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Chocolate contém muito açúcar e gordura e deve ser consumido com moderação

O almoço de domingo já costuma ser o vilão das rotinas saudáveis de alimentação. Mas quando chegam as datas especiais como Natal, Réveillon, Páscoa e demais feriados, a situação se torna mais crítica. A Páscoa em especial, se tornou o maior risco porque a população começa a ser exposta aos irresistíveis ovos de páscoa um mês e meio antes da data.

E todos fazem um agradinho, dando chocolate para alguém. No fim, o que se vê é um estoque que, para muitos, vai durar até dois meses. Ou seja, é nessa fase que alguns comem chocolate por quase quatro meses. E as principais vítimas são as crianças. Estas certamente recebem ainda mais presentinhos da família toda.

O médico Cid Pitombo, especialista em tratamentos em obesidade, alerta que o risco da obesidade nunca esteve tão presente em nossas vidas. “A Covid veio mais uma vez para nos alertar. A obesidade piora as chances de a pessoa se recuperar quando fica doente. Ou seja, ela não somente provoca doenças, como câncer, infarto, doenças coronarianas. A obesidade prejudica a cura porque os órgãos dos obesos normalmente funcionam no limite, sem reservas quando se necessita. E quando mais um fator chega, como um vírus que provoca mais inflamações ou prejuízo de oxigenação, como o SarsCov-2, da Covid, que afeta o pulmão, o nível de gravidade é maior. Por isso, meu apelo: controlem a alimentação até mesmo na Páscoa”.

De acordo com o médico, em vez de emagrecer, na pandemia, as pessoas engordaram. “Por mais que foram alertados para ter cuidado com o ganho de peso, a maior parte da população ganhou peso. O confinamento e sedentarismo levam inevitavelmente a mudanças comportamentais e busca maior por alimentos que nos dão prazer, como doces, alimentos gordurosos, massas e bebidas alcoólicas. No caso dos portadores de obesidade mórbida, o isolamento era ainda maior, pois sair à rua aumentava mais ainda a chance de contaminação. Controlar esses mecanismos envolvem tanto o apoio emocional, quanto uma rigorosa vigília no que se come. Uma dica é sempre que for ao mercado ou mesmo fazendo a compra on-line faça alimentado, sem fome”.

O que os médicos buscam é alertar para o fortalecimento da saúde em vários aspectos: dormir bem, praticar atividades físicas, consumir boa quantidade de líquidos e comer alimentos naturais, saudáveis, encontrados no hortifrúti. “Não tem fórmula mágica para se salvar da Covid. Não são própolis ou vitamina D que impedem o vírus de se reproduzir. Mas o organismo precisa estar mais preparado. É cuidado integral. Quem hoje está no peso ideal, certamente está com menos problemas psicológicos, porque sente menos medo de agravar. É claro que ninguém está fora de risco, a doença atingiu pessoas sem comorbidades, jovens, magras, até atletas. Mas a incidência de agravamento foi menor”, afirma o médico.

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Que completa: “A Páscoa é uma época especial, que na nossa cultura envolve consumo de chocolate, procurar os ovinhos…nada de errado com isso, mas nós, médicos, temos a obrigação de informar que é um alimento com muita gordura e açúcar, que deve ser consumido com atenção e limites. Um ovo de páscoa em média, sozinho, tem 20% a mais de toda gordura e açúcar que precisamos consumir em um dia. É algo que temos que ter em mente para nos controlarmos”.

Pitombo aconselha: comer com moderação é a melhor alternativa.

Fonte: Cid Pitombo é médico especialista em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia. Referência nacional em seu segmento de atuação, com 30 anos de experiência, sendo 22 com bariátricas. É proprietário da Clínica Cid Pitombo, onde realiza atendimento multidisciplinar para tratamento de obesidade, com acompanhamento psicológico e nutricional para cerca de 100 pacientes por mês, de todo o Brasil. Tem mestrado e doutorado em temas ligados à obesidade e é editor do livro Obesity Surgery: Principles and Practice.

