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Sete dicas para empreender depois dos 50

Para especialista da ESPM Rio, o aprendizado perene é essencial para profissionais que desejam iniciar um novo negócio

Não há idade para desenvolver uma atitude empreendedora. Por isso, o lifelong learning, conceito de aprender e se atualizar ao longo da vida, deve ser usado por profissionais diante de qualquer oportunidade na carreira e até mesmo para iniciar um novo negócio. Paula Calil, professora do curso Mercado Sênior – Bora Empreender?, da ESPM Rio, dá sete dicas para pessoas acima dos 50 anos de idade que desejam entender as práticas do mercado e enfrentar as adversidades de um novo negócio.

“Há um certo grau de inquietação e alegria por estar diante da oportunidade de empreender após os 50”, diz Paula. “Esse momento deve possibilitar a essas pessoas um espaço para reflexão não só para o autoconhecimento, mas especialmente para aprender e se capacitar a assumir seu próprio negócio”, completa.

Veja as sete dicas para quem quer empreender após os 50 anos:

Radoan Tanvir/Pixabay

1) Participe sempre de eventos de empreendedorismo e inovação para estar atualizado em relação às diferentes tendências e modelos de negócios. Entidades reconhecidas, como o Sebrae e a Endeavor, oferecem cursos, palestras e uma série de outros benefícios. A ESPM, pelo seu programa de extensão tem se dedicado a oferecer programas que atendam os interessados em empreender, oferecendo uma base sólida com os professores altamente capacitados não só como acadêmicos, mas como profissionais de mercado.

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2) Procure estar atualizado com novas tecnologias de gestão, assim como de comunicação e videoconferência. Inscreva-se em cursos que o capacitem em novas plataformas digitais, que ampliam sua visão de negócio, para que nesse momento de exceção seja possível usufruir de recursos digitais que contribuam à adesão ao home office.

3) Este é o momento de revisitar sua história de vida e história profissional, para reconhecer suas competências e identificar suas fraquezas. Comece pelas competências de relacionamento: suas habilidades de comunicação, sua capacidade de resiliência, sua liderança, sua habilidade em se relacionar com as pessoas, seu conceito de bom atendimento, busca por inovação, entre outras.

4) Independentemente do negócio que for empreender, você irá utilizar fortemente sua rede de contatos (networking). Negociar fará parte do seu dia a partir de agora, lembrando que a base disso sempre será seus contatos.

5) Reveja suas crenças. Tenha sempre em mente que iniciar seu negócio exige um desapego de muitos conceitos e expectativas que você já teve. Além disso, vale lembrar que você não terá mais toda a infraestrutura que um dia se beneficiou como executivo.

6) Tenha em mente que a venda não é a atividade mais importante que planejamento ou gestão do seu negócio, seja ele produto ou serviço. Em outras palavras, vender compulsivamente de nada adianta se você não estiver atento a gestão do seu negócio e ao planejamento de suas atividades no curto, médio e longo prazos.

7) A Internet é a maior fonte de informações para qualquer tipo de negócio. Você poderá iniciar sua pesquisa buscando fontes seguras para entender os negócios existentes no mercado, seja local ou global. Além disso, diversas ferramentas e recursos de busca podem ajudá-lo a entender as melhores práticas (benchmarking) para o negócio que você pretende empreender.

Fonte: ESPM

Brasileira lança rede social gratuita para mulheres empreendedoras

Donadelas é a nova plataforma digital para conectar ideias, projetos e serviços entre mulheres a frente de seus próprios negócios

O Brasil é um terreno muito fértil para o empreendedorismo feminino. Um relatório do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), divulgado no ano passado, demonstra que a taxa de empreendedoras no estágio inicial do negócio (de até 3,5 anos) chegou a 16 milhões de mulheres, ou seja, elas são responsáveis por metade dos negócios nesta fase, no país.

O fenômeno da entrada maciça de mulheres no terreno do empreendedorismo, que até pouco tempo atrás era majoritariamente liderado por homens, pode estar relacionado aos dados apresentados pelo Governo Federal que dão conta de que três em cada quatro lares brasileiros são hoje chefiados por mulheres — 41% tem o próprio negócio. Eles, geralmente, são voltados para varejo e serviços.

De olho neste movimento e com a proposta de criar um espaço único e inovador para discussão de ideias e troca de experiências entre mulheres que estão adentrando o mundo do empreendedorismo — a maioria dos negócios chefiados por elas está em estágio inicial como mencionado –, a empreendedora Ely Ribeiro aposta no ineditismo de uma rede social dedicada a elas.

“Muitos dos lares brasileiros chefiados por mulheres têm como característica o esforço individual de cada uma. Grande parte das vezes, essas mulheres não têm emprego formal, se veem diante da necessidade de empreender e apostam naquilo em que têm algum conhecimento, mas sem metas pré-definidas. Desenvolver ações práticas e com foco em resultados rápidos torna-se primordial para atender as limitações de tempo que elas dedicam ao negócio, nessa premissa, a rede Donadelas apresenta um layout simples, com foco em negócios, que pode gerar um impacto positivo na vida dessas mulheres – explica Ely.

O Donadelas foi idealizado para proporcionar mais oportunidades de negócios a essas brasileiras que estão iniciando seu caminho na seara do empreendedorismo e também àquelas que já se encontram há mais tempo no mercado, já aprenderam com os erros e têm boas perspectivas de crescimento.

