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Vacina da Covid-19: o que leva tantas pessoas a duvidarem da ciência? por Gustavo Pagotto*

A pandemia de Covid-19 já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo mundo até o momento. Somente no Brasil, passamos de 217 mil mortes, número que só nos deixa atrás dos Estados Unidos. Para evitar a perda de mais vidas, a comunidade científica mundial trabalhou incansavelmente nos últimos meses e desenvolveu, em tempo recorde, vacinas que já começaram a ser aplicadas em diversos países.

Contendo substâncias que estimulam nosso sistema imunológico a criar anticorpos que combatem doenças, ao longo da história, vacinas para diversos males evitaram incontáveis mortes ao redor do mundo. Anualmente, estimam-se que cerca de 3 milhões de pessoas são salvas graças à imunização, ou seja, cinco pessoas a cada minuto. No entanto, com a pandemia, as teorias conspiratórias de grupos negacionistas antivacinas – que, nos quase dois séculos desde que a primeira vacina moderna foi aplicada, nunca confiaram em nenhuma comprovação científica – voltaram a atacar com força.

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Com as redes sociais como fortes aceleradoras na disseminação de desinformações, esses grupos prejudicam as já frágeis políticas públicas de combate à pandemia seguindo sua agenda para descredibilizar avanços científicos. Criam memes com mentiras disfarçadas de piadas, fazem correntes de WhatsApp colocando a imunização em dúvida, espalham teses surreais sobre os ‘verdadeiros’ interesses da indústria farmacêutica, encaminham áudios nos quais supostos especialistas – que nunca se identificam – fazem depoimentos assustadores e atacam profissionais comprometidos na defesa da vacinação… Tudo sem nenhum tipo de embasamento científico e com a certeza de que mais adeptos serão seduzidos para o movimento.

Muitas plataformas de rede social rotulam o conteúdo falso como enganoso ou contestado – e todas removem postagens que violam os termos de serviço, mas será que não existe a necessidade de que leis emergenciais sejam implementadas para eliminar este perigoso conteúdo online antivacina?

E não são apenas as vacinas que têm sua eficácia questionada por estes grupos, mas também o uso de máscaras e de outros produtos desenvolvidos para ajudar a conter a proliferação do vírus (como os que contêm nanopartículas de prata que comprovadamente inativam a ação do Sars-Cov2).

Mas se há bem pouco tempo o negacionismo científico motivava boas risadas na mesa do bar, especialmente quando representado pelos terraplanistas, desde a chegada da Covid-19, este movimento se tornou alarmante, pois, agora, vidas estão em jogo e pelas mãos de um agente ainda mais poderoso. O processo de institucionalização do negacionismo na figura de líderes políticos vem comprometendo a eficácia das medidas de combate à pandemia.

Este fenômeno pode ser explicado por meio da agnotologia, que é o estudo da propagação intencional da desinformação para fins políticos e comerciais para dar legitimidade a uma determinada agenda de poder ou tirar o foco de algo. Ou seja, quando o líder de um país faz declarações sem embasamento científico a respeito da pandemia e da vacinação e seus efeitos, sua estratégia política fica evidente e, naturalmente, parte da população se sente confusa e não sabe como agir.

Ilustração: José Augusto Camargo/Pixabay

No entanto, vidas humanas valem mais do que disputas de poder. A politização do vírus e da vacina coloca toda a população brasileira em meio a um cabo de guerra ideológico que vem fazendo mais vítimas a cada dia. É preciso refutar o negacionismo científico como política de Estado, combatendo com veemência discursos que criam caos, desinformação e medo.

Quando é possível observar tão nitidamente quanto agora – com mais de 210 mil vidas perdidas – os resultados catastróficos gerados pela desinformação e inépcia, também fica evidente o quanto a ciência e tecnologia são fundamentais.

Confie na ciência, ela salva vidas!

*Gustavo Pagotto é Doutor em Química pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), co-fundador e Diretor da Nanox

“A melhor vacina é a que está disponível mais rápido e que pode vacinar mais gente”

Afirmação é do médico e pesquisador da USP Marcio Bittencourt. Nos testes, a Coronavac reduziu em 78% casos que precisariam de assistência médica e 50,4% da doença em geral, com qualquer nível de gravidade

por Luiza Caires – Jornal da USP

“A melhor vacina é a que está disponível mais rápido e que pode vacinar mais gente, e a melhor saída da pandemia é ter alguma vacina razoavelmente eficaz e segura.” A frase do médico e pesquisador da USP Marcio Sommer Bittencourt refletiu o tom que parte da comunidade científica tenta transmitir à população em relação à Coronavac. Cinco dias após a divulgação ao público de parte das informações e quatro dias após a submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do pedido para seu registro emergencial, o Instituto Butantan apresentou, nesta terça-feira (12), mais números e a metodologia da vacina contra a covid que desenvolveu com o laboratório Sinovac.

Coletiva do Instituto Butantan nesta terça-feira (11) reuniu pesquisadores para detalhes sobre o estudo da Coronavac. Eficácia global da vacina na pesquisa com profissionais de saúde na linha de frente da pandemia foi de 50,4% – Foto: reprodução

Na quinta-feira (7) uma coletiva de imprensa informou que a vacina apresentou eficácia de 78% para prevenir casos relativamente leves, mas que precisam de algum tipo de assistência médica, e 100% para prevenir casos graves, que demandam internação, assim como óbitos. Faltava a porcentagem global de eficácia, que incluía casos da doença, em qualquer nível de gravidade. É o que, no estudo, os especialistas chamam de “desfecho primário”. Levando isso em conta, a eficácia da vacina é de 50,4%. Ou seja, a chance de desenvolver a doença tomando a vacina, por este estudo, é cerca de 50% menor para quem foi vacinado quando comparado a quem não foi. E a chance de, mesmo infectado, não desenvolver sintomas graves com necessidade de assistência nem ir a óbito é 78% menor entre quem tomou a vacina. Este último número é o que os especialistas chamam de “desfecho secundário” ou desfecho clínico.

