para cada 100 mil habitantes aumentou em 7%. O suicídio é um fenômeno complexo, por isso, quais atitudes devemos ter para mudar essa realidade? A professora, pesquisadora e especialista no assunto, nos apresenta seis condutas importantes:

1 – Quebra de tabus

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No Brasil temos muitos assuntos que ainda são tabus e mitos, por isso, não falamos sobre aquilo que nos saltam aos olhos. Em média, são registrados 37 suicídios, diariamente, no país. É um índice muito alto para um povo considerado alegre, generoso e gentil, diferente de países onde a população vive uma situação de estresse em seu cotidiano. Para mudar essa realidade precisamos falar sobre aquilo que nos incomoda, a respeito do que está à nossa volta. Para isso, o Setembro Amarelo vem para conscientizar as pessoas, para que falem e sejam ouvidas.

2 – Escutar sem julgar

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O suicida dá sinais, e a primeira atitude que devemos ter é escutar o que ele tem a dizer. Aquele que tem pensamentos suicidas procura alguém para ouvi-lo sem receber julgamentos, lição de moral ou conselhos. Deste modo, conclui-se que ele só precisa ser ouvido.

3 – Neutralidade e confiança

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O suicida quer dar fim à dor que ele sente e nenhum dos processos pelo quais ele já passou foi capaz de ajudá-lo. De uma maneira geral, todos aconselham ou dão exemplos, mas isso não acaba com a dor, pelo contrário, o sentimento que está internalizado só cresce e o ato do suicídio acaba sendo a única forma que a pessoa encontra. O comportamento daquele que quer ajudar é ouvir, dar um abraço, um aperto de mão (se o suicida permitir, claro) e principalmente se manter neutro e confiável, ou seja, mostrar que nada do que foi dito será compartilhado com outras pessoas.

4 – Observar atitudes é prevenir

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Prestar atenção nas atitudes é um ato de prevenção. Muitas vezes os que estão mais próximos não conseguem enxergar comportamentos extremos, porém, eles são grandes sinais de que existe uma debilidade a ser tratada. Qualquer tipo de violência contra o seu próprio corpo é um ato de atenção. Alguns exemplos já vistos em pacientes são: pessoas que comiam o próprio cabelo e depois o vomitavam; queimar-se com cigarro; cortes em diferentes partes do corpo; roer as unhas até sangrar; depilar partes visíveis do corpo como sobrancelhas, entre outros. Mas, o que fazer ao notar algum comportamento deste tipo? Ouvir, propor o CVV, terapias analíticas ou comportamentais e se colocar como um canal de confiança.

5 – Investigar excessos

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Houve um caso em que o paciente tinha centenas piercings no corpo. As joias que serviriam para adornar seu corpo, se tornaram-se objetos de violência. Isso é excesso, ou seja, um comportamento que ultrapassa regras ou limites precisa ser observado. Pessoas adictas, de um modo geral, necessitam de atenção. Assim como alcoólatras, dependentes químicos, os verborrágicos e aqueles que possuem algum tipo de transtorno compulsivo.

6 – Mudanças no âmbito profissional

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O suicida mostra por meio do seu comportamento que ele está triste, angustiado e insatisfeito. Podemos pensar naquele funcionário que sempre gostou do seu trabalho, sempre teve uma atitude exemplar, mas que, de repente, passou a faltar constantemente. Ao ser questionado, suas respostas são “não consegui me levantar”, “estou com muita dor de cabeça”, “me faltou ânimo”, “eu não consegui dormir”. Muito confundido com preguiça ou irresponsabilidade, os colegas de trabalho, sejam colaboradores ou chefes, não tomam uma atitude de auxílio e sim de julgamento. Neste caso, colocar-se como um canal de ajuda é imprescindível para mudar a realidade.

É preciso estar alerta para interpretar a fala do suicida e prestar ajuda. Ele quer ser ouvido e percebido. Caso você não se sinta preparado para ouvir, poderá auxiliar indicando profissionais especializados. O CVV é uma Associação Civil sem fins lucrativos, filantrópica, de Utilidade Pública Federal (desde1973) que atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188, chat, e-mail e de forma presencial.

Sônia Grácia Pucci Medina é coordenadora do Curso de Pós-Graduação de Teoria Psicanalítica da Unincor. Doutora em Psicologia Social e em Psicanálise pela Universidad John Keneddy em Buenos Aires, é também Mestre em Comunicação e Estudos da Linguagem pela Universidade de Marília. Presidente da Associação Psicanalítica do Município do Rio de Janeiro, trabalha como Psicanalista Clínica, além de ser Pesquisadora da Petrobras na linha de estudo sobre suicídio em trabalhadores confinados em plataformas off shore. Participa anualmente, como conferencista de Seminários Internacionais de Saúde Mental e Atenção Psicossocial em Buenos Aires. É autora do livro “Incongruências”.

Fonte: Unincor