“O interessante é que se trata de uma rede gratuita, disponível a qualquer mulher que deseje divulgar seu trabalho ou fazer networking com outras empreendedoras. Na página pessoal é possível postar fotos, colocar detalhes de seu perfil e história. Há também espaço para enquetes rápidas, que podem facilitar em muito na pesquisa de tendências ou ideias, e ajudar as empreendedoras na tomada de boas decisões”, conta a idealizadora da rede social.

Ilustração: Pete Linforth/Pixabay

O Donadelas tem uma vertente internacional, com a participação de um sócio-investidor, o francês Mohamed Moulaye: “Nosso foco inicial é apresentar uma plataforma que facilite a vida e os negócios das mulheres empreendedoras no Brasil, e em breve visamos conectá-las numa rede mundial de partilha de conhecimentos, experiências e negócios, beneficiando-as com a possibilidade de expansão de seus empreendimentos além-fronteiras”, relata.

Informações: Donadelas

Curseria lança curso sobre confeitaria saudável com Isabela Akkari

A jovem empresária irá compartilhar os principais segredos da culinária saudável por meio de curso online

Algumas pessoas acreditam ser impossível ter uma alimentação saudável incluindo doces no dia a dia, mas a Curseria, plataforma de cursos online que alia educação e entretenimento, irá desmistificar o assunto. Juntamente com Isabela Akkari, proprietária do Café et Patisserie, a primeira confeitaria saudável em São Paulo, localizada no Itaim Bibi e com uma unidade no Shopping Iguatemi, a empresa apresenta o curso “Confeitaria saudável: técnicas, bases e criação de receitas”.

Isabela Akkari é uma jovem empreendedora que decidiu largar o emprego em uma multinacional e seguir sua paixão por doces e um estilo de vida saudável. Em parceria com a Curseria, foi desenvolvido um conteúdo focado nas técnicas, bases e todo o processo de preparo dos doces, fazendo com que o aluno desenvolva autonomia e habilidade para criar as próprias receitas e ter um estilo de vida saudável. As pessoas que possuem algum tipo de restrição alimentar poderão aprender comer doces em segurança.

O curso engloba doces low carb, sem adição de açúcar, sem glúten, sem proteínas do leite animal e veganos, promovendo a inclusão no mundo da confeitaria. Outro viés importante do curso é o empreendedorismo: se o aluno tiver o sonho de abrir uma confeitaria saudável, ele vai encontrar no material as principais dicas sobre como iniciar o negócio.

São 5 horas de conteúdo divididas em 10 aulas + 1 aula extra especial sobre as influências e tendências do mercado de doces low carb. Um dos objetivos do curso é descomplicar os principais dilemas da confeitaria saudável, como substituição, proporção e função dos ingredientes, fazendo com que seja possível produzir doces sem adição de açúcares com a mesma textura e gosto de doces tradicionais.

Entender progressivamente as reações dos ingredientes e as substituições, desde o mise en place à apresentação, são os principais ganhos do material. Além disso, o curso conta com uma aula específica sobre tendências de mercado, ou seja, também foi desenhado para quem deseja abrir uma confeitaria saudável e não sabe por onde começar.

O aluno também vai descobrir as vantagens da confeitaria inclusiva e entender que é possível fazer doces saudáveis para voltar a sentir o prazer de consumir uma boa sobremesa, como é o caso dos portadores de diabetes, que muitas vezes precisam mudar radicalmente a alimentação por conta dos açúcares. Conhecer as funções e propriedades dos ingredientes para criar receitas com o mesmo sabor, textura e cor das originais é também um dos principais objetivos do curso.

“A confeitaria saudável é um desdobramento da confeitaria clássica, por isso requer muita prática, técnica e precisão. Queremos ensinar aos alunos como produzir doces com sabor, bem apresentáveis e ainda sim saudáveis, visando sempre a inclusão das pessoas que têm restrições alimentares, como é o caso dos diabéticos e celíacos. Além disso, para aqueles que buscam doces low carb, vamos ensinar como fazer seus próprios doces para fugir dos industrializados”, conta Danilo Ricchetti, cofundador da Curseria.

A Curseria se destaca por oferecer cursos online que além de ter grandes personalidades brasileiras como professores, abordam processos, técnicas e filosofias diversas que possibilitam a transformação de carreira e ampliação do conhecimento. Indo muito além do que já se conhece em EAD, a plataforma de conhecimento pode expandir o ensino com um público ilimitado, com flexibilidade de acesso e aproximando os estudantes dos profissionais renomados que ali, se tornam professores.

Informações: Curseria

A mulher de 50 nas organizações, por Monica Teófilo*

A mulher de 50, na sua maioria, foi criada para dar conta do trabalho, da casa, dos filhos. É a mulher polvo que fez jus à máxima de que “mulher dá conta de mais de uma coisa ao mesmo tempo”.

A mulher de 50 não foi convidada a entrar em contato com seus desejos profissionais no início de sua carreira, com seu propósito ou com seus sonhos. Foi incentivada a estudar e desbravar o mundo que se abria para o pensamento feminino. Um mundo que seria conquistado pelas mulheres que se relacionavam com os homens da era industrial em empresas mecanicistas – e hierárquicas.

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A mulher de 50, que é mãe, está vendo seus filhos entrando na vida adulta ou na puberdade. Suas crias começam a ser independentes, a trilhar seus próprios caminhos e a alcançarem seus voos solos. São “crianças” colocando no mundo os valores já instalados pela maternidade gestacionada por essa mulher de 50.

A mulher de 50 pode, agora, se sentir liberta, voltar a olhar pra si e se (re)conhecer com seus desejos e, quem sabe, sonhar com seus próprios sonhos.