Como ponto favorável à vacina, o diretor do estudo Ricardo Palácios ressaltou que o estudo foi desenhado para ser o mais rigoroso possível, sugerindo que a eficácia global pode ter caído por isso. Ela foi testada em profissionais de saúde em contato direto com pacientes com coronavírus – o número de casos em trabalhadores que atuam na linha de frente contra a covid é maior. “Se quisermos comparar os diferentes estudos, é como comparar uma pessoa que faz uma corrida num terreno plano com outra que corre num terreno íngreme e cheio de obstáculos. Isso foi o que fizemos: colocar obstáculos”, disse. Participaram 12.476 pessoas em 16 centros clínicos localizados em oito Estados brasileiros.

Natalia Pasternak – Foto: Arquivo Pessoal

Presente no evento, a presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC) Natalia Pasternak chamou a atenção para a efetividade da vacina no “mundo real”. De acordo com a microbiologista, não adiantaria termos uma vacina com 90% de eficácia e poucas pessoas imunizadas porque a vacina não chegou até elas. Por exemplo, porque não temos freezers adequados para armazená-las. Natalia ressaltou que a Coronavac tem potencial de prevenir casos graves e mortes e agora é preciso investir o quanto antes numa campanha publicitária e de vacinação.

Para ela, essa vacina é só o começo do fim da pandemia, e as medidas de prevenção devem continuar. Podem surgir outras melhores, inclusive essa mesma continua sendo pesquisada, aprimorada. “Se essa vacina é o começo, vamos começar!”, concluiu.

Marcio Bittencourt – Foto: arquivo pessoal

Marcio Bittencourt, que integra Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica Hospital Universitário (HU) da USP, também defende os benefícios da Coronavac. “Para uma vacina desenvolvida em um ano, que pode ser produzida em larga escala localmente, distribuída facilmente sem problemas, acho um espetáculo. Sim, tem outras que nas pesquisas foram melhores, mas se você não consegue distribuir não adianta nada”, diz. E ilustra:

“Sendo simplista, ao vacinar 1 milhão com vacina que reduz 95%, o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Mas ao vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50%, você protege até 100 milhões de pessoas. E entre os que pegam, a maioria nem de médico precisa.”

Segurança

Nas etapas anteriores, os cientistas já haviam concluído que a Coronavac era segura e eficaz em produzir imunidade. A fase 3 foi realizada principalmente com o objetivo de saber se o imunizante, de fato, impedia que uma pessoa ficasse doente. Mesmo assim, continuam sendo acompanhados quaisquer reações e eventos adversos com os participantes.

Como mais um ponto a favor da segurança do produto, André Siqueira, pesquisador da Fiocruz que atuou como pesquisador principal do estudo da Coronavac no Rio de Janeiro, ressalta que a taxa de eventos adversos nos grupos placebo e vacinados foram similares, e menores em ambos os grupos após a segunda dose. Entre as reações foram relatadas dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga.

A Anvisa tem dez dias para responder ao pedido de uso emergencial, após a entrega de todos os dados. O pedido de registro definitivo no Brasil, segundo o diretor do Butantan, deve ser feito pela Sinovac, assim como o pedido de registro em outros países, conforme os dados todos forem consolidados. “A Sinovac recolhe os dados dos estudos e é ela que submete o pedido de registro, inicialmente à MNPA, que é a ‘Anvisa chinesa’, e também à Anvisa ”, disse Dimas Covas.

Detalhando os dados

Durante o evento desta terça, foram apresentados os principais números do estudo. No grupo placebo, 3,6% dos participantes tiveram covid-19 (167 em um total de 4.599). No grupo vacinado, 1,8% pegaram a doença (85 em um total de 4.653).

No grupo placebo, 0,7% (31 participantes entre os 4.653) precisou de assistência médica por covid-19. No grupo vacinado, somente 0,15% (7 de 4.599 participantes) precisou de assistência médica. Ao comparar 0,15%, com 0,7%, chegamos a taxa de 78% pessoas a menos desenvolvendo sintomas graves.

Para André Siqueira, os resultados são positivos na prevenção de infecções que sobrecarregam os serviços de saúde, em especial infecções graves, de modo que podem ter um impacto relevante para a saúde pública. “O quão impactante vai depender do número de doses disponibilizadas, da cobertura populacional nos diferentes Estados e da rapidez desta administração”, fatores que, destaca ele, não estão claros no plano de imunização divulgado pelo Ministério da Saúde.

André Siqueira – Foto: INI/Fiocruz

Ele explica que a taxa de eficácia de 78% apresentada pelo Instituto Butantan foi calculada utilizando como desfecho principal um índice da OMS (ver tabela abaixo), mas considerando somente a pontuação maior ou igual a 3, comparando-se o grupo vacinado e o não vacinado. “Este score vai de 0, que é o assintomático, a 10, que é óbito; 2 é o paciente sintomático, mas independente; 3 é quando a pessoa é confirmada para infecção pelo coronavírus, sintomática, e tem necessidade de intervenção, mas perdeu de certa forma a independência do 2, que é paciente com sintoma leve.”