Dia da Gula: médico alerta para doenças provocadas pela obesidade

Médico especialista no tratamento da obesidade Cid Pitombo explica as principais doenças relacionadas à obesidade, indo além do colesterol alto

Hoje, 26 de janeiro, é o Dia da Gula e muitos aproveitam a data para celebrar o exagero na alimentação, esquecendo que é até mesmo um dos pecados capitais. Mas assim, como existe o dia de algumas doenças, foi também um dia criado para alertar quanto aos riscos de comer exageradamente. De acordo com o Vigitel 2020, 57,5% da população adulta do Brasil está com excesso de peso (era 55,7% em 2019) e 21,5% da população está com obesidade (era 19,8% em 2019).

O médico Cid Pitombo, que há mais de 20 anos trata obesos mórbidos, enfatiza que os maus hábitos alimentares são hoje os grandes causadores de diversos problemas de saúde, que cada vez mais cedo, começam a atingir até mesmo as crianças.

“Nossa sociedade criou alimentos irresistíveis, todos eles com um sabor maravilhoso, mas cheios de substâncias que nos fazem muito mal: tudo tem ou muito açúcar, ou sal em excesso, ou gordura além do recomendado. Até mesmo as farinhas que poderiam ser menos inofensivas, acabam se tornando vilãs, porque usamos muita gordura, que pode vir do óleo ou da manteiga, e o pior, da margarina. O sal é um dos conservantes mais usados nos alimentos industrializados. As pessoas comem produtos industrializados sem conhecer o que foi colocado neles. E aí, como não ter gula diante de alimentos tão convidativos?”

O médico lembra que é muito difícil controlar a ingestão em demasia quando estamos diante de pratos muito saborosos. “Por isso, para ajudar meus pacientes super obesos a perder peso até conseguirem chegar ao peso ideal para fazer uma cirurgia bariátrica, eu recomendo para que se afastem das maiores tentações: festinhas, hamburguerias, pizzarias, rodízios. É nesses locais que muitas vezes comemos muito além da conta. Mas também há muitos casos em que o exagero acontece dentro de casa”, diz.

Pitombo e sua equipe ensina as pessoas a escolherem alimentos ideais. “Não tem mágica. Depois da bariátrica, o obeso passa a ter uma grande aliada que é a perda de apetite provocada também pelas mudanças hormonais. Mas enquanto não opera, e existe vontade de comer mais, a solução é comer o que engorda menos, que são os vegetais, os legumes corretos, as frutas com menor quantidade de açúcar (frutose), as carnes magras, o leite desnatado, carboidratos na proporção certa, grãos e as folhas verdes. Tudo o mais natural possível”, explica.

Confira abaixo mais algumas dicas de Pitombo para emagrecer:

Foto: Live Science

-Troque o tipo de açúcar — converse com o nutricionista e veja qual adoçante é mais apropriado para o seu paladar. Há várias opções. E lembre-se sempre, há açúcar no bolo, no biscoito, no refrigerante. De preferência às frutas no dia a dia e quando o desejo de comer doce estiver forte. Morango, abacate, maçã, laranja lima, kiwi, pêssego, melão e melancia são boas opções com menor teor de frutose.
Beba bastante água — além de ser importantíssima para hidratar, e melhorar o funcionamento do organismo em diversos aspectos, a água pode ajudar a driblar a fome. Tente ingerir ao menos dois litros por dia. E de quebra, ajude a saúde dos seus rins. Com mais água, é possível ter melhora da pele, unhas e cabelos! A água favorece também o funcionamento do intestino e a digestão.

-Pratique exercícios — A atividade física é importante, mas sempre sob orientação para não ter lesões. A atividade física é fundamental para o bom funcionamento do sistema cardiovascular, pulmões e todos os seus órgãos. Além de se uma ótima higiene mental.
Estabeleça prazos factíveis — Nada se consegue da noite para o dia. Nem mesmo mudar os hábitos alimentares ou praticar atividade física. Porque tudo que se conquista à base de muito sofrimento, pode ser abandonado. Crie metas e vá aumentando aos poucos.
-Coma nas horas certas – ficar muito tempo sem comer pode te levar a querer devorar o que tiver. Fora isso, seu organismo vai começar a reter mais calorias para suprir a falta da ingestão do alimento.