A mulher de 50, mais madura hoje, pode refletir sobre o sentido da vida e seu legado, escolher as batalhas que quer entrar e, ao mesmo tempo, refletir sobre aquelas que deixou para trás e se questionar sobre qual o futuro quer viver no agora?

Quando mulheres de 50 estão dentro de empresas, não é raro se compararem aos seus pares e –pela comparação etária – sentirem que estão no local errado, que o tempo passou. Ou, até mesmo pela pressão do tempo e não pelo desejo genuíno, perceberem que precisam decidir seguir para um próximo passo, porque o mercado é implacável.

Se você é uma mulher de 50 e tem uma posição de liderança média, há uma cobrança da sociedade para que assuma uma posição executiva ou libere espaço para os mais jovens.

Se você é uma mulher de 50 na alta liderança de uma organização e decidiu não ter filhos, tem que lidar com o olhar dos que estão à sua volta questionando se é uma escolha ser líder ou ser mãe.

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A mulher de 50 é jovem para ser avó. A mulher de 50 é velha para ser mãe.

Mas a verdade é uma só: a mulher de 50 tem idade para aprender, tem seu próprio ritmo de aprendizado e pode fazer isso das maneiras mais diversa. Mais: as mulheres de 50 são excelentes tecelãs de saberes, conectam as gerações e quando se dão contam e aproveitam desse seu poder pessoal, são excelentes transformadoras do ambiente organizacional.

*Monica Teófilo é psicóloga, mestranda, psicodramatista, consteladora sistêmica e cofundadora da Fator Diversidade, consultoria que une ciência e arte para o desenvolvimento de ambientes corporativos diversos e inclusivos

Novas competências: conheça as inteligências profissionais que farão a diferença

Especialista aponta a importância de se desenvolver as quatro inteligências no pós-pandemia

Há um semestre, desde o primeiro caso de Covid-19 registrado no Brasil, a pandemia trouxe inúmeros significados, diferentes perdas e aprendizados para cada brasileiro, pois foi a partir da crise que os profissionais tiveram a chance de revisar sua capacidade de transformação pessoal e profissional. A especialista em estratégia de carreira Rebeca Toyama mostra como aprimorar as quatro inteligências dentro do conceito da quarta revolução industrial de forma prática e objetiva a fim de se adaptar ao novo momento.

No livro ‘A Quarta Revolução Industrial’, o autor de Klaus Schwab mostra que a quarta revolução está trazendo rupturas no modo em que vivemos, no qual será um desafio se adaptar ao novo ambiente proposto, mas não impossível, precisará somente mobilizar a sabedoria coletiva de nossas mentes, corações e almas. Com isso, vem o conceito sobre os quatro tipos de inteligências – contextual (a mente), emocional (o coração), inspirada (a alma) e a física (o corpo) – e que será preciso se desenvolver e adaptar para, assim, conseguir aproveitar o potencial das rupturas.

As quatro inteligências citadas por Schwab vêm mostrar algumas mudanças que estão interligadas e podem auxiliar nesta evolução profissional e pessoal, como a maneira que compreendemos e aplicamos os conhecimentos que adquirimos; a forma como nos relacionamos e processamos pensamentos e sentimentos; como as usamos nos relacionamos, na individualidade e no propósito compartilhado a fim de agir para o bem comum, e como cultivamos e mantemos nossa saúde e bem-estar pessoais e daqueles que estão ao nosso entorno.

Portanto, para que o cenário seja positivo, é necessário ter a consciência da importância do aprimoramento pessoal, sendo assim, se faz fundamental o fortalecimento das nossas inteligências. “Já estávamos enfrentando uma série de crises pessoais e profissionais, antes mesmo da Covid, mas é importante ressaltar que precisamos extrair o máximo de aprendizado deste momento, e fazer desta uma oportunidade de revisar nossa capacidade de realizar e transformar o contexto pessoal e social”, aponta Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira.

Um mundo de mudanças rápidas, como a que vivenciamos hoje, requer agilidade intelectual e flexibilidade, e não foco fixo e pensamento restrito. Como precisamos trabalhar também nossa forma de nos relacionar com os sentimentos, a inteligência emocional, nesse aspecto, permite que os profissionais estejam preparados a estabelecer vínculos mais colaborativos com colegas de trabalho, clientes e parceiros de negócio.

Por outro lado, é necessário também buscar um significado e propósito junto com a confiança de cada indivíduo, pois só conseguimos chegar a algo quando há um propósito maior. Além disso, um dos fatores que precisam ser trabalhados é a força vital. É essencial se manter em forma, saudável e ter calma em momentos de pressão.

E o ponto-chave das inteligências é aprimorar e desenvolver novas competências para, assim, reconhecer os valores, talentos e a autoestima, aperfeiçoando a relação com o mundo e com os outros. Além de encontrar potenciais inexplorados e descobrir recursos internos.

“Dentro de nossas competências precisamos encontrar lacunas onde necessitam ser lapidadas, assim existirá uma forma de complementar nossas habilidades profissionais e pessoais. O mundo está em constante mudança, cada vez mais complexo e fragmentado, mas nós ainda podemos moldar o nosso futuro de uma forma que beneficie a todos”, finaliza Rebeca.