Já a taxa de 100% foi atingida considerando as formas graves, acima de 4, que precisam de internação. Ou seja, o que não entrou na conta dos 78%, e que não havia sido apresentado ainda pelo governo, era o grupo 2, que é a infecção sintomática, mas que não demanda cuidados médicos, e os assintomáticos.

Coronavac

A vacina da Sinovac é produzida com vírus inativado, incapaz de causar a doença. Quando introduzida no organismo, ativa o sistema imunológico para que ele reconheça aquele corpo estranho e produza anticorpos para se defender.

Os testes mostraram que serão necessárias duas doses da Coronavac – aplicadas em intervalos de 21 dias para garantir imunidade. Segundo o secretário de Estado da Saúde Jean Gorinchteyn, São Paulo já tem disponíveis 10,8 milhões de doses da vacina, e até a primeira quinzena de fevereiro chegarão mais 35 milhões. Dimas Covas anunciou que o Instituto Butantan tem capacidade para produzir 1 milhão de vacinas por dia.

O governador João Doria afirmou que a primeira fase da campanha de vacinação deve ser iniciada em 25 de janeiro deste ano. Profissionais de saúde, indígenas e quilombolas vão receber as primeiras doses.

Eficácia tira foco de outras discussões

O médico e pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP José Galucci Neto acredita que estamos voltando muita atenção à questão da eficácia, quando este não é um problema. “A nossa maior chance de fracassar será na hora de transformar a vacina em um programa efetivo de vacinação que atinja a população, capilarize.”

Para ele, considerando que essa será uma campanha de vacinação imensa, talvez a maior da história do País, o Ministério da Saúde teria que ter mobilizado de maneira coesa sociedade civil, profissionais de saúde e a classe política, os governos federal e estaduais. “Mas não houve até o momento nenhum tipo de campanha nem de esclarecimento nem de mobilização. Pelo contrário, as mensagens são sempre ambivalentes, ambíguas.” Para Galucci Neto, tudo indica que o governo federal assumiu o risco de não se preparar acreditando que a pandemia de alguma maneira estivesse menos impactante agora ou já controlada. Haja vista que não adquiriu insumos como seringas e está dependendo de estoques que podem ser usados, mas teriam como endereço outras campanhas vacinais, como sarampo, BCG que vão ter que acontecer em paralelo.

“Não sabemos como está o PNI [Programa Nacional de Imunização], o quanto foi desestruturado, e se vai ter a mesma potência que tinha antes. Na época do H1N1, o PNI vacinou 80 milhões de pessoas em três meses. Mas eles já tinham, antes de começar a campanha, 100 milhões de doses da vacina estocadas e insumos preparados”, recorda. “Acho improvável, da maneira como as coisas estão sendo feitas, que o Ministério da Saúde consiga dar conta das duas coisas de maneira organizada.” Com tudo isso, o pesquisador acha que discutir neste momento se a eficácia é 50% ou 60% acaba sendo “picuinha”, ainda que ele tenha críticas sobre a maneira como foi feita a comunicação do governo estadual sobre a Coronavac. “Passando dos 50%, o Ministério teria que estar preparado para começar a vacinação assim que a Anvisa aprovar, mas não está. Honestamente, estou muito preocupado.”

Fonte: Jornal da USP

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Pesquisas e discussões sobre o uso da cannabis para soluções terapêuticas, alimentação e outras finalidades em alta 

O Instituto científico ILSI Brasil, promoveu um webinar sobre o tema, abordando suas propriedades para uso em medicamento e alimentos

Pela facilidade de seu plantio e cultivo, a cannabis se tornou popular entre diversos povos e regiões do planeta. Hoje, a planta tem entrado novamente na pauta de vários setores. O uso medicinal dos canabinoides tem ganho destaque pelo potencial de ação em diversas condições, em especial para as doenças neurológicas e, recentemente, pela aprovação legal de uso em alguns países.

Pensando neste contexto, a Força-Tarefa Alimentos Funcionais do International Life Sciences Institute Brasil (ILSI Brasil) realizou um webinar para tratar sobre as propriedades da cannabis para uso em medicamentos e alimentos, sob coordenação científica do Professor Emérito da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Franco Maria Lajolo. De acordo com o doutor em Farmacologia, João Ernesto de Carvalho (FCF-UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas), atualmente, diversos estudos trazem comprovações científicas que demonstram que seus princípios ativos podem ser aplicados para diversos fins.

“Os resultados dos estudos revelaram que, por exemplo, a cannabis pode ser utilizada no controle da ansiedade, distúrbio de sono, tratamento para esquizofrenia (THC), pacientes com câncer que fazem quimioterapia, para amenizar dores inflamatórias, tratamento de epilepsia e convulsões (CBD), entre muitos outros”, afirma.

Nos últimos anos, muitos estudos clínicos têm dedicado esforços em pesquisas, principalmente, por ser um mercado de potencial crescimento, como, por exemplo, nos Estados Unidos e Canadá, se tornando um setor com alta perspectiva para negócio, abrangendo muito nichos de mercado. Entretanto, ainda necessita de um controle de qualidade, garantindo máxima eficácia terapêutica. Por isso é tão importante o investimento científico, para que seja feita uma regulamentação mais ampla para a produção de produtos (alimentos) e desenvolvimento de tratamentos e remédios (medicamentos).