-Procure ajuda médica — somente um médico pode analisar individualmente o seu organismo para identificar quais as possíveis causas para o sobrepeso e assim, compor, junto com outros profissionais, como nutricionista e psicólogo, um bom plano de perda de peso.

Cuide de sua saúde

De acordo com Pitombo, um estudo feito pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido, analisou 3,5 milhões de pessoas por 10 anos e concluiu que mesmo com exames saudáveis num primeiro momento estes obesos seguem tendo riscos de desenvolver problemas cardíacos e vasculares. Dos pacientes acompanhados, 61 mil desenvolveram doença coronariana com o passar do tempo, apesar de estarem metabolicamente saudáveis no início do estudo. Segundo a pesquisa, os obesos que pareciam saudáveis tinham risco 50% maior de desenvolver doença cardíaca do que as pessoas com peso normal. Além disso, os pacientes que estavam acima do peso tinham um risco 7% maior de ter doenças vasculares cerebrais e o dobro de risco de ter insuficiência cardíaca.

E complementa: “Estar obeso, sabida e cientificamente, aumenta estatisticamente o aparecimento de dezenas de doenças, não só articular, muscular, cardiológica, pulmonar, bem como uma diversidade de doenças metabólicas como diabetes, alteração do colesterol, doenças renais e muitos tipos de câncer. E ainda temos as doenças psiquiátricas associadas, como depressão, isolamento social e até suicídio. Não estou afirmando que por ser obeso a pessoa está doente, assim como não falamos que por fumar, também está. O que estamos afirmando é que em ambas as situações se aumenta estatisticamente a chance de doenças quando comparada com a população que está no peso ideal e tem hábitos saudáveis. Por isso, quando me deparo com influenciadores e famosos difundindo a bandeira da obesidade, me preocupo. Estar obeso não deve ser nunca estimulado. O obeso precisa de orientação médica adequada”, enfatiza.

Doenças ligadas à obesidade

Diabetes é uma doença com maior relação com obesidade. Diversos são os estudos que demonstram essa relação. O aumento da gordura, principalmente a visceral (dentro da barriga) leva à produção de substâncias que prejudicam a ação da insulina e da glicose. O aumento de peso tem uma relação direta no aumento da pressão arterial, distúrbios no metabolismo do colesterol e triglicerídeos. Tudo isso leva a uma chance maior de infarto e desenvolvimento de doenças cardiovasculares associadas. As causas e a relação direta entre câncer e obesidade não é tão conhecida como a do diabetes e doença cardiovascular. Mas em um encontro de especialistas em câncer em 2007 ficou claramente demonstrada a relação entre alguns tipos de câncer e obesidade, como câncer de pâncreas, pulmão, cólon, esôfago, mama, rim entre outros. E estudos envolvendo quase 60 mil obesos mostraram a clara relação entre obesidade e depressão. E diversos são os estudos nessa área.

Já com relação à doença pulmonar, quando se acumula muita gordura no abdome isso irá comprimir o diafragma, o músculo que divide o tórax do abdome. Com isso, comprime-se o pulmão e se dificulta a respiração. Além disso, o tórax fica menos flexível. Substâncias inflamatórias também são produzidas e atrapalham a função pulmonar, elevando a incidência de doenças como bronquite e asma. Um exemplo que comprova esse fato, foi a alta mortalidade de portadores de obesidade durante a epidemia do Covid-19.

O obeso é um organismo delicado e que pode desenvolver distúrbios musculoesqueléticos. Difundir atividades físicas em obesos, sem a devida orientação, por exemplo, pode levá-los a lesões. Sabidamente, estar fora do peso aumenta a incidência de doenças osteoarticulares. Cerca de 1/3 das cirurgias de próteses de joelho no mundo são em obesos e a grande maioria das de quadril também.