A especialista em estratégia de carreira dá dicas para desenvolver as quatro habilidades:

1- Inteligência Contextual: aprenda a entender o contexto e a propor soluções, deixe as autocobranças de lado, abra mão do perfeccionismo e foque no resultado;


2- Inteligência Emocional: escutar suas emoções, se relacionar melhor consigo mesmo e com os outros; colaboração é uma habilidade preciosa nesse momento;


3- Inteligência Espiritual: liberte-se das crenças limitantes, escute o convite da vida, caminhe em direção ao que dá sentido à sua existência;

Foto: Jeviniya-Pixabay

4- Inteligência Física: as três inteligências acima precisam de um corpo saudável para se manifestarem, portanto, cuide do sono, organize seu tempo para que as tarefas importantes não sejam deixadas de lado.

Fonte: Rebeca Toyama é fundadora da RTDHO e da ACI (Academia de Competências Integrativas) empresa com foco em bem-estar e educação corporativa. Especialista em estratégia de carreira e educação organizacional. Formada em administração, psicologia, marketing e tecnologia. Atua há 20 anos como coach, mentora, palestrante, empreendedora e professora e atualmente é mestranda em psicologia clínica.

 

 

Relações digitais: como humanizar contatos em tempos de home office?

Especialista indica quatro práticas fundamentais para ampliar o network e melhorar a comunicação para o desenvolvimento pessoal e profissional

Competência essencial para sobreviver ao “novo normal”, a capacidade de se comunicar pela internet e manter relacionamentos duradouros têm sido um desafio para muitos neste período de distanciamento físico. Enviar um e-mail, uma mensagem ou interagir em uma publicação nas redes sociais de um colega pode ajudar a manter o contato social e diminuir sofrimentos como ansiedade, angústia, medo e insegurança. A questão é: por que confiar na tecnologia e utilizá-la para compensar a falta de “olho no olho”?

Segundo pesquisas, um dos principais motivos de arrependimento dos pacientes no leito de morte é não ter expressado os sentimentos, sejam eles bons ou ruins. De acordo com a psicoterapeuta, coach, fundadora da Multitalento, palestrante e escritora Adriana Jesus, isso ocorre porque vivemos em um mundo desumanizado, onde não há espaço para expressar as emoções sem correr o risco de se sentir humilhado, ridículo, inseguro ou arrependido por ter aberto a boca.

No entanto, transformar essa situação, principalmente em tempos de isolamento social, é um diferencial para se destacar no mercado e não sofrer os efeitos das relações digitais. A especialista explica que a capacidade de sentir e perceber não só a nós, mas também aos outros, deve estar totalmente associada às questões práticas, objetivas e racionais, ligadas a estrutura, recursos e processos profissionais.

Adriana alerta para o cuidado de não cair na tentação de mentir para si mesmo e encontrar desculpas para não agir de maneira humanizada, culpando a tecnologia por agir com frieza e indiferença. “Existem canais de apoio psicológico para salvar vidas do suicídio por meio de atendimento telefônico. Notem, portanto, que para humanizar os contatos em tempos de home office não precisamos reinventar nada. Basta seguir as melhores práticas de cuidado humano: aprender a demonstrar bem querer, respeito com as pessoas, capacidade de ouvir e empatia”, ressalta.

Confira o passo a passo para humanizar os contatos em tempo de reclusão:

1 – Ao invés de julgar o outro, diga como se sente diante das atitudes inadequadas dele. Substitua o “você é teimosa” por “eu me sinto ignorado quando você não ouve a minha opinião”. No lugar de “você é irresponsável”, fale “eu fico preocupado com os seus sucessivos atrasos nas entregas das atividades”. Troque o “você é agressivo” por “eu me sinto desconfortável quando você aumenta o tom de voz para falar comigo”.

2 – Cuide do jeito como você se comunica, pois pode acabar matando sua “galinha dos ovos de ouro”. Não use tonalidade acusatória, queixosa, manipuladora ou chantagista, como “você não tem jeito”, “por sua causa”, “não acredito que você está fazendo isso comigo”, “a culpa é toda sua”.

3 – Diga sempre a verdade baseada em fatos evidentes e com respeito. “Você tem feito piada fora de hora e está se tornando muito desagradável. Por favor, pare com isso. Estou me sentido desrespeitada”.

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4 – Revele os seus sentimentos. Esta atitude humanizada aumenta consideravelmente as chances de solucionar um problema e evitar conflitos, pois ajuda o outro a criar empatia por você. Essa ação mostrará a real dimensão das consequências das atitudes dele, o que pode contribuir para uma reflexão produtiva e evitar a recorrência da conduta que gerou o problema.

“O contato humanizado é extremamente importante, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Então, a minha sugestão é que as pessoas adotem essa boa prática e, com ela, iniciem a construção de relacionamentos muito mais saudáveis e produtivos”, finaliza a especialista.

Fonte: Adriana Jesus é escritora, palestrante, coach e psicoterapeuta, oferece orientações customizadas com metodologias exclusivas para transformar pessoas em líderes de alto desempenho. Reconhecida por entregar valor e solução aos profissionais dos mais variados segmentos, motiva gestores a se apropriarem de autoconhecimento e inteligência emocional. Lançou o livro-coach “Impressione sendo quem você é”, obra que terá segunda edição este ano. Foi executiva de RH em empresas de renome, como Unilever e Bic, é fundadora da Multitalento – consultoria empresarial e educacional expert em desenvolvimento humano sustentável e gestão customizada de pessoas -, e parceira da M1 Alta Gerência, especializada em recolocação profissional e corporativa.

Artigo: Você é inteligente? por Lúcia Moyses*

Qual a primeira resposta que vem à sua mente quando você pensa na sua inteligência? Você se considera inteligente? Ou não?