O Dr. José Luiz da Costa (FCF-UNICAMP), também participante do webinar, ressaltou que o mercado da cannabis tem movimentado valores bem atrativos para negócios, em países onde seu cultivo e comercialização são permitidos. Entre eles, além do extrato de canabidiol, a cannabis pode ser matéria prima para indústria têxtil, com confecção de roupas, sapatos, acessórios, entre outros objetos.

Segundo levantamento do Banco de Montreal, o mercado global de cannabis movimentou em 2018 cerca de US$ 18 bilhões. E ainda, de acordo com a Instituição, esse valor chegará a US$ 194 bilhões até 2026. Isso se o número de países que liberarem o uso medicinal e recreativo da erva não aumente mais do que o previsto. Outro mercado gigantesco é o de uso veterinário, direcionado à tratamento de pets. Além disso, há alimentos à base de cannabis, substituindo o fumo pela ingestão (uso recreativo).

Uso da erva no Brasil

No país o assunto ainda é bastante polêmico, mas é possível observar notáveis avanços, principalmente, para o uso terapêutico. Grande parte dos pacientes que necessitam do produto à base de cannabis só conseguem acesso por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entre as exigências estão a comprovação por meio de prescrição, relatório médico e termo de responsabilidade, assinado tanto pelo médico quanto pelo paciente.

Dados da Anvisa relevam que as solicitações para importação também cresceram. Desde 2015, por exemplo, mais de 7.780 pacientes já tiveram essa permissão. As doenças mais citadas nos laudos médicos são epilepsia, autismo, dor crônica, Parkinson e transtornos de ansiedade.

Por enquanto, sem uma legislação que garanta o cultivo da cannabis para fins medicinais e a produção de medicamentos, os pacientes precisam recorrer a produtos importados, que não passam pelo crivo sanitário brasileiro.

Avanços no segmento

Neste ano, o país ainda contou com uma novidade, que foi o desenvolvimento do primeiro extrato canabidiol, realizado por uma parceria entre a indústria farmacêutica e cientistas da FMRP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto) da USP (Universidade de São Paulo), que há décadas pesquisam possíveis aplicações farmacêuticas para compostos derivados da planta cannabis sativa. O produto foi liberado para comercialização pela Anvisa abril, e os primeiros lotes foram entregues ao mercado em maio. Entretanto, a venda só é permitida com receita médica, conforme já acontece com calmantes, antidepressivos e outras substâncias psicoativas, que atuam sobre o sistema nervoso central.

O webinar ‘Cannabis propriedades e implicações do uso como medicamento e em alimentos’, pode ser conferido no canal do YouTube do ILSI Brasil, neste link .

Sobre o ILSI Brasil

O International Life Sciences Institute (ILSI) é uma organização mundial sem fins lucrativos, formada majoritariamente por pesquisadores e acadêmicos de renomadas instituições, cuja missão é promover ciência que melhore a saúde e o bem-estar humanos e proteja o meio ambiente. No Brasil há 29 anos, o ILSI Brasil une esforços de cientistas nas áreas de Nutrição, Biotecnologia e Avaliação de Risco. É um fórum permanente de promoção à diálogos abertos e cooperação, realizados por meio das Forças-Tarefa, que são linhas de frente de pesquisa do ILSI Brasil e desenvolvem e executam ações dentro de focos específicos.

Fonte: ILSI Brasil

Avon, em parceria com universidade, desenvolve tecnologia inovadora para estímulo do colágeno

Descoberta do Protinol promete revolucionar o futuro do mercado global de skincare com a primeira solução capaz de aumentar dois tipos de colágeno, o I e o III

A Avon, primeira marca a estabilizar a vitamina C em 1996, volta a revolucionar os cuidados com a pele com o lançamento global de uma tecnologia inédita e patenteada, o Protinol. Desenvolvido em parceria com a Universidade de Manchester, ele é capaz de impulsionar a produção de colágeno tipo I e tipo III. Também conhecido como colágeno de bebês, o tipo III fornece uma estrutura para o colágeno tipo I e, juntos, formam uma poderosa teia capaz de estimular o desenvolvimento de uma matriz de pele firme e com elasticidade.

Quase 80% da pele é composta por colágeno. Quando equilibrados, os tipos I e III são responsáveis pela estrutura e firmeza da pele. No entanto, por volta dos 25 anos, o colágeno tipo I é reduzido em cerca de 1% ao ano, enquanto o colágeno tipo III começa a se esgotar ainda na infância. Para se ter uma ideia, em bebês, a proporção de colágeno tipo I e III é de 1:1; aos 25 anos, de 2:1, e aos 40 anos, de 3:1, o que resulta em perda da elasticidade. O poder da tecnologia da Avon está no estímulo desse equilíbrio, devolvendo a firmeza perdida.

De acordo com Anthony Gonzalez, diretor regional de Desenvolvimento de Produtos para Cuidados com a Pele e Maquiagem da Avon, estimular a produção de ambos os colágenos ao mesmo tempo era uma solução desconhecida no mercado de beleza até agora: “Enquanto a maioria dos produtos se concentra em aumentar apenas o colágeno tipo I, a nossa mais recente descoberta do Protinol™ aumenta a produção de colágeno tipo I e III, redefinindo a matriz da pele para ficar mais próxima daquela encontrada em bebês, com mais firmeza”.