Custo da obesidade

Hoje a obesidade já custa mais de 2,4% do PIB brasileiro. Vários são os trabalhos demonstrando que em um futuro não muito distante os sistemas de saúde não terão recursos suficientes para arcar com os custos das doenças associadas à obesidade. Não teremos como pagar a conta dos infartados, amputados, diabéticos e doentes renais. Estudo feito pela Universidade de Washington aponta a obesidade como uma crise de saúde pública em escala global. A análise dos pesquisadores norte-americanos foi feita com base em relatórios de 35 anos de observação, incluindo quase 200 países. Aproximadamente 30% da população mundial está acima do peso, sendo 600 milhões de adultos e 150 milhões de crianças. E mesmo aqueles que não estão exatamente no nível considerado de obesidade devem se preocupar: das 4 milhões de mortes atribuídas ao excesso de gordura em 2015, quase 40% ocorreram entre sujeitos com IMC entre 25 e 30, nível considerado como sobrepeso.

Sobre Cid Pitombo

Especialista em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, tendo se tornado referência nacional em seu segmento de atuação, com 30 anos de experiência, sendo 22 com bariátricas. Ao longo de sua carreira, realizou cerca de 5,5 mil cirurgias. Entre elas, 3,5 mil foram pelo Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro entre 2010 e 2020, coordenado pelo médico. É proprietário da Clínica Cid Pitombo, onde realiza atendimento multidisciplinar para tratamento de obesidade, com acompanhamento psicológico e nutricional para cerca de 100 pacientes por mês, de todo o Brasil. Tornou-se ainda mais conhecido ao operar os atores André Marques e Leandro Hassum, que contribuíram fortemente para disseminar a importância da cirurgia bariátrica. Tem mestrado e doutorado em temas ligados à obesidade e é editor do livro Obesity Surgery: Principles and Practice. Mais informações podem ser obtidas pelo site da clínica.

Dez coisas que você precisa saber sobre a obesidade*

1 – Tratar a obesidade não significa buscar um corpo mais bonito. Busca-se acima de tudo, um corpo saudável nos mais variados aspectos físicos e mentais.


2 – A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela vai se instalando aos poucos. Um jovem muito acima do peso pode não ter ainda descontrole de taxas como glicose, colesterol ou triglicerídeos, mas as chances de ter problemas com a idade mais avançada são maiores do que as de pessoas com peso controlado. Pode ser que ele nunca adoeça, mas diante do risco o ideal é buscar meios de perder o peso acumulado em excesso.

3 – Existem ao menos 15 tipos de doenças ligadas à obesidade, que podem afetar diversas partes do corpo: artérias, veias, fígado, pâncreas, coração, aparelho respiratório, rins, pele, vesícula, ossos, ovários, próstata, articulações, cérebro, intestino, esôfago, entre outras.

4 – Algumas pessoas ganham muito peso em pouco tempo, mas a maioria vai acumulando a gordura aos poucos, ao longo dos anos. A prevenção à obesidade, com uma alimentação saudável e prática constante de exercícios, portanto, precisa começar desde a infância, pois se uma pessoa ganha um quilo a mais do que deveria por ano, em 50 anos de vida, ela terá 50 quilos a mais.

5 – Nem todas as pessoas ganham mais peso, ou seja, acumulam mais gordura no corpo, porque comem muito mais alimentos calóricos e ricos em gorduras e carboidratos. Há pessoas que comendo o mesmo que outras engordam mais. Essa diferença se dá pela genética. Ou seja, há genes que atuam de forma diferente em cada organismo. Por isso, desde criança, é preciso ficar de olho na tendência familiar e no ganho de peso da pessoa. Se ela acumular mais, terá que se alimentar ainda melhor, diminuindo seus alimentos calóricos e aumentando os exercícios.



6 – Quanto mais peso se acumula, mais difícil é perdê-los. E chega um ponto em que até mesmo uma cirurgia bariátrica fica difícil de ser realizada, se a pessoa está com um peso muito alto. Muitas pessoas com obesidade em grau 3, com Índice de Massa Corpórea, o IMC, acima de 50, precisam fazer dietas para perder de 10% a 20% do peso corporal para conseguir operar. Portanto, uma reeducação alimentar e a mudança nos hábitos de vida, incluindo ao menos uma caminhada, devem ser feitas por todas as pessoas.

7 – Problemas emocionais, como a ansiedade, podem afetar o apetite de diferentes formas: alguns perdem o apetite e outras ficam com mais fome. Por isso, cuidar da mente é fundamental para prevenir a obesidade. A parte boa é que exercícios físicos ajudam tanto no gasto calórico, quanto na melhor oxigenação do cérebro, ajudando a reduzir os distúrbios emocionais.