Antigamente, o conceito de inteligência se resumia somente aos testes de QI. Um QI considerado alto, ou acima dos 120 pontos, revelava a inteligência de uma pessoa. Por muitos anos, esse número insensível e impiedoso marcou a forma como as pessoas se viam perante a própria inteligência, como eram julgadas na idade escolar e, mais tarde, nas profissões.

Crianças eram estigmatizadas e, muitas vezes, carregavam essa marca até o fim de suas vidas por não serem inteligentes o suficiente. Sem os testes de QI, eram julgadas pelas notas que obtinham nas provas, em especial, nas matérias que exigiam lógica, matemática e raciocínio intelectual. Mais tarde, na vida adulta, moldavam suas carreiras de acordo com a inteligência que tinham ou não.

Empresas contratavam seus funcionários usando como referência os testes disponíveis para medir a inteligência. Os mais inteligentes eram contratados na hora. Os outros eram dispensados ou tinham que aguardar uma nova oportunidade. Hoje, o conceito de inteligência já não é mais o mesmo, mas ainda assim, muitos ainda se avaliam por um único número que só simboliza uma parte de sua capacidade mental.

O que mudou? Por quê?

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As empresas estão cada vez mais competitivas entre si e, o mercado de trabalho, cada vez mais difícil. É um desafio para quem procura uma colocação e também para quem escolhe a sua equipe. Os líderes e gerentes das instituições começaram a perceber que algumas pessoas eram extremamente inteligentes, porém não conseguiam se sociabilizar com o resto da equipe. Tinham dificuldades de relacionamento, de fazer parcerias, de colaborar com o próximo. Eram pessoas, muitas vezes, desajustadas, de difícil convivência, até mesmo improdutivas. Não conseguiam lidar com o estresse, não reagiam bem às pressões, não conseguiam obedecer às ordens ou seguir determinadas regras.

Hoje, já é um consenso de que quanto maior a colaboração entre os membros de uma equipe, melhor o trabalho fluirá, maior a produtividade. Não há mais espaço para competições e sim para interações. Dessa forma, começou a ficar claro que somente a inteligência lógica e matemática não era o suficiente para reconhecer um bom funcionário. Outras características passaram a ser tão ou mais valorizadas que a inteligência medida pelo QI.

Inteligência Emocional

Na década de 1990, o interesse pela inteligência emocional foi despertado pelo livro de Daniel Goleman que descrevia essa capacidade como a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, apesar de que esse conceito já vinha sendo usado desde 1920. Um indivíduo emocionalmente inteligente é aquele que consegue identificar e controlar suas emoções, de forma que elas possam ser utilizadas em nosso benefício.

Os pilares da IE são o autoconhecimento emocional, o controle emocional, a automotivação, a empatia e os relacionamentos interpessoais. E, por que essa inteligência, hoje, é tão valorizada e essencial não só para os relacionamentos pessoais, mas para o mundo acadêmico e profissional?

A inteligência emocional melhora os relacionamentos. Diminui a ansiedade e o estresse. Aumenta a empatia e o poder de decisão e a produtividade. Eleva a autoestima. Facilita a conquista do equilíbrio.

Uma inteligência não anula a outra. Porém, se você for o administrador de uma empresa e quiser a melhor equipe para atingir suas metas, somente o teste de QI não é mais suficiente. A inteligência humana não pode mais ser rotulada por um simples número. O ser humano é complexo e assim também é a sua capacidade mental.

Quantas inteligências temos?

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Em 1983, Howard Gardner introduziu o conceito das inteligências múltiplas, com uma visão multidimensional da inteligência. Hoje, as diversas inteligências são classificadas em Inteligência Linguística, Matemática, Musical, Espacial, Corporal, Intrapessoal, Interpessoal, Espiritual, Naturalista e Existencial.

Cada uma dessas inteligências revela uma habilidade, um talento que o indivíduo apresenta. Um enxadrista precisa ter muita inteligência espacial para visualizar diversas jogadas antecipadamente. Alguém já se perguntou se Bach ou Beethoven tiravam notas boas em matemática? No entanto, ninguém duvida de que eles foram gênios. Gênios musicais. Ana Botafogo e Maria Esther Bueno apresentaram, sem dúvida, uma imensa inteligência corporal. Os maiores líderes da história possuíam, indubitavelmente, uma inteligência interpessoal acima da média. Enfim, cada pessoa pode se destacar em uma área, dependendo do quanto sua capacidade mental atua naquela área.

Mas, e as pessoas que não se acham boas em nada? Primeiro, isso não existe. Todos nós possuímos algumas inteligências, senão todas, mesmo que nenhuma delas se destaque. Algumas pessoas terão uma ou outra inteligência bastante alta, enquanto outras terão maior equilíbrio entre suas aptidões. Segundo, todas as inteligências podem ser desenvolvidas. Talvez não a ponto de se tornar um Einstein, um Chopin, uma Marie Curie, um Guga, uma Fernanda Montenegro, porém, todos nós podemos nos tornar mais inteligentes do que somos em todas as áreas de nossa vida. Nossa mente não tem limites para aprender, para se remodelar, para se tornar mais eficiente. Bastam os exercícios e a prática.

A maioria das pessoas se preocupa em fazer exercícios físicos. Cinco vezes por semana, mesmo sem ter a mínima vontade, levantam pesos, correm, fazem abdominais e procuram um corpo cada vez mais perfeito. Nada de errado nisso. Muito pelo contrário. O exercício físico é muito importante tanto para o corpo quanto para a mente. Além do mais, a inteligência corporal precisa dessas práticas para melhorar e se desenvolver.