Os resultados impressionantes foram uma surpresa inclusive para a equipe de especialistas da Avon. “Quando descobrimos os benefícios dessa tecnologia, enviamos uma amostra para nossos parceiros na Universidade de Manchester, Reino Unido. Após os testes, perceberam que o Protinol™era capaz de elevar a proporção de ambos os tipos de colágeno, tornando-se uma descoberta maior do que prevíamos. A solução tem a capacidade de fazer uma mudança profunda na ciência de skincare, realmente transformando o comportamento da pele”, conclui Gonzalez.

“Esta é a primeira vez que eu vejo um aumento significativo do colágeno III em um tratamento tópico”, completa Ardeshir Bayat, cientista clínico, pesquisador e professor sênior da Universidade de Manchester.

A novidade faz parte de um calendário contínuo de diversos lançamentos que serão apresentados a partir de fevereiro deste ano. No Brasil, a data de chegada da nova tecnologia ainda não está definida.

O primeiro Skincare Summit global da Avon:

A apresentação da última descoberta faz parte do primeiro Skincare Summit global da marca, um evento pensado para promover uma importante discussão sobre o passado, presente e futuro do skincare. Realizado em Nova Iorque, nos dias 29 e 30 de janeiro, para cerca de 50 jornalistas e influenciadores de 12 países, e com a presença de líderes da Avon de diferentes categorias como R&D, Inovação e Produto, o evento revelará a tecnologia e seu impacto sobre o mercado e sobre o ritual de cuidados com a pele.

O quem vem por aí:

Para o Brasil, o calendário de lançamentos de 2020 da Avon em cuidados com a pele do rosto vai reforçar os atributos de tecnologia e inovação de Renew, além de destacar o pioneirismo da marca com a introdução de soluções inéditas. “A Avon se concentra em estar um passo à frente quando se trata de inovações em cuidados com a pele. Por isso, todos os lançamentos de 2020 cumprem o objetivo de entregar tecnologia avançada em skincare acessível. O primeiro grande lançamento do ano, que chega em fevereiro no mercado, o Renew Triplo Ácido Hialurônico é um exemplo disso”, afirma Denise Figueiredo, diretora executiva das categorias de Skincare, Toiletries e Fragrâncias da Avon Brasil.

O Renew Triplo Ácido Hialurônico é um tratamento cosmético intensivo com concentração de 1.5% de ácido hialurônico que age no preenchimento de rugas e linhas finas, especialmente a longo prazo. Outro diferencial da fórmula é a combinação de três tamanhos de moléculas de ácido hialurônico que atuam desde a superfície até as camadas mais profundas, onde surgem as rugas.

Responsável por manter a pele lisa e firme, o ácido hialurônico é produzido naturalmente pelo organismo, mas sofre redução com o passar dos anos. O ativo é indicado pelos dermatologistas para ajudar no preenchimento dos espaços entre as células, no tratamento de linhas, rugas e flacidez e, ainda, na proteção e recuperação do colágeno.

renew triplo acido

O preço sugerido do Renew Triplo Ácido Hialurônico é R$ 119,90. Preço de lançamento: R$ 99,90

Vitamina C

“A Avon foi a primeira marca a estabilizar a vitamina C e, recentemente, trouxe para o mercado brasileiro o superconcentrado antioxidante Renew Vitamina C, que em três gotas por dia garante uma pele sempre radiante. Com mais de 1 milhão de unidades vendidas desde o lançamento, o produto teve sucesso absoluto e garantiu uma nova linha à base de vitamina C, com tônico e esfoliantes faciais”, complementa Denise.

A vitamina C é essencial para manter a pele radiante e, com ação antioxidante, reparar e evitar envelhecimento precoce, mas não é produzida pelo organismo. Por isso é tão importante incluí-la no ritual de beleza diário.

O Sérum Antioxidante Vitamina C protege contra o envelhecimento, uniformiza o tom e revitaliza a pele, garantindo viço e frescor. De uso diário e indicado após o gel de limpeza, o Tônico Facial com Vitamina C e Ácido Glicólico, por sua vez, completa a limpeza ao revigorar e remover as células mortas. Além disso, ilumina a pele e desperta a aparência contra o cansaço.

Para completar a linha, a Máscara Esfoliante Facial Térmica promove uma esfoliação térmica suave que ajuda a abrir os poros para facilitar o processo de remoção de impurezas. O resultado é uma pele renovada, macia e radiante. O preço sugerido para Sérum Antioxidante Vitamina C é R$ 99,99, o Tônico Facial com Vitamina C e ácido glicólico R$35,90 e a Máscara Esfoliante Facial Térmica R$ 42,90.

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Os produtos podem ser adquiridos com uma revendedora Avon ou pelo e-commerce.

Informações: SAC 0800 708 2866, de segunda a sábado das 8h às 20h.

Células-tronco em produtos anti-idade podem ‘poupar’ animais em testes

Muitos estudos com células-tronco podem abrir caminho para três tendências em tratamentos dermatológicos: rejuvenescimento facial cosmético com células-tronco humanas; regeneração da pele com células-tronco derivadas de plantas; e substituição de animais em testes cosméticos

Talvez nada seja tão aguardado no ramo da dermatologia como a utilização de células-tronco em tratamentos para a pele. Estudos recentes vêm demonstrando uma série de atuações desse tipo de células no rejuvenescimento e regeneração do tecido cutâneo, com excelentes perspectivas para uso cosmético ou injetável.

Além disso, conforme acrescenta a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, as células-tronco podem ser usadas como substitutos de animais no desenvolvimento de cosméticos. “As células-tronco embrionárias humanas foram apresentadas na União Europeia como alternativa ao uso de animais em testes de toxicidade. Esses testes baseados em células humanas evitariam as variações entre espécies e, como tal, preveem efeitos adversos mais precisos para o corpo humano. Mas ainda há uma questão ética que precisa ser debatida”, acrescenta.