8 – A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com este padrão, utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Conforme o IMC, classifica-se o grau de obesidade em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. Para o tratamento da obesidade são avaliados fatores de risco e outras doenças para determinar se há a necessidade de uso de medicamentos já em pacientes com sobrepeso.



9 – A obesidade muitas vezes também pode acarretar o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Muitas pessoas sofrem com gordofobia, são atacadas e criticadas por serem obesas, e há ainda preconceito no ambiente de trabalho (muitos não conseguem emprego). Buscar ajuda psicológica profissional é fundamental para obter sucesso no tratamento.

10 – A obesidade pode prejudicar a vida sexual e a capacidade reprodutiva de homens e mulheres. No homem, devido à redução da testosterona, pode reduzir a libido e levar a dificuldade de ereção. Já nas mulheres, pode ocorrer redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos hormônios masculinos. As mulheres podem apresentar aumento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. A síndrome do ovário policístico também é relacionada ao aumento de peso. Mas as chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

*Por Cid Pitombo, médico especializado em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica.

Dia Nacional de Combate à Hipertensão

Médico Cid Pitombo explica as causas da doença e como se prevenir

Sua vida tem sido estressante? A alimentação desregrada? Suas atividades físicas estão prejudicadas com a pandemia? Aumentou o consumo de tabaco e álcool? E de comidas prontas, industrializadas? Você se sente ansioso? E durante a pandemia do novo coronavirus, os problemas se acentuaram? Pois bem, saiba que você pode estar hipertenso e não sabe. A pressão arterial acima de 12×8 ou de 13×9, em idosos, é considerada acima do normal e muitas vezes o indivíduo está acima desse patamar sem sentir nada de diferente, é a chamada doença silenciosa.

E a hipertensão pode provocar diversas doenças, como arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico, demência, aneurisma da aorta torácica e abdominal, insuficiência cardíaca, angina do peito, infarto agudo do miocárdio, perda progressiva da visão e insuficiência renal. Um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia relatou aumento de casos de hipertensão e também de problemas cardiovasculares que chegaram a aumentar o número de óbitos em 2020 em 132%.

A boa notícia é que ao se controlar a hipertensão com medicamentos, as chances de se desenvolverem essas doenças são muito reduzidas.

” Cerca de 25% dos brasileiros já tinham hipertensão antes da pandemia. Esperamos novos dados do Ministério da Saúde para saber como estamos agora. Certamente é maior porque foi um ano muito estressante para todos. Mas, em linhas gerais, o que sempre alertamos aos pacientes e estamos reforçando é que muitas doenças podem ser evitadas se diminuirmos o fumo e álcool excessivo, alimentos industrializados e ultraprocessados, que são carregados de sódio, se abandonarmos de vez o sedentarismo e ao menos, fazermos uma caminhada, pular corda, andar de bicicleta, ou exercícios funcionais em casa mesmo; e dormimos ao menos 7 horas por dia”, afirma o médico Cid Pitombo, especialista em tratamentos para obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia.

“Fazendo essa rotina, já vai ajudar a aliviar o estresse, grande provocador de hipertensão. Aí pode complementar com atividades prazerosas, como ouvir música, dançar, ler um bom livro, brincar com crianças ou animais e tantos outros hobbies ou atividades que trazem mais calma, conforto e alegria”, reforça.

Entre os sintomas mais comuns que podem aparecer quando a pressão está acima do normal estão dor de cabeça, dor na nuca, tontura, enjoo, dor no peito (angina), falta de ar e visão turva ou embaçada, mas normalmente a doença se instala sem dar sinais. “E é muito comum famílias terem o mesmo problema, tanto de diabetes quanto de hipertensão, porque normalmente os hábitos ruins são adotados por todos, sobretudo a alimentação rica em sal, açúcar, farinhas e gorduras”, lembra o médico.