E quanto às outras inteligências? Alguém se preocupa em desenvolvê-las? Resolver problemas lógicos é excelente para melhorar a nossa capacidade intelectual. Aprender a tocar um instrumento musical ou simplesmente tentar apreciar uma música de vez em quando já pode melhorar a inteligência musical. Cursos de inteligência emocional são excelentes para que possamos desenvolver esta inteligência tão importante para o nosso sucesso. Para quem não tem inteligência espacial, jogar xadrez pode ser muito difícil, a princípio, mas com o treino, nossa mente consegue se adaptar àquela nova realidade.

Não é preciso ser um gênio em nenhuma das áreas. Mas é possível desenvolver nossas diversas inteligências sempre um pouco mais. Ninguém mais precisa se prender a rótulos incutidos em nossa mente desde que éramos bebês. A vida é dinâmica, assim como a nossa mente.

Quem pode ser considerado inteligente, então?

Rob de Roy/Pixabay

Sabemos que algumas pessoas são consideradas geniais por terem se destacado muito além dos outros em alguma área de sua vida. Mas o conceito de inteligência nos dias atuais é uma soma de todas as nossas inteligências. Você pode ter uma aptidão muito exacerbada e outras mais fracas, ou pode ter um equilíbrio em todas as suas capacidades mentais. O importante é unir essas inteligências de tal forma que juntas elas facilitem o seu caminho para uma vida mais plena, mais feliz e mais satisfatória. O indivíduo mais inteligente é aquele que se sente mais realizado pessoal e profissionalmente.

Agora voltando à primeira pergunta do artigo. Você é inteligente?

*Lucia Moyses

É psicóloga, neuropsicóloga e escritora. Natural de São Paulo, Lucia teve sua primeira formação em análise de sistemas pela Fatec (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo), complementando os seus estudos com curso de pós-graduação na Unicamp (Universidade de Campinas). Atuou nessa área por mais de 20 anos. Administrou cursos e palestras, inclusive para pessoas com necessidades especiais. A partir desta experiência, a escritora se interessou pela área de humanas. Foi então que decidiu seguir a carreira de Psicóloga, concluindo o bacharelado na FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas) e, logo depois, se especializando em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva pelo (Inesp) – Instituto Nacional de Ensino Superior e Pesquisa.
Em 2013, a autora lançou seu primeiro livro “Você Me Conhece?” e dois anos depois o livro “E Viveram Felizes Para Sempre”, ambos com um enfoque em relacionamentos humanos e psicologia.

Três anos após a especialização em Neuropsicologia, Lucia lançou os três primeiros livros: “Por Todo Infinito”, “Só por Cima do Meu Cadáver” e “Uma Dose Fatal”, da coleção DeZequilíbrios. Composta por dez livros independentes entre si, a coleção explora a mente humana e os relacionamentos pessoais. Cada volume conta um drama diferente, envolvendo um distúrbio psiquiátrico, tendo como elo o entrelaçamento da vida da personagem principal. Em 2018, a psicóloga lançou mais três livros: “A Mulher do Vestido Azul”, “Não Me Toque” e “Um Copo de Veneno”, totalizando seis livros da coleção. Em 2020, Lucia, lança o livro “A Outra”.

Mulher, mãe e executiva: como lidar com o home office em tempo integral

As executivas Vanessa D’Angelo e Caroline Raimundo pontuam os desafios de se adaptar ao novo normal enquanto tentam balancear a vida pessoal e profissional durante a pandemia de Covid-19

O período de distanciamento imposto pela pandemia do novo coronavírus proporcionou mudanças no estilo de vida da maioria dos executivos em todo o mundo, que precisaram se adaptar a uma nova forma de trabalhar e liderar, agora, exclusivamente, à distância. Para as mulheres e mães, esta adaptação se mostrou ainda mais desafiadora, já que o novo normal também contempla o fechamento das escolas e os filhos em casa em tempo integral.

vanessa e filhas

Vanessa D’Angelo, Head de Marketing para a América Latina na LogMeIn, já estava acostumada ao trabalho remoto pelo menos duas vezes por semana antes da pandemia e, apesar disso, pontua que nas primeiras semanas de adaptação ao home office somado ao distanciamento foi muito difícil separar o trabalho dos cuidados com a casa e relacionamento com a família. A executiva é casada e mãe de duas adolescentes e, em família, depois de uma conversa séria sobre o momento desafiador, decidiram dividir as tarefas para que a rotina de todos pudesse seguir da melhor forma possível.

Com crianças mais velhas, lidar com a educação das filhas a distância também não foi um grande problema para Vanessa, já que além da idade e facilidade com a tecnologia, as adolescentes também já haviam sido capacitadas por sua escola para utilizar o notebook anteriormente nas aulas presenciais. Porém, essa não é a realidade da maioria das mães.

caroline

Caroline Raimundo, Gerente de Marketing na Acer do Brasil, é mãe de crianças de 5 e 7 anos, em fase de alfabetização e que precisam de auxílio em tempo integral com as aulas online. Para a executiva, conciliar a rotina de liderança remotamente, com os cuidados com a casa e os filhos é, sem dúvidas, um grande aprendizado. “Transformei a mesa da cozinha em um grande coworking onde eu e meu filhos passamos parte do dia juntos, eu trabalhando e eles estudando. E, sempre que há dúvidas nas tarefas da escola, levantam a mão e eu vou ajudá-los”, destaca Caroline.