Mas além da esperança na substituição dos animais em testes cosméticos, um artigo científico, publicado em novembro do ano passado no Biochemical and Biophysical Research Communications, corrobora a aplicação desse tipo de tecnologia na pele.

“O estudo afirma que exossomos* derivados das células-tronco mesenquimais do sangue do cordão umbilical humano estimulam o rejuvenescimento da pele humana. Elas desempenham um papel importante na cicatrização de feridas cutâneas e ativam várias vias de sinalização, que são favoráveis na cicatrização de feridas e no crescimento celular. O estudo detectou que, assim que absorvido na pele humana, as células-tronco promovem a síntese de colágeno I e elastina na pele, que são essenciais para o rejuvenescimento da pele”, afirma a médica.

Outro importante periódico, o Journal of Drugs In Dermatology, publicou em 2016 um estudo que destaca uma glicoproteína, apelidada de Alpha 2-HS (Fetuína), produzida por células-tronco humanas que demonstrou ser um ingrediente cosmético revolucionário.

“As secreções celulares derivadas das células-tronco foram incorporadas em duas formulações cosméticas simples (soro e loção), sem adição de outros ingredientes, e investigadas em um ensaio humano de 12 semanas que incluiu 25 indivíduos em cada grupo. As análises de proteínas nas secreções celulares revelaram uma alta concentração da glicoproteína multifuncional alfa 2-HS (fetuína), juntamente com uma multiplicidade de fatores proteicos envolvidos em desenvolvimento e manutenção de pele humana saudável”, diz a médica.

A investigação clínica, segundo o artigo, demonstrou melhora significativa dos sinais clínicos do envelhecimento cutâneo intrínseco e extrínseco, achados que foram confirmados por mudanças significativas na morfologia da pele, em proteínas de hidratação da pele como filagrina, aquaporina e conteúdo de colágeno I. “Os dados apoiam fortemente a hipótese de aplicação cosmética de secreções precursoras de linhagem de pele derivada de células-tronco, contendo fetuína e fatores de crescimento benéficos para o desenvolvimento e manutenção da pele humana, para influenciar positivamente o envelhecimento intrínseco e extrínseco”, concluiu o estudo.

A aplicação injetável de células-tronco na pele também vem sendo estudada. Um trabalho da Malásia concluiu que as células-tronco mantiveram suas propriedades celulares após serem injetadas na pele em injeções únicas e múltiplas, comprovando que podem ser usadas com segurança para fins clínicos e terapêuticos.

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Células-tronco vegetais

Se o desenvolvimento cosmético com células-tronco humanas demanda uma questão ética importante que precisa ser debatida, uma realidade pode ser obtida das células-tronco derivadas de plantas.

Em 2014, foi publicado na Dermatologic Clinics, o estudo Next Generation Cosmeceuticals – The Latest in Peptides, Growth Factors, Cytokines and Stem Cells que destacou: as células-tronco xenogênicas derivadas de plantas possuem propriedades antisenescentes, diminuindo o processo de envelhecimento celular.

No mesmo ano, artigo publicado no Plastic Surgical Nursing apontou vantagens das células-tronco vegetais ao afirmar que as células-tronco humanas têm a capacidade de se diferenciar em apenas um outro tipo de célula, enquanto as células-tronco derivadas de plantas são totipotentes, o que significa que elas têm a capacidade de criar uma planta totalmente nova.

“O papel da maioria desses extratos de células-tronco derivados da planta é proteger as células-tronco humanas, existentes que residem na camada basal da pele humana, de danos causados ao DNA e induzidos por radicais livres. O artigo afirma que pesquisas recentes identificaram que extratos de células-tronco da planta apresentam atividade antioxidante substancial comprovada para proteger as células-tronco da pele desse estresse oxidativo induzido pelo ultravioleta, além de inibir a inflamação, neutralizar os radicais livres e reverter os danos de fotoenvelhecimento”, diz a médica.

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Como resultado, prossegue o estudo, os produtos cosmecêuticos agora estão incorporando esses extratos derivados de células-tronco da planta para promover a proliferação celular saudável e proteger contra danos celulares induzidos pelos ultravioletas em seres humanos. “Embora existam potencialmente muitas células-tronco botânicas que poderiam proporcionar benefícios à pele, a maior parte da pesquisa tem sido focada em três: a planta lilás, a uva e a maçã suíça”, finaliza.

*complexo proteico multienzimático envolvido em diferentes passos do processamento e degradação de vários tipos de moléculas de ARN (ácido ribunocleico), por meio da sua atividade exonucleolítica. Os complexos do exossoma podem encontrar-se tanto em células eucariotas como nas arqueobactérias. Nas bactérias equivale a um complexo mais simples, o degradossoma, que desempenha funções similares. 

Fonte: Thais Pepe é especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia

Pesquisadora da Fiocruz é eleita personalidade do ano pela Nature

A epidemiologista recebeu o destaque por seu trabalho  para o estabelecimento da relação entre o vírus zika e a microcefalia em bebês

A pesquisadora da Fiocruz Celina Turchi foi eleita uma das 10 personalidades do ano na ciência pela revista britânica Nature por seu trabalho para o estabelecimento da relação entre o vírus zika e a microcefalia em bebês. A revista destaca que Turchi integrou uma rede de epidemiologistas, pediatras, neurologistas e biólogos que levou a resultados “formidáveis”. Segundo a publicação, quando Turchi e seus colegas começaram suas pesquisas, o conhecimento sobre o zika era extremamente limitado. A revista afirma ainda que a médica ajudou a produzir uma quantidade suficiente de evidências para demonstrar o vínculo entre o vírus e malformações fetais.