Ilustração: RACGP

“E depois da Covid trazendo tantas complicações associadas a essas comorbidades, o que se espera é a sociedade melhorar todos esses hábitos. Pacientes portadores de obesidade mórbida quando submetidos à cirurgia bariátrica, por exemplo, ao perderem peso, têm o benefício da reversão da hipertensão na maior parte dos casos. Diminuindo além da chance estatística das doenças que a hipertensão leva, a uma importante diminuição no custo com medicamentos, em um momento importante como o que estamos vivendo”, complementa.

Fonte: Cid Pitombo é especialista em obesidade e cirurgias bariátricas

Coronavírus: abertura de academias é um erro, alerta médico

Cid Pitombo é pesquisador da obesidade e acredita que estimular as pessoas a irem à academia no meio da pandemia vai gerar aglomerações desnecessárias e aumentar o número de contaminados com a Covid-19

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de incluir academias na lista de “serviços essenciais” que podem ser mantidos mesmo durante a pandemia do novo coronavírus não agradou nem os especialistas no combate à obesidade. Para Cid Pitombo, médico pesquisador da doença e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica, o decreto presidencial gera um risco sem benefícios.

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“Durante muitos anos, nós médicos evitamos falar que a relação entre perda de peso e atividade física é muito pequena, pois não podemos deixar de estimular a prática de exercícios regulares como um bem para saúde. Mas o que é importante saber é que fazer atividade física é fundamental para a melhora do sistema cardiovascular, função intestinal, para mente, e para uma série de outros órgãos e sistemas, no entanto, já é sabido por estudos científicos que a relação com a perda de peso é muito pequena. Ou seja, praticar atividade física sem uma dieta restritiva, você provavelmente não perderá peso algum”, alerta o médico, citando como principal evidência científica grande estudo do tema publicado na Bristish Association of Sport And Medicine.

O especialista acredita que estimular as pessoas a irem a academia no meio da pandemia vai criar aglomerações desnecessárias e aumentar o número de contaminados com a Covid-19. No caso ainda mais especial dos obesos, que têm maior tendência ao agravamento de quadro pela doença, vai gerar ainda mais internações com necessidade de UTI e respiradores, colapsando ainda mais um sistema de saúde já em colapso.

“Ao liberarmos as academias estaremos literalmente levando uma enorme população de risco, a dos obesos, a um ambiente com grandes chances de contaminação, pois envolve aglomeração, secreções respiratórias e das mais diversas, dispersão de aerossóis pelas atividades aeróbicas intensas, em salas com pouca ou nenhuma ventilação, que se tornam impossíveis de controlar”, destaca Cid Pitombo.

Os maiores estudos feitos até agora nos Estados Unidos (NYU) e França (Instituto Lille Pasteur) correlacionam a obesidade ao agravamento dos quadros de Covid-19. O Ministério da Saúde brasileiro já admitiu, inclusive, que a principal causa de morte entre pessoas infectadas que estão abaixo de 60 anos no país é a obesidade. Mais da metade da população está acima do peso e um em cada cinco brasileiros tem obesidade.

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“Estamos todos vivendo uma enorme ansiedade por respostas às frustrações do confinamento, emprego, dinheiro, futuro, estado emocional, tudo está sendo afetado e, inevitavelmente, o ganho de peso tem acontecido. Na França, estudos já demonstraram um ganho de peso significativo na população confinada. Mas o que estamos aqui hoje para alertar é que ao tornamos essa atividade fundamental, estaremos literalmente levando milhões de brasileiros de grupo de risco, para um ambiente propício à doença, sem nenhum benefício”, reforça o especialista.

Apoio virtual 

Pensando em se manter conectado com os pacientes obesos em tratamento, Pitombo e sua equipe multidisciplinar de psicólogos, nutricionistas e clínicos montou grupos de WhatsApp e estão postando vídeos nas redes sociais para orientar e confortar. E tem dado resultado. Juntos, os vídeos já tiveram mais de 100 mil visualizações em apenas uma semana.

Fonte: Cid Pitombo é médico cirurgião, coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro, recordista em cirurgias bariátricas por videolaparoscopia no SUS. Já foram mais de 3.200 pessoas que passaram pelo procedimento no sistema público do Rio e Janeiro, com taxa de sucesso de 99%.