Não é de hoje que o trabalho remoto se popularizou entre diversas áreas e empresas. Nos últimos anos, com a chegada dos nativos digitais ao mercado, a prática se tornou requisito essencial para inúmeras vagas, principalmente em empresas com atuação global. Apesar disso, no Brasil, ainda era visto por muitos como um tabu.

De acordo com ambas as executivas, diante de todos os desafios do momento atual, a principal cobrança ainda vem delas mesmas. “Eu tinha receio de falar que estava ocupada fazendo uma tarefa de casa e não podia fazer algo do trabalho naquele momento”, conta Vanessa.

Caroline, que ainda não tinha a rotina de trabalhar em casa com frequência antes da pandemia, também pontua o quanto é delicado impor limites aos colegas de trabalho durante o home office em tempo integral: “aprendi a ter horário para conectar e para desconectar, e entendi que não é errado focar em outras atividades da vida pessoal e buscar maior equilíbrio durante este momento. Quando sabemos o momento de colocar e cumprir os horários, todos entendem e te seguem como exemplo”.

mulher casa home office

Apesar das dificuldades, após um período de adaptação, a situação também trouxe muitos benefícios à rotina de negócios das executivas, que se dizem muito mais focadas, criativas e produtivas enquanto trabalham de casa. No quesito família, os benefícios também são inúmeros. “Com a correria do dia a dia, eu nunca tinha conseguido passar tanto tempo com minhas filhas e isso me fez descobrir novas características nelas que em outro momento talvez eu não teria oportunidade, e essa experiência não tem preço”, pontua Vanessa.

A forma como as empresas estão lidando com a nova rotina também pode influenciar bastante na qualidade de vida dos funcionários. De acordo com Caroline, “a Acer vê o bem-estar dos funcionários como a sua maior prioridade neste momento, o que tranquiliza e incentiva suas equipes a continuar prestando serviço de qualidade e com segurança de suas casas”.

A LogMeIn também está priorizando o bem-estar do seu time e para isso criou benefícios para auxiliar os funcionários na aquisição de itens para seus escritórios em casa e decretou, mensalmente, um feriado institucional para incentivar suas equipes de todo o mundo a passar mais tempo de qualidade e em família durante a pandemia de Covid-19.

Para outras mães e executivas que também estão batalhando para equilibrar as tarefas do trabalho e a vida pessoal, as executivas dão dicas simples e práticas que estão as ajudando bastante nos últimos três meses:

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Dissolve

• Criar regras – independente das obrigações e agendas do trabalho e de casa, é importante impor regras para si mesma, para a família e para os colegas de trabalho. Seja criando um horário fixo para cada atividade diariamente; ou deixando claro para a família e os e colegas de trabalho em que momentos você não está disponível, criar uma rotina é fundamental.

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Gerd Altmann/Pixabay

• Não ter medo de dizer “não” – a família e os colegas de trabalho precisam estar cientes que haverá momentos em que você não estará disponível para o trabalho e/ou socialização.

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• Separar um tempo para si mesma – seja fazer exercícios, ler, assistir filmes ou até mesmo um novo curso online, é preciso lembrar de separar diariamente momentos para relaxar com atividades prazerosas e relaxantes para você, já que o momento atual tende a causar mais ansiedade e estresse.

Dia da Cerveja: mulheres estão cada vez mais conquistando espaço no meio cervejeiro

A data é comemorada sempre na primeira sexta-feira de agosto, e apesar da cerveja estar sempre ligada ao universo masculino, desde os primórdios da bebida elas sempre tiveram participação em sua história

Em 2007, em Santa Cruz, na Califórnia, foi criado o Dia Internacional da Cerveja, comemorado sempre na primeira sexta-feira de agosto, com o objetivo de saborear a bebida e celebrar as cervejarias ao redor do mundo. Apesar de muita gente ainda associar o universo masculino ao hábito de tomar cerveja, as mulheres sempre tiveram participação ativa na cena cervejeira desde os primórdios da bebida.

Com relação à história da cerveja, sua produção teve início por volta de 4.000 a.C., e as responsáveis foram as mulheres da Suméria, que as produziam e comercializavam enquanto os homens saíam para caçar. Além disso, os sumérios também tinham uma deusa que representava a bebida, chamada Ninkasi.

Outra deusa também contribuiu para a história: Ceres é conhecida como a deusa dos cereais, daí a origem do nome cerveja. “Por volta de 1.800 a.C., foi escrito um poema chamado Hino para Ninkasi, que era a primeira receita de uma cerveja, cuja fórmula contém ervas e grãos variados”, explica Camila Nassar, técnica de produção da cervejaria Berggren.

Cervejeira por acaso

camila nassar

Natural de Itajubá, sul de Minas Gerais, Camila tem 32 anos e seu interesse pela produção de cerveja foi por acaso. “Estava procurando estágio obrigatório e qualquer lugar que abria uma vaga para engenharia, eu mandava meu currículo. Foi aí que surgiu a vaga de estágio em uma empresa do ramo cervejeiro, sendo que no assunto de cerveja eu só sabia beber e fazer balanço de massa em grandes equipamentos, confesso que nem sabia que dava para fazer cerveja em casa”, diz ela.

No mesmo ano ela começou a estudar sobre insumos (lúpulo, fermento, malte) e ler livros para cervejeiros caseiros. Em pouco tempo ela já comprou seus equipamentos para começar a fazer cerveja em casa e pôr em prática toda a teoria que acumulara. Apesar de ter aprendido muito com esse estágio, ela diz que vivenciou alguns episódios de preconceito.

“Em 2016 eu já era gerente de uma loja de cervejas de Campinas e, apesar de entender bastante sobre o assunto, muitos clientes gostavam de tirar dúvidas com um dos atendentes homens, porém, esses últimos sempre acabavam recorrendo a mim, o que deixava os clientes sem graça quando presenciavam tal cena.”, ressalta Camila.

Profissão que virou hobby

mulheres bebendo cerveja
Foto: Shutterstock

Já em 2018, ela começou a trabalhar em um pequeno brewpub em Sousas (Campinas), fazendo de tudo, desde a parte de entrega de Barril e montagem da chopeira para o cliente até a produção (brasagem). Em 2019, ela continuou sua trajetória na cervejaria Berggren, no laboratório, cuidando da qualidade de todo o processo. Posteriormente, ela foi para o setor de produção de cerveja. “Aqui foi onde menos sofri preconceito por ser mulher. Talvez pelo detalhe de não trabalhar diretamente com o público como nas outras empresas”, explica.

Hoje ela se diz realizada na profissão e que o trabalho se tornou um hobby, tanto que em alguns finais de semana ela fica em casa criando receitas e produzindo. “Trabalhar hoje com a marca é um sonho realizado, pois minha trajetória não foi fácil, tive sempre que provar que era capaz, estudar e mostrar meu potencial, mas creio que se eu fosse um homem tudo isso seria mais fácil”, finaliza Camila.

Fonte: Berggren

 

Como se preparar para um futuro profissional incerto?*

O futuro do trabalho já era alvo de muitos estudos, palestras e conferências pelo mundo afora. Com a pandemia, o assunto ganhou ainda mais relevância. Especialistas são unânimes ao dizer que estamos vivendo o fim da era dos empregos para a entrada definitiva na era do trabalho. Isso quer dizer que registros em carteira, vale-transporte, alimentação e batidas de cartão de ponto parecem mesmo estar com os dias contados. Mas, calma, não há motivo algum para pânico.

Sempre houve e sempre haverá alguém disposto a pagar para outra pessoa fazer aquilo que ele não gosta, não sabe, não quer ou não consegue fazer sozinho. E essa é a oportunidade ideal para a oferta de um trabalho remunerado. Ou seja, é bem provável que, num futuro não muito distante, você se torne uma pessoa jurídica, emitindo notas fiscais para várias pessoas físicas ou mesmo empresas que precisem dos seus serviços. Pode ser que você até ganhe mais dinheiro dessa forma, mas, inevitavelmente, ganhará mais trabalho também.

mulher executiva

Se você é o dono do seu “nariz”, precisa assumir várias funções simultaneamente. Por exemplo, não adianta ser um excelente técnico, se não souber como e para quem vender os seus serviços. Não adianta vender e entregar bem, se não conseguir administrar suas próprias finanças, entendendo que a vida de um empreendedor é feita de altos e baixos. E também não vai adiantar fazer tudo isso muito bem se você não reservar um tempo para se manter atualizado na sua área de atuação.

Sendo assim, para se preparar para um futuro do trabalho completamente incerto, profissionais de todas as áreas deverão investir constantemente no desenvolvimento de suas habilidades técnicas e comportamentais, as chamadas hard e soft skills. É bom também já ir se acostumando com o conceito de lifelong learning, que significa que teremos que estudar para sempre, buscando o que muitos especialistas chamam de reskilling, ou a necessidade de atualização constante das habilidades profissionais.

Caso você ainda seja do tipo que acredita que um diploma em uma universidade de primeira linha irá te garantir um futuro tranquilo, sinto em lhe informar que você está bastante atrasado. Foi-se o tempo em que tínhamos um mercado de trabalho linear, onde se entrava como estagiário e depois se ia galgando o crescimento para analistas júnior, sênior, pleno, coordenador, gerente, diretor e, para pouquíssimos, as almejadas cadeiras de vice ou presidente. Tudo isso, de preferência, dentro de uma mesma empresa, ao longo de 20, 30 ou até 40 anos.

O grande desafio dos profissionais que já têm uma carreira estabelecida é que eles receberam esse tipo de instrução ao longo de toda a sua vida escolar e agora se deparam com uma realidade um tanto quanto distante de tudo aquilo para o qual eles foram preparados. É quase como estudar para uma prova por anos e, na hora H, alguém virasse para você e dissesse: “esqueça, agora não é mais assim”. A sensação de estar absolutamente perdido é totalmente compreensível.

E o problema maior é que ninguém sabe dizer ao certo como vai ser. As regras mudaram no meio do jogo, mas ninguém é capaz de falar “vá por aqui”, “faça dessa forma”, “isso será assim a partir de agora”. As regras estão sendo construídas com a bola em campo. É tudo ao mesmo tempo e agora. Não existem mais cartilhas ou manuais que conduzam um profissional ao pódio. De agora em diante, será tudo uma questão de tentativa e erro.

estudante laptop computador

Por isso, quanto maior a sua resiliência e capacidade de adaptação, as suas hard e soft skills, mais fácil será construir uma carreira de sucesso em um futuro incerto. Esquecer os roteiros preestabelecidos e as antigas fórmulas é o primeiro passo para encarar a nova realidade. As habilidades a serem desenvolvidas vão variar muito de um profissional para outro, mas de um modo geral, o mais importante é entender que sua vida profissional depende de pequenos esforços diários e contínuos. Estar preparado (independentemente do que isso queira dizer no seu caso) para aproveitar as oportunidades é o que vai fazer a diferença.

Marcos-ActionCOACH

*Marcos Yabuno Guglielmi é coach empresarial certificado da ActionCOACH