“Nem em meu maior pesadelo como epidemiologista eu havia imaginado uma epidemia de microcefalia neonatal”, disse Celina à Nature. “Quando começamos, não havia nenhum livro a seguir”. Em relação à lista de 10 personalidades do ano da Nature, Celina encara como um reconhecimento do trabalho de um grupo e não apenas dela. “Estou grata e entendo que esse foi o reconhecimento de um trabalho coletivo, não só de nós pesquisadores, mas por todos profissionais de saúde envolvidos. Foi fruto também da oportunidade de poder contar com grupos experientes e qualificados de laboratório, clínica, neurologia e com apoio da instituição”, declarou Celina.

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Celina Turchi ajudou a produzir uma quantidade suficiente de evidências para demonstrar o vínculo entre o vírus e malformações fetais (Foto: Fiocruz Pernambuco)

Além de Turchi, a Nature elegeu também Gabriela Gonzales, envolvida na descoberta de ondas gravitacionais e porta-voz do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (Ligo); o astrônome Guillem Anglada-Escudé, pela descoberta de um planeta de tamanho parecido ao da Terra próximo a Alpha Centauri; e Demis Hassabis, cofundador da empresa de inteligência artificial DeepMind, cujo computador AlphaGo venceu um grande mestre do jogo de estratégia Go – feito que revela a crescente capacidade da inteligência artificial.

A lista também inclui John Zang, especialista em fertilidade que recebeu críticas e elogios ao anunciar uma técnica de substituição mitocondrial, a qual mistura o DNA de três pessoas para produzir um bebê saudável; e Kevin Esvelt, que alertou sobre os perigos de uma técnica que ele mesmo ajudou a inventar, a qual usa a manipulação genética para criar um gene que se espalha de modo mais rápido em uma população.

Foram homenageados ainda Terry Hughes, que alertou sobre uma catástrofe iminente na Grande Barreira de Corais Australiana; o químico atmosférico Guus Veleerds, por criar as bases para um acordo internacional que obrigará países a pararem de usar gases poluentes conhecidos como HFCs; a física Elena Long, que chamou a atenção para a discriminação e para os obstáculos enfrentados por cientistas lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros; e Alexandra Elbakyan, cujo web-site Sci-Hub desafiou grandes editoras científicas ao disponibilizar gratuitamente mais de 60 milhões de artigos científicos.

“Os cientistas da lista de 2016 da Nature são um grupo diverso, mas todos eles desempenharam papéis importantes em grandes eventos científicos neste ano, com o potencial de levar a mudanças em escala global”, disse Richard Monastersky, um dos editores da revista britânica.

Fonte: Agência de Notícias Fiocruz

Professor da Faculdade São Leopoldo Mandic cria próteses 3D para animais mutilados

O grupo de profissionais voluntários Animal Avengers, dedicado a fabricar próteses veterinárias para animais resgatados que não sobreviveriam na natureza ou seriam eutanasiados em cativeiro devido às mutilações, foi um dos finalistas nacionais do Prêmio Falling Walls Lab Brasil, que aconteceu dia 19 de setembro, em São Paulo. A equipe apresentou o projeto que cria próteses 3D de baixo custo com materiais odontológicos convencionais para dar forma às peças que serão usadas pelos animais mutilados.

O médico veterinário e docente Prof. Roberto Fecchio e o Prof. Paulo Miamoto, docente da Faculdade São Leopoldo Mandic, representou o grupo e apresentou, em inglês, sua pesquisa, plano de negócio, além de iniciativa social ou empreendimento, para um júri seleto formado por acadêmicos, jornalistas e executivos.

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Segundo Miamoto, o diferencial do Animal Avengers é aplicar tecnologias acessíveis, como softwares abertos para digitalizar lesões e modelar próteses, além de mostrar como a tecnologia inicialmente desenvolvida para a área forense também auxilia para a reabilitação protética de animais.

“Nosso grupo já tratou de mais de dez animais e, pela relevância dos resultados, nosso trabalho e o projeto como um todo ganharam notoriedade e espaço mundialmente”, afirma o cirurgião-dentista. De caráter inclusivo e transformador, o trabalho do grupo com esse projeto já teve seus feitos divulgados em meios de comunicação em mais de 40 idiomas.

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Infelizmente, o projeto não ficou entre os três vencedores, mas se considerarmos que foram 100 projetos apresentados, a equipe ficou muito satisfeita em estar entre os finalistas. E, mais importante, o projeto vem se tornando conhecido e atraindo a atenção de pessoas em outros países. 

Borboletas mostram nova tática de sobrevivência

Peter Moon | Agência FAPESP

Uma nova tática de sobrevivência acaba de ser descoberta em borboletas. É o que mostra um estudo com resultados publicados na revista Neotropical Entomology e coordenado por André Lucci Freitas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e por Carlos Eduardo Guimarães Pinheiro, da Universidade de Brasília (UnB).

A pesquisa, que contou também com pesquisadores da UnB e da University of New Orleans, teve apoio da FAPESP no âmbito do programa BIOTA.

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Trabalho feito na Unicamp, UnB e University of New Orleans identifica maior complexidade na forma de evitar predação e abre novas perspectivas para o estudo da evolução do mimetismo (Heraclides anchisiades e, à direita, Parides anchises / divulgação)

Sabe-se que várias espécies de borboletas desenvolveram, em sua evolução, características como a liberação de toxinas resultante em um gosto “desagradável” para evitar a predação pelos pássaros. Esses insetos impalatáveis acabaram também alardeando sua toxicidade por meio da exibição de cores vivas. É como se avisassem os predadores sobre o gosto ruim.

As borboletas palatáveis, sob pressão da predação, também desenvolveram táticas de sobrevivência. São, por exemplo, mais rápidas. Passaram também a ter um padrão de formas e cores nas asas que as identificam como muito rápidas e difíceis de capturar.

As borboletas palatáveis e mais lentas seriam, naturalmente, os alvos preferenciais dos predadores. Mas, para sobreviver, elas também criaram os seus próprios estratagemas, como o “mimetismo de escape”, por meio da qual imitam as cores das não palatáveis.

Resumindo, as borboletas impalatáveis não precisam investir em estratégias de fuga. Por serem venenosas, podem se dar ao luxo de um voo lento. Já as palatáveis precisam ser rápidas ou imitar aquelas impalatáveis para não serem comidas. Mas o novo estudo mostra que nem sempre é isso o que ocorre.

Freitas, Pinheiro e colegas estudaram especialmente duas espécies de borboletas: Heraclides anchisiades capys e Parides anchises nephalion. A primeira é palatável e muito rápida. Já a segunda, não palatável, é lenta e muito venenosa.

Ocorre que, apesar das diferenças e de não serem parentes próximas, as duas espécies são muito parecidas em padrão de coloração. A veloz H. anchisiades exibe uma padronagem de asas que muito se assemelha à da venenosa P. anchises, uma habitante das regiões tropicais das Américas.

Isso não é exclusividade da H. anchisiades, pois muitas outras espécies imitam a P. anchises. É um exemplo clássico de mimetismo, onde a palatável imita a não palatável e ganha vantagens com isso. Porém, dentre todos os que imitam a P. anchises, a H. anchisiades é uma das mais rápidas e a que possui a maior distribuição geográfica nas Américas.

À primeira vista, a H. anchisiades parece associar a sua coloração à aparência de uma borboleta muito tóxica. Em termos de estratégia de defesa para afugentar predadores, trata-se do melhor de dois mundos.

A ave que ignorar o padrão de cores tóxicas e tentar predar a H. anchisiades acabará perseguindo uma borboleta muito rápida e gastar energia sem conseguir alimento. Ao usar o mimetismo para enganar as aves, essa borboleta minimiza ao máximo as chances de predação e pode se voltar a tarefas como alimentação e reprodução.

“A borboleta veloz imita a borboleta tóxica e, dessa forma, ganha vantagens adaptativas ao associar a sua velocidade a uma característica (a toxicidade) identificada pelas aves como gosto ruim”, disse Freitas.

Já a P. anchises é uma das borboletas mais venenosas da América tropical. Seu vôo é lento, sinal de que fugir dos predadores não é uma prioridade. Apesar disso, ela exibe uma padronagem que se assemelha à da veloz H. anchisiades.

Dado que a borboleta venenosa vive nos trópicos e a borboleta veloz em todas as Américas, o que seria mais provável? Que o último ancestral comum das velozes e palatáveis H. anchisiades mimetizou a impalatável P. anchises e a vantagem adaptativa advinda deste mimetismo levou a espécie a se espalhar pelas Américas.

A distribuição geográfica mais limitada da P. anchises parece sugerir uma segunda possibilidade. “Uma borboleta muito venenosa imitaria outra muito rápida e de ampla distribuição também para minimizar as chances de predação”, disse Freitas. É esta possibilidade que o estudo evidencia.

Sugerir que uma espécie impalatável possa mimetizar uma espécie palatável como tática de sobrevivência para ganhar vantagens adaptativas não é uma ideia que possa ser encontrada em um manual de biologia. Trata-se de uma tese original.

“Argumentava-se que o mimetismo de escape só existiria em espécies palatáveis. Nossa pesquisa sugere que, em diversos casos, uma espécie impalatável poder estar fazendo uso do mimetismo de escape. Com isso, a teoria do mimetismo muda e ganha em complexidade”, disse Freitas.

Dupla estratégia

O estudo promete causar discussão entre os especialistas devido a algumas constatações, segundo Pinheiro. “Diria que as principais contribuições de nosso trabalho são, em primeiro lugar, mostrar que a coloração das borboletas não está relacionada apenas a sua palatabilidade, mas que predadores associam suas cores à dificuldade que encontram para capturá-las”, disse.

“Em segundo lugar, o estudo indica que borboletas palatáveis podem convergir em sua coloração e formar tipos de mimetismo baseados na capacidade de escapar”, disse o pesquisador da UnB.

“Além disso, mesmo algumas borboletas impalatáveis podem também ser rápidas e usar as duas estratégias para evitar ataques de aves. O estudo levanta uma série de novas hipóteses para serem testadas em trabalhos futuros”, disse.

O artigo Both Palatable and Unpalatable Butterflies Use Bright Colors to Signal Difficulty of Capture to Predators (doi: 10.1007/s13744-015-0359-5), de Pinheiro CE, Freitas AV, Campos VC, DeVries PJ, Penz CM, publicado no Neotropical Entomology, pode ser lido aqui.

Fonte: FAPESP –